Arquivo da categoria z- Apresentação na Igreja

Folha Paroquial – Domingo IV da Páscoa

“«Eu sou o Bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas».”

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«O mercenário, como não é pastor, nem são suas as ovelhas, logo que vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge, enquanto o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário não se preocupa com as ovelhas. Eu sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas, e as minhas ovelhas conhecem-Me, do mesmo modo que o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai; Eu dou a vida pelas minhas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor. Por isso o Pai Me ama: porque dou a minha vida, para poder retomá-la. Ninguém Ma tira, sou Eu que a dou espontaneamente. Tenho o poder de a dar e de a retomar: foi este o mandamento que recebi de meu Pai»

Hoje, quarto Domingo de Páscoa, somos convidados a fixar os nossos olhos no Bom Pastor que deu a vida pelas Suas ovelhas e que ressuscitou de entre os mortos para as conduzir à Vida Plena. Jesus deixa bem claro que o Bom Pastor é aquele que não se serve das ovelhas mas que dá a vida por elas. Se repararmos bem a expressão «dar a vida» aparece repetida no texto 5 vezes. O que não dá a vida pelas ovelhas nem merece o título de pastor, é mercenário, isto é, não trabalha por amor, mas para se servir delas. Imitar e incarnar o Bom Pastor é missão de todos os ministros ordenados na Igreja, mas as palavras de Jesus servem para todos aqueles e aquelas que são líderes de qualquer pequeno ou grande grupo que têm por missão guiar. O catequista e qualquer outro responsável de pequenos grupos, é pastor do seu grupo, mas também o político cristão deve tomar para si estas palavras de Jesus, “O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas”, de contrário é mercenário. A Igreja colocou no 4º Domingo da Páscoa a semana mundial de oração pelas vocações, pois é conhecido por Domingo do Bom Pastor por sempre se escutar o evangelho onde Jesus se intitula como o Pastor das ovelhas. Quando celebramos este dia podemos ser tentados a pensar que é uma semana mais para os padres e freiras, pois trata-se de pedir o dom das vocações consagradas, como se a vida dos leigos, das famílias e de todos os que se dedicam à missão não tivesse também de ser vivida como vocação ou melhor como resposta a uma vocação, a um chamamento. É verdade que não podemos descurar as vocações de especial de consagração e, de modo especial, os ministros ordenados, pois a Igreja não pode viver sem o ministério sacerdotal. Embora esse seja um dos objetivos principais da semana, ela existe também para lembrar a todos os crentes que a nossa vida é fruto de um chamamento de Deus e ninguém está dispensado de viver a sua vida como resposta a esse chamamento amoroso. Como lembra o papa Francisco na mensagem para este dia: «não estamos submersos no acaso, nem à mercê duma série de eventos caóticos; pelo contrário, a nossa vida e a nossa presença no mundo são fruto duma vocação divina. (…) Por isso, “na diversidade e especificidade de cada vocação, pessoal e eclesial, trata-se de escutar, discernir e viver esta Palavra que nos chama do Alto e, ao mesmo tempo que nos permite pôr a render os nossos talentos, faz de nós também instrumentos de salvação no mundo e orienta-nos para a plenitude da felicidade.” E o papa na mensagem indica-nos estes três aspetos importantes para aprendermos a ouvir o Senhor e a responder-lhe: «escuta, discernimento e vida». Ninguém ouve Deus se não fizer silêncio orante no fundo do coração. «Deus vem de forma silenciosa e discreta, sem Se impor à nossa liberdade. Assim, pode acontecer que a Sua voz fique sufocada pelas muitas inquietações e solicitações que ocupam a nossa mente e o nosso coração.»(….) Hoje este comportamento vai-se tornando cada vez mais difícil, imersos como estamos numa sociedade rumorosa, na abundância frenética de estímulos e informações que enchem a nossa jornada». Por isso, quem é capaz de parar para fazer silêncio entra na contracorrente do mundo e encontra um oásis no meio do deserto. O silêncio da adoração eucarística nas nossas paróquias pode ser esse oásis para todas as pessoas que querem escutar a voz do Senhor, que chama em todas as idades e circunstâncias, para O seguir. Os jovens das nossas paróquias precisam de aproveitar este oásis. Se não fazemos silêncio interior, acabamos por viver de uma forma caótica e não como resposta a um chamamento.
Depois de escutar é preciso discernir. Diz o papa: “O discernimento espiritual, é um «processo pelo qual a pessoa, em diálogo com o Senhor e na escuta da voz do Espírito, chega a fazer as opções fundamentais, a começar pela do seu estado da vida». (…) Todo o cristão deveria poder desenvolver a capacidade de «ler por dentro» a vida e individuar onde e para quê o está a chamar o Senhor a fim de ser continuador da sua missão.»
E o 3º aspeto é viver, isto é, decidir responder ao Senhor. “A alegria do Evangelho, que nos abre ao encontro com Deus e os irmãos, não pode esperar pelas nossas lentidões e preguiças; não nos toca, se ficarmos debruçados à janela, com a desculpa de continuar à espera dum tempo favorável; nem se cumpre para nós, se hoje mesmo não abraçarmos o risco duma escolha. A vocação é hoje! A missão cristã é para o momento presente! E cada um de nós é chamado – à vida laical no matrimónio, à vida sacerdotal no ministério ordenado, ou à vida de especial consagração – para se tornar testemunha do Senhor, aqui e agora.» Às vezes escutamos a voz do Espírito, percebemos o que o Senhor quer, mas tornamo-nos mestres do adiamento. E assim o tempo vai passando e cada vez se torna mais difícil a decisão porque “nos fechámos em nós mesmos, nos nossos hábitos e na apatia de quem desperdiça a sua vida no círculo restrito do próprio eu, perdendo a oportunidade de sonhar em grande e tornar-se protagonista daquela história única e original que Deus quer escrever connosco.”
Deus nunca se cansa de nos chamar em qualquer idade da vida para O seguirmos mais fielmente. Possamos cada um de nós encontrar espaço no nosso dia a dia para ouvir Aquele que nos ama e porque nos quer dar a plenitude da felicidade, não desiste de bater à nossa porta e chamar-nos para mais longe no amor e na doação de nós mesmos.
Estou atento aos apelos que Deus me vai fazendo ao longo da vida a ir mais longe no amor e na entrega?

