Folha Paroquial nº 147 *Ano III* 22.11.2020 — JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

Folha Paroquial nº 147 *Ano III* 22.11.2020 — JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mt 25, 31-46)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’. E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

É NECESSÁRIO QUE ELE REINE

Porque é que é necessário que Ele reine como nos diz a primeira leitura?
Porque a Sagrada Escritura e a experiência humana, ao longo dos séculos e, de modo particular, nos nossos dias, nos mostra que a humanidade não tem saída sem que Cristo reine no mundo. O primeiro capítulo da encíclica Fratelli Tutti, do papa Francisco, tem como título «as sombras de um mundo fechado». E o papa, que é um homem de fé e de esperança, não deixa de nos mostrar as sombras deste mundo que, tendo avançado tanto científica e tecnologicamente, deixa tantos para trás que são “descartados” e esquecidos socialmente. Chegou-se a pensar que, com o progresso económico e social e com políticas de justa distribuição das riquezas, chegaria um tempo novo onde as desigualdades seriam grandemente reduzidas e a extrema pobreza desapareceria. Devemos todos continuar a lutar pela paz e pela justiça, sem nunca desistir de um mundo mais justo e mais fraterno, mas a realidade mostra que os homens entregues a si mesmos acabam por pensar só em si. A Constituição pastoral Gaudium et Spes lembrava-nos, na década de sessenta, que “os desequilíbrios de que sofre o mundo atual estão ligados com aquele desequilíbrio fundamental que se radica no coração do homem. Porque, no íntimo do próprio homem, muitos elementos se combatem.(…) Sofre assim em si mesmo a divisão, da qual tantas e tão grandes discórdias se originam para a sociedade” (nº 10) e, mais à frente, no nº 37, afirma: “A Sagrada escritura, confirmada pela experiência dos séculos, ensina que o progresso humano, tão grande bem para o homem, traz consigo também uma grande tentação: perturbada a ordem de valores e misturado o bem com o mal, os homens e os grupos consideram apenas o que é seu, esquecendo o dos outros. Deixa assim o mundo de ser um lugar de verdadeira fraternidade, enquanto que o acrescido dos homens ameaça já destruir o próprio género humano”. E, nesta altura, ainda não estávamos tão mal como agora, quanto às ameaças climáticas e outras. E depois, a Constituição lembra que só em Cristo morto e ressuscitado o mundo tem saída e será purificado. Por isso, escolhi para título desta reflexão uma frase da segunda leitura de hoje: «É necessário que Ele reine», para que todo o mal, soberba, injustiça, sejam colocadas debaixo dos seus pés. E Cristo reina não pelo amor da força, mas pela força do amor e da misericórdia. Vejamos as leituras que a Igreja escolheu para este dia: na primeira leitura, Deus apresenta-se como o bom pastor que se compadece das suas ovelhas abandonadas e feridas e vai buscá-las com ternura para as tratar, fortalecer e alegrar. Este Rei é um servo que lava os pés, que perdoa, que sara os corações dilacerados, que dá a vida pelas suas ovelhas. Ele conquista-as pela bondade e pela misericórdia e não pela violência e pela força. No Evangelho, é-nos dito que Jesus, o Rei universal, iluminará com a sua luz toda a nossa vida. Quando chegarmos junto d’Ele, “à sua Luz, nós veremos a luz”. Não precisaremos de palavras, nem ninguém nos julgará, senão nós mesmos, quando nos vermos inundados pela luz do amor eterno. Se vivemos no amor e na compaixão, essa luz far-nos-á sentir bem, acolhidos, como quem se sente em casa. «Vinde, benditos de meu Pai, para o reino que vos está preparado». Mas se, à luz do amor, só vemos em nós as trevas do encerramento no egoísmo e no desprezo pelos outros, dar-nos-emos conta de que «Ele teve fome e não lhe demos de comer, esteve sozinho e não nos importámos, esteve doente e na prisão e fechámos o coração». E então, diante do amor, a nossa dor de não termos amado será insuportável. Por isso, enquanto é tempo, convertamo-nos todos ao amor. É necessário que Cristo reine no nosso coração para que reine no mundo, e este seja transformado em reino de Deus onde habita a justiça e a fraternidade. “Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai, depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder”. Diz-nos ainda a Constituição citada: «Constituído Senhor pela sua ressurreição, Cristo, a quem foi dado todo o poder no céu e na terra, atua já pela força do seu Espírito no coração dos homens; não suscita neles apenas o desejo da vida futura, mas, por isso mesmo, anima, purifica e fortalece também aquelas generosas aspirações que levam a humanidade a tentar tornar a vida mais humana e a submeter para esse fim toda a terra.» Esta é a nossa missão de súbitos deste Rei do amor. Que Ele reine em nós, que nós cristãos sejamos construtores da esperança de um mundo novo, que trabalhemos mais pela nossa conversão interior e pela conversão das estruturas de pecado que bloqueiam a fraternidade entre os homens tornando-nos num mundo egoísta. Esta pandemia veio mostrar-nos à saciedade que estamos todos interdependentes, para o bem e para o mal, e que não podemos viver como queremos só pensando em nós, sob pena de prejudicarmos o conjunto e espalhar o vírus do nosso pecado contaminando todos os outros. Celebrar Cristo-Rei, leva-nos a deixar-nos conduzir pela Esperança que vence todo o derrotismo. Mas, a Esperança não é passiva, pelo contrário, é uma força poderosa que nos leva a agir, guiados pelo Espírito de Cristo e pelo seu mandamento do amor para insuflarmos no mundo a semente do reino, “reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz.” Quase me apetece dizer: Cristãos de todo o mundo e, todos vós, homens de boa vontade, uni-vos para serdes força transformadora de um mundo novo. Precisamos de refletir mais sobre a inserção dos cristãos no meio do mundo e lembrar aos leigos que a sua principal vocação são as realidades terrestres onde devem estar para darem o seu contributo para um mundo mais justo para que Cristo seja Rei e Senhor da história.

Jesus Cristo, Rei e Senhor Universal,
Reina nos nossos corações! Enche-nos do teu Espírito
E conduz os nossos passos pelos caminhos do amor fraterno.
Dá-nos o teu olhar de amor e compaixão sobre os irmãos e sobre o mundo.
Dá-nos a tua força para sermos construtores da história.
Não permitas que vivamos uma fé desencarnada e angélica,
Mas conduz-nos pelos caminhos do compromisso com a humanidade.
Que a Ceia da comunhão fraterna, que celebramos em cada Domingo,
alargue o nosso coração,
para amarmos o mundo e lutarmos pela justiça e pela paz.
Dá-nos um coração cheio de bondade
que se torne vulnerável diante dos pobres,
dos doentes e de todos os esquecidos.
Graças pelos homens e mulheres que “primeiraram”
Seguindo os teus passos.
Penso em Andreia Ricardi, da comunidade de Santo Egídio!
Hoje são chamados a mediar conflitos internacionais
Mas começaram pela visita aos pobres de Roma.
Eu sei, Senhor: Nós podíamos fazer mais e melhor
para que o teu reino crescesse no mundo!
Perdoa a nossa negligência, mas não desistas de nos enviar
o teu Espírito como um vento impetuoso
que nos empurre para as periferias do mundo.
Glória a ti, Cristo, Rei e Senhor do Universo
Amen

 

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