Folha Paroquial nº 57 *Ano II* 23.12.2018 — IV DOMINGO DO ADVENTO

Folha Paroquial nº 57 *Ano II* 23.12.2018 — IV DOMINGO DO ADVENTO

«Senhor, nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Lc 1, 39-45)
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».»

Ele será a paz
Às vezes certas afirmações bíblicas, sendo bonitas, podem parecer a alguns mais manifestação de um desejo do que realidade alcançada. Uma delas é a de que o Messias trará a paz ao mundo. Os anjos na noite de natal cantaram: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. A primeira leitura de hoje do profeta Miqueias afirma que nos tempos do Messias “viver-se-á em segurança porque Ele será exaltado até aos confins da terra. Ele será a paz.” O profeta Isaías profetizava que no seu tempo “o cordeiro e o leão pastarão juntos, o menino porá a mão no ninho da cobra sem que esta lhe faça mal.” Nesse tempo “as espadas serão transformadas em relhas de arado e as setas em foices”. “Florescerá a justiça nos seus dias e uma grande paz até ao fim dos tempos.”
S. Paulo, na carta aos Efésios, afirma o seguinte: “Em Cristo Jesus, vós, que outrora estáveis longe, agora, estais perto, pelo sangue de Cristo. Com efeito, Ele é a nossa paz, Ele que, dos dois povos, fez um só e destruiu o muro de separação, a inimizade: na sua carne, anulou a lei, que contém os mandamentos em forma de prescrições, para, a partir do judeu e do pagão, criar em si próprio um só homem novo, fazendo a paz, e para os reconciliar com Deus, num só Corpo, por meio da cruz, matando assim a inimizade. E, na sua vinda, anunciou a paz a vós que estáveis longe e paz àqueles que estavam perto. O muro da inimizade era uma barreira física que separava, no templo de Jerusalém, o pátio dos gentios, onde todos podiam entrar, da zona onde só os judeus podiam entrar. Era proibidíssimo sob pena de morte que um não judeu ou incircunciso pudesse entrar nessa zona exclusiva do povo da Aliança. Mas Jesus, pela sua morte e ressurreição, criou em si próprio um só povo destruindo o muro da inimizade que os separava. Agora todos somos membros da mesma família e já ninguém é estrangeiro ou emigrante. Para falar desta unidade e dignidade em Cristo Paulo afirma também: Já não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem e mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus. Todas as barreiras de separação entres os seres humanos caíram. E isso realizou-se pela oferta de Jesus na cruz. Por isso, S. João, que vê com olhos de águia, afirma-nos que no momento em que Jesus morreu na cruz o “véu do templo rasgou-se de alto a baixo”. O véu do templo era uma cortina que separava o Santo dos santos, o coração do santuário, onde só o sumo sacerdote entrava uma vez ao ano, do resto do templo onde o povo se situava. O rasgar-do véu do Templo significa que agora, em Cristo, no seu corpo morto e ressuscitado, temos todos acesso a Deus num só Espírito. Já não precisamos de mediadores pois um só é o Mediador, Jesus Cristo. E talvez agora compreendamos melhor a segunda leitura de hoje: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo. Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’»
A vontade de Deus era que através da incarnação de Jesus, no seu Corpo de carne, o culto antigo que dividia os homens fosse abolido e surgisse um culto novo, que não é baseado em oblações de animais nem outras prescrições rituais mas na oferta de Cristo que na sua carne nos reconcilia com Deus e uns com os outros estabelecendo a paz. A paz é pois um dom que vem de Deus por Jesus, pois Ele fez cair os muros da divisão entre o homem e Deus e uns com os outros emas agora é uma tarefa que todos os que crêem em Cristo e todos os homens de boa vontade devem tentar construir, criando um mundo de compreensão, compaixão, solidariedade, caridade, união. Devemos deitar abaixo todos os muros físicos e psicológicos que nos dividem e dar as mãos uns aos outros. Ele será a nossa paz se o deixarmos entrar no mundo através do nosso coração e das nossas decisões quotidianas.

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