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Folha Paroquial – Domingo I Domingo da Quaresma

“Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.”

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Se fizéssemos um inquérito perguntado qual seria o tempo litúrgico mais apreciado dos cristãos, poucos certamente responderiam: a Quaresma. Automaticamente, muitos optariam pelo Natal ou pela Páscoa. Apesar desta desafeição, ela não deixa de ser fundamental. Ela é uma espécie de medicamento: não gostamos dele mas tomamo-lo porque é bom para nós.
Este primeiro domingo da Quaresma começa com as primeiras palavras registadas de Jesus: “Cumpriu-se o tempo e está
próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”. Todos os anos esta frase ressoa nas nossas igrejas, em particular no dia da imposição das cinzas. Nesse dia, longas filas de pessoas se aproximam do sacerdote para receber as cinzas na fronte e ouvir estas primeiras palavras de Jesus. No ano seguinte, novas filas se aproximarão para executar o mesmo rito. O rito será o mesmo, as pessoas serão diferentes. Algumas já lá não estarão porque morreram ou porque, por razões de saúde, já não poderão vir mais à igreja. Para essas, o sentido da expressão: “Cumpriu-se o tempo” teve um significado novo que, se calhar, no ano anterior nem foi percebido na sua urgência. Pensamos sempre que este ano será mais um ano, mas talvez este ano seja o meu ano, o ano da urgência, o ano em que o “arrependei-vos” me é dirigido de forma radical, como uma última chamada.

Folha Paroquial – Domingo VI do Tempo Comum

“Se quiseres podes curar-me.” Jesus tocou-lhe e disse: “Quero. Fica limpo.”

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Folha Paroquial – Domingo V do Tempo Comum

Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados.

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O texto do evangelho de hoje mostra-nos um dia da atividade messiânica de Jesus. Começa, pela manhã, em casa da sogra de Pedro que está com febre e prostrada na cama. Jesus aproxima-se, – Jesus sempre se faz próximo – tomou-a pela mão, (a força do gesto) e levantou-a, como fez à menina de 12 anos que estava já morta e a quem disse: “Talitha kum, menina levanta-te.” Curada por Jesus, a sogra de Pedro pode começar a servi-los. O discípulo de Cristo serve como expressão da sua fé e do seu ser de discípulo. Quem experimentou o poder do amor de Jesus que sendo de condição divina se fez servo, obediente até à morte e morte de cruz, só pode fazer da sua vida um serviço. Jesus foi o servo da humanidade que lhe lavou os pés e que disse: “Aquele que quiser ser meu discípulo, será como o filho do Homem que não veio para ser servido mas para servir e dar a vida”. Cristão que não esteja disponível para servir com amor e humildade, pode acreditar em Jesus, mas ainda não é seu seguidor. Pelo menos falta-lhe este grande pilar do discípulo, o serviço aos outros, nomeadamente à comunidade.
“Ao cair da tarde, já depois do sol posto”- Começámos de manhã e já vamos no final do dia – trouxeram-lhe todos os doentes da cidade que ficaram reunidos junto da porta. A pobre casa de Simão nunca terá visto tanta gente, se bem que é preciso pensar que cidade era um ajuntamento relativamente pequeno, como sabemos hoje. Cafarnaum não devia ter mais de 250 pessoas.
Jesus cura os doentes que lhe trazem, ensina e expulsa os demónios. Jesus não cura só por curar, mas aproveita para ensinar, para formar, para levar à conversão. Outro pilar importante da vida do discípulo é a formação, deixar-se ensinar pela Palavra de Deus, procurar solidificar a sua fé para se enraizar em Cristo e na sua doutrina.
Entretanto vem a noite e o descanso. O texto continua: « De manhã muito cedo, levantou-se e saiu. Para onde? “ Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar”. Outro dado da atividade de Jesus. Um grande tempo do seu dia é dedicado à oração. Os evangelhos mostram-nos Jesus a rezar longamente, de manhãzinha, à tarde, ao cair do sol, pela noite dentro. Todas as horas servem para Jesus se retirar para estar a sós com o Pai. Outro pilar da vida do discípulo a dar uma importância capital é a vida de oração onde nos abrimos à graça salvadora de Deus.
Sem oração vivemos exclusivamente das nossas forças naturais e não vamos longe, mas pela oração e pela frequência dos sacramentos acolhemos em nós a vida divina, a vida do Espírito que nos fortalece, nos anima, nos cura e nos ajuda a viver as virtude teologais de fé, esperança e caridade. Mas como acontece a quem está na vida ativa, muitas vezes o orante é interrompido pelo grito dos que estão impacientes para serem ajudados. Desta vez são os discípulos que interrompem a oração de Jesus para Lhe dizerem: “Todos Te procuram.”
Como que a quererem dizer-Lhe: «Como consegues estar aqui na calma e na paz quando tanta gente clama por ti?» E a resposta de Jesus pode confundir-nos. Quando tantos O procuram, Ele diz aos discípulos: “Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas afim de pregar aí também”. Jesus não se deixa levar pelo sucesso, que é uma armadilha. Isso tinha sido a tentação do demónio no deserto à qual Jesus resistiu. As pessoas curadas, falavam d’Ele e a sua fama espalhou-se à volta e agora todos queriam vê-l’O. Mas já tinham os sinais suficientes para acreditarem n’Ele e se converterem. Jesus não é um curandeiro ou um milagreiro. Ele veio chamar os homens à conversão apresentando-lhes os sinais do Reino, mas não satisfaz a curiosidade de quem procura ver o maravilhoso. «Vamos, pois para outras aldeias para aí pregar pois foi para isso que Eu vim.»
O que Jesus procura é levar os homens à conversão da vida pelo anúncio do Evangelho, para que eles se abram a Deus e sejam salvos. Este é outro pilar da vida do discípulo, a evangelização que leva à fé.
Assim, no texto de hoje vemos Jesus que evangeliza, curando e ensinando, que reza, que serve e leva outros a servir. Que tempo damos à oração na nossa vida? Encontramos alegria e disponibilidade para o serviço com humildade e amor? Que tempo dedicamos a aprofundar a nossa fé, deixando-nos ensinar pela palavra de Deus e participando em encontros de formação espiritual e doutrinal? Vivemos o zelo pela missão que Jesus nos confiou de ir e ser testemunha d’ Ele?

