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Programa da Visita Pastoral à Paróquia de S. João Baptista

A visita pastoral do nosso bispo iniciar-se-á no dia 28 de Março às 09h00 na igreja com uma oração e terminará no dia 31, domingo, com a eucaristia das 11h00 seguida de almoço de confraternização.

Folha Paroquial nº 69 *Ano II* 17.03.2019 — DOMINGO II DA QUARESMA

«O Senhor é a minha luz e a minha salvação.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Lc 9, 28b-3)
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.»

MEDITAÇÃO
Pretendo que a reflexão que vou fazendo com o comentário às leituras de cada Domingo, não seja algo isolado e sem nexo uns com os outros, mas que sejam blocos de 3 a 5 semanas em interligação tanto quanto as leituras no-lo permitirem. Por isso relembro o que escrevi e disse na semana passada e já na continuação de outras anteriores.
A propósito das tentações de Jesus e das nossas afirmei: “A nossa riqueza não está no ter, no fazer, ou no prestígio do nosso bom nome. A nossa identidade mais profunda é a de sermos filhos do Pai celeste. Tudo o resto acaba, mas a nossa filiação divina em Cristo é eterna. A quaresma é o tempo de regressarmos ao essencial, de nos desembaraçarmos de tudo o que não deixa brilhar em nós a nossa condição de filhos. O nosso pecado, a nossa negligência espiritual, vai escondendo a beleza da nossa filiação divina. Mas na medida em que nos aproximamos de Deus e purificarmos o coração pela caridade, vamos resplandecendo a glória de filhos de Deus. Diz Paulo: E nós todos que, com o rosto descoberto, refletimos a glória do Senhor, somos transfigurados na sua própria imagem, de glória em glória, pelo Senhor que é Espírito. (2 Cor 3, 18) Que o nosso trabalho quaresmal nos leve, com Jesus, ao Monte da transfiguração para que, pela ação do seu Espírito e da nossa colaboração, possamos resplandecer melhor a imagem do Senhor na nossa vida.
E aqui estamos hoje, com Jesus no Monte da Transfiguração. Tentemos perceber-lhe o sentido.
Quando vamos em peregrinação à Terra Santa é passagem obrigatória a ida a Monte Tabor. Lá está uma igreja construída sobre outra muito mais antiga a atestar o lugar da transfiguração do Senhor. Este acontecimento histórico ficou bem guardado na memória dos discípulos tanto que Pedro vários anos mais tarde vai referir-se a ele dizendo: “Demos-vos a conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, não por havermos ido atrás de fábulas engenhosas, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Com efeito, Ele foi honrado e glorificado por Deus Pai, quando a excelsa Glória lhe dirigiu esta voz: Este é o meu Filho, o meu muito Amado, em quem Eu pus o meu encanto.18E esta voz, vinda do Céu, nós mesmos a ouvimos quando estávamos com Ele na montanha santa.” (2 Pd1,16-18). Pude imaginar, naquele lugar, a experiência dos discípulos ao verem o corpo de Jesus, revestido de luz e de glória, como se já tivesse vencido a morte e recebido um corpo glorioso. E de facto, é isso que Jesus pretende mostrar aos discípulos preparando-os para a experiência dolorosa da sua morte. Lembram-se que alguns dias antes da Transfiguração, quando estavam em oração, Jesus fez aos discípulos uma pergunta crucial: «Quem dizeis vós que eu sou? Pedro respondeu: Tu és Cristo, (quer dizer o Messias), o Filho de Deus. E Jesus acrescentou: Sim, Mas não como esperam, a glória sim, mas não à maneira dos homens. «O filho do homem tem de sofrer muito, será rejeitado …morto, mas três dias depois ressuscitará. Cerca de oito dias depois, Jesus sobe ao monte levando consigo os privilegiados Pedro, Tiago e João. De novo quer orar com eles, e é enquanto rezam que Deus revela o mistério do Messias. Agora já não são as multidões que dizem quem ele é, nem sequer os discípulos, é o próprio Deus que responde sobre a identidade do Messias e nos dá a contemplar o mistério de Cristo: «Este é o meu Filho, o meu eleito, escutai-O.» Este monte da transfiguração faz-nos pensar no Sinai; e Lucas escolhe bem o seu vocabulário para nos fazer evocar o contexto da revelação de Deus no monte Sinai: O monte, a nuvem, a glória, a voz tonitruante, as tendas…E assim compreendemos melhor a presença de Moisés e Elias ao lado de Jesus. Sabemos que Moisés passou quarenta dias no Sinai na presença de Deus e quando voltou o seu rosto resplandecia de tal maneira que todos ficaram espantados. Também Elias caminhou quarenta dias e quarenta noites no deserto até chegar ao mesmo monte Sinai ou Horeb que é o mesmo. E foi aí que Deus se revelou a ele de forma inesperada: não no ruído do vento, nem da grandeza do fogo, nem nos tremores de terra, mas no doce murmúrio de uma brisa ligeira. Assim as duas personagens do Antigo Testamento que tiveram o privilégio da revelação da glória de Deus no cimo do Monte estão igualmente presentes na altura da manifestação da glória de Cristo. E Lucas diz-nos o conteúdo da sua conversa. Falavam da morte de Jesus que se ia consumar em Jerusalém. Pela sua morte e ressurreição ele receberá um corpo gloriosos mas nós, participando também da sua morte e assumindo a cruz da vida unidos a Ele, participaremos da mesma glória de ressuscitados. E isso já começou em nós, no batismo. A nossa transfiguração já está a acontecer na medida em que nos unimos a Ele participando nos seus sofrimentos. E a segunda leitura, da carta aos Filipenses, resume bem isto: A nossa pátria está nos Céus, donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo miserável, para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso. (…) Entretanto o Espírito vai trabalhando em nós na medida em que O acolhemos, pois “nós todos que, com o rosto descoberto, refletimos a glória do Senhor, somos transfigurados na sua própria imagem, de glória em glória, pelo Senhor que é Espírito”. “Portanto, meus amados e queridos irmãos, minha alegria e minha coroa, permanecei firmes no Senhor”. Continuemos firmemente a nossa quaresma pois sabemos a meta para onde caminhamos: Bendito seja Deus pela esperança a que fomos chamados.

