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Evangelização de Rua no Mercado Norton de Matos (3 Fev 2018)

A marcação desta ação de evangelização no mercado do Norton de Matos surgiu de um impulso na sequência das últimas Jornadas de Formação Permanente da nossa diocese: no ano passado tínhamos ido para a rua, durante as festas da Rainha Santa, e éramos para cima de 40 irmãos com o desejo de levar a boa-nova do Evangelho aos transeuntes da nossa cidade. No Natal, pedimos autorização ao Centro Comercial Alma (antigo Dolce Vita) para irmos levar um pouco da alegria de acolher Deus Menino aos milhares de pessoas que por esses dias invadiam esse local, mas a autorização necessária da administração tinha-nos sido recusada.

Já por diversas vezes tinha comentado com o Pe Jorge Santos que havíamos de tentar o Mercado Norton de Matos, aos sábados de manhã, mas a coisa ia ficando em águas de bacalhau e, durante as Jornadas, enquanto ouvia o cardeal e outros intervenientes no local ou a partir do Youtube, onde estavam a ser transmitidas em direto, lembrei-me de alinhavar uma estrutura, escrevia-a num email e uns dias depois mandei-o ao Pe Jorge a pedir autorização para mobilizar as pessoas da paróquia.

Tive algum receio que os paroquianos aderissem pouco e rezei bastante quer pedindo ao Senhor que fosse preparando o coração de quem viéssemos a encontrar durante a evangelização de rua, quer que inspirasse a audácia necessária aos irmãos da comunidade paroquial. No sábado houve quem me confessasse que tinha passado a noite quase em branco com receio do que iria acontecer; houve vários que foram primeiro às compras ao mercado e que acabaram por se juntar a nós, de coração aberto.

Éramos uns 25, havia um grupo a tocar guitarra, pandeireta e a cantar, as crianças ofereciam chá e café, e outro grupo, dois a dois, falava com quem passava: muito simplesmente dizíamos-lhes que éramos cristãos das paróquias ali à volta, que estávamos muito felizes por termos permitido que Deus se revelasse nas nossas vidas e perguntávamos se lhes podíamos falar do que a paróquia tinha para oferecer. Íamos dando o nosso testemunho, apresentámos o percurso Alpha, desafiámos a aparecer na eucaristia, convidámos para o Grupo de Oração, para a Oração de Misericórdia e para o Fórum Cristãos no Mundo, rezámos com quem permitiu ou pediu que o fizéssemos (uma Avé-Maria ou assim), e viemos de lá com uma alegria imensa, apesar do frio. No fim, foram muitos os que manifestaram o desejo de fazer isto mais vezes. Muito mais vezes. E a alegria devia ser mesmo imensa e verdadeira, de tal modo que contagiou outros que não quiseram ou não puderam ir e que entretanto já dizem que da próxima vez também querem participar. Em março, repetimos. E esperamos que seja de agora em diante uma vez por mês.

Paulo Farinha Silva

GRUPO DE ORAÇÃO, porquê? o testemunho da Carla Ribeiro

Por que vou ao grupo de oração? Questiono-me muitas vezes sobre esta minha decisão. Para ser sincera, ao analisar a minha caminhada espiritual, e depois de ter feito uma primeira experiência, senti que este novo percurso fazia todo o sentido na minha vida. Terei de ser sincera ao afirmar que esta decisão é muito pessoal porque senti um apelo interior e uma necessidade de fortalecer a minha relação com Deus.

O que me toca mais nestes encontros é a oração que fazemos uns pelos outros, as palavras de alento, edificantes, que transmitimos uns aos outros e as ações de interajuda, efetuadas de uma forma altruísta. No grupo de oração não ficamos sozinhos na dor, todos intercedem uns pelos outros. Ficamos igualmente unidos na alegria, e quando nos encontramos é sempre um momento de festa.

De uma forma resumida, faz sentido descrever o que fazemos no Grupo de Oração para que se possa perceber as razões da minha alegria em pertencer a este grupo.