Folha Paroquial – Domingo IV do Tempo Comum

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.

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A Deus é o totalmente outro, Deus invisível e inefável que ninguém jamais alguém viu ou pode ver, mas Deus é amor, e o amor não é distante, mas próximo. Por isso, Deus, querendo fazer-se entender por nós, criaturas limitadas, tinha de encontrar uma forma de comunicar connosco e de nos dar a sua palavra e se revelar. A 1ª leitura de hoje diz-nos como, a pedido do próprio povo, que temia o Mistério inefável de Deus, Lhe pediu que escolhesse profetas que lhe falassem em nome d’Ele. E foi assim durante todo o Antigo Testamento. Mas Deus queria mais. A carta aos Hebreus começa assim: «Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais pelos profetas, nestes tempos, que são os últimos, Deus falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e por quem criou o mundo.» A partir da encarnação de Jesus, Deus fez-se pessoa humana, em tudo igual a nós. Assumiu a nossa contingência e limites, fez-se carne e falou-nos de viva voz. Há um verbo que se repete muitas vezes sempre que Jesus cura alguém. É o verbo aproximar. Na cura do leproso, Jesus que devia, segundo a lei ficar ao longe para não ser contaminado pela lepra quando ouvir o leproso gritar, aproximou-se, estendeu a mão e tocou-lhe dizendo: «Quero curar-te. Fica limpo». O leproso foi tocado por Jesus, ouviu a sua voz humana e sentiu a sua compaixão.
Noutra cena, ia a passar um funeral de um jovem, filho único de sua mãe que era viúva. Jesu ficou cheio de compaixão pelas lágrimas daquela mãe. Aproximou-se, tocou no caixão e disse ao morto: «Jovem, eu te ordeno, levanta-te.» E o jovem saiu para fora vivo.
Na parábola do Bom Samaritano, enquanto se diz que o sacerdote e o levita viram e passaram ao lado, distantes, o Bom Samaritano, encheu-se de compaixão e aproximou-se, tocando-lhe.
Podíamos continuar com muitos exemplos. O que acontece com Jesus diante do sofrimento humano é: « Enche-se de compaixão, aproxima-se, toca e fala para agir e salvar.
Deus é um Deus que se aproxima, que se faz próximo, para estar connosco.
Por isso a resposta da Igreja só pode ser a mesma. Uma Igreja compassiva, que se aproxima dos homens feridos, que lhes estende a mão para os curar.
O papa Francisco dá-nos o exemplo desta proximidade. Ele costuma dizer: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças”. Ai quanto nós todos temos de ouvir ainda esta frase para a passarmos para a vida. Já tem havido grandes progressos, mas quanto falta ainda para que as pessoas nos sintam próximas delas de coração e de vida.
Esta proximidade começa pelo acolhimento a todos sem preconceitos. A Igreja deve ser mais e mais acolhedora a todas as formas de viver que as pessoas escolheram, mesmo que não seja aquela que nós achamos bem, segundo os nossos valores. Jesus entrou em casa de Zaqueu, comeu com o fariseu, entrou e casa de Mateus o publicano, enquanto os fariseus o criticavam. E ele, pacientemente, explicava porque o fazia. «Eu quero a misericórdia e não o sacrifício pois não vim chamar os justos mas os pecadores.»
Se Deus se aproximou tanto de nós, fazendo-se o nosso mais próximo ao ponto de querer ser nosso alimento, não nos afastemos nós d’Ele, mas aproximemo-nos cada vez mais “d’Aquele cuja alegria «é estar com os filhos dos homens.” Este é o lema do plano da Diocese de Coimbra: “Aproximai-vos do Senhor”. É este também o lema que escolhemos para as Conferências quaresmais que terão lugar no salão de S. José, durante as primeiras 4 quintas- feiras da quaresma.