«Oração
Senhor, o teu rosto é sempre luminoso. Nele encontramos sempre aquele brilho que falta à nossa vida, tantas vezes sombria, opaca pelo pecado, pelas dificuldades do nosso peregrinar. Em cada jornada convidas-nos a subir ao monte, para nos transfigurares na tua luz, numa Páscoa contínua, que sempre nos revela a Tua e a nossa identidade. Quantas vezes a Eucaristia e a oração são para nós a oportunidade para subrimos ao monte da Transfiguração! E tantas vezes saímos de rosto sombrio porque fechámos os olhos à eterna novidade que és Tu, porque não Te escutamos. Tantas vezes não queremos assumir a consequência de sermos iluminados por Ti, porque não queremos descer, porque é mais confortável estar na comtemplação do Teu rosto do que contemplar o rosto do irmão a mesma Luz divina, que é transfiguração na dor e no sofrimento. Dá-nos, Senhor, disponibilidade para subir ao monte e coragem para descermos. Dá-nos a virtude da contemplação e a determinação da ação, para sermos portadores da Tua Luz nas sombras do mundo.»

Folha Paroquial nº 68 *Ano II* 10.03.2019 — DOMINGO I DA QUARESMA

«Estai comigo, Senhor, no meio da adversidade.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Lc 4, 1-13)
Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo Diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome. O Diabo disse-lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’». O Diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra e disse-Lhe: «Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’». Então o Diabo levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que Te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’». Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». Então o Diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.»

