Arquivo mensal Fevereiro 2018

Folha Paroquial – Domingo I Domingo da Quaresma

“Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.”

A folha pode ser descarregada em: Domingo I Domingo da Quaresma

Se fizéssemos um inquérito perguntado qual seria o tempo litúrgico mais apreciado dos cristãos, poucos certamente responderiam: a Quaresma. Automaticamente, muitos optariam pelo Natal ou pela Páscoa. Apesar desta desafeição, ela não deixa de ser fundamental. Ela é uma espécie de medicamento: não gostamos dele mas tomamo-lo porque é bom para nós.
Este primeiro domingo da Quaresma começa com as primeiras palavras registadas de Jesus: “Cumpriu-se o tempo e está
próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”. Todos os anos esta frase ressoa nas nossas igrejas, em particular no dia da imposição das cinzas. Nesse dia, longas filas de pessoas se aproximam do sacerdote para receber as cinzas na fronte e ouvir estas primeiras palavras de Jesus. No ano seguinte, novas filas se aproximarão para executar o mesmo rito. O rito será o mesmo, as pessoas serão diferentes. Algumas já lá não estarão porque morreram ou porque, por razões de saúde, já não poderão vir mais à igreja. Para essas, o sentido da expressão: “Cumpriu-se o tempo” teve um significado novo que, se calhar, no ano anterior nem foi percebido na sua urgência. Pensamos sempre que este ano será mais um ano, mas talvez este ano seja o meu ano, o ano da urgência, o ano em que o “arrependei-vos” me é dirigido de forma radical, como uma última chamada.

Folha Paroquial – Domingo VI do Tempo Comum

“Se quiseres podes curar-me.” Jesus tocou-lhe e disse: “Quero. Fica limpo.”

A folha pode ser descarregada em: Domingo 6 Tempo Comum

Eucaristia 09.02.2018 19h00

Eucaristia 09.02.2018 19h00
Paróquia São João Baptista – Coimbra
Informamos que excepcionalmente não haverá Eucaristia dia 09.02.2018 sexta-feira às 19h00 em virtude das Conferências “Enovar 18”.

«Em seu coração
o homem planeia o seu caminho,
mas o Senhor determina
os seus passos.
Provérbios 16:9»

Bênção das Crianças – 4 Fev 2018

Tinha sido feito com alguma antecedência um trabalho de divulgação nas redes sociais, nas missas dos últimos fins-de-semana e junto dos pais da catequese e por isso já se esperava uma grande afluência de famílias neste dia, na sequência da festa litúrgica da apresentação de Jesus no templo e já tradicional bênção das crianças. No entanto, o número superou largamente as expectativas, provando mais uma vez a necessidade de quebrar rotinas e procurando ir ao encontro dos anseios das pessoas. Foi uma celebração muito bonita e sentida: depois da homilia, o Pe Filipe Diniz chamou as crianças, pronunciou uma bênção e, enquanto a assembleia cantava, abençoou as crianças todas, uma por uma.

Evangelização de Rua no Mercado Norton de Matos (3 Fev 2018)

A marcação desta ação de evangelização no mercado do Norton de Matos surgiu de um impulso na sequência das últimas Jornadas de Formação Permanente da nossa diocese: no ano passado tínhamos ido para a rua, durante as festas da Rainha Santa, e éramos para cima de 40 irmãos com o desejo de levar a boa-nova do Evangelho aos transeuntes da nossa cidade. No Natal, pedimos autorização ao Centro Comercial Alma (antigo Dolce Vita) para irmos levar um pouco da alegria de acolher Deus Menino aos milhares de pessoas que por esses dias invadiam esse local, mas a autorização necessária da administração tinha-nos sido recusada.

Já por diversas vezes tinha comentado com o Pe Jorge Santos que havíamos de tentar o Mercado Norton de Matos, aos sábados de manhã, mas a coisa ia ficando em águas de bacalhau e, durante as Jornadas, enquanto ouvia o cardeal e outros intervenientes no local ou a partir do Youtube, onde estavam a ser transmitidas em direto, lembrei-me de alinhavar uma estrutura, escrevia-a num email e uns dias depois mandei-o ao Pe Jorge a pedir autorização para mobilizar as pessoas da paróquia.