Folha Paroquial – Domingo III da Páscoa

“«A paz esteja convosco».”

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«Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho»

Podemos afirmar que a ideia central do texto do Evangelho de hoje é a ideia de “cumprimento do plano divino da salvação”: «Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. Aliás, a ideia de cumprimento do plano de Deus percorre toda a Bíblia. Deus pode comparar-se a um artista que concebeu uma obra de arte. Tem essa obra por inteiro na cabeça e no coração, mas só aos poucos vai sendo realizada . Vai convidar muitos a colaborar com Ele naquela obra mas estes têm de confiar no artista e na sua ideia acreditando que no fim a obra vai ser esplêndida. Quando finalmente a obra se completa depois de muitos esforços e fadigas dão-se então conta da maravilha em que colaboraram. Então, e só então, poderão dizer: Ah sim, “era preciso”, tinham de se cumprir todas aquelas etapas para chegar aqui!
O desígnio amoroso de Deus, a que Paulo chama “Mistério” e que se realiza «desde antes da criação do mundo», é muito mais grandioso que uma obra de arte, por melhor que ela seja. E ao longo da Bíblia vemos como esse projeto de Deus está em marcha. A longa paciência de Deus através dos tempos, as etapas e os inícios de realização, os fracassos e os recomeços, as colaborações. Dizer que o desígnio amoroso de Deus se cumpre na história da humanidade, é dizer que a História tem um SENTIDO, isto é, um significado e uma direção. A narrativa do nosso Credo leva-nos do princípio até à consumação dos séculos. Os crentes estão voltados para o futuro, o devir e não para o passado. Dizemos no Pai Nosso “ Venha o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”, por outras palavras, Jesus ensinou-nos a rezar para que o plano de Deus se cumpra. E Ele não fez outra coisa do que realizar esse plano. Aliás, Ele está no centro da realização desse plano. Este plano não é limitador da liberdade e da responsabilidade humanas. Não há um cenário escrito de antemão. Pelo contrário, Deus respeita a liberdade do homem e é por isso mesmo que o plano de Deus não avança mais rápido, como diz S. Pedro (2 Pedro 3,9).
Quando Jesus ressuscitado, no relato da aparição aos discípulos do evangelho de hoje, lhes diz: «tem de se cumprir tudo o que está escrito», ensina-lhes a reconhecer na passagem dos dias e dos milénios a lenta, mas segura maturação da nova humanidade que será um dia reunida n’Ele. E é isso a inteligência das Escrituras. Não no sentido de «estava escrito», programado, mas está na continuação da obra de Deus. Então, para os discípulos, tudo se tornou luminoso: Agora compreendem que o Deus de amor e de perdão não podia ir senão até ao extremo do amor e do perdão; .Claro, que para nos levar para além da morte, na luz da ressurreição, seria necessário que Ele próprio atravessasse a morte; claro que para nos ensinar a ultrapassar o ódio com a força do amor, era preciso que Ele mesmo afrontasse o ódio e a humilhação; E assim por diante. «Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as escrituras”. Compreender as Escrituras é compreender este plano que as atravessa do princípio ao fim, mas que só à luz da ressurreição e com a ação do Espírito é possível entender. Compreender as Escrituras é entender que a vida tem sentido porque é fruto de um amor imenso, o amor de Deus, e que Ele está comprometido connosco pela Sua aliança até à raiz dos cabelos. Compreender as Escrituras é entrar na exultação, no louvor, na gratidão e na ação de graças a esse Deus que nos amou e tudo fez por nós, É também comprometer-se com o bem da humanidade com quem Deus se comprometeu. A nossa missão de colaboração no plano de Deus, é de anunciar e viver o melhor possível esse desígnio benevolente de Deus. É o que Paulo chama «completar na minha carne o que falta à obra de Cristo.» Completar na nossa carne quer dizer simplesmente colocar a nossa vida quotidiana ao serviço desse grande plano. O texto esclarecedor de Paulo é o seguinte:
“Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja. Foi dela que eu me tornei servidor, segundo a missão que Deus me confiou para vosso benefício: levar à plena realização a Palavra de Deus, o mistério escondido ao longo das gerações e que agora Deus manifestou aos seus santos. (Col 1,24-26)
Queres também entrar nesta história de amor sendo colaborador do plano de Deus para a salvação de cada pessoa humana?

