Folha Paroquial nº 44 *Ano I* 23.09.2018 — DOMINGO XXV

Folha Paroquial nº 44 *Ano I* 23.09.2018 — DOMINGO XXV

“O Senhor sustenta a minha vida.”

A folha pode ser descarregada aqui.

«Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia. Jesus não queria que ninguém o soubesse, porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?». Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».»

Jesus continua a formar os seus discípulos, os de ontem e os de hoje, sobre como deve ser o pensamento e a ação dos que quiserem herdar o reino que Ele veio inaugurar. A Nicodemos e em tantas outras circunstâncias Jesus disse: « É preciso nascer de novo! Se não converterdes a vossa maneira de pensar e de agir não podeis ser meus discípulos e entrar no reino. Ouvimo-lo dizer a Pedro no Domingo passado: -«passa para trás de mim, Satanás, porque não tens em ti os pensamentos de Deus mas os dos homens.» Depois ensina-lhes que para O seguir é preciso renunciar a si mesmo, pegar na cruz e aprender a dar a vida para a receber em plenitude. No evangelho de hoje, Jesus continua o seu ensino sobre o mesmo tema, mas S. Marcos diz-nos que os discípulos nem entendiam aquelas palavras, ou então intuíam-mas tinham receio de que o que eles pensavam que Ele queria dizer era mesmo isso. E Jesus voltava a falar da sua entrega nas mãos dos homens que o haviam de matar mas que ressuscitaria ao terceiro dia. O mais espantoso que manifesta até que ponto os discípulos estavam noutra onda, é que, enquanto Ele lhes falava de humilhação e morte, eles discutiam, à socapa, entre eles, sobre qual deles seria o maior quando Jesus instaurasse o Reino como eles o imaginavam. Se Jesus não fosse o Mestre cheio de amor e paciência, teria desistido dos seus discípulos. Mas isso dá-me tanta esperança! Se Ele não desistiu daqueles doze que eram tão caturras, talvez eu possa ter confiança que também terá paciência com a minha lentidão a converter-me ao seu pensamento e a viver como Ele deseja. «Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos».
O desejo de grandeza e de prestígio, «a glória de mandar e a vã cobiça”, segundo as palavras do velho do Restelo, estão tão enraizadas no coração do homem velho, marcado pelo pecado, que é como o alcarracho que até a monda química tem dificuldade em destruir. Basta ver o que fizemos com a palavra ministro que vem do latim da palavra minus minor, o mais pequeno, o menor, como Jesus disse hoje: Quem quiser ser grande faça-se o ministro de todos, o mais pequeno. Mas hoje na vida civil e eclesiástica, o ministro é o maior. Mesmo aqueles que receberam ministérios laicais na igreja não conseguem fugir a esta tentação permanente de tirarmos proveito do cargo a que fomos chamados a servir os outros. É necessária uma vigilância contínua do nosso coração para não escorregarmos no plano inclinado de nos elevarmos sobranceiramente com aquilo que nos deveria fazer ainda mais humildes.
Na Basílica de S. Pedro no Vaticano está escrito a letras imensas: «Servus servorum Dei» É um dos títulos do papa, aliás belo: Servo dos servos de Deus. Os papas que mandaram construir a basílica eram tudo menos servos dos servos de Deus. Foi preciso esperar muitos anos para que os últimos papas a partir de João XXIII começassem a tentar levar mais a sério o evangelho do serviço e da humildade.
A segunda leitura, tirada da carta de S. Tiago, previne-nos contra as paixões que lutam nos nossos membros; Diz ele que essas paixões são a causa de muitos dos nossas males, desordens, invejas, divisões e guerras. Ele afirma mesmo que pedimos a Deus coisas que não obtemos porque pedimos mal levados apenas pelos nossos interesses egoístas e pelas nossas paixões.
S. Paulo no capítulo 12 da carta aos Romanos diz: “Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade” para viverdes segundo a vontade de Deus. De facto o mundo e a sua forma de viver exerce sobre nós um poderoso atrativo e é muito mais fácil deixarmo-nos moldar por ele do que pelos ensino de Jesus e a vontade de Deus. Mas só seremos sal da terra e luz do mundo se nos dispusermos a seguir Jesus na nossa forma de pensar e de atuar.

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