Cultura do Convite

Cultura do Convite

Tudo começou em 20 de Setembro de 2019, depois de um dia particularmente difícil. Sou de Barcelos, à data tinha 58 anos, e estava a iniciar o 3.° ano de doutoramento em Engenharia Química na Universidade de Coimbra. Era sexta-feira. Depois de jantar resolvi ir até à sala de estudo do Polo 2, ouvir palestras que me ajudam a ficar menos triste. Encontrei por acaso a Graça Ferreira, a dona da casa onde moro cá em Coimbra, que me falou no percurso Alpha. Nesse momento estava a decorrer uma sessão de apresentação na paróquia de S. João Baptista, igreja que eu já frequentava para assistir à Eucaristia dominical, e onde me sentia tão bem! De mochila às costas, imediatamente resolvi ir.

Fiquei aturdida quando vi a Ana Paula Cunha, a filha da minha Professora primária, que já não via há mais de 45 anos. Após a surpresa do reencontro, a atmosfera contagiante de alegria e de fé impeliram-me a inscrever-me de imediato. Infelizmente, a obrigatoriedade do meu trabalho experimental, a decorrer quer na Universidade de Coimbra, quer na Universidade do Minho, em Guimarães, fez com que falhasse algumas das sessões (entre as quais o fim-de-semana Alpha). Em Fevereiro de 2021, durante o surto pandémico COVID-19, a Ana Paula Cunha convenceu-me a fazer de novo o percurso, que seria online, o formato ideal para as minhas contingências de trabalho.

Fazer o percurso Alpha foi uma das vantagens desta pandemia. O meu testemunho numa palavra?

Sublime. Foi a maravilhosa perceção do quanto Deus nos ama; do poder incomensurável da oração e de como rezar pode ser inebriante; aprendi que a verdadeira grandeza está no serviço aos outros; aprendi que a vida pode ser vivida com mais alegria e maior serenidade, uma sensação inexplicável que nada nem ninguém nos pode tirar.

As minhas experiências de vida tinham-me já ensinado os benefícios de ser perseverante. Posso com alguma autoridade afirmar que o percurso Alpha complementou essa virtude, nomeadamente o aceitar de tudo o que se nos depara na vida. Contudo, essa aceitação não significa de todo conformismo, já que o foco nos objetivos a que nos havíamos proposto, permanece. Esta vivência fez-me perceber, ainda melhor, o dito do sábio indiano Nisargadatta Maharaj:” In my world, nothing ever goes wrong”.

Dou graças a Deus pelos meandros tão inconstantes da minha vida, que sem que conscientemente fizesse algo para isso, se cruzaram com a fervilhante Paróquia de S. João Baptista, onde eu sei que agora tenho verdadeiros amigos.

Teresa Linhares

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