Folha Paroquial – Domingo III do Tempo Comum

Deus quer que todos os homens se salvem

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Apesar destas palavras que vêm como título não constarem nas leituras de hoje, pareceu-me a mais adequada para resumir a primeira leitura e o Evangelho. Sim, Deus ama os homens e tem sempre a iniciativa de lhes estender a mão e os chamar à conversão.

A história de Jonas é muito bonita. É um conto cheio de beleza e de encanto sobre Deus e o amor que Ele tem por todos os homens, seja qual for a sua raça, cor, língua ou religião. O conto podia dizer-se desta forma: «Era uma vez um pequeno profeta de Israel cheio de bom senso, a quem Deus um dia diz: «Não é suficiente que procures converter o meu povo, no teu minúsculo país. Envio-te em missão a Nínive. (segundo o que indicam as ruínas arqueológicas de hoje, Nínive situava-se em Mossul, no Norte do atual Iraque).

Jonas gostava de obedecer a Deus, mas na sua visão, seria altamente insensato fazer uma coisa destas. Se ele já tinha tanta dificuldade em convencer o seu pequeno povo de Israel a converter-se a Deus e a ser fiel à Aliança, que possibilidade tinha ele de fazer o que quer que fosse por um povo enorme, inimigo figadal de Israel, sempre pronto a invadir o seu país? E para que é que se havia de esforçar para salvar um país pagão sempre pronto a invadir Israel? Antes que Deus continuasse com a sua insensatez de querer converter através de Jonas este povo pagão, ele foge e embarca para longe, até ao fim do mundo. Mas no barco levanta-se uma enorme tempestade e ele vê nisso a consequência da sua desobediência e tentativa de fuga à voz de Deus.

Como é um homem honesto confessa aos responsáveis do navio que a razão daquela tempestade é ele mesmo que foge de Deus. Crentes daquele tempo acreditam e lançam Jonas ao mar para se salvarem. Entretanto um grande peixe engole Jonas. Quentinho no ventre do peixe tem tempo para orar e se converter. O peixe cospe Jonas nas praias de Nínive e, desta vez, Jonas já não foge. Vencido, começa a pregar sem convicção chamando os Ninivitas ao arrependimento. O que Jonas desejaria é que os Ninivitas não se arrependessem para que Deus destruísse a cidade e não escapasse ninguém que seria um descanso para Israel. Mas para tristeza de Jonas, os Ninivitas ouvem a palavra, fazem penitência desde o maior ao mais pequeno e todos se arrependem.

Só Jonas parece não se arrepender. Vai ser preciso Deus dar-lhe uma lição de amor, através de um pequeno arbusto do deserto que lhe fez sombra durante o dia mas que à noite morre. Ele fica irritado com a morte do arbusto e Deus diz-lhe: “Entristeces-te com a desaparição de um arbusto que de manhã nasce e à tarde morre e eu não me deveria contristar com a destruição de um povo numeroso que habita nesta cidade e não havia de fazer tudo para o salvar? Jonas compreende finalmente que Deus é um Deus bom, compassivo e cheio de misericórdia para com todos.

Comecei por dizer que era um conto, uma história, mas que nos diz a Verdade sobre Deus e o que Ele deseja. Realmente «Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade, pois Ele «amou tanto o mundo que lhe enviou o seu Filho para que quem n’Ele crer não pereça mas tenha a Vida eterna.» Ah se cada cristão percebesse o desejo que Deus tem de chegar ao coração de cada homem, faríamos muito mais por isso.

O Evangelho apresenta-nos o início da atividade messiânica do Filho que vem para oferecer aos homens a salvação. De forma lapidar, Marcos apresenta-nos o kerigma de Jesus, isto é, aquilo que foi o conteúdo fundamental do seu anúncio; «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

A Igreja faz parte do plano de Deus para que a salvação de Jesus chegue até aos confins da terra. Sem a Igreja o Evangelho nunca sairia de Jerusalém e, mesmo aí, duraria pouco tempo.

