Arquivo mensal Dezembro 2018

Folha Paroquial nº 55 *Ano II* 9.12.2018 — II DOMINGO DO ADVENTO

«O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Lc 3, 1-6)
No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».»

MEDITAÇÃO
ABRIR CAMINHOS NOVOS
Os primeiros cristãos viram na atuação de João Baptista o profeta que preparou decisivamente o caminho para Jesus. Por isso, ao longo dos séculos, as palavras do Baptista converteram-se num apelo urgente a preparar os caminhos que nos permitem acolher a Jesus entre nós. Ele é por isso chamado o precursor do Senhor.
S. Lucas resumiu a sua mensagem com este grito tirado do profeta Isaías: “Preparai o caminho do Senhor”. Como escutar este grito na Igreja hoje? Como abrir caminhos para que os homens e as mulheres do nosso tempo possam encontrar-se com Ele? Como acolhê-lo nas nossas comunidades? Estas são perguntas fundamentais a que a Igreja tenta dar resposta.
A primeira coisa de que a Igreja se vem consciencializando já desde o Concílio Vaticano II é a de que precisamos de um contacto mais vivo com a pessoa de Jesus. Não é possível aos cristãos alimentarem-se só de doutrina religiosa. Ninguém pode seguir um Jesus abstrato. Precisamos de sintonizar vitalmente com Ele, deixar-nos atrair pelo seu estilo de vida, contagiar-nos pela sua paixão por Deus e pelo ser humano.
No meio do “deserto espiritual” da sociedade moderna, a comunidade cristã deve ser o lugar de acolhimento do Evangelho de Jesus. É nela que nos reunimos como crentes com mais ou menos fé, para escutar os relatos do Seu Evangelho. Acolhendo-os com fé damos-Lhe a Ele a oportunidade de penetrar com a sua força humanizadora os nossos problemas, crises, medos e esperanças. E saímos do encontro mais fortalecidos, mais libertos.
Não podemos esquecer, nos evangelhos não aprendemos a doutrina académica sobre Jesus, destinada a envelhecer ao longo dos séculos. Na Eucaristia em que nos reunimos para estar com Ele e escutar o seu evangelho também não se trata de aprender doutrina. Trata-se de estar com Ele e deixar-nos tocar pela sua graça. Trata-se de continuamente reaprendermos um estilo de viver realizável em todos os tempos e em todas as culturas: O estilo de vida de Jesus. A doutrina não toca o coração, não converte nem enamora. Jesus sim.
Tenho-me encontrado no fim da missa, à semana, com um «buscador da fé” que nos inspira muita simpatia. Não é batizado mas tem uma grande sede espiritual. Já leu muita coisa sobre varias religiões orientais e sobre o islão mas como nasceu num país de tradição cultural cristã é aí que alimenta a sua busca. Nunca se fez catecúmeno para ser batizado porque teme que o queiram dogmatizar ou encurralar num caminho único. Como anunciar o Evangelho a alguém que deseja permanecer neutro em relação a todas as religiões? A questão é que temos estado no nível das ideias…e foi quando percebi isso que lhe perguntei: «Já leste alguma vez os evangelhos de Jesus?» «Ainda não, respondeu». Então ofereci-lhe a Bíblia inteira e disse-lhe: Lê o evangelho de S. Marcos e depois de o leres voltamos a conversar.
Sem nos encontramos com a pessoa de Jesus ficamos nas ideias…e as ideias não nos convertem. É o encontro com Ele que nos faz deixar de ser neutros e fazermos a opção de um caminho. O caminho de Jesus que para nós é o caminho da salvação pois “não existe outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos?” Como diz José Pagola, “a experiência direta e imediata com o relato evangélico faz-nos nascer para uma nova fé, não por via do “endoutrinamento” ou da “aprendizagem teórica”, mas pelo contacto vital com Jesus. Ele ensina-nos a viver a fé não por obrigação, mas por atração. Faz-nos viver a vida crista não como dever, mas como contágio. No contacto com o Evangelho recuperamos a nossa verdadeira identidade de seguidores de Jesus. O segredo de toda a evangelização consiste em pôr-nos em contacto direto e imediato com Jesus. Sem Ele não é possível engendrar uma nova fé.”
O percurso Alpha é isto mesmo. Pôr as pessoas em contacto com a pessoa de Jesus e por isso serve para não crentes e para crentes de há muitos anos que podem ter sido endoutrinados, sacramentalizados mas porventura faltou o encontro vital com Jesus que faz surgir uma nova maneira de crer e de viver.

