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Folha Paroquial nº 47 *Ano I* 14.10.2018 — DOMINGO XXVIII

«Enchei-nos da vossa misericórdia: será ela a nossa alegria.»

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«Naquele tempo, ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d’Ele e perguntou-Lhe: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?». Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. Tu sabes os mandamentos: ‘Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe’». O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude». Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». Ouvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!» Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?». Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível».»

Hoje as leituras, particularmente o evangelho, tratam uma questão difícil para muita gente; a do dinheiro e do perigo que ele pode ser como usurpador do nosso coração. Nem sempre a conversão a Jesus leva o convertido a ser capaz de se tornar generoso como Zaqueu que depois que Jesus entrou em sua casa e disse: «Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e àqueles a quem roubei vou dar quatro vezes mais». Tenho visto pessoas com vida cristã bem regular e com posses acima da média, mas quando se trata em dar dinheiro, têm uma dificuldade enorme e até o reconhecem. O rico do evangelho de hoje, era boa pessoa e Jesus sentiu simpatia por ele mas estava apegado ao dinheiro. Jesus conclui que o apego às riquezas ou ao dinheiro é um dos maiores obstáculos ao seu seguimento e a entrar no Reino de Deus.
Jesus ou dinheiro? Quem será o Senhor? Em Lucas 16,13 quando Jesus afirma: «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro», usa palavras de relação como “ódio” e “amor”. A questão essencial colocada por Jesus é a seguinte: Com quem queremos ter relação, com Deus ou com o dinheiro?
Na Bíblia encontramos uma série de ensinamentos acerca de como lidar com o dinheiro. Ter dinheiro não é uma coisa má, mas precisamos de pedir a graça e ajuda de Deus para garantir que ele não se transforme no nosso guia pois a carta a Timóteo diz que «o amor ao dinheiro é a raíz de todos os males». As parábolas e discursos sobre o dinheiro no Novo Testamento são muitos. No entanto, hoje na igreja, fala-se pouco disso porque os cristãos, sobretudo os católicos, sentem-se incomodados com o tema como se fosse tabú. E se algum padre o faz dizem: «está sempre a falar em dinheiro», o que revela bem o incómodo.
Para completar esta reflexão cito Ken Costa, cristão leigo, quadro da bolsa da city de Londres, do seu livro, God at work:.
“A melhor forma de nos exercitarmos na liberdade em relação ao dinheiro é a dádiva alegre e feliz.
Damos por várias razões:
Primeiro, porque o Senhor nos manda ser agradecidos pelos bens e dádivas materiais e espirituais que Ele nos dá
Segundo, damos porque dar é uma bênção. Dar regularmente de uma forma generosa é um dos modos que temos de demonstrar que confiamos em Deus. O dinheiro pode tornar-se um obstáculo ou um aceso às bênçãos de Deus (materiais e espirituais)
Jesus disse: “Há mais alegria em dar do que em receber” ( Act 20,35). Por isso dar deve ser uma das grandes alegrias do discípulo de Jesus. Ele nunca deve dar receoso ou triste porque como também diz a Bíblia, «Deus ama quem dá com alegria.» Quando somos generosos a resposta de Jesus é esta: «Ponham-me à prova e vereis se não vos abro o reservatório do céu e não espalho em vosso favor a bênção em abundância (Malaquias 3,10)
Como se deve dar?
1.Liberdade: Sempre que damos lançamos um desafio às forças do dinheiro dizendo realmente: «Não tens poder sobre mim» Dar é o antídoto do materialismo.
2.Investimento: Dar é uma parte do processo pelo qual nos tornamos mais semelhantes a Cristo. Dar é a nossa forma de semear e os frutos são a nossa justiça (2 Cor 9,10).
3.Como um hábito: Há sempre boas razões para adiar e pôr de lado por isso o importante é começar a dar. Mesmo que se comece por pouco, começa-se e o hábito crescerá porque vamos descobrindo quanto nos faz bem. Jesus disse: «Dai e dar-se- vos- á. A medida que usardes com os outros será usada convosco” (Lc 6,38).
A quem se deve dar? Há muitas pessoas não cristãs que dão para obras sociais e humanitárias e os cristãos estão também entre os primeiros a dar para tudo isto, mas só os cristãos dão para a Igreja. Investir na igreja é uma forma de investir na vida espiritual futura das nações. É importante, porém, construir uma relação com a instituição para quem se dá. Assim podemos saber como o dinheiro está a ser usado e garantir-nos que está a ser bem administrado.

