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Folha Paroquial nº 76 *Ano II* 12.05.2019 — DOMINGO IV DE PÁSCOA

«Nós somos o povo de Deus, somos as ovelhas do seu rebanho.»

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«EVANGELHO (Jo 10, 27-30)
Naquele tempo, disse Jesus: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só».»

MEDITAÇÃO
Nós somos o Povo do Senhor
Hoje, Domingo do Bom pastor, dia que se conclui a semana das vocações de consagração, gostava sobretudo de convidar-vos a fixar o vosso olhar no Bom pastor que ressuscitou e dá a vida pelas suas ovelhas. O Evangelho de hoje, bem conciso, é porém explosivo pela força que contém, e os judeus reagiram com firmeza às palavras de Jesus. Para compreendermos melhor o contexto, lembremo-nos que, antes disto, Ele estava no Pórtico de Salomão e os judeu estavam decididos a pô-lo entre a espada e a parede, perguntando-lhe: «Até quando vais tu manter-nos em suspenso? Se és o Cristo, (O Messias), di-lo abertamente»; É uma espécie de ultimato do género «sim ou não? Decide-te uma vez por todas». Em vez de responder «sim, sou o Messias», Jesus vai mais longe. Fala-lhes das suas ovelhas, o que vai dar ao mesmo! Porque o povo de Israel comparava-se a um rebanho: «nós somos o povo de Deus, o rebanho que Ele conduz» É uma fórmula que aparece frequentemente nos salmos e particularmente na deste Domingo. «Ele nos fez, a Ele pertencemos». Rebanho muitas vezes desobediente, mal conduzido pelos reis que se sucederam no trono de David mas sabia-se que o Messias, esse sim, seria um pastor atento e consagrado ao seu povo. Naturalmente, Jesus para afirmar que era o Messias, usa uma linguagem habitual sobre o pastor e as ovelhas. E os interlocutores compreenderam-no bem. Mas Jesus leva-os mais longe; falando das suas ovelhas, ousa afirmar: «Eu dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, ninguém as arrebatará da minha mão»… Fórmula audaciosa: quem pode dar a vida eterna? Quanto à expressão «estar na mão de Deus», era muito habitual no Antigo Testamento; por exemplo em Jeremias: «Vós estais na minha mão, povo de Israel, diz o Senhor, como a argila, na mão do oleiro» (Jer 18,16) e muitas outras passagens. Jesus faz referência a estas passagens bíblicas, pois acrescenta de imediato: «Ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai». Coloca assim, claramente, no mesmo pé as duas fórmulas «a minha mão» e «a mão do pai». Mas não fica por aqui. Persiste ainda em dizer: «Eu e o Pai somos um só». E assim ele responde muito para além da pergunta que lhe é dirigida: mais do que dizer; «sim, eu sou o Messias», afirma-se igual a Deus na condição de Filho da mesma natureza que o Pai. Claro que os judeus não podiam aceitar isso, habituados como estavam a rezar todos os dias: «Escuta Israel o Senhor nosso Deus é único». Jesus foi incompreendido, perseguido, eliminado, mas alguns acreditaram n’Ele. João diz no prólogo do seu evangelho: «Veio para o que era Seu e os seus não o receberam…mas aos que o receberam, aos que creram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo1,11-12) Deste pequeno resto nasceu o povo cristão: «as minhas ovelhas escutam a minha voz, eu conheço-as e elas seguem-me. Eu dou-lhes a vida eterna.» Apesar da oposição que Jesus encontra, da saída trágica já previsível, há aqui incontestavelmente uma linguagem de vitória: «Ninguém pode arrebatar nada da mão de meu Pai.» É como um eco da frase de Jesus: «Coragem, eu venci o mundo». Os discípulos de Jesus, ao longo da história, têm muita necessidade de se apoiar nesta certeza: «Ninguém pode arrebatar nada das mãos do Pai.»
É bom para nós termos esta certeza. Somos o Povo que o Senhor escolheu para sua herança, o povo que está nas suas mãos e que Ele nunca abandona». Podemos passar por muitas dificuldades, perseguições, incompreensões. Temos os nossos pecados e sofremos também pelos pecados dos outros, mas nada disso nos fará ser arrebatados das mãos do Pai. Ao longo da história, Jesus chamou e configurou consigo, pelo sacramento da Ordem, homens que tornassem visível este pastoreio de Jesus. Se houve muitos que o fizeram com grande santidade de vida e souberam transparecer com grande beleza o bom pastor, outros foram mais opacos a essa luz de Jesus. É uma honra, nunca merecida, poder servir o Senhor no ministério presbiteral. Sei bem que É Ele que cuida do seu povo e é para Ele que me volto continuamente e lhe digo: Senhor, apesar de mim, não deixes de visitar o teu povo e derramar sobre Ele os teus benefícios. Que ao menos eu não atrapalhe a passagem da tua graça e da tua misericórdia. Que Eles vejam o teu rosto, tu que lhes dás a vida terna, que os alimentas, que os guardas com ternura na palma das tuas mãos. Usa-nos para anunciar a Tua Palavra e administrar os dons da tua graça, mas nunca permitas que nos esqueçamos que és tu o único pastor do teu povo, aquele que o guarda e lhe dá a vida. E a minha alegria é ver a Tua obra. Contemplar, em ação de graças, a alegria dos que Te encontram e se voltam para ti. E quantas graças temos de dar-Te por te ver a agir e a tomar conta do povo que amas. Apesar de estarmos em tempos difíceis para a tua Igreja, estou cheio de esperança no futuro e nos sinais que se anunciam já no presente. Pastoreia-nos, Jesus, conduz-nos, enche o coração dos que Te servem nas paróquias do fogo da esperança e dá a todos uma imensa alegria por servirem o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Derrama o fogo do teu amor sobre os jovens de hoje e chama alguns para o sacerdócio pois a tua Igreja precisa deles. Visita as nossas paróquias com o dom do chamamento pois quando experimentamos o teu amor é difícil resistir-Te. A Ti, bom pastor, que dás a vida pelas tuas ovelhas e as guardas na tua mão, o nosso reconhecimento, adoração e louvor pelos séculos dos séculos. Ámen.