Folha Paroquial – Domingo II da Páscoa

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia.”

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«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente.»

No segundo Domingo de Páscoa ouvimos sempre o mandato missionário de Jesus na versão de S. João. O primeiro protagonista da evangelização é o Espírito Santo, dom de Cristo glorificado pela morte e ressurreição. «Assim como o Pai me enviou também eu vos envio a vós.» É como que a dizer-nos …porque sei que sem o meu Espírito em vós nada sereis capazes de fazer, «soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo».
Ao dirigir-se aos discípulos e em resposta à exigência incrédula de Tomé, Jesus mostra-se com os sinais da Sua entrega por nós na cruz. Ele é doravante o Cordeiro imolado trespassado nas mãos e nos pés, e mesmo depois de morto, perfurado no coração. Mas agora essas chagas são gloriosas e é nelas que somos curados e encontramos a vida.
Jesus quis ficar eternamente connosco no sacramento da Sua entrega por nós, no Seu corpo imolado-ressuscitado por nosso amor e esse sinal é a Eucaristia acerca da qual Ele nos disse: «Tomai e comei, isto é o Meu corpo entregue por vós. Tomei e bebei este é o meu sangue, sangue da aliança nova e eterna derramado por vós e por todos para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim»
A Eucaristia, isto é a presença real de Jesus, o Vivente, no meio de nós é o grande mistério da fé que professamos e celebramos e acerca do qual dizemos: «Anunciamos Senhor a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição, Vinde Senhor Jesus» Ao professar esta fé somos os destinatários da bem-aventurança que Jesus proferiu diante de Tomé: «Porque me viste acreditaste, felizes os que acreditam sem terem visto». Nós vemos o pão consagrado, e acreditamos nas Palavras de Jesus que disse: «Isto é o Meu corpo entregue por vós».
Este mistério é-nos dado, em primeiro lugar, para ser alimento na celebração eucarística e, em segundo lugar, para ser adorado. A adoração eucarística prolonga e intensifica o que é celebrado na missa.
O papa João Paulo II dizia : «O Senhor Jesus plantou a sua tenda entre nós (Jo1,14) e a partir da sua morada eucarística, repete a cada homem e mulher estas doces palavras: “Vinde a Mim, vós todos que andais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei” ( Mt 11,28). O Santo Cura d’Ars apontava para o sacrário dizendo aos seus fiéis : «Jesus está realmente e verdadeiramente ali, e se soubésseis quanto Ele vos ama, seríeis as pessoas mais felizes do mundo.» Mais do que tudo na terra, Deus quer que sejamos felizes e que venhamos até Ele, porque a verdadeira felicidade consiste em conhecer o verdadeiro amor: Um amor que não muda nunca…um amor sem limites e sem condições. Por isso, a Igreja não cessa de repetir estas palavras: «Jesus espera-vos no seu sacramento de amor, onde Ele repete o seu eterno convite: «Não podeis vigiar uma hora comigo? ( Mc 14,37).
Por isso, o papa diz que o seu grande desejo e a sua visão para a Igreja é que cada paróquia estabeleça a adoração permanente. Isto acontece quando uma paróquia abre uma capela ou uma pequena sala de oração, dia e noite, com a exposição permanente do Santíssimo Sacramento. Se cada um de nós consentir em passar uma hora por semana com Jesus realmente presente no Santíssimo Sacramento, então nós podemos organizar todas as horas do dia e da noite, de modo a que haja aí sempre ao menos uma pessoa com Jesus, e nós poderíamos ter a adoração perpétua na paróquia.
Em S. José começamos hoje, Domingo da Misericórdia, em que Jesus nos mostra os sinais do Seu corpo entregue por amor, a adoração todos os dias da semana com o seguinte ritmo: Domingo das 14:00 às 24:00, segunda das 8:00 às 24:00, Terça a partir das 8:00 e, ininterruptamente, até sexta às 24:00. Sábado das 8:00 às 24:00. Bendito seja Deus! Sete dias na semana, irmãos e irmãs, vão estar diante de Jesus morto e ressuscitado que lhes vai comunicar, como aos discípulos, o dom da paz: «A paz esteja convosco». É daqui que receberemos o envio missionário: “Assim como o Pai me enviou também eu Vos envio a vós».
Rezo quotidianamente para que se possa vir a cumprir na paróquia de S. José e de S. João Baptista aquele que é o sonho do papa Francisco para toda a Igreja. “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários a linguagem, e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual do que à auto-preservação”. ( EG, nº 27). Mas uma paróquia que deseja ser evangelizadora tem de acolher primeiro o apelo a estar com Ele para depois ser enviada. Acerca do chamamento dos discípulos, diz-nos o evangelista: «Chamou-os para estarem com Ele e para os enviar em missão» Saboreemos na adoração quanto o Senhor é bom para falarmos d’Ele com a experiência do amor.
Em S. João Batista, já há cinco anos que a paróquia dedica 40 horas por semana ininterruptamente para estar com o Senhor em adoração. Muita gente recebeu graças incontáveis por estar na presença de Deus. Entretanto, a paróquia foi crescendo na assiduidade ao ensino, à comunhão fraterna, ao serviço à fração do pão e à evangelização. E se fôssemos mais longe? Vamos acrescentar a terça-feira e a noite de terça para quarta. E assim ficaremos, por agora, com adoração de terça para quarta e de quarta para quinta-feira.
Quando visitamos o mosteiro da Batalha deparamo-nos sempre com dois soldados que, noite e dia, fazem guarda de honra aos heróis que morreram pela pátria e cujos nomes nem sabemos, e por isso dizemos «o soldado desconhecido».
Não deveríamos dar uma maior honra ao Rei dos reis e Senhor do senhores ( Ap 19,16) não a uma estátua ou mausoléu, mas ao Deus vivo, realmente presente na Eucaristia? A Escritura diz : «O Cordeiro imolado é digno de receber a honra, o louvor e a glória» (Ap 5, 12) numa adoração incessante (Ap 7,15) por tudo o que fez pela nossa salvação (Ap5,9) .
Jesus dizia a Santa Margarida Maria em Paray le Monial: «Tenho sede e uma sede tão ardente de ser amado pelos homens no Santíssimo Sacramento». «Eis o coração que vos ama tanto, suplico-vos que me ameis também». «Então, eu reinarei pelo poder do meu Coração e vereis a magnificência do meu amor.»
Não regateemos uma hora por semana para estar com o Senhor e ofereçamos-lha de coração generoso. Se todas as horas são boas para estar com o Senhor e contribuir assim para a salvação do mundo e da nossa família, gostaria de fazer um apelo direto para as horas da noite entre meia-noite e seis horas da manhã, pois são as horas mais difíceis para estar com Ele, aquela hora em que os discípulos adormeceram e Jesus foi ter com eles e disse-lhes: «não podeis vigiar uma hora comigo? Vigiai e orai para não cairdes em tentação». Esta fé heroica que nos leva a vir rezar de noite, pode comparar-se à fé que Jesus encontrou em tantas pessoas e o levou a fazer tantos milagres. Deus nunca se deixa vencer em generosidade. Quanto mais somos generosos com Deus, mais Ele derramará as Suas graças de misericórdia e de paz sobre a nossa Igreja e o nosso mundo. Aqueles que passam uma hora com Ele durante a noite dão testemunho da Luz que rejeita as trevas. Como os Israelitas viam uma coluna de fogo na noite (Números 9,15-16), como Moisés encontra Deus na sarça ardente (Ex 3), no Santíssimo Sacramento, Cristo é um braseiro ardente de amor.
Então vinde com confiança ao trono da graça para alcançardes graça e misericórdia. Adorai o Senhor que esteve morto, mas agora é o Vivente pelos séculos dos séculos. Ámen.

