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Folha Paroquial nº 132 *Ano III* 05.07.2020 — DOMINGO XIV DO TEMPO COMUM

Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e meu Rei.

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“EVANGELHO (Mt 11, 25-30)
Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e
inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu
Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde
a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou
manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».”

REFLEXÃO

BENDIGO-TE, PAI, PELO TEU PLANO DE AMOR

Para compreendermos melhor as palavras de Jesus convém saber o que está antes. Depois dos primeiros sucessos que marcam o início da pregação de Jesus, com todo o caudal de novidade que continha, Jesus começa a confrontar-se com a recusa da fé n’Ele, pela maioria dos seus auditores. Vejamos o que dizem os versículos anteriores: Jesus começou a censurar as cidades onde tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem convertido: «Ai de ti, Corazim! Ai de ti , Betsaida! Porque se os milagres realizados entre vós, tivessem sido feitos em Tiro e em Sidon, de há muito se teriam convertido» (…) …É nesta ocasião que Jesus, olhando para os pobres e humildes que tinha à sua volta, aqueles que O aceitavam, exclama: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado.» Este grito de louvor mostra como Jesus não fica desanimado com o facto de muitos o recusarem. Ele sabe que tudo está nas mãos do Pai e tudo pertence ao seu plano de amor. Por isso O louva com confiança por aquele pequeno resto humilde que o segue. Quando olhamos a minoria de crentes praticantes que somos, no meio desta cidade, podemos ser tentados a deixar-nos esmagar pelo número tão pequeno de cerca de 7 a 10 % dos que frequentam a missa dominical. Mas pelo contrário, somos chamados a alegrar-nos n’Ele e a louvá-lo pelos caminhos que Ele permite que vivamos e também pelos discípulos de hoje que, com grande amor, O seguem e fazem tanto por Ele. Quantas vezes acabo por fazer um louvor semelhante quando vejo a quantidade de cristãos em S. José e S. João Baptista que tão dedicadamente se dão a Jesus e fazem coisas tão bonitas por Ele! Além disso, a Igreja em Portugal, ainda que minoritária, tem a maior obra social do país (60%) e o serviço que presta em tantos domínios à sociedade, vai imensamente para além do número dos que frequentam a liturgia dominical. Por isso, Ele nos convida à confiança: «Vinde a Mim vós todos que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei». Mas não é isto uma pretensão demasiado grande da parte do homem Jesus de Nazaré? Que diríamos nós de alguém que nos dissesse estas palavras? Jesus, ao dizê-las, fala-nos da consciência que tem de si mesmo e do mistério da sua identidade.
É pela relação com Deus seu Pai que o homem Jesus de Nazaré, fraco e sofredor como nós, se afirma, ao mesmo tempo, em comunhão amorosa com o mistério de Deus. “Tudo me foi dado por meu Pai”…”Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. Esta confidência faz-nos descobrir a consciência que Jesus tinha de si mesmo.
Humanamente falando, é uma pretensão insustentável. Ele afirma, com toda a clareza, que Ele é o único que conhece Deus e é o único capaz de dizer qualquer coisa de válido sobre Ele. É porque Ele partilha o amor trinitário que pode fazer esta afirmação. A identidade de Jesus escapa a toda a investigação da inteligência humana. Nós não temos acesso à sua pessoa senão pela Fé que reconhece que o Filho é igual ao Pai. Ele dirá a Pedro: “O que dizes de mim foi o meu pai quem to revelou” (Mt 16,16)
Permaneçamos humildes e pobres diante de Deus. É a melhor maneira de ter acesso à infinita riqueza da vida divina. Aquele que não é capaz de se esvaziar da sua auto-suficiência poderá acolher o amor infinito de Deus?
“Manso e humilde de coração”, segundo a palavra de Jesus, é tornar-se capaz de entrar na Paz e na glória de Deus. Os sábios e os entendidos, muitas vezes demasiado cheios de si próprios, poderão deixar espaço à sabedoria e ao conhecimento de Deus? O abaixamento de Cristo não foi uma destruição. Foi a aurora da sua ressurreição. Eis o que o Filho nos revelou pela sua vida como nos diz a oração de coleta da missa de hoje: “Pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído”.

Jesus, manso e humilde de coração,
tornai o nosso coração semelhante ao vosso.

Folha Paroquial nº 131 *Ano III* 28.06.2020 — DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

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“EVANGELHO (Mt 10, 37-42)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: Não perderá a sua recompensa».”

REFLEXÃO

A FORMAÇÃO DOS DISCÍPULOS

Há dois Domingos atrás, S. Mateus apresentava-nos Jesus a escolher os Doze discípulos diante da grandeza do trabalho que havia para fazer: «A messe é grande mas os operários são poucos.» Então escolhe os doze, um a um, e é-nos dito o nome de todos. Depois Jesus envia-os dando-lhes instruções. A partir deste envio passam a ser chamados apóstolos – que quer dizer enviados. No Domingo seguinte, ouvimos Jesus a formar os apóstolos dizendo-lhes que estejam preparados para a rejeição e a perseguição, que irão acontecer certamente. Mas dá-lhes uma certeza: Deus conhece-os bem e está com eles . Nem um cabelo da sua cabeça cairá sem que o Pai o saiba. Assim, as suas vidas estão nas mãos do Pai.

Neste Domingo, São Mateus apresenta-nos as características do discípulo que quer seguir o Senhor. E nós somos os discípulos de hoje: Jesus identifica-se totalmente com os seus discípulos. «Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem me recebe, recebe Aquele que me enviou. » Mas o discípulo é também alguém que se deve configurar cada vez mais com o seu mestre Jesus. E configurar quer dizer assumir a mesma figura, o mesmo modelo, o mesmo carácter. «Quem não toma a sua cruz para Me seguir não é digno de mim.» Se Jesus não fugiu da cruz, também o discípulo deve assumi-la na sua vida. Se o Mestre entregou a sua vida por nós e depois a recebeu em abundância porque o Pai o ressuscitou e lhe deu uma Vida imortal, também o discípulo sabe que o seu caminho é dar a vida, dando-se aos outros no amor e não se fechando em si mesmo. Na medida em que o faz descobre que afinal a vida ganha-se quando se dá.

