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Folha Paroquial nº 135 *Ano III* 26.07.2020 — DOMINGO XVII DO TEMPO COMUM

Quanto amo, Senhor, a vossa lei!

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mt 13, 44-52)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isto?» Eles responderam-Lhe: «Entendemos». Disse-lhes então Jesus: «Por isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas».”

REFLEXÃO

O VERDADEIRO TESOURO QUE ENCHE DE ALEGRIA

Na parábola de Jesus, o homem que encontrou um tesouro escondido no campo ficou tão contente, que foi vender tudo o que possuía para adquirir aquele campo. Ele foi sábio, como Salomão, que podendo pedir riquezas e poder sobre os inimigos, pede o tesouro da sabedoria para bem governar o seu povo. Mas muitas vezes o nosso tesouro é mesmo o material, como era o caso do jovem rico. Não conseguiu vender o que tinha para adquirir o tesouro. Isto é tão importante para o nosso crescimento na fé que dou início a alguns ensinamentos sobre o dinheiro. Muitos padres, eu incluído, sentimo-nos pouco confortáveis a falar sobre dinheiro nas missas. Até porque basta falar uma vez, ou duas, para se ouvir dizer que “o padre está sempre a falar em dinheiro.” E não há padre que escape a este rótulo, pois todos têm de falar de dinheiro, uma vez o outra, e, se levassem a sério a formação dos cristãos, falariam mais vezes – pois Jesus foi isso que fez. Mas o desconforto é maior ainda nos fiéis e, por isso, se sentem tão mal quando ouvem falar de dinheiro na missa. É mais ou menos como se o padre estivesse a falar de uma coisa suja, má, que tem mais a ver com o demónio. Isso tem como resultado em que não vemos o dinheiro como algo que faça parte da nossa vida espiritual. Muita gente tem a vida toda compartimentada à imagem dos cartões que traz na carteira. Ora se usa um, ora se usa outro conforme o lugar onde estamos. Assim, quando vamos à missa, ou quando rezamos, estamos a cuidar da nossa vida espiritual; quando vamos todos os dias para o trabalho cuidamos da vida profissional; quando investimos dinheiro em qualquer coisa cuidamos da nossa vida financeira; quando chegamos a casa, à noite, cuidamos da vida familiar, e assim por diante. Ora uma vida assim dividida não é vida cristã. Nós devemos amar a Deus com toda a nossa vida e nada fica fora da nossa relação com Deus. Por isso, a forma como vivo a vida profissional faz parte da minha vida espiritual bem como a forma como eu lido com o dinheiro também é a minha vida espiritual. Se não, teríamos uma parte em nós luminosa, a vida espiritual, e depois as outras seriam trevas, onde Deus não entrava. Por isso é tão importante e evangélico falar do dinheiro na igreja, pois o dinheiro faz parte da nossa vida e das nossas preocupações. Lidar bem com o dinheiro é uma realidade salutar e por isso não podemos dizer: «Não, dinheiro é algo que só falo com o meu gestor de conta bancária ou planeador de finanças.» Mas a verdade é que o dinheiro tem um grande impacto na nossa vida espiritual, na nossa relação com Deus. O rico do evangelho foi para o lugar dos tormentos porque usou mal a sua riqueza e Jesus dá-nos muitos outros exemplos. Porque é que Jesus falou tantas vezes sobre o dinheiro? Pelo menos 2.300 versículos falam sobre o dinheiro na sagrada Escritura, e isto porque no caminho da formação do discípulo é um assunto muito importante que tem a ver com a nossa salvação ou condenação. Na raiz da posse do dinheiro está o controlp de nós mesmos, a questão da segurança. O ser humano tem a tendência de juntar tesouros. E fazemo-lo por causa do nosso medo do futuro e da insegurança sobre a continuidade da vida. Desde que abandonámos a segurança do paraíso original, nunca mais nos sentimos realmente seguros em parte nenhuma. Os tesouros dão-nos uma sensação de segurança.