Folha Paroquial – Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor

“Eis o dia que fez o Senhor, n’Ele exultemos e nos alegremos.”

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«Cristo ressuscitou dos mortos. Aleluia!
Que Cristo ressuscitado ilumine o coração de cada um e encha de alegria as vossas almas.
Que Ele entre em vossa casa e vos transmita a paz.»

A morte e ressurreição de Cristo é o mistério central do cristianismo, a pedra angular em que assenta a fé cristã. Como disse S. Paulo, se Cristo não tivesse ressuscitado a nossa fé era vazia e oca. Era vã. O inacreditável é que há pessoas que dizendo-se cristãs, têm como fé a reincarnação. Com esta crença afastam-se do núcleo da fé cristã e reduzem-na a uns valores éticos. Mas a fé cristã não é em 1º lugar uma doutrina, é uma experiência de libertação e de alegria suprema. No cristianismo primeiro há a vida e a experiência de fé, depois é que vem a sistematização doutrinal. É por isso sempre refrescante ouvirmos de novo o anúncio pascal e a sua reprodução de geração em geração até chegar até nós, hoje. Comecemos pelo princípio.
João diz-nos que ainda estava escuro: a luz da ressurreição brilhou na noite; pensamos imediatamente no prólogo do mesmo Evangelho de S. João: «A luz brilhou no meio das trevas, mas as trevas não a receberam.» Mas as trevas não podem prender a luz no sentido em que a não podem impedir de brilhar. E a luz brilhou no mundo, iluminando a noite dos discípulos desanimados e às escuras depois de terem visto adormecido na morte Aquele que eles pensaram que seria o Messias.
O discurso de Pedro em casa de Cornélio, da primeira leitura, é revelador do estado de espírito dos Apóstolos no tempo que se seguiu à ressurreição de Jesus. Eles tinham sido as testemunhas privilegiadas das palavras e dos gestos de Jesus, e tinham pouco a pouco compreendido que Ele era o Messias que todo o povo esperava. E depois aconteceu a Sexta- feira santa: Deus tinha deixado morrer Jesus de Nazaré. Ora, se Ele fosse O Messias, certamente Deus não o deixaria morrer. Então Deus abandonaria na morte o Seu Enviado? A sua deceção era imensa. Tinham perdido com ele três anos da sua vida e Ele tinha-lhes dado tantas e tão fundadas esperanças. Mas tinham que assumir a realidade. Jesus de Nazaré não podia ser o Messias de Deus. Isto está bem descrito no texto dos discípulos de Emaús.
Mas depois aconteceu o estrondo da ressurreição: No entanto, os discípulos não estão preparados para tamanha novidade, da qual nunca tinha havido experiência alguma. No princípio fica a interrogação, a dúvida…o que quer isto dizer? Uns têm mais facilidade do que outros em acreditar no mistério, mas todos vão precisar de processar tanta novidade. As aparições do ressuscitado numa e noutra ocasião vão ajudar os discípulos neste trabalho de compreensão e de releitura de tudo o que viveram com Ele. Mas cada vez se torna mais evidente. Afinal Deus não tinha abandonado o seu Enviado, Ele tinha-O ressuscitado. E é quando eles percebem essa evidência, com a ajuda do Espírito Santo que lhes é dado, que se tornam capazes de sair dos seus medos onde estão fechados para sairem a anunciar com todas as suas forças o que viram e ouviram. É exatamente o que Pedro diz a Cornélio: Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos Judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n’O, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia… Nós comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos.
Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. Mas as pessoas a quem os apóstolos vão pregar esta boa notícia já não conheceram Jesus, como é o caso de Cornélio e os de toda a sua família. Como poderão eles, então, fazer a mesma experiência de salvação e alegria que fizeram os apóstolos? Através da aceitação, pela fé, da palavra que é anunciada e proclamada pelos Apóstolos e que narra a sua experiência salvadora. Doravante, não serão as aparições do ressuscitado que farão as pessoas acreditar que Ele está vivo, mas é o testemunho vivo dos cristãos que fizeram a experiência do encontro pessoal com Cristo ressuscitado e que, por sua vez, o testemunham, que fará outros acreditarem.