À primeira impressão não percebemos bem a relação que existe entre a 1ª leitura do livro do Deuteronómio e o Evangelho que neste dia nos narra as tentações de Jesus como acontece em todos os primeiros domingos da quaresma. Mas se continuamos a escavar nos textos vamos descobrindo a complementaridade. Quais são as tentações que o demónio lança a Jesus? Que Jesus se desligue de Deus e da Sua palavra e se deixe levar pelas grandes tentações humanas de ter, poder e prestígio. Sempre que abandonamos a Palavra de Deus para seguir os nossos critérios entramos na idolatria. A resposta de Jesus ao demónio é o cumprimento da Palavra de Deus escrita. «Está escrito» .
Na 1ª leitura, ouvimos o credo de Israel, que era uma confissão dos feitos maravilhosos de Deus para introduzir o povo na Terra Prometida para que o povo, já na possa da terra, nunca esquecesse quem lhe deu a mesma onde agora colhe os frutos e os animais. A tentação do povo, rodeado por povos idólatras, era cair também na adoração desses ídolos esquecendo o seu Deus e os seus dons admiráveis. Ao oferecer em cada ano as primícias dos frutos da terra e as primícias dos rebanhos (as primícias eram os primeiros frutos), o povo recordava-se de quem lhe deu tudo, permanecendo fiel ao Deus único e verdadeiro. Depois da oferta das primícias prostravam-se em adoração reconhecendo o Senhor como o seu único Deus. A oração que, na paróquia de S. João Baptista se faz, imediatamente antes de irmos ao altar oferecer o nosso dom no último Domingo do mês, dia da pastoral da partilha, está inspirada nesta confissão de fé de Israel. Nós rezamos: «Esta minha oferta SENHOR, é para vos adorar, pois sois o meu Criador, eu, vossa criatura; Esta minha oferta é para reconhecer que Sois infinitamente generoso para comigo; E porque vos amo SENHOR, vos ofereço uma parte daquilo com que me enriquecestes, pois tudo o que possuo, de Vós recebi; Aceitai, esta minha oferta, expressão da minha fé, da minha caridade.» Ao darmos generosamente ao Senhor, reconhecemos que tudo vem d’Ele e que nós fomos constituídos em administradores dos seus dons e não em donos absolutos. Renunciamos assim a pôr a nossa confiança nos bens ou no ter, tentação que o demónio coloca a Jesus, para colocar a nossa confiança só em Deus que tudo nos dá. Mas isto não se entende se não tivermos feito a experiência do Espírito Santo. Por isso S. Lucas tem o cuidado de nos contar que Jesus foi para o deserto, cheio do Espírito Santo, depois do seu batismo. A experiência mais profunda que Jesus fez foi a de ser o Filho do amor do Pai. «Este é o meu Filho muito amado em quem pus todo o meu enlevo» E o Espírito Santo desceu sobre Ele. As tentações do demónio têm a ver com a sua própria identidade de Messias, Filho de Deus. O demónio começa por lhe dizer no princípio de cada tentação: «Se és Filho de Deus…» Ora essa era a experiência mais profunda de Jesus, a sua riqueza fundamental, o seu nome excelso. Mas o demónio pretende subjugá-lo oferecendo-lhe poder, riquezas, prestígio à custa da desobediência à Palavra de Deus. Mas é no facto de ser o «Filho amado» que Jesus coloca a sua confiança.
Ao entrarmos na quaresma devemos ter também presente a nossa identidade fundamental. «Somos filhos do pai celeste, e somos chamados a renunciar a tudo o que negue esta filiação divina em Cristo. A nossa riqueza não está no ter, no fazer, ou no prestígio do nosso bom nome. A nossa identidade mais profunda é a de sermos filhos do Pai celeste. Tudo o resto acaba, mas a nossa filiação divina em Cristo é eterna. A quaresma é o tempo de regressarmos ao essencial, de nos desembaraçarmos de tudo o que não deixa brilhar em nós a nossa condição de filhos. A prata e o ouro com o tempo vão perdendo brilho e beleza. De vez em quando temos de os levar a um ourives que limpe aquilo que acumulou e foi escondendo a beleza da prata ou do ouro. O nosso pecado, a nossa negligência espiritual, vai também escondendo a beleza da nossa filiação divina. Mas na medida em que nos aproximamos de Deus e purificarmos o nosso coração pela caridade, vamos resplandecendo a glória de filhos de Deus. Diz Paulo: E nós todos que, com o rosto descoberto, reflectimos a glória do Senhor, somos transfigurados na sua própria imagem, de glória em glória, pelo Senhor que é Espírito.( 2 Cor 3, 18)
Que o nosso trabalho quaresmal nos leve com Jesus ao Monte da transfiguração para que, pela ação do seu Espírito e da nossa colaboração, possamos resplandecer melhor a imagem do Senhor na nossa vida.

«Oração
Senhor Jesus, que no deserto Venceste a tentação, renunciando a um caminho de poder e de triunfo, concede-nos a graça de vivermos enraizados em Ti, para que em cada dia do nosso caminhar sejas Tu em nós a vencer todo o mal. Dá-nos a humildade necessária para reconhecer em cada proposta do mal um caminho para a nossa desintegração. Ajuda-nos, com a força do Teu Espírito, a discernir o bem e o mal. Liberta-nos daquela cegueira que é a autojustificação de quem nunca se sente pecador porque não mata, não rouba… Ajuda-nos a olhar a vida, as nossas relações humanas, as nossas intenções com profundidade, para que, à luz da Tua Palavra saibamos sempre pedir um coração contrito. Dá-nos arrependimento sincero, Senhor, para que o caminho de Conversão que agora iniciamos possa ser autêntico, na configuração Contigo, rumo à Páscoa, na cruz e pela cruz.»

