Folha Paroquial nº 175 *Ano IV* 06.06.2021 — DOMINGO X DO TEMPO COMUM

Folha Paroquial nº 175 *Ano IV* 06.06.2021 — DOMINGO X DO TEMPO COMUM

No Senhor está a misericórdia e abundante redenção.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mc 3, 20-35)

Naquele tempo, Jesus chegou a casa com os seus discípulos. E de novo acorreu tanta gente, que eles nem sequer podiam comer. Ao saberem disto, os parentes de Jesus puseram-se a caminho para O deter, pois diziam: «Está fora de Si». Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: «Está possesso de Belzebu», e ainda: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios». Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se. E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode durar. Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não pode subsistir: está perdido. Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar: só então poderá saquear a casa. Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: será réu de pecado para sempre». Referia-Se aos que diziam: «Está possesso dum espírito impuro». Entretanto, chegaram sua Mãe e seus irmãos, que, ficando fora, O mandaram chamar. A multidão estava sentada em volta d’Ele, quando Lhe disseram: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura». Mas Jesus respondeu-lhes: «Quem é minha Mãe e meus irmãos?». E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse: «Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe»”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

As leituras de hoje abordam o problema do mal com o qual nos deparamos todos os dias e do qual somos vítimas, mas também fazedores.

Desde o princípio, o homem traz consigo uma inclinação para o mal: tende para o egoísmo, para o orgulho, para o domínio sobre os outros, para a intemperança dos sentidos. Quando dá livre curso aos seus instintos naturais temos as guerras, os abusos da natureza, a força destruidora da poluição, os abusos sexuais, o tráfico de seres humanos, a desigualdade crescente entre ricos e pobres e nunca mais acaba o novelo do pecado que nos destrói. E perguntamo-nos, como o fazem os bispos portugueses, numa nota sobre a pandemia: «Onde foi parar o ser humano?»

Todo o mal feito por uma pessoa a si mesma, ao ambiente e aos outros, atinge a todos, pois «tudo está conectado», diz o Papa Francisco. Somos solidários também no mal, ainda que o não queiramos. O governo, que não acautelou a final do campeonato no campo de Alvalade, ou no Porto, e as pessoas que num lado e noutro, se juntaram, sem máscara, e sem qualquer responsabilidade social, não fizeram um mal só a si mesmos, feriram todo o país que, entretanto, passou para risco amarelo na abordagem do Reino Unido o que vai diminuir em muito o fluxo de turistas empobrecendo o país.

É possível esperar uma vitória sobre o mal? É possível esperar uma vitória sobre o imenso sofrimento causado pelos homens com as suas ações injustas? O cristão dá uma resposta positiva a estas perguntas, e não porque disponha de respostas «racionais» ao problema do mal (que é e continua a ser um problema sem sentido e sem resposta, a que a tradição chamou o mistério da iniquidade), nem dispõe de receitas fáceis para o eliminar, mas porque pode referir-se como modelo a Cristo e à sua resposta: só é possível vencer o mal, contrapondo-o ao bem. Dito de outra maneira: o poder destruidor do mal pode ser vencido, substituindo-o pelo «Reino de Deus». Quem em Jesus e através de Jesus tenha reconhecido em ação a força do amor de Deus aos homens, será também capaz de sentir paixão pelo homem e realizar obras, talvez pequenas em aparência, mas que deixam, no entanto, vislumbrar um mundo mais justo. Quase todos conhecemos pessoas que levadas pelo desejo de mudar as situações de injustiça, de pobreza, de exploração, de agressão ao meio ambiente arregaçaram as mangas e, associando-se a outros, começaram a fazer a diferença. Isto não é ainda o combate contra a raiz do mal, mas é muito necessário pois trata-se do combate contra os sintomas e as consequências do mal. O mal-organizado vai criando estruturas de pecado que são difíceis de combater e que é preciso muita luta para conseguir algumas pequenas vitórias. A escravatura, como sistema, foi e continua a ser, uma poderosa estrutura de pecado. A corrupção endémica em alguns países e também no nosso, é uma poderosa teia de pecado.

Sem deixar de lutar acerrimamente contra estas cadeias destruidoras não podemos esquecer que a luta contra o mal é mais profunda, trava-se no coração de cada um de nós. Não nos damos conta ainda suficientemente da importância do anúncio do Reino de Deus que leva à conversão e transforma as trevas em luz. Mas o que permite que muitos se dediquem ao serviço dos seus irmãos destruindo as consequências do pecado na luta contra as injustiças é o facto de terem conhecido Jesus e a Luz que vem d’Ele e se puseram a combater o mal. Quando Jesus enviou os 72 discípulos à sua frente a todas as cidades e lugares aonde ele devia ir, dando-lhes as instruções de como deviam anunciar o evangelho, eles voltaram cheios de alegria ao verem que, pelo anúncio do evangelho, até os demónios se lhes sujeitavam. Ouçamos o texto: “Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios se sujeitaram a nós, em teu nome.» Disse-lhes Ele: «Eu via satanás cair do céu como um relâmpago.» O anúncio do Evangelho faz que Satanás entre em retirada. O seu campo é vencido.

A história dos homens apresenta-se como uma história de ruturas, de egoísmos, como negação da comunhão, como ausência de salvação. As relações que constrói estão frequentemente marcadas pelo ódio, pela violência, pelas divisões. Deus, conhecendo o coração humano e a sua divisão, enviou-nos um salvador para libertar o nosso coração da escravatura do pecado. Ele revela-nos o sentido último da vida humana. Sempre que o homem acolhe Jesus, encontra nele força para sair das cadeias do mal e do pecado. Quanto os homens precisam de o acolher no seu coração para termos um mundo novo!!! Dizia Tony Blair: “sem Cristo, este mundo vai para a ruína”

O Bem vence o mal, sempre que o evangelho entra profundamente no coração de alguém. E essa é a missão principal que Jesus nos confiou.

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