Folha Paroquial nº 56 *Ano II* 16.12.2018 — III DOMINGO DO ADVENTO

Folha Paroquial nº 56 *Ano II* 16.12.2018 — III DOMINGO DO ADVENTO

«Povo do Senhor, exulta e canta de alegria.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Lc 3, 10-18)
Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas»

MEDITAÇÃO
A pergunta, «que devemos fazer?» é uma pergunta espontânea que aparece na boca daqueles que se deixaram «tocar» interiormente pela Palavra de Deus: Encontramos essa pergunta escrita pela pena do mesmo evangelista S. Lucas, mas agora no livro dos Atos dos Apóstolos. Os habitantes de Jerusalém e de várias regiões do mundo então conhecido que ali estavam reunidas no dia de Pentecostes, ao ouvirem a pregação de Pedro sobre o acontecimento Jesus, a sua vida, morte e ressurreição e o significado de tudo isso para nós, ficaram de coração trespassado e perguntaram: «Então que devemos fazer, irmãos» E Pedro respondeu: Convertei-vos e peça cada um de vós o batismo para remissão dos vossos pecados. Recebereis então o Espírito Santo e, com Ele, uma Vida Nova.»
Agora, depois de ouvir a pregação de João Baptista, também o povo tocado no seu coração pelas suas palavras, lança a mesma pergunta: «Que devemos fazer»? Esta questão é incontornável para quem se encontra com Jesus e fica tocado interiormente pela sua Palavra salvadora fruto da ação do Espírito Santo. A conversão acontece quando a Palavra de Deus anunciada, tocando o mais profundo da nossa alma como que produz uma ferida de amor no nosso coração, nos emociona, e percebemos que é Deus com o seu toque suava e pela força do seu Espírito que está a agir em nós. A partir deste “encontro” a pergunta sobre «como devemos viver» virá mais cedo ou mais tarde. E se não vier é porque não houve verdadeiro encontro. Não é possível encontrarmo-nos profundamente com Cristo e não mudar nada na nossa vida. O encontro com a Luz gloriosa que é Jesus ajuda-nos sempre a ver a noite e as trevas que pairam na nossa vida e a desejar viver de outra maneira. É um novo rumo, uma nova orientação, uma nova felicidade. O encontro com Jesus gera também compromisso com o bem dos outros e do mundo à nossa volta. Não é possível ter uma relação com Jesus e viver isolado e desinteressado dos homens e mulheres que vivem à nossa volta.
No texto de hoje o que provoca a pergunta é a palavra de João Baptista e a sua pregação emocionante da proximidade do reino de Deus. Deus é fiel e aquilo que prometera está a cumpri-lo na vinda do Messias. Ele está à porta e João Batista nem se sente digno de desatar a correia das suas sandálias. Ele só batiza em água mas o que Ele anuncia batiza no Espírito Santo e no fogo do amor de Deus. É essa a promessa que Pedro dá nos Atos dos Apóstolos a quem faz a promessa: «Recebereis então o Espírito Santo»
Diante desta notícia os corações ficam tocados e o desejo de acolher o Messias cresce; daí a pergunta: “O que devemos fazer?”
João Baptista propõe três atitudes concretas para quem quer fazer a experiência de conversão e de encontro com o Senhor que vem: ao povo em geral, João Baptista recomenda a sensibilidade às necessidades de quem nada tem e a partilha dos bens; aos publicanos, pede que não explorem, que não se deixem convencer por esquemas de enriquecimento ilícito, que não despojem ilegalmente os mais pobres; aos soldados, pede que não usem de violência, que não abusem do seu poder contra fracos e indefesos. Repare-se como João Baptista põe em relevo o pecado contra o amor: tudo aquilo que atenta contra a vida de um só homem é um pecado contra Deus. Quem o comete, está a fechar o seu coração e a sua vida à proposta de Cristo.

Deixar uma resposta