Folha Paroquial nº 67 *Ano II* 03.03.2019 — DOMINGO VIII DO TEMPO COMUM

«É bom louvar o Senhor.»

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«EVANGELHO (Lc 6, 39-45)
Naquele tempo, disse Jesus aos discípulos a seguinte parábola: «Poderá um cego guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova? O discípulo não é superior ao mestre, mas todo o discípulo perfeito deverá ser como o seu mestre. Porque vês o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua? Como podes dizer a teu irmão: ‘Irmão, deixa-me tirar o argueiro que tens na vista’, se tu não vês a trave que está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão. Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto. Cada árvore conhece-se pelo seu fruto: não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas das sarças. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal; pois a boca fala do que transborda do coração».»

MEDITAÇÃO
«O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal; pois a boca fala do que transborda do coração» O que é que a Bíblia chama coração, donde o homem pode tirar o bem ou o mal? Hoje gostaria de falar desta zona íntima onde o homem se encontra com Deus e traz em si a imagem e semelhança divina. São quatro dimensões constitutivas do ser humano, embora só uma delas seja palpável pelo bisturi dos médicos. A primeira delas é a física, biológica, material: a do corpo (soma.) É a mais fácil de identificar, é palpável visível, sensível. Sentimos frio, calor, prazer, sofrimento, fome, sede etc. A segunda mais interior, é feita de sentimentos, emoções, afetos: sentimos medo, cólera, ódio, amor, paixão. É a dimensão psíquica. (psychè). Percebemo-la bem em nós e sentimo-la mas não a vemos da mesma forma que vemos as coisas materiais como o corpo. A terceira, é a nossa dimensão mental ou racional, (nous). Com ela estruturamos o pensamento, associamos as coisas e simbolizamos a realidade. Isto permite-nos pensar de forma crítica e livre ainda que dentro de certos limites, pois também temos condicionalismos.
Finalmente, chegamos à quarta dimensão, a mais profunda em nós e que dá à pessoa humana a sua mais alta dignidade. É a dimensão do espírito (pneuma). A Bíblia chama a esta dimensão, “coração” e, na tradição da Igreja, chamamos-lhe : alma ou espírito. É a dimensão espiritual exclusiva do ser humano. No domingo passado dizia que nós, feitos à imagem do Pai celeste, trazemos connosco este património Seu que partilhou connosco. Temos algo do Pai celeste, isto é, espiritual, quase divino. Ele soprou o seu sopro vital sobre nós e comunicou-nos o seu ser divino, o seu espírito. Daí a nossa grandeza, dentro dos limites da nossa condição terrena. Por isso o salmista exclama: «Quem é o homem, Senhor, para que dele cuideis? Fizeste dele quase um ser divino, de honra e glória o coroastes. (salmo 8). Porque é que só o ser humano é religioso desde o início e, embora tateando, sempre procurou deuses ou Deus? Porque nos interrogamos tanto sobre o sentido da vida e da existência? Porque temos sentido ético? Porque somos seres sempre insatisfeitos e sentimos que nos falta sempre algo mais? É porque temos em nós a marca de Deus, o selo divino. Não somos só pó da terra. Aspiramos ao absoluto, aspiramos por Deus como uma saudade que trazemos em nós. É no nosso coração, nesta dimensão capaz de Deus, que se situa o nosso Eu profundo, aquilo que me constitui de original e único. É aqui que se inscreve a minha liberdade e a minha capacidade de decisão, de escolher o bem mesmo quando o meu corpo e os meus sentimentos me pedem outra coisa. Posso decidir ao contrário dos meus impulsos quando eles não me conduzem para aquilo que eu sei ser o bem, porque tenho uma consciência moral, um centro de liberdade e vontade que pode comandar todas as potências do meu ser. O pensamento de Jesus no evangelho de hoje é claro: O homem verdadeiro constrói-se a partir do coração, deste seu centro interior. É aqui, no coração, que se joga o melhor e o pior de nós mesmos. Ou deixamos que Deus habite este nosso centro interior com a Sua luz ou fechamo-nos a Ele e então essa zona íntima passa a ser habitada pelas trevas e pelo vazio e só pode produzir o mal. Quando Jesus disse a Zaqueu: «Zaqueu hoje preciso de ficar em tua casa.» Zaqueu recebeu-O cheio de alegria e logo se viu o resultado. Toda a vida de Zaqueu mudou porque a sua casa interior foi iluminada. Jesus diz no Apocalipse: «Eis que eu estou à porta e bato, se alguém ouvir e abrir a porta eu entrarei e cearei com Ele e Ele comigo» Quando este centro interior da nossa vida é habitado por Ele, todo o nosso ser; corpo, psíquico e mente, entram em harmonia e nós sentimo-nos unificados, íntegros, inteiros. Quando esta zona íntima não tem a luz da presença de Deus, tornamo-nos seres espartilhados, divididos, desintegrados e o fruto que produzimos é mau, pois vem da carne e não do espírito.A palavra de Jesus tem hoje mais atualidade que nunca pois vivemos numa sociedade programada a partir de fora e onde os indivíduos são vítimas de modas e padrões obrigatórios. É preciso «interiorizar a vida» para nos tornarmos mais humanos. Por isso precisamos do silêncio e da oração. Precisamos de ouvir o nosso Mestre interior a conduzir-nos e a falar-nos. A Eucaristia enche constantemente de luz o nosso coração e irradia para todo o nosso ser. Mas o que comunga precisa de purificar constantemente o seu coração pela confissão e pelo perdão para oferecer a Deus uma digna morada.
O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal; pois a boca fala do que transborda do coração».