Ser cristão é ir assumindo esta mentalidade nova, esta forma de ser, como dizia Paulo aos cristãos de Roma: “Exorto-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus. Seja este o vosso verdadeiro culto, o espiritual. Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito.” (Rom 12)

Paulo tornou-se um bom discípulo que assumiu na sua mente e coração todos os ensinamentos de Jesus. Por isso nos diz: “Não vivais segundo o espírito do mundo mas transformai-vos por uma nova mentalidade, segundo Deus”. E que mentalidade é essa? A que ofereçais os vossos corpos numa entrega a Deus no amor, isto é, vivei dando-vos – e essa é a vossa oferta agradável a Deus, o vosso sacrifício Santo.

Que nós nos deixemos transformar segundo Jesus.”

Folha Paroquial nº 130 *Ano III* 21.06.2020 — DOMINGO XII DO TEMPO COMUM

Pela vossa grande misericórdia, atendei-me, Senhor.

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“EVANGELHO (Mt 10, 26-33)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos. A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus”

REFLEXÃO

A Visão da paróquia de S. José

Na folha da semana passada começámos a explicar a visão da paróquia, e dissemos o que era a visão, as suas caraterísticas e necessidade. Falámos também que Jesus viveu sempre polarizado pela sua visão. Hoje começamos a explicação da visão específica da paróquia de São José. Relembro o enunciado:

Nascemos do encontro pessoal com Cristo, crescemos na comunhão com Deus e com os irmãos, formamos discípulos que evangelizam com ousadia e servem com amor.

Se reparamos bem, a visão está moldada numa imagem, a do processo dinâmico da vida biológica: nascemos, crescemos e amadurecemos dando fruto de vida e amor.

Centremo-nos agora na primeira afirmação: Nascemos do encontro pessoal com Cristo. Dito de outra forma: Sonhamos ser uma comunidade onde todos fazem a experiência feliz de um novo nascimento em Cristo pela ação sentida do Espírito Santo. A vida cristã sem este novo nascimento faltar-lhe-á sempre o essencial e nunca se perceberá bem. Dizia Jesus a Nicodemos: “Tens de nascer de novo. Quem não nascer de novo não pode entrar no reino dos céus.” O papa Bento XVI exprimia-o desta forma: «No início do ser cristão não está uma grande ideia ou um pensamento ético, mas um acontecimento, um encontro pessoal com Cristo, que dá à vida um novo horizonte e com este um novo rumo». Muitos cristãos, batizados, de todas as paróquias, nunca fizeram este encontro e desejam-no. Receberam uma fé como herança sociológica, adotaram-na e muitos são cristãos com muito boa vontade e serão salvos por isso, mas eles próprios gostavam de fazer uma experiência mais íntima e profunda que desse à sua vida uma nova paixão.

Ser cristão sem este novo nascimento é como estar casado, mas não sentir amor pelo cônjuge com quem se vive. É um casamento de conveniência ou por obrigação e torna-se cansativo. Hoje é difícil que funcione uma relação sem amor, como é difícil alguém se manter na Igreja sem conhecer a Cristo pela experiência do Espírito Santo.

Como operacionalizar e programar a pastoral para este novo nascimento? É ter programas contínuos de primeiro anúncio que podem levar ao encontro pessoal com Cristo. Um programa de primeiro anúncio é uma sementeira que não para. Há muitos métodos para fazer isto; e Deus pode fazer-se encontrar das formas mais inesperadas. Paul Claudel, poeta e diplomata francês do século XIX, era ateu e aos 18 anos, entrando na catedral de Paris e a ouvir o coro da Catedral de Notre-Dame, sentiu a presença de Deus e converteu-se. Foi o seu novo nascimento. Isto mesmo tem acontecido com milhares de pessoas a começar por Saulo de Tarso. São conversões inesperadas. Mas estas não são o normal da vida. O normal é que a conversão seja o fruto de uma Palavra divina escutada ou sentida que leva a uma emoção interior que perdura e nos transforma. Na paróquia de S. José como em tantas outras da nossa Diocese, o método Alpha é um programa de primeiro anúncio que pretendemos que seja permanente. Imaginemos que temos uma conversa com alguém que intuímos que anda à procura, mas não sabe o que procura; tem sede, mas não sabe onde está a fonte. Para onde o convidar? Em primeiro lugar para um percurso Alpha que dura dez semanas. Aí esperamos que ele se encontre com Jesus, pelo Espírito Santo, e faça uma bela experiência eclesial de bom acolhimento fraterno. Se isto acontecer, ao acabar o percurso pode ter desejo de mais. Aquilo foi bom, mas não chega. Agora vem o crescimento. Mas essa parte fica para a próxima semana.”

Folha Paroquial nº 129 *Ano III* 14.06.2020 — DOMINGO XI DO TEMPO COMUM

Nós somos o povo de Deus, as ovelhas do seu rebanho.

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“EVANGELHO (Mt 9,36-10,8)
Naquele tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara». Depois chamou a Si os seus doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça».”

REFLEXÃO

A Visão de Jesus

Se tivermos presente os evangelhos na sua globalidade, percebe-mos que Jesus vivia polarizado por uma visão e um programa de vida que Ele queria realizar. Quando começa a sua vida pública, entra na Sinagoga de Nazaré, onde se tinha criado, e lendo o profeta Isaías, encontra aí o seu programa de vida. “O Senhor enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres, a libertação aos oprimidos, a alegria aos que sofrem”. O que Jesus vê, ao longe, é o homem salvo. Se definirmos visão como “um sonho realizável que produz paixão em nós”, podemos dizer que Jesus viveu habitado pelo sonho de ver a alegria da salvação no coração dos homens quando se encontravam com a misericórdia de Deus. Quando Jesus entrou em casa de Zaqueu, vislumbrou a sua visão em cumprimento; quando esteve sentado junto ao poço de Jacob a conversar com a Samaritana, estava a cumprir o seu programa, polarizado pela vi-são do homem renascido pelo encontro com Deus. E como se ale-grava interiormente nesses momentos, ao ponto de estremecer de alegria sob a ação do Espírito Santo! Mas Jesus sabia que isso eram apenas sinais do reino, pois ainda faltava muito para ver a sua visão totalmente realizada. O chamamento dos discípulos é para dar continuidade à realização da sua visão, depois da sua partida para o pai.

