Folha Paroquial nº 126 *Ano III 31.05.2020 — DOMINGO DE PENTECOSTES

Folha Paroquial nº 126 *Ano III 31.05.2020 — DOMINGO DE PENTECOSTES

Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Jo 20, 19-23)
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me envi-ou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».”

REFLEXÃO

“Um cristão, sem o Espírito Santo, é como um casal que recebeu o sacramento do matrimónio mas que não sentem amor um pelo outro. Cumprem todos os seus deveres como esposos, mas friamente, sem alegria, sem entusiasmo, sem paixão. Instala-se com o tempo o cansaço, a rotina e a vida torna-se pesada. Há cristãos muito cumpridores dos preceitos, e até bastante comprometidos mas podem tornar-se azedos, frios, rotineiros e cansados. Falta o Espírito Santo.

O cristão cheio do Espírito Santo torna-se um evangelizador: «Assim como o Pai me enviou também eu vos envio a vós»; dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo». O sopro de Jesus de que fala S. João lembra o sopro daquele que quer reacender a chama da lareira que se apagou com o tempo ou com a falta de combustível. Muitos de nós precisamos deste sopro para que a nossa vida seja reacendida. Mas para S. João o sopro lembra, sobretudo, o relato da criação do homem e da mulher em que Deus, pegando no homem feito do pó da terra, soprou sobre as suas narinas e lhe insuflou o seu Espírito de vida. Agora soprando novamente, ele refaz a sua obra. De homem velho passa a homem novo.

O Espírito é esse Fogo interior do amor de Deus que nos queima, que nos abrasa, que nos entusiasma e nos faz vencer o medo e as resistências em anunciar o Evangelho. «Ai de mim se não evangelizar!», dizia Paulo, cheio deste Fogo. Todos os batizados e crismados, supostamente, deveriam ter o Espírito Santo, mas os sacramentos não são atos mágicos, são ações de Cristo através do ministério da Igreja e com a cooperação do Espírito Santo, mas exige ou supõe que o crente que recebe o sacramento está nas devidas disposições, isto é, tem fé e tem desejo de receber, com todo o coração, a graça que lhe é oferecida…
Deus não nos dá algo que não queiramos receber. Ora há sacramentos, e o crisma é um deles, que muitos dos que o recebem, nem sabem o que vão receber. Vêm-no mais como um diploma de fim de curso. Mas quando o espírito Santo é desejado e se reza por alguém, no sacramento, ou num ato orante, para receber o espírito Santo, Ele vem e atua. Jesus insistiu muito para pedirmos o dom do Espírito. Os próprios apóstolos foram convidados a esperar no Cenáculo o prometido do pai até ao dia de Pentecostes. E se o dom do Espírito nos é dado sacramentalmente uma vez, podemos reavivar esse dom muitas vezes com novas efusões do Espírito Santo. Os Atos mostram-nos que os Apóstolos que receberam o Espírito Santo no dia de Pentecostes, At 2,1-11) são os mesmos que mais dois capítulos à frente estão a pedi-lo de novo e a resposta foi abundante. O lugar onde estavam reunidos estremeceu e todos ficaram cheios do Espírito Santo começando a anunciara Palavra de Deus com desassombro.( Act 4, 31). Também nós podemos e devemos pedir muitas vezes a graça de sermos renovados neste dom do Espírito que já nos foi dado, mas que, pela nossa tibieza, muitas vezes dele nos vamos afastando. Quando O pedimos, abrimo-nos a Ele e volta a reacender em nós a chama.

Jesus disse: «Se vós que sois maus sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu não dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem!». Então, peçamo-lo e recebê-lo-emos.

O Espírito impele-nos a «fazer-nos ao largo», a sairmos ao encontro do mundo, a irmos de casa em casa, a proclamarmos de todas as formas possíveis que Jesus está vivo e que, quando lhe abrimos o coração, uma nova vida acontece. Deus ama os homens e quer o seu bem e a sua salvação.

O Espírito leva-nos a não nos fecharmos nos nossos interesses mas a acreditarmos que vale a pena sermos generosos e a entregarmo-nos ao serviço dos outros. Quando o decidimos fazer, o Espírito vem em nosso auxílio e desenvolve em nós capacidades espirituais e humanas que desconhecíamos a que chamamos «dons» ou «carismas», como fala a segunda leitura. Esses dons são para o crescimento do Corpo que é a Igreja. E quanto precisamos do aparecimento desses dons na nossa comunidade!!! Dons para o canto e para a música, dons para a evangelização, dons de coordenação e liderança, dons para trabalhar com os adolescentes e os jovens, dons para incentivar, dons para dar . Mas é certo que os dons só se descobrem quando já estamos com as «mãos na massa». Cada membro da comunidade tem dons! O importante é que cada um esteja disponível para os pôr a render.”

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