Lectio Divina 3 – Ev. da Transfiguração – Jesus Cristo, revelador do Mistério de Deus

Quem por qualquer motivo não puder ou quiser juntar-se a um grupo, poderá fazer a Lectio de preparação da Visita Pastoral a partir do Youtube:

Descarregue a brochura: 120 – LECTIO DIVINA 2

Como deverá ser do conhecimento de todos, esteve na passada quarta-feira, no salão da Igreja de S. José, o Sr Bispo a lançar a Lectio Divina como forma de preparação da visita pastoral que se iniciará no dia de S. José, 19 de Março. Esta leitura orante da Palavra de Deus decorrerá em pequenos grupos, na sua maioria já existentes. Para todos aqueles que não pertencem ainda a nenhum grupo no qual este percurso seja feito, são convidados a encontrarem-se no salão de S. José na próxima quinta feira, dia 14, pelas 21h15 com vista à formação de mais grupos para a Lectio Divina. Para quem não pôde por algum motivo estar neste encontro com o Sr Bispo, pode visualizar o vídeo em http://w.pt351.com/11484

Entretanto, quem por qualquer motivo não puder ou quiser juntar-se a um grupo, poderá fazer a Lectio a partir do Youtube: https://youtu.be/ryPRdOmhhQE

Folha Paroquial nº 66 *Ano II* 24.2.2019 — DOMINGO VII DO TEMPO COMUM

«O Senhor é clemente e cheio de compaixão.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Lc 6, 27-38 )
Naquele tempo, Jesus falou aos seus discípulos, dizendo: «Digo-vos a vós que Me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam. A quem te bater numa face, apresenta-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, deixa-lhe
também a túnica. Dá a todo aquele que te pedir e ao que levar o que é teu, não o reclames. Como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós também. Se amais aqueles que vos amam, que agradecimento mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam. Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto. Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, que é bom até para os ingratos e os maus. Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. Dai e dar-se-vos-á: deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco».»

