Folha Paroquial – Domingo IX

Folha Paroquial – Domingo IX

“«Exultai em Deus, que é o nosso auxílio.»”

A folha pode ser descarregada em: Domingo IX

«Passava Jesus através das searas, num dia de sábado, e os discípulos, enquanto caminhavam, começaram a apanhar espigas. Disseram-Lhe então os fariseus: «Vê como eles fazem ao sábado o que não é permitido». Respondeu-lhes Jesus: «Nunca lestes o que fez David, quando ele e os seus companheiros tiveram necessidade e sentiram fome? Entrou na casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu dos pães da proposição, que só os sacerdotes podiam comer, e os deu também aos companheiros». E acrescentou: «O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Por isso, o Filho do homem é também Senhor do sábado». Jesus entrou de novo na sinagoga, onde estava um homem com uma das mãos atrofiada. Os fariseus observavam Jesus, para verem se Ele ia curá-lo ao sábado e poderem assim acusá-l’O. Jesus disse ao homem que tinha a mão atrofiada: «Levanta-te e vem aqui para o meio». Depois perguntou-lhes: «Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?». Mas eles ficaram calados. Então, olhando-os com indignação e entristecido com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão. Ele estendeu-a e a mão ficou curada. Os fariseus, porém, logo que saíram dali, reuniram-se com os herodianos para deliberarem como haviam de acabar com Ele.»

Hoje os textos falam-nos do mandamento do decálogo de guardar o sábado como o dia consagrado ou santificado para o Senhor. Na versão do livro do Deuteronómio está bem explícito o sentido libertador do sábado. “Não farás nele qualquer trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu escravo, nem a tua escrava, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem nenhum dos teus animais, nem o estrangeiro que mora contigo. Assim, o teu escravo e a tua escrava poderão descansar como tu.”
Com um dia de descanso tanto os homens livres, como os estrangeiros, os escravos e até os animais podiam repousar. É como se toda a criação fosse convidada a um dia de interrupção do trabalho para repousar da fadiga e voltar-se para o alto para render graças ao Criador.
O sábado é assim um dia humanizante e libertador, pois permite a todos, até aos oprimidos, ter uma pausa na sua opressão e no peso do fardo que carregam. Mas esse sentido é ainda mais profundo porque não se trata só de descansar, mas de olhar para Deus, adorá-Lo, reconhecê-Lo, e quando fazemos isso, reconhecemos também a nossa dignidade humana e que fomos feitos não só para trabalhar e comer, mas que somos imagem de Deus, criados para viver uma relação com Ele, para responder à proposta de Aliança de amor que Ele nos faz.
O povo da Antiga Aliança levou este mandamento tão a preceito que o absolutizaram e já não se podia fazer nada ao sábado e aquilo que surgiu para humanizar e glorificar a Deus tornou-se por vezes desumanizante porque opressivo. Jesus cumpria o sábado porque sabia que ele era de extrema importância; o que censurava era o fundamentalismo em relação ao sábado. «Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?». Se o sábado era para libertar, quando, para o cumprir não se salvava uma vida, então estava a violar-se o sentido originário do sábado.
Uma das perguntas que muitas vezes as pessoas fazem é esta: Se Bíblia manda guardar o sábado, se Jesus e os apóstolos que eram judeus guardaram o sábado porque é que nós guardamos o Domingo?
A razão principal é que foi no dia a seguir ao sábado, o oitavo dia ou 1º da semana, que Cristo ressuscitou vitorioso do sepulcro, inaugurando assim a “Nova Criação” liberta do pecado. O Dia do Senhor, Domingo, é a plenitude do Sábado da Antiga Aliança, da mesma forma como o Novo Testamento é a plenitude e o cumprimento do Antigo, e Cristo é a consumação de toda a história da salvação, desde Adão até ao fim dos tempos e o Juízo final.
Devido à Tradição Apostólica, que tem origem no próprio dia da ressurreição do Cristo Salvador, a Igreja celebra o Mistério Pascal no dia que desde o início foi chamado “Dia do Senhor” ou “Domingo” (da mesma raiz semântica de ‘Senhor’/Dominus). O dia da ressurreição de Cristo é, ao mesmo tempo, “o primeiro dia da semana”, memorial do primeiro dia da Criação, e o “oitavo dia”, em que Cristo, depois de sua Morte Sacrificial e “repouso” no grande Sábado, inaugura o “Dia que o Senhor fez para nós”, o “Dia que não conhece ocaso” S. Justino (165), Mártir legou-nos também o seu testemunho: “Reunimo-nos todos no ‘Dia do Sol’, porque é o primeiro dia após o Sábado dos judeus, mas também o primeiro dia em que Deus, extraindo a matéria das trevas, criou o mundo e, neste mesmo dia, Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dentre os mortos.” (Apologia 1,67)
Portanto, o Domingo é uma tradição que nos vem dos Apóstolos e tem origem divina. E também desde o princípio o Domingo tem no seu centro a celebração do mistério pascal do Senhor, isto é, a Eucaristia. O Senhor bispo disse na sua homilia de quinta feira , Corpo de Deus:
Desde a última Ceia de Jesus que a celebração da santa missa teve sempre um lugar central na vida do Povo de Deus. Ela constitui o momento mais significativo da sua fé e o sacramento maior da sua vida, porque é presença real de Cristo morto e ressuscitado sem a qual não há Igreja e porque congrega os cristãos numa família unida pelos laços da comunhão divina e humana, conduzidos pela Palavra do Senhor e alimentados pelo Pão do Céu.
Ao longo dos séculos e ainda hoje, a participação na Eucaristia dominical constitui um momento essencial da manifestação e preservação da identidade cristã. Não há Igreja sem Eucaristia e não se pode ser cristão sem se celebrar a Eucaristia, esse único mistério da comunhão de Deus connosco, de nós com Deus e uns com os outros.
Quando se abandona a frequência semanal da Eucaristia, perde-se o sentido de pertença a Cristo e enfraquece o sentido da fidelização à sua Igreja, deixa-se de alimentar a fé sobrenatural, quebram-se os laços de pertença à comunidade cristã nas suas diversas realizações, a comunidade local, paroquial ou diocesana e a comunidade católica ou universal.”
A perda do sentido da centralidade da Eucaristia na vida dos cristãos é, já em si mesma, um sintoma da falta de vitalidade da fé e, por sua vez, provoca um crescente esvaziamento do conteúdo essencial da mesma fé, juntamente com uma contínua desagregação da Igreja.
(…)
A missa do domingo, dignamente celebrada na igreja paroquial, com a participação da multiplicidade dos fiéis, deve ser o momento mais cuidado de toda a ação pastoral da comunidade. (…)
Redescubramos a alegria do encontro com Cristo no Santíssimo Sacramento, por meio da adoração pessoal e comunitária, no silêncio orante, repetindo no coração as palavras fundantes pronunciadas por Jesus, que dizem a totalidade da sua entrega ao Pai para nossa salvação: “Isto é o Meu Corpo; este é o cálice do Meu Sangue”.

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