Ao longo da história do cristianismo, a visão de Jesus foi assumida e vivida com matizes diferentes por homens e mulheres que se deixaram tocar por Jesus. Francisco de Assis, vendo a igreja de S. Damião em ruínas, ouve Jesus a dizer-lhe: “Francisco, reconstrói a minha igreja, pois, como vês, está em ruínas.” E S. Francisco, vi-vendo a santa pobreza, vai reconstruir a Igreja do seu tempo comunicando a sua visão a tantos que o seguiram. S. Charles de Foucauld, que vai ser canonizado brevemente, dizia: “Sonho com qualquer coisa de muito simples, grupos pequenos e semelhantes às comunidades dos primeiros tempos na Igreja… viver a vida de Nazaré, no trabalho e na contemplação de Jesus… ser uma família pequena, onde tudo seja muito humilde e simples”. E esta é a vi-são que vai polarizar toda a vida deste homem que outros vão seguir.

A equipa de animação pastoral da paróquia (EAP) de S. José, andou durante um ano a trabalhar para escutar interiormente e receber de Deus a visão para a paróquia. (A paróquia de S. João Baptista já tinha feito este trabalho há vários anos, e já está a desenvolver a sua visão que a maioria dos paroquianos conhece de cor). A Visão de uma paróquia é uma imagem do que Cristo nos chama a tornarmo-nos, como comunidade, para prosseguir a sua missão de salvação, no nosso ambiente concreto. Ela apresenta um futuro duradouro que suscita paixão e força no coração dos fieis. Como a fé, dá a ver coisas antes que elas se realizem (Hebreus 11,1). Ela responde à pergunta: «Para onde vamos?» «Onde queremos estar daqui a 10 ou 20 anos?»

Quais as características e vantagens de uma visão?

É clara e fácil de comunicar, dá um horizonte comum e uma direção a médio ou longo prazo. Preserva da confusão: “Por falta de visão o povo entra no caos” (Prov 29, 18). Quando a visão é partilhada, torna-se fonte de unidade. Dá sentido e coerência às nossas atividades. Ela é espiritual e estimula a fé, a esperança e a caridade.

É audaciosa e entusiasmante, motiva e dinamiza toda a comunidade. «I have a dream». Suscita a criatividade e congrega energias. Porque é ampla, implica cada um na missão, segundo os talentos e carismas. Incarnada, leva em conta o meio ambiente comunitário e dá-nos segurança.

É realista e serve de critério para discernir as melhores oportunidades. Permite hierarquizar as prioridades e avaliar os nossos avanços.

Andamos há muito tempo a olhar a paróquia, aspetos positivos e limites, o ambiente externo com as suas oportunidades e também com as suas dificuldades. Fomos conversando com muitos paroquianos, e foi-se gerando na EAP algum pensamento comum, que julgamos vir de nós e do Espírito Santo, que acabou por ficar com a seguinte redação:

Nascemos do encontro pessoal com Cristo, crescemos na comunhão com Deus e com os irmãos, formamo-nos como discípulos que evangelizam com ousadia e servem com amor.

Deixo a explicação do conteúdo da visão para o próximo Domingo. Acrescento apenas que a visão está no presente porque é um sonho que nos polariza no presente e porque também já existe uma parte realizada a mostrar-nos que não é um sonho idealista mas concretizável. A paróquia tem já uma história e um caminho realizado, e a visão faz-se sempre a partir desse caminho e tendo em conta essa história. É a partir daqui que nos projetamos no futuro.”

Folha Paroquial nº 128 *Ano III* 07.06.2020 — SANTÍSSIMA TRINDADE

Digno é o Senhor de louvor e de glória para sempre.

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“EVANGELHO (Jo 3, 16-18)
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Por-que Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita n’Ele já está condena-do, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus».”

REFLEXÃO

Porque te amo, ó Igreja minha mãe!

Amo-te porque foi em ti que encontrei Cristo e vivi um novo nascimento. Deste-me à luz anunciando-me o Evangelho e transmitindo- me o Espírito Santo. Amo-te porque me ajudaste a crescer, nutrindo-me com o alimento sólido da Palavra de Deus e da Eucaristia. Amo-te porque me deste irmãos que me testemunharam o seu amor por Cristo e foram para mim exemplo de fé e de que valia a pena seguir Jesus. Amo-te porque me ensinaste o valor da partilha, da entrega, do perdão e da cruz. Amo-te porque me ajudaste a não viver apenas dos meus sentimentos espontâneos e imediatos, mas a tornar-me livre para amar para além dos impulsos espontâneos. O meu amor por ti não tem nada do arrebatamento da juventude nem daquele amor inocente do convertido que ainda só vê a tua beleza, pois ainda não teve tempo de descobrir os teus defeitos. Eu, porém, amo-te Igreja, mãe e esposa, com todos os teus defeitos e rugas. Por causa deles, já houve várias noites sem dormir, já houve tensões, revoltas, discussões, agressões, pecados, incompreensões e vontade de deixar tudo. Mas fui percebendo que as dificuldades amadurecem o amor e o tornam mais sólido, mais ancorado na rocha firme.

