Folha Paroquial nº 149 *Ano IV* 06.12.2020 — DOMINGO II DO ADVENTO

Folha Paroquial nº 149 *Ano IV* 06.12.2020 — DOMINGO II DO ADVENTO

Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salvação.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mc 1, 1-8)
Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». Apareceu João Baptista no deserto, a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados. Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. João vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. E, na sua pregação, dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

“1. Às vezes, no cinema, vemos filmes que começam com o final da história. Por exemplo, começa-se num funeral e depois a partir dali mostra-se a história daquela vida que agora findou para este mundo. S. Marcos começa também assim o seu Evangelho: diz-nos no início aquilo que só se pode saber no final, a saber, que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. E afirma-o porque quer dizer-nos que não devemos ler nenhum dos momentos da vida de Jesus que Ele vai descrever sem ter subjacente esta identidade de Filho de Deus.
Ele começa o seu Evangelho com a mesma expressão usada no início da Bíblia, no livro dos Génesis. «No princípio criou Deus o céu e a terra» (Gén 1,1). Agora S. Marcos escreve: «Início da Boa Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus». É, portanto, o próprio Deus que vem, na pessoa de Jesus, dar um novo início à história humana, realizar a nova criação. E nós estamos no Advento como quem se prepara para recomeçar.
Este Evangelho de Marcos abre pela pregação de João Baptista: “Uma voz clama no deserto”…“Apareceu João Baptista no deserto.”

2. Podemos questionar-nos: – Porque foi ele para o deserto, quando tinha uma mensagem tão importante para os homens? No deserto não há pessoas! Não teria sido melhor escolher uma cidade ou um lugar de encontro de muita gente?
Na Bíblia, o deserto é um “lugar teológico”, isto é, é o lugar do encontro com Deus, e tem uma densa simbologia. É neste espaço inóspito e despojado, onde falham todas as seguranças humanas, que Deus pode falar ao coração do homem para o convidar à conversão. «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». As auto-estradas encurtaram maravilhosamente o nosso caminho. Mas para isso colinas escarpadas foram aplanadas, montes foram rasgados por túneis de um lado ao outro, vales foram alteados, pontes uniram margens separadas e longínquas, viadutos cruzaram planícies viçosas. Isaías parece ser do nosso tempo ao desejar que se façam no deserto caminhos aplanados para que a mensagem da Boa Nova não encontre nenhum obstáculo que a possa tornar demasiado lenta a chegar aos corações. Mobilizemo-nos, retirando todos os obstáculos que possam impedir o Senhor de passar e vir ao nosso encontro.

3. Mas Isaías acrescenta ainda uma outra imagem: «Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião! Grita com voz forte, arauto de Jerusalém! Levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá: «Eis o vosso Deus.» É nos montes mais altos que os emissores de rádio e televisão, bem como as antenas dos telemóveis, são colocados. É preciso que todos tenham bom acesso às Boas novas e rejubilem de alegria, porque o Senhor Deus vem e já está a chegar, trazendo consigo a recompensa.
O grupo de comunicação da Unidade Pastoral está a trabalhar no primeiro número de uma revista que seja uma auto-estrada ou um monte elevado que nos ligue mais uns aos outros e leve, sem obstáculos, a todos, a Boa Nova de que Jesus está vivo a transformar as nossas vidas.
O deserto é também o símbolo da aridez dos nossos corações. Nós vemo-lo todos os dias. Os nossos corações parecem-se frequentemente com esta terra árida, sequiosa, sem água. Pensemos em todos esses desertos onde o homem se tornou pior que os lobos para os outros homens. E não esqueçamos os inúmeros desertos de solidão, os desertos de amor daqueles que não se sentem amados. Ora, é nos desertos da nossa vida que Cristo vem para nos encontrar e transformá-los em oásis refrescantes. Não nos diz Ele que é o bom pastor que nos leva às águas refrescantes?

4. Na segunda leitura, respondendo aos cristãos que dizem que o dia do Senhor tarda em chegar, S. Pedro diz-lhes que Deus é paciente e que lhes dá tempo para amadurecerem na fé . Ele dá a cada um o tempo e a possibilidade de se converterem. Mas uma coisa é certa: o dia do Senhor virá inexoravelmente e de maneira imprevisível. Até lá, devemos dar a Cristo o primeiro lugar nas nossas vidas. Natal é Jesus que vem até nós. Viver o natal é antes de mais acolher esta vinda do Senhor que vem irrigar os nossos desertos. Ele faz reviver aquilo que parecia já morto. Que Ele venha ao coração de todos.”

 

Deixar uma resposta