EU QUERO A MISERICÓRDIA E NÃO O SACRIFÍCIO

EU QUERO A MISERICÓRDIA E NÃO O SACRIFÍCIO

Nestes tempos em que, por causa da pandemia, os bispos convidam os cristãos a protegerem-se e a protegerem os outros, levados pelo bom-senso e caridade, faz alguma confusão ver alguns (poucos) cristãos em todo o país e também entre nós, «agarrados aos sacramentos” como se fosse o sábado do Antigo testamento, o que em si, é bom, mas que se tornam agressivos contra os bispos, porque estes ou os padres não os podem abandonar a eles, infelizes, que agora ficam sem sacramentos. Parecem-me os fariseus do tempo de Jesus que estão todos a olhar para Ele a ver se Ele vai curar, ao sábado, o homem de mão atrofiada. E Jesus pergunta: «Será permitido ao sábado fazer o bem ou fazer mal? Salvar a vida ou tirá-la?» Mas eles ficaram calados. E o evangelista prossegue: «Então Jesus, olhando-os com indignação e entristecido com a dureza dos seus corações, disse ao homem, “Estende a mão” e ele estendeu-a e ficou curado.» Nós podemos receber os sacramentos todos e indignarmos a Deus com a dureza dos nossos corações, como aliás nos diz o Papa Francisco na Fratelii tutti, quando nos recusamos a ver a pessoa na sua situação concreta, a amá-la, apegados como estamos «ao sábado» e esquecemos que o que Deus procura é a misericórdia e não o sacrifício (oferendas sacras). Jonas aprendeu a conhecer melhor o coração de Deus e a tornar-se mais misericordioso depois da história do rícino. Que nós todos, diante desta trágica pandemia, que está a matar tanta gente, como gesto de solidariedade e de comunhão com a humanidade, aceitemos o esforço de viver a Eucaristia, de outro modo, sem participação plena, deixando que se aprofunde em nós a sede de Deus. Não agradaremos mais a Deus oferendo-lhe este sofrimento de amor, do que ficarmos revoltados com tudo e com todos por esta contingência? Quando as convicções deixam de lado a racionalidade, passamos ao extremismo ideológico que é a caraterística dos fanatismos.

Pe. Jorge Santos

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