Amo-te na comunhão e na unidade de um pequeno grupo eclesial que reza e canta o louvor de Deus ou aprofunda a sua fé; amo-te no encontro de comunhão na paróquia. Mas sinto uma alegria e um espanto imenso quando saindo para latitudes distantes, no Ruanda ou na Guiné Bissau, ou ainda na Turquia ou em Roma celebro a mesma fé com culturas e línguas tão diferentes. E digo baixinho: «São meus irmãos, filhos do mesmo Pai e membros da mesma Mãe-Igreja.» Dás-me irmãos de todas as raças, cores, povos e línguas e fazes com que o mundo inteiro seja a nossa casa e a nossa raça. Por isso qualquer racismo é anti-cristão e anti-eclesial. Sei que te amo, pois quando vejo propalados e ampliados os defeitos e pecados graves dos teus membros, sejam eles clérigos ou leigos, sinto como se uma espada me ferisse a carne, como se estivesses a ser ferida na tua beleza e no resplandecimento com que haverias de irradiar a luz de Cristo.

Amo-te na tua dimensão mais completa, a Igreja Diocesana, e na tua realização mais próxima, a comunidade paroquial. Aliás o primeiro rosto que conheci de ti foi o da paróquia lá onde fiz a catequese e participei na missa desde pequeno. Foi mais tarde que descobri o teu rosto mais completo. Amo-te comunidade paroquial porque a minha alegria é ver-te crescer e fazer o bem. Quanta alegria sinto quando vejo os que começam a caminhar para ti e, pouco a pouco, a sentirem-se em sua casa, a casa do Pai, a fonte do amor. É preciso tempo para se sentir como em sua casa, e é o mistério da Igreja: o sentimento de uma presença transcendente e bondosa. «Que misterioso é este lugar! Aqui é a casa de Deus, aqui é a porta do céu.» (Génesis 28,17). Jacob tinha tido um sonho: viu uma escada apoiada na terra, cuja extremidade tocava o céu; e, ao longo desta escada, subiam e desciam anjos de Deus. Espantosa visão, pois esperaríamos que eles descessem do céu, e depois subissem, mas diz-se que eles subiam e voltavam a descer. Jesus dá-nos a explicação no princípio do evangelho de João dizendo a Natanael que veremos «o céu aberto e os anjos subindo e descendo sobre o filho do homem» (Jo1,51): Cada vez que estamos na presença de Cristo ressuscitado, Filho do homem, e na comunhão dos irmãos, os anjos de Deus sobem e descem atestando a sua presença. Nós vivemo-lo em cada missa, se estivermos atentos a isso, mas não só na missa: penso naqueles encontros pessoais onde alguns de vós por vezes me falam da ação de Deus nas suas vidas. Seria uma grande lista destes encontros, se a fizesse, onde a Igreja, presente na paróquia, se revela como Porta do Céu. Como diz S. João no final do seu evangelho, «Jesus fez sob o olhar dos discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro» (Jo20,30).

Amo-te Igreja na tua imensa caridade, pois ao longo da tua já milenar história nunca houve uma instituição com tão grande história de amor. Eu sei que tiveste momentos infelizes de pecado e infidelidade, mas sei que o bem que fazes é muito superior.

A ti, Santíssima Trindade, um só Deus em três pessoas, obrigado pela Igreja nascida do lado aberto de Cristo na Cruz. Ela foi feita à vossa imagem e semelhança. Ela é diversa, plural nos seus membros, mas um só povo unido na caridade. Bendito sejais pela Igreja minha mãe. Protegei-a e guardai-a para que ela seja sempre uma mãe fecunda a dar à luz muitos filhos para vossa glória e salvação do mundo.”

Folha Paroquial nº 126 *Ano III 31.05.2020 — DOMINGO DE PENTECOSTES

Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra.

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“EVANGELHO (Jo 20, 19-23)
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me envi-ou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».”

REFLEXÃO

“Um cristão, sem o Espírito Santo, é como um casal que recebeu o sacramento do matrimónio mas que não sentem amor um pelo outro. Cumprem todos os seus deveres como esposos, mas friamente, sem alegria, sem entusiasmo, sem paixão. Instala-se com o tempo o cansaço, a rotina e a vida torna-se pesada. Há cristãos muito cumpridores dos preceitos, e até bastante comprometidos mas podem tornar-se azedos, frios, rotineiros e cansados. Falta o Espírito Santo.

O cristão cheio do Espírito Santo torna-se um evangelizador: «Assim como o Pai me enviou também eu vos envio a vós»; dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo». O sopro de Jesus de que fala S. João lembra o sopro daquele que quer reacender a chama da lareira que se apagou com o tempo ou com a falta de combustível. Muitos de nós precisamos deste sopro para que a nossa vida seja reacendida. Mas para S. João o sopro lembra, sobretudo, o relato da criação do homem e da mulher em que Deus, pegando no homem feito do pó da terra, soprou sobre as suas narinas e lhe insuflou o seu Espírito de vida. Agora soprando novamente, ele refaz a sua obra. De homem velho passa a homem novo.

O Espírito é esse Fogo interior do amor de Deus que nos queima, que nos abrasa, que nos entusiasma e nos faz vencer o medo e as resistências em anunciar o Evangelho. «Ai de mim se não evangelizar!», dizia Paulo, cheio deste Fogo. Todos os batizados e crismados, supostamente, deveriam ter o Espírito Santo, mas os sacramentos não são atos mágicos, são ações de Cristo através do ministério da Igreja e com a cooperação do Espírito Santo, mas exige ou supõe que o crente que recebe o sacramento está nas devidas disposições, isto é, tem fé e tem desejo de receber, com todo o coração, a graça que lhe é oferecida…
Deus não nos dá algo que não queiramos receber. Ora há sacramentos, e o crisma é um deles, que muitos dos que o recebem, nem sabem o que vão receber. Vêm-no mais como um diploma de fim de curso. Mas quando o espírito Santo é desejado e se reza por alguém, no sacramento, ou num ato orante, para receber o espírito Santo, Ele vem e atua. Jesus insistiu muito para pedirmos o dom do Espírito. Os próprios apóstolos foram convidados a esperar no Cenáculo o prometido do pai até ao dia de Pentecostes. E se o dom do Espírito nos é dado sacramentalmente uma vez, podemos reavivar esse dom muitas vezes com novas efusões do Espírito Santo. Os Atos mostram-nos que os Apóstolos que receberam o Espírito Santo no dia de Pentecostes, At 2,1-11) são os mesmos que mais dois capítulos à frente estão a pedi-lo de novo e a resposta foi abundante. O lugar onde estavam reunidos estremeceu e todos ficaram cheios do Espírito Santo começando a anunciara Palavra de Deus com desassombro.( Act 4, 31). Também nós podemos e devemos pedir muitas vezes a graça de sermos renovados neste dom do Espírito que já nos foi dado, mas que, pela nossa tibieza, muitas vezes dele nos vamos afastando. Quando O pedimos, abrimo-nos a Ele e volta a reacender em nós a chama.

