Folha Paroquial – II Domingo da Quaresma

Folha Paroquial – II Domingo da Quaresma

“Este é o meu Filho muito amado: escutai‐O.”

A folha pode ser descarregada em: II Domingo da Quaresma

Quando não conhecemos mais nada do que a terra que calcamos, a casa em que vivemos, a pequenez do mundo que habitamos, os pequenos vícios ou prazeres a que nos apegamos, eles tornam-se a nossa segurança, o nosso mundo que conhecemos e dominamos. Mas quando fazemos a experiência de algo maior, mais assombroso, inaudito, até aí desconhecido, somos capazes de deixar tudo e partir para esse Novo que nos é prometido. Esse algo maior é a experiência do amor de Deus.
Deus sabe bem que se não fizermos a experiência confiante do seu amor insondável, se não experimentarmos a grandeza e a beleza do divino, a que a Bíblia chama «Mistério», não deixaremos nada por causa d’Ele. Por isso a sua pedagogia foi sempre revelar-se primeiro, mostrar-nos o seu rosto de bondade, encher-nos de misericórdia e de esperança e depois então, e só então, reenvia-nos por caminhos novos, desinstala-nos, torna-nos peregrinos de um mundo novo. Sem a experiência do encontro com Ele, o seguimento de Jesus seria algo demasiado pesado e insuportável. Todo Aquele que experimentou o encontro com o Mistério de Deus, sente-se capaz de fazer mudanças e de arriscar caminhos novos na sua vida porque sabe em quem pôs a sua confiança. Estou a pensar em Abraão que, depois do seu encontro com Deus, ouve a Sua Palavra que lhe diz: “Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei. E Abraão partiu como o Senhor lhe tinha indicado.” Como é que Abraão é capaz de deixar tanta coisa boa em si mesma? Tanta segurança, tantas terras e rebanhos que tinha? Porque experimentou algo maior e achou Deus digno de confiança. Assim tornou-se peregrino de uma promessa que se vai cumprindo lentamente até ao fim dos seus dias. Estou a pensar nos discípulos de Jesus que, amedrontados diante da expectativa da cruz, são convidados por Jesus a subirem ao Monte onde Deus, como a Abraão, lhes fala e revela o seu rosto resplandecente de beleza e santidade. Querem ficar ali para sempre, mas não foi para isso que Deus os chamou à Montanha, mas para que descessem transformados, capazes de deixarem a sua mentalidade de triunfo, de prestígio, de grandezas e serem capazes de seguir a Jesus até à cruz. Podíamos continuar a falar de Moisés, de Isaías, de Elias, de Paulo. E podíamos falar de tantos discípulos de hoje. Foi isso que Jesus disse a Madre Teresa de Calcutá, quando ia no comboio para fazer um retiro espiritual: «Deixa o colégio onde és professora de meninas ricas da sociedade e vai sem nada, para o meio dos mais pobres dos pobres de Calcutá». E ela deixou tudo e seguiu um caminho novo e incerto.
Recordo um dia ter convidado alguém que era contabilista para ser tesoureiro do Conselho económico de uma das paróquias de que era pároco. Depois de ter pensado um pouco respondeu com pena que não podia aceitar pois isso lhe ia tirar muito tempo, algumas noites para reuniões e que já tinha muito que fazer. Agradecia o convite e a manifestação da confiança que depositava nele mas por agora não. Mais tarde um familiar e amigo convidou-o para fazer um percurso Alpha no qual fez um encontro deslumbrante com Jesus ressuscitado. Passado um tempo, vem pedir desculpa por ter recusado o convite no ano anterior, dizendo-me que agora via bem que não era uma questão de estar ocupado mas não ter motivação para servir. Agora sim, estava pronto para servir Jesus na Igreja. E assim começou a fazer. Quando numa paróquia há poucos servidores, das duas uma; Ou não estão a ser chamados por ninguém ou ainda não têm motivação interior para servir e então o pároco e os mais responsáveis na paróquia devem pensar se estão a tornar possível às pessoas «subirem à montanha do Tabor» para se extasiarem com a presença do divino que nos transforma. É a isso que nos convida a Palavra de Deus deste domingo; A subirmos, com Jesus e os discípulos, ao Monte onde Deus se revela. Ele deseja que todos nós façamos a experiência do encontro com Ele…
Para aqueles que já fizeram essa experiência fundante, é preciso saber que somos fracos e que precisamos continuamente de sermos vivificados pela sua graça. Qual é o meu monte Tabor onde procuro o reencontro com Deus, onde renovo as forças para o servir, para sofrer com Ele, e para lhe dizer sim quando nos apetece dizer não?
Para mim o Tabor é a adoração eucarística durante longo tempo. N’Ele me deixo transfigurar, n’Ele recupero a paz, n’Ele é possível viver a alegria no meio das tribulações. E estou certo que para muitos assim é também. Por isso rezo para que a paróquia de S. José possa oferecer a Deus uma adoração incessante e oferecer a todos a oportunidade de virem ao seu encontro pois Ele os espera aqui no seu Santíssimo Sacramento.

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