«ORAÇÃO PELA VIDA
Deus Omnipotente,
que estais presente em todo o universo e na mais pequenina das vossas criaturas,
Vós que envolveis com a vossa ternura tudo o que existe, derramai em nós a força do vosso amor
para cuidarmos da vida e da beleza.
Curai a nossa vida, para que protejamos o mundo e não o depredemos,
para que semeemos beleza e não poluição nem destruição.
Ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita.
Obrigado porque estais connosco todos os dias.
Sustentai-nos, por favor, na nossa luta pela justiça, o amor e a paz.
(Papa Francisco – Laudato sí)»

Folha Paroquial nº 76 *Ano II* 05.05.2019 — DOMINGO III DE PÁSCOA

«Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.»

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«EVANGELHO (Jo 21, 1-14)
Naquele tempo, Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto ao mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?». Eles responderam: «Não». Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. O discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.»

MEDITAÇÃO
A ressurreição de Jesus inaugurou um tempo novo e um mundo novo. Os textos da vigília pascal começam pela criação para depois, na oração que se segue, o presidente dizer que «O sacrifício de Cristo, nosso cordeiro pascal, é obra ainda mais excelente que o ato da criação no princípio do mundo.» E no canto do precónio diz-se: «De nada valeria termos nascido se não tivéssemos sido resgatados». Pela ressurreição de Jesus, Deus entrou na história e agiu, conduzindo a criação para um tempo novo que será consumado no fim dos tempos. A morte foi vencida, O Espírito Santo foi derramado sobre cada homem e agora habita o mundo para o levar à sua plenitude. Diz o Concílio Vaticano II, na Gaudium et Spes: «Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra na qual reina a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens. Então, vencida a morte, os filhos de Deus ressuscitarão em Cristo e aquilo que foi semeado na fraqueza e na corrupção, revestir-se-á de incorruptibilidade, permanecendo a caridade e as suas obras, todas as criaturas que Deus criou para o homem serão libertadas da escravidão da vaidade» (GS, 39). E, no número anterior, lembra-nos que este mundo novo é fruto da ressurreição e do envio do Espírito aos corações dos homens e que, este Espírito não só suscita o desejo da vida futura, mas anima, purifica e fortalece também os homens a trabalhar para tornar a vida mais humana, mais segundo o desígnio divino. No entanto, nesta construção do reino de Deus, já a acontecer, temos de contar com um duro combate que se trava na história e nos nossos corações. Na primeira leitura de hoje, vemos esse combate. O Sumo Sacerdote diz aos apóstolos: «Já vos proibimos formalmente de ensinar em nome de Jesus; e vós encheis Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem». Hoje, também, em muitos lugares do mundo, existe a mesma interdição de falar do nome de Jesus, e onde ela não existe, formalmente, como é o caso da Europa ocidental, existe sub-repticiamente, tentando que a comunidade dos discípulos de Jesus, a Igreja, não tenha espaço de cidadania. A muitos não lhe importa que a Igreja exista desde que o seu trabalho seja feito dentro das quatro paredes do templo, sem tentar influenciar a sociedade. Ora Jesus convida-nos e envia-nos para o mundo a anunciar a sua palavra para o mundo ser transformado. Jesus disse: «Vós sois o sal da terra , vós sois a luz do mundo”. Não se trata de impor nada a ninguém pois a fé não pode ser imposta, já que tem a ver com uma decisão pessoal da consciência. Mas pode e deve ser proposta a todos os que a quiserem ouvir. Se vejo alguém a morrer de sede não o posso obrigar a beber a água que o salvaria, mas posso e devo dizer-lhe onde está a água que lhe mataria a sede e o restabeleceria. O maligno, que se apresenta de diversas formas, tenta calar a palavra de Deus para que ela não transforme o mundo, e ele age fora da igreja mas também dentro da igreja, o que é ainda pior, pois a desacredita. Mas os discípulos de Jesus não devem deixar-se vencer pois Jesus disse: «No mundo tereis muitas tribulações mas não tenhais medo: Eu venci o mundo.» E aqui mundo quer dizer tudo aquilo que se opõe a Deus e ao seu projeto de salvação. Os discípulos de Jesus, de ontem e de hoje, receberam a missão de, iluminados e fortificados pelo Espírito, colaborarem com Deus para que o mundo novo que já começou, pela sua encarnação, morte, ressurreição e Pentecostes seja levado à plenitude. Mas para isto temos de estar preparados para sofrer pelo nome de Jesus. Encanta-me a forma como os apóstolos encararam os sofrimentos que lhes foram infligidos por causa de pregarem a Palavra: «Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus.» Para seguir Jesus e ser testemunha dele é preciso estar disposto a sofrer por ele, até ao martírio, se necessário for. Onde a Igreja é mais forte é onde sofre por causa de Jesus. Onde ela vive em liberdade corre sempre o risco de entrar numa frouxidão, numa mornice e tibieza de que nos fala o Apocalipse: «Tenho contra ti que não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente mas és morno e aos mornos vomito-os da minha boca.» É por causa de uma vivência cristã frouxa, débil, que recusa a cruz, que hoje a Igreja sofre humilhações em toda a terra, pois deixámos o mundanismo entrar nela como se vê com os escândalos que vão aparecendo também dentro da igreja e nos clérigos: é a corrupção, a vergonha, o pecado. E aqueles que eram destinados a serem “sal da terra” para preservar o mundo da corrupção tornam-se, eles mesmos, os corruptores. «Mas Deus não desiste da sua Igreja e sobretudo do seu projeto de salvação. Ele procura almas que desejem servi-Lo e amá-Lo para que o mundo seja salvo. Ele está vivo e a força da sua ressurreição é imparável. Felizes os que acreditam e que aceitam colaborar com Ele na construção de uma nova civilização de amor e justiça.