Jesus disse: «Se vós que sois maus sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu não dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem!». Então, peçamo-lo e recebê-lo-emos.

O Espírito impele-nos a «fazer-nos ao largo», a sairmos ao encontro do mundo, a irmos de casa em casa, a proclamarmos de todas as formas possíveis que Jesus está vivo e que, quando lhe abrimos o coração, uma nova vida acontece. Deus ama os homens e quer o seu bem e a sua salvação.

O Espírito leva-nos a não nos fecharmos nos nossos interesses mas a acreditarmos que vale a pena sermos generosos e a entregarmo-nos ao serviço dos outros. Quando o decidimos fazer, o Espírito vem em nosso auxílio e desenvolve em nós capacidades espirituais e humanas que desconhecíamos a que chamamos «dons» ou «carismas», como fala a segunda leitura. Esses dons são para o crescimento do Corpo que é a Igreja. E quanto precisamos do aparecimento desses dons na nossa comunidade!!! Dons para o canto e para a música, dons para a evangelização, dons de coordenação e liderança, dons para trabalhar com os adolescentes e os jovens, dons para incentivar, dons para dar . Mas é certo que os dons só se descobrem quando já estamos com as «mãos na massa». Cada membro da comunidade tem dons! O importante é que cada um esteja disponível para os pôr a render.”

Folha Paroquial nº 125 *Ano III* 17.05.2020 — DOMINGO VI da PÁSCOA

Ergue-Se Deus, o Senhor, em júbilo e ao som da trombeta.

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“EVANGELHO (Mt 28, 16-20)
Naquele tempo, os Onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».”

REFLEXÃO

“…o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados…”

Senhor Jesus Cristo, rei da glória, a contemplação da tua ascensão, nos arrasta contigo até aos céus e faz-nos entrar, sorrateira-mente, nas moradas eternas e vislumbrar, de longe, como quem espreita, a tua majestade divina nos céus ao chegares elevado da terra. Chega até nós a harmonia e o êxtase da Liturgia celeste bem como o som da polifonia dos anjos. Tu caminhas para junto do trono, revestido do teu manto de luz, e os anjos adoram-te cantando: “Digno és tu de receber a glória e o louvor porque foste morto e, com o teu sangue, resgataste para Deus, homens de toda a tribo, línguas, povos e nações; e fizestes deles um reino de sacerdotes para o nosso Deus, e reinarão sobre toda a terra ( Ap 5, 9-10)

Tu és o Senhor glorioso e nosso irmão em humanidade! Levas contigo, no teu corpo glorioso, como um troféu, os sinais da tua entrega nas cinco chagas abertas do teu corpo glorioso que não fazes questão de esconder. És o Cordeiro imolado que nos purificou dos nossos pecados e nos resgatou pelo seu sangue.

Como te uniste à nossa humanidade, Senhor, amigo dos homens!
Tu que eras de condição divina, aniquilaste-te, fazendo-te um de nós em tudo igual exceto no pecado! Sentiste fome e sede, foste humilhado, incompreendido e rejeitado. Mas na tua bondade infinita ensinaste e praticaste o perdão a todos e até aos inimigos. Tornaste-te próximo de cada homem! A todos estendeste as tuas mãos benditas para os socorrer e salvar. Falaste como jamais alguém falou! A tua palavra infundia esperança, curava e libertava! Ergueste da prostração e do desespero os que já não acreditavam no amor e no futuro e arrancaste do sepulcro e das trevas os que jaziam nas sombras da morte. Anunciaste um reino novo, de amor e justiça, para os pobres, os humildes e todos os que tivessem um coração de criança, mostrando esse reino já presente com as tuas ações salvadoras. Os cegos viam, os surdos ouviam e os coxos saltavam de alegria. Lavaste os pés aos teus discípulos e ensinaste-lhes o caminho da humildade e do serviço deixando-lhes o mandamento novo. Deste-lhes, em testamento final, o teu corpo entregue, para ser alimento na sua peregrinação terrestre e nunca se sentirem sós. Por fim, foste preso, julgado e condenado à morte numa cruz, sem ninguém ter encontrado em ti qualquer falta. Mas Deus ressuscitou-te dos mortos, pelo poder do Seu Espírito vivificador, e apareceste vivo aos teus amigos que ganharam um novo alento e uma nova vida com a visão do teu corpo ressuscita-do. Tu tinhas dito aos discípulos para não ficarem tristes com a tua partida pois irias enviar-lhes outro paráclito, o Espírito Santo, que estaria com eles para sempre. (Jo 14, 16) Disseste também que irias à frente para lhes preparar um lugar (Jo 14,2-3) e disseste ao Pai que querias que onde estivesses eles estivessem também(Jo 17,24). Ressuscitado dos mortos, sopraste sobre eles o Espírito Santo enchendo-os de fortaleza (Jo 20,21-22). No momento da tua partida para os céus, enviaste-os por toda a terra a formarem no-vos discípulos para que lhes ensinassem o que tu lhes tínheis ensinado a eles. (Mt 28,19-20) Por fim, entraste nos Céus, na casa do Pai, que é tua também, para nos preparar um lugar. À tua chegada foste coroado de honra e de glória por causa da morte que sofres-te (Hb 2,9) e houve uma liturgia que dura eternamente. Revestido de um manto de luz o Pai apontou-te o trono que te pertencia como Filho amado e disse-Te: «Senta-te à minha direita, até que faça de teus inimigos escabelo dos teus pés. A ti pertence a realeza desde o dia em que nasceste nos esplendores da santidade, antes da aurora, como orvalho eu te gerei… Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec.” (Salmo 110). Ao sentares-te nesse trono celeste, sentaste contigo toda a humanidade de que és a cabeça. Agora és o Mediador universal entre Deus e os homens, o nosso intercessor eterno junto de Deus, e tudo o que pedirmos ao Pai, em teu nome, Ele nos dará, como nos ensinaste ( Jo 14,13). Grande e admirável é o teu nome, Senhor Jesus Cristo!
Nos céus ouviu-se um grande clamor de júbilo e de alegria que atravessou o uni-verso inteiro: Eram miríades de miríades, milhares de milhares e cantavam com voz forte: «O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor. E outros cantavam dizendo: Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro sejam dados o louvor, a honra e a glória e a fortaleza pelos séculos dos séculos. E todos responderam. AMEN. (Ap 5, 13)