Jesus contou uma história que ilustra isso, e deu um exemplo: “Certo homem rico possuía uma propriedade fértil que dava boas colheitas. Assim os seus celeiros ficaram a transbordar, e não podia guardar tudo lá dentro. O homem pôs-se a pensar no problema. Por fim, exclamou: ‘Já sei, vou deitar abaixo os celeiros e construir outros maiores. Assim terei espaço suficiente. Depois direi a mim mesmo: ‘Amigo, armazenaste o bastante para o futuro. Agora, repousa e come, bebe e diverte-te.’ (Lucas 12: 16-19 ). O Senhor Jesus sabe como é a nossa nossa natureza humana desde que, com o pecado original, nos afastámos de Deus. Tornámo-nos pessoas inseguras que precisam de um tesouro para se sentirem seguras. De forma misericordiosa, e reconhecendo as nossas limitações, Ele forma os seus amigos dizendo-lhes:

“Não junteis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas juntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.”

Jesus quer que os seus amigos aprendam a confiar em Deus e a saber fazer boas escolhas na sua vida. Trabalhar para ter mais dinheiro, para sustentar a sua família e dar-lhe uma vida mais digna não é mal nenhum. Também, se alguém trabalhou honestamente e produziu riqueza, não fez nenhum mal porque ter dinheiro não é mal. O que pode ser mal é deixar o nosso coração apegado ao dinheiro. Na epístola de S. Tiago é dito: «O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.» Nem sempre estas palavras foram bem lidas: Não é o dinheiro que é a raiz de todos os males, é o amor, o apego a ele que faz mal, pois faz com que o dinheiro ocupe o lugar de Deus no nosso coração. A melhor forma de exercer a liberdade perante o apego do coração é dar generosamente. Quando o fazemos estamos a construir o tesouro no céu, como disse Jesus. E é uma sensação de grande liberdade quando nos desapossamos e fazemos gestos de liberdade, generosidade e amor. Ficamos mais ricos, empobrecendo-nos um pouco. E Deus não deixa de enriquecer com os seus dons os que n’Ele confiam.

O pedido de Salomão agradou a Deus porque ele, podendo pedir riquezas e poder, pediu a sabedoria para governar bem e, depois, com ela, lhe vieram também outros bens porque Deus o abençoou com riquezas que ele não pediu. A parábola do Evangelho de hoje mostra também a sabedoria do homem que investe no tesouro escondido no campo. E ele diz que tesouro é esse, o reino. Ou seja, ele mesmo. E esse tesouro é eterno, não se destrói e ainda por cima nos dá uma alegria que não passa. Então, como usar bem o nosso dinheiro? Deixamos isso para a próxima ocasião.”

Oficinas de Oração – testemunho

Partilhamos aqui um testemunho assinado pela Rosa Coelho, da paróquia de SJBaptista, que encontrámos nas redes sociais, datado do início de Fevereiro, e onde ela falava da sua experiência nas Oficinas de Oração:

“Terminei ontem, com alguma nostalgia?, a minha Oficina de Oração!

Digo nostalgia pois, se de início me parecia difícil passar as horas da Oficina apanhando imenso frio (a igreja é fria), todas as terças feiras – e se me parecia longo ter de o fazer durante 15 semanas-, depressa me dei conta que nunca tive vontade de faltar, e que era fácil suportar o frio e as horas de Oficina, que se tornavam muito agradáveis, graças ao Espírito Santo?!

Se de início a Sagrada meia hora ( vivida em casa), me parecia que iria roubar-me muito tempo cada dia, calei esse sentimento e nunca o comentei com ninguém, e, conforme soube, fui caminhando segundo as orientações que me iam sendo dadas, e gostando cada vez mais de percorrer a Palavra do Senhor, fazendo Oração! A chamada Sagrada meia hora!

Se falhei? Claro que falhei! Sou um ser humano! Fraca, pecadora, com muito a aprender no caminho do Pai!

Mas foi extremamente positivo estar ali, na igreja de São José, cada semana, em comunhão com outros irmãos, com a Palavra do Senhor! Ele precisa de nós todos! Precisa que não tenhamos medo e vamos para a rua falar do Seu nome, das coisas maravilhosas que disse e fez… que faz hoje nas nossas vidas!

