Folha Paroquial nº 155 *Ano IV* 17.01.2021 — DOMINGO II DO TEMPO COMUM

Folha Paroquial nº 155 *Ano IV* 17.01.2021 — DOMINGO II DO TEMPO COMUM

Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Jo 1, 35-42)
Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?». Eles responderam: «Rabi – que quer dizer ‘Mestre’ – onde moras?». Disse-lhes Jesus: «Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» – que quer dizer ‘Cristo’ –; e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» – que quer dizer ‘Pedro’.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Depois de celebrarmos o batismo do Senhor, somos convidados por Ele a fazermo-nos seus discípulos. O Evangelho conta-nos o chamamento dos primeiros discípulos para nos lançar no seu encalço. Ninguém segue um estranho. Todo o discipulado começa depois do primeiro encontro com Jesus. Quem lançou os primeiros discípulos no seguimento de Jesus foi João Baptista, mas foi preciso que estes fizessem a experiência pessoal do encontro com Ele. E foi isso que Jesus os convidou a fazer: «Vinde ver». Ora é isso que nós discípulos de hoje devemos proporcionar aos outros que andam à procura.

A questão posta pelos dois discípulos de João Baptista é muito pertinente nos nossos dias: «Mestre, onde moras?» No fundo, é a pergunta sobre onde e como encontrar Deus. Diz-nos o papa Bento XVI que, “no contexto atual, é a questão das questões”, pois a mentalidade que se difundiu de renúncia ao transcendente demonstrou-se incapaz de compreender e preservar o humano e gerou a crise de sentido e de valores que hoje vivemos, que depois levou à crise económica e social.

Mas a quem porão os homens de hoje a questão sobre Deus e onde o encontrar?

É àqueles que O encontraram, que O conhecem e amam. A estrada que conduz até Ele passa, de modo concreto, através de quem já O encontrou, pelo testemunho de vida no quotidiano. Mas, depois, os cristãos têm de ter um lugar de encontro, para onde possam convidar aqueles que se manifestam abertos a conhecer Jesus. Vinde ver. Esse lugar é a própria comunidade reunida. Ela é o lugar da presença de Deus, pois Deus habita nela como num templo. O “vinde ver”, pode ser simplesmente: – “Vem à igreja comigo, e assim encontrar-te-ás com Cristo presente no meio do seu povo. Descobri-lo-ás na Igreja que reza, canta e louva o seu Senhor. Descobri-lo-ás presente na Sua Palavra proclamada na Assembleia, pois nesse momento, é o próprio Cristo que fala ao seu povo. Descobri-lo-ás presente, como os discípulos de Emaús, no pão que é partido e distribuído por todos e acerca do qual Ele disse: «Tomai e comei, isto é o meu corpo entregue por vós»”. O “Vinde ver” pode ser ainda e, graças a Deus está a acontecer neste momento nas nossas paróquias: “Olha, vem comigo tentar Alpha, eu fiz, e foi tão importante para mim. Vem e verás.” Pode ser ainda: “Vem, ao encontro do Senhor naquela célula paroquial de evangelização, onde os irmãos rezam em comum e partilham a experiência que fazem com o Senhor e como Ele tem iluminado a sua vida, escutam a palavra de Deus que os forma na fé.” Ou ainda: «Vem comigo visitar uma família pobre a quem costumamos visitar e que está sempre ansiosa pela nossa passagem. Nela, vais encontrar-te com Cristo pobre que disse: «Tudo o que fizerdes ao mais pequenino dos meus irmãos é a mim que o fazeis». Vem ver como é, e depois, ficas ou vais, mas «vem ver».

Sabemos o nome daqueles que aceitaram o convite de Jesus: – “Vinde ver”. Eram André, irmão de Simão Pedro e, no seguimento do Evangelho, sabemos que o outro era Natanael. Não vão mais esquecer aquele dia nem aquela hora. Era por volta das quatro horas da tarde. André, depois disto, vai ter com seu irmão Pedro e diz-lhe: «Encontrámos o Messias, vem também conhecê-lo.» E levou-o a Jesus. Que grande gesto fez André pelo seu irmão! Mudou-lhe a vida para sempre! Abriu ao irmão o caminho da salvação. Por aqui se vê que não é preciso ser especialista em evangelização para levar alguém a Jesus. André tinha acabado de conhecer Jesus e já se tornara evangelizador. Basta tê-lo encontrado, ter deixado que Ele toque a nossa vida. Quando isso acontece, temos necessidade e seremos capazes de dizer a outros: “Vinde ver.” O melhor serviço que uma pessoa pode fazer a outra é levá-la a conhecer Jesus, pois trata-se de possibilitar à outra pessoa o encontro com a Vida eterna, com a salvação. O que pode haver de mais importante? Se André, com o seu convite, pôde mudar para sempre a vida de Pedro, vê o bem que podes fazer quando tens a coragem e a verdadeira amizade de dizer a outro: «Vem ver».

Vale a pena perguntar- -me: «A quem já convidei alguma vez para vir comigo ao encontro de Jesus?» Não tenha receio de convidar, de falar a outros das diversas atividades e convidar a vir consigo à missa, à oração, ao Alpha, às células, à catequese de adultos, ou a servir os pobres. Há tantos que não vêm só porque se desabituaram e, agora, só precisam que alguém lhes reacenda a chama com um convite amigo. Seja ousado(a) em nome de Cristo e fará um grande bem aos seus amigos. Como vê, não é preciso ser santo para fazer isso, é preciso é começar já. Pois André mal conheceu Jesus levou logo o seu irmão.

 

Deixar uma resposta