Folha Paroquial nº 46 *Ano I* 07.10.2018 — DOMINGO XXVII

«O Senhor nos abençoe em toda a nossa vida»

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Folha Paroquial nº 45 *Ano I* 30.09.2018 — DOMINGO XXVI

«Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco»

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«Naquele tempo, João disse a Jesus: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco». Jesus respondeu: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós. Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa. Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que crêem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós movidas por um jumento e o lançassem ao mar. Se a tua mão é para ti ocasião de escândalo, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do que ter as duas mãos e ir para a Geena, para esse fogo que não se apaga. E se o teu pé é para ti ocasião de escândalo, corta-o; porque é melhor entrar coxo na vida do que ter os dois pés e ser lançado na Geena. E se um dos teus olhos é para ti ocasião de escândalo, deita-o fora; porque é melhor entrar no reino de Deus só com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena, onde o verme não morre e o fogo nunca se apaga».»

A crise do pastor Moisés
Situemos este texto. O povo já está farto do Maná que é uma comida monótona e sente saudades das cebolas do Egipto: É daqui que vem o desânimo de Moisés; quando viu o povo pobre e mal agradecido, com boca de fidalgo, é tentado a deixar cair tudo por terra. E desejou morrer. «Moisés ouviu o povo que chorava, agrupado por clãs, cada um à entrada da sua tenda. O Senhor inflamou-se de uma cólera ardente e Moisés desorientou-se. …Porque colocas sobre mim o fardo de todo este povo? Fui eu que concebi todo este povo? Fui eu que o trouxe ao mundo? Queres que eu leve este povo no meu coração, como uma mãe leva ao colo o seu bébé? Onde encontrarei eu carne para toda esta gente? Já não posso mais, sozinho, conduzir todo este povo, é demasiado pesado para mim….dá-me antes a morte…(Núm 11,10-15)
E a resposta de Deus a Moisés é dupla: por um lado manda-o escolher uma lista de 70 colaboradores, para ser ajudado com um senado e, por outro, promete-lhe carne para todo o povo. Depois da escolha dos 70 homens, Moisés condu-los à tenda onde estava a arca da Aliança e aí Deus transmite a estes homens o Espírito que estava n’Ele, isto é, a graça de governo, associado a Moisés. O governo pastoral não é só uma questão de competências humanas, que também são precisas, e por isso Deus dá orientações a Moisés sobre quem ele deve escolher; mas é, em primeiro lugar, um deixar-se habitar pelo Espírito de Deus, aprender a depender d’Ele e a obedecer-Lhe. Hoje há leigos na Igreja que têm competências em várias matérias muito superiores às do pastor, seja ele padre ou bispo. Por isso, estes devem pedir a sua ajuda e aprender na humildade a escutá-los e a confiar-lhes responsabilidades na Igreja, sem que isso diminua o seu papel de ministro ordenado. Dá-me grande alegria nas reuniões do Conselho Pastoral Diocesano, órgão que aconselha o bispo a nível pastoral, ver a riqueza de um laicado competente e cheio de amor à Igreja que discute serenamente os temas levados à discussão e dão ao bispo a sua opinião avalizada sobre as questões. O mesmo se passa em muitos conselhos pastorais paroquiais como é o caso do de S. José que esteve reunido todo o sábado passado a debater o plano pastoral da paróquia e o de S. João Baptista que reuniu há um mês atrás.
Cientes desta riqueza dos membros do povo de Deus e sabendo que muitos sacerdotes estão esgotados, como Moisés, é pena não serem mais aproveitados para a liderança partilhada nas paróquias. Por isso a 5 e 6 de Outubro nas Jornadas de Pastoral, foram convidados muitos leigos para aprofundarem a sua forma de exercer melhor a liderança partilhada. Não está em causa substituir o Moisés (o padre) que é o ministro ordenado, mas juntos, em comunhão, cada um segundo o seu carisma, realizarem a Missão para bem do povo de Deus. Mas há um lado humano que o líder que delega responsabilidades tem de aceitar humildemente: deixar de controlar tudo. E esse é o problema que Moisés e Jesus aceitaram com facilidade, pois não queriam controlar tudo, mas que Josué e João no evangelho quiseram bloquear. Josué diz a Moisés: «Moisés, proíbe-o.» Mas este, ao contrário, continua fiel aos 70 que escolheu. Ele sabia bem que aceitando rodear-se de 70 co-responsáveis com ele, escolhia deixar de controlar tudo e alegra-se com isso dando uma resposta admirável: estás com ciúmes por minha causa? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e todos fossem cheios do Espírito. Um desejo que fica a aguardar até ao Pentecostes. Hoje já não é só alguns que recebem o Espírito para certas missões e em ocasiões especiais. Deus deseja que todo o povo do Senhor viva sempre cheio do Espírito Santo.
Feliz a comunidade onde pastores e povo vivem habitados pelo Espírito e isso se vê pelos seus frutos: alegria, comunhão, caridade, serviço, evangelização, paz .
Peçamos a Deus para que as nossas comunidades paroquiais sejam cheias do Espírito Santo abertas aos diversos carismas que este distribui para crescimento da Igreja.