Por isso a primeira obra messiânica de Jesus é a escolha dos discípulos a que deu o nome de Apóstolos. Eles seriam os alicerces da nova comunidade que Ele queria instituir. Por isso, Jesus deu tanta atenção à formação dos seus discípulos. E no final da sua vida, antes de partir para o céu, deixa-lhes um mandato em que lhes diz: «Ide por todo o mundo, fazei discípulos de todos os povos, batizai-os e ensinai-os a cumprir tudo quanto vos mandei». Jesus fez discípulos e disse-lhes que formassem outros, pois sem discípulos não há Igreja e não há seguidores de Jesus, de tal forma que a Missão da Igreja é evangelizar para formar discípulos que o sigam. Nós somos os discípulos que o Senhor tem hoje para enviar ao mundo como fez com Jonas. E não precisamos de ir para muito longe.

É na família, no local de trabalho, ou até nos tempos livres que somos chamados a ser «pescadores de homens». Mas é também no imenso mundo virtual das redes sociais que posso ser «pescador» para Cristo. A nossa paróquia sendo a Igreja situada neste território que lhe está confinado tem esta missão de Jonas: Ide, de rua em rua, de casa em casa, de apartamento em apartamento, anunciar que Deus os ama e que se lhe abrirem o coração experimentarão a Vida eterna. Muitos pensarão como Jonas: «Isso é uma insensatez» e tentarão fugir a esta missão, (às vezes eu também tento fugir). Vemos a missão a partir do nosso olhar e das nossas forças e não a partir do olhar de Deus e do Seu poder.

Membros do Conselho Pastoral correram muitas casas para colocar na caixa do correio dos paroquianos o desdobrável das atividades da paróquia. Mas parece-me que, no futuro, vale mais entregar menos desdobráveis, mas falar com mais gente. O que importa é o diálogo pastoral, é a partilha fraterna. Na próxima Lectio Divina da Quaresma seria possível que algumas famílias ou pessoas individuais se juntassem no mesmo prédio, ou na mesma rua fazendo grupos de oração com a Palavra de Deus?

Mas milagres acontecem quando, como Jonas, obedecemos a Deus e vamos na força do seu Espírito. Paróquia de S. José e S. João Baptista, formai-vos para a Missão, rezai pela missão e parti para a Missão, pois a isso vos envia o Senhor e é para isso que existis. Se não fazeis isso deixais de ser relevantes, pois Jesus formou-vos com este fim.

Hoje estarão à saída da igreja algumas pessoas que fazem parte da equipa do percurso Alpha dando um convite a quem o quiser aceitar. O Alpha é um método de evangelização posto á disposição das paróquias para que se tornem evangelizadores dos seus irmãos. Porque não experimentar primeiro para si, para depois convidar outros a fazê-lo? Sejamos ousados, pois Deus nos deu um Espírito de ousadia e de fé.

 

Folha Paroquial – Domingo II do Tempo Comum

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A questão posta pelos dois discípulos de João Baptista é muito pertinente nos nossos dias: «Mestre onde moras?» No fundo é a pergunta sobre onde e como encontrar Deus. Diz-nos o papa Bento XVI que, “no contexto atual, “é a questão das questões”, pois a mentalidade que se difundiu de renúncia ao transcendente demonstrou-se incapaz de compreender e preservar o humano e gerou a crise de sentido e de valores que hoje vivemos, que depois levou à crise económica e social.

“O homem que desperta dentro de si a pergunta sobre Deus, abre-se à esperança, a esperança confiável, pela qual vale a pena enfrentar o cansaço do caminho presente”. Mas a quem porão os homens de hoje a questão sobre Deus e onde o encontrar? É àqueles que O conhecem e amam. “A estrada que conduz até Ele passa, de modo concreto, através de quem já O encontrou, pelo testemunho de vida no quotidiano. Mas depois, os cristãos têm de ter um lugar de encontro, para onde possam convidar aqueles que se manifestam abertos a conhecer Jesus.

Vinde ver. Esse lugar é a própria Comunidade reunida. Ela é o lugar da presença de Deus, pois Deus habita nela como num templo. O “vinde ver”, pode ser simplesmente: -Vem à igreja comigo, e assim encontrar-te-ás com Cristo presente no meio do seu povo. Descobri-lo-ás na igreja que reza, canta e louva o seu Senhor, “o que esteve morto, mas agora vive para sempre”. Descobri-lo-ás presente na Sua Palavra proclamada na Assembleia. Descobri-lo-ás presente, como os discípulos de Emaús, no pão que é partido e distribuído por todos e acerca do qual Ele disse: «Tomai e comei, isto é o meu corpo entregue por vós». O “Vinde ver” pode ser ainda: Olha vem comigo ao encontro do Senhor que nos cura e salva, “ O “Vinde ver” pode ser ainda um convite para o curso Alpha, para conhecer o Senhor gradualmente e Lhe abrir o coração. Vinde ver como é, e depois ficas ou vais, mas «vem ver».