Nos dias do nosso encontro, quando esperamos uns pelos outros, o ambiente alegre de acolhimento e muito fraterno faz o meu coração aquecer imediatamente. De seguida, damos inicio a estes encontros com cânticos de louvor. Louvamos muito a Deus com cânticos e ações de graças, e somos desafiados a encontrar razões na nossa vida para o fazer. Quando faço alguma partilha, sinto o meu coração aumentar, bater mais forte e isso revigora-me. Temos um momento de escuta da Palavra, meditamos e partilhamos o que nos tocou especialmente.  Em muitos momentos, senão sempre, a palavra de Deus que foi meditada vai ao encontro dos meus anseios.

Segue-se o momento de pedir, suplicar, interceder pelas intenções pessoais de cada membro. É um momento muito significativo, pois sei que a voz de um grupo clama mais forte… a força da união em Jesus. Para mim, faz toda a diferença alegrar-me com os irmãos e partilhar as tristezas com eles. Chego muitas vezes com um problema de saúde e saio regenerada. É verdade, aconteceu no último encontro. Durante os dias que se seguem continuamos em oração uns pelos outros.

Resumindo, vou ao grupo de oração porque me sinto bem! Saio dos encontros sempre fortalecida, animada, com esperança e mais energia, e isso repercute-se em todos os que me rodeiam. É por todas estas razões e muito mais que pertenço a este grupo. Faço-lhe um convite: venha ver e experimentar, gostaria muito de o(a) ver um dia destes…

Carla Ribeiro

Adoração eucarística – testemunho da Maria do Rosário

Há 5 anos que a paróquia de S. João Baptista fez o lançamento da adoração eucarística. Cerca de 100 pessoas fizeram um compromisso de amor, de dar uma hora por semana, para estar diante do Senhor, em adoração, permitindo assim que Jesus-Eucaristia esteja solenemente exposto e que muitos outros irmãos possam passar à hora que mais lhes der jeito, para estar com o Senhor. Tem sido um caudal de graça para os que adoram e para toda a paróquia, este tempo de adoração de 40 horas semanais. Gostávamos que fosse já adoração perpétua, mas a paróquia ainda não tem assim tanta gente capaz de assumir tanta hora, pois seria necessário cerca de 250 pessoas a comprometer-se uma hora por semana.

Esta semana, deixamos o testemunho da Maria do Rosário:

Aprende-se a rezar, rezando. Aprende-se a estar diante do Santíssimo Sacramento, estando.

Quando me inscrevi para semanalmente fazer uma hora de adoração, senti interiormente que Jesus me batia à porta, porque eu precisava de dar mais um passo para me conhecer e O conhecer melhor. Não foi de todo fácil passar uma hora meditando, procurando esvaziar-me de preocupações. No entanto, com o passar das semanas, meses e já anos, sinto que é uma bênção pois uma hora parece-me minutos.

Sinto no mais fundo do meu ser que Jesus tem sede do meu amor e sinto sede dessas horas.

Vou aprendendo passo a passo aquele encontro inexplicável desta sede do divino partilhada.

Maria do Rosário

Adoração na paróquia: 5 anos de graça – Testemunho da Isabel Pires

Há 5 anos que a paróquia de S. João Baptista fez o lançamento da adoração eucarística. Cerca de 100 pessoas fizeram um compromisso de amor, de dar uma hora por semana, para estar diante do Senhor, em adoração, permitindo assim que Jesus-Eucaristia esteja solenemente exposto e que muitos outros irmãos possam passar à hora que mais lhes der jeito, para estar com o Senhor. Tem sido um caudal de graça para os que adoram e para toda a paróquia, este tempo de adoração de 40 horas semanais. Gostávamos que fosse já adoração perpétua, mas a paróquia ainda não tem assim tanta gente capaz de assumir tanta hora, pois seria necessário cerca de 250 pessoas a comprometer-se uma hora por semana.

Esta semana, deixamos o testemunho da Isabel Pires, adoradora e responsável pela escala de adoradores:

Faço adoração na paróquia de S. João Baptista desde o princípio: é na adoração eucarística que encontro o melhor ambiente para rezar.

Na adoração, sinto que o Senhor se encontra ali presente e real: é mais fácil vê-lo e ouvi-lo, falar com Ele dos meus problemas e dos meus irmãos. Não é a mesma coisa rezar ali diante da Sagrada Custódia ou rezar na igreja diante do sacrário. Ali vemo-lo, não está escondido como dizia o Santo Francisco.

Raramente faço só uma hora por semana, e o tempo que passo diante do Senhor não me faz falta, nem me custa a passar: é ali que encontro a paz de que preciso.