Folha Paroquial nº 44 *Ano I* 23.09.2018 — DOMINGO XXV

“O Senhor sustenta a minha vida.”

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«Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia. Jesus não queria que ninguém o soubesse, porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?». Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».»

Jesus continua a formar os seus discípulos, os de ontem e os de hoje, sobre como deve ser o pensamento e a ação dos que quiserem herdar o reino que Ele veio inaugurar. A Nicodemos e em tantas outras circunstâncias Jesus disse: « É preciso nascer de novo! Se não converterdes a vossa maneira de pensar e de agir não podeis ser meus discípulos e entrar no reino. Ouvimo-lo dizer a Pedro no Domingo passado: -«passa para trás de mim, Satanás, porque não tens em ti os pensamentos de Deus mas os dos homens.» Depois ensina-lhes que para O seguir é preciso renunciar a si mesmo, pegar na cruz e aprender a dar a vida para a receber em plenitude. No evangelho de hoje, Jesus continua o seu ensino sobre o mesmo tema, mas S. Marcos diz-nos que os discípulos nem entendiam aquelas palavras, ou então intuíam-mas tinham receio de que o que eles pensavam que Ele queria dizer era mesmo isso. E Jesus voltava a falar da sua entrega nas mãos dos homens que o haviam de matar mas que ressuscitaria ao terceiro dia. O mais espantoso que manifesta até que ponto os discípulos estavam noutra onda, é que, enquanto Ele lhes falava de humilhação e morte, eles discutiam, à socapa, entre eles, sobre qual deles seria o maior quando Jesus instaurasse o Reino como eles o imaginavam. Se Jesus não fosse o Mestre cheio de amor e paciência, teria desistido dos seus discípulos. Mas isso dá-me tanta esperança! Se Ele não desistiu daqueles doze que eram tão caturras, talvez eu possa ter confiança que também terá paciência com a minha lentidão a converter-me ao seu pensamento e a viver como Ele deseja. «Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos».
O desejo de grandeza e de prestígio, «a glória de mandar e a vã cobiça”, segundo as palavras do velho do Restelo, estão tão enraizadas no coração do homem velho, marcado pelo pecado, que é como o alcarracho que até a monda química tem dificuldade em destruir. Basta ver o que fizemos com a palavra ministro que vem do latim da palavra minus minor, o mais pequeno, o menor, como Jesus disse hoje: Quem quiser ser grande faça-se o ministro de todos, o mais pequeno. Mas hoje na vida civil e eclesiástica, o ministro é o maior. Mesmo aqueles que receberam ministérios laicais na igreja não conseguem fugir a esta tentação permanente de tirarmos proveito do cargo a que fomos chamados a servir os outros. É necessária uma vigilância contínua do nosso coração para não escorregarmos no plano inclinado de nos elevarmos sobranceiramente com aquilo que nos deveria fazer ainda mais humildes.
Na Basílica de S. Pedro no Vaticano está escrito a letras imensas: «Servus servorum Dei» É um dos títulos do papa, aliás belo: Servo dos servos de Deus. Os papas que mandaram construir a basílica eram tudo menos servos dos servos de Deus. Foi preciso esperar muitos anos para que os últimos papas a partir de João XXIII começassem a tentar levar mais a sério o evangelho do serviço e da humildade.
A segunda leitura, tirada da carta de S. Tiago, previne-nos contra as paixões que lutam nos nossos membros; Diz ele que essas paixões são a causa de muitos dos nossas males, desordens, invejas, divisões e guerras. Ele afirma mesmo que pedimos a Deus coisas que não obtemos porque pedimos mal levados apenas pelos nossos interesses egoístas e pelas nossas paixões.
S. Paulo no capítulo 12 da carta aos Romanos diz: “Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade” para viverdes segundo a vontade de Deus. De facto o mundo e a sua forma de viver exerce sobre nós um poderoso atrativo e é muito mais fácil deixarmo-nos moldar por ele do que pelos ensino de Jesus e a vontade de Deus. Mas só seremos sal da terra e luz do mundo se nos dispusermos a seguir Jesus na nossa forma de pensar e de atuar.

