Folha Paroquial nº 168 *Ano IV* 18.04.2021 — DOMINGO III DA PÁSCOA

Folha Paroquial nº 168 *Ano IV* 18.04.2021 — DOMINGO III DA PÁSCOA

Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz do vosso rosto

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO (Lc 24,35-48)

Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão. Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito. Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?». Deram-Lhe uma posta de peixe assado, que Ele tomou e começou a comer diante deles. Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’». Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

TEM DE SE CUMPRIR TUDO O QUE ESTÁ ESCRITO

Podemos afirmar que a ideia central do texto do Evangelho de hoje é a ideia de “cumprimento do plano divino da salvação”: «Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. Aliás, a ideia de cumprimento do plano de Deus percorre toda a Bíblia. Deus pode comparar-se a um artista que concebeu uma obra de arte. Tem essa obra por inteiro na cabeça e no coração, mas só aos poucos vai sendo realizada. Vai convidar muitos a colaborar com Ele naquela obra mas estes têm de confiar no artista e na sua ideia, acreditando que no fim a obra vai ser esplêndida. Quando finalmente a obra se completa depois de muitos esforços e fadigas, dão-se então conta da maravilha em que colaboraram. Então, e só então, poderão dizer: Ah sim, “tinham de cumprir-se” todas aquelas etapas para chegar aqui!

O desígnio amoroso de Deus, a que Paulo chama “Mistério”, e que se realiza «desde antes da criação do mundo», é muito mais grandioso que uma obra de arte, por melhor que ela seja. A Bíblia mostra-nos bem esse projeto de Deus em marcha. A longa paciência de Deus através dos tempos, as etapas e os inícios de realização, os fracassos e os recomeços, as colaborações. Dizer que o desígnio amoroso de Deus se cumpre na história da humanidade, é dizer que a História tem um SENTIDO, isto é, um significado e uma direção. A narrativa do nosso Credo leva-nos do princípio até à consumação dos séculos. Os crentes estão voltados para o futuro, o devir e não para o passado. Dizemos no Pai Nosso “Venha o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”, por outras palavras, Jesus ensinou-nos a rezar para que o plano de Deus se cumpra. E Ele veio para realizar esse plano até à plenitude… Ele está no centro da realização desse plano. Este plano não é limitador da liberdade e da responsabilidade humanas. Não há um cenário escrito de antemão. Pelo contrário, Deus respeita a liberdade do homem e é por isso mesmo que o plano de Deus não avança mais rápido, como diz S. Pedro (2 Pedro 3,9).

Quando Jesus ressuscitado, no relato da aparição aos discípulos do evangelho de hoje, lhes diz: «tem de se cumprir tudo o que está escrito», ensina-lhes a reconhecer na passagem dos dias e dos milénios a lenta, mas segura maturação da nova humanidade que será um dia reunida n’Ele. E é isso a inteligência das Escrituras. Não no sentido de «estava escrito», programado, mas está na continuação da obra de Deus. Então, para os discípulos, tudo se tornou luminoso: agora compreendem que o Deus de amor e de perdão queria ir até ao extremo do amor e do perdão. Claro que, para nos levar para além da morte, na luz da ressurreição, seria necessário que Ele próprio atravessasse a morte; claro que, para nos ensinar a ultrapassar o ódio com a força do amor, era preciso que Ele mesmo enfrentasse o ódio e a humilhação; e assim por diante. «Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as escrituras”. Compreender as Escrituras é compreender este plano que as atravessa do princípio ao fim, mas que só à luz da ressurreição e com a ação do Espírito é possível entender. Compreender as Escrituras é entender que a vida tem sentido porque é fruto de um amor imenso, o amor de Deus, e que Ele está comprometido connosco pela Sua aliança até à raiz dos cabelos. Compreender as Escrituras é entrar na exultação, no louvor, na gratidão e na ação de graças a esse Deus que nos amou e tudo fez por nós. É também comprometer-se com o bem da humanidade com quem Deus se comprometeu. A nossa missão de colaboração no plano de Deus é anunciar e viver o melhor possível esse desígnio benevolente de Deus. É o que Paulo chama «completar na minha carne o que falta à obra de Cristo.» Completar na nossa carne quer dizer simplesmente colocar a nossa vida quotidiana ao serviço desse grande plano.

Queres também entrar nesta história de amor sendo colaborador do plano de Deus para a salvação de cada pessoa humana?

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