Folha Paroquial nº 72 *Ano II* 07.04.2019 — DOMINGO V DA QUARESMA

Folha Paroquial nº 72 *Ano II* 07.04.2019 — DOMINGO V DA QUARESMA

«O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Jo 8, 1-11)
Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».»

MEDITAÇÃO
«Povo que formei para Mim
e que proclamará os meus louvores».
No Domingo passado o pai do filho pródigo afirmava para o filho mais velho de coração empedernido: “Nós tínhamos de fazer festa porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e encontrou-se.” Deus, porque ama, tem necessidade de fazer festa quando reencontra uma das suas ovelhas perdidas porque há mais festa no céu por um só pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento. Mas, ao mesmo tempo, aqueles que experimentam o amor do Pai, que se sentem amados, perdoados e salvos, que percebem o Pai que têm e como é grande a sua fidelidade, sentem também o mesmo dever de entrar no louvor e na ação de graça e de fazer isso, não uma só vez, mas para sempre, porque é eterno o Seu amor.. O louvor é a resposta agradecida de um povo que reconhece o seu Deus, que é feliz por ser o povo que Ele escolheu para sua herança. Na primeira leitura de hoje, Deus chama ao povo que escolheu para si, “o povo que proclamará os meus louvores”. Quem não sente necessidade de louvar a Deus ou ainda não experimentou a sua bondade ou é injusto e mal agradecido.
A mulher que podia ter sido morta por apedrejamento, se Jesus não lhe tivesse perdoado e salvo, como não haveria de o amar e de cantar eternamente a sua misericórdia? Mas o louvor de Deus não é só uma questão de palavras, é um compromisso de vida de honrar o Senhor com uma vida que irradie. Por isso Jesus diz à pecadora: « doravante não tornes a pecar» que é o mesmo que dizer: «Doravante glorifica a Deus com uma vida nova”. Deus lamenta-se através do profeta Isaías: «Este povo honra-me com os lábios mas o seu coração está longe de mim e é vão o culto que me prestam”. Paulo, na segunda leitura, exprime bem o seu reconhecimento a Deus quando afirma que «considera tudo como lixo diante do conhecimento de Cristo.» Ele tem bem claro quais são as suas novas prioridades depois que encontrou Cristo. Diante ‘Ele todas as outras coisas que constituem a sua vida não são nada comparadas com esta prioridade. No fundo, a sua vida é um hino de louvor a Deus que o salvou e o chamou das trevas para a Sua luz. O louvor de Deus não é pois apenas um momento em que estamos juntos como filhos de Deus para lhe dar glória com cânticos e hinos. Isso faz-nos bem, porque nos dá alegria, nos liberta, nos irmana na mesma fé , mas se não fazemos do louvor uma atitude constante da nossa vida, se ele não habita o nosso coração dia e noite, dificilmente irromperá nos nossos lábios como algo genuíno, sentido e verdadeiro. Podemos dizer acerca do louvor o mesmo que Jesus diz acerca dos verdadeiros adoradores: “Deus procura adoradores que o adorem em espírito e verdade.”
Dito isto, é verdade que o louvor comunitário é profundamente evangelizador. Quando se louva a Deus com entusiasmo e com Uma celebração do louvor de Deus onde não entram as emoções, onde tudo é frio e racional, não toca o homem pós-moderno. Por isso hoje as assembleias de louvor evangélicas traem tanta gente! Muitas vezes nas nossas celebrações cantam-se hinos sobre Deus em vez de hinos a Deus. O glória que cantamos na missa é um bom exemplo de um hino a Deus: «Só Vós sois santo só vós o Senhor, só vós o altíssimo Jesus Cristo…»É a linguagem de intimidade dos amantes. É por meio do louvor de Deus que passamos da ideia sobre Deus à experiência de Deus. Por exemplo quando cantamos na entrada da missa cânticos como: Nós somos o povo do Senhor, ou nós somos as pedras vivas, são cânticos que exprimem a doutrina cristã, que expressam a nossa fé, mas não são cânticos a Deus. Mas quando cantamos: Toda a terra vos adore, Senhor e entoe hinos ao vosso nome…estamos a dirigir-nos a Deus. Estes cânticos são mais orantes pois são louvor a Deus. Numa celebração nota-se bem se o louvor brota dos corações ou apenas da cabeça. O louvor deve ser belo mas não chega ser tecnicamente perfeito, é necessário que brote do coração e gere entusiasmo, gere fé, eleve a alma até Deus. Que cada um de nós se deixe renovar pelo poder do louvor, que se sinta membro do povo chamado a proclamar os louvores d’Aquele que nos chamou das trevas para a Sua luz admirável. Para louvarmos a Deus com o coração é preciso estarmos atentos ao que Ele fez e continua a fazer por nós. Nas células paroquiais de evangelização partilha-se em cada semana Aquilo que cada um experimentou durante a semana como ação de Deus na sua vida. No princípio vemos que as pessoas têm dificuldade em ver a obra de Deus no presente das suas vidas, mas depois vão aprendendo a estar atentas e, pouco a pouco, vão descobrindo que afinal Deus está sempre a proporcionar-lhes imensos benefícios só que vivemos distraídos e não vemos Deus que nos visita em cada dia. Quando descobrimos essa presença no nosso quotidiano então o louvor é a resposta.

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