MEDITAÇÃO
As palavras de Jesus que acabámos de escutar soam-nos sempre cheias de novidade como se as escutássemos pela primeira vez. E no fundo de nós mesmos sabemos que são palavras de verdade pois apesar de sabemos que são muito difíceis de viver, reconhecemos também que são um caminho novo que, vividas, elevam a humanidade quase à esfera do divino.
Jesus faz referencia à lei de talião – do latim, talio, talis (tal, igual): Ouvistes o que foi dito aos antigos: «Olho por olho, dente por dente», encontramos esta lei no livro do êxodo e em formulação semelhante no código de Hammurabi. Ao contrário do que se pensa habitualmente, esta lei não representa a barbaridade, mas um avanço civilizacional, pois assenta, não na multiplicação desenfreada da vingança e da violência, mas na sua contenção, pois condena o agressor a receber apenas a sanção igual àquela que ele provocou à vítima. Bem diferente é a chamada Lei da Vingança Desenfreada, traduzida por exemplo, no famoso cântico da espada de Lamec que podemos encontrar em Génesis 4, 23-24: «Matei um homem porque me feriu, e um rapaz porque me pisou.».
Mas Jesus vai infinitamente mais longe do que a lei de talião. Ele pede um amor total onde não pode existir «não amor» a alguém e em alguma circunstância. E isto porquê? “Porque sois Filhos do Pai que está nos céus” e deveis parecer-vos com Ele pois Ele é bom para com todos e faz vir as suas bênçãos sobre os ingratos e os maus.
O problema é que a nossa sociedade a partir da revolução francesa e dos filósofos da “morte de Deus” matou, no coração, o pai comum e ficámos órfãos. E este afastamento do Pai Nosso trouxe consigo uma enorme redução de valores morais na sociedade, a começar pelos mais importantes como o respeito pela vida em todas as suas situações.
Hoje, a sociedade laica fala de ética civil que é uma ética minimalista baseada naquele mínimo de valores em que ela se põe de acordo. E cada vez o acordo é menor. E se a sociedade, maioritariamente, acha que devemos matar quem já não produz e ainda por cima está doente, e até quer, então torna-se ético matar. E aí está a tentativa de legislar sobre a eutanásia. Quanto ao aborto, a sociedade portuguesa votou em pequena maioria o aborto até às 12 semanas e ele aí está, implacável, com alguns médicos e enfermeiros formados para proteger a vida, a matar, legalmente, todos os dias, dezenas ou centenas de crianças nos hospitais pagos pelos nossos impostos. E o que virá depois ainda não sabemos, mas podemos esperar que não se fica por aqui nesta luta que pretende reduzir o homem a simples matéria descartável. É uma visão antropológica que reduz o homem ao niilismo, pois cortados da nossa relação com o Pai celeste o que ficamos a ser? Apenas matéria descartável. Sem Deus, Pai nosso, todas as aberrações se tornam possíveis. Na verdade porque não hei de assaltar a casa do meu vizinho que vive mais rico do que eu? Por que razão não hei de assaltar um banco se consigo fazê-lo sem ser apanhado? Por que não posso odiar o meu semelhante? Por que hei de respeitar o diferente? A resposta da Bíblia é que o fundamento de toda a lei é DEUS. «Porque eu sou o Senhor», e sou um Deus Santo.», mas, quando se deixa de amar e respeitar a Deus, então o que pode evitar fazer o mal é só o medo de ser apanhado pela polícia, mas como não pode haver um polícia atrás de cada cidadão, e ainda por cima, com uma justiça que não funciona, há muitas probabilidades de não se sofrer consequências pelo mal que se fez e tenta-se. Não admira que os crimes cresçam e hão-de crescer ainda mais, à medida que a sociedade se afasta do Deus Santo. Para quem se sente filho de Deus e chama em cada dia a Deus, “pai nosso que estais nos céus”, como Jesus nos ensinou, há atitudes inconciliáveis com esse «ser filho», tais como o ódio e a vingança que matam. Daí o mandamento divino: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Jesus vai levar este mandamento mais longe – até ao amor aos inimigos e termina dizendo: «Sede perfeitos, como o vosso pai celeste é perfeito», ou na versão de Lucas que hoje escutámos: «Sede misericordiosos como o vosso pai é misericordioso», sede generosos, como o vosso pai é generoso, dai e dar-se-vos-á. A medida que empregardes com os outros o vosso pai empregá-la-á convosco. O fundamento da lei divina é sempre o mesmo: o próprio Deus. Por isso, o 1º mandamento de todos é: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua inteligência e com todas as tuas forças». Sem a vivência deste mandamento, os outros ficam suspensos, sem fundamento. Sem Deus no coração dos homens e da sociedade, o mundo pode voltar à barbárie. Por isso rezar a oração do Pai Nosso deve se um programa de vida e talvez se deva orar mais devagar para nos confrontarmos com a forma como somos filhos desse pai que está nos céus.