Ao lado do trono do Cordeiro imolado vi um trono mais pequeno onde ninguém estava sentado. Foi-me dito que, quando chegasse a hora, seria para a Mulher que, com o seu calcanhar esmagou a cabeça do dragão e acompanhou nas dores o seu Filho…

E o Senhor dizia: Eis que um dia voltarei: «Eu sou o Alfa e o Ómega, o Primeiro e o último, o princípio e o fim. (Ap 22,13) O Espírito e a esposa dizem “Vem”(Ap, 22,17) «Sim , virei brevemente. Amen: Vem, Senhor Jesus!» (Ap 22,20)”

Folha Paroquial nº 125 *Ano III* 17.05.2020 — DOMINGO VI da PÁSCOA

A terra inteira aclame o Senhor.

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“EVANGELHO (Jo 14, 15-21)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito, para estar sempre convosco: Ele é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas que vós conheceis, porque habita convosco e está em vós. Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós. Daqui a pouco o mundo já não Me verá, mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis. Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai e que vós estais em Mim e Eu em vós. Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele»”

REFLEXÃO
“As leituras deste Domingo vão-nos preparando para desejar acolher o dom do Espírito pois, como nos é dito na primeira leitura, há muitos cristãos que só foram batizados no Senhor Jesus, e outros que nunca assumiram sequer o batismo que receberam, através de um ato de fé consciente.

Os Apóstolos Pedro e João são enviados a Samaria para ajudar na pregação de Filipe e aquilo que os motiva fundamentalmente é que os Samaritanos conheçam pessoalmente o Senhor Jesus, através da experiência íntima e admirável do Espírito Santo. Para isso oravam por eles, impondo-lhes as mãos. E eles recebiam o Espírito Santo. Esta afirmação não é apenas um acreditar doutrinal, é também uma experiência sentida. O Espírito Santo, quando é acolhido na fé, não nos deixa na mesma como antes, faz-nos sentir os seus frutos. A grande motivação da evangelização deve ser que os que ouvem a palavra de Deus aceitem o Senhor Jesus como seu Senhor e recebam o Espírito Santo. É isto que constitui o nosso novo nascimento em Cristo e que é a primeira parte da visão da paróquia de S. José: «Nascemos do encontro pessoal com Cristo…» (no Espírito Santo). Sem esta experiência fundamental, falta algo essencial à fé cristã que ficou a meio do caminho. Essa é a razão pela qual Pedro e João completam a evangelização já começada por Filipe, transmitindo o dom do Espírito Santo.

O Evangelho esclarece-nos ainda mais sobre a importância de fazer experimentar a Pessoa do Espírito Santo. Estamos na quinta-feira santa, depois do lava pés. Jesus conversa longamente com os seus discípulos, pela última vez, antes da sua morte. Ele fala-lhes do seu Pai e da relação que os une; fala também da relação que doravante une Jesus aos discípulos e os discípulos a Jesus, e n’Ele ao Pai. Uma relação que nada nem ninguém pode destruir. “Eu estou no Pai e vós estais em Mim e Eu em vós”. E acrescenta: «Aquele que me ama será amado por meu Pai.» E depois, no momento em que se prepara para os deixar, anuncia-lhes a vinda do Espírito Santo. Como bons judeus que eram, conheciam bem toda a longa promessa e espera do Espírito Santo que atravessa todo o Antigo Testamento. Desde Moisés que deseja que o Espírito venha sobre todo o povo e todos pudessem ser profetas (Nm 11,29), passando por Ezequiel em que Deus promete um coração novo e um espírito novo (Ez 36,26-27), e muitas outras passagens, vamo-nos aproximando do profeta Joel que profetiza o dia eminente em que o Espírito virá sobre todos sem exceção. Os apóstolos estavam mergulhados nesta esperança. Eles sabiam que o Espírito viria para todos os que acreditassem no nome do Senhor. Qual então o significado das palavras de Jesus que ouvimos hoje? “Ele é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece.” Porque é que o mundo o não pode receber? Será isto uma restrição? Um dom só para alguns? Não. Isso já passou. A promessa agora é para todos os que o quiserem receber. Por isso acrescenta: “Mas que vós conheceis, porque habita convosco e está em vós.” E isto é, declaradamente, um envio em missão. É uma forma de lhes dizer: O mundo não conhece o Espírito da verdade, mas é muito importante que O conheça para a sua salvação e alegria. Compete-vos a vós dar-lho a conhecer. É vossa missão fazer com que o mundo descubra a presença ativa do Espírito em todo mundo e proporcionar a todos a admirável graça de serem cheios do Espírito Santo. Jesus quer fortificar os seus discípulos e ajudá-los a crer que o contágio do amor ganhará pouco a pouco; e que lhes é possível transformar o espírito do mundo, que não conhece a Deus, em espírito de amor. De certa forma, a missão que lhes confia, é a de uma evangelização por “contaminação”, de um a um; R1 ou melhor ainda se for R2, na linguagem que hoje infelizmente conhecemos. Missão impossível? Não; pois Jesus lhes diz: “E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito, (que quer dizer advogado, defensor) para estar sempre convosco”: Mas de quem o Paráclito nos deve defender? De que processo ou acusação falamos? Daquele que o mundo faz aos discípulos e, através deles, ao próprio Pai e a Cristo; no fim de contas, à verdade. O cristianismo cresceu muito depressa nos primeiros 3 séculos por contágio não só de pessoa-a-pessoa, o tal R1, mas de uma pessoa a contagiar pelo amor duas ou mais. Imaginemos que cada um de nós trabalhava para contagiar pelo amor a Deus uma pessoa… transformaríamos o mundo pelo amor. Pedro diz-nos na segunda leitura. «Estai sempre prontos a responder, a quem quer que seja, sobre a razão da vossa esperança.» Que o Seu Espírito nos inquiete de tal forma que sintamos em nós o ardor de que falava Paulo: «Ai de mim se não evangelizar»

Vinde Espírito Santo, enchei o coração dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.