«Mãe de Deus, Nossa Senhora, intercede
por todas as mães nas suas mais diversas necessidades.
Que o amor e a generosidade de todas elas sejam exemplo sempre presente no coração de todos os filhos.
Mãe querida, ajuda todas as mães que geraram os seus filhos para a vida, a gerarem-nos também para a graça.
Virgem Maria, faz com que todas as mulheres saibam ser no mundo um sinal da presença materna de Deus.
Ámen.»

Folha Paroquial nº 75 *Ano II* 28.04.2019 — DOMINGO II DE PÁSCOA

«Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia.»

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«EVANGELHO (Jo 20, 19-31 )
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.»

MEDITAÇÃO
Para os apóstolos e a comunidade cristã primitiva, a Ressurreição de Cristo é «o Acontecimento» que mudou tudo. Cristo ressuscitou e o seu Espírito, o seu poder de amar, habita-os doravante. O poder da graça estava sobre eles: a graça é a presença de Deus em nós, é o amor de Deus em nós. Apóstolos e todos os batizados são habitados pelo amor, um amor de tal forma poderoso que os transforma completamente, a ponto de os fazer ver de um modo totalmente novo as realidades materiais. Há acontecimentos na nossa vida, felizes ou infelizes, que mudam completamente as nossas prioridades. Coisas que nos apareciam até aí insignificantes tomam, de repente, um grande valor; outras às quais dávamos muita importância, aparecem de repente secundárias. Um filho que nasce a um jovem casal muda-lhe as prioridades… de bom grado, eles agora sacrificam a sua liberdade por causa daquele filho que lhes trouxe tanto deslumbramento. E ouvimos muitas vezes os que foram salvos num grande acidente, ou de uma grande doença, dizer que nada mais será como dantes. Para os primeiros cristãos, diz-nos Lucas, a posse dos bens materiais deixou de ser uma prioridade. «A multidão dos que tinham abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma, ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum.» A primeira insistência neste sumário de Lucas é a unidade e depois vem então a partilha. Esta é consequência daquela. A frase central é: «Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de grande simpatia.» No fundo, a unidade e a partilha era uma das formas de dar testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Uma igreja que quer dar testemunho não pode ser desunida e desinteressada da sorte uns dos outros.
A Igreja é a comunidade daqueles que experimentaram a graça da presença do ressuscitado nas suas vidas e isso foi um acontecimento tão maravilhoso que mudou as prioridades da vida. Agora somos chamados a dar testemunho de que Ele está vivo através da unidade que vivemos, da alegria da união fraterna, na alegria da partilha, na alegria de celebrarmos juntos a Eucaristia e de trabalharmos juntos pela missão.
É esta missão que Jesus nos confiou quando aparecendo aos discípulos no primeiro dia da semana lhes diz: “«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo»”. Somos enviados em missão para o mundo onde vivemos, mas não sozinhos: «Recebei o Espírito Santo». No princípio dos Atos dos Apóstolos, Ele tinha dito: «Ireis receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas.»
Mas só pode ser testemunha quem viveu a alegria dos Apóstolos por terem encontrado ou reencontrado o senhor. «Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor». Depois dizem a Tomé quando ele chega: «Vimos o senhor». Mas… isso a nós não nos aconteceu. «Não vimos o Senhor». É verdade que não tivemos as aparições como os apóstolos, mas recebemos as bem-aventuranças que Jesus anuncia: «Felizes aqueles que acreditam sem terem visto». Sem terem visto, sim, mas não acreditamos sem nada a ajudar-nos a acreditar. Não acreditamos no vazio, sem nada. O que pode substituir em nós aquilo que os apóstolos viveram? É a própria Palavra viva de Deus que é anunciada pela Igreja. Logo no dia da ressurreição, os apóstolos vêm para a rua, em Jerusalém, e Pedro faz a sua primeira pregação da Palavra. Os ouvintes ficam «de coração trespassado pela emoção» e perguntam: «Que havemos de fazer, irmãos?» Nesse dia, converteram-se ao Senhor mais de 5000 pessoas que pediram o batismo em nome de Jesus. Eles já não tiveram as aparições, mas isso não os impediu de fazer uma experiência semelhante à dos apóstolos, de se sentirem renascer pela fé no Filho de Deus, como se tivessem «visto» o ressuscitado. Por isso, S. João termina o Evangelho de hoje dizendo: «Estas coisas foram escritas para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.» A palavra de Deus acolhida desperta em nós a fé e a presença do ressuscitado. Tem sido assim ao longo de mais de 2000 anos, homens e mulheres têm mudado as suas vidas e prioridades porque, através do anúncio da palavra que chegou até Eles, descobriram Cristo vivo e ressuscitado, e entregaram-se a Ele e assim a Igreja foi crescendo e irradiando. Também nós o acolhemos assim e somos chamados a anunciá-lo para que outros creiam.

irs 2019
CONSIGNAÇÃO IRS A FAVOR DO CENTRO SOCIAL S. JOSÉ — lembramos que, à semelhança de anos anteriores, sugerimos que assinale o Centro Social de S. José como beneficiário de 0,5% do seu IRS. Basta para isso assinalar no quadro 11 da sua declaração o NIF 501 427 848 e isso não afetará em nada aquilo que irá pagar ou receber: a lei fiscal portuguesa permite que o contribuinte destine meio por cento dos seus impostos a favor de uma obra de cariz social à sua escolha.

