Folha Paroquial nº 51 *Ano I* 11.11.2018 — DOMINGO XXXII

Folha Paroquial nº 51 *Ano I* 11.11.2018 — DOMINGO XXXII

«Ó minha alma, louva o Senhor.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Mc 12, 38-44)
Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa». Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro, a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».»

MEDITAÇÃO
A audácia da generosidade
Uma viúva apresenta-se no templo, enquanto Jesus falava, para fazer a sua oferta. Ela é pobre, Marcos repete-o três vezes (v.42,43) «uma pobre viúva» Era caso geral na época, pois as viúvas não tinham direito a herdar dos maridos e a sua sorte dependia em grande parte da caridade pública: Por isso a Lei de Moisés insiste muito no amparo que se deve dar à viúva e ao órfão. A viúva avança então para depositar duas pequenas moedas; e é ela que Jesus dá como exemplo aos seus discípulos: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver». O evangelho não diz mais, mas a reflexão de Jesus deixa perceber que a sua confiança será recompensada…a aproximação com a primeira leitura (a viúva de Sarepta) é sugestiva: Como a viúva de Sarepta tinha dado as suas últimas provisões ao profeta Elias, o homem de Deus, colocando toda a sua confiança em Deus, assim a viúva no Templo de Jerusalém, dá os seus últimos recursos. A sua confiança em Deus vai até correr o máximo de riscos, o despojamento completo. Nunca faremos a experiência se Deus é digno de confiança, se não tivermos gestos de entrega e de confiança n’Ele.
Estes últimos conselhos de Jesus aos seus discípulos tomarão um relevo particular algum tempo mais tarde depois da Sua morte e ressurreição: Também eles, discípulos, deverão escolher a atitude da viúva do Templo e da viúva de Sarepta na Igreja nascente. O modelo que o Senhor lhes deu não é o da ostentação de certos escribas, a sua procura de honras…mas a generosidade discreta da viúva e a audácia de arriscar tudo.
A diferença entre a dádiva da viúva pobre e o dar dos ricos no Templo é que enquanto aquela se ofereceu a si mesma, entregando-se confiante nas mãos de Deus, estes deram algo que não os implicou por dentro para fazer um ato de confiança em Deus, pois deram do que lhes sobrava sem terem necessidade de se entregar a eles mesmos. O que deram era exterior a eles, pois não precisavam do que deram para continuar a sua vida confortável.
Ora a generosidade que Deus nos pede é a entrega de nós mesmos em tudo aquilo que fazemos: Deus não procura coisas, procura o nosso coração, o nosso amor, a nossa confiança n’Ele a nossa entrega generosa. E isto não tem só a ver com o dinheiro, tem a ver com toda a nossa vida.
Às vezes na Igreja tem-se medo de correr riscos, pois estamos tão habituados a fazer as coisas da mesma maneira ao longo de tantos anos, que a perspetiva de ousar caminhos novos, quando vemos que é isso que Deus nos pede, mete-nos medo. É preciso arriscar com confiança.
Estive de segunda a quarta- feira em Milão num encontro de responsáveis nacionais pelas células paroquiais de evangelização. Estávamos uns 15 países diferentes. Em todo o lado se procuram caminhos novos e, graças a Deus, os frutos da ousadia de muitas paróquias em terem encetado novas opções pastorais estão a dar abundantes frutos transformando-as em paróquias vivas e renovadas, em vocações sacerdotais, religiosas e missionárias. Paróquias cujos fiéis perceberam que o Senhor lhes pede que se tornem evangelizadores vão descobrindo a alegria de se entregarem ao Senhor e Deus recompensa abundantemente quando nos damos a Ele. Em que me toca este texto? Que tem ele a ver comigo? Que atos de confiança em Deus me lembro de ter feito na vida? Confio realmente n’Ele, ou prefiro estar seguro nas seguranças humanas?

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