Folha Paroquial nº 158 *Ano IV* 07.02.2021 — DOMINGO V DO TEMPO COMUM

Folha Paroquial nº 158 *Ano IV* 07.02.2021 — DOMINGO V DO TEMPO COMUM

Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Mc 1, 29-39)
Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era. De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram». Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

FOI PARA ISSO QUE EU VIM

1. Jesus tem sempre diante de si a razão pela qual o Pai O enviou ao mundo. Essa razão é o seu alimento, como Ele próprio disse: «O meu alimento é fazer a vontade de meu Pai e realizar a sua obra»( Jo 4,34). Para nunca se afastar dessa vontade, Ele permanece constantemente em união de coração e de vontade com o Pai. Diz-nos o texto do evangelho de hoje: «De manhã, muito cedo (..) retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar.» E os discípulos sabem onde o encontrar: a sós com o Pai. Este é o segredo da vida de Jesus, esta relação íntima com o Pai que ele mantém e aprofunda através da oração. Este deve ser também o segredo de cada discípulo de Jesus. Ele quis partilhar connosco a sua oração para que pudéssemos entrar nela no mesmo Espírito. «Quando rezardes rezai assim: Pai nosso…seja feita a vossa vontade… Temos aqui um eco da sua oração no Getsémani: «Abba Pai…que não se faça a minha vontade mas a tua”. E a vontade do Pai, aquilo para o qual foi enviado, é a salvação dos homens. «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.»

2. Toda a vida de Jesus é uma sementeira de esperança. Ele semeia o reino no coração de cada pessoa que encontra e espera que ela cresça e se torne a maior planta do jardim. Entrando em casa de Pedro, dizem-lhe que a sogra dele está doente e Ele aproxima-se dela, tomou-a pela mão e levantou-a. Num ícon oriental, sobre a ressurreição, Jesus ressuscitado estende a sua mão a Adão e Eva, representando todas pessoas do Antigo Testamento que jazem nos sepulcros e ergue-os da morte trazendo-os à vida. Que bela imagem daquilo que é a sua missão, para a qual o Pai O enviou! Arrancar-nos da morte, de todas as espécies de morte, e dar-nos a vida e a vida em abundância. Sempre que cada um de nós, prisioneiro de qualquer espécie de mal, estende para Ele as suas mãos suplicantes, Ele faz o que fez com a sogra de Pedro: aproxima-se de nós, estende a sua mão e ergue-nos da nossa situação. Foi para isso que Ele veio. Para curar, salvar, dar esperança e vida, perdoar, tirar do vazio e do caos a nossa vida e dar-lhe sentido e plenitude.

3. Jesus que partilhou connosco a sua vida, a sua intimidade e o seu Pai, partilhou connosco também a sua missão salvadora. Fundou a Igreja e encheu-a do Seu Espírito enviando-a a todas as periferias geográficas e existenciais para que todos possam conhecer a Deus, saber que são amados por Ele e experimentar a sua proximidade salvadora. Foi para isso que a Igreja foi enviada. Diz a Evangelii Nuntiandi do Papa Paulo VI no nº 14 “A Igreja sabe-o bem, ela tem consciência viva de que a palavra do Salvador, “Eu devo anunciar a Boa Nova do reino de Deus”, (34) se lhe aplica com toda a verdade. Assim, ela acrescenta de bom grado com São Paulo: “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho”.(35) Foi com alegria e reconforto que nós ouvimos, no final da grande assembleia de outubro de 1974, estas luminosas palavras: “Nós queremos confirmar, uma vez mais ainda, que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja”;(36)(…) Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar” (nº14)
As nossas paróquias, que são a igreja da proximidade das nossas casas, foi para isto que foram criadas e enviadas. E nunca podemos perder de vista esta missão e visão que está plasmada no site de cada paróquia: «somos uma comunidade orante e acolhedora, enraizada em Cristo, que serve e anuncia o evangelho para a transformação do mundo.» ( S. João Baptista) ou « Nascemos do encontro pessoal com Cristo, crescemos na comunhão com Deus e com os irmãos, formamos discípulos que evangelizam com ousadia e servem com amor”. ( S. José)

Depois de um tempo de pausa para processarmos o que nos estava a acontecer com a pandemia, voltámos ainda com mais empenho à ação evangelizadora, agora através do online. E tem-se grandemente amplificado o espaço da evangelização. Os percursos Alpha têm muito mais gente: Estes dois que agora começaram em ambas as paróquias têm mais de 200 pessoas. Terminou, com entusiasmo o Alpha de jovens, que agora se querem comprometer na evangelização de outros jovens. As células paroquiais de evangelização cresceram e são já para cima de 150 pessoas que se reúnem todas as semanas em célula fazendo crescer, saudavelmente, o corpo que é a Igreja. Esta semana deu-se início a um caminho de catequese de adultos com o Percurso de S. José. Estão cerca de 30 pessoas inscritas. Que Deus abençoe todos estes irmãos que O procuram de todo o coração. Que experimentem também este imperativo que Paulo sentia no seu coração: «Ai de mim se não evangelizar.» E este ai de mim nascia da paixão de Paulo por Cristo, do fogo que sentia no coração pela salvação dos homens. Sem esta união com Cristo a evangelização podia tornar-se numa ideologia ou num proselitismo. Por isso a necessidade que temos da adoração eucarística contínua nas nossas paróquias. Para que passemos tempo com Ele e recebamos dele a força, a compaixão por todos os homens que sofrem e desejemos levar-lhes a Boa notícia de Deus.

 

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