Folha Paroquial nº 74 *Ano II* 21.04.2019 — DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

«Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.»

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«EVANGELHO (Jo 20, 1-9)
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.»

MEDITAÇÃO
Em Cristo a história humana chega à plenitude. Cria um antes e um depois. Já o facto de Jesus ter incarnado no seio da Virgem Maria, pela ação do Espírito Santo, cria um ponto de mudança na história. Deus interveio no seu curso, fazendo-se homem. Agora, a sua ressurreição, é um outro dado do mistério do desígnio divino da nossa salvação. Ninguém podia imaginar isto senão Deus! Para os discípulos de Jesus a ressurreição foi tão inesperada que levaram tempo a digerir os acontecimentos de que são testemunhas. Este mistério da ressurreição não se capta de repente. É um processo. E este processo passa-se com todos nós até chegarmos à fé.
As leituras de hoje apresentam-nos o acontecimento inaudito da ressurreição do Senhor tal como os primeiros discípulos o viveram (evangelho), apresenta-nos esse anúncio feito aos pagãos, neste caso, Cornélio, o centurião romano, e o fruto do acolhimento da fé em Jesus: ( 1ª leitura) «quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados e uma vida nova.» Na segunda leitura, Paulo explica as implicações que tem para os que aceitaram, pela fé, o Senhor ressuscitado e foram batizados n’Ele. Hoje quero deter-me mais neste ponto.
Se não estivermos familiarizados com o vocabulário Paulino, encontramos expressões estranhas. Exemplos: «Irmãos vós ressuscitastes com Cristo…morrestes com Cristo.» O que quer isto dizer? Nós não morremos, estamos vivos. E porque não morremos também não ressuscitámos ainda. Isto quer dizer que as palavras não têm o mesmo sentido para Paulo que têm para nós, pois, para ele, depois desta inaudita manhã de Páscoa, nada é como antes. Tudo é novo. Outro problema de vocabulário: «afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra».
Não se trata, de facto, de coisas (sejam elas do alto ou de baixo), trata-se de condutas, de maneiras de viver… o que Paulo chama de realidades do alto», ele di-lo nos versículos seguintes que não vêm no texto de hoje, é a misericórdia, a humildade, a bondade, a mansidão, a paciência e o perdão mútuo… o que ele chama de coisas da terra são a impureza, as paixões, os maus desejos, a ganância, a ira, a raiva, a maldade, as injúrias, as palavras grosseiras… A nossa vida inteira vive-se nesta tensão: a nossa transformação, a nossa ressurreição, foi já realizada em Cristo, mas falta-nos assumir esta realidade profunda ao longo da nossa vida. Se continuássemos a leitura encontraríamos esta bela expressão: «Vós revestistes-vos do homem novo» e, um pouco mais além, «acima de tudo, revesti-vos do amor que é o laço da perfeição.» Assim, Paulo usa o verbo revestir no passado contínuo, revestistes-vos… continuais revestidos. É aquilo que já está feito por Cristo em vós, e, depois, no imperativo, Revesti-vos do amor, aquilo que é ainda a fazer por nós com a ajuda d’Ele. Não se trata, pois, de viver outra vida diferente da nossa vida normal, mas de viver de outra forma a vida quotidiana, sabendo que este «de outra forma» é agora possível pois o Espírito do ressuscitado nos torna capazes. O mesmo Paulo dirá um pouco mais longe: Tudo o que podeis dizer ou faze, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando graças por Ele a Deus Pai. Trata-se de semear neste mundo a semente do reino novo que Jesus veio plantar para que o mundo velho seja transformado. Mas o mundo novo só se faz com homens novos. Por isso Paulo diz: «Não mintais uns aos outros, já que despistes o homem velho, com as suas ações e vos revestistes do homem novo…» Sem homens novos não pode haver mundo novo. Se o reino de Deus não é acolhido no coração de cada homem como pode ele ser instaurado no mundo?
Encontramos esta tensão entre aquilo que Jesus já fez e o que falta fazer por nós em toda a pregação de Paulo em particular nesta mesma carta ao Colossenses: Vós que outrora andáveis afastados com sentimentos expressos em ações perversas, agora Cristo reconciliou-vos no seu corpo de carne, mas é preciso que vos mantenhais sólidos e firmes na fé, sem vos deixardes afastar da esperança do Evangelho. Continuai a caminhar n’Ele, enraizados e edificados nele, firmes na fé, tal como fostes instruídos, transbordando de ação de graças. Olhai que não haja ninguém a enredar-vos com a filosofia, o que é vazio e enganador, fundado na tradição humana ou nos elementos do mundo, e não em Cristo. Porque é n’Ele que habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Vós fostes sepultados com Ele e com Ele ressuscitastes.
Hoje, como no tempo de Paulo, há muita gente pouco formada na fé que dizendo-se cristão vive ainda cheio de prisões escravi-zantes: Dizem que creem em Cristo mas acreditam também nou-tras coisas, como a reencarnação, o espiritismo, praticam reiki e vivem dependentes das energias, da consulta das cartas, do tarot, dos astros e sei lá mais o quê. Fazem uma salada do religioso. Quem conheceu Cristo não precisa nada dessas coisas. Foi para a liberdade que Ele nos libertou. O encontro com Cristo ressuscitado traz uma alegria maravilhosa à vida do que o encontra mas não está tudo feito.. Agora ele espera que, unidos a Ele, que vive em nós, aceitemos ser cooperadores da sua graça para instaurar o seu reino de luz no mundo. E essa parte é difícil, pois o mundo recusa a luz do Senhor e a novidade que Ele traz. O papa Bento XVI diz que no princípio, a igreja quando quis formar na fé os convertidos ao cristianismo, teve que criar um habitat onde eles pudessem aprender a viver de outra maneira, e instituiu o catecumenado. Hoje, num mundo de novo tão adverso, os cristãos só vivendo num habitat cristão podem aprender a viver valores diferentes. Por isso os diversos grupos da paróquia como o Alpha, as células, o grupo de oração, os grupos de jovens, e, pouco a pouco a comunidade inteira deve ser esse habitat onde os cristãos respiram as primícias do mundo novo que deve testemunhar com esperança. Se alguém no meu local de trabalho me perguntasse: Onde haverá um local onde aprenderemos a conhecer Jesus e um grupo que viva o que ele ensinou? Devíamos poder dizer: «Vem e vê»
Que Cristo ressuscitado se sinta no meio de nós. Aleluia.