Folha Paroquial nº 124 *Ano III* 10.05.2020 — DOMINGO V da PÁSCOA

Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia. Que ela venha sobre nós.

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“EVANGELHO (Jo 14, 1-12)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?». Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acre-ditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai».”

REFLEXÃO
“A primeira leitura de hoje, do livro dos Atos, mostra-nos que na essência da missão da Igreja, tal como a evangelização e a Liturgia, está o serviço da caridade. O papa Paulo VI diz na Evangelii Nuntiandi que a Igreja existe para evangelizar; Esta é a sua essência e a sua identidade mais profunda. Mas a Igreja anuncia o evangelho quando proclama a palavra de Deus e ensina, quando celebra a fé e administra os sacramentos e quando testemunha o amor de Deus por ações concretas de amor pelos irmãos. Aliás este é hoje o sinal mais compreensível pelos que estão fora da igreja.

Toda a ação pastoral da Igreja deve ser motivada pela caridade. A evangelização é um ato de amor, pois “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.” Seria uma grande falta de amor ter experimentado a salvação que nos vem pela fé em Jesus Cristo e não o transmitir a outros para que também tenham acesso à vida em plenitude. Só que esta é uma visão que, sem a fé e um grande apego à palavra do Senhor, pode parecer a alguns um trabalho mais espiritual. Mas quando a igreja, encarnada no mundo, convive com os famintos, os doentes, os sem lar, é o mesmo amor ou a mesma caridade que a leva ao encontro dos seus irmãos para lhes anunciar o evangelho que a leva também a ir ao encontro dos pobres para os ajudar a levantarem-se da sua situação sofredora, seja ela qual for. Como esta ação é mais direcionada ao corpo, às necessidades materiais, à falta de pão, de saúde, ou de tecto, são mais compreensíveis pelos que não têm fé pois muitos não sabem que «nem só de pão vive o homem» e assim reduzem-no apenas a uma dimensão material. Por isso apreciam o trabalho da igreja no campo da caridade mas não valorizam o seu trabalho espiritual. No entanto, para a igreja, a pessoa humana é uma unidade de corpo e alma e se só alimenta-mos um aspeto, reduzimos o ser humano. Já no tempo de Jesus, quando ele multiplicou os 5 pães e os dois peixes e alimentou as 5000 pessoas, no dia seguinte, tinha uma multidão atrás dele. E eles disse-lhes: «Vós procurais-me porque vos multipliquei os pães, trabalhai não tanto pela comida que perece mas pelo alimento que dura para a vida eterna e que o Filho do homem vos dará.» Dito isto, não se pode pregar a estômagos vazios. Se alguém está aflito porque não tem dinheiro para pagar a renda de casa e pode ser posto na rua, porque não tem pão para os filhos, a ajuda urgente que precisa agora é que o ajudem a superar essa dificuldade pois, nessa altura ninguém tem capacidade para ouvir o evangelho. No tempo da Igreja primitiva os mais desfavorecidos eram mulheres viúvas e órgãos. Era o homem que trabalhava e sustentava a família. A mulher cuidava da casa e dos filhos. Por isso a morte do homem deixava a sua mulher, a viúva, desprotegi-da, e os seus filhos órfãos, sem uma base de sustento. A instituição das viúvas e órfãos foi a primeira organização caritativa da igreja ainda no tempo dos Apóstolos. Só que qualquer instituição dá trabalho e traz preocupações. Os apóstolos começaram a sentir-se assoberbados pelo acompanhamento direto da instituição e souberam discernir à luz do Espírito Santo que não deviam ser eles a ocupar-se diretamente da instituição mas era sua responsabilidade escolher homens cheios de fé e do Espírito Santo com as competências necessárias para esse trabalho Eles não deixaram de ser os responsáveis, mas delegaram noutros, que escolheram, a realização do trabalho que para eles era sumamente importante. Escolheram sete homens por quem rezaram, impondo-lhes as mãos, sinal da transmissão do Espírito Santo para um ministério sagrado. E assim nasceram os diáconos para o serviço da caridade. Esta foi a forma que os apóstolos encontraram para dar mais valor a este serviço da caridade para poder ser mais acompanha-do. O que faz com que aquela instituição fosse eclesial, católica, era o facto de estar ligada ao ministério dos apóstolos. A segunda leitura, utilizando a imagem da construção de um edifício convida-nos a todos a aproximar-nos do Senhor, pedra viva, e a entramos também nós na construção do edifício espiritual que é a Igreja. Como é que cada um de nós se sente integrado na construção? Sentimo-nos pedras vivas? A Igreja torna-se bela quando cada um, segundo os seus carismas, competências e possibilidades colabora nesta construção. Vem-me à cabeça as imagens transmitidas pela televisão dos chineses a construírem um grande hospital praticamente numa semana. Eram milhares de pessoas, para a frente e para trás, como formigas, todas trabalhando para o mesmo, a construção de um hospital de campanha. O Papa Francisco diz que a Igreja deve ser como um hospital de campanha, sempre perto dos feridos para os recolher e curar. Uma pergunta a todos os que vêm habitualmente à missa ao Domingo mas sem mais ligação nenhuma com a paróquia. Como poderei ser mais pedra viva na construção deste edifício espiritual? Qual os meus dons e carismas que o Senhor me pode que ponha a render? Gostaria de trabalhar com os pobres? Na liturgia? Na evangelização e na catequese? nos serviços? No canto e na música? Com os jovens? Na administração paroquial? Na comunicação e design? Ajudando como engenheiro, arquiteto a quem se pode pedir conselho técnico? Cremos que este tempo de pandemia vem fazer despertar mais na igreja este sinal da caridade. A equipa de animação pastoral esteve a discutir na última reunião como é que a paróquia pode estar mais atenta aos pobres, de um modo particular aos novos pobres que a pandemia pode ter provocado. Vamos tentar enfrentar esta situação e encontrar as respostas convenientes. Às vezes não sabemos o caminho a trilhar mas nunca nos afastaremos da verdade e da vida se estivermos com Jesus, o verdadeiro caminho. N’Ele nunca nos perderemos e, mais cedo ou mais tarde, encontramos a resposta para o que procuramos.”