Tive algum receio que os paroquianos aderissem pouco e rezei bastante quer pedindo ao Senhor que fosse preparando o coração de quem viéssemos a encontrar durante a evangelização de rua, quer que inspirasse a audácia necessária aos irmãos da comunidade paroquial. No sábado houve quem me confessasse que tinha passado a noite quase em branco com receio do que iria acontecer; houve vários que foram primeiro às compras ao mercado e que acabaram por se juntar a nós, de coração aberto.

Éramos uns 25, havia um grupo a tocar guitarra, pandeireta e a cantar, as crianças ofereciam chá e café, e outro grupo, dois a dois, falava com quem passava: muito simplesmente dizíamos-lhes que éramos cristãos das paróquias ali à volta, que estávamos muito felizes por termos permitido que Deus se revelasse nas nossas vidas e perguntávamos se lhes podíamos falar do que a paróquia tinha para oferecer. Íamos dando o nosso testemunho, apresentámos o percurso Alpha, desafiámos a aparecer na eucaristia, convidámos para o Grupo de Oração, para a Oração de Misericórdia e para o Fórum Cristãos no Mundo, rezámos com quem permitiu ou pediu que o fizéssemos (uma Avé-Maria ou assim), e viemos de lá com uma alegria imensa, apesar do frio. No fim, foram muitos os que manifestaram o desejo de fazer isto mais vezes. Muito mais vezes. E a alegria devia ser mesmo imensa e verdadeira, de tal modo que contagiou outros que não quiseram ou não puderam ir e que entretanto já dizem que da próxima vez também querem participar. Em março, repetimos. E esperamos que seja de agora em diante uma vez por mês.

Paulo Farinha Silva

GRUPO DE ORAÇÃO, porquê? o testemunho da Carla Ribeiro

Por que vou ao grupo de oração? Questiono-me muitas vezes sobre esta minha decisão. Para ser sincera, ao analisar a minha caminhada espiritual, e depois de ter feito uma primeira experiência, senti que este novo percurso fazia todo o sentido na minha vida. Terei de ser sincera ao afirmar que esta decisão é muito pessoal porque senti um apelo interior e uma necessidade de fortalecer a minha relação com Deus.

O que me toca mais nestes encontros é a oração que fazemos uns pelos outros, as palavras de alento, edificantes, que transmitimos uns aos outros e as ações de interajuda, efetuadas de uma forma altruísta. No grupo de oração não ficamos sozinhos na dor, todos intercedem uns pelos outros. Ficamos igualmente unidos na alegria, e quando nos encontramos é sempre um momento de festa.

De uma forma resumida, faz sentido descrever o que fazemos no Grupo de Oração para que se possa perceber as razões da minha alegria em pertencer a este grupo.

Nos dias do nosso encontro, quando esperamos uns pelos outros, o ambiente alegre de acolhimento e muito fraterno faz o meu coração aquecer imediatamente. De seguida, damos inicio a estes encontros com cânticos de louvor. Louvamos muito a Deus com cânticos e ações de graças, e somos desafiados a encontrar razões na nossa vida para o fazer. Quando faço alguma partilha, sinto o meu coração aumentar, bater mais forte e isso revigora-me. Temos um momento de escuta da Palavra, meditamos e partilhamos o que nos tocou especialmente.  Em muitos momentos, senão sempre, a palavra de Deus que foi meditada vai ao encontro dos meus anseios.

Segue-se o momento de pedir, suplicar, interceder pelas intenções pessoais de cada membro. É um momento muito significativo, pois sei que a voz de um grupo clama mais forte… a força da união em Jesus. Para mim, faz toda a diferença alegrar-me com os irmãos e partilhar as tristezas com eles. Chego muitas vezes com um problema de saúde e saio regenerada. É verdade, aconteceu no último encontro. Durante os dias que se seguem continuamos em oração uns pelos outros.

Resumindo, vou ao grupo de oração porque me sinto bem! Saio dos encontros sempre fortalecida, animada, com esperança e mais energia, e isso repercute-se em todos os que me rodeiam. É por todas estas razões e muito mais que pertenço a este grupo. Faço-lhe um convite: venha ver e experimentar, gostaria muito de o(a) ver um dia destes…

Carla Ribeiro

Porquê adorar?

No dia 4 e 5 de março um missionário da Santíssima Eucaristia estará em S. José numa missão de lançamento da adoração eucarística de uma forma o mais permanente possível. Colocar a adoração eucarística como atividade central é ter como princípio pastoral o primado da graça. Quer dizer que reconhecemos que a Igreja é do Senhor e é d’Ele que esperamos a pesca abundante para não corrermos o risco de «pescar toda a noite e não apanharmos nada” segundo a expressão de S. Pedro.

