Folha Paroquial nº 156 *Ano IV* 24.01.2021 — DOMINGO III DO TEMPO COMUM

Folha Paroquial nº 156 *Ano IV* 24.01.2021 — DOMINGO III DO TEMPO COMUM

Ensinai-me, Senhor, os vossos caminhos.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mc 1, 14-20)
Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Jesus partiu para a Galileia e é aí que começa a sua pregação: quer dizer, a Boa Nova do Reino de Deus vem da Galileia, essa região suspeita, da qual se perguntava “de lá pode vir alguma coisa boa?”. E Jesus começa a proclamar: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

«Cumpriu-se o tempo!» O povo de Israel tem uma noção de história muito particular: não é circular, mas linear. Para ele, a história não é um contínuo recomeço, mas tem um SENTIDO, quer dizer, um significado e uma direção. Há um princípio e um fim da história e é no quadro desta história humana que Deus desenvolve o seu projeto de Aliança com a humanidade. Dizer «Cumpriu-se o tempo», quer dizer que chegámos à meta, ao fim. Este fim é o Dia do Senhor, em que “O Espírito será derramado sobre toda a carne” segundo a promessa do profeta Joel (Joel 3,1). João Baptista viu na vinda de Jesus o cumprimento desta promessa quando disse: «Eu batizo-vos na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo». É esta a Boa Nova, o Evangelho: O dia de Deus vem, “O Reino de Deus está próximo”,(literalmente no texto grego, o Reino de Deus aproximou-se), o que quer dizer duas coisas: primeiramente, o reino de Deus é dom que só temos de acolher. É Ele que se aproxima, por dom da graça divina. Segundo, é já uma realidade. O Reino de Deus já se aproximou, já está no meio de nós. No batismo de Jesus os céus abriram-se e o céu comunicou com a terra. A conversão à qual Jesus nos convida consiste simplesmente em acreditar que o dom de Deus é atual e é gratuito. Isto permite-nos compreender a expressão «Convertei-vos e acreditai na Boa Nova». Em português o «e» quer dizer «além disso, além do mais»; e então a expressão pode ser entendida com a lemos habitualmente: “convertei-vos e, além do mais, acreditai na Boa Nova”; mas, em grego, o «e» quer dizer também “isto é”; a expressão ganha então um sentido diferente daquele em que costumamos ler: “Convertei-vos, isto é, acreditai na Boa Nova.” Converter-se é acreditar no Evangelho, acreditar que a Notícia é Boa, que Deus é amor e perdão, que Ele nos ama com um amor gratuito e que o seu amor é para todos. E realmente acreditar nisto é uma grande conversão, uma grande mudança do coração, pois na nossa cultura, formação e hábitos, «não há almoços grátis». Temos muita dificuldade em aceitar a gratuidade do amor de Deus. É por isso que a primeira leitura que nos é proposta este Domingo é tirada do livro de Jonas que diz fundamentalmente o seguinte: primeiro, Deus quer a salvação de todos os homens e não só de alguns privilegiados; segundo, vede o exemplo de Nínive, Deus só espera um gesto da vossa parte, que manifesteis a sua fé no seu amor salvador e no seu perdão para serdes salvos. Nesta história tão bela do profeta Jonas, manifesta-se bem a diferença de pensar do profeta Jonas e do pensar de Deus. Deus vê um povo numeroso que corre o risco de morrer da sua má conduta e Jonas tem um coração ainda muito reduzido à esfera do seu povo. Não está disposto a correr riscos por causa da salvação de um povo inimigo de Israel. A verdade é que este povo, ao contrário de Israel, quando escuta a pregação de Jonas, converte-se e faz penitência, para desconsolo de Jonas. O episódio final do rícino é uma verdadeira lição de pedagogia, maneira de Deus fazer compreender a Jonas «Tu não és um bom profeta se não amas como eu todos os homens».

Que gesto fareis para lhe manifestar a vossa fé? É neste sentido que Paulo diz na sua segunda carta aos Coríntios: «Deixai-vos reconciliar com Deus», o que quer dizer: “Acreditai que o seu desígnio é benevolente. Deixai de vos comportardes como Adão que pensava que Deus era mal-intencionado!” A palavra conversão em hebraico tem o sentido de «dar meia volta, voltar-se». Se nos voltamos para Deus, vê-lo-emos tal como Ele é, quer dizer, Deus de amor e de perdão. Foi esta a descoberta do filho pródigo quando disse: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai”. E voltou-se na direção contrária àquela que vinha seguindo até ali. Deu meia volta, converteu-se, mudou a direção da sua vida.

O reino de Deus aproximou-se dos primeiros discípulos quando Jesus passou e os chamou. Como em toda a vocação, há sempre duas fases, a do chamamento e a da resposta. Jesus passa, vê-os, e chama-os: a iniciativa é d’Ele; para os discípulos de ontem e para nós, os discípulos de hoje, é o reino que se aproxima de nós e nos chama a entrar nele; quanto à resposta dos primeiros, é-nos dito: «Imediatamente, deixando as redes, seguiram Jesus». Jesus disse-lhes: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens.» Ele não lhes promete alguma coisa para eles próprios, mas para os outros. Associa-os ao seu trabalho, à sua missão. Repescar os homens para os colocar no caminho de Deus, como fez Jonas com a sua pregação. Todo o discípulo, de ontem e de hoje, é chamado por Jesus para o mesmo. Entrar no seguimento de Jesus para participar também na sua missão, chamar os homens para o caminho de Deus. É isto ser discípulo-missionário.

Que Deus aumente em nós o desejo e a graça de vivermos como discípulos que O seguem e como missionários que apontam o caminho para Jesus que veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância.

 

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