Folha Paroquial nº 91 *Ano II* 22.09.2019 — DOMINGO XXV DO TEMPO COMUM

Folha Paroquial nº 91 *Ano II* 22.09.2019 — DOMINGO XXV DO TEMPO COMUM

«Louvai o nome do Senhor, louvai-O, servos do Senhor, Aleluia.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Lc 15, 1-32)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador, que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’, Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem?»

MEDITAÇÃO
1. A vontade de Deus para nós
No texto da segunda leitura vem uma frase que resume toda a Bíblia, e a que já fiz referência na semana passada: «Deus nosso salvador quer que todos os homens se salvem e cheguem ao co-nhecimento da verdade.» Este querer divino é que motivou a en-carnação do Verbo e o mistério da redenção. A história humana está orientada por este querer divino: «Deus quer». É o mistério da sua vontade, desse desígnio de amor que Ele desde toda a eter-nidade teve consigo, que aos poucos foi revelando e que, na pleni-tude dos tempos, levou ao seu pleno cumprimento em Cristo. A Igreja existe por causa deste desígnio divino: continuar a obra de Cristo pela ação do Espírito, isto é, levar a salvação a todo o ho-mem. Por isso todos os evangelhos terminam com o mandato mis-sionário: «Ide, fazei discípulos de todos os povos, batizai-os e ensi-nai-os a cumprir tudo quanto vos mandei». Se nos esquecemos disto perdemos a identidade como membros da Igreja e como discípulos de Jesus.
2. Estudo da Evangelii Gaudium:
Por isso iremos começar aqui, nas paróquias da Unidade Pastoral, a partir de 23 de Outubro, um estudo sobre a evangelização a par-tir da Exortação Apostólica do Papa Francisco, Evangelii Gaudium, complementada com a de Paulo VI, Evangelii Nuntiandi. O primei-ro encontro será animado pelo sr D. Manuel Pelino. Convido a to-dos a participarem nestes sete encontros.
3. A salvação tem um desafio de eternidade
Este querer divino em salvar o homem do pecado, do vazio inte-rior, da tristeza e da morte eterna, atinge-o nesta vida, mas tem uma dimensão de eternidade. É bom experimentarmos a salvação nesta vida, pois a vida vivida com Deus é Vida plena, e sem Deus é fraca sobrevivência. Mas Deus quer salvar-nos também da morte eterna. Quer que sejamos felizes com Ele para sempre na eterni-dade. Muitas parábolas de Jesus são para dizer que as nossas esco-lhas têm consequências de eternidade e que se fomos criados li-vres também somos responsáveis pelos nossos atos, pois Deus leva-nos a sério. A parábola do rico e do pobre Lázaro são um avi-so bondoso de Deus a todos aqueles que fecham o seu coração aos outros, usurpando aquilo a que eles têm direito, pois nós so-mos administradores dos bens que Deus colocou à nossa disposi-ção e não donos absolutos. Depois de experimentar a sua perdição eterna, o rico avarento queria que Deus mandasse alguém ressus-citado dos mortos para prevenir a sua família. Deus disse-lhe: “Têm lá os profetas, aqueles que lhes falam em nome de Deus, que os ouçam.” Também o evangelho de hoje vai num sentido semelhante: adverte-nos que o homem, na sua liberdade, pode escolher não a salvação mas a condenação quando se deixa enga-nar pelos ídolos do dinheiro e das riquezas e não vive com um co-ração reto e honesto. “Um homem rico tinha um administrador…” Percebe-se bem que o homem rico é Deus, e o administrador é cada um de nós. Podemos administrar com generosidade e retidão os bens que Deus nos deu, sejam eles materiais ou espirituais, ou podemos administrá-los mal, esquecendo-nos que nada é nosso em absoluto e que um dia seremos julgados pela administração do que nos foi dado, os nossos talentos de toda a ordem. O dinheiro pode enganar-nos de duas maneiras: primeiro, faz-nos crer que nos assegurará a felicidade; mas virá um dia, no entanto, em que teremos de deixar tudo. Na frase de Jesus: “Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar…”, isto é, quando morrerdes, eles vos recebam nas moradas eternas. Mas em que moradas nos poderão receber os amigos que fizemos com o vil dinheiro e se deixaram comprar? Depois o dinheiro engana-nos dinheiro e se deixaram comprar? Depois o dinheiro engana-nos quando pensamos que ele nos pertence em absoluto só a nós. Jesus não nos diz para desprezarmos o dinheiro, mas para colocá-lo ao serviço do Reino, da construção do bem, do amor, da solida-riedade e da paz. Uma pessoa que ganhe dinheiro muito mais do que o que precisa, se o gasta só ao seu serviço ou da sua família, esquecendo-se que há outras necessidades, vive como se fosse senhor absoluto dos seus bens e esquece-se que foi constituído administrador.
4. Deus deseja que sejamos criativos na questão do anúncio da salvação
Deus está tão interessado na nossa salvação, em que saibamos escolher o verdadeiro bem, que quer que sejamos criativos no anúncio para que a Sua Palavra de Vida eterna possa chegar a to-dos. É desta criatividade que nos fala a parábola de hoje quando parece elogiar o administrador desonesto. Mas atenção: não é a desonestidade que é elogiada, é a habilidade. Deus espera que sejamos astuciosos no anúncio do evangelho, mas constata que os homens são mais astuciosos quando se trata do desejo de ganhar dinheiro e de adquirir poder ou prestígio. Jesus deseja muito que o ardor pelo Reino, pelo trabalho da justiça e da paz nos tornas-sem ainda mais criativos do que a esperteza dos que trabalham pelo dinheiro. É isso que os últimos papas também nos têm suge-rido dizendo-nos que a Igreja têm de encontrar uma nova lingua-gem, novos métodos e novo ardor para irmos ao encontro dos homens de hoje.

Deixar uma resposta