O magistério da Igreja tem pedido muito esta adoração nas paróquias. Porquê adorar?

O que diz o magistério da Igreja:

  1. Um doce dever : «É para nós um doce dever honrar e adorar na hóstia sagrada, que os nossos olhos veem, o Verbo incarnado que eles não podem ver e que, sem deixar o céu, tornou-se presente diante de nós…» (Profissão de fé católica Paulo VI, 1968). Adorar, é responder ao primeiro mandamento : « Só ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto » (Mt4, 10)
  2. Fazer a experiência da ternura de Deus «É bom estar com Ele e, inclinados sobre o seu peito como o discípulo amado, ser tocados pelo amor infinito do seu coração…» (Ecclesia de Eucharistia”, João Paulo II, 2003)
  3. Tornar-se evangelizador «Para evangelizar o mundo, é preciso apóstolos “peritos em celebração, em adoração e em contemplação da Eucaristia…» (Missão e Eucaristia, João Paulo II, 2004)
  4. Um eminente serviço à humanidade «Pela adoração, o cristão contribui misteriosamente na transformação radical do mundo. Toda a pessoa que ora ao salvador eucarístico leva consigo o mundo inteiro e eleva-o a Deus. Aqueles que se põem diante do Senhor realizam pois um enorme serviço…» (João Paulo II carta a Mons.Houssiau, Junho 1969)
  5. Reparar as grandes faltas do mundo «A Igreja e o mundo têm uma grande necessidade do culto eucarístico. Jesus nos espera neste sacramento de amor. Não regateemos o nosso tempo para ir estar com Ele na adoração, na contemplação cheia de fé e decidido a reparar as grandes faltas do mundo. Que a nossa adoração não cesse nunca…» (Dominicae Cenae », João Paulo II, 1980)
  6. Prolongar a Missa : O acto de adoração fora da missa prolonga e intensifica o que foi realizado durante a própria celebração litúrgica. De facto só na adoração eucarística pode amadurecer um acolhimento profundo e verdadeiro. E é por este acto pessoal de encontro com o Senhor que amadurece em seguida a missão social que está contida na Eucaristia e que pode quebrar as barreiras não somente entre o Senhor e nós, mas também as barreiras que nos separam uns dos outros… ( Bento XVI, Sacramentum Caritatis, 2007)
  7. Melhor remédio contra as idolatrias: ” Adorar o Deus de Jesus Cristo, que se fez pão partido por amor, é o remédio mais válido e radical contra as idolatrias de ontem e de hoje. Ajoelhar-se diante da Eucaristia é uma profissão de liberdade : Aquele que se inclina diante de Jesus não pode, e não deve, prostrar-se diante de nenhum poder terrestre, por mais forte que seja. Nós, cristãos, só nos ajoelhamos diante de Deus, diante do Santíssimo Sacramento, porque n’Ele nós sabemos e cremos que está presente o Deus verdadeiro, que criou o mundo e que o amou tanto ao ponto de lhe dar o seu Filho unigénito ( Cf Jo3,16)…” ( Bento XVI, homilia na Festa do Corpo de Deus, 2008).

Adoração eucarística – testemunho da Maria do Rosário

Há 5 anos que a paróquia de S. João Baptista fez o lançamento da adoração eucarística. Cerca de 100 pessoas fizeram um compromisso de amor, de dar uma hora por semana, para estar diante do Senhor, em adoração, permitindo assim que Jesus-Eucaristia esteja solenemente exposto e que muitos outros irmãos possam passar à hora que mais lhes der jeito, para estar com o Senhor. Tem sido um caudal de graça para os que adoram e para toda a paróquia, este tempo de adoração de 40 horas semanais. Gostávamos que fosse já adoração perpétua, mas a paróquia ainda não tem assim tanta gente capaz de assumir tanta hora, pois seria necessário cerca de 250 pessoas a comprometer-se uma hora por semana.

Esta semana, deixamos o testemunho da Maria do Rosário:

Aprende-se a rezar, rezando. Aprende-se a estar diante do Santíssimo Sacramento, estando.

Quando me inscrevi para semanalmente fazer uma hora de adoração, senti interiormente que Jesus me batia à porta, porque eu precisava de dar mais um passo para me conhecer e O conhecer melhor. Não foi de todo fácil passar uma hora meditando, procurando esvaziar-me de preocupações. No entanto, com o passar das semanas, meses e já anos, sinto que é uma bênção pois uma hora parece-me minutos.