Folha Paroquial nº 123 *Ano III* 02.05.2020 — DOMINGO IV da PÁSCOA

O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

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“EVANGELHO (Jo 10, 1-10)
Naquele tempo, disse Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora. Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente; e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». Jesus apre-sentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».”

REFLEXÃO
“Fui ordenado há 37 anos, 24 de Abril, no 4º Domingo da Páscoa, domingo do bom pastor. Por isso, a minha história como padre está ligada a este dia.

Deus é o pastor do seu povo, aquele que o conduz às fontes da vida. Mas sempre precisou de pastores visíveis que fossem imagem do único pastor. Por isso, sempre chamou alguns para se entregarem totalmente a esse ministério pastoral. Umas vezes teve mais sucesso com a resposta deles, outras menos. Às vezes penso, em momentos em que sinto mais a minha fraqueza e o meu pecado, se não me terei enganado e que se tudo o que pensei ser o chamamento de Deus não passou de uma ideia minha. Esta dúvida é diabólica, pois deixa-me sempre perturbado. O que me leva a concluir que realmente Deus me chamou, apesar de mim, são dois fatores: Primeiro, foi a experiência inesquecível e indizível que fiz do seu amor eterno que me atravessou a alma. Diz o papa na sua mensagem para este dia: «Toda a vocação nasce daquele olhar amoroso com que o Senhor veio ao nosso encontro(…). Mais do que uma escolha nossa, a vocação é resposta a um chamamento gratuito do Senhor». E eu tenho vivido sempre desse olhar amoroso que, naquele dia 19 de Março de 1977, Ele me lançou. A segunda razão, é que, se não fosse chamado, não teria a graça de, ao longo de tantos anos, me ter sentido sempre bem em ser padre mesmo em tempos mais difíceis. Sempre senti que era aqui que eu quereria estar ainda que às vezes também tivesse desejo de estar noutros lados. Por isso sinto uma eterna gratidão a Deus pela sua graça e misericórdia para comigo. Ajudam-me muito, nos momentos de tribulação, os santos pastores da igreja – que, graças a Deus, não lhe têm faltado em abundância, mas, nestes tempos, precisa muitos mais. O cristianismo hoje é uma escolha pessoal que só funciona por atração. Por isso têm sido tão graves para a Igreja os escândalos de que todos temos tido conhecimento! O mal faz tanto barulho e chega tão longe que, para não deixar desorientadas as ovelhas do bom pastor, precisamos de padres como aquele italiano de 75 anos a quem os paroquianos ofereceram um ventilador para o salvar do coronavírus, mas ele recusou-o para o oferecer a um jovem do hospital onde estava. E o sacerdote morreu entregando a vida por este rapaz. É nestes momentos de tribulação e de combate que se vê a fé transformada em coragem dos que vivem do Senhor. Este santo sacerdote juntou-se a tantos padres que fizeram o mesmo, como Maximiliano Maria Kolbe, hoje santo, que, sendo preso por ser padre, na segunda guerra mundial, ofereceu a sua vida em troca da de um homem casado, pai de filhos, a quem a Gestapo decidiu matar com mais nove outros, por se ter evadido de noite um prisioneiro. Esta é a beleza do amor que salva!

Há mais beleza num gesto destes, do que em todas as obras de arte do mundo!

A verdadeira beleza que atrai é a de uma vida que se dá por amor. Esta beleza trespassa-nos o coração. E deixa-nos compreender o que é ser pastor.

Na primeira leitura de hoje, quando os habitantes de Jerusalém compreenderam através de Pedro o sentido dos sofrimentos de Jesus na cruz como um ato de amor levado até ao extremo, ficaram de coração trespassado. Perceberam por dentro a beleza e a grandeza daquele amor salvador.

Se quando ouvi a história do padre italiano, fiquei verdadeiramente emocionado: compreendo bem que o povo em Jerusalém, ao ter diante de si a imagem da entrega amorosa de Jesus para nos salvar, ficasse de coração trespassado e perguntasse: «E agora que devemos fazer?» Quando o nosso coração é “quebrado” pela beleza do amor, é o momento da graça, o momento em que se pode operar a mudança dentro de nós. Deus quer que façamos a experiência do seu eterno amor para que o nosso coração quebre a sua carapaça e se abra à graça. Para isso ajuda as vidas transformadas dos discípulos do crucificado ressuscitado. Uma pessoa que não é crente pode vir a acreditar, tocado pela beleza do testemunho de um crente. Mas quando o crente é padre, esse testemunho leva diretamente a Cristo e à Igreja pois o padre é imediatamente identificado, para o bem e para o mal, com a instituição que serve. Por isso é tão importante rezarmos pelos padres. Que Deus renove na santidade os padres que já o são, e chame para si jovens com vontade de se darem inteiramente, por amor, ao serviço do seu reino, para que todos tenham a vida e a tenham em abundância.

Aos paroquianos que tenha desiludido com palavras ou atitudes peço humildemente perdão e, parafraseando o papa, «não se esqueçam de rezar por mim».”