Sabemos o nome daqueles que aceitaram o convite de Jesus: -“Vinde ver”. Eram André, irmão de Simão Pedro, e no seguimento do Evangelho, sabemos que o outro era Natanael. Não vão mais esquecer aquele dia nem aquela hora. Era por volta das quatro horas da tarde. André, depois disto, vai ter com seu irmão Pedro e diz-lhe: «Encontrámos o Messias, vem também conhecê-lo. E levou-o a Jesus. Que grande gesto fez André pelo seu irmão! Mudou-lhe a vida para sempre. Abriu ao irmão o caminho da salvação. Por aqui se vê que não é preciso ser especialista em evangelização para levar alguém a Jesus. André tinha acabado de conhecer Jesus e já se tornara evangelizador.

Basta tê-lo encontrado, ter deixado que Ele toque a nossa vida. Então seremos capazes de dizer a outros: “Vinde ver.” É o melhor serviço que uma pessoa pode fazer a outra é levá-la a conhecer Jesus, pois trata-se de possibilitar à outra pessoa, o encontro com a Vida eterna, com a salvação.

Num jantar Alpha cerca de 30 pessoas trouxeram umas 60. Cada uma, à sua maneira, foi capaz de trazer a este percurso, um irmão, e por causa desse convite amigo, estou confiante que muitos, um dia, serão capazes de dizer a quem os convidou: «Obrigado por te teres lembrado de mim e me teres proporcionado o encontro com a Vida em plenitude.»

Às vezes recebo alguns e-mails que me dão muita alegria. Vou transcrever algumas linhas do último que recebi, depois de ter pedido autorização à pessoa. Dizia ela: “Sr padre, ainda não me conhece, apesar de o ter cumprimentado à saída da missa, mas era tanta gente que não pode decorar todos os rostos e nomes. Fui, a primeira vez, à igreja de São João Baptista, no Domingo passado, levado por uma amiga que me convidou e que sabia o que eu estava a viver. Já há muito tempo que não ia a uma igreja e deu-me muita paz. Ao contrário do que estava à espera, não me senti aborrecido e nem dei pelo tempo a passar. Era o dia dos Reis Magos e o seu sermão parecia que era diretamente para mim. O sr padre dizia que os Magos eram pessoas que procuravam a Deus, e por isso o encontraram, pois Ele deixa-se encontrar por quem o procura.

Então também eu, de certo modo, já estava a encontrá-lo ali bem perto. Agradeci à minha amiga por me ter convidado e vou começar a ir aí, habitualmente, voltando às minhas raízes cristãs. Fiquei também agradavelmente surpreso ao vê-lo cá fora a despedir-se de cada pessoa. E essa é a razão do meu e-mail: Dizer-lhe que gostei e agradecer-lhe o seu acolhimento.”AC. Feliz esta amiga que foi capaz, como André, de dizer a este senhor: «Vem Ver».

Caro(a) amigo(a) que lê estas palavras; “A quem já convidou, para ir consigo ao encontro de Jesus? Não tenha receio de convidar, de falar a outros das diversas atividades e convidar a vir consigo à missa, à oração, ao Alpha, à catequese de adultos, ou a servir os pobres. Há tantos que não vêm só porque se desabituaram e, agora, só precisam que alguém lhes reacenda a chama com um convite amigo. Seja ousado (a) em nome de Cristo e fará um grande bem aos seus amigos. Como vê, não é preciso ser santo para fazer isso, é preciso é começar já. Pois André mal conheceu Jesus, levou logo o seu irmão.

Folha Paroquial – Domingo da Epifania

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Aproximai-vos do Senhor

  1. Os magos, procuradores da Verdade

A Festa da Epifania ou da Manifestação do Senhor diz-nos que Aquele Menino que nasceu em Belém é o salvador universal. Os Magos não faziam parte do povo da Aliança e não conheciam as promessas messiânicas, mas tinham aquela «Luz do verbo que ilumina todo o homem que vem a este mundo». Cada ser humano tem em si o desejo da Verdade e, se não vive à superfície de si mesmo, procura essa Verdade. Os Magos aparecem-nos como pessoas insatisfeitas, que se interrogam, que querem saber mais, e fazem uma longa peregrinação exterior e interior à procura do Rei dos Judeus que acaba de nascer. Diz-nos o profeta Isaías: «Procurai o Senhor, pois Ele deixa-se encontrar. Buscai-O, pois Ele está perto.» (Is 55,6-9). Os Magos representam todos os buscadores de Deus ao longo da História:  Toda a sua procura se resume na única pergunta que fazem: «Onde está o Rei dos Judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos para o adorar». Não são judeus e, por isso, não têm os textos sagrados da revelação, mas Deus não os deixa sem nada, dá-lhes o sinal que eles podem entender; Não têm a Palavra mas têm um sinal que os ajuda a porem-se a caminho.