A Oração pode fazer- se de muitas maneiras… Foi muito o que aprendi… o que vivi…

E porque quero saber mais, quarta feira voltarei à igreja de São José, para recomeçar uma nova Oficina de Oração! “A messe é grande e os obreiros são poucos…,” já dizia o Pai …

Louvado seja o Senhor Nosso Deus, agora e para toda a Eternidade! Amém

E-novar20 – “Unir para Construir”

O Enovar decorreu, como fomos aqui noticiando, nos passados dias 7 e 8 de Fevereiro no Estoril e contou com intervenções de personalidades bastante conhecidas, como o nosso Cardeal Patriarca D. Manuel Clemente, o selecionador nacional Fernando Santos, o internacionalmente conhecido Pe James Mallon, a nossa paroquiana Sílvia Monteiro, entre muitos outros.

Pedimos a alguns dos nossos paroquianos que lá estiveram que nos contassem como foi, isto é, em que é que o que lá foi dito e que lá experimentaram os tocou.

Reunir para construir, mas sempre a partir do Pai

Logo no primeiro dia, numa das primeiras intervenções, James Mallon, Padre Canadiano, em jeito de quem faz a radiografia da Igreja dos nossos dias, salienta a necessidade de renovação das paróquias, depois de ter afirmado que “somos consumidores de religião” e que fazemos com a fé uma espécie de transacção. Como quem coloca o dedo na ferida, diz que nos questionamos sobre “o que é que eu preciso de fazer para ir para o céu? Qual a parte da missa a que eu posso faltar?” Conclui, enfim, que vivemos uma relação minimalista com a Igreja.

A radiografia é dura de se ouvir, porque talvez aquela “carapuça” me sirva. Por isso, e depois de o Padre James Mallon ter disparado o alarme, foi chegado o momento de eu me perguntar, efectivamente, qual é a análise que eu faço da minha vida como cristã e o que é que eu quero da Igreja. Esta reflexão merece mesmo ser feita e não pode, nem deve, ser feita “em cima do joelho”.

No segundo dia, rendi me uma vez mais às palavras do nosso seleccionador de futebol, Fernando Santos. Com o seu jeito calmo, a sua fala fácil, conversou e deixou nos de alma cheia. Ressalto três ou quatro ideias, não só porque elas me tocaram, como também porque poderão ser o mote para a reflexão que me auto propus logo depois de ter ouvido o Padre James Mallon: “que o eu desapareça e possa dar lugar a um nós”; “Eu acredito em Cristo e sigo O”; “A proposta de Jesus é simples: eu não vim alterar a lei. Eu vim dar amor à lei”. Com estas ideias colocadas em destaque, parece fácil renovarmo-nos e trabalharmos para alterar a nossa mentalidade e assim contribuir para a renovação da nossa Igreja. Fernando Santos fecha com chave de ouro: “Não podemos ficar com isto só para nós. Os Apóstolos conheciam se pela alegria que transmitiam aos outros”.

Não era bom que nos deixássemos tocar por todas estas ideia? Claro que sim, penso eu, pensamento que se reforça quando o nosso Patriarca, lúcido e sóbrio como só ele, começa por nos dizer “Igreja quer dizer convocação. Reunião. A Assembleia que acontece há dois mil anos”, mas tenhamos presente, ainda de acordo com D. Manuel Clemente, que “é preciso reunir para construir (…), mas sempre a partir do Pai”.

Alexandra Vilela
Paróquia de São José

Em vez de remar contra a maré, devemos estar atentos à onda

“Unir para construir” foi o título do Enovar 2020 que juntou pessoas de todo o país na reflexão sobre propostas para tornar ainda mais vivas as comunidades em quem estamos inseridos.

“Em vez de remar contra a maré, devemos estar atentos à onda”. Esta ideia do Pe. Jorge Santos, associada à imagem de um surfista, sintetiza muito do que se disse durante o Enovar. O desafio a dar mais espaço aos sinais que nos chamam à abertura e a sair do conforto das nossas seguranças, do que às certezas das ideias pré-concebidas que podem travar a nossa generosidade.

“Têm que deixar de estar à espera que os jovens sejam perfeitos”. O desafio foi lançado por Pascaline St. George, uma jovem francesa que tem estado envolvida no trabalho que se seguiu ao Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens. O convite a apostar nos jovens, confiando-lhes um papel ativo na vida das comunidades, mesmo com o risco de que nem tudo possa acontecer como gostaríamos, foi um dos momentos altamente interpeladores do Enovar.