Folha Paroquial nº 73 *Ano II* 14.04.2019 — DOMINGO DE RAMOS

«Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?»

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«EVANGELHO (Lc 23, 1-49)»

MEDITAÇÃO
Meditemos o eterno amor de Deus que se revelou na paixão
e morte de seu Filho
A ressurreição de Jesus vai manifestar de uma forma luminosa quem era aquele homem, Jesus de Nazaré, que tinha passado fazendo bem e falado como nunca alguém jamais falara, tocando tantos corações e reacendo-lhes a esperança. Ressuscitando-o dos mortos, Deus testemunha que Aquele é o seu Messias, o seu eleito, o seu Filho amado. Mas se assim é porque é que Ele permitiu que fosse morto daquela maneira tão humilhante e dolorosa? Não esqueçamos que a morte na cruz era dada apenas aos criminosos, aos bandidos, e que um romano não podia ser crucificado, só os estrangeiros. Para a mentalidade judia alguém que recebesse tal castigo era um abandonado pelo próprio Deus, alguém de quem Deus também tinha desistido. Por isso Jesus grita na cruz: «Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste?» Não foi fácil para as comunidades cristãs dos primeiros tempos compreenderem o sentido da morte de Jesus na cruz e falar dela. Paulo, que tentou por outras vias anunciar Cristo sem falar da cruz, conclui, depois do seu insucesso no areópago de Atenas, que «doravante falará de Cristo crucificado escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas para os que creem é poder e sabedoria de Deus». Foi um trabalho de releitura grandioso à luz do Espírito e do acontecimento da ressurreição. No relato dos discípulos de Emaús, S. Lucas apresenta-nos já essa releitura que o próprio Jesus ressuscitado ajuda os apóstolos a fazerem. «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito, para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória? Depois, começando por Moisés e passando pelos profetas, explicou-lhes em todas as escrituras o que lhe dizia respeito.» (Lc 24, 13-35). O profeta Isaías e sobretudo a bela narrativa do servo de Yavé que ouviremos na sexta feira santa ajudaram a Igreja nascente a entender o desígnio de salvação de Deus. «Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre Ele o castigo que nos salva: Pelas suas chagas fomos curados.» Nos Atos dos Apóstolos o eunuco etíope, alto funcionário da rainha de Candace, vai a ler a passagem do profeta Isaías que fala da morte do justo, como cordeiro levado ao matadouro, mas não entende nada daquilo que lê. Então, o apóstolo Filipe aproxima-se do seu carro e, convidado a subir, fala-lhe de Jesus a partir daquela passagem do Antigo Testamento. Anuncia-lhe o Kerigma, o anúncio fundamental da fé que leva à salvação. Jesus, a sua morte e ressurreição, é a chave interpretativa de toda a Sagrada Escritura pois toda ela aponta para Jesus.
Sigamos Jesus na sua paixão e morte na cruz e deixemo-nos tocar por Ele e pela luz que dela irradia. Nós estamos todos lá, nessa paixão e nesse julgamento.

«Sábado
O sábado santo é um dia de silêncio e oração. O rei dorme aguardando em esperança o dia novo da ressurreição. Neste dia, como no anterior, não há eucaristia nem outros sacramentos. Só pode haver o da unção dos doentes. Mas não é um dia sem alimento. A Igreja nutre-se da liturgia das horas e da Palavra de Deus.»

Folha Paroquial nº 72 *Ano II* 07.04.2019 — DOMINGO V DA QUARESMA

«O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.»

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«EVANGELHO (Jo 8, 1-11)
Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».»

