Folha Paroquial nº 151 *Ano IV* 20.12.2020 — DOMINGO IV DO ADVENTO

Folha Paroquial nº 151 *Ano IV* 20.12.2020 — DOMINGO IV DO ADVENTO

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Lc 1, 26-38 )
Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra»”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

O SENHOR VAI FAZER-TE UMA CASA

1. David quer fazer uma casa para o Senhor, talvez cheio de boas intenções, mas sem se dar conta de que, provavelmente, poderá estar à procura da sua própria glória. É sempre uma tentação pensarmos que fazemos grandes coisas para Deus e tirarmos glória para nós em vez de darmos glória a Deus. Inicialmente, o profeta diz-lhe: «Faz o que te diz o coração porque Deus está contigo». E é o que fazemos habitualmente quando não discernimos a vontade de Deus. Seguimos o nosso coração. Mas muitas vezes enganamo-nos, pois o nosso coração inclina-se para os nossos desejos escondidos. Mas o profeta Natã recebeu a palavra de Deus e foi depois dizê-la a David. Deus manda dizer-lhe: «És tu que vais construir uma casa para eu habitar? Quando peregrinava com o povo no deserto desde a saída do Egipto, não habitei em casa alguma mas peregrinava alojado numa tenda.» A casa onde o Senhor habitava era o seu povo. “A sua alegria era habitar no meio dos filhos dos homens”. Por isso Deus diz a David: «Não és tu que me construirás uma casa, mas sou eu que te construirei uma casa». Essa casa é a sua descendência da qual nascerá o Messias. Através dele, Deus acampará no meio dos homens, como irá dizer S. João: «E o verbo incarnou e acampou no meio de nós». Às vezes temos a veleidade e a vaidade de pensarmos que somos generosos para com Deus, mas é Deus que nos dá tudo e que sempre tem a iniciativa de nos encher da sua misericórdia.

2. Maria, a mãe de Jesus é a casa digna que Deus procura para que o seu Filho habite no meio de nós. Com o seu sim incondicional que desfaz a desobediência de Eva, Maria, é a Mulher Nova que esmaga a cabeça da serpente segundo as palavras do Génesis e torna-se a digna morada de Deus e a nova Arca da Aliança onde Deus agora habita. É como Arca da aliança que ela vai visitar Isabel. E é recebida por esta, como outrora David diante da arca do Senhor, através do louvor: «Donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Feliz aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor.» O próprio João Baptista já exulta de alegria no ventre materno, diante da proximidade do Verbo de Deus. E estas duas mulheres cantam a misericórdia de Deus. E nós também somos chamados a cantar o mesmo louvor diante da proximidade do Natal. «Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor».

Percebemos assim que a casa que Deus procura, em primeiro lugar, não é a de cedro ou de tijolos, ou de pedra ou mesmo de pedras preciosas. A casa que Deus procura são corações humildes, cheios de fé e de reconhecimento como o de Maria. Somos chamados a ser um povo de louvor que reconhece tudo quanto Deus fez por Ele e O anuncia de geração em geração. Deus habita no meio do louvor do seu povo. O louvor de Deus é o anti-pecado, pois é o contrário da impiedade. S. Paulo diz que o pecado fundamental é a impiedade, que consiste exatamente na recusa de glorificar a Deus e de lhe agradecer. Dito de outro modo, consiste na recusa em reconhecer Deus como Deus e de lhe dar a adoração que lhe é devida. Um salmo proclama: «Diz o ímpio no seu coração: -Não há Deus.» Isto é a irreligião, o ateísmo, que consiste em recusar Deus como criador e recusar-se a si mesmo como criatura. É um dos grandes pecados de sempre e, de um modo especial, da época moderna. Por isso, o louvor é por excelência o anti-pecado, pois se o pecado-mãe, origem dos outros, é a impiedade, quer dizer, a recusa em glorificar Deus e dar-lhe graças, então o contrário do pecado não é a virtude, mas o louvor. O contrário da impiedade é a piedade. Por isso, o louvor destrói o nosso orgulho e torna-nos cada vez mais humildes. Maria é a mulher do louvor, porque reconhece que tudo nela é obra de Deus. Quando Isabel a louva pela sua fé e lhe chama “Mãe do meu Senhor”, ela descentra-se completamente dela para cantar Deus e as maravilhas que fez nela.

3. Quando o povo é capaz de perceber que a habitação que Deus prefere são corações convertidos, cheios de fé e de reconhecimento, Deus pode então aceitar uma casa para que o povo se reúna à volta d’Ele. Quando o amor de Deus nos arrebata e nos toca, depressa aparece o dinheiro necessário para construir a casa. E já temos sido testemunhas de muito amor e generosidade de tantos irmãos da comunidade que desejam muito ver a paróquia com um centro paroquial e uma nova igreja. Fiquei tocado quando ao terminar este Alpha alguns participantes online que vivem longe de Coimbra mas que já visitaram a paróquia e participaram nas nossas celebrações litúrgicas, quiseram manifestar a sua gratidão a Deus, enviando ajudas significativas para a construção da igreja dizendo: «Gostaria de ver essa igreja construída». Quando crescer mais o número de paroquianos que, experimentando a salvação do Senhor, viverem a mesma gratidão transformada em atos, a igreja construir-se-á depressa. Que Ele habite no meio de nós e nasça em todos os corações e que nós cantemos eternamente a Sua misericórdia.

 

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