“Um cristão não praticante é como um ciclista não pedalante. Não percebo isso”. A frase é de Fernando Santos, o selecionador nacional de futebol, que falou da forma como o ser cristão informa toda a sua vida. Um testemunho que fez soar bem forte o chamamento a colocar Deus no centro de qualquer âmbito da nossa vida.

Nelson Mateus

Obrigados, Conceição Guerra

Há poucos dias, o mundo pregou-nos uma partida!

O telemóvel tocou e do outro lado a notícia do falecimento da Conceição Guerra, que ainda não há pouco estava “em forma” pesem embora os constrangimentos do seu estado de saúde.
Considero-me uma pessoa de sorte por a ter conhecido, desde há muito. Tive a sua amizade, convivi com ela e, principalmente, fui sua catequizanda, na preparação para o sacramento do Crisma, já em adulta, sendo esta a vertente que sempre a desinstalou enquanto cristã que não devia viver a fé de modo solitário.

Estas lembranças guardarei para sempre, às quais junto a sua personalidade inconformada, sem papas na língua, mas centrada numa missão evangelizadora atualizada, porém, sem desvios dos dogmas da fé, cujo conhecimento sempre quis aprofundar através da formação teológica, que bem cedo procurou na Universidade Católica de Lisboa.

Não guardava para si o conhecimento e impulsionava outros a fazer caminho no aprofundamento da fé. Foi um exemplo para a sua família e para a sua comunidade.

Podemos dizer que a sua partida foi prematura, pois ainda tinha muito para dar. O vazio da sua presença ficou mas continuará a fazer parte das nossas vidas, pelas recordações e pela resiliência em continuar a catequese de adultos na paróquia, cujo início é muito da sua responsabilidade.

Mas foi ainda aquela “avó torta” que trouxe crianças à descoberta da fé, acompanhando os filhos de pais que não tinham tempo para os trazer à catequese.

Que continue iluminada pelas bênçãos de Deus.

Helena Barreiros

Oração de Cura e Misericórdia – Testemunho de cura

Desde há vários anos que a Comunidade Emanuel tem vindo a animar, na igreja de SJBaptista, na primeira quinta-feira de cada mês, aquilo a que chamava a Oração de Misericórdia.

No início deste ano pastoral entendeu-se por bem alterar o nome desta oração para “Oração de cura e misericórdia”.

A cura não é uma novidade nem na história da Igreja nem na história da paróquia de SJBaptista: ainda no verão publicámos aqui o testemunho da Célia que em julho foi curada na sequência da Unção dos Doentes durante um encontro das Células Paroquiais de Evangelização.

Alegramo-nos com o facto de o Senhor confirmar desde o início esta nova perspectiva para este serão logo desde a primeira hora:

Há cerca de 12 anos foi-me diagnosticado um quisto num ovário, com 2 cm de diâmetro. Fui seguida na consulta de ginecologia durante uns 6 anos e, como não houve evolução, foi-me dada alta da consulta com recomendação de avaliações anuais no Centro de Saúde. Há uns meses a minha Médica de Família constatou que o quisto tinha crescido e apresentava um aspecto estranho. Fui reencaminhada para o CHUC, onde, feitos mais exames, foi constatado que o tamanho mais do que tinha triplicado no último ano, tendo-me sido dito em junho passado, que teria de ser operada. Na Oração de Cura e Misericórdia, pedi ao Senhor que me curasse, não queria ser operada. Daí para a frente de vez em quando, nas minhas orações, “lembrava-Lhe” o assunto. Surpreendentemente, na consulta do passado dia 7/10, na qual deveria ser marcada data para operação, o Médico diz-me que não tenho mais quisto, tudo desapareceu!

Glória a Ti, Senhor! Louvado seja o Teu nome! Amen!

A.P.

Alpha – testemunho

Na passada sexta feira decorreu o jantar “Vinde e vede”, de apresentação do percurso Alpha na Paróquia de S. João Baptista. Estiveram presentes mais de 100 pessoas, entre os participantes que terminaram o último percurso e os convidados que vieram conhecer esta proposta. Os convidados chegaram de várias formas: muitos pelos amigos que fizeram o percurso anterior, alguns ouviram falar na igreja, outros nas redes sociais… E houve ainda os convidados da última hora, tal como mostra o seguinte testemunho.