Folha Paroquial nº 43 *Ano I* 16.09.2018 — DOMINGO XXIV

“Caminharei na terra dos vivos, na presença do Senhor.”

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«Naquele tempo, Jesus partiu com os seus discípulos para as povoações de Cesareia de Filipe. No caminho, fez-lhes esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?». Eles responderam: «Uns dizem João Baptista; outros, Elias; e outros, um dos profetas». Jesus então perguntou-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «Tu és o Messias». Ordenou-lhes então severamente que não falassem d’Ele a ninguém. Depois, começou a ensinar-lhes que o Filho do homem tinha de sofrer muito, de ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas; de ser morto e ressuscitar três dias depois. E Jesus dizia-lhes claramente estas coisas. Então, Pedro tomou-O à parte e começou a contestá-l’O. Mas Jesus, voltando-Se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens». E, chamando a multidão com os seus discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».»

Hoje as leituras e, de modo especial o evangelho, apontam-nos o caminho de fé do discípulo, que é progressivo e fruto de uma relação para levar ao conhecimento de Jesus que não é intelectual mas relacional. Só conhecemos bem aqueles que amamos. Estamos no meio do evangelho de Marcos. Este evangelista construiu o seu evangelho à volta da descoberta progressiva da identidade de Jesus. Começa por dizer que Ele é o Filho de Deus, a meio coloca a afirmação de Pedro escutada hoje: “Tu és o Messias” e termina com a afirmação do centurião junto à cruz; «Este homem era realmente o filho de Deus. A resposta de Pedro sobre a identidade de Jesus parece corretíssima mas, mais à frente, vemos que afinal Pedro tem ainda um longo caminho a percorrer até que a expressão: “Tu és o Messias “ tivesse o mesmo significado que tinha para Jesus. Para Pedro, “O Messias” era Aquele que vinha com a força e o poder de Deus libertar o povo de Israel dos seus dominadores, os romanos, e fazer da sua nação a primeira entre todos os povos. Ele estava a segui-lo para ter um lugar ao sol ao pé do «Rei de Israel». Mas Jesus sabe que não é Aquele Messias esperado por Pedro e por isso “começou a ensinar-lhes que o Filho do homem tinha de sofrer muito, de ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas; de ser morto e ressuscitar três dias depois. E Jesus dizia-lhes claramente estas coisas.” Isso para Pedro é inconcebível e tenta meter na cabeça de Jesus «bom senso». Chama-o de parte para o contestar. Mas Jesus tem uma expressão firme que na nossa tradução em português perde muito: No original grego Jesus diz a Pedro: «Passa para trás de mim, Satanás porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens». “Passa para trás de mim”, quer dizer: «Faz-te meu discípulo, deixa que seja eu a indicar-te o caminho de como ser Messias-Salvador, da forma como o Pai o pensou. Não sejas o continuador da voz de Satanás no deserto. Os teus pensamentos não são segundo Deus e o seu Espírito, mas segundo os homens inclinados a seguir os seus instintos mais fáceis. No pensamento dos homens a vida é boa quando se tem poder, prestígio, dinheiro, honra, reconhecimento social: Eu porém digo-vos: Se alguém quiser seguir-Me dando plenitude à sua vida, seja capaz de a dar, pois aquele que a dá, recebe-a com um sentido novo, experimentará a salvação no âmago da sua própria vida, mas quem teimar em fechar-se na sua vidinha confortável, egoísta, superficial, esse perde-a. Pedro vai aprender a andar nos passos de Jesus, mas vai levar tempo. Depois das lágrimas da sua negação por três vezes, e depois de Jesus ter ressuscitado dos mortos, Jesus vai-lhe perguntar junto ao lago de Tiberíades, (onde está hoje a igreja do primado, lembram-se?). Pedro, tu amas-me? E o pobre do Pedro nem é capaz de responder com o mesmo verbo, mas responde: “Senhor tu sabes que eu sou deveras teu amigo.” Ele agora já sabe que o seu amor é pobre e fraco, mas verdadeiro e sincero; está pronto para ser pastor das ovelhas porque aprendeu a ser discípulo. Está pronto para dar tudo pelo Mestre que o salvou e n’Ele confiou. Que grande caminho de discípulo ele fez! Um caminho lento e progressivo, como o de todo o discípulo. No princípio é feito de entusiasmo exterior, de sentimentos e emoções ainda superficiais que podem desaparecer com as primeiras dificuldades, mas é passando pela tentação, pelo sofrimento aceite e entregue por amor, que a fé do discípulo vai amadurecendo, tornando-se mais profunda, mais verdadeira, mais iluminadora, capaz de ir até à dádiva da própria vida. Pedro vai ir até ao fim, dando a sua vida à imagem do Mestre. As lutas e as tentações de Pedro, e até as suas quedas, ajudam-nos a perceber o caminho do discípulo rumo à maturidade da fé, cuja meta é a estatura de Cristo na sua plenitude.

Folha Paroquial – Domingo XXIII do Tempo Comum- 09-09-2018

“Ó minha alma, louva o Senhor.”

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«Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais. Aí está o vosso Deus; vem para fazer justiça e dar a recompensa; Ele próprio vem salvar-nos». Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície; a terra seca transformar-se-á em lago e a terra árida em nascentes de água.»

