Oração de Cura e de Misericórdia – Reedificar a casa de Deus

Oração de Cura e de Misericórdia – Reedificar a casa de Deus

Tem sido feita uma aposta na divulgação desta oração mensal animada pelos irmãos da Comunidade Emanuel e é com alegria que verificamos que são cada vez em maior número as caras desconhecidas do habitual “público” da paróquia.

Na semana passada, após um tempo inicial de cânticos de louvor diante do Senhor presente e exposto na Hóstia consagrada (a adoração decorre na paróquia desde as 8h00 de terça-feira, dia e noite), tivemos a oportunidade de ouvir da Filomena Cruz um pequeno tema a partir dos primeiros versículos do capítulo 1 do livro do Profeta Ageu: Reedificar a casa de Deus.

O profeta Ageu relata aqui um acontecimento histórico: o regresso do povo judeu a Jerusalém depois do cativeiro e exílio na Babilónia; e a reconstrução do templo, o lugar santo por excelência, no século sexto antes de Cristo.

Mas este acontecimento adquire, com a vinda posterior de Jesus, um novo significado. Com efeito, Jesus designou-se a si mesmo como o templo verdadeiro (Jo 2, 19-22). À sua imagem, cada cristão torna-se também templo do Espírito Santo como o afirma S. Paulo (1 Cor 6,19). Nós podemos hoje reler este texto do Antigo Testamento à luz da revelação trazida por Jesus, aplicando-o a nós mesmos e àqueles que nos rodeiam.

No fundo, o que nos é pedido por Deus, é de reedificar ou reerguer o nosso templo interior, “para que seja do Seu agrado e Ele seja glorificado”. Deus fornece o plano, mas somos nós que temos que por a “mão na massa”. O nosso templo foi desgastado pelas provas da vida, talvez esteja mesmo em ruínas. Mas que importa isso? Deus vai ajudar-nos a reconstrui-lo, com um pouco da nossa vontade e dos nossos talentos, sob a sua condução.

Mas alguns dizem: “O tempo ainda não chegou…” Esperemos para estar de boa saúde, em paz, e sem problemas para nos lançarmos… Falsos pretextos! Falsas desculpas! É hoje que esta palavra de Deus ecoa nos nossos corações; é, por isso, hoje mesmo que devemos começar corajosamente, contando com o Senhor e não com as nossas fracas forças. É urgente, porque disso depende a nossa salvação.

“Comem sem ficarem saciados; bebem mas sem apagarem a sua sede…” Não será esta a nossa situação agora? A experiência que estamos a passar? Temos sede de paz, temos fome de justiça, queremos amar, ser amados, ser curados, ser libertados… mas há sempre um mas, alguma coisa que falta; e tão poucos resultados por vezes…! Não obtemos aquilo que desejamos; ficamos desiludidos, insatisfeitos… No fundo, é o drama do homem contemporâneo: apesar de todos os progressos da técnica, do conforto, dos recursos, o homem não está feliz, porque se sente incompleto.

Então, ficamos num impasse? É-nos proposta uma solução, que podemos descobrir na continuação do texto: “Subi à montanha!”, quer dizer, sair do turbilhão da nossa vida, dos nossos problemas que nos esmagam, para olharmos as coisas à distância, recuar um pouco. O que, bem vistas as coisas, é o que nós já fazemos quando vimos aqui à adoração, colocarmo-nos uma hora longe da agitação do mundo, para voltar aos valores essenciais.

“E trazei madeira”. Que madeira é esta? A da cruz de Jesus Cristo que nós contemplamos e adoramos juntos na eucaristia, Jesus que se entregou para salvar cada um de nós do pecado e da morte. Uma madeira que reaquece a nossa fé, a nossa esperança e a nossa caridade. Uma madeira que ilumina a nossa vida, que nos ilumina com o brilho da verdade. Uma madeira sólida que segura o nosso templo interior sobre a rocha da presença de Deus e não sobre a areia das ideias humanas.

“Reedificar a casa de Deus”. É realmente para isso que estamos aqui, mesmo e sobretudo no meio das tempestades, das dificuldades que nos assaltam. Para colocar o Senhor no centro da nossa vida e que Ele permaneça firmemente instalado quaisquer que sejam as tempestades que atravessemos.

“Ela será agradável a Deus e nela Ele será glorificado”. Deus fica feliz por nós O acolhermos no coração das nossas vidas. O Seu maior desejo, a Sua maior alegria: um coração que Lhe quer bem, que o recebe num templo interior, limpo, arejado, purificado, embelezado, pacificado.

Tudo isto para que se reconheça a sua presença em nós. Se nós somos realmente habitados por Ele, se Ele é bendito e glorificado por nós, os outros poderão por sua vez, descobri-lo e, como nós, aprender a amá-lo.

 

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