Sinto no mais fundo do meu ser que Jesus tem sede do meu amor e sinto sede dessas horas.

Vou aprendendo passo a passo aquele encontro inexplicável desta sede do divino partilhada.

Maria do Rosário

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2018

«Porque se multiplicará a iniquidade,
vai resfriar o amor de muitos» (
Mt 24, 12)

 

Amados irmãos e irmãs!

Mais uma vez vamos encontrar-nos com a Páscoa do Senhor! Todos os anos, com a finalidade de nos preparar para ela, Deus na sua providência oferece-nos a Quaresma, «sinal sacramental da nossa conversão», que anuncia e torna possível voltar ao Senhor de todo o coração e com toda a nossa vida.

Com a presente mensagem desejo, este ano também, ajudar toda a Igreja a viver, neste tempo de graça, com alegria e verdade; faço-o deixando-me inspirar pela seguinte afirmação de Jesus, que aparece no evangelho de Mateus: «Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (24, 12).

Esta frase situa-se no discurso que trata do fim dos tempos, pronunciado em Jerusalém, no Monte das Oliveiras, precisamente onde terá início a paixão do Senhor. Dando resposta a uma pergunta dos discípulos, Jesus anuncia uma grande tribulação e descreve a situação em que poderia encontrar-se a comunidade dos crentes: à vista de fenómenos espaventosos, alguns falsos profetas enganarão a muitos, a ponto de ameaçar apagar-se, nos corações, o amor que é o centro de todo o Evangelho.

Os falsos profetas

Escutemos este trecho, interrogando-nos sobre as formas que assumem os falsos profetas?

Uns assemelham-se a «encantadores de serpentes», ou seja, aproveitam-se das emoções humanas para escravizar as pessoas e levá-las para onde eles querem. Quantos filhos de Deus acabam encandeados pelas adulações dum prazer de poucos instantes que se confunde com a felicidade! Quantos homens e mulheres vivem fascinados pela ilusão do dinheiro, quando este, na realidade, os torna escravos do lucro ou de interesses mesquinhos! Quantos vivem pensando que se bastam a si mesmos e caem vítimas da solidão!

Outros falsos profetas são aqueles «charlatães» que oferecem soluções simples e imediatas para todas as aflições, mas são remédios que se mostram completamente ineficazes: a quantos jovens se oferece o falso remédio da droga, de relações passageiras, de lucros fáceis mas desonestos! Quantos acabam enredados numa vida completamente virtual, onde as relações parecem mais simples e ágeis, mas depois revelam-se dramaticamente sem sentido! Estes impostores, ao mesmo tempo que oferecem coisas sem valor, tiram aquilo que é mais precioso como a dignidade, a liberdade e a capacidade de amar. É o engano da vaidade, que nos leva a fazer a figura de pavões para, depois, nos precipitar no ridículo; e, do ridículo, não se volta atrás. Não nos admiremos! Desde sempre o demónio, que é «mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), apresenta o mal como bem e o falso como verdadeiro, para confundir o coração do homem. Por isso, cada um de nós é chamado a discernir, no seu coração, e verificar se está ameaçado pelas mentiras destes falsos profetas. É preciso aprender a não se deter no nível imediato, superficial, mas reconhecer o que deixa dentro de nós um rasto bom e mais duradouro, porque vem de Deus e visa verdadeiramente o nosso bem.

Um coração frio

Na Divina Comédia, ao descrever o Inferno, Dante Alighieri imagina o diabo sentado num trono de gelo; habita no gelo do amor sufocado. Interroguemo-nos então: Como se resfria o amor em nós? Quais são os sinais indicadores de que o amor corre o risco de se apagar em nós?

O que apaga o amor é, antes de mais nada, a ganância do dinheiro, «raiz de todos os males» (1 Tm 6, 10); depois dela, vem a recusa de Deus e, consequentemente, de encontrar consolação n’Ele, preferindo a nossa desolação ao conforto da sua Palavra e dos Sacramentos. Tudo isto se permuta em violência que se abate sobre quantos são considerados uma ameaça para as nossas «certezas»: o bebé nascituro, o idoso doente, o hóspede de passagem, o estrangeiro, mas também o próximo que não corresponde às nossas expetativas.