MEDITAÇÃO
«Povo que formei para Mim
e que proclamará os meus louvores».
No Domingo passado o pai do filho pródigo afirmava para o filho mais velho de coração empedernido: “Nós tínhamos de fazer festa porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e encontrou-se.” Deus, porque ama, tem necessidade de fazer festa quando reencontra uma das suas ovelhas perdidas porque há mais festa no céu por um só pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento. Mas, ao mesmo tempo, aqueles que experimentam o amor do Pai, que se sentem amados, perdoados e salvos, que percebem o Pai que têm e como é grande a sua fidelidade, sentem também o mesmo dever de entrar no louvor e na ação de graça e de fazer isso, não uma só vez, mas para sempre, porque é eterno o Seu amor.. O louvor é a resposta agradecida de um povo que reconhece o seu Deus, que é feliz por ser o povo que Ele escolheu para sua herança. Na primeira leitura de hoje, Deus chama ao povo que escolheu para si, “o povo que proclamará os meus louvores”. Quem não sente necessidade de louvar a Deus ou ainda não experimentou a sua bondade ou é injusto e mal agradecido.
A mulher que podia ter sido morta por apedrejamento, se Jesus não lhe tivesse perdoado e salvo, como não haveria de o amar e de cantar eternamente a sua misericórdia? Mas o louvor de Deus não é só uma questão de palavras, é um compromisso de vida de honrar o Senhor com uma vida que irradie. Por isso Jesus diz à pecadora: « doravante não tornes a pecar» que é o mesmo que dizer: «Doravante glorifica a Deus com uma vida nova”. Deus lamenta-se através do profeta Isaías: «Este povo honra-me com os lábios mas o seu coração está longe de mim e é vão o culto que me prestam”. Paulo, na segunda leitura, exprime bem o seu reconhecimento a Deus quando afirma que «considera tudo como lixo diante do conhecimento de Cristo.» Ele tem bem claro quais são as suas novas prioridades depois que encontrou Cristo. Diante ‘Ele todas as outras coisas que constituem a sua vida não são nada comparadas com esta prioridade. No fundo, a sua vida é um hino de louvor a Deus que o salvou e o chamou das trevas para a Sua luz. O louvor de Deus não é pois apenas um momento em que estamos juntos como filhos de Deus para lhe dar glória com cânticos e hinos. Isso faz-nos bem, porque nos dá alegria, nos liberta, nos irmana na mesma fé , mas se não fazemos do louvor uma atitude constante da nossa vida, se ele não habita o nosso coração dia e noite, dificilmente irromperá nos nossos lábios como algo genuíno, sentido e verdadeiro. Podemos dizer acerca do louvor o mesmo que Jesus diz acerca dos verdadeiros adoradores: “Deus procura adoradores que o adorem em espírito e verdade.”
Dito isto, é verdade que o louvor comunitário é profundamente evangelizador. Quando se louva a Deus com entusiasmo e com Uma celebração do louvor de Deus onde não entram as emoções, onde tudo é frio e racional, não toca o homem pós-moderno. Por isso hoje as assembleias de louvor evangélicas traem tanta gente! Muitas vezes nas nossas celebrações cantam-se hinos sobre Deus em vez de hinos a Deus. O glória que cantamos na missa é um bom exemplo de um hino a Deus: «Só Vós sois santo só vós o Senhor, só vós o altíssimo Jesus Cristo…»É a linguagem de intimidade dos amantes. É por meio do louvor de Deus que passamos da ideia sobre Deus à experiência de Deus. Por exemplo quando cantamos na entrada da missa cânticos como: Nós somos o povo do Senhor, ou nós somos as pedras vivas, são cânticos que exprimem a doutrina cristã, que expressam a nossa fé, mas não são cânticos a Deus. Mas quando cantamos: Toda a terra vos adore, Senhor e entoe hinos ao vosso nome…estamos a dirigir-nos a Deus. Estes cânticos são mais orantes pois são louvor a Deus. Numa celebração nota-se bem se o louvor brota dos corações ou apenas da cabeça. O louvor deve ser belo mas não chega ser tecnicamente perfeito, é necessário que brote do coração e gere entusiasmo, gere fé, eleve a alma até Deus. Que cada um de nós se deixe renovar pelo poder do louvor, que se sinta membro do povo chamado a proclamar os louvores d’Aquele que nos chamou das trevas para a Sua luz admirável. Para louvarmos a Deus com o coração é preciso estarmos atentos ao que Ele fez e continua a fazer por nós. Nas células paroquiais de evangelização partilha-se em cada semana Aquilo que cada um experimentou durante a semana como ação de Deus na sua vida. No princípio vemos que as pessoas têm dificuldade em ver a obra de Deus no presente das suas vidas, mas depois vão aprendendo a estar atentas e, pouco a pouco, vão descobrindo que afinal Deus está sempre a proporcionar-lhes imensos benefícios só que vivemos distraídos e não vemos Deus que nos visita em cada dia. Quando descobrimos essa presença no nosso quotidiano então o louvor é a resposta.

Folha Paroquial nº 70 *Ano II* 24.03.2019 — DOMINGO III DA QUARESMA

«O Senhor é clemente e cheio de compaixão.»

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«EVANGELHO (Lc 13, 1-9)
Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».»