A fé cristã não está ligada a uma palavra que tivesse ressoado do céu, mas a qualquer coisa que aconteceu na nossa terra. Alguns homens fizeram com Jesus a experiência de uma Redenção e de uma libertação, pois foram testemunhas da sua ressurreição de entre os mortos. Eles começaram a partilhar esta experiência libertadora a outros. Assim, a sua experiência tornou-se para nós, anúncio. De forma que, como disse Bento XVI, “a tradição cristã não começa por uma doutrina ou por uma moral, mas por uma história de experiência salvadora. A apropriação pessoal desta história não é, porém, possível a não ser que ela se torne para o ouvinte uma nova experiência que pode também ser identificada como a minha própria experiência. É só nesta condição que surge uma tradição viva, quer dizer, uma nova experiência viva que se torna para outros um anúncio vivo.”
Exemplo: A Manuela (nome fictício) perdeu toda a vontade de viver. Morreram-lhe algumas pessoas de família, todas no mesmo ano, e aconteceram-lhe muitas coisas que ela não conseguiu ultrapassar. A sua tristeza e desânimo foram tão grandes que já nem queria viver. Sentia-se apática e desinteressada por tudo. Um dia, a Manuela, por feliz acaso, encontrou a Andreia, uma rapariga que, num movimento de jovens cristãos, tinha conhecido o Senhor e tinha trazido à sua vida uma autêntica ressurreição, pois também a Andreia tinha tido um passado cheio de mágoas. Esta, sabendo da angústia em que vivia a Manuela, fala-lhe da sua experiência do Senhor, como O tinha conhecido e como Ele tinha transformado a sua vida, desde que lhe abriu o coração e a convidou a ir ao seu grupo cristão. A Manuela sentiu-se muito bem acolhida no grupo e ofereceram-se para orar por ela para que ela experimentasse a salvação que vem do Senhor. Ela aceitou Cristo no seu coração, pediu perdão dos seus pecados e fez a mesma experiência de salvação que a Andreia já tinha feito. A Manuela tornou-se depois uma grande missionária, pois Deus encheu de sol a sua vida. E assim a boa nova da ressurreição vai gerando vida nova através do anúncio de Cristo ressuscitado. Esta é a missão da Igreja, a missão dos cristãos, individual e comunitariamente: testemunhar, pela vida e pela palavra, a experiência salvadora que fazemos da vida de Jesus ressuscitado em nós. Eu já experimentei a força da ressurreição de Jesus na minha vida? E se sim, já partilhei com alguém a experiência de salvação que faço dele?

Tema : O silêncio do Sábado Santo

Tema preparado pela Inês Pereirinha para o Tríduo Pascal 2018, com a Comunidade Emanuel

Tema: O significado da Cruz

Tema preparado pela Inês Pereirinha, membro da Comunidade Emanuel, para Sexta Feira Santa – Páscoa 2018

Tríduo Pascal na paróquia, com a Comunidade Emanuel

29 de Março, quinta-feira santa

19:00h – Acolhimento
19;30h – Jantar partilhado
21:00h – Ceia do Senhor e Lava-Pés
24:00h – Fim da Adoração

30 de Março, sexta-feira santa

09:30h – Laudes
10;30h – Tema
11:30h – Tempo de silêncio
13:00h – Almoço
14:30h – Tempo de Compaixão / Evangelização
16:30h – Intervalo
17:00h – Ensaio de cânticos
18:00h – Paixão do Senhor – Adoração da Santa Cruz
19:30h – Jantar
21:30h – Via-Sacra, com todas as paróquias da cidade, a sair do Seminário de Coimbra

31 de Março, sábado

09:30h – Laudes
10;30h – Tema
11:30h – Tempo de silêncio
13:00h – Almoço
14:30h – Tempo de Divulgação / Evangelização
17:00h – Lanche
18:00h – Preparação da vigília
19:30h – Jantar
22:00h – Vigília Pascal da Ressurreição do Senhor

01 de Abril, domingo

10:45h – Eucaristia

Folha Paroquial – Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

“Começa hoje a Semana Santa ou Semana Maior, como também é conhecida, por nela se desenrolarem os maiores acontecimentos da fé cristã.”