  1. As diferentes atitudes diante de Jesus

Herodes sabe bem o significado da estrela e, por isso, fica atemorizado quando os magos lhe dizem que viram a estrela no oriente e que a seguem. Fazia parte da crença judaica que uma estrela iluminaria o céu quando o Messias surgisse e, essa crença vinha do livro dos números da belíssima profecia de Balaão: «Uma estrela surge de Jacob e um cetro se ergue de Israel». Mas o texto apresenta-nos outras personagens com outras atitudes diferentes. Uma delas é Herodes, um político agarrado aos seus privilégios e poder, pronto a destruir quem quer que lhe pareça ser uma ameaça ao seu poder. A sua posição é de completa rejeição do Menino. Por motivos políticos ou ideológicos, há hoje um grande número que se fecha completamente à luz, rejeitando o Menino como Herodes. Depois, aparecem os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, que manifestam uma grande indiferença, pois, apesar de concluírem acertadamente o que diziam as escrituras de que o nascimento de Jesus seria em Belém, não mexeram uma palha para imitar os magos e irem no encalço da estrela que os levaria a Belém. Temos, portanto, três atitudes diferentes nas quais somos convidados a rever-nos. Em qual delas nos situamos? Sentimo-nos pessoas que buscam a Verdade? Que buscam Deus? Ou pessoas demasiado satisfeitas porque até já somos religiosos, mas incapazes de sacrifícios e incomodidades para nos abrirmos à novidade do reencontro com Ele?

Esta indiferença está hoje muito na moda e não só da parte dos que são pouco ou nada praticantes, mas pode acontecer a qualquer um de nós. Reparemos que os escribas e sacerdotes eram pessoas muito religiosas e sabiam tudo das profecias sobre aquele Menino que havia de nascer, mas depois deixam que o acontecimento salvador lhes passe ao lado. Para eles, é como se Ele não tivesse nascido.

  1. 3. O encontro com Jesus muda a vida dos Magos

Neste texto, os únicos que encontram o Salvador e, com Ele a plenitude da alegria, são os Magos. Quando O viram, adoraram-No, e ofereceram-lhe os seus presentes, que são um testemunho da sua fé e da sua entrega ao salvador que nasceu em Belém.

Regressaram por outro caminho porque o encontro com Jesus sempre muda o nosso horizonte, o nosso rumo e os nossos caminhos. Bento XVI escreveu: «No início do ser cristão não está uma ética ou uma doutrina, mas um acontecimento, um encontro com Cristo que dá à vida um novo horizonte e com ele um novo rumo». Os magos, encontrando Jesus, encontraram um novo horizonte de vida, um novo rumo. E eu? O rumo e horizonte da minha vida estão marcados pelo encontro com Ele, que iluminou a minha vida?

  1. E nós hoje? Como procuramos o Senhor?

A frase do Plano Pastoral da Diocese de Coimbra é «Aproximai-vos do Senhor». É um convite que nos é feito a todos, para que nos aproximemos mais d’Ele, procurando-O. As Jornadas Quaresmais, que terão lugar no salão de S. José, mas que passarão a ser para todo o arciprestado de Coimbra-Urbana, terá também este tema: «Aproximai-vos do Senhor».

A 26 de janeiro, haverá em S. João Baptista a apresentação de um novo percurso Alpha. É um percurso sobre Jesus Cristo, o Alpha e o Ómega. Quem o tem feito, e têm sido tantos na nossa Diocese, fizeram a experiência fundamental do cristianismo, que é o encontro com Cristo ressuscitado que dá à vida um novo sentido.

Aproximamo-nos d’Ele na Eucaristia e na Adoração Eucarística fora da missa, onde podemos estar a sós com Ele. Em S. José, estará entre nós, a 3 e 4 de março, um padre Francês, missionário da Santíssima Eucaristia, para nos ajudar a lançar a Adoração Eucarística permanente. Quando uma paróquia se começa a aproximar do Senhor na Adoração Eucarística, não só um pequeno grupo, mas uma multidão que, ao longo da semana, vai dando uma hora para estar a sós com Ele, algo começa a mudar na vida da paróquia. Rezemos pelas paróquias de S. José e S. João Baptista, para que sejam lugares de luz onde as pessoas vêm ao encontro do Senhor e O adoram, regressando por outro caminho.