Faz que os surdos ouçam
No início da fé cristã está um encontro com Jesus. Por isso, só há fé cristã se houver encontro pessoal do crente com Jesus de Nazaré, morto e ressuscitado. Hoje esse encontro acontece pela ação do Espírito que nos revela o «rosto» de Jesus e nos leva a abrir-nos à sua graça. A categoria de encontro faz parte essencial da fé cristã. O P. Nuno Santos, que publicou a sua tese de doutoramento sobre a esperança, analisa, demoradamente, 18 encontros que Jesus teve nos evangelhos com pessoas diferentes mostrando como cada encontro termina em alegria, júbilo, transformação da vida que ganha uma esperança e um rumo novo.
Hoje o evangelho apresenta-nos mais um desses encontros com Jesus, desta vez com um surdo-mudo. Este encontro segue-se depois da discussão com os judeus acerca das regras da pureza, como escutámos no evangelho de Domingo passado. Jesus partiu para território pagão, na Decápole, uma confederação de dez cidades mais de cultura grega e não judaica. É aqui que se dá o encontro com o surdo. Hoje já não se diz surdo-mudo, pois a mudez é uma consequência natural da surdez. De qualquer forma trata-se de uma enfermidade dupla.
Levam-lhe então o surdo e pedem-lhe para impor as mãos sobre ele. Jesus faz então alguns gestos que nunca tinha feito até agora. Conduz o enfermo à parte, longe da multidão e faz gestos sobre ele que os curandeiros faziam habitualmente; «meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua.» Não muda os gestos, mas dá-lhes um sentido novo: «Erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: «Efatá», que quer dizer «Abre-te». O gesto de erguer os olhos ao céu não deixa nenhuma ambiguidade: Jesus só cura graças ao poder que lhe vem do Pai» Quanto ao suspiro, pelo vocabulário em grego, trata-se mais de um gemido: é a mesma palavra empregue nos Actos dos Apóstolos por Estevão no seu discurso para descrever o sofrimento do povo de Israel escravo no Egipto. Paulo emprega a mesma palavra para falar da impaciência da criação cativa na esperança da libertação: «Toda a criação geme e sofre as dores da maternidade esperando a libertação( Rom8, 22) e é empregue várias outras vezes sempre no mesmo contexto de sofrimento que espera ser libertado. Jesus lança o gemido como quem vive a impaciência pela libertação do sofrimento em que aquele surdo tem vivido por não poder ouvir nem falar. E eis o surdo curado: “Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar corretamente”. A resposta do povo, (não esqueçamos que se trata de pagãos) é uma proclamação das maravilhas de Deus: “Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem”. E com esta frase nos reenvia à 1ª leitura do profeta Isaías que anuncia a era da felicidade para os dias da vinda do