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«Ele escolheu a última Ceia para fazer a proclamação solene do «Seu mandamento», o de «nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou.»»

Começa hoje a Semana Santa ou Semana Maior, como também é conhecida, por nela se desenrolarem os maiores acontecimentos da fé cristã.
Hoje, Domingo de Ramos e da Paixão, a Liturgia reveste dois aspetos à primeira vista contraditórios. Fala-nos do triunfo e glória, para, logo a seguir, nos falar em sofrimento e paixão. Reunindo acontecimentos tão contrastantes, a Liturgia não tem outro intento senão apresentar-nos a figura de Jesus, no seu aspeto de Rei messiânico e, ao mesmo tempo, «Servo do Senhor». Mas o núcleo da Semana Santa (e que é também a síntese de todo o ano litúrgico) situa-se no Tríduo Pascal de Quinta-feira Santa à tarde, Sextafeira Santa e Vigília Pascal no Sábado à noite. Nestes três dias, vivem-se os grandes mistérios da fé cristã.
Quinta-feira Santa: Misteriosamente antecipando o Sacrifício que iria oferecer, dentro de algumas horas, Jesus põe fim a todas as «figuras» do Antigo Testamento, converte o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue, apresentando-se como o verdadeiro Cordeiro Pascal – o Cordeiro de Deus. O sacrifício da Cruz, com o qual estabelecerá a Nova Aliança, não ficará, pois, limitado a um ponto geográfico ou a um momento da história: pelo sacrifício Eucarístico, perpetuar-se-á pelo decorrer dos séculos até que Ele volte. Comendo o Seu corpo imolado e bebendo o Seu sangue, os discípulos de Jesus farão sua a oferenda de amor de Jesus e beneficiarão da graça por ela alcançada. Para que este mistério de amor se pudesse realizar, Jesus ordena aos apóstolos que, até ao Seu regresso, operem esta transformação, ficando, assim, participantes do Seu mesmo sacerdócio. Nascido da Eucaristia, o Sacerdócio tornará, portanto, actual, até ao fim dos tempos, a obra redentora de Cristo. Sendo a Eucaristia a prova suprema do amor de Jesus pelos homens, compreende-se porque é que Ele escolheu a última Ceia para fazer a proclamação solene do «Seu mandamento», o de «nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou.»
Sexta-feira Santa: Na sexta-feira à tarde, comemoramos a Paixão e morte do Senhor na Cruz. Neste dia não há Eucaristia nem outros sacramentos, a não ser a penitência e unção dos doentes. No entanto, não deixa de ser um dia de oração e celebração da Liturgia. A Igreja reúne-se neste dia para escutar a narração da Paixão, para orar por todos, para adorar a Cruz e para comungar Cristo, mergulhando, assim, na Sua morte.
Sábado Santo: Este dia é de silêncio expectante. A Igreja está vigilante à espera do seu esposo. As igrejas estão vazias. Não há sacramentos porque Aquele de cujo coração eles nascem dorme no sepulcro. Mas a Igreja está vigilante na oração à espera do esposo. Alimenta-se dos escritos dos profetas e dos salmos na Liturgia das Horas. Vigília Pascal: esta celebração é o cume de todas as celebrações e de todo o mistério pascal. É tão denso que explicá-lo aqui é impossível por falta de espaço. Direi apenas que a celebração consta de várias partes: Liturgia da Luz, em que se benze o lume novo, se acende o círio pascal, os fiéis acendem as velas e todos entram na igreja às escuras com velas acesas na mão e o círio atrás. Depois do canto exultativo do precónio pascal, acendem-se as luzes da igreja e começa a Liturgia da Palavra: durante este tempo, escutam-se as maravilhas que Deus realizou pela nossa salvação desde a criação do mundo até à sua recriação em Cristo. Tudo isto alternado com salmos e cânticos de júbilo, até ao Glória, em que se tocam as campainhas e nos preparamos para escutar as leituras do Novo Testamento e o Evangelho. Depois da homilia segue-se a: Liturgia Baptismal: nesta liturgia, preparamo-nos para celebrar o baptismo dos que houver para baptizar. Cantam-se as ladainhas, benze-se a água baptismal, renova-se a fé, de velas acesas na mão, confessando-a com entusiasmo. Depois somos aspergidos com água, sinal do baptismo que recebemos e cujos compromissos renovamos.
Liturgia eucarística: terminada a liturgia baptismal, preparamos a mesa para celebrar o banquete da Nova Aliança em Cristo Ressuscitado.
Aquele que por nós morreu e ressuscitou está vivo e dá-se em alimento aos que n’Ele creem para partilhar com eles a Sua vida imortal.

GRANDE VIAGEM ESCANDINÁVIA E FIORDES 16/23 JULHO 2018

PREÇO POR PESSOA EM
QUARTO DUPLO ——————————- €2.170,00
Suplemento Individual —————————    €555,00

1º DIA – COIMBRA – LISBOA – COPENHAGA – PC                   

Saída de Coimbra em hora a combinar com destino ao aeroporto de Lisboa. Comparência no aeroporto 120 minutos antes da partida. Assistência nas formalidades de embarque e saída com destino a Copenhaga. Chegada, encontro com o guia acompanhante e partida para o centro da cidade. Almoço*. Transporte ao parque Tivoli, para visita do parque de diversões. Jantar neste famoso parque que tem mais de 150 anos de antiguidade. Regresso ao hotel. Alojamento.

 

2º DIA – COPENHAGA – NAVEGAÇÃO – PC

Pequeno-almoço. Visita panorâmica da capital dinamarquesa, com passagem pela Praça da Câmara, o exterior do Palácio de Christianborg, o Nyhavn (canal ao estilo holandês que representa o espírito marinheiro da cidade), a Fonte de Gefion, a Sereia, homenagem à obra de Andersen, a Bolsa, etc. Almoço em restaurante local. Passeio pela rua pentagonal da cidade “Stroget”. Em hora a combinar transporte ao porto para embarque em ferry com destino a Oslo. Jantar a bordo. Alojamento em cabines interiores.

 

3º DIA – NAVEGAÇÃO – OSLO – BERGEN – PC

Pequeno-almoço a bordo. Desembarque e partida em direcção a Geilo, pequeno povoado no meio das montanhas conhecido pelas pistas de ski. Almoço. Continuação para Bergen, atravessando pelo fiorde de Hardanger, o mais extenso da Noruega. Chegada, à segunda cidade mais importante da Noruega e capital dos “Fiordes do Sul”. Jantar e alojamento.

 

4º DIA – BERGEN – STALHEIM – LAERDAL – PC

Pequeno-almoço. Visita panorâmica do velho porto de Bryggen e do antigo bairro de comerciantes da Liga Hanseática, com as suas construções típicas de madeira. Subida em funicular à colina de Floyfjellet, a partir da qual poderá contemplar impressionantes vistas da cidade e do seu fiorde. Saída pelo Vale de Voss em direcção a Stalheim, almoço. Seguimos para Gudvagen para travessia do fiorde mais estreito da Noruega, seguido do mais profundo, Sognefjord, também conhecido como “Fiorde dos Sonhos”, o segundo maior do mundo. Chegada a Laerdal. Jantar e alojamento nesta região.

 

5º DIA – LAERDAL – OSLO – PC

Pequeno-almoço. Saída para Oslo com passagem na Igreja de Madeira Borgund. Chegada e almoço. Visita panorâmica da “City of Tigers”, descobrindo o Parque Frogner com as esculturas de granito e bronze realizadas por Gustav Vigeland. Destaque para um impressionante bloco de granito com cerca de 17 metros de altura, onde aparecem esculpidas mais de 100 figuras humanas entrelaçadas. Passagem pela animada rua Karl-Johäns, pela Câmara Municipal, pelo Castelo de Akershus, pelo Palácio Real e pelo Parlamento. Visita ainda do Museu dos Barcos Vikings. Jantar e alojamento.

 

6º DIA – OSLO – KARLSTAD – ESTOCOLMO – PC

Pequeno-almoço Saída para Karlstad, uma cidade portuária e universitária da província histórica da Värmland. Almoço nesta cidade industrial situada na margem do lago Vänern, o maior lago sueco. Continuamos para Estocolmo, passando por Mariefred para admirar o Castelo Gripsholm. Chegada á capital da Suécia. Jantar e alojamento.

 

7º DIA – ESTOCOLMO – PC

Pequeno-almoço. Visita panorâmica da capital sueca através de um passeio de autocarro pelos pontos mais importantes da cidade e de uma caminhada pela Gamla Stan ou “Cidade Velha”, com as suas ruelas estreitas e empedradas. Durante a visita irá conhecer a Grand Plaza, o Palácio Real, a Ilha dos Nobres, a Catedral, entre outos ex-libris da cidade. Visita para conhecer o interior da Câmara Municipal, onde se realizam o banquete e o baile de gala posteriores à entrega dos Prémios Nobel. Almoço. De tarde, visita do Museu Vasa, histórico museu temático, em cujo local está exibido o navio Vasa, um galeão real afundado durante a sua inauguração e recuperado 333 anos depois. Jantar e alojamento.

 

8º DIA – ESTOCOLMO – LISBOA – COIMBRA – PA

Pequeno-almoço. Tempo livre até ao transfer para o aeroporto. Partida em voo com destino à sua cidade de origem. Chegada e após formalidades de embarque, regresso a Coimbra. 

Folha Paroquial – V Domingo da Quaresma

“Aprendei a conhecer o Senhor.”

A folha pode ser descarregada em: V Domingo da Quaresma

«Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto.»