 

Folha paroquial – Domingo da Sagrada Família

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A Sagrada Família – Jesus, Maria e José – é o modelo da família cristã. Esta, na perspetiva cristã, é uma realidade constituída por um homem e uma mulher, com os seus filhos (família nuclear) e depois estendendo-se aos avós e outros membros (a família mais alargada.) Às vezes, há quem chame a esta realidade a «família tradicional». Pessoalmente, não concordo, pois, quando chamamos a esta a «tradicional», parece que existe outro tipo de família. Ora, a família como Deus a quis e como a natureza das coisas pede é, simplesmente, a família; pai, mãe e filhos.
A família, antes de ser cristã, isto é, antes de ter uma visão crente do seu ser família, é uma realidade natural. O apelo a ser casal e a ter filhos faz parte da realidade antropológica do ser humano.
A Sagrada Escritura diz-nos que, desde a criação, Deus criou o ser humano, homem e mulher, e criou-o à sua imagem e semelhança. Assim como Deus, sendo pluralidade de pessoas é um só Deus, assim o casal humano sendo dois, é chamado à comunhão no amor e a ser um só. Sendo o casamento uma instituição natural, Cristo elevou-o à dignidade de sacramento. O cristão, mergulhado pelo batismo no mistério pascal do Senhor, na sua morte e ressurreição, é chamado a viver todas as dimensões da sua vida em união com o Senhor. Por isso, o pacto conjugal realizado pelo mútuo consentimento, dado livremente na presença do Senhor, consagra-os também àquele que é o Esposo por excelência e que os ensinará a tornarem-se cônjuges que aprendem com Cristo a amarem-se.

Folha paroquial – Domingo IV do Advento

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As três leituras convergem para nos apresentar a fidelidade de Deus que realiza uma aliança com David, assegurando a este descendente real a estabilidade do seu reino, e cumpre essa promessa firmando uma aliança com Maria fazendo dela a mãe do Messias. Na Anunciação do anjo a Maria, começa a revelar-se “o mistério que estava encoberto desde os tempos eternos, mas agora foi manifestado e dado a conhecer a todos os povos” (2ª leitura).
O Deus fiel, rocha inabalável, que cumpre sempre as suas promessas é também um Deus surpreendente. David na plenitude do seu poder real, depois da sua aclamação como rei de Judá e Israel, acolheu na parte mais alta da cidade, onde vive, a Arca da Aliança, sinal da presença divina. Mas falta-lhe realizar ainda o seu sonho de construir um templo grandioso como digna morada de Deus. Num primeiro momento o profeta Natã parece estar de acordo com o sonho de David e, por isso, deu-lhe uma resposta segundo a sua sabedoria humana. Mas durante a noite, Deus revela-se ao profeta Natã e diz-lhe outra coisa: «Vai dizer ao meu servo David: Pensas edificar um palácio para Eu habitar? (…) O Senhor anuncia que te vai fazer uma casa…
Deus é que fará a David uma casa, no sentido de descendência, prometendo-lhe estabilidade e anunciando-lhe uma descendência real e messiânica. David é que deve entrar no projeto de Deus e não o contrário.
Muitas vezes temos a pretensão orgulhosa, ainda que bem- intencionada, de fazermos coisas para Deus, mas o importante não é os serviços que fazemos para Deus mas é a escuta da Sua vontade, é entrarmos no seu projeto, no seu sonho, porque quando entramos no seu projeto as coisas avançam com grande fecundidade. O autor bíblico lembra-nos também que o projeto de Deus não é só bom para nós mas que diz sempre respeito ao bem de todo o povo, e ao futuro da humanidade. “Prepararei um lugar para o meu povo de Israel; e nele o instalarei para que habite nesse lugar, sem que jamais tenha receio e sem que os perversos tornem a oprimi-lo como outrora”. É sempre muito importante questionarmo-nos: “Senhor estou a fazer o que tu queres? A entrar no teu projeto ou a fazer a minha vontade?”
O Evangelho mostra-nos que todas as promessas feitas a David se fundem e realizam em Jesus Cristo, o Messias, pertencente à família de David e é o Filho feito homem, o novo Templo, a Casa que Deus preparou para que Deus e o homem se encontrem. Além disso, o povo de Deus, a casa de Jacob, encontra finalmente em Jesus o rei que leva a cabo o verdadeiro ideal do reino, um ideal de justiça, de paz e fraternidade. Assim, a obra de Deus, a sua fidelidade e o seu dom é o centro da narrativa evangélica. Mas o evangelista mostra-nos a atitude de Maria, como a que torna possível este dom divino com o seu sim incondicional. Ao contrário de David ela não tem sonhos de grandeza nem ocupa na sociedade um lugar de relevo que a permita ter influência nos grandes projetos humanos, mas a sua casa e o seu coração abrem-se de par em par quando o anjo entra como mensageiro divino. Maria crê firmemente na fidelidade de Deus e põe-se totalmente à sua disposição. «Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua Palavra”. Quando somos dóceis a Deus e nos deixamos usar por Ele, não importa a grandeza, o prestígio ou a influência humana que tenhamos. A História da Salvação mostra que Deus frequentemente usa os humildes e pequenos para realizar grandes coisas, porque Ele é que é o Senhor da História.
A Maria é-lhe pedido que acredite no inacreditável. Ela, Virgem, terá um filho. O anjo dá-lhe o sinal de Isabel que sendo estéril vai dar á luz. A história da salvação está cheia de nascimentos prodigiosos a partir de mulheres estéreis, pois é a história do impossível que Deus torna possível.
Maria aparece como mulher da fé porque é chamada a crer mais na promessa incrível de Deus e no poder da sua palavra do que na evidência da sua capacidade humana de realizá-la (não conheço homem).
Na véspera de natal, queria fazer ressoar a voz do anjo a Maria: Alegra-te Maria, o Senhor está contigo! Ouçamos para nós estas palavras: Alegra-te porque o Senhor está contigo. Ele é o Emanuel, Deus connosco que nos foi dado pela fidelidade de Deus e pelo sim de Maria. Bendito seja a bondade e a misericórdia de Deus.