Messias: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria.” As promessas messiânicas são então para todos, judeus e pagãos. E curiosamente, são os pagãos quem melhor decifra os sinais. Eles «proclamam», diz-nos Marcos. E a palavra não foi escolhida ao acaso. Proclamar aparece sempre como o anúncio de algo novo que Deus fez: “É a ordem de Jesus aos seus apóstolos depois da sua ressurreição. «Ide pelo mundo inteiro e proclamai a Boa Nova».
Jesus diz ao surdo : Effata, quer dizer : Abre-te. Na celebração do batismo dos adultos, o sacerdote lê sempre esta passagem do evangelho de Marcos, depois toca os ouvidos e os lábios do batizado dizendo: « Effatha», quer dizer: “Abre-te, para proclamares, pelo louvor e pela glória de Deus, a fé que Ele vos transmitiu”. Parece-nos ouvir aqui a oração do salmo: «Senhor abri os meus lábios e a minha boca anunciará o vosso louvor.»
A cura do surdo- mudo tem um alto valor simbólico no Novo Testamento. O discípulo é aquele que ouve a palavra de Deus e deixando-se transformar por ela, proclama o que Deus fez por Ele num louvor incessante. A sua boca abre-se para falar d’Ele porque o seu coração está cheio do fruto do encontro misericordioso com Ele. Como escreveu o papa Francisco, «a alegria do evangelho enche o coração e a vida d’aquele que se encontrou com Cristo.»
Quando na celebração vemos as pessoas que não abrem a boca para cantar nem para responder às orações, quando poucas vezes, ou nunca, falamos do Senhor e proclamamos o seu louvor, não estaremos surdos- mudos? Precisamos do encontro com Jesus que cura os surdos e abre os lábios e a minha boca anunciará o vosso louvor.
Que Jesus cure as nossas comunidades da surdez e da mudez, para que sejam comunidades missionárias prontas para escutar a Deus e proclamar as suas maravilhas.
Cura os surdos e os mudos ao ponto de não poderem calar o que viram e ouviram.

Horários da Catequese 2018/2019

1º Ano – 5ª Feira – 18.30
2º Ano – Sábado- 14.15
3º Ano – 3ª Feira – 18.30
4º Ano – 5ª Feira – 18.30
5º Ano – 2ª Feira – 18.30
6º Ano – 3ª Feira – 18.30
7º Ano – 4ª Feira – 18.30
8º Ano – Sábado – 16.00
9º Ano – 6ª Feira – 18.30
10º Ano – 6ª Feira – 18.30

NB: Do 1º ao 6 ano a catequese, na paróquia, é quinzenal.

Experimenta Alpha – 21 Set 2018 – Jantar de Apresentação

Percurso Alpha: Quem sou eu? De onde é que eu venho? Para onde é que eu vou? Qual o motivo da minha existência? Já sei que fui criado para ser feliz, mas o que é que eu faço com o sofrimento quando ele aparece?

Meto a cabeça na areia? Ponho a minha fé na ciência, na tecnologia e nos mercados? É difícil tentar construir algo de sólido na vida ― começando pela própria felicidade ― sem tentar dar uma resposta minimamente satisfatória a estas perguntas nada científicas.

