Folha Paroquial nº 124 *Ano III* 10.05.2020 — DOMINGO V da PÁSCOA

Folha Paroquial nº 124 *Ano III* 10.05.2020 — DOMINGO V da PÁSCOA

Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia. Que ela venha sobre nós.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Jo 14, 1-12)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?». Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acre-ditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai».”

REFLEXÃO
“A primeira leitura de hoje, do livro dos Atos, mostra-nos que na essência da missão da Igreja, tal como a evangelização e a Liturgia, está o serviço da caridade. O papa Paulo VI diz na Evangelii Nuntiandi que a Igreja existe para evangelizar; Esta é a sua essência e a sua identidade mais profunda. Mas a Igreja anuncia o evangelho quando proclama a palavra de Deus e ensina, quando celebra a fé e administra os sacramentos e quando testemunha o amor de Deus por ações concretas de amor pelos irmãos. Aliás este é hoje o sinal mais compreensível pelos que estão fora da igreja.

Toda a ação pastoral da Igreja deve ser motivada pela caridade. A evangelização é um ato de amor, pois “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.” Seria uma grande falta de amor ter experimentado a salvação que nos vem pela fé em Jesus Cristo e não o transmitir a outros para que também tenham acesso à vida em plenitude. Só que esta é uma visão que, sem a fé e um grande apego à palavra do Senhor, pode parecer a alguns um trabalho mais espiritual. Mas quando a igreja, encarnada no mundo, convive com os famintos, os doentes, os sem lar, é o mesmo amor ou a mesma caridade que a leva ao encontro dos seus irmãos para lhes anunciar o evangelho que a leva também a ir ao encontro dos pobres para os ajudar a levantarem-se da sua situação sofredora, seja ela qual for. Como esta ação é mais direcionada ao corpo, às necessidades materiais, à falta de pão, de saúde, ou de tecto, são mais compreensíveis pelos que não têm fé pois muitos não sabem que «nem só de pão vive o homem» e assim reduzem-no apenas a uma dimensão material. Por isso apreciam o trabalho da igreja no campo da caridade mas não valorizam o seu trabalho espiritual. No entanto, para a igreja, a pessoa humana é uma unidade de corpo e alma e se só alimenta-mos um aspeto, reduzimos o ser humano. Já no tempo de Jesus, quando ele multiplicou os 5 pães e os dois peixes e alimentou as 5000 pessoas, no dia seguinte, tinha uma multidão atrás dele. E eles disse-lhes: «Vós procurais-me porque vos multipliquei os pães, trabalhai não tanto pela comida que perece mas pelo alimento que dura para a vida eterna e que o Filho do homem vos dará.» Dito isto, não se pode pregar a estômagos vazios. Se alguém está aflito porque não tem dinheiro para pagar a renda de casa e pode ser posto na rua, porque não tem pão para os filhos, a ajuda urgente que precisa agora é que o ajudem a superar essa dificuldade pois, nessa altura ninguém tem capacidade para ouvir o evangelho. No tempo da Igreja primitiva os mais desfavorecidos eram mulheres viúvas e órgãos. Era o homem que trabalhava e sustentava a família. A mulher cuidava da casa e dos filhos. Por isso a morte do homem deixava a sua mulher, a viúva, desprotegi-da, e os seus filhos órfãos, sem uma base de sustento. A instituição das viúvas e órfãos foi a primeira organização caritativa da igreja ainda no tempo dos Apóstolos. Só que qualquer instituição dá trabalho e traz preocupações. Os apóstolos começaram a sentir-se assoberbados pelo acompanhamento direto da instituição e souberam discernir à luz do Espírito Santo que não deviam ser eles a ocupar-se diretamente da instituição mas era sua responsabilidade escolher homens cheios de fé e do Espírito Santo com as competências necessárias para esse trabalho Eles não deixaram de ser os responsáveis, mas delegaram noutros, que escolheram, a realização do trabalho que para eles era sumamente importante. Escolheram sete homens por quem rezaram, impondo-lhes as mãos, sinal da transmissão do Espírito Santo para um ministério sagrado. E assim nasceram os diáconos para o serviço da caridade. Esta foi a forma que os apóstolos encontraram para dar mais valor a este serviço da caridade para poder ser mais acompanha-do. O que faz com que aquela instituição fosse eclesial, católica, era o facto de estar ligada ao ministério dos apóstolos. A segunda leitura, utilizando a imagem da construção de um edifício convida-nos a todos a aproximar-nos do Senhor, pedra viva, e a entramos também nós na construção do edifício espiritual que é a Igreja. Como é que cada um de nós se sente integrado na construção? Sentimo-nos pedras vivas? A Igreja torna-se bela quando cada um, segundo os seus carismas, competências e possibilidades colabora nesta construção. Vem-me à cabeça as imagens transmitidas pela televisão dos chineses a construírem um grande hospital praticamente numa semana. Eram milhares de pessoas, para a frente e para trás, como formigas, todas trabalhando para o mesmo, a construção de um hospital de campanha. O Papa Francisco diz que a Igreja deve ser como um hospital de campanha, sempre perto dos feridos para os recolher e curar. Uma pergunta a todos os que vêm habitualmente à missa ao Domingo mas sem mais ligação nenhuma com a paróquia. Como poderei ser mais pedra viva na construção deste edifício espiritual? Qual os meus dons e carismas que o Senhor me pode que ponha a render? Gostaria de trabalhar com os pobres? Na liturgia? Na evangelização e na catequese? nos serviços? No canto e na música? Com os jovens? Na administração paroquial? Na comunicação e design? Ajudando como engenheiro, arquiteto a quem se pode pedir conselho técnico? Cremos que este tempo de pandemia vem fazer despertar mais na igreja este sinal da caridade. A equipa de animação pastoral esteve a discutir na última reunião como é que a paróquia pode estar mais atenta aos pobres, de um modo particular aos novos pobres que a pandemia pode ter provocado. Vamos tentar enfrentar esta situação e encontrar as respostas convenientes. Às vezes não sabemos o caminho a trilhar mas nunca nos afastaremos da verdade e da vida se estivermos com Jesus, o verdadeiro caminho. N’Ele nunca nos perderemos e, mais cedo ou mais tarde, encontramos a resposta para o que procuramos.”

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