Folha Paroquial nº 46 *Ano I* 07.10.2018 — DOMINGO XXVII

Folha Paroquial nº 46 *Ano I* 07.10.2018 — DOMINGO XXVII

«O Senhor nos abençoe em toda a nossa vida»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Mc 10, 2-16)
Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus uns fariseus, que, para O porem à prova, perguntaram-Lhe: «Pode um homem repudiar a sua mulher?». Jesus disse-lhes: «Que vos ordenou Moisés?». Eles responderam: «Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio, para se repudiar a mulher». Jesus disse-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei. Mas, no princípio da criação, ‘Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne’. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu». Em casa, os discípulos interrogaram-n’O de novo sobre este assunto. Jesus disse-lhes então: «Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério».

Meditação
Deus criou o ser humano à sua imagem; homem e mulher o criou.
A 1ª leitura situa-nos nos primeiros capítulos do 1º livro da Bíblia, o Génesis, um livro que faz parte daquilo que se chama «sabedoria» quer dizer não é história mas reflexão: No 2º século antes de Cristo, provavelmente na corte de Salomão, um teólogo sentia-se inundado de questões: « Porquê a morte? Porquê o sofrimento? Porquê as dificuldades no casal? E todas as dificuldades com as quais nos enfrentamos tantas vezes—Para responder, ele contou uma história como Jesus contava parábolas. O autor não é um cientista, é um crente: Ele não pretende responder-nos ao quando e ao como da criação: Ele diz o sentido, o projeto de Deus. A parábola de hoje tenta compreender e situar a relação conjugal no plano de Deus. E como todas as histórias e parábolas ele emprega imagens; o jardim, o sono, o lado : Sob estas imagens prefigura-se uma mensagem para todos os tempos e para toda a humanidade em geral. A expressão Adão quer dizer terreno, feito do pó, não é um nome pessoal.
E qual a mensagem teológica deste texto?
Resumo-a em 4 pontos mas infelizmente por falta de espaço tem de ser mesmo resumida:
1ª A mulher faz parte da criação desde a origem. ( o que na Mesopotâmia não era evidente) E que ela é um dom de Deus e que o homem não pode ser feliz sem ela nem a humanidade ser completa.
2ª O projeto de Deus é a felicidade do homem. A expressão: “não é bom que o homem esteja só” significa que Deus procura a alegria e felicidade de cada pessoa.
3ª É uma afirmação muito importante e inovadora na Bíblia : A sexualidade é boa pois faz parte do projeto de Deus; É um dado muito importante para a felicidade do homem e da mulher.
4ª O ideal proposto ao casal humano não é o domínio de um sobre o outro mas a igualdade no diálogo: e quem diz diálogo diz ao mesmo tempo distancia e intimidade.
No evangelho colocam uma pergunta a Jesus sobre o divórcio e Jesus conduzi-os ao plano original de Deus que é narrado na 1ª leitura embora não tivesse dito a frase toda pois qualquer judeu a sabia de cor e que dizia:« Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, homem e mulher os criou.” A verdadeira vocação do casal é ser imagem de Deus e é porque são imagem de Deus que « o homem deixará pai e mãe para se unir à sua mulher e serem um só» Se o casal humano é imagem de Deus deve ser indivisível e indissolúvel e Jesus tira a conclusão lógica: « O que Deus concebeu na unidade não o separe o homem».
O divórcio é pois contra a vontade de Deus. Mas quando se vive na realidade concreta há muitas areias nas engrenagens pois o endurecimento do nosso coração continua a estar presente por causa do pecado. Em S. Mateus os discípulos dizem a Jesus; “Se é assim tão difícil o casamento não é muito interessante”- hoje muitos jovens dizem a mesma coisa e por isso não se casam. E Jesus mais uma vez os conduziu ao nível do mistério e do projeto de Deus. Se a realidade da construção da unidade num casal fosse fácil a questão do divórcio não se colocava, não podemos fugir ás dificuldades reais, ainda por cima com uma cultura que se centrou no indivíduo, e o casal são dois. Só pela graça de Deus se pode entrar no mistério do amor e das suas exigências. Entregues às nossas forças, não conseguimos responder ao desígnio do criador. A palavra mistério (grega) diz-se em latim sacramentum. O matrimónio é o dom da graça de Deus para o casal se amar com o amor vitorioso de Deus que é maior do que a morte. O matrimónio é infinitamente mais do que um casamento civil na igreja, é um dom extraordinário da graça que os habilita a amarem-se de um amor que tudo vence em Cristo. E perdeu-se tanto na vida dos casais e das famílias!!!
Fechámos a fonte donde brotava a água que nos fazia viver. E os casais não beberam não poderão vivera no amor pleno.
Que pena o sacramento do Matrimónio estar tão desvalorizado. É como se tivéssemos encerrado uma fonte.

Deixar uma resposta