Folha Paroquial nº 107 *Ano III* 12.01.2020 — BAPTISMO DO SENHOR

Folha Paroquial nº 107 *Ano III* 12.01.2020 — BAPTISMO DO SENHOR

«O Senhor abençoará o seu povo na paz.»

A folha pode ser descarregada aqui.

«EVANGELHO (Mt 2, 1-12)
Naquele tempo, Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Baptista ao Jordão, para ser batizado por ele. Mas João opunha-se, dizendo: «Eu é que preciso de ser batizado por Ti e Tu vens ter comigo?». Je-sus respondeu-lhe: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça». João deixou então que Ele Se aproximasse. Logo que Jesus foi batizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».»

MEDITAÇÃO
DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS
No passado dia 30 de Setembro de 2019, foi divulgada a carta apos-tólica do Papa Francisco, sob forma de motu proprio “Aperuit illis”, na qual institui o terceiro domingo do tempo comum como o do-mingo da Palavra de Deus. O santo padre faz referência à experiên-cia dos discípulos de Emaús com Jesus, que ao apresentar a escritu-ra lhes aquece os corações e lhes abre os olhos ao partir do pão (Lc 24, 45). O contato pessoal com a sagrada escritura leva cada um de nós a descobrir que Jesus está vivo e ressuscitado. Esta novidade não pode ficar no silêncio do nosso coração, e por isso deve ser anunciada através do ensino da palavra e da evangelização. Este dia tem, portanto, o objetivo de levar a comunidade cristã a celebrar a Palavra de Deus, obtendo uma maior reflexão e divulgação, tornan-do a sagrada escritura próxima e acessível a todos, através das cele-brações e reflexões.
Hoje, celebramos o batismo do Senhor. A primeira leitura do profe-ta Isaías fala-nos, de forma profética, da pessoa de Jesus, que é o eleito de Deus em quem repousa o Espírito que o leva a ser Luz para as nações, a abrir os olhos aos cegos e a libertar os cativos. Este Jesus que o profeta anuncia é o mesmo apresentado por João Batis-ta e confirmado pela voz de Deus que se faz ouvir. É a Palavra do Pai que dá testemunho que Jesus é o filho de Deus. A Palavra de Deus faz-nos comtemplar a salvação que está na pessoa de Jesus que ao descer às águas as santifica. Também nós, através do sacra-mento do Batismo, recebemos a semente da Palavra e somos cha-mados a anunciá-La àqueles que ainda têm ouvidos surdos a esta palavra. É com esse propósito que o Papa Francisco, através do dia da Palavra de Deus, pretende que a Bíblia se torne mais conhecida, meditada e comida pois “quem não conhece a palavra de Deus não conhece Cristo”, dizia S. Jerónimo, pois Ele é o verbo de Deus que se fez carne. Quando anunciamos a sua Palavra anunciamos o Se-nhor Jesus e por isso a Palavra é viva, pois é a palavra d’Aquele que esteve morto mas venceu a morte e ressuscitou. Também a sua Palavra, essa que Ele anunciou, foi experimentada e testada pela morte e pela sepultura e, quando se pensava que essa palavra esta-ria morta, desaparecida e sem poder, eis que ela ressuscita da mor-te. O Pai, ao ressuscitar o seu Filho da morte, confirma que tudo aquilo que Ele disse e fez vem de Deus, que o Filho é a Palavra que Deus tem para dizer aos homens. Por isso Ele diz: “Escutai-O.”
Com a instituição do domingo da palavra, o papa Francisco também pretende uma aproximação maior dos cristãos e dos judeus já que a Palavra de Deus nos une. A Bíblia começou com o povo judeu e tem as suas raízes também no mesmo povo. Os protestantes dão todos muita importância à Palavra de Deus. Assim a Bíblia une-nos, faz de todos nós cristãos o povo da Palavra viva. Não a religião do Livro mas da palavra. A Palavra do livro fica aí imutável e não permite reinterpretações ou uma melhor compreensão, mas a Palavra viva vai sendo compreendida sempre melhor através dos tempos com o auxílio do Espírito Santo, da Tradição viva da Igreja e do magistério. Esta é uma das diferenças entre cristianismo e Islamismo que, estes sim, são a religião do livro, que não permite reinterpretação.
Enfim, a carta apostólica cha-ma, também, a atenção para percebermos que há um víncu-lo inseparável entre a sagrada escritura e a Eucaristia. Lem-bremos o texto base desta carta “E, quando se pôs à me-sa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no”. Vejam como é o percurso destes discípulos. Antes de se sentarem à mesa para se alimenta-rem do pão, eles recebem, pelo caminho, o alimento da própria escritura com a qual Jesus vai preparando os seus corações. «Não nos ardia cá dentro o coração quando Ele, pelo caminho, nos ex-plicava as escrituras?» Chegados à mesa, “Jesus deu graças, partiu o pão e entregou-lho” e os seus olhos abrem-se e só agora o reco-nhecem. É Ele! Foi a Escritura que os preparou para a ceia. Na eucaristia, a Ceia do Senhor, é sempre antecedida pela Leitura das escrituras e a sua meditação para que os nossos corações se abram depois à presença eucarística de Jesus no pão que nos ali-menta de outra forma, como Cordeiro imolado que tira o pecado do mundo. Após essa experiência com o ressuscitado, depois de ouvimos a sua voz e termos comido o seu corpo entregue por amor, somos chamados a partir como os discípulos de Emaús, a dizer aos outros: «Vimos o Senhor». É a evangelização que decor-re da Eucaristia. Ao fim de cada missa, esta é a nossa missão, pois a missa termina como celebração mas os seus efeitos em nós con-tinuam durante toda a semana em nossa casa, no trabalho, na escola e em todos os lugares deste mundo. Vivamos, então, essa nova realidade de uma Igreja em Saída, alimentados pelo pão da palavra e da eucaristia.
P. Francisco Morais, Vigário paroquial

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