Isabel Pires

Percurso Alpha – o testemunho do José Nunes e da Eugénia Brás

Em 2011,e 2015 tive duas situações que me, arrasaram, a mim e à minha familia, física e psiquicamente.

Creio ter sido Deus a pôr à prova a minha capacidade de ultrapassar problemas e de os resolver. Desde então tem sido muito difícil conviver com estas situações. A partir daí passei a ir em peregrinação a Fátima, e a ser um pouco mais crente em Deus.

A Ana Paula, nossa conhecida e que sabia de alguns dos nossos problemas, tendo já feito o percurso Alpha, aconselhou-nos a fazer o percurso. Fomos á segunda tentativa. Antes, no entanto, fui à internet pesquisar, para não ir completamente ignorante. Mesmo assim ainda fui um pouco cético, mas com muita curiosidade. Disse para a Eugenia , minha mulher: “Vou por ti , aquilo poder ser uma seca, mas não há nada a perder.”

No dia da apresentação fomos dos primeiros a chegar, nunca gostei de chegar atrasado a nada. Encontramos a Ana Paula, única pessoa que conhecíamos, e entretanto avistamos um colega de infância que tinha acabado de fazer o percurso, e nos incentivou a ir em frente. No restante, só caras desconhecidas, mas cujo olhar e expressão me deram algum conforto, e bem estar.

O jantar foi optimo. Parecia que todos, os da nossa mesa, já se conheciam pessoalmente! Na partilha, verifiquei que não era só eu que tinha problemas, estes são comuns a toda a gente, uns mais e outros menos. Pensei, e de caminho para casa falei para minha mulher e para a companhia que levamos connosco “Quem sabe se não será aqui que iremos encontrar a paz que não temos tido?

Por motivos de doença não pudemos estar no fim de semana Alpha, que aguardava com ansiedade, e tive muita pena não poder ir.

No curso conheci gente interessante que me mostraram um novo caminho de chegar a Jesus e a Deus. Conheci melhor Jesus, conheci quem foi, o que fez, porque morreu. Ja era crente de Jesus. Eu já era seu seguidor, mas agora Ele é o meu IDOLO.

Ainda não sou totalmente praticante, mas se Deus quiser para lá caminho.

Todos os dias tento viver como Jesus viveu. Todos os dias tento chegar ao fim do dia mais feliz. Todos os dias tento ler mais um pouco da Bíblia , que está sempre à mão.

Foi bom, toda a gente espectacular. Sinto uma certa pena por viver longe e, não poder estar presente em todas as organizações da Paróquia.

Obrigado Ana Paula por nos ter levado, Obrigado companheiros de mesa, obrigado a todos, com a certeza da minha oração, e a minha gratidão.

José Manuel Mortágua Nunes, e Eugénia Bras

O Amigo do Povo divulga percurso Alpha SJBaptista: Deus existe?

A paróquia de S. João Batista, em Coimbra vai realizar no dia 26 de Janeiro, pelas 2oh, o jantar de apresentação do seu próximo Percurso Alpha.

Esta ferramenta de evangelização tem tido algum sucesso entre nós, principalmente nalgumas paróquias onde está implantada como Santa Clara, Carapinheira, Oliveira do Hospital, Febres, Cantanhede, Souselas, Vila Nova de Poiares e Lousã. Tem procurado despertar muitos cristãos baptizados adormecidos ou que estavam colocados na prateleira a apanharem pó. Por vezes, nas nossas comunidades, não deixamos espaço para os outros. Não o fazemos por mal, está na nossa natureza. Queremos fazer tudo e estar nos lugares da frente. Pensamos que o outro não é capaz e se não o fizermos, mais ninguém o faz. (Que pensamento mais egoísta, Deus me perdoe).

No Curso Alpha essas questões não se colocam porque TODOS temos o nosso lugar. Não há lugares de primeira, segunda ou terceira fila. Somos todos iguais ou pelo menos aprendemos a sê-Io. E um lugar onde todas as questões são bem-vindas, mesmo aquelas mais inocentes e provocadoras. Ser Igreja é isso. Crescer na diferença de cada um dos seus membros e cada um ao seu ritmo.