MEDITAÇÃO
DEUS ENVIOU-ME A VÓS
Na visita pastoral do Pastor da Igreja local que é a Diocese, escolhemos para título estas palavras de Deus a Moisés da primeira leitura de hoje: “Assim falarás aos filhos de Israel: O que Se chama ‘Eu sou’ enviou-me a vós». Deus envia Moisés para libertar o povo da escravidão do Egipto e o trazer à liberdade, para o retirar da escravidão e das trevas e o levar para a liberdade e para a luz. Ao longo da história Deus não cessou de vir ao nosso encontro, através de homens escolhidos por Ele, convidando-nos à conversão e a adquirir um coração novo. Jesus, a palavra de Deus feita carne, começou a sua atividade messiânica com estas palavras: O Reino de Deus chegou, convertei-vos e acreditai na Boa Nova. A sua vida foi um convite cada vez mais profundo a esta mudança do coração. Mas com o passar do tempo Jesus vai dando conta que a maioria não responde ao seu apelo e fica na mesma. São muitos os que têm curiosidade de o ouvir e até gostam dele mas não se abrem ao Reino de Deus e abandonam-no quando as suas palavras não são agradáveis como aconteceu com a pregação de Jesus sobre o pão da vida em que só ficaram os doze. Então Jesus parece que começa a carregar mais na tonalidade do apelo à conversão para que as pessoas não se percam. O texto de hoje parece bem carregado: “Se não vos converterdes morrereis todos de modo semelhante”. A parábola que se segue é um aviso amoroso de quem faz tudo para nos chamar à responsabilidade pelas nossas escolhas para não adiarmos sine die a nossa conversão: Ela termina de uma forma aberta, para que cada um tire as conclusões. Quem é a figueira que não dá fruto ano após ano e que merece ser cortada?
O que está acontecer na igreja é um aviso amoroso de Jesus à Sua Igreja, e sublinho em negrito Sua, porque Deus ama a Igreja que redimiu pelo sangue da sua cruz e vem ao seu encontro para que se converta e viva. A Igreja, é verdade, precisa de reformas, de uma adaptação aos novos tempos, mas isso não terá efeito nenhum se não voltar humildemente para o Senhor convertendo-se a Ele de todo o coração.
Que Deus nos dê a graça de O escutarmos enquanto é tempo. No nosso bispo ele vem ao nosso encontro para nos falar, nos advertir, nos ensinar, nos exortar e nos encorajar. Possamos nós acolhê-lo como quem acolhe o Senhor e escutá-lo como quem escuta o Senhor, não só com curiosidade de sabermos o que vai dizer mas prontos a abrir o coração para mudar.
“Deus de Israel, olhais dos céus e vede; visitai esta vinha que a vossa mão direita plantou, do rebento que fortalecestes para vós.”

«Oração
Senhor, toda a nossa vida é para Ti um permanente ato criador.
Em cada dia tens para connosco os cuidados de um zeloso
vinhateiro, que faz do seu labor a sua alegria.
Olhas para nós com a confiança de que um dia daremos o fruto esperado. Amas tão profundamente a Criação, que não desistes de nenhuma obra das Tuas mãos.
Ajuda-nos a descobrir, alegremente,
em cada dia a Tua persistência em amar-nos.
Cultiva-nos, Senhor. Não permitas que morramos antes do tempo, por preferirmos uma esterilidade que é auto contemplação e orgu-lho. Ajuda-nos a sermos firmes no nosso compromisso de conver-são, para que a renovação da nossa vida seja sempre um sinal da Tua bondade e do nosso acolhimento.
Queremos ser terra fecunda. Cultiva-nos, Senhor.»

Programa da Visita Pastoral à Paróquia de S. João Baptista

A visita pastoral do nosso bispo iniciar-se-á no dia 28 de Março às 09h00 na igreja com uma oração e terminará no dia 31, domingo, com a eucaristia das 11h00 seguida de almoço de confraternização.

Folha Paroquial nº 69 *Ano II* 17.03.2019 — DOMINGO II DA QUARESMA

«O Senhor é a minha luz e a minha salvação.»

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«EVANGELHO (Lc 9, 28b-3)
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.»

