Folha Paroquial nº 59 *Ano II* 6.1.2019 — DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR

Folha Paroquial nº 59 *Ano II* 6.1.2019 — DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR

«Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Mt 2, 1-12)
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.»

Todos se reúnem e vêm ao teu encontro
Os profetas do Antigo Testamento foram essenciais para que um povo tão pequeno como Israel pudesse ao longo da história manter viva a sua esperança de povo messiânico e nunca desistir da terra que Deus lhe deu em herança. Os profetas eram homens de visão que iluminados pela fé e pelas promessas de Deus sabiam ler o presente e projetar-se no futuro. Vede como é bela a profecia de Isaías na 1ª leitura de hoje! Israel tinha acabado o seu exílio na Babilónia e ainda estava bem marcado pelo sofrimento e o desânimo, até porque o regresso foi uma desolação. Encontraram um país pobre e devastado e faltava o ânimo para começar a erguer a cidade e o país. Apesar disso sempre era melhor que estar exilado na Babilónia e o profeta lembra-lhes que ainda há pouco tempo a cidade estava vazia e em completa ruína num quadro de noite e de escuridão, mas agora uma luz de esperança se levanta sobre ela. E o profeta anuncia a chegada de uma luz salvadora «Sobre ti levanta-se o Senhor» E assim todos os que esperam a salvação de Deus virão a Jerusalém e inundá-la-ão de alegria e riquezas cantando os louvores de Deus.
Ontem como hoje, qualquer pessoa ou povo precisa de ter esperança e ter metas a alcançar para lutar. O livro dos Provérbios diz que “sem profecia o povo vive na corrupção” (proverbios29,18), mas outra tradução diz: «Sem visão o povo vive desorientado» o que quer dizer a mesma coisa. Por isso a promessa do profeta Joel para os tempos messiânicos é que «Naqueles dias os vossos filhos e filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos e os vossos jovens terão visões» (Joel 3,1)
Para muitos cristãos a situação da Igreja no Ocidente, retratada em muitas das nossas paróquias pode parecer também desanimadora. Há decréscimo do número de praticantes, há menos crianças na catequese e estas vão desaparecendo a partir do 3º ano da catequese e cada vez as referências da fé parecem estar mais ocultas da vida social e familiar. Vivemos numa cultura que não respeita a vida e se vai afastando cada vez mais das referências do evangelho inclusivamente nas famílias que se dizem cristãs. Mas nada está perdido; a Igreja já passou por estas situações mais vezes na sua história. Os homens e mulheres de hoje continuam a ter sede de Deus e de verdade pois “foram criados por Ele o seu coração vive inquieto enquanto não o encontra.” Então o que precisamos ? De sonho e de visão. A visão é um sonho que produz paixão em nós pois vemos no presente o que será o futuro. É uma imagem do futuro que vemos antecipadamente. E de onde vem essa imagem? Vem de Deus quando a pedimos em conjunto. Senhor o que queres de nós? Para onde devemos concentrar o nosso olhar no futuro? A escuta dos destinatários da nossa missão e a escuta da voz de Deus através da Igreja, ajuda-nos a encontrar essa imagem do futuro à qual deveremos ser fieis até que se realize.
Mas ela não se realiza por si, é preciso que se trabalhe muito e seja cada vez maior o número dos que se envolvem na realização da profecia ou da visão.
O texto dos Magos hoje mostra-nos que os príncipes dos sacerdotes, os escribas do povo e o próprio povo de Jerusalém sabiam onde devia nascer o Messias e dão essa informação a Herodes: “Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Apesar de saberem isso tudo, não mexeram um pé para irem ao seu encontro e a luz da salvação brilhou para os que O procuraram e adoraram humildemente e deixou na escuridão aqueles que sabiam tudo acerca d’Ele. Não chega saber e pertencer ao grupo dos que sabem. É necessário mexer-se e ir ao seu encontro.
Há extintores do sonho e da visão tais como: “Nunca fizemos isso”, preconceitos, fadiga, pensamento a curto prazo.
Os magos são homens de visão e de sonho. Desde que souberam ler nos astros um sinal, puseram-se a caminho guiados pela estrela da esperança e não desanimaram até que chegaram à realização da promessa que mudou as suas vidas.
Eu pessoalmente vejo as paróquias de S. José e S. João Baptista com grande esperança de futuro. Vejo–as a viver a comunhão fraterna na vivência do mandamento novo, acolhendo a todos com amor e alegrando-se com os novos que chegam, vejo os irmãos a crescerem na identificação com Cristo através de muitos pequenos grupos onde cada um é escutado e amado e onde todos podem ter voz e serem acolhidos não como números mas como pessoas. Vejo uma comunidade fiel à Eucaristia dominical que vai para ela como se fosse para uma festa, uma comunidade fiel ao serviço dos irmãos com uma grande capacidade de partilha com os mais pobres. Vejo crianças felizes por conhecerem a Deus e famílias que são oásis de vida e de amor num mundo de cultura de morte. Vejo uma comunidade que resplandece e que atrai aqueles que se sentem insatisfeitos com o vazio e a escuridão do mundo e que procuram sentido para a existência. Vejo uma comunidade comprometida com a paz e a justiça e dela brota gente com um espírito novo para o serviço nas diversas áreas da construção de um mundo mais justo. Vejo jovens que comprometidos com a sua fé seguem a Cristo segundo diferentes vocações onde alguns vão para o sacerdócio e vida consagrada. Porque não havemos de poder profetizar tempos novos? Deus diz em Jeremias 29, 11: “Eu conheço bem os desígnios que tenho acerca de vós, desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro de esperança – oráculo do Senhor.”

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