A propósito, um dia destes almocei com um amigo que por sinal é ateu. A propósito de uma conversa sobre a existência de Deus e sabendo das minhas convicções religiosas disse-me que tinha um amigo, também ele ateu, que todos os domingos acompanhava a mulher à Igreja, mas que não entrava, ficando no carro. Há pessoas que não entram na igreja para não se encontrarem com Deus. Eles sabem que Ele está lá e que Ele existe.

Miguel Cotrim

 

Alpha – o testemunho da Isabel Roseiro

 O meu nome é Isabel, tenho 43 anos, sou casada e tenho uma filha de 12 anos.

Como boa católica, casei pela igreja, batizei a minha filha e aos 6 anos inscrevi-a na catequese.

Nunca fui de ir à missa regularmente, apenas cumpria os procedimentos instituídos. A minha fé oscilava entre o acreditar e o desânimo de não conseguir entender o porquê de algumas contingências da vida. O meu irmão faleceu de acidente aos 44 anos e a minha mãe faleceu algum tempo depois.

 Que Deus era este? Qual o sentido da fé?

Apesar desta ambivalência comecei a sentir necessidade de ir à missa, de acompanhar a minha filha no seu percurso cristão. Deus abriu-me uma porta e eu, a medo fui-me deixando levar.

Percebendo esta minha caminhada, os meus cunhados, falaram-me do percurso Alpha. Ainda resisti, no entanto um acontecimento familiar fez com que a decisão ficasse tomada.

 O meu cunhado teve um problema muito grave de saúde e Deus Salvou-o. Quando todos diziam “não há nada a fazer”, sem qualquer explicação científica tudo se resolveu e eu, incrédula via uma comunidade a rezar por ele – Deus ouviu, Deus respondeu à oração.

 Iniciei o meu Percurso Alpha sem medo, antes ansiosa por viver e experienciar a tal de que me tinham falado, uma fé autêntica e sem reservas que nos aproxima de Deus e dos irmãos.

Senti-me acolhida, estava em casa, podia abrir o meu coração, Louvar a Deus em voz alta… sem receios.

De tal forma me senti bem acolhida, que desde logo tomei a decisão de participar no jantar pós – Alpha para conhecer as células, os grupos de oração e outros dinamizados pela paróquia.

Até já decidi o caminho a seguir.

Que grata Lhe estou, por me ter dado a conhecer estas pessoas.

Agora sim DEUS ESTÀ PRESENTE NA MINHA VIDA E EU SEI /SINTO.

Isabel Roseiro

Festa da Palavra – Testemunho de uma família

Foi-nos pedido que partilhássemos um pouco da nossa vivência familiar da festa da palavra da nossa filha Mafalda Sofia. É também ela a dizer-nos algo sobre este dia e perguntamos-lhe que significa para ela a palavra de Deus e claro a resposta foi directa: A Bíblia!

O nosso Deus, revelou-se pela palavra ao longo dos tempos e a Bíblia, mais do que um livro histórico e mecânico, é uma obra em que Deus e o homem, escrevem, ou mais precisamente, inscrevem (gravando) na sua relação, uma verdadeira história de um Amor incondicional.

Como o Pe. Jorge disse neste dia, Deus deu-nos dois presentes que são alimento para a nossa alma e o nosso agir: A sua palavra e o Pão eucarístico. Que saibamos como pais, ajudar as nossas filhas a descobrir o Deus revelado na palavra bíblica e na palavra em pessoa que é Jesus Cristo.   

Mafalda Sofia, Ana Catarina, Tânia Cristina e José Paulo  Barreiros

Em cada semana, 40h de adoração – Testemunho Paulo Farinha Silva

Está para fazer 5 anos que, semana após semana, várias dezenas de pessoas asseguram na paróquia um tempo longo de adoração, das 8h00 de quarta até às 23h00 de quinta-feira. Para além destes irmãos que garantem uma presença contínua diante do Senhor exposto, é muito maior o número daqueles e daquelas que, durante este período que é de graça e que sustenta toda a vida comunitária, se deslocam à nossa Igreja para simplesmente estar diante de Jesus sacramentado e se deixarem amar por Ele.

A fecundidade da vida da Igreja vem da oração, da vida em Cristo. Por isso damos na nossa comunidade paroquial tanta importância a este período de graça, para ajudar os cristãos a viverem na união com o Senhor e para que todas as actividades apostólicas da paróquia sejam fruto da graça divina.