Folha paroquial – Domingo III do Advento

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Celebramos hoje o domingo Gaudete, ou da alegria, típico do 3º Domingo do Advento. A primeira leitura e a segunda centram-se nesse convite à alegria. «Vivei sempre alegres», diz-nos Paulo. A razão dessa alegria é a proximidade do Senhor que vem para anunciar a Boa Nova aos pobres, a curar os corações atribulados e a redenção aos cativos.

Para preparar a vinda de Jesus, «apareceu um homem enviado por Deus». Acreditar que Deus continua hoje a enviar-nos testemunhas e pastores para serem testemunhas d’Ele, é algo que só é possível na fé. Quando o Bispo vai em visita pastoral a uma paróquia, há uma preparação dessa mesma paróquia para viver, na fé, aquela visita. Se assim não for corre-se o risco de as pessoas verem uma pessoa com autoridade jurídica a nível eclesial que lá vai fazer uns discursos e dar algumas orientações. Mas, quando é vivido na fé, o povo canta «Bendito o que vem em nome do Senhor», e celebra com alegria e ação de graças o amor de Deus que visita o seu povo num dos seus ministros. A fé é esta luz que permite ver  mais longe, abarcar outros horizontes  que os nossos olhos, só por si, não conseguem alcançar.

Este ano entraram novos padres para a paróquia de S. José, no seguimento do pedido de jubilação do antigo pároco e, só na fé, os crentes poderão dizer com o evangelista João: «Apareceram homens enviados por Deus» e viver isso na ação de graças e no louvor de Deus. Deus governa a sua Igreja pelos sucessores dos apóstolos, os bispos, e nós padres, acreditamos que quando o bispo nos envia para uma paróquia, ou para outro serviço pastoral, é Cristo quem nos envia, pois a nossa obediência é a Cristo que manifesta a sua vontade através da Igreja. Também o povo crente acredita que o padre que a Igreja lhe manda é enviado por Deus apesar das suas imperfeições, pois não há enviados perfeitos.

E para que é que Cristo os envia? Podemos usar as mesmas palavras de João Baptista no Evangelho de hoje: “Para darem testemunho da luz afim de que todos acreditem”. E para não haver nenhum tipo de confusão o evangelista acrescenta: “João Baptista não era a Luz. Veio para dar testemunho da Luz”. A testemunha é a pessoa mudada por aquilo que viu, pelo encontro que teve. Longe de qualquer exibicionismo ou protagonismo, a testemunha dá testemunho de um outro e conduz quem a vê ou escuta, não para si, mas à adesão daquele de quem ela dá testemunho. Quando aquele que era suposto ser testemunha centra as pessoas em si mesmo em vez de as centrar naquele de quem deveria dar testemunho, corre sérios riscos para si mesmo e para os outros. O verdadeiro testemunho é acompanhado de um justo, realista e humilde conhecimento de si. À pergunta «Quem és tu?», João responde com grande humildade «Eu não sou o Messias, não sou Elias, não sou o profeta» Eu sou apenas a voz que brada no deserto». João Baptista sabe que não é a Palavra. Jesus é que é o Verbo, a Palavra. Ele é apenas a voz e, nem se sente digno de lhe desatar a correia das sandálias. Que grande humildade a de João Baptista! Deus permita que o imitemos.

João Baptista é o modelo do evangelizador e ensina à Igreja o seu caminho e missão: O evangelizador não é Cristo, mas aponta para Ele com humildade e determinação.

E essa é a nossa alegria. Podermos levar a muitos a tornarem-se discípulos d’Ele, pois foi esse o seu mandato, «Ide e fazei discípulos».

Mãe do Emanuel,
Virgem da Esperança,
Ensina-nos a preparar-nos para acolher o  esposo que vem.
Põe nos nossos lábios, ó Maria, aquela doce melodia
Com que exultaste naquele dia
Cantando o Magnificat da alegria.
“A minha alma exulta no Senhor”.
E o meu Esprito se alegra em Deus meu Salvador.