Folha Paroquial – Domingo de Pentecostes

Folha Paroquial – Domingo de Pentecostes

“«Mandai, Senhor o vosso Espírito, e renovai a terra.»”

A folha pode ser descarregada em: Domingo de Pentecostes

«Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».»

Da Babel ao Pentecostes
O livro dos Génesis apresenta-nos a narrativa da Babel ((Gen 11,1-9) que ajuda a explicar muito daquilo que estamos a viver nos nossos dias, tanto no panorama nacional como internacional. Na antiga Babel, a humanidade tentou construir uma cidade imponente para exprimir o poder e a glória humana. No seu orgulho, quiseram uma cidade em que Deus não tivesse lugar e disseram: «Construiremos uma cidade e nela uma torre que toque o céu». Mas a humanidade sem Deus vai-se deteriorando e cai no niilismo. Entregues a si mesmos, aos seus interesses egoístas, às suas paixões, cavam abismos que os separa. Parece que este presidente da América cego pelo poder bélico e económico do seu país, está a tentar construir a torre de Babel e assim a dividir as línguas e os povos. Onde se constrói a Babel constroem-se muros que separam.
O futebol nacional que devia servir para unir na alegria e na boa disposição as pessoas que são aficionadas pelo desporto, serve, ao contrário, tantas vezes para a violência, para a discórdia, para a divisão, gerando ódios fanáticos incompreensíveis.
Muitos dos estudantes que vão no cortejo da queima das fitas já não sabem divertir-se sem o espetáculo degradante do álcool, e de outras coisas destrutivas. Estando no Hospital, nessa altura diziam-me os médicos que as urgências não paravam com estudantes cheios de álcool. Diz-nos a segunda leitura que quando o homem fica entregue a si mesmo pratica as obras da carne que são: “luxúria, imoralidade, libertinagem, idolatria, feitiçaria, inimizades, ciúmes, discórdias, ira, rivalidades, dissenções, facciosismos, invejas, embriaguez, orgias e coisas semelhantes a estas…” não é difícil ver estes vícios na queima das fitas, (não em todos claro), no futebol, na política e em tantos lados.
Pensando nisto tudo pus-me a pensar: «Senhor, quanto o mundo tem necessidade de Ti e quanto Te afasta da sua convivência. Não desistas de nós, Senhor e continua a derramar sobre nós o teu Espírito».
O Pentecostes é o contrário da Babel. É a festa da comunhão com Deus e com os homens. No Pentecostes Deus vem habitar o coração de cada homem e da comunidade que O acolhe e isso só pode trazer caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança., os frutos do Espírito elencados na segunda leitura.
Os apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar, cumprindo o que Jesus lhes tinha mandado fazer: permanecer em oração até que viesse sobre eles o prometido do Pai, o Espírito Santo. E o Fogo do amor de Deus veio sobre cada um deles, e o que criou foi uma grande unidade, uma grande comunhão. A Igreja nasceu com a vinda do Espírito Santo e a Igreja é um mistério de comunhão. Ela é «como que o Sacramento ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e de unidade de todo o género humano». O Espírito Santo é o amor que une o Pai e o Filho. Ele é o amor em Pessoa, ou melhor, a Pessoa-amor. Onde ele estiver, gera comunhão e o sinal dessa comunhão é a unidade das línguas. Todos entendem os apóstolos na sua própria língua, quer dizer, quando o homem acolhe Deus, a Babel transforma-se na cidade onde os homens constroem a paz, o entendimento, a comunhão e se tornam uma família. O Espírito é dado para a comunhão e para a missão. Não pode haver missão sem comunhão, sem unidade. E ninguém parte se não sentir em si a força que o empurre para ir. O Espírito é esse Fogo interior do amor de Deus que nos queima, que nos abrasa, que nos entusiasma e nos faz vencer o medo e as resistências em anunciar o Evangelho. «Ai de mim se não evangelizar», dizia Paulo, cheio deste Fogo. Todos os batizados e crismados têm o Espírito Santo, mas isso não basta para nos tornarmos evangelizadores. É preciso que estejamos cheios do seu Fogo. No Evangelho, Jesus diz: «Assim como o Pai me enviou também eu vos envio a vós»; dito isto soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo». Ontem, como hoje, precisamos constantemente deste Espírito para não ficarmos fechados nas nossas belas igrejas ou sacristias. O Espírito impele-nos a «fazer-nos ao largo», a sairmos ao encontro do mundo, a irmos com criatividade, a proclamarmos de todas as formas possíveis que Jesus está vivo, que, quando lhe abrimos o coração, uma nova vida acontece. Deus ama os homens e quer o seu bem e a sua salvação.

Oração do discípulo-missionário
Pai Santo, amaste tanto o mundo, que nos enviaste o teu Filho unigénito, (Jo 3, 16) ungindo-o com o Espírito Santo e com poder (Act 10,38) para realizar a salvação de cada homem e de toda a humanidade. Pela tua morte e ressurreição, deste uma nova vida ao mundo, resgatando-nos do poder do demónio. Assim como tu o enviaste, Pai de bondade, assim Ele nos enviou também para continuarmos a sua obra em todos os tempos até aos confins da terra (Jo 20, 21-22). Reconhecemos, Pai justo, que somos incapazes de cumprir tão grande missão, a não ser que tu mesmo nos revistas com a força do Alto com a qual ungiste Jesus. Estende a tua mão poderosa, Pai eterno, para se realizarem curas e milagres em nome do teu santo servo Jesus (Act 4, 30). Dá-nos a tua palavra que penetra até ao fundo dos corações e concede-nos anunciar com coragem a salvação em nome de teu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo (Act 4, 29) que é Deus contigo na Comunhão do Espírito Santo. Amen

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