Apresentando o Plano Pastoral a toda a Unidade Pastoral

Apresentando o Plano Pastoral a toda a Unidade Pastoral

No sábado, dia 9, esteve reunido o Conselho Pastoral da UP com os Conselhos Económicos e responsáveis de vários grupos onde se apresentou a Visão da UP e o Plano Pastoral. Ficou claro que, se quisermos que o plano tenha impacto nas paróquias, é fundamental que a comunidade toda o conheça, se aproprie dele, e se entusiasme com o que pode acontecer se o pusermos em prática. Por outro lado, quando a comunidade começa a ver coisas novas a acontecer, dá-se conta de que algo se passa e também deseja colaborar com entusiasmo para que a Igreja responda melhor ao que Deus espera dela nos tempos atuais.

Na semana passada dissemos já que o Plano está construído sobre os cinco essenciais da vida cristã. E lembrámos quais eram:

-A oração e os sacramentos que nos permitem viver em união com Deus crescendo na alegria e na esperança;
-A vida fraterna, que nos leva a juntarmo-nos à família de Deus e a tecer com ela laços de comunhão e de amor fraterno;
-A formação do discípulo, que nos transforma e nos torna adultos na fé;
-O serviço, que permite exercer os nossos dons e os nossos talentos ao serviço dos outros;
-A evangelização, que consiste no anúncio do amor de Deus àqueles com quem nos cruzamos no dia a dia.

Quer isto dizer que, vivendo cada um destes aspetos essenciais para o crescimento de um discípulo ou de uma comunidade de discípulos, tanto cada um particularmente como a comunidade só pode crescer e frutificar.
Para entendermos bem cada um vamos explicá-los durante o ano, à razão de um essencial por mês, terminando em cada mês com um símbolo que permanecerá na igreja.
A ordem que usamos é mais ou menos arbitrária. Mas, como estamos no Dia Mundial das Missões, começamos por aquele essencial que na ordem que expus em cima vem em último lugar.

1º Essencial da vida cristã: A Evangelização
Evangelizar constitui a missão essencial da Igreja (…) a sua graça e vocação própria, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar” (nº 14 da Evangelli Nuntiandi de Paulo VI)


A Igreja evangeliza em primeiro lugar porque o Senhor Jesus a mandou, ou melhor, nos mandou a todos, quando disse antes de partir para o céu: «Ide por todo o mundo, fazei discípulos de todos os povos, batizai-os e ensinai-os a cumprir tudo quanto vos mandei.» Uma outra razão é-nos recordada pelo Papa Francisco na mensagem para o Dia Mundial das Missões que hoje celebramos e que é o tema da semana: «Não podemos deixar de anunciar o que vimos e ouvimos». Isto é, quem já conheceu o Senhor e fez a experiência do seu amor, sabendo que “Ele enche o coração e a vida de todos os que se deixam encontrar por Ele”, seria capaz de não falar dele aos outros? Seria como ver alguém que tivesse conhecido uma fonte num oásis do deserto e não indicasse o caminho dessa fonte a quem encontra a morrer de sede pelo caminho.

Mas, se evangelizar fosse fácil, todos os cristãos seriam evangelizadores e não seria preciso estarmos sempre a lembrar esta nossa missão de cristãos.

Temos de confessar que, mesmo para aqueles que têm uma grande experiência de amizade com o Senhor e que sabem que conhecê-lo, ou não o conhecer, não é a mesma coisa, e faz toda a diferença na vida de alguém, mesmo para esses, a evangelização tem de ser uma decisão forte levada pela obediência à Palavra de Deus e ao desejo de que muitos conheçam a alegria que é o encontro com Cristo.

Quais os obstáculos que sentimos à evangelização?

1º Não fomos formados nisso. Não fez parte, durante muito tempo, da nossa cultura católica o falar de Deus aos outros e comunicá-lo. Isso era para uma elite a que chamávamos «os missionários» que iam para povos distantes levar o Evangelho aos pagãos. Nós sentíamo-nos em território não necessitado de evangelização.

2º O confundirmos evangelização com proselitismo. Evangelizar é um ato de amor que consiste em partilhar àqueles com quem me cruzo uma Boa Notícia que me deu alegria, como fazem os pais quando lhes nasce um filho. Neste caso, a Boa Notícia é Jesus Cristo que o evangelizador encontrou. Trata-se sempre de uma proposta e nunca de uma imposição.

3º: Na nossa cultura laicista, a questão de Deus passou para a esfera íntima, para a opção interior de cada um e, por isso, causa um certo desconforto a alguns crentes que gostariam de transmitir a sua fé a outros e entrar nesse domínio. No entanto, quando ultrapassamos esse desconforto e convidamos alguém para, por exemplo, fazer um percurso Alpha e encontrar-se com Cristo, as pessoas agradecem muito ter-lhes feito o convite. A pessoa permanece sempre livre de aceitar ou rejeitar.

4º Alguns dizem: “Para quê evangelizar?” O melhor cristão não será aquele que vive a sua fé, no seu íntimo, que reza, que faz o bem, sem andar a perturbar ninguém? A pergunta que podemos colocar a quem diz isto é a seguinte: Mas como é que essa pessoa que vive a fé no seu íntimo a obteve?

Alguém certamente lhe falou de Deus, pois se isso não tivesse acontecido, ela não teria fé. Sempre que há um crente é porque alguém, uma ou geralmente muitas pessoas, não se calaram, pois se acontecesse um dia nós deixarmos de evangelizar acabaria a fé no mundo, pois a fé nasce da escuta da Palavra de Deus que nos vem através de outros que a escutaram.

Por isso, por amor das pessoas, e por obediência ao mandato do Senhor, devemos vencer as nossas resistências interiores e trabalharmos na Missão de fazer discípulos e ensiná-los a cumprir o que o Senhor nos mandou.

Pe Jorge Santos

 

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