Folha Paroquial nº 153 *Ano IV* 03.01.2021 — DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR

Folha Paroquial nº 153 *Ano IV* 03.01.2021 — DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR

Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.

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“EVANGELHO (Mt 2, 1-12)
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

O SENHOR TE ILUMINA

O que nos diz Deus através deste acontecimento da Epifania? Que mensagem nos transmite? Lendo este episódio da infância de Jesus, convém darmo-nos conta do género literário utilizado por S. Mateus. Na realidade, ao narrar estes acontecimentos, S. Mateus está a querer conduzir-nos a uma reflexão teológica, elaborada à luz do mistério pascal. O título «Rei dos Judeus», através do qual os magos designam o recém-nascido, reaparecerá na boca de Pilatos no momento do processo de Jesus, e será colocado na inscrição posta na cruz sobre a cabeça de Jesus (Jesus Nazareno, rei dos Judeus). A manifestação de Jesus aos magos é assim o início e o germe da manifestação plena que se dará com a morte e ressurreição de Cristo e que atingirá o seu esplendor na manhã de Pentecostes.

Natal e Epifania são duas versões ou duas acentuações do único mistério do Natal. Na primeira, celebramos o nascimento do salvador e, na segunda, a sua manifestação à humanidade. Na primeira só os pastores de Belém, todos judeus, foram testemunhas. Na Epifania, são também os pagãos representados nos magos, vindos do Oriente. O Natal tem mais importância entre nós e em muitos países da Europa, mas não é assim no Oriente e mesmo em Espanha onde é a festa da Epifania que tem mais relevo como festa da celebração do Natal. A epifania é a festa da aparição, da manifestação do Salvador aos olhos de todas as nações pagãs. E, desse modo, esta festa diz-nos respeito, em primeiro plano, pois os membros da Igreja na sua esmagadora maioria não pertencem ao povo da primeira aliança. Mas somos, por graça, o povo de Deus, como diz S. Paulo na segunda leitura: “Os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.” Por isso, podemos dizer que nesta festa estamos do lado dos magos: eles representam-nos e com eles vimos adorar o Menino-Deus.

S. Mateus colocou várias personagens neste episódio que, de certa forma, representam várias atitudes em relação ao acolhimento do Messias. Com qual delas cada um de nós se identifica? Em primeiro lugar, os magos, que aparecem como pessoas inquietas na busca da verdade. Para a encontrarem, fazem uma longa peregrinação interior e exterior e não se poupam a dificuldades para encontrar aquele que não procurariam se a sua luz não brilhasse já nos seus corações. Quando chegam ao presépio, adoram-no e oferecem-se a Ele com tudo o que são e têm. Depois, aparece Herodes, um político agarrado aos seus privilégios e poder, pronto a destruir quem quer que lhe pareça ser uma ameaça ao seu estatuto. A sua posição é de completa rejeição do Menino, que ele vê como ameaça. Aparecem ainda os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, que manifestam uma grande indiferença, pois, apesar de concluírem acertadamente o que diziam as escrituras de que o nascimento de Jesus seria em Belém, não mexeram uma palha para imitar os magos e irem no encalço da estrela que os levaria a Belém. Temos, portanto, três atitudes diferentes nas quais somos convidados a rever-nos. Sentimo-nos pessoas abertas ao mistério divino, capazes de sacrifícios e incomodidades para O encontrar e adorar, ou sentimo-nos mais no lugar dos sacerdotes e escribas que se tornam indiferentes?

A 1ª leitura dizia: «Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor, e a sua glória te ilumina.» Ao ouvir estas palavras sou levado a pensar em vós que agora terminastes o percurso Alpha e todos vós, irmãos, que escolhestes viver enraizados no Senhor. Enquanto a escuridão cobre a terra e a alma dos povos, há alguns que são arrebatados da escuridão pela luz que lhes ilumina o rosto e a alma. Fará Deus aceção de pessoas? Não; só que alguns têm uma atitude pró-ativa e procuram a Deus abrindo-se com alegria à sua luz; outros, como Herodes, rejeitam-na, fechando-lhe o coração. Outros ainda, ficam na indiferença, como se nada tivesse acontecido, permanecendo, assim, nas trevas, quando a luz brilha tão perto. Diz o prólogo de S. João: «Ele veio para o que era seu e os seus não o receberam, mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus».

Só em Cristo, na adesão a Ele e à sua Palavra, nós encontramos a Vida, a alegria e a cura interior. Mas isso não é mágico, exige um caminho lento de mudança, de conversão do coração, de libertação interior, de frequência dos sacramentos e de adesão à proposta de Jesus. Reparemos na alegria dos Magos quando encontraram Jesus e vejamos como regressaram a casa por outro caminho. Todos nós somos convidados a comprometermo-nos numa transformação da vida que nos conduz a um caminho novo.

 

Menino Jesus, eis-me aqui,
Prostrado em silêncio e adoração,
Rendido ao mistério da tua grandeza divina
que se revela na tua imensa pequenez.
Tu és Deus e eu, diante de ti, sou nada.
Mas um dia a tua glória me iluminou e enviaste-me
uma estrela que me conduziu até ti;
Os meus olhos viram-te e o meu coração rejubilou.
Enviaste-me depois por outro caminho com a tua
luz a iluminar-me o rosto!
Mas a luz que me iluminava,
tantas vezes se apagou e me deixou perdido.
A minha vida tem sido uma aventura à tua procura!
Cada vez que te reencontro é uma festa e volto cheio da tua luz.
Na eucaristia e na oração me iluminas e me salvas.
Sempre que me prostro, em adoração, diante de ti,
A Tua luz me ilumina.
Sei que um dia essa luz me transformará para sempre
e então serei, finalmente, filho da Luz.
Menino Jesus, recebe a oferenda da minha vida.
Ámen.

 

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