Oração
“Senhor Jesus, neste Natal
Te pedimos a Graça de preparar os nossos corações
De sarar as nossas feridas, de preencher o vazio
Que sentimos quando estamos longe de Ti!
Aumentai em nós a fé, a esperança e caridade
Preparai os caminhos das nossas familias
Concede-nos a humildade de pedir perdão e o dom da reconciliação
Fazei dos nossos lares a gruta de Belém, cheia de harmonia e paz
Preparai os caminhos da nossa Igreja
Que ela seja testemunho da tua alegria, do teu entusiasmo e da tua entrega
Enchei-a de dinamismo missionário
Promovei Senhor, nós te pedimos, uma profunda comunhão
Entre todos os membros
Preparai os caminhos do mundo
Suscitai líderes com coragem de lutar pela verdade,
Pela justiça e pelo amor
Defendei os pobres, os doentes, os marginalizados
E visitai a todos neste Natal, com o dom do Vosso Amor
Amén.”

Folha Paroquial nº 54*Ano II* 2.12.2018 — I DOMINGO DO ADVENTO

«Para Vós, Senhor, elevo a minha alma.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Lc 21, 25-28.34-36)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».»

MEDITAÇÃO
Começámos o novo ano litúrgico com o 1º Domingo do Advento. Os prefácios das missas do Advento situam-nos nas três dimensões do devir temporal em que o Advento nos coloca: Passado, presente e futuro. Passado: Fazemos memória-atualização da esperança que animou o Povo de Israel durante séculos preparando-se para a vinda do Messias. Diz o prefácio: “Foi Ele que os Profetas anunciaram, a Virgem Mãe esperou com inefável amor, João Baptista proclamou estar para vir e mostrou já presente no meio dos homens.”
Mas o Advento vive-se no concreto do hoje da nossa história, o Presente: Por isso acrescenta a oração da Igreja: “Agora, Ele vem ao nosso encontro, em cada homem e em cada tempo, para que O recebamos na fé e na caridade e dêmos testemunho da gloriosa esperança do seu reino. É Ele que nos dá ( hoje) a graça de nos preparamos com alegria para o mistério do seu nascimento.” Vivendo com Ele na história como Emanuel, Deus connosco, não deixa de nos projetar no futuro onde aguardamos os novos céus e a nova terra. Por isso a oração continua apontando para o futuro; “Pai Santo, Vós nos escondestes o dia e a hora em que Jesus Cristo, vosso Filho, Senhor e juiz da história, aparecerá sobre as nuvens do céu revestido de poder e majestade. Nesse dia tremendo e glorioso, passará o mundo presente e aparecerão os novos céus e a nova terra.” Por isso a atitude do Advento é a da sentinela vigilante e o verbo mais repetido é; “Vigiai”.
Sejamos práticos: O que fazer neste advento para não ficar só nuns bons pensamentos e propósitos: Sugestões: Reunir-se com um pequeno grupo de mais de 3 pessoas para fazer a lectio divina que a Diocese propõe para cada Advento ou fazê-la em família se for difícil reunir com um grupo. Sugestão ainda mais simples; A família quando estiver reunida à hora do jantar, acenda uma vela de advento que se vai consumindo até ao natal. Quando a acende rezem juntos uma pequena oração onde termina por dizer: “Vem Senhor, habita a nossa família, entra em nossa casa e no nosso coração como entraste em casa de Zaqueu levando-lhe a alegria da salvação. Maranatha, vem Senhor Jesus.” A oração para cada semana da lectio pode também servir para ser rezada neste momento na família.
Que cada um encontre os gestos práticos para viver melhor o Advento. O importante é não ficar só nos bons pensamentos mas passar a pô-los em prática.

Oração
Senhor nosso Deus
Nós te damos graças pelo Dom da Tua Palavra
Porque nos permites ver a vida com outros olhos, com um olhar de esperança.
Porque te manifestas justamente quando estamos mais fragilizados
Porque nos renova o ânimo e nos levanta a cabeça em todas as nossas lutas e desilusões
Porque nos fazes acreditar que toda a História se encaminha para Ti
Porque continuas a nascer no nosso coração, em cada Natal, na figura de um menino
Que nos emociona, nos toca e nos faz de novo sonhar
Te pedimos a Graça de estarmos atentos aos sinais dos tempos
De Vigiarmos para que não se torne pesado o nosso coração
Para que o egoísmo, o individualismo não ocupe o lugar que foi e sempre será só Teu
E para que a nossa Oração a Ti, aumente a nossa intimidade contigo
E se transforme em vida e amor concreto para com os nossos irmãos.
Amém