Deixamos o testemunho de um dos adoradores:

Embora já há vários anos seja “utilizador” da adoração nesta paróquia, e até com fidelidade semanal, nunca me comprometi, até este ano, com um horário específico.

Aqui há uns anos tinha um escritório nas imediações da paróquia e, também tendo em conta que procuro tirar no meu dia um tempo de oração pessoal, sempre que havia adoração em S. João Baptista, fazia uma pausa a meio da tarde e deslocava-me à Igreja para um tempo de adoração. Depois, durante um período durante o qual trabalhava frequentemente fora do país, sempre que estava em Coimbra procurava durante a noite tirar um longo tempo de adoração e intimidade com o Senhor: o facto de ser durante a noite, de a cidade estar em silêncio e de a Igreja ser climatizada, ajudou a que recorde com bastante carinho esses períodos em que, muitas vezes, pouco mais fazia que estar ali, em silêncio, diante da presença real de Jesus na Eucaristia.

Assim, quando este ano a responsável pela escala dos adoradores me convidou em Setembro para assegurar com outra pessoa o horário das 4h00 às 6h00, disse logo que sim. E estou muito feliz por o ter feito, ainda que poucas semanas depois tenha ficado colocado numa escola em Águeda e deixei de poder compensar o sono perdido durante a manhã de quinta e à quarta dificilmente me consigo deitar antes da meia noite: fisicamente é muito exigente… mas é um período de graça, de tal modo que à segunda-feira já conto o tempo que falta para a noite de quarta. E nunca saio antes das sete: fico 3 horas que passam num instante.

Mudou o facto de ter marcado na minha agenda semanal um tempo especial, com o qual me comprometi, para estar diante do Senhor a olhar para Ele e a deixar-me trabalhar pela sua graça e pela sua palavra. Posso testemunhar que o Senhor levou este meu compromisso muito a sério.

Ainda a semana passada estive a olhar para uma aplicação que tenho no telemóvel e na qual vou apontando aquilo que o Senhor me vai dizendo semana após semana e pude comprovar isso mesmo, notando-se um claro fio condutor próprio de uma conversa a dois…

Começo por saudar o Senhor, dizer-Lhe que quero que Ele seja o meu único Deus, que Ele é muito importante para mim, e depois fico em silêncio diante d’Ele durante cerca de meia hora, procurando deixar-me habitar pela Sua presença e silenciando qualquer ruído que me possa afastar d’Ele.

Em seguida, invoco o Espírito Santo e abro a Bíblia e durante perto de uma hora leio, releio, medito, interiorizo a palavra que o Senhor me deu. Dou sempre uma vista de olhos nas notas de rodapé, procurando compreender melhor a leitura.

Sendo que termino sempre com um curto período de intercessão pelas minhas intenções particulares e pelas daqueles que me vão pedindo para rezar por eles ou que eu imagino estarem necessitados da minha oração, no tempo sobrante, de uma hora e picos, procuro rezar a minha vida, os meus dias, as minhas fraquezas e alegrias à luz da palavra de Deus que entretanto tinha meditado.

E assim se passam as 3 horas num instante: até já me aconteceu descuidar-me com o tempo e ter que acelerar para não chegar atrasado às aulas…

Paulo Farinha Silva

Festa da Palavra – 4º ano – Testemunho de uma das catequistas – Cidália Santos

No passado domingo, dia 14 de Janeiro, as crianças do 4º ano viveram a Festa da Palavra e a comunidade a Festa da Bíblia. Foi lançado um desafio tanto aos meninos da catequese como a toda a comunidade a escreverem uma carta a Jesus, Ele que é a própria Palavra viva, tendo como tema principal: “VÓS SOIS UMA CARTA DE AMOR DE DEUS”

“A nossa carta sois vós, uma carta escrita nos nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. É evidente que sois uma carta de Cristo, confiada ao nosso ministério, escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne que são os vossos corações” (2 Cor 3, 2-3) ”.

Cada pessoa, bem como as crianças e as suas famílias, a partir das várias palavras dadas, todas diferentes e de forma livre, responderam ao apelo lançado, escrevendo como vivenciavam a sua relação com Jesus e como viviam a Palavra na sua vida.