MEDITAÇÃO
Pretendo que a reflexão que vou fazendo com o comentário às leituras de cada Domingo, não seja algo isolado e sem nexo uns com os outros, mas que sejam blocos de 3 a 5 semanas em interligação tanto quanto as leituras no-lo permitirem. Por isso relembro o que escrevi e disse na semana passada e já na continuação de outras anteriores.
A propósito das tentações de Jesus e das nossas afirmei: “A nossa riqueza não está no ter, no fazer, ou no prestígio do nosso bom nome. A nossa identidade mais profunda é a de sermos filhos do Pai celeste. Tudo o resto acaba, mas a nossa filiação divina em Cristo é eterna. A quaresma é o tempo de regressarmos ao essencial, de nos desembaraçarmos de tudo o que não deixa brilhar em nós a nossa condição de filhos. O nosso pecado, a nossa negligência espiritual, vai escondendo a beleza da nossa filiação divina. Mas na medida em que nos aproximamos de Deus e purificarmos o coração pela caridade, vamos resplandecendo a glória de filhos de Deus. Diz Paulo: E nós todos que, com o rosto descoberto, refletimos a glória do Senhor, somos transfigurados na sua própria imagem, de glória em glória, pelo Senhor que é Espírito. (2 Cor 3, 18) Que o nosso trabalho quaresmal nos leve, com Jesus, ao Monte da transfiguração para que, pela ação do seu Espírito e da nossa colaboração, possamos resplandecer melhor a imagem do Senhor na nossa vida.
E aqui estamos hoje, com Jesus no Monte da Transfiguração. Tentemos perceber-lhe o sentido.
Quando vamos em peregrinação à Terra Santa é passagem obrigatória a ida a Monte Tabor. Lá está uma igreja construída sobre outra muito mais antiga a atestar o lugar da transfiguração do Senhor. Este acontecimento histórico ficou bem guardado na memória dos discípulos tanto que Pedro vários anos mais tarde vai referir-se a ele dizendo: “Demos-vos a conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, não por havermos ido atrás de fábulas engenhosas, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Com efeito, Ele foi honrado e glorificado por Deus Pai, quando a excelsa Glória lhe dirigiu esta voz: Este é o meu Filho, o meu muito Amado, em quem Eu pus o meu encanto.18E esta voz, vinda do Céu, nós mesmos a ouvimos quando estávamos com Ele na montanha santa.” (2 Pd1,16-18). Pude imaginar, naquele lugar, a experiência dos discípulos ao verem o corpo de Jesus, revestido de luz e de glória, como se já tivesse vencido a morte e recebido um corpo glorioso. E de facto, é isso que Jesus pretende mostrar aos discípulos preparando-os para a experiência dolorosa da sua morte. Lembram-se que alguns dias antes da Transfiguração, quando estavam em oração, Jesus fez aos discípulos uma pergunta crucial: «Quem dizeis vós que eu sou? Pedro respondeu: Tu és Cristo, (quer dizer o Messias), o Filho de Deus. E Jesus acrescentou: Sim, Mas não como esperam, a glória sim, mas não à maneira dos homens. «O filho do homem tem de sofrer muito, será rejeitado …morto, mas três dias depois ressuscitará. Cerca de oito dias depois, Jesus sobe ao monte levando consigo os privilegiados Pedro, Tiago e João. De novo quer orar com eles, e é enquanto rezam que Deus revela o mistério do Messias. Agora já não são as multidões que dizem quem ele é, nem sequer os discípulos, é o próprio Deus que responde sobre a identidade do Messias e nos dá a contemplar o mistério de Cristo: «Este é o meu Filho, o meu eleito, escutai-O.» Este monte da transfiguração faz-nos pensar no Sinai; e Lucas escolhe bem o seu vocabulário para nos fazer evocar o contexto da revelação de Deus no monte Sinai: O monte, a nuvem, a glória, a voz tonitruante, as tendas…E assim compreendemos melhor a presença de Moisés e Elias ao lado de Jesus. Sabemos que Moisés passou quarenta dias no Sinai na presença de Deus e quando voltou o seu rosto resplandecia de tal maneira que todos ficaram espantados. Também Elias caminhou quarenta dias e quarenta noites no deserto até chegar ao mesmo monte Sinai ou Horeb que é o mesmo. E foi aí que Deus se revelou a ele de forma inesperada: não no ruído do vento, nem da grandeza do fogo, nem nos tremores de terra, mas no doce murmúrio de uma brisa ligeira. Assim as duas personagens do Antigo Testamento que tiveram o privilégio da revelação da glória de Deus no cimo do Monte estão igualmente presentes na altura da manifestação da glória de Cristo. E Lucas diz-nos o conteúdo da sua conversa. Falavam da morte de Jesus que se ia consumar em Jerusalém. Pela sua morte e ressurreição ele receberá um corpo gloriosos mas nós, participando também da sua morte e assumindo a cruz da vida unidos a Ele, participaremos da mesma glória de ressuscitados. E isso já começou em nós, no batismo. A nossa transfiguração já está a acontecer na medida em que nos unimos a Ele participando nos seus sofrimentos. E a segunda leitura, da carta aos Filipenses, resume bem isto: A nossa pátria está nos Céus, donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo miserável, para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso. (…) Entretanto o Espírito vai trabalhando em nós na medida em que O acolhemos, pois “nós todos que, com o rosto descoberto, refletimos a glória do Senhor, somos transfigurados na sua própria imagem, de glória em glória, pelo Senhor que é Espírito”. “Portanto, meus amados e queridos irmãos, minha alegria e minha coroa, permanecei firmes no Senhor”. Continuemos firmemente a nossa quaresma pois sabemos a meta para onde caminhamos: Bendito seja Deus pela esperança a que fomos chamados.

«Oração
Senhor, o teu rosto é sempre luminoso. Nele encontramos sempre aquele brilho que falta à nossa vida, tantas vezes sombria, opaca pelo pecado, pelas dificuldades do nosso peregrinar. Em cada jornada convidas-nos a subir ao monte, para nos transfigurares na tua luz, numa Páscoa contínua, que sempre nos revela a Tua e a nossa identidade. Quantas vezes a Eucaristia e a oração são para nós a oportunidade para subrimos ao monte da Transfiguração! E tantas vezes saímos de rosto sombrio porque fechámos os olhos à eterna novidade que és Tu, porque não Te escutamos. Tantas vezes não queremos assumir a consequência de sermos iluminados por Ti, porque não queremos descer, porque é mais confortável estar na comtemplação do Teu rosto do que contemplar o rosto do irmão a mesma Luz divina, que é transfiguração na dor e no sofrimento. Dá-nos, Senhor, disponibilidade para subir ao monte e coragem para descermos. Dá-nos a virtude da contemplação e a determinação da ação, para sermos portadores da Tua Luz nas sombras do mundo.»

Lectio Divina 3 – Ev. da Transfiguração – Jesus Cristo, revelador do Mistério de Deus

Quem por qualquer motivo não puder ou quiser juntar-se a um grupo, poderá fazer a Lectio de preparação da Visita Pastoral a partir do Youtube:

Descarregue a brochura: 120 – LECTIO DIVINA 2

Como deverá ser do conhecimento de todos, esteve na passada quarta-feira, no salão da Igreja de S. José, o Sr Bispo a lançar a Lectio Divina como forma de preparação da visita pastoral que se iniciará no dia de S. José, 19 de Março. Esta leitura orante da Palavra de Deus decorrerá em pequenos grupos, na sua maioria já existentes. Para todos aqueles que não pertencem ainda a nenhum grupo no qual este percurso seja feito, são convidados a encontrarem-se no salão de S. José na próxima quinta feira, dia 14, pelas 21h15 com vista à formação de mais grupos para a Lectio Divina. Para quem não pôde por algum motivo estar neste encontro com o Sr Bispo, pode visualizar o vídeo em http://w.pt351.com/11484

Entretanto, quem por qualquer motivo não puder ou quiser juntar-se a um grupo, poderá fazer a Lectio a partir do Youtube: https://youtu.be/ryPRdOmhhQE