Quais são os atuais limites das nossas paróquias?

Quais são os atuais limites das nossas paróquias?

Quem escreve este artigo lembra-se bem de um documento que um dos dicastérios do Vaticano fez publicar acerca de um ano atrás : refletia-se sobre os desafios e as perspetivas de futuro para a Igreja no contexto do COVID e, entre muitas outras coisas, sugeria-se que se repensassem os limites geográficos das paróquias e que se equacionasse um alargamento suportado nas potencialidades que os meios tecnológicos nos permitem.

Na igreja de São José conheci pessoas que lá se deslocam do Luso, de Condeixa e de Pereira do Campo expressamente para participar na nossa vida paroquial. Em SJBaptista, conheço irmãos que vêm de Cantanhede, de Poiares, de Pereira, de Condeixa, de Pombal, da Pampilhosa, de Castelo Viegas, de Santa Clara, de Montemor-o-Velho. E não vêm uma vez por outra mas com regularidade. Muitos deles têm até lá os filhos na catequese, fazem parte do coro, integram a equipa Alpha, etc.

Entretanto veio a pandemia e, por conta dela, temos gente de um pouco de todo o país não só a fazer Alpha mas a integrarem as diversas equipas (SJosé , SJBaptista e Alpha Jovens) e até a integrarem Células.

Por diversas vezes, em reuniões de animação pastoral nas quais tenho participado, tenho vindo a sugerir que é urgente repensarmos a nossa definição de paróquia e a implementação de uma estratégia de implantação virtual. Raramente tenho sido compreendido: “mas o que é que tu queres dizer com isso? Queres fazer mais diretos?” – nem tudo ou muito pouco se resolve com diretos, mas parece ser evidente que as nossas comunidades paroquiais ganharam paroquianos que, na melhor das hipóteses, apenas nos poderão visitar presencialmente uma vez por ano.

A título de curiosidade, já há alguns meses que a mesa de mistura que regula o som na igreja de SJBaptista é manipulada por um irmão que não pode estar fisicamente presente. Ele estava sempre a dizer que os instrumentos não estavam bem integrados com as vozes, e que se ouvia pouco este é demasiado aquele, etc. Sugerimos-lhe que se ocupasse ele disso, mesmo a partir de casa… e tem corrido muito bem. O Zoom, um canal que usámos em SJBaptista durante o confinamento e muito popular sobretudo entre as famílias com filhos mais pequenos por permitir interação, era administrado por um irmão que também ele estava em casa.

E muitos outros serviços poderão vir a ser prestados por irmãos que se identificam connosco mas vivem longe: secretaria, comunicação, design, animação de grupos, angariação de fundos, Evangelização através da rede, formação, voluntariado diverso, etc

Neste momento já não está em cima da mesa se o vamos fazer. A questão é como é que vamos fazer.

Paulo Farinha Silva

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