A própria criação é testemunha silenciosa deste resfriamento do amor: a terra está envenenada por resíduos lançados por negligência e por interesses; os mares, também eles poluídos, devem infelizmente guardar os despojos de tantos náufragos das migrações forçadas; os céus – que, nos desígnios de Deus, cantam a sua glória – são sulcados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte.

E o amor resfria-se também nas nossas comunidades: na Exortação apostólica Evangelii gaudium procurei descrever os sinais mais evidentes desta falta de amor. São eles a acédia egoísta, o pessimismo estéril, a tentação de se isolar empenhando-se em contínuas guerras fratricidas, a mentalidade mundana que induz a ocupar-se apenas do que dá nas vistas, reduzindo assim o ardor missionário.

Que fazer?

Se porventura detetamos, no nosso íntimo e ao nosso redor, os sinais acabados de descrever, saibamos que, a par do remédio por vezes amargo da verdade, a Igreja, nossa mãe e mestra, nos oferece, neste tempo de Quaresma, o remédio doce da oração, da esmola e do jejum.

Dedicando mais tempo à oração, possibilitamos ao nosso coração descobrir as mentiras secretas, com que nos enganamos a nós mesmos, para procurar finalmente a consolação em Deus. Ele é nosso Pai e quer para nós a vida.

A prática da esmola liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão: aquilo que possuo, nunca é só meu. Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos! Como gostaria que, como cristãos, seguíssemos o exemplo dos Apóstolos e víssemos, na possibilidade de partilhar com os outros os nossos bens, um testemunho concreto da comunhão que vivemos na Igreja. A este propósito, faço minhas as palavras exortativas de São Paulo aos Coríntios, quando os convidava a tomar parte na coleta para a comunidade de Jerusalém: «Isto é o que vos convém» (2 Cor 8, 10). Isto vale de modo especial na Quaresma, durante a qual muitos organismos recolhem coletas a favor das Igrejas e populações em dificuldade. Mas como gostaria também que no nosso relacionamento diário, perante cada irmão que nos pede ajuda, pensássemos: aqui está um apelo da Providência divina. Cada esmola é uma ocasião de tomar parte na Providência de Deus para com os seus filhos; e, se hoje Ele Se serve de mim para ajudar um irmão, como deixará amanhã de prover também às minhas necessidades, Ele que nunca Se deixa vencer em generosidade?

Por fim, o jejum tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento. Por um lado, permite-nos experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome. Por outro, expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus. O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome.

Gostaria que a minha voz ultrapassasse as fronteiras da Igreja Católica, alcançando a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, abertos à escuta de Deus. Se vos aflige, como a nós, a difusão da iniquidade no mundo, se vos preocupa o gelo que paralisa os corações e a ação, se vedes esmorecer o sentido da humanidade comum, uni-vos a nós para invocar juntos a Deus, jejuar juntos e, juntamente connosco, dar o que puderdes para ajudar os irmãos!

O fogo da Páscoa

Convido, sobretudo os membros da Igreja, a empreender com ardor o caminho da Quaresma, apoiados na esmola, no jejum e na oração. Se por vezes parece apagar-se em muitos corações o amor, este não se apaga no coração de Deus! Ele sempre nos dá novas ocasiões, para podermos recomeçar a amar.

Ocasião propícia será, também este ano, a iniciativa «24 horas para o Senhor», que convida a celebrar o sacramento da Reconciliação num contexto de adoração eucarística. Em 2018, aquela terá lugar nos dias 9 e 10 de março – uma sexta-feira e um sábado –, inspirando -se nestas palavras do Salmo 130: «Em Ti, encontramos o perdão» (v. 4). Em cada diocese, pelo menos uma igreja ficará aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e da confissão sacramental.

Na noite de Páscoa, reviveremos o sugestivo rito de acender o círio pascal: a luz, tirada do «lume novo», pouco a pouco expulsará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica. «A luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, nos dissipe as trevas do coração e do espírito», para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: ouvir a palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor.

Abençoo-vos de coração e rezo por vós. Não vos esqueçais de rezar por mim.

Vaticano, 1 de Novembro de 2017
Solenidade de Todos os Santos

Francisco

Folha Paroquial – Domingo V do Tempo Comum

Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados.