A Gracita, que já fez o Alpha há algum tempo, ia para a reunião semanal da sua célula quando se cruzou com a Teresa, que estava bastante abatida, e apesar de estar já a decorrer o jantar, convidou-a para ir à Igreja pois ainda iria a tempo da palestra e da apresentação. Ela assim fez e como veio feliz! Assim que chegou, sem que ninguém tivesse conhecimento da sua vinda, estando fora da sua terra e sem conhecer ninguém ali, alguém da equipa lhe perguntou se não era a “Teresa de Barcelos”. Uma das participantes do último Alpha, também de Barcelos, tinha-a visto entrar e reconheceu-a apesar de não se verem há mais de 40 anos! A Teresa partilhou depois, que foi um serão que lhe encheu o coração e está já ansiosa pela próxima sexta feira.

O Senhor não cessa de nos surpreender e vem ao encontro de cada um de forma única. Desejamos e rezamos para que cada um dos convidados aceite o desafio de fazer este percurso e se deixe encontrar por Ele!

Marta Farinha Silva
(Equipa Alpha de S. João Baptista)

Células Paroquiais de Evangelização

No ano passado fui convidada a fazer o primeiro Curso Alpha na paróquia de S. José, e ao aceitar este convite foi-me dada uma nova oportunidade, um novo começo… Quando cheguei ao final do Curso, surgiu um novo convite, e como a “sede” que sentia era constante e persistente, aceitei. Mais uns passinhos dados, que me levaram novamente a um novo convite, a ida a Milão, ao 30º Congresso Internacional de Células Paroquiais de Evangelização.

Embora as expectativas fossem muito elevadas, o que vivenciei em Milão superou qualquer expetativa que levava no meu coração.

Esta experiência começou por ser surpreendente, pois, de uma forma muito inesperada e intensa, a união e o amor fraterno que começou a nascer entre os elementos da comitiva de Portugal, o Sr Padre Jorge (sempre imprevisível, curioso, atento e surpreendente) e nove leigos que mal se conheciam, alguns dos quais nem nunca se tinham visto, foi extraordinário.

Durante o congresso, os ensinamentos e partilhas levaram-nos, através do Espírito Santo, a momentos muito intensos, algumas vezes em êxtase, outras vezes em sofrimento profundo, mas sempre amparados pelo amor fraterno que nos unia, e que nos permitiu ter força e coragem para reconhecer e aceitar as nossas feridas e fraquezas que tantas vezes nos impediam e impedem de aceitar verdadeiramente a nossa missão.

O Amor do Pai tocou-nos de uma forma tão especial, que embora o elemento mais novo da comitiva tivesse 38 anos (sim, não éramos a comitiva mais jovem!!!), fomos convidados pela comitiva da Irlanda para irmos ao seu país partilhar a nossa Alegria, para que as igrejas da Irlanda voltem a ter jovens e crianças….

Durante estes 4 dias, a experiência foi de tal forma intensa para alguns de nós, que houve um momento em que a Ana Dioniz nos teve de acalmar dizendo “Sintam essa chama, esse calor, mas não se deixem queimar por ela, aprendam a doseá-la!! Sintam essa Chama no silêncio”.

E para terminar, o que deveriam ser umas breves palavras, vou partilhar o principal ensinamento que trouxe de Milão, que foi muito simples, como sempre acontece nas palavras e ensinamentos de Jesus, “o Amor do Pai transforma-se dentro do nosso coração e transborda em Alegria e Amor ao próximo”.

Por muito dilacerado, maltratado, dorido ou acorrentado que esteja o nosso coração, basta aceitar, aceitar verdadeiramente o Amor do Pai, para que a nossa face se transforme, deixe de estar triste e cinzenta para passar a espelhar a Alegria que resulta do reconhecimento de que o Pai nos ama verdadeiramente, sem condições, sem criticas e sem objeções.

Percebi que como Cristã, a minha missão é evangelizar, mas evangelizar através da doação de Amor e Alegria. Pois de que outro modo as minhas palavras e ações poderiam tocar no coração do irmão, se não sentisse e demonstrasse que o meu coração transborda de Amor e Alegria?