Para além do belo caminho que cada criança está a fazer, neste caminhar para Cristo, de forma muito singela e terna, o acto de receber a Bíblia nas suas próprias mãos teve um grande significado, pois representa dar mais um passo para a relação íntima que se tem com Jesus, mas também, é receber a Palavra viva que é o próprio Deus.

Como catequista é muito bonito ver como cada uma das crianças, dentro do seu ritmo e tempo, se vai relacionando com o seu Amigo Jesus e todo o anseio e entusiasmo que cada uma manifesta face à sua Pessoa. No entanto, não é só a relação das crianças que vai crescendo, mas também a dos pais com o Senhor e toda a relação familiar que se vai cimentando, em torno do Verbo Eterno.

É de todo importante cada vez mais escutarmos e vivermos a Palavra de Deus, pois aquele que escuta a Palavra de Deus ouve os segredos de Deus. E, Cristo é a expressão máxima da Revelação de Deus à humanidade. A Palavra de Deus pretende estabelecer uma relação íntima e amigável de Deus com a Humanidade. Por isso, na riqueza do seu Amor, Deus fala aos homens como a amigos, mas, é sobretudo, pela Palavra que Ele nos fala. E, é nessa relação de amizade que Deus quer ter connosco, que Ele nos fala como a amigos para nos dizer o quanto nos ama e o enorme Amor que Ele tem por cada um de nós, seus filhos muito amados.

Neste sentido, a reflexão que lanço é a seguinte: «Como acolho a Palavra de Deus na minha vida? Como estabeleço essa relação? Que eco faz a Palavra de Deus no meu ser?».

A Bíblia é o livro da Revelação do Amor de Deus à humanidade, da sua Palavra; a Bíblia é “a voz do Deus-Amor”. E Deus conversa com cada um de nós. A conversa não é um discurso nem sermão; mas é tão só uma fala que acontece entre amigos. Numa “conversa”, o mais importante não é o conteúdo, mas a comunicação entre amigos. O mais importante não é o “dizer”, mas o “estar” com o amigo, porque ele faz parte de nós. O mesmo acontece com Deus; Ele somente quer estar connosco e quer estar na nossa companhia, porque ela é demasiado importante para Ele, porque nos Ama infinitamente.

Mas, movido pelo Seu Amor ao Homem, Deus desce, “com-descende”. Deus desce até à humanidade e que tem a sua expressão máxima em Jesus Cristo. No entanto, se o homem não tiver capacidade ou abertura de coração para acolher a Palavra e Revelação de Deus, nada adianta; porque Deus não vai forçar e, vai esperar. Pois Ele tem sempre a iniciativa, mas nós temos a liberdade de O acolher ou não.

Mas, uma das formas mais belas de ouvir a Palavra é participar na Eucaristia. Aqui o banquete é completo, celebramos duas mesas: a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia, que é a celebração plena do memorial deixado por Jesus a cada um de nós. Se na oração falamos com Deus, ao ler a Bíblia, Deus fala connosco pessoalmente.

Em jeito de conclusão, deixo um pequeno testemunho acerca da minha vivência da Palavra de Deus. Este encontro com Jesus aconteceu, depois de uma vivência particularmente difícil, disse: “Tenho sede”. Era uma sede de água, pois lutava pela vida. Ao longo dos anos que se seguiram, esta ‘sede’ e vazio, não se apaziguaram, somente quando, na Eucaristia Dominical escutava a Palavra do Senhor. Aí, a minha ‘sede’ era saciada e todo o vazio que sentia era preenchido, porque estava na companhia do Senhor. Da mesma forma em que dava catequese e, na minha fragilidade, ajudava os mais pequenos a caminhar para o Senhor, eu com eles fazia esse mesmo caminho.

À medida que os anos passaram, e a Palavra do Senhor foi fazendo parte da minha vida, de forma diária e constante, ao meditar as mesmas palavras que Jesus disse, no alto da cruz: “Tenho sede!” (Jo 19, 28), a sua sede era diferente da minha; Jesus tinha sede do Amor do Pai, do Eterno Amor do Pai, eu tinha sede de água, pois na minha pequenez ainda não tinha conhecido a Verdadeira Água Viva.

É a partir deste encontro diário com o Senhor que se vivencia e vive uma relação estreita com o Senhor assente no diálogo e escuta da sua Palavra.

Cidália Santos