Acerca do lugar da celebração das exéquias cristãs

Acerca do lugar da celebração das exéquias cristãs

A pandemia tem sido ocasião para se propagarem alguns enganos às famílias enlutadas que é preciso elucidar.
É-lhes dito, ou pelas funerárias ou porque começa a ser voz comum que se espalha, que agora, por causa da pandemia, não pode haver funerais na igreja, o que é totalmente falso. A conferência episcopal Portuguesa, em diálogo com a Direção geral da saúde, emanou um comunicado no início da pandemia. A 8 de maio de 2020 e que depois foi confirmado na nota de 21 de janeiro de 2021 e que diz o seguinte:
As exéquias cristãs devem ser celebradas na igreja (com celebração da Palavra ou da Eucaristia) e/ou no cemitério com a presença dos familiares, tendo em conta as normas de segurança. (nº 72)
Apesar de tal ser difícil nestes momentos de dor, não deixe de se recomendar a omissão de gestos de afeto que impliquem contacto pessoal e a importância de se manter a distância de segurança ( nº73)
Ora o que está a acontecer é que, mesmo famílias cristãs, estão a aceitar levar os seus defuntos que sempre foram pessoas cristãs, para os crematórios e pedem então lá uma celebração religiosa e, embora isso não seja recusado, perguntamo-nos qual é a vantagem. Maior segurança sanitária? Parece ser o contrário, pois a capela do crematório ou do cemitério é sempre menor e menos segura do que as igrejas que são espaçosas e largas.  Mas, além disso, tem muito mais sentido religioso, espiritual e teológico passar pela igreja e explico porquê.
Uma pessoa torna-se cristã, pelo batismo que é recebido no seio e na casa da Mãe igreja. Em cada Domingo essa fé batismal é alimentada pela Palavra e pela Eucaristia. Essa refeição sagrada fortalece-nos nesse vínculo de comunhão e unidade que nos fez irmãos a partir da nossa união com Cristo pelo batismo.  Por isso, na longa tradição da Igreja, os defuntos, passam uma última vez pela “Sua Casa”, a casa da família de fé a que pertence e, o Círio pascal que se acende diante do seu caixão, é o mesmo que se acendeu no batismo, para lhe dar a luz da fé que agora o conduz à morada eterna.  A água com a qual é aspergido nas suas exéquias é sinal daquela água que, juntamente com o Espírito Santo, o fez renascer para uma vida nova. O rito das exéquias está cheio de elementos batismais a lembrar-nos que “a Igreja pede que os seus filhos, incorporados pelo Batismo em Cristo morto e ressuscitado, com Ele passem da morte à vida e, devidamente purificados na alma, sejam associados aos santos e eleitos no céu. Por isso a Igreja oferece pelos defuntos o Sacrifício Eucarístico, memorial da Páscoa de Cristo, eleva orações e faz sufrágios por eles, para que, pela comunhão de todos os membros de Cristo, todos aproveitem os frutos desta liturgia: auxílio espiritual para os defuntos, consolação e esperança para os que choram a more.” Da introdução ao ritual das exéquias.”
Concluindo. A celebração das exéquias pode ser feita na igreja paroquial ou na capela do cemitério em tempo de pandemia, mas a forma com mais sentido teológico e com maior capacidade de ajudar a fazer o luto dos familiares, parece-me ser na Igreja. As famílias são sempre livres de escolher desde que estejam informadas e não sejam enganadas dizendo-lhes que agora não há funerais na igreja e que deve ser tudo no crematório ou nos cemitérios.

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