Folha Paroquial – Domingo III da Páscoa

Folha Paroquial – Domingo III da Páscoa

“«A paz esteja convosco».”

A folha pode ser descarregada em: Domingo III da Páscoa

«Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho»

Podemos afirmar que a ideia central do texto do Evangelho de hoje é a ideia de “cumprimento do plano divino da salvação”: «Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. Aliás, a ideia de cumprimento do plano de Deus percorre toda a Bíblia. Deus pode comparar-se a um artista que concebeu uma obra de arte. Tem essa obra por inteiro na cabeça e no coração, mas só aos poucos vai sendo realizada . Vai convidar muitos a colaborar com Ele naquela obra mas estes têm de confiar no artista e na sua ideia acreditando que no fim a obra vai ser esplêndida. Quando finalmente a obra se completa depois de muitos esforços e fadigas dão-se então conta da maravilha em que colaboraram. Então, e só então, poderão dizer: Ah sim, “era preciso”, tinham de se cumprir todas aquelas etapas para chegar aqui!
O desígnio amoroso de Deus, a que Paulo chama “Mistério” e que se realiza «desde antes da criação do mundo», é muito mais grandioso que uma obra de arte, por melhor que ela seja. E ao longo da Bíblia vemos como esse projeto de Deus está em marcha. A longa paciência de Deus através dos tempos, as etapas e os inícios de realização, os fracassos e os recomeços, as colaborações. Dizer que o desígnio amoroso de Deus se cumpre na história da humanidade, é dizer que a História tem um SENTIDO, isto é, um significado e uma direção. A narrativa do nosso Credo leva-nos do princípio até à consumação dos séculos. Os crentes estão voltados para o futuro, o devir e não para o passado. Dizemos no Pai Nosso “ Venha o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”, por outras palavras, Jesus ensinou-nos a rezar para que o plano de Deus se cumpra. E Ele não fez outra coisa do que realizar esse plano. Aliás, Ele está no centro da realização desse plano. Este plano não é limitador da liberdade e da responsabilidade humanas. Não há um cenário escrito de antemão. Pelo contrário, Deus respeita a liberdade do homem e é por isso mesmo que o plano de Deus não avança mais rápido, como diz S. Pedro (2 Pedro 3,9).
Quando Jesus ressuscitado, no relato da aparição aos discípulos do evangelho de hoje, lhes diz: «tem de se cumprir tudo o que está escrito», ensina-lhes a reconhecer na passagem dos dias e dos milénios a lenta, mas segura maturação da nova humanidade que será um dia reunida n’Ele. E é isso a inteligência das Escrituras. Não no sentido de «estava escrito», programado, mas está na continuação da obra de Deus. Então, para os discípulos, tudo se tornou luminoso: Agora compreendem que o Deus de amor e de perdão não podia ir senão até ao extremo do amor e do perdão; .Claro, que para nos levar para além da morte, na luz da ressurreição, seria necessário que Ele próprio atravessasse a morte; claro que para nos ensinar a ultrapassar o ódio com a força do amor, era preciso que Ele mesmo afrontasse o ódio e a humilhação; E assim por diante. «Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as escrituras”. Compreender as Escrituras é compreender este plano que as atravessa do princípio ao fim, mas que só à luz da ressurreição e com a ação do Espírito é possível entender. Compreender as Escrituras é entender que a vida tem sentido porque é fruto de um amor imenso, o amor de Deus, e que Ele está comprometido connosco pela Sua aliança até à raiz dos cabelos. Compreender as Escrituras é entrar na exultação, no louvor, na gratidão e na ação de graças a esse Deus que nos amou e tudo fez por nós, É também comprometer-se com o bem da humanidade com quem Deus se comprometeu. A nossa missão de colaboração no plano de Deus, é de anunciar e viver o melhor possível esse desígnio benevolente de Deus. É o que Paulo chama «completar na minha carne o que falta à obra de Cristo.» Completar na nossa carne quer dizer simplesmente colocar a nossa vida quotidiana ao serviço desse grande plano. O texto esclarecedor de Paulo é o seguinte:
“Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja. Foi dela que eu me tornei servidor, segundo a missão que Deus me confiou para vosso benefício: levar à plena realização a Palavra de Deus, o mistério escondido ao longo das gerações e que agora Deus manifestou aos seus santos. (Col 1,24-26)
Queres também entrar nesta história de amor sendo colaborador do plano de Deus para a salvação de cada pessoa humana?

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