Aprendi e percebi a importância do crescimento e multiplicação das Células de Evangelização, mas aprendi principalmente que sem o Amor e a Alegria com que o Espírito Santo nos preenche, nunca seria possível evangelizar de forma plena, pois só o Amor e a Alegria da Palavra do Senhor toca o coração do próximo…

O “Amor não pode ser apenas um projeto, o Amor tem que ser um movimento”.

Adriana Macedo

PROPOSTA DAS CÉLULAS NO PÓS-ALPHA

Como é habitual, sempre que terminamos um perCurso Alpha propomos aos participantes que integrem uma Célula Paroquial de Evangelização.

Desta a vez, para além dos participantes do Alpha que aceitaram o desafio, estiveram também os elementos do Grupo de Jovens, que na foto ocupam o primeiro plano.

Eles publicaram no Facebook:
Ontem o nosso grupo de jovens esteve reunido, na última sessão do Alpha adultos, para experimentar uma dinâmica de célula. Foi muito divertido ?

 

Almoço de acolhimento para os habitantes da Quinta da Portela

A ideia surgiu em Novembro da cabeça do Pe Jorge: que se pudesse fazer um almoço que fosse de acolhimento para alguns dos habitantes da Quinta da Portela, onde estão implantadas as instalações que suportam a comunidade mais ampla que é a de S. João Baptista.

A ideia era muito simples e aparentemente eficaz: depois do Natal e antes do jantar de apresentação do perCurso Alpha, envolvendo tanto quanto possível aqueles que já frequentam a paróquia, proporcionar um momento de convívio para todos quantos quisessem aceitar este convite de vir confraternizar no espaço que é o da reunião semanal e diária dos cristãos da zona.

Entre adultos e crianças, fomos cerca de oitenta: tínhamos um insuflável que procurava atrair os pais pelos interesses dos filhos mais pequenos, entradas e petiscos variados que serviram de quebra-gelo entre os convivas, dois pratos à escolha para que ninguém se sentisse excluído pela escolha da ementa, algumas sobremesas que os paroquianos generosamente partilharam e um pequeno grupo da nossa comunidade que se desdobrava para que todos sem exceção se sentissem bem acolhidos.

Na minha ótica, foi um sucesso. Talvez não sob o ponto de vista numérico, uma vez que percentualmente lá estivesse apenas uma pequena amostra dos vários milhares que já habitam naquela zona.

Pessoalmente, embora não me tenha sido possível falar com todos aqueles que não conhecia, dediquei-me a alguns que percebi ser a primeira vez que entravam na Igreja, apesar de ali viverem há já algum tempo, recolhi algumas inscrições para o Jantar de Apresentação do perCurso Alpha, troquei contactos telefónicos com alguns e até falámos na possibilidade de nos convidarmos mutuamente para as nossas casas.

Paulo Farinha Silva

A Catequese Familiar na perspetiva de uma mãe

Um dia…a caminho de casa “tropecei” com o cartaz da catequese familiar… Não sabia bem como seria, mas como procurava uma alternativa ao modelo habitual, decidi aceitar o desafio.

Comecei a frequentar esta catequese, cheia de receio de não estar à altura de acompanhar o Rodrigo nesta nova caminhada… Depois percebi que tinha que ajudar o Rodrigo em algumas lições do seu catecismo… inicialmente fiquei sem saber como. Mas, depois as conversas foram surgindo com naturalidade e hoje percebo que tal como em outras aprendizagens, o caminho faz-se andando.

Também percebi que só uma criança nos reporta de novo à realidade de como acreditar de coração aberto e com o meu filho reaprendi algumas coisas como “Mãe … as pessoas que gostamos muito e morrem vão para o céu…e o céu é um lugar seguro…”

Quanto a dúvidas, tenho muitas, mas na paróquia encontrei quem me ajudasse a aproximar-me da comunhão de Deus… Ainda que a dar os primeiros passos percebo que acompanhar o meu filho na fé, faz todo sentido…dado que com ele estou a crescer e a vivenciar a linda mensagem de Amor que Jesus Cristo nos deixou.

Celínia Antunes