Folha Paroquial nº 182 *Ano IV* 25.07.2021 — DOMINGO XVII DO TEMPO COMUM

Folha Paroquial nº 182 *Ano IV* 25.07.2021 — DOMINGO XVII DO TEMPO COMUM

Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome.

A folha pode ser descarregada aqui.

“EVANGELHO ( Jo 6, 1-15 )
Naquele tempo, Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, ou de Tiberíades. Seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes. Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?». Dizia isto para o experimentar, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Respondeu-Lhe Filipe: «Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um». Disse-Lhe um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?». Jesus respondeu: «Mandai-os sentar». Havia muita erva naquele lugar, e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram. Quando ficaram saciados, Jesus disse aos discípulos: «Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos e encheram doze cestos com os bocados dos cinco pães de cevada que sobraram aos que tinham comido. Quando viram o milagre que Jesus fizera, aqueles homens começaram a dizer: «Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo». Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-l’O para O fazerem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte.”

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Ao longo do ano B, no tempo comum, vamos ouvindo, de forma continuada, o evangelista S. Marcos. No Domingo passado ouvimos o relato de Jesus que chama os discípulos para um lugar isolado para descansarem um pouco, mas quando desembarcam Jesus depara-se com uma grande multidão e cheio de compaixão começa a ensiná-los demoradamente. As horas foram passando e os discípulos, bem como Jesus, dão-se conta de que as pessoas vão começar a ter fome e não há por ali nada que comer. Mas esta parte já não a ouvimos em S. Marcos, pois a Liturgia da Igreja, de repente, interrompe a leitura do Evangelho deste evangelista para nos dar a ler todo o capítulo VI de S. João que nos fala não só do milagre da multiplicação dos pães como faz S. Marcos, mas acrescenta um longo discurso de Jesus sobre o Pão da Vida sublinhando assim que este discurso forma um todo com o milagre da multiplicação dos pães.

“Seguia-o numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes.”

Seguem-no, pois vêm vidas transformadas. Podem ainda ser um bocado interesseiras, mas no princípio é sempre assim. Jesus conhece as necessidades das pessoas e compadece-se delas curando-as e dando-lhes alimento espiritual, através da Sua Palavra, e depois também o alimento corporal.

“Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa dos judeus.”

Junto ao lago da galileia, um monte, só pode ser simbólico, como acontece muitas vezes quando se diz que subiu a um monte para chamar os discípulos, para proclamar a lei nova das bem-aventuranças etc. Aqui subir a um monte para multiplicar os pães, sem dúvida que S. João nos quer fazer entender que chegou a hora do banquete messiânico anunciado pelo profeta Isaías: «No Monte Sião, o Senhor do universo prepara para todos os povos um banquete de carnes gordas, acompanhadas de vinhos velhos, carnes gordas e saborosas, vinhos velhos e bem tratados” (Is 25, 6) A esta multidão faminta do festim de Deus, Jesus vai oferecer o sinal de que esse dia tão esperado já chegou e é agora, pois é Ele que toma a iniciativa dizendo a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?» E S. João acrescenta: “Ele bem sabia o que ia fazer”, como se isso já fizesse parte do seu plano de revelação. S. João diz-nos ainda que estava próxima a Páscoa dos Judeus. E se ele diz isso, é porque está aqui um elemento importante do relato da multiplicação dos pães. Nos próximos domingos em que iremos ouvir o discurso do pão da vida, perceberemos até que ponto o Mistério Pascal de Jesus está subjacente a todo este discurso de Jesus sobre o pão da vida.

«Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?». Jesus respondeu: «Mandai-os sentar» (…) Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram.»

Jesus quer revelar-nos o rosto de Deus através do seu Filho alimentando a multidão. Mas não o pode fazer sem a participação das pessoas pois Ele quis tornar-nos com eles construtores do mundo e da história. Ele tem necessidade de cada um de nós por mais pequena que essa participação possa ou pareça ser. Jesus não faz o milagre a partir do nada: «Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Deus não se substitui a nós. Confiou-nos a tarefa de fazer crescer e multiplicar os seus próprios dons, (os talentos que deu a cada um) que se tornam assim dons dos homens. A pessoa reconhece os seus limites humanos ao mesmo tempo que fica admirado com a grandeza desta «colaboração» do seu trabalho unido à obra de Deus.

Quando aceitamos colaborar com Ele, associando-nos a outros, podemos mudar o mundo. O que seria das nossa Unidade Pastoral sem tanta gente que aceitou servir no anúncio do Evangelho no percurso Alpha, na catequese, nas células, na Liturgia na ação sócio caritativa. Em todos estes setores há vidas transformadas pela colaboração de tantos irmãos! O mundo poderia ser muito melhor se cada irmão estivesse pronto a dar os seus pães de cevada e os seus poucos peixes. Mas acreditamos nós na matemática de Deus? Isto é, quando damos ficamos com mais? E quando não damos ficamos com menos? Que Deus nos dê fé e confiança no seu poder, na sua bondade e generosidade.

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