Folha Paroquial nº 132 *Ano III* 05.07.2020 — DOMINGO XIV DO TEMPO COMUM

Folha Paroquial nº 132 *Ano III* 05.07.2020 — DOMINGO XIV DO TEMPO COMUM

Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e meu Rei.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mt 11, 25-30)
Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e
inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu
Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde
a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou
manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».”

REFLEXÃO

BENDIGO-TE, PAI, PELO TEU PLANO DE AMOR

Para compreendermos melhor as palavras de Jesus convém saber o que está antes. Depois dos primeiros sucessos que marcam o início da pregação de Jesus, com todo o caudal de novidade que continha, Jesus começa a confrontar-se com a recusa da fé n’Ele, pela maioria dos seus auditores. Vejamos o que dizem os versículos anteriores: Jesus começou a censurar as cidades onde tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem convertido: «Ai de ti, Corazim! Ai de ti , Betsaida! Porque se os milagres realizados entre vós, tivessem sido feitos em Tiro e em Sidon, de há muito se teriam convertido» (…) …É nesta ocasião que Jesus, olhando para os pobres e humildes que tinha à sua volta, aqueles que O aceitavam, exclama: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado.» Este grito de louvor mostra como Jesus não fica desanimado com o facto de muitos o recusarem. Ele sabe que tudo está nas mãos do Pai e tudo pertence ao seu plano de amor. Por isso O louva com confiança por aquele pequeno resto humilde que o segue. Quando olhamos a minoria de crentes praticantes que somos, no meio desta cidade, podemos ser tentados a deixar-nos esmagar pelo número tão pequeno de cerca de 7 a 10 % dos que frequentam a missa dominical. Mas pelo contrário, somos chamados a alegrar-nos n’Ele e a louvá-lo pelos caminhos que Ele permite que vivamos e também pelos discípulos de hoje que, com grande amor, O seguem e fazem tanto por Ele. Quantas vezes acabo por fazer um louvor semelhante quando vejo a quantidade de cristãos em S. José e S. João Baptista que tão dedicadamente se dão a Jesus e fazem coisas tão bonitas por Ele! Além disso, a Igreja em Portugal, ainda que minoritária, tem a maior obra social do país (60%) e o serviço que presta em tantos domínios à sociedade, vai imensamente para além do número dos que frequentam a liturgia dominical. Por isso, Ele nos convida à confiança: «Vinde a Mim vós todos que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei». Mas não é isto uma pretensão demasiado grande da parte do homem Jesus de Nazaré? Que diríamos nós de alguém que nos dissesse estas palavras? Jesus, ao dizê-las, fala-nos da consciência que tem de si mesmo e do mistério da sua identidade.
É pela relação com Deus seu Pai que o homem Jesus de Nazaré, fraco e sofredor como nós, se afirma, ao mesmo tempo, em comunhão amorosa com o mistério de Deus. “Tudo me foi dado por meu Pai”…”Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. Esta confidência faz-nos descobrir a consciência que Jesus tinha de si mesmo.
Humanamente falando, é uma pretensão insustentável. Ele afirma, com toda a clareza, que Ele é o único que conhece Deus e é o único capaz de dizer qualquer coisa de válido sobre Ele. É porque Ele partilha o amor trinitário que pode fazer esta afirmação. A identidade de Jesus escapa a toda a investigação da inteligência humana. Nós não temos acesso à sua pessoa senão pela Fé que reconhece que o Filho é igual ao Pai. Ele dirá a Pedro: “O que dizes de mim foi o meu pai quem to revelou” (Mt 16,16)
Permaneçamos humildes e pobres diante de Deus. É a melhor maneira de ter acesso à infinita riqueza da vida divina. Aquele que não é capaz de se esvaziar da sua auto-suficiência poderá acolher o amor infinito de Deus?
“Manso e humilde de coração”, segundo a palavra de Jesus, é tornar-se capaz de entrar na Paz e na glória de Deus. Os sábios e os entendidos, muitas vezes demasiado cheios de si próprios, poderão deixar espaço à sabedoria e ao conhecimento de Deus? O abaixamento de Cristo não foi uma destruição. Foi a aurora da sua ressurreição. Eis o que o Filho nos revelou pela sua vida como nos diz a oração de coleta da missa de hoje: “Pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído”.

Jesus, manso e humilde de coração,
tornai o nosso coração semelhante ao vosso.

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