Almoço Goez

Depois dos sabores africanos e da beira, chegou a vez dos sabores indianos com um almoço ao estilo de Goa: galinha de caril. Para quem não gostar/suportar este tipo de condimentos, nomeadamente as crianças, será preparado um prato alternativo. Preço: 10€

Inscreva-se online:

Lectio Divina 2 – Ev. do Cego de Nascença – Jesus Cristo, luz para a vida

Quem por qualquer motivo não puder ou quiser juntar-se a um grupo, poderá fazer a Lectio de preparação da Visita Pastoral a partir do Youtube:

Descarregue a brochura: 120 – LECTIO DIVINA 2

Como deverá ser do conhecimento de todos, esteve na passada quarta-feira, no salão da Igreja de S. José, o Sr Bispo a lançar a Lectio Divina como forma de preparação da visita pastoral que se iniciará no dia de S. José, 19 de Março. Esta leitura orante da Palavra de Deus decorrerá em pequenos grupos, na sua maioria já existentes. Para todos aqueles que não pertencem ainda a nenhum grupo no qual este percurso seja feito, são convidados a encontrarem-se no salão de S. José na próxima quinta feira, dia 14, pelas 21h15 com vista à formação de mais grupos para a Lectio Divina. Para quem não pôde por algum motivo estar neste encontro com o Sr Bispo, pode visualizar o vídeo em http://w.pt351.com/11484

Entretanto, quem por qualquer motivo não puder ou quiser juntar-se a um grupo, poderá fazer a Lectio a partir do Youtube: https://youtu.be/ryPRdOmhhQE

Folha Paroquial nº 65 *Ano II* 17.2.2019 — DOMINGO VI DO TEMPO COMUM

«Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor..»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Lc 6, 17.20-26)
Naquele tempo, Jesus desceu do monte, na companhia dos Apóstolos, e deteve-Se num sítio plano, com numerosos discípulos e uma grande multidão de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e Sidónia. Erguendo então os olhos para os discípulos, disse: Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e proscreverem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem. Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa. Era assim que os seus antepassados tratavam os profetas. Mas ai de vós, os ricos, porque já recebestes a vossa c onsolação. Ai de v ós, que agora estais saciados, porque haveis de ter fome. Ai de vós, que rides agora, porque haveis de entristecer-vos e chorar. Ai de vós, quando todos os homens vos elogiarem. Era assim que os seus antepassados tratavam os falsos profetas.»

