Folha Paroquial nº 141 *Ano III* 11.10.2020 — DOMINGO XXVIII DO TEMPO COMUM

Folha Paroquial nº 141 *Ano III* 11.10.2020 — DOMINGO XXVIII DO TEMPO COMUM

Habitarei para sempre na casa do Senhor.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mt 22, 1-14)
Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’. Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados. O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’. Mas ele ficou calado. O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

VINDE AO BANQUETE

Deus, que nos criou com amor eterno e que derramou esse amor divino nos nossos corações ao transmitir-nos o Espírito Santo, como o dom acima de todos os dons, não cessa de nos fortalecer, animar e alimentar no nosso caminho. E o fim do caminho é a alegria eterna com Deus, a que chamamos Céu, a morada de Deus, onde o salmista de hoje diz que quer habitar para sempre.

É muito importante que não percamos o horizonte para não temermos as dificuldades e os assaltos do caminho. O horizonte são as águas refrescantes para onde o Bom pastor nos quer conduzir suavemente. Para lá chegar, posso ter que passar por vales tenebrosos mas nada temerei porque Ele está comigo (Salmo do dia ). Os santos viveram sempre nesta tensão para a frente, e não desfaleceram apesar de tantas dificuldades por que passaram, porque sabiam para onde iam e não queriam errar o alvo que é a terra das delícias com Deus. Santa Teresa de Ávila diz num dos seus poemas: “Vivo sin vivir en mí, y tan alta vida espero, que muero porque no muero.” E ouvíamos Paulo dizer na segunda leitura, de há duas semanas: “Preferia morrer para estar com Cristo, pois para mim viver é Cristo e morrer é lucro” (Fil 21,1). Eles tinham os olhos postos, não no caminho que os pés pisavam, mas olhavam para a frente, para o sol que os atraía a correr. Por isso Paulo diz-nos hoje, na segunda leitura: «Sei viver na pobreza e na abundância (…) Tudo posso naquele que me conforta.» É que Deus não só nos aponta o Céu como o termo glorioso da jornada, como também nos faz viver já durante o caminho a sua presença consoladora, dando-nos todas as ajudas e graças para que não desfaleçamos e não erremos o alvo da nossa vida, continuando o caminho alegremente. Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que vivia já um bocado do céu na terra porque “o céu é Deus e Deus vive em mim.”

O salmo que cantámos hoje, tão cheio de consolação e força, diz-nos que «Ainda que tenha de passar por vales tenebrosos, nada temo porque vós estais comigo (…) Para mim preparais a mesa… e o meu cálice transborda.» A mesa, o banquete das núpcias, é símbolo da alegria definitiva do Reino a que somos chamados. Aquele monte santo é o Céu, como está bem explícito: “Aqui, sobre este monte, o Senhor, há de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo.”

No entanto, até lá chegarmos, durante o caminho, Deus não nos deixa morrer de fome. Sacia-nos com o pão do Céu, que é o seu corpo entregue e o seu sangue da aliança. Como outrora o povo de Israel que caminhava no deserto, Deus o alimentou com o maná ou, ainda mais tarde, quando Elias se refugiou no deserto e, esgotado pelo cansaço, com fome e sede, quis morrer, um anjo lhe aparece e lhe oferece pão e água fresca fazendo-o comer e beber por duas vezes, e levantando-o fê-lo continuar o caminho. E esse caminho conduziu-o ao encontro com o Deus vivo no Monte Horeb. A Eucaristia é o alimento do caminho, é a força e o ânimo que Deus nos dá no meio das dificuldades da vida. «Tudo posso naquele que me conforta.» E Deus conforta-nos quando não recusamos o convite que nos é feito no Evangelho de hoje: «Vinde às bodas.» Vinde ao encontro com o Deus vivo. Deus convida-nos à Eucaristia. Penso que Deus deve sentir uma grande dor porque tantos que se dizem cristãos desprezam tanto este inaudito dom que Jesus nos deixou e para o qual continua insistentemente a convidar-nos: “Vinde às bodas.” Como os da parábola também muitos continuam a arranjar mil e uma desculpas. E agora, com a covid, arranjámos mais uma: «Não é seguro». Parece que todos os lugares hoje são seguros menos a igreja. E eu acho que é o lugar mais seguro se continuarmos a fazer tudo como temos feito. Às vezes vemos imagens em certos filmes em que aldeias cheias de gente faminta por causa da guerra ou das cheias, quando chegam os camiões da ajuda alimentar da ONU ou de ONG’s, todos se precipitam para os camiões para terem a certeza de que lhes chega alguma comida, ainda que passem uns por cima dos outros. Se tivéssemos semelhante fome do Deus vivo, correríamos à procurar a Eucaristia fosse a que horas fosse, custasse o que custasse, porque nela encontramos o principal do que precisamos para o caminho até chegar àquele banquete derradeiro em que O Senhor, cingindo-se, mandará que nos sentemos à mesa e nos servirá (Lc 12,37)

Demos alegria a Deus e venhamos às bodas, à Eucaristia, para chegarmos ao banquete derradeiro que Ele prepara para nós desde toda a eternidade.

Estamos a viver momentos difíceis que ainda não tivemos tempo de processar bem. O que mais custa é não saber quando isto vai terminar. E há muita gente angustiada e profundamente solitária: de modo particular os idosos nos lares, mas muita outra gente. A todos os que se encontram em sofrimento e angústia, seja o da covid, seja outro sofrimento qualquer, ouçamos a experiência de Paulo que é também a experiência de todo o cristão que aceita viver o seu caminho com Deus: «Tudo posso n’Aquele que me conforta». Ou ainda o que diz o salmo: “Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome: Não temerei nenhum mal porque vós estais comigo, o vosso báculo – isto é, a vossa presença – me enche de confiança.”

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