O Curso Alpha é um lugar onde todas as questões são bem-vindas. Pouco a pouco, a resposta vai surgindo dentro de nós e as coisas ganham sentido.

Dá uma oportunidade a ti mesmo. Não sejas escravo do tempo e usa-o bem.

Experimenta Alpha! Jantar de apresentação dia 21 de Setembro.

Jantar de angariação de fundos – 28 Set

À semelhança do ano anterior, está a ser organizado um jantar de angariação de fundos para o dia 28 de setembro, que será na quinta D. Luís, em Pereira do Campo. O preço será 35€. É um jantar mesmo para ser de angariação de fundos.
Convide amigos a ajudar a construção da Igreja, indo ao jantar. E se conseguir juntar 6 amigos adquira meia mesa, onde ficarão todos juntos. Mas se conseguir arranjar mais 11 amigos ficará com uma mesa inteira por sua conta. O ideal seria que houvesse várias pessoas a ficarem com uma mesa. Os que não conseguirem arranjar amigos para irem, mas que querem inscrever-se, inscrevem-se junto de outras pessoas, no cartório ou em https://goo.gl/forms/RIfekywOdT97hO3k2

Início percurso Ela&Ele – 19 Jan 2019

Com base na pedagogia dos Percursos Alpha, o percurso “Ela & Ele” visa ajudar os casais a “construir uma relação duradoura”.

Em poucas palavras, trata-se de um percurso em “oito jantares românticos”, em que cada casal começa uma refeição a dois à luz das velas, passando depois por uma apresentação temática intervalada por tempos de diálogo em casal, porque não há discussões em grupo. No final de cada sessão, são propostos exercícios em casal para casa.

Embora seja um percurso promovido pela equipa de pastoral familiar da Paróquia de S. João Baptista, o tema da religião não é propriamente abordado, pelo que é aberto a casais não cristãos.

O preço por casal e por sessão é de 12€ e há serviço de babysitting.

Tem início a 13 de janeiro (2018) um novo percurso para casais «Ela e Ele: como construir uma relação duradoura».

Composto por 8 sessões, dedicadas a temas como a comunicação, a resolução de conflitos, o perdão, a família alargada ou a sexualidade, pretende ajudar qualquer casal que deseje construir uma relação sólida e duradoura, mesmo que não estejam casados católica ou civilmente.

Proporcionando a possibilidade de passar algum tempo juntos e refletir em casal, o PERCURSO ELA E ELE destina-se a qualquer casal que queira trabalhar a sua relação de casal investindo nela, seja para reforçar um casamento sólido, seja para ultrapassar dificuldades do casamento.

Cada sessão começa por uma refeição a dois. Um jantar à luz das velas permite passar tempo juntos em casal. Em cada sessão é apresentada uma exposição por um casal (com o apoio de vídeos, powerpoint, etc.). A exposição é interrompida para fazer exercícios em casal, acompanhados por café, chá e bolos. No final de cada sessão são propostos exercícios em casal para casa.

A intimidade do casal é sempre respeitada. Não há discussões de grupo nem necessidade de dar a conhecer as discussões do casal a qualquer outro.

Esta nova edição vai realizar-se no Instituto Universitário Justiça e Paz (Couraça de Lisboa, nº30 – Coimbra). As sessões decorrem ao sábado à noite, a partir das 20.00 horas, nos dias 13, 20 e 27 de janeiro, 3 e 17 de fevereiro e 3, 17 e 24 de março.

Já muitas dezenas de casais experimentaram. Os seus testemunhos demonstram o quanto fazer o ELA E ELE foi importante: (…) perceber a importância de dedicar tempo ao casal e a importância de verbalizar o amor. (…) colocar-me no lugar do outro, tentar perceber o que o outro sente, pensa, quer. (…) conversar em casal sobre temas que normalmente não conversamos. (…) renovar a nossa relação de amor. (…) ter mais atenção às necessidades do meu cônjuge.

Inscreve-te e traz um casal amigo! curso.ela.e.ele@gmail.com tf 239405706  //  tm 968544141