A folha pode ser descarregada em: Domingo 5 Tempo Comum

O texto do evangelho de hoje mostra-nos um dia da atividade messiânica de Jesus. Começa, pela manhã, em casa da sogra de Pedro que está com febre e prostrada na cama. Jesus aproxima-se, – Jesus sempre se faz próximo – tomou-a pela mão, (a força do gesto) e levantou-a, como fez à menina de 12 anos que estava já morta e a quem disse: “Talitha kum, menina levanta-te.” Curada por Jesus, a sogra de Pedro pode começar a servi-los. O discípulo de Cristo serve como expressão da sua fé e do seu ser de discípulo. Quem experimentou o poder do amor de Jesus que sendo de condição divina se fez servo, obediente até à morte e morte de cruz, só pode fazer da sua vida um serviço. Jesus foi o servo da humanidade que lhe lavou os pés e que disse: “Aquele que quiser ser meu discípulo, será como o filho do Homem que não veio para ser servido mas para servir e dar a vida”. Cristão que não esteja disponível para servir com amor e humildade, pode acreditar em Jesus, mas ainda não é seu seguidor. Pelo menos falta-lhe este grande pilar do discípulo, o serviço aos outros, nomeadamente à comunidade.
“Ao cair da tarde, já depois do sol posto”- Começámos de manhã e já vamos no final do dia – trouxeram-lhe todos os doentes da cidade que ficaram reunidos junto da porta. A pobre casa de Simão nunca terá visto tanta gente, se bem que é preciso pensar que cidade era um ajuntamento relativamente pequeno, como sabemos hoje. Cafarnaum não devia ter mais de 250 pessoas.
Jesus cura os doentes que lhe trazem, ensina e expulsa os demónios. Jesus não cura só por curar, mas aproveita para ensinar, para formar, para levar à conversão. Outro pilar importante da vida do discípulo é a formação, deixar-se ensinar pela Palavra de Deus, procurar solidificar a sua fé para se enraizar em Cristo e na sua doutrina.
Entretanto vem a noite e o descanso. O texto continua: « De manhã muito cedo, levantou-se e saiu. Para onde? “ Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar”. Outro dado da atividade de Jesus. Um grande tempo do seu dia é dedicado à oração. Os evangelhos mostram-nos Jesus a rezar longamente, de manhãzinha, à tarde, ao cair do sol, pela noite dentro. Todas as horas servem para Jesus se retirar para estar a sós com o Pai. Outro pilar da vida do discípulo a dar uma importância capital é a vida de oração onde nos abrimos à graça salvadora de Deus.
Sem oração vivemos exclusivamente das nossas forças naturais e não vamos longe, mas pela oração e pela frequência dos sacramentos acolhemos em nós a vida divina, a vida do Espírito que nos fortalece, nos anima, nos cura e nos ajuda a viver as virtude teologais de fé, esperança e caridade. Mas como acontece a quem está na vida ativa, muitas vezes o orante é interrompido pelo grito dos que estão impacientes para serem ajudados. Desta vez são os discípulos que interrompem a oração de Jesus para Lhe dizerem: “Todos Te procuram.”
Como que a quererem dizer-Lhe: «Como consegues estar aqui na calma e na paz quando tanta gente clama por ti?» E a resposta de Jesus pode confundir-nos. Quando tantos O procuram, Ele diz aos discípulos: “Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas afim de pregar aí também”. Jesus não se deixa levar pelo sucesso, que é uma armadilha. Isso tinha sido a tentação do demónio no deserto à qual Jesus resistiu. As pessoas curadas, falavam d’Ele e a sua fama espalhou-se à volta e agora todos queriam vê-l’O. Mas já tinham os sinais suficientes para acreditarem n’Ele e se converterem. Jesus não é um curandeiro ou um milagreiro. Ele veio chamar os homens à conversão apresentando-lhes os sinais do Reino, mas não satisfaz a curiosidade de quem procura ver o maravilhoso. «Vamos, pois para outras aldeias para aí pregar pois foi para isso que Eu vim.»
O que Jesus procura é levar os homens à conversão da vida pelo anúncio do Evangelho, para que eles se abram a Deus e sejam salvos. Este é outro pilar da vida do discípulo, a evangelização que leva à fé.
Assim, no texto de hoje vemos Jesus que evangeliza, curando e ensinando, que reza, que serve e leva outros a servir. Que tempo damos à oração na nossa vida? Encontramos alegria e disponibilidade para o serviço com humildade e amor? Que tempo dedicamos a aprofundar a nossa fé, deixando-nos ensinar pela palavra de Deus e participando em encontros de formação espiritual e doutrinal? Vivemos o zelo pela missão que Jesus nos confiou de ir e ser testemunha d’ Ele?