MEDITAÇÃO
Os dois caminhos: O da bênção e o da maldição.
Ela tinha uma boa reforma de alguns milhares de euros e ainda acumulava com a do marido que tinha morrido. Mas vivia em grande simplicidade e até austeridade. Só tinha um filho adotado e tinha
recursos suficientes para lhe deixar bens em herança. Mas tanto gente singular como instituições de bem-fazer podiam sempre contar com ela. O interessante é que fazia quase tudo anonimamente. Várias vezes na paróquia recebi envelopes com dinheiro avultado para obras no centros social, na igreja, no grupo socio-caritativo. Sabia de quem vinha apesar de virem anónimos.
Quando faleceu as pessoas diziam: Viveu a fazer o bem.. .Deu-se aos outros. Foi como o bom samaritano que sempre se compadecia dos que encontrava à beira do caminho. E não foram precisas grandes palavras naquela missa de exéquias. Toda a gente tinha a convicção de que a sua vida tinha sido mergulhada no divino e sabiam que dela era o reino dos céus.
Mas recordo outro caso, quando era ainda criança em idade escolar. Um senhor da minha aldeia tinha andado no Brasil e feito uma pequena fortuna para aquele tempo. Voltado para a aldeia era
o único que tinha dinheiro no meio daquela pobreza toda. As pessoas quando precisavam muito de dinheiro batiam-lhe à porta e pediam emprestado. E ele emprestava com juros muito altos. Como
passado o tempo, as pessoas não tinham com que pagar, ficava-lhes com os bens que eram a sua sobrevivência. E morreu sozinho, sem amor, sem amigos. Foi o primeiro funeral a que fui, com uma opa vermelha vestida, e já me sentia grande por poder também vestir uma opa. Mas ao contrário do costume, as pessoas todas falavam alto o que me chamou a atenção. Alguém mais piedoso pediu mais silêncio, enquanto se caminhava para o cemitério levando a carreta, mas a resposta foi: « Silêncio para quê? Respeito por aquele que não nos respeitou?» Nunca mais esqueci aquele episódio pois achei pena que alguém chegue ao fim da vida e não deixe saudade nenhuma porque viveu só a pensar em si.
Nestes dois exemplos temos as bem aventuranças e as maldições que S. Lucas coloca na boca de Jesus.
A vivência das bem-aventuranças são a expressão de uma fé feita de confiança em Deus que não falha. Quem confia n’Ele não vive preocupado com amealhar. Diz-nos a 1ª leitura: “Bendito quem
confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança. E as bemaventuranças de Jesus estão baseadas nesta confiança: “Bemaventurados, vós os pobres porque é vosso o reino dos céus.”
Jesus diz-nos que há um caminho verdadeiro para a felicidade que Ele nos indica e que há caminhos falaciosos que parecem ser uma miragem a prometer-nos felicidade mas que são isso mesmo, uma
miragem. Segundo Jesus, “é melhor dar do que receber, é melhor servir que dominar, é melhor partilhar do que amealhar para si, é melhor perdoar do que vingar-se, é melhor criar vida do que
explorar. E no fundo, quando conseguimos escutar sinceramente o melhor que há no fundo do nosso coração sabemos que Jesus tem razão. E cá dentro sentimos necessidade de gritar também hoje as
bem-aventuranças e as maldições que Jesus gritou.” (J. Pagola) .
Felizes os que aceitam dar e partilhar o pouco que têm com os seus irmãos, com o serviço de Deus, da igreja, dos pobres. Malditos os que só se preocupam com a s suas riquezas e os seus interesses.
Felizes os que podendo viver mais comodamente, escolhem uma vida simples porque querem partilhar, como no primeiro exemplo que dei. Malditos os que são capazes de viver tranquilos e
satisfeitos, sem se preocupar com os que à sua volta choram e sofrem. Deus está do lado deles e contra os exploradores.
Tanto a 1º leitura como as bem-aventuranças de Lucas não nos deixam esquecer que não é a mesma coisa amar ou não amar, dar ou não dar, servir ou não servir, escolher o comodismo ou escolher a
desinstalação para fazer o bem. Hoje nas pregações corremos o risco de deixar na sombra o juizo de Deus contra os que de uma forma perseverante fazem o mal e não se arrependem. Os nossos
actos têm consequências para a nossa salvação ou perdição eterna.
Podemos analisar como pensamos e agimos quando damos na igreja ou noutra situação em que somos chamados a partilhar Quando damos na igreja, por exemplo, parece que muita gente
pensa: « Vamos lá ver qual a moeda mais pequenina que aqui tenho…» Felizmente também há quem não pense assim: De certeza que há pessoas na assembleia com dificuldades mas há
também, de certeza, gente que vive folgadamente. Uma eucaristia com 300 pessoas não chega a dar 150 euros o que significa que foi uma média abaixo de 50 cêntimos por pessoa. Deus e a
comunidade cristã onde recebi a fé e a alimento têm assim tão pouco valor para mim? Eu sei que é um costume que vem detrás mas que exige reflexão. Há tempos houve aqui um casamento, em
S. José, que gastou 2.000 euros para enfeitar a igreja de flores… mas não davam nada à igreja se não lhes tivesse sido lembrado que deviam deixar alguma coisa. Deixaram 30 euros. O nosso
crescimento na identificação com Cristo passa por vermos como lidamos com os bens materiais e vermos as prioridades que existem na nossa vida. Se gastamos tanto dinheiro em coisas
supérfluas e depois resistimos a dar para boas obras da comunidade ou para quem precisa, vê-se logo onde está o nosso coração. E se entregamos o nosso coração ao supérfluo, pode
acontecer que a nossa vida se funde no supérfluo, casa construída na areia movediça que depressa se esmorona.
Quanto bem a comunidade poderia fazer a nível da evangelização, da compaixão, da solidariedade, da formação e de acolhimento às pessoas ! Bem-aventurados vós os que confiais em Deus e por isso
vos destes com amor….malditos vós que amealhastes e pensastes só em vós. Já recebestes a vossa recompensa na terra.

Conferências Quaresmais 2019 para o Arciprestado de Coimbra Urbana

Acolhei-vos uns aos outros.

14 Mar – Acolher na Comunidade Cristã
Pe Gonçalo Amaro (Porto)

21 Mar – Acolher o descartado
Entrevista com Marta Neves (Assoc. Ergue-te), Justina Dias (Farol-Caritas) e Ana Figueiredo(Assoc Saúde em Português)

28 Mar – Acolher o idoso
Entrevista com Marisol Simões e Armando Garcia (Centro de Acolhimento João Paulo II) e com Cristiana Correia(Conferências Vicentinas de Coimbra)

04 Abr – Acolher a diferença em família
D. Ilídio Leandro (bispo emérito de Viseu)

11 Abr – Celebração do Perdão para toda a cidade (Sé Nova)
Preside D. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra