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Folha Paroquial nº 88 *Ano II* 01.09.2019 — DOMINGO XXII DO TEMPO COMUM

«Na vossa bondade, Senhor, preparastes uma casa para o pobre.»

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«EVANGELHO (Lc 14, 1.7-14)
Naquele tempo, Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos O observavam. Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola: «Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu; então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». Jesus disse ainda a quem O tinha convidado: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído. Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.»

MEDITAÇÃO
O orgulho, primeiro pecado capital e a humildade o seu remédio
A Bíblia fala tanto da virtude da humildade por ela ser o remédio do maior pecado que nos afasta de Deus e dos outros. A Escritura é bem forte com o orgulhoso. «O Senhor derruba os poderosos dos seus tronos e exalta os humildes». Tanto o Antigo como o No-vo testamento diz que «Deus resiste aos orgulhosos e dá a sua graça aos humildes ( Pr 3, 34, Tg 4,6, 1 Pd 5,5) Cassien, um grande mestre espiritual francês, afirma: Esta resistência de Deus não existe para os outros pecados: Que grande mal é então o orgulho, para merecer ter como adversário não um anjo, nem outros oposi-tores, mas o próprio Deus? E o grande mestre espiritual responde: “É que o orgulho é contra o próprio Deus em pessoa!”
O que é o orgulho? Ele apresenta-se sob duas faces, segundo o enaltecimento do «eu», estar no final ou no princípio das ações do orgulhoso. Dito de outro modo, dependendo deste viver só para si mesmo, ou só por ele mesmo. Na primeira, dizemos que é egoísta, uma forma de orgulho que tem no centro o «eu», a segunda for-ma, chamamos-lhe independência, que é uma outra forma subtil de orgulho. O egoísta não ama o outro ou, se o ama, é porque ele lhe interessa. Mais ainda; ele está de tal forma no centro de si mesmo que Deus é evacuado. Ele não age nem para a glória de Deus nem para o amor dos outros, mas para a sua própria pessoa ainda que pareça muito religioso e muito cumpridor dos preceitos. É por isso que S. Paulo diz que o soberbo é um vaidoso e S. João Crisóstomo dizia que o a soberba, outro nome do orgulho, é uma doença da alma. Existe uma forma, subtil, de orgulho: a indepen-dência: Pode-se de facto ser generoso, dar-se ao próximo, sem deixar de ser orgulhoso: Certo, vive-se para o outro, ou até para Deus, mas sem deixar de viver por nós, a partir das nossas forças, do nosso eu. Esta forma de orgulho pode chamar-se também au-tossuficiência que hoje é muito exaltada. «Eu não preciso de nin-guém», não quero depender de ninguém. Não é uma das razões porque muitos querem a eutanásia para não dependerem de nin-guém quando caírem doentes e não se puderem valer a si mes-mos?
Mas será assim tão evidente que o egoísmo e a independência, estas duas faces diferentes do orgulho, sejam pecados? Em primei-ro lugar o amor a si mesmo não é mau. Antes pelo contrário. O “eu” não é odiável. Odiar-se é também orgulho. A autoestima é uma qualidade indispensável para viver. Precisamos de saber dizer «eu» antes de dizer «tu», é assim na ordem da conjugação dos pronomes pessoais e é também na ordem do amor. Cristo diz-nos para amarmos o próximo como nos amamos a nós mesmos. Tor-nar-se adulto é afirmar-se com os seus gostos próprios, as suas opiniões, decidir por si mesmo, etc. Por outro lado a independên-cia é também um critério de maturidade. Hoje, na sociedade oci-dental, dizem alguns psicólogos que cresce o número de adultos-adolescentes que permanecem em casa dos pais, eternizando ou multiplicando os seus estudos, evitando o compromisso, porque não ousam enfrentar o mundo, o outro, os conflitos o fracasso. O homem, à medida que cresce, vai aprendendo a ser autónomo. Mas não se deve confundir esta autonomia da pessoa com o senti-do de independência em relação a tudo ou a todos que tem sem-pre na génese o orgulho.
Porque é que o orgulho é um pecado capital? Diz o livro do ecle-siástico: «O princípio de todo o pecado é o orgulho» E a 1ª leitura de hoje diz-nos: «A desgraça do soberbo (ou orgulhoso) não tem cura, porque a árvore da maldade criou nele raízes.» Quer dizer, o pecado está na raíz de todos os outros. Transgredimos a lei de Deus porque colocamos a nossa lei acima da de Deus. Não é o que hoje está enraizado na nossa cultura? Eu é que sei o que é o bem. O orgulho é não somente o primeiro pecado, o pecado primordial, mas é o gerador, o pai de todos os outros pecados capitais, que serão eles mesmos a fonte de todos os outros pecados.
O orgulho é um pecado que leva à morte mas, felizmente, tem um remédio que o pode curar mas que exige ser tomado em peque-nas doses todos os dias, a humildade. E é desse remédio que nos falam as leituras de hoje. Antes de mostrar o remédio, quis, po-rém, de forma resumida, falar da doença. O remédio da humilda-de vive-se em três dimensões: O combate contra o egoísmo, o combate contra o espírito de independência e o exercício da justa auto-estima. Uma virtude adquire-se por pequenos atos que va-mos praticando, mas os pequenos atos de humildade não são os mais fáceis de realizar. A humildade não está na moda na cultura de hoje marcada pelos grandes filósofos mestres da suspeita. Aos olhos de Nietzsche, a humildade é a grande mentira dos fracos que transformam assim astuciosamente a sua cobardia em apa-rente virtude. Para Freud, é uma variante masoquista do comple-xo de culpabilidade, para Adler, ela é vizinha do sentimento de inferioridade. As suas interpretações deixaram marcas profundas na cultura moderna. Como honrar então o texto do evangelho de hoje que nos convida a sentarmo-nos no último lugar quando vi-vemos numa sociedade impressionada pelo êxito? É preciso dei-xarmo-nos repassar pelos sentimentos de Jesus que se colocou a si mesmo no fundo do abismo, ele que era de condição divina. Sejam quais forem os nossos esforços, a humildade é uma virtude mais que humana; ela encontra a sua fonte em Cristo. Toda a vida de Jesus testemunha a sua humildade e a de Deus. O Evangelho mostra-nos que quando um humilde se aproxima de Deus tudo recebe dele.

Folha Paroquial nº 87 *Ano II* 28.07.2019 — DOMINGO XVII DO TEMPO COMUM

«Quando Vos invoco, sempre me atendeis, Senhor.»

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«EVANGELHO (Lc 11, 1-13)
Naquele tempo, estava Jesus em oração em certo lugar. Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista ensinou também os seus discípulos». Disse-lhes Jesus: «Quando orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação’». Disse-lhes ainda: «Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar’. Ele poderá responder lá de den-tro: ‘Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos esta-mos deitados e não posso levantar-me para te dar os pães’. Eu vos digo: Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistên-cia, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa. Também vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».»

MEDITAÇÃO
Uma das coisas que mais espanta os discípulos é a maneira próxima, íntima e amorosa com que Jesus trata a Deus. Admirados pela sua forma de orar pedem a Jesus que os ensine a rezar e ele diz-lhes: rezai assim: «Pai Nosso…», fazendo-os entrar na sua intimidade com o Pai. Sabemos, pelos evangelhos, que Jesus tratava Deus pelo termo cari-nhoso com que os filhos tratavam os pais na sua língua aramaica: “Abba”, que pode traduzir-se por papá, paizinho. Ora isso causou mui-ta admiração nos discípulos pois um judeu nunca tratava a Deus com esta proximidade e familiaridade. No antigo testamento, o termo Pai, aplicado a Deus, aparece apenas no sentido de pai da nação de Israel. Pela aliança Ele é o criador do seu povo, o Pai coletivo. Mas a palavra não existe em sentido pessoal. Por esta razão chamar Pai a Deus não pode ter sido invenção dos discípulos nem da Igreja. Só Jesus o podia ter revelado. Mais: ele toma a iniciativa inaudita de nos fazer entrar na sua intimidade, exclusivamente d’Ele, com a pessoa de Deus, seu Pai. Este fato não existe em mais nenhuma religião. Sem Jesus, nunca teríamos sido capazes de conhecer realmente Deus, o Pai, e nunca teríamos conhecido o verdadeiro rosto de Deus, introduzindo-nos de tal modo no coração de Deus que podemos invocá-lo como Pai. O Conhecimento de Deus é o dom mais belo e sublime que podíamos receber de Jesus, um dom tão grande que muda perspetivas e atitu-des e nos leva até às raízes da nossa vida de onde todos vimos: do pai criador e Senhor de todas as coisas.
Jesus quis muito que nós soubéssemos que éramos amados pelo Pai e que aprendêssemos a confiar n’Ele. Jesus sabe que o pecado produziu a ferida da desconfiança no nosso coração e deseja que experimente-mos quanto o pai nos ama. Mas não basta sabermos que somos fi-lhos amados, é preciso que o experimentemos, que o sintamos. E isso é a obra do Espírito em nós. Diz-nos a carta aos Romanos: “Vós não recebestes um Espírito que vos escravize e volte a encher-vos de me-do; mas recebestes um Espírito que faz de vós filhos adotivos. É por Ele que clamamos: «Abbá, ó Pai». Esse mesmo Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus.” Penso que uma das maiores tarefas espirituais que devemos desenvolver em nós é esta certeza vivida: de que somos filhos de Deus e viver a nossa vida funda-mentada neste conhecimento. Este é o maior dom do Espírito Santo, o dom por excelência, fazer-nos sentir e viver como filhos. Por isso Jesus remata com estas palavras: “Se vós que sois maus sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu não dará o Espírito Santo àqueles que o pedem”. O dom que Deus nos dará, com toda a certeza, se o pedirmos com fé, é o dom do Espírito pois, sem Ele, não chegaremos à experiência maravilhosa de nos sentirmos filhos do Pai que está nos céus. É com Jesus que sabemos que somos filhos e é no Espírito que experimentamos essa realidade. Todos os homens e mu-lheres são filhos de Deus pela criação, pois todos foram criados à ima-gem do Filho, mas só experimentarão a graça de serem filhos quando batizados em Cristo receberem o Espírito de adoção filial. Se conse-guíssemos perceber por instantes o que significa sermos realmente filhos de Deus, perceberíamos que é a única riqueza que conta… Mas atenção! Dizer que Deus é Pai não é uma metáfora, uma figura de estilo. É a verdadeira realidade. Ele é que é o único Pai, a fonte de toda a paternidade. Por isso, Paulo escreveu: «É por isso que eu dobro os joelhos diante do Pai, fonte de toda a paternidade, do qual recebe o nome toda a família, nos céus e na terra:»( Ef 3,14) . E Jesus disse: “Na terra, a ninguém chameis ‘Pai’, porque um só é o vosso ‘Pai’: aquele que está nos céus.” (Mt 23,9) Só Deus é radicalmente nosso Pai, tudo o resto é participação na sua paternidade. De fato, não posso inventar-me a mim mesmo. A vida humana existe antes dos pais humanos. Não foram os pais que criaram a vida do ser huma-no. Limitaram-se a recebê-la! Porque também eles são filhos… na realidade, e isto é que é belo, a raíz do ser filho, existe antes dos pais. O filho é alguém que os pais recebem. Já está tudo no dom: está tudo no embrião humano, no sim de Deus Pai e no sim dos pais à vida. Por isso os pais não devem esconder dos filhos a raiz da vida. Eles, pais, não são a raiz . O Pai nosso remete-nos para o mistério profundo da nossa vida, que passa pelos pais mas existe antes dos pais. É esta con-dição de filhos de Deus, a fonte da dignidade humana de cada homem e mulher. Diz S. João contemplando este mistério: “Vede que admirá-vel amor o Pai nos consagrou ao querer que fossemos chamados fi-lhos de Deus. E somo-lo de facto!” Tenho de acabar mas há tanto a dizer… que o Espírito Santo vos proporcione o estremecimento de alegria que provocou tantas vezes em Jesus e que o levou a exclamar: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeni-nos. Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado.» E depois acrescenta: «Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.» Que o filho, pelo seu Espírio, nos revele por dentro, “o comprimento, a altura, a largura e a profundidade do amor de Deus que ultrapassa todo o conhecimento.”

Folha Paroquial nº 76 *Ano II* 12.05.2019 — DOMINGO IV DE PÁSCOA

«Nós somos o povo de Deus, somos as ovelhas do seu rebanho.»

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«EVANGELHO (Jo 10, 27-30)
Naquele tempo, disse Jesus: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só».»

MEDITAÇÃO
Nós somos o Povo do Senhor
Hoje, Domingo do Bom pastor, dia que se conclui a semana das vocações de consagração, gostava sobretudo de convidar-vos a fixar o vosso olhar no Bom pastor que ressuscitou e dá a vida pelas suas ovelhas. O Evangelho de hoje, bem conciso, é porém explosivo pela força que contém, e os judeus reagiram com firmeza às palavras de Jesus. Para compreendermos melhor o contexto, lembremo-nos que, antes disto, Ele estava no Pórtico de Salomão e os judeu estavam decididos a pô-lo entre a espada e a parede, perguntando-lhe: «Até quando vais tu manter-nos em suspenso? Se és o Cristo, (O Messias), di-lo abertamente»; É uma espécie de ultimato do género «sim ou não? Decide-te uma vez por todas». Em vez de responder «sim, sou o Messias», Jesus vai mais longe. Fala-lhes das suas ovelhas, o que vai dar ao mesmo! Porque o povo de Israel comparava-se a um rebanho: «nós somos o povo de Deus, o rebanho que Ele conduz» É uma fórmula que aparece frequentemente nos salmos e particularmente na deste Domingo. «Ele nos fez, a Ele pertencemos». Rebanho muitas vezes desobediente, mal conduzido pelos reis que se sucederam no trono de David mas sabia-se que o Messias, esse sim, seria um pastor atento e consagrado ao seu povo. Naturalmente, Jesus para afirmar que era o Messias, usa uma linguagem habitual sobre o pastor e as ovelhas. E os interlocutores compreenderam-no bem. Mas Jesus leva-os mais longe; falando das suas ovelhas, ousa afirmar: «Eu dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, ninguém as arrebatará da minha mão»… Fórmula audaciosa: quem pode dar a vida eterna? Quanto à expressão «estar na mão de Deus», era muito habitual no Antigo Testamento; por exemplo em Jeremias: «Vós estais na minha mão, povo de Israel, diz o Senhor, como a argila, na mão do oleiro» (Jer 18,16) e muitas outras passagens. Jesus faz referência a estas passagens bíblicas, pois acrescenta de imediato: «Ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai». Coloca assim, claramente, no mesmo pé as duas fórmulas «a minha mão» e «a mão do pai». Mas não fica por aqui. Persiste ainda em dizer: «Eu e o Pai somos um só». E assim ele responde muito para além da pergunta que lhe é dirigida: mais do que dizer; «sim, eu sou o Messias», afirma-se igual a Deus na condição de Filho da mesma natureza que o Pai. Claro que os judeus não podiam aceitar isso, habituados como estavam a rezar todos os dias: «Escuta Israel o Senhor nosso Deus é único». Jesus foi incompreendido, perseguido, eliminado, mas alguns acreditaram n’Ele. João diz no prólogo do seu evangelho: «Veio para o que era Seu e os seus não o receberam…mas aos que o receberam, aos que creram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo1,11-12) Deste pequeno resto nasceu o povo cristão: «as minhas ovelhas escutam a minha voz, eu conheço-as e elas seguem-me. Eu dou-lhes a vida eterna.» Apesar da oposição que Jesus encontra, da saída trágica já previsível, há aqui incontestavelmente uma linguagem de vitória: «Ninguém pode arrebatar nada da mão de meu Pai.» É como um eco da frase de Jesus: «Coragem, eu venci o mundo». Os discípulos de Jesus, ao longo da história, têm muita necessidade de se apoiar nesta certeza: «Ninguém pode arrebatar nada das mãos do Pai.»
É bom para nós termos esta certeza. Somos o Povo que o Senhor escolheu para sua herança, o povo que está nas suas mãos e que Ele nunca abandona». Podemos passar por muitas dificuldades, perseguições, incompreensões. Temos os nossos pecados e sofremos também pelos pecados dos outros, mas nada disso nos fará ser arrebatados das mãos do Pai. Ao longo da história, Jesus chamou e configurou consigo, pelo sacramento da Ordem, homens que tornassem visível este pastoreio de Jesus. Se houve muitos que o fizeram com grande santidade de vida e souberam transparecer com grande beleza o bom pastor, outros foram mais opacos a essa luz de Jesus. É uma honra, nunca merecida, poder servir o Senhor no ministério presbiteral. Sei bem que É Ele que cuida do seu povo e é para Ele que me volto continuamente e lhe digo: Senhor, apesar de mim, não deixes de visitar o teu povo e derramar sobre Ele os teus benefícios. Que ao menos eu não atrapalhe a passagem da tua graça e da tua misericórdia. Que Eles vejam o teu rosto, tu que lhes dás a vida terna, que os alimentas, que os guardas com ternura na palma das tuas mãos. Usa-nos para anunciar a Tua Palavra e administrar os dons da tua graça, mas nunca permitas que nos esqueçamos que és tu o único pastor do teu povo, aquele que o guarda e lhe dá a vida. E a minha alegria é ver a Tua obra. Contemplar, em ação de graças, a alegria dos que Te encontram e se voltam para ti. E quantas graças temos de dar-Te por te ver a agir e a tomar conta do povo que amas. Apesar de estarmos em tempos difíceis para a tua Igreja, estou cheio de esperança no futuro e nos sinais que se anunciam já no presente. Pastoreia-nos, Jesus, conduz-nos, enche o coração dos que Te servem nas paróquias do fogo da esperança e dá a todos uma imensa alegria por servirem o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Derrama o fogo do teu amor sobre os jovens de hoje e chama alguns para o sacerdócio pois a tua Igreja precisa deles. Visita as nossas paróquias com o dom do chamamento pois quando experimentamos o teu amor é difícil resistir-Te. A Ti, bom pastor, que dás a vida pelas tuas ovelhas e as guardas na tua mão, o nosso reconhecimento, adoração e louvor pelos séculos dos séculos. Ámen.

«ORAÇÃO PELA VIDA
Deus Omnipotente,
que estais presente em todo o universo e na mais pequenina das vossas criaturas,
Vós que envolveis com a vossa ternura tudo o que existe, derramai em nós a força do vosso amor
para cuidarmos da vida e da beleza.
Curai a nossa vida, para que protejamos o mundo e não o depredemos,
para que semeemos beleza e não poluição nem destruição.
Ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita.
Obrigado porque estais connosco todos os dias.
Sustentai-nos, por favor, na nossa luta pela justiça, o amor e a paz.
(Papa Francisco – Laudato sí)»

Folha Paroquial nº 76 *Ano II* 05.05.2019 — DOMINGO III DE PÁSCOA

«Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.»

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«EVANGELHO (Jo 21, 1-14)
Naquele tempo, Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto ao mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?». Eles responderam: «Não». Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. O discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.»

MEDITAÇÃO
A ressurreição de Jesus inaugurou um tempo novo e um mundo novo. Os textos da vigília pascal começam pela criação para depois, na oração que se segue, o presidente dizer que «O sacrifício de Cristo, nosso cordeiro pascal, é obra ainda mais excelente que o ato da criação no princípio do mundo.» E no canto do precónio diz-se: «De nada valeria termos nascido se não tivéssemos sido resgatados». Pela ressurreição de Jesus, Deus entrou na história e agiu, conduzindo a criação para um tempo novo que será consumado no fim dos tempos. A morte foi vencida, O Espírito Santo foi derramado sobre cada homem e agora habita o mundo para o levar à sua plenitude. Diz o Concílio Vaticano II, na Gaudium et Spes: «Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra na qual reina a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens. Então, vencida a morte, os filhos de Deus ressuscitarão em Cristo e aquilo que foi semeado na fraqueza e na corrupção, revestir-se-á de incorruptibilidade, permanecendo a caridade e as suas obras, todas as criaturas que Deus criou para o homem serão libertadas da escravidão da vaidade» (GS, 39). E, no número anterior, lembra-nos que este mundo novo é fruto da ressurreição e do envio do Espírito aos corações dos homens e que, este Espírito não só suscita o desejo da vida futura, mas anima, purifica e fortalece também os homens a trabalhar para tornar a vida mais humana, mais segundo o desígnio divino. No entanto, nesta construção do reino de Deus, já a acontecer, temos de contar com um duro combate que se trava na história e nos nossos corações. Na primeira leitura de hoje, vemos esse combate. O Sumo Sacerdote diz aos apóstolos: «Já vos proibimos formalmente de ensinar em nome de Jesus; e vós encheis Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem». Hoje, também, em muitos lugares do mundo, existe a mesma interdição de falar do nome de Jesus, e onde ela não existe, formalmente, como é o caso da Europa ocidental, existe sub-repticiamente, tentando que a comunidade dos discípulos de Jesus, a Igreja, não tenha espaço de cidadania. A muitos não lhe importa que a Igreja exista desde que o seu trabalho seja feito dentro das quatro paredes do templo, sem tentar influenciar a sociedade. Ora Jesus convida-nos e envia-nos para o mundo a anunciar a sua palavra para o mundo ser transformado. Jesus disse: «Vós sois o sal da terra , vós sois a luz do mundo”. Não se trata de impor nada a ninguém pois a fé não pode ser imposta, já que tem a ver com uma decisão pessoal da consciência. Mas pode e deve ser proposta a todos os que a quiserem ouvir. Se vejo alguém a morrer de sede não o posso obrigar a beber a água que o salvaria, mas posso e devo dizer-lhe onde está a água que lhe mataria a sede e o restabeleceria. O maligno, que se apresenta de diversas formas, tenta calar a palavra de Deus para que ela não transforme o mundo, e ele age fora da igreja mas também dentro da igreja, o que é ainda pior, pois a desacredita. Mas os discípulos de Jesus não devem deixar-se vencer pois Jesus disse: «No mundo tereis muitas tribulações mas não tenhais medo: Eu venci o mundo.» E aqui mundo quer dizer tudo aquilo que se opõe a Deus e ao seu projeto de salvação. Os discípulos de Jesus, de ontem e de hoje, receberam a missão de, iluminados e fortificados pelo Espírito, colaborarem com Deus para que o mundo novo que já começou, pela sua encarnação, morte, ressurreição e Pentecostes seja levado à plenitude. Mas para isto temos de estar preparados para sofrer pelo nome de Jesus. Encanta-me a forma como os apóstolos encararam os sofrimentos que lhes foram infligidos por causa de pregarem a Palavra: «Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus.» Para seguir Jesus e ser testemunha dele é preciso estar disposto a sofrer por ele, até ao martírio, se necessário for. Onde a Igreja é mais forte é onde sofre por causa de Jesus. Onde ela vive em liberdade corre sempre o risco de entrar numa frouxidão, numa mornice e tibieza de que nos fala o Apocalipse: «Tenho contra ti que não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente mas és morno e aos mornos vomito-os da minha boca.» É por causa de uma vivência cristã frouxa, débil, que recusa a cruz, que hoje a Igreja sofre humilhações em toda a terra, pois deixámos o mundanismo entrar nela como se vê com os escândalos que vão aparecendo também dentro da igreja e nos clérigos: é a corrupção, a vergonha, o pecado. E aqueles que eram destinados a serem “sal da terra” para preservar o mundo da corrupção tornam-se, eles mesmos, os corruptores. «Mas Deus não desiste da sua Igreja e sobretudo do seu projeto de salvação. Ele procura almas que desejem servi-Lo e amá-Lo para que o mundo seja salvo. Ele está vivo e a força da sua ressurreição é imparável. Felizes os que acreditam e que aceitam colaborar com Ele na construção de uma nova civilização de amor e justiça.

«Mãe de Deus, Nossa Senhora, intercede
por todas as mães nas suas mais diversas necessidades.
Que o amor e a generosidade de todas elas sejam exemplo sempre presente no coração de todos os filhos.
Mãe querida, ajuda todas as mães que geraram os seus filhos para a vida, a gerarem-nos também para a graça.
Virgem Maria, faz com que todas as mulheres saibam ser no mundo um sinal da presença materna de Deus.
Ámen.»

Folha Paroquial nº 75 *Ano II* 28.04.2019 — DOMINGO II DE PÁSCOA

«Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia.»

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«EVANGELHO (Jo 20, 19-31 )
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.»

MEDITAÇÃO
Para os apóstolos e a comunidade cristã primitiva, a Ressurreição de Cristo é «o Acontecimento» que mudou tudo. Cristo ressuscitou e o seu Espírito, o seu poder de amar, habita-os doravante. O poder da graça estava sobre eles: a graça é a presença de Deus em nós, é o amor de Deus em nós. Apóstolos e todos os batizados são habitados pelo amor, um amor de tal forma poderoso que os transforma completamente, a ponto de os fazer ver de um modo totalmente novo as realidades materiais. Há acontecimentos na nossa vida, felizes ou infelizes, que mudam completamente as nossas prioridades. Coisas que nos apareciam até aí insignificantes tomam, de repente, um grande valor; outras às quais dávamos muita importância, aparecem de repente secundárias. Um filho que nasce a um jovem casal muda-lhe as prioridades… de bom grado, eles agora sacrificam a sua liberdade por causa daquele filho que lhes trouxe tanto deslumbramento. E ouvimos muitas vezes os que foram salvos num grande acidente, ou de uma grande doença, dizer que nada mais será como dantes. Para os primeiros cristãos, diz-nos Lucas, a posse dos bens materiais deixou de ser uma prioridade. «A multidão dos que tinham abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma, ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum.» A primeira insistência neste sumário de Lucas é a unidade e depois vem então a partilha. Esta é consequência daquela. A frase central é: «Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de grande simpatia.» No fundo, a unidade e a partilha era uma das formas de dar testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Uma igreja que quer dar testemunho não pode ser desunida e desinteressada da sorte uns dos outros.
A Igreja é a comunidade daqueles que experimentaram a graça da presença do ressuscitado nas suas vidas e isso foi um acontecimento tão maravilhoso que mudou as prioridades da vida. Agora somos chamados a dar testemunho de que Ele está vivo através da unidade que vivemos, da alegria da união fraterna, na alegria da partilha, na alegria de celebrarmos juntos a Eucaristia e de trabalharmos juntos pela missão.
É esta missão que Jesus nos confiou quando aparecendo aos discípulos no primeiro dia da semana lhes diz: “«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo»”. Somos enviados em missão para o mundo onde vivemos, mas não sozinhos: «Recebei o Espírito Santo». No princípio dos Atos dos Apóstolos, Ele tinha dito: «Ireis receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas.»
Mas só pode ser testemunha quem viveu a alegria dos Apóstolos por terem encontrado ou reencontrado o senhor. «Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor». Depois dizem a Tomé quando ele chega: «Vimos o senhor». Mas… isso a nós não nos aconteceu. «Não vimos o Senhor». É verdade que não tivemos as aparições como os apóstolos, mas recebemos as bem-aventuranças que Jesus anuncia: «Felizes aqueles que acreditam sem terem visto». Sem terem visto, sim, mas não acreditamos sem nada a ajudar-nos a acreditar. Não acreditamos no vazio, sem nada. O que pode substituir em nós aquilo que os apóstolos viveram? É a própria Palavra viva de Deus que é anunciada pela Igreja. Logo no dia da ressurreição, os apóstolos vêm para a rua, em Jerusalém, e Pedro faz a sua primeira pregação da Palavra. Os ouvintes ficam «de coração trespassado pela emoção» e perguntam: «Que havemos de fazer, irmãos?» Nesse dia, converteram-se ao Senhor mais de 5000 pessoas que pediram o batismo em nome de Jesus. Eles já não tiveram as aparições, mas isso não os impediu de fazer uma experiência semelhante à dos apóstolos, de se sentirem renascer pela fé no Filho de Deus, como se tivessem «visto» o ressuscitado. Por isso, S. João termina o Evangelho de hoje dizendo: «Estas coisas foram escritas para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.» A palavra de Deus acolhida desperta em nós a fé e a presença do ressuscitado. Tem sido assim ao longo de mais de 2000 anos, homens e mulheres têm mudado as suas vidas e prioridades porque, através do anúncio da palavra que chegou até Eles, descobriram Cristo vivo e ressuscitado, e entregaram-se a Ele e assim a Igreja foi crescendo e irradiando. Também nós o acolhemos assim e somos chamados a anunciá-lo para que outros creiam.

irs 2019
CONSIGNAÇÃO IRS A FAVOR DO CENTRO SOCIAL S. JOSÉ — lembramos que, à semelhança de anos anteriores, sugerimos que assinale o Centro Social de S. José como beneficiário de 0,5% do seu IRS. Basta para isso assinalar no quadro 11 da sua declaração o NIF 501 427 848 e isso não afetará em nada aquilo que irá pagar ou receber: a lei fiscal portuguesa permite que o contribuinte destine meio por cento dos seus impostos a favor de uma obra de cariz social à sua escolha.

Folha Paroquial nº 74 *Ano II* 21.04.2019 — DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

«Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.»

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«EVANGELHO (Jo 20, 1-9)
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.»

MEDITAÇÃO
Em Cristo a história humana chega à plenitude. Cria um antes e um depois. Já o facto de Jesus ter incarnado no seio da Virgem Maria, pela ação do Espírito Santo, cria um ponto de mudança na história. Deus interveio no seu curso, fazendo-se homem. Agora, a sua ressurreição, é um outro dado do mistério do desígnio divino da nossa salvação. Ninguém podia imaginar isto senão Deus! Para os discípulos de Jesus a ressurreição foi tão inesperada que levaram tempo a digerir os acontecimentos de que são testemunhas. Este mistério da ressurreição não se capta de repente. É um processo. E este processo passa-se com todos nós até chegarmos à fé.
As leituras de hoje apresentam-nos o acontecimento inaudito da ressurreição do Senhor tal como os primeiros discípulos o viveram (evangelho), apresenta-nos esse anúncio feito aos pagãos, neste caso, Cornélio, o centurião romano, e o fruto do acolhimento da fé em Jesus: ( 1ª leitura) «quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados e uma vida nova.» Na segunda leitura, Paulo explica as implicações que tem para os que aceitaram, pela fé, o Senhor ressuscitado e foram batizados n’Ele. Hoje quero deter-me mais neste ponto.
Se não estivermos familiarizados com o vocabulário Paulino, encontramos expressões estranhas. Exemplos: «Irmãos vós ressuscitastes com Cristo…morrestes com Cristo.» O que quer isto dizer? Nós não morremos, estamos vivos. E porque não morremos também não ressuscitámos ainda. Isto quer dizer que as palavras não têm o mesmo sentido para Paulo que têm para nós, pois, para ele, depois desta inaudita manhã de Páscoa, nada é como antes. Tudo é novo. Outro problema de vocabulário: «afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra».
Não se trata, de facto, de coisas (sejam elas do alto ou de baixo), trata-se de condutas, de maneiras de viver… o que Paulo chama de realidades do alto», ele di-lo nos versículos seguintes que não vêm no texto de hoje, é a misericórdia, a humildade, a bondade, a mansidão, a paciência e o perdão mútuo… o que ele chama de coisas da terra são a impureza, as paixões, os maus desejos, a ganância, a ira, a raiva, a maldade, as injúrias, as palavras grosseiras… A nossa vida inteira vive-se nesta tensão: a nossa transformação, a nossa ressurreição, foi já realizada em Cristo, mas falta-nos assumir esta realidade profunda ao longo da nossa vida. Se continuássemos a leitura encontraríamos esta bela expressão: «Vós revestistes-vos do homem novo» e, um pouco mais além, «acima de tudo, revesti-vos do amor que é o laço da perfeição.» Assim, Paulo usa o verbo revestir no passado contínuo, revestistes-vos… continuais revestidos. É aquilo que já está feito por Cristo em vós, e, depois, no imperativo, Revesti-vos do amor, aquilo que é ainda a fazer por nós com a ajuda d’Ele. Não se trata, pois, de viver outra vida diferente da nossa vida normal, mas de viver de outra forma a vida quotidiana, sabendo que este «de outra forma» é agora possível pois o Espírito do ressuscitado nos torna capazes. O mesmo Paulo dirá um pouco mais longe: Tudo o que podeis dizer ou faze, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando graças por Ele a Deus Pai. Trata-se de semear neste mundo a semente do reino novo que Jesus veio plantar para que o mundo velho seja transformado. Mas o mundo novo só se faz com homens novos. Por isso Paulo diz: «Não mintais uns aos outros, já que despistes o homem velho, com as suas ações e vos revestistes do homem novo…» Sem homens novos não pode haver mundo novo. Se o reino de Deus não é acolhido no coração de cada homem como pode ele ser instaurado no mundo?
Encontramos esta tensão entre aquilo que Jesus já fez e o que falta fazer por nós em toda a pregação de Paulo em particular nesta mesma carta ao Colossenses: Vós que outrora andáveis afastados com sentimentos expressos em ações perversas, agora Cristo reconciliou-vos no seu corpo de carne, mas é preciso que vos mantenhais sólidos e firmes na fé, sem vos deixardes afastar da esperança do Evangelho. Continuai a caminhar n’Ele, enraizados e edificados nele, firmes na fé, tal como fostes instruídos, transbordando de ação de graças. Olhai que não haja ninguém a enredar-vos com a filosofia, o que é vazio e enganador, fundado na tradição humana ou nos elementos do mundo, e não em Cristo. Porque é n’Ele que habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Vós fostes sepultados com Ele e com Ele ressuscitastes.
Hoje, como no tempo de Paulo, há muita gente pouco formada na fé que dizendo-se cristão vive ainda cheio de prisões escravi-zantes: Dizem que creem em Cristo mas acreditam também nou-tras coisas, como a reencarnação, o espiritismo, praticam reiki e vivem dependentes das energias, da consulta das cartas, do tarot, dos astros e sei lá mais o quê. Fazem uma salada do religioso. Quem conheceu Cristo não precisa nada dessas coisas. Foi para a liberdade que Ele nos libertou. O encontro com Cristo ressuscitado traz uma alegria maravilhosa à vida do que o encontra mas não está tudo feito.. Agora ele espera que, unidos a Ele, que vive em nós, aceitemos ser cooperadores da sua graça para instaurar o seu reino de luz no mundo. E essa parte é difícil, pois o mundo recusa a luz do Senhor e a novidade que Ele traz. O papa Bento XVI diz que no princípio, a igreja quando quis formar na fé os convertidos ao cristianismo, teve que criar um habitat onde eles pudessem aprender a viver de outra maneira, e instituiu o catecumenado. Hoje, num mundo de novo tão adverso, os cristãos só vivendo num habitat cristão podem aprender a viver valores diferentes. Por isso os diversos grupos da paróquia como o Alpha, as células, o grupo de oração, os grupos de jovens, e, pouco a pouco a comunidade inteira deve ser esse habitat onde os cristãos respiram as primícias do mundo novo que deve testemunhar com esperança. Se alguém no meu local de trabalho me perguntasse: Onde haverá um local onde aprenderemos a conhecer Jesus e um grupo que viva o que ele ensinou? Devíamos poder dizer: «Vem e vê»
Que Cristo ressuscitado se sinta no meio de nós. Aleluia.

Folha Paroquial nº 73 *Ano II* 14.04.2019 — DOMINGO DE RAMOS

«Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?»

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«EVANGELHO (Lc 23, 1-49)»

MEDITAÇÃO
Meditemos o eterno amor de Deus que se revelou na paixão
e morte de seu Filho
A ressurreição de Jesus vai manifestar de uma forma luminosa quem era aquele homem, Jesus de Nazaré, que tinha passado fazendo bem e falado como nunca alguém jamais falara, tocando tantos corações e reacendo-lhes a esperança. Ressuscitando-o dos mortos, Deus testemunha que Aquele é o seu Messias, o seu eleito, o seu Filho amado. Mas se assim é porque é que Ele permitiu que fosse morto daquela maneira tão humilhante e dolorosa? Não esqueçamos que a morte na cruz era dada apenas aos criminosos, aos bandidos, e que um romano não podia ser crucificado, só os estrangeiros. Para a mentalidade judia alguém que recebesse tal castigo era um abandonado pelo próprio Deus, alguém de quem Deus também tinha desistido. Por isso Jesus grita na cruz: «Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste?» Não foi fácil para as comunidades cristãs dos primeiros tempos compreenderem o sentido da morte de Jesus na cruz e falar dela. Paulo, que tentou por outras vias anunciar Cristo sem falar da cruz, conclui, depois do seu insucesso no areópago de Atenas, que «doravante falará de Cristo crucificado escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas para os que creem é poder e sabedoria de Deus». Foi um trabalho de releitura grandioso à luz do Espírito e do acontecimento da ressurreição. No relato dos discípulos de Emaús, S. Lucas apresenta-nos já essa releitura que o próprio Jesus ressuscitado ajuda os apóstolos a fazerem. «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito, para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória? Depois, começando por Moisés e passando pelos profetas, explicou-lhes em todas as escrituras o que lhe dizia respeito.» (Lc 24, 13-35). O profeta Isaías e sobretudo a bela narrativa do servo de Yavé que ouviremos na sexta feira santa ajudaram a Igreja nascente a entender o desígnio de salvação de Deus. «Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre Ele o castigo que nos salva: Pelas suas chagas fomos curados.» Nos Atos dos Apóstolos o eunuco etíope, alto funcionário da rainha de Candace, vai a ler a passagem do profeta Isaías que fala da morte do justo, como cordeiro levado ao matadouro, mas não entende nada daquilo que lê. Então, o apóstolo Filipe aproxima-se do seu carro e, convidado a subir, fala-lhe de Jesus a partir daquela passagem do Antigo Testamento. Anuncia-lhe o Kerigma, o anúncio fundamental da fé que leva à salvação. Jesus, a sua morte e ressurreição, é a chave interpretativa de toda a Sagrada Escritura pois toda ela aponta para Jesus.
Sigamos Jesus na sua paixão e morte na cruz e deixemo-nos tocar por Ele e pela luz que dela irradia. Nós estamos todos lá, nessa paixão e nesse julgamento.

«Sábado
O sábado santo é um dia de silêncio e oração. O rei dorme aguardando em esperança o dia novo da ressurreição. Neste dia, como no anterior, não há eucaristia nem outros sacramentos. Só pode haver o da unção dos doentes. Mas não é um dia sem alimento. A Igreja nutre-se da liturgia das horas e da Palavra de Deus.»

Folha Paroquial nº 72 *Ano II* 07.04.2019 — DOMINGO V DA QUARESMA

«O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.»

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«EVANGELHO (Jo 8, 1-11)
Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».»

MEDITAÇÃO
«Povo que formei para Mim
e que proclamará os meus louvores».
No Domingo passado o pai do filho pródigo afirmava para o filho mais velho de coração empedernido: “Nós tínhamos de fazer festa porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e encontrou-se.” Deus, porque ama, tem necessidade de fazer festa quando reencontra uma das suas ovelhas perdidas porque há mais festa no céu por um só pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento. Mas, ao mesmo tempo, aqueles que experimentam o amor do Pai, que se sentem amados, perdoados e salvos, que percebem o Pai que têm e como é grande a sua fidelidade, sentem também o mesmo dever de entrar no louvor e na ação de graça e de fazer isso, não uma só vez, mas para sempre, porque é eterno o Seu amor.. O louvor é a resposta agradecida de um povo que reconhece o seu Deus, que é feliz por ser o povo que Ele escolheu para sua herança. Na primeira leitura de hoje, Deus chama ao povo que escolheu para si, “o povo que proclamará os meus louvores”. Quem não sente necessidade de louvar a Deus ou ainda não experimentou a sua bondade ou é injusto e mal agradecido.
A mulher que podia ter sido morta por apedrejamento, se Jesus não lhe tivesse perdoado e salvo, como não haveria de o amar e de cantar eternamente a sua misericórdia? Mas o louvor de Deus não é só uma questão de palavras, é um compromisso de vida de honrar o Senhor com uma vida que irradie. Por isso Jesus diz à pecadora: « doravante não tornes a pecar» que é o mesmo que dizer: «Doravante glorifica a Deus com uma vida nova”. Deus lamenta-se através do profeta Isaías: «Este povo honra-me com os lábios mas o seu coração está longe de mim e é vão o culto que me prestam”. Paulo, na segunda leitura, exprime bem o seu reconhecimento a Deus quando afirma que «considera tudo como lixo diante do conhecimento de Cristo.» Ele tem bem claro quais são as suas novas prioridades depois que encontrou Cristo. Diante ‘Ele todas as outras coisas que constituem a sua vida não são nada comparadas com esta prioridade. No fundo, a sua vida é um hino de louvor a Deus que o salvou e o chamou das trevas para a Sua luz. O louvor de Deus não é pois apenas um momento em que estamos juntos como filhos de Deus para lhe dar glória com cânticos e hinos. Isso faz-nos bem, porque nos dá alegria, nos liberta, nos irmana na mesma fé , mas se não fazemos do louvor uma atitude constante da nossa vida, se ele não habita o nosso coração dia e noite, dificilmente irromperá nos nossos lábios como algo genuíno, sentido e verdadeiro. Podemos dizer acerca do louvor o mesmo que Jesus diz acerca dos verdadeiros adoradores: “Deus procura adoradores que o adorem em espírito e verdade.”
Dito isto, é verdade que o louvor comunitário é profundamente evangelizador. Quando se louva a Deus com entusiasmo e com Uma celebração do louvor de Deus onde não entram as emoções, onde tudo é frio e racional, não toca o homem pós-moderno. Por isso hoje as assembleias de louvor evangélicas traem tanta gente! Muitas vezes nas nossas celebrações cantam-se hinos sobre Deus em vez de hinos a Deus. O glória que cantamos na missa é um bom exemplo de um hino a Deus: «Só Vós sois santo só vós o Senhor, só vós o altíssimo Jesus Cristo…»É a linguagem de intimidade dos amantes. É por meio do louvor de Deus que passamos da ideia sobre Deus à experiência de Deus. Por exemplo quando cantamos na entrada da missa cânticos como: Nós somos o povo do Senhor, ou nós somos as pedras vivas, são cânticos que exprimem a doutrina cristã, que expressam a nossa fé, mas não são cânticos a Deus. Mas quando cantamos: Toda a terra vos adore, Senhor e entoe hinos ao vosso nome…estamos a dirigir-nos a Deus. Estes cânticos são mais orantes pois são louvor a Deus. Numa celebração nota-se bem se o louvor brota dos corações ou apenas da cabeça. O louvor deve ser belo mas não chega ser tecnicamente perfeito, é necessário que brote do coração e gere entusiasmo, gere fé, eleve a alma até Deus. Que cada um de nós se deixe renovar pelo poder do louvor, que se sinta membro do povo chamado a proclamar os louvores d’Aquele que nos chamou das trevas para a Sua luz admirável. Para louvarmos a Deus com o coração é preciso estarmos atentos ao que Ele fez e continua a fazer por nós. Nas células paroquiais de evangelização partilha-se em cada semana Aquilo que cada um experimentou durante a semana como ação de Deus na sua vida. No princípio vemos que as pessoas têm dificuldade em ver a obra de Deus no presente das suas vidas, mas depois vão aprendendo a estar atentas e, pouco a pouco, vão descobrindo que afinal Deus está sempre a proporcionar-lhes imensos benefícios só que vivemos distraídos e não vemos Deus que nos visita em cada dia. Quando descobrimos essa presença no nosso quotidiano então o louvor é a resposta.

Folha Paroquial nº 71 *Ano II* 31.03.2019 — DOMINGO IV DA QUARESMA

«Saboreai e vede como o Senhor é bom.»

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«EVANGELHO (Lc 15, 1-3.11-32)
Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».»

MEDITAÇÃO
Tínhamos de fazer uma festa…
As leituras deste Domingo, o 4º da Quaresma, conhecido por Domingo da alegria, já nos situam em contexto pascal, como se as trombetas já anunciassem a chegada do dia novo, O dia em que “as coisas antigas passaram; tudo foi renovado”.
Na 1ª leitura os israelitas chegam à Terra Prometida, ao fim do caminho, e celebram na alegria pascal a chegada à meta. Agora já sem o maná podem comer dos frutos da terra que o Senhor prometeu a Abraão e aos seus descendentes, a Terra prometida. Quão longa foi a caminhada! Foram combates, pecados, revoltas, lágrimas, dúvidas, fome, sede, frio, medos, mas foi também, em cada momento, a manifestação prodigiosa da presença do Senhor que lhes manifestou a sua glória e nunca os abandonou. Tudo foi ultrapassado e até parece um sonho. Deus realizou maravilhas! Fez tudo o que prometeu e mostrou a sua fidelidade. Como não celebrar a festa da grande ação de graças? E essa festa tem um sabor novo, o sabor dos frutos da terra recebida como dom e já não do maná do caminho.
É esse desejo de festa cheia de alegria e júbilo que está presente na parábola do Filho pródigo. “Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa.”
A festa verdadeira e autêntica, aquela que é fonte de alegria incessante, é aquela que Deus e o homem fazem juntos. Deus faz festa pela alegria que tem de se dar ao homem em perdão e vida, por poder chamá-lo à relação consigo e o homem faz festa quando descobre quem é o seu Deus e como Ele é bom e fiel.
Jesus começou a sua vida pública numa festa de casamento transformando a água em vinho, (sinal da alegria para o povo judeu). Jesus não se cansou de ir comer e beber a casa de publicanos e pecadores para fazer festa com eles o que causa a crítica e a murmuração dos fariseus representados no filho mais velho da parábola que se recusa a fazer festa. E não era uma festa qualquer; havia música, danças, vitelo gordo e muita alegria.
Durante tanto tempo a imagem de Deus que nos foi transmitida foi tão falseada. Era um Deus triste e macambúzio que nos exigia só seriedade e sacrifício. Tudo o que fosse alegria festiva como as danças simples de um povo em festa eram consideradas pecado. E muita gente abandonou a fé porque a imagem de Deus que lhes foi comunicada não era a do Deus que Jesus nos anunciou. Mas se tivessem conhecido o Deus de Jesus Cristo que Jesus nos anuncia na parábola de hoje ter-lhe-iam aberto os braços e o coração e celebrariam a alegria connosco na festa da ação de graças que é a Eucaristia dominical.
Todos os que não entendem a necessidade da Eucaristia dominical e se dizem católicos não praticantes ou praticantes ocasionais ou aqueles que vão quando não têm mais nada para fazer, não sentem necessidade de fazer festa nem percebem o desejo de Deus de fazer festa com eles. A Eucaristia «é o lugar do perdão e da festa», é o lugar do encontro dos filhos com o Pai, é o dia da comunidade reunida para expressar a sua gratidão Àquele que os chamou das trevas para a sua luz admirável. É o dia da alegria, dia do banquete, dia da ação de graças. A Eucaristia é irrenunciável para quem encontrou o Senhor e se sente salvo por Ele. No ano 304 um grupo de 49 cristãos de Abitínia, na atual Tunísia, quando interpelados pelo pro-cônsul de Cartago por estarem a celebrar a Eucaristia apesar das proibições do imperador Diocleciano responderam: «Sem o Domingo não podemos viver», e o Domingo queria dizer a Eucaristia já que não era ainda dia feriado. Por se recusarem a deixar de celebrar a festa da Eucaristia foram torturados e mortos. Eles podiam dizer como o pai do Filho pródigo: «Nós temos de fazer festa porque estávamos mortos mas Ele deu-nos a vida, estávamos perdidos e fomos encontrados». «Agora, quem está em Cristo é uma nova criatura.» E, por isso, fazemos festa de ação de graças.

«Oração
Senhor, rico de misericórdia, que Te alegras com o regresso a casa de cada um dos Teus filhos, graças Te damos pelo Teu infinito amor. Nos caminhamos da vida tantas vezes nos vês sair de casa, num gesto de orgulho e autossuficiência. Tudo dispões para que a nossa viagem corresponda às nossas expectativas. Tu que nos amas profundamente, ama também a nossa liberdade, ao ponto de abrires a mão de nós quando nós somos da tua mão. Permites que a nossa vida conheça a desintegração do pecado, que nos tira dignidade e nos escraviza. Quando nada mais há que nos devolva o que perdemos, resta a memória da Tua casa, da nossa casa, que é antítese da degradação. Dessa memória vem o impulso a regressar. Não precisamos de bater à porta, pois és Tu que corres ao nosso encontro num abraço que tudo devolve redobradamente.
É a festa que mais gostas, quando a casa é sinal da família completa e reunida. Dá-nos, Senhor, a humildade de regressar à Tua e nossa casa. Grava no nosso coração a experiência de plenitude que é viver na Tua presença, para que seja ela a devolver a esperança, quando a nossa vida conhecer os guetos para os quais o pecado nos tira. Quebra também, Senhor, o nosso orgulho, quando o regresso do nosso irmão não nos alegra, quando, dentro de casa, assumimos a atitude de quem nunca se sentiu suficientemente valorizado. Ajuda-nos a entrar na festa, em Tua casa, na nossa casa.»