1º: A Hora de Jesus é a hora da Sua glorificação, a hora das núpcias do Cordeiro.
O caminho quaresmal é um itinerário de conversão em que nos vamos aproximando da Hora de Jesus, isto é, do momento da Sua glorificação pela morte e ressurreição. Essa hora foi muitas vezes anunciada e esperada com ardor por Jesus: Como Ele disse a Maria, Sua mãe logo no princípio da Sua vida pública nas bodas de Caná: «Mulher, que tenho eu a ver com isso? Ainda não chegou a minha hora.» Ele estava nuns esponsais onde muda a água em vinho, mas esse casamento apontava para Aquela hora em que Ele, na cruz, realizaria a Nova Aliança no Seu sangue, as núpcias do Cordeiro. Agora é chegada essa hora em que o Filho do homem vai ser glorificado sendo como o grão de trigo que morre para dar fruto abundante. Por isso, é preciso que Ele dê a vida, que Ele passe por Aquela hora, para que a Igreja nasça e se multiplique pelo mundo levando a Boa Nova da Salvação. Como Ele dirá no Seu discurso de despedida: «Convém‐vos que Eu vá (isto é, que eu morra) porque se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, eu enviál’O‐ei» ( Jo 16,7). O Paráclito, dom de Cristo glorificado pela morte e ressurreição, é o que vai permitir o grande fruto da vida de Jesus nos crentes e que a Igreja se multiplique.
2º Somos convidados a participar da Sua hora e, como Ele, a sermos grão de trigo que aceita morrer para dar fruto.
O Caminho quaresmal, aproximando‐nos da hora de Jesus, convida‐no também a sermos participantes na Sua morte e ressurreição. Jesus diz claramente: “Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará.» Seguir e servir Jesus, ou seja, ser Seu discípulo, é participar do Seu destino, da Sua hora. É não procurar a cruz, como Jesus não a procurou, mas aceitá‐la em oferenda de amor, unindo‐se a Jesus. É dar a vida por amor, pois quem dá a vida recebe‐a e quem a ama, no sentido de não a querer dar para viver para si, esse perde‐a.
3º Aceitar as mediações para o encontro com Jesus.
Consequentemente, deve haver no discípulo um profundo desejo de conhecer a Cristo e de se identificar e configurar com Ele, naquilo que é o Seu pensamento, a Sua doutrina e a Sua vida. Por isso, acho tão belo o pedido dos gregos que foram a Jerusalém nos dias da festa da Páscoa e que disseram a Filipe: «Nós queríamos ver Jesus». Que belo pedido! Também nós devemos desejar conhecê‐l’O mais e melhor, porque nunca O conhecemos suficientemente. Conhecer a Sua Palavra, meditar na Sua vida, para nos configurarmos com o Seu carácter. E quem nos poderá ajudar a encontrá‐l’O e a conhecê‐l’O melhor? Toca‐nos humildade destes «buscadores do rosto de Deus» ao aceitarem as mediações para esse encontro. Não foram diretamente a Jesus mas, talvez por se sentirem indignos, aceitaram passar por Filipe que o foi dizer a André e, depois, ambos foram então ter com Jesus. Quanta dificuldade hoje as pessoas têm em aceitar as mediações do encontro com Deus. Gostariam de ter acesso direto. Mas nesta terra a experiência do encontro com Deus é sempre mediada. Só na eternidade veremos a Deus tal como Ele é, face a face. Mas o encontro com Deus não é menos real através dos meios que Jesus nos deixou para O encontramos. São eles a Igreja, os Sacramentos, a Palavra da Escritura, os irmãos e, podemos dizer, a ação invisível do Espírito Santo nos nossos corações.
Também a resposta de Jesus ao desejo dos gregos de O encontrarem não foi direta. Aqueles gregos representam todos os pagãos do mundo inteiro que anseiam pela verdade do Evangelho. Jesus responde a esse desejo formando os Seus discípulos, levando‐os a fazer a experiência fundamental cristã, de participar na Sua morte e ressurreição, de aprender a ser trigo que morre para se multiplicar, para depois serem eles a levar a Boa notícia aos pagãos, representados nos gregos. Estes vão encontrar‐se com Jesus através do anúncio da Igreja. Nenhum de nós recebeu o Evangelho diretamente de Jesus. Se hoje acreditamos em Cristo morto e ressuscitado, foi porque a Igreja no‐l’O anunciou. Quem não aceitar a Igreja, os Sacramentos ou a Palavra de Deus, dificilmente poderá chegar à fé cristã e ao encontro com Deus vivo.
E hoje há muitas pessoas a dizer: “Para ser crente não preciso da Igreja, não preciso dos sacramentos, não preciso sequer de nenhuma religião instituída. Faço ligação direta.” Pode‐se porventura ficar com um sentido de transcendência, mas não um encontro vivo com Aquele que esteve morto e nos comunicou a Sua vida imortal. Deus permita que esta quaresma nos ajude a uma maior identificação com Cristo, aprendendo a viver, oferecendo‐nos em união com a oferta do Senhor. A Eucaristia, onde Jesus sempre renova o sacrifício da Sua cruz e nos torna participantes d’Ele, é sempre uma bela oportunidade para Lhe oferecermos com amor os nossos trabalhos, as nossas tristezas e doenças, as nossas alegrias e dores.