Que Igreja queremos ser?

Que Igreja queremos ser?

Reproduzimos aqui alguns excertos da meditação que o Pe Jorge Santos fez para a semana passada e que foi publicada na totalidade na nossa folha paroquial. Se a quiser ler encontrará um link na nossa LinkTree ( https://linktr.ee/sjbaptista ) na opção “Folha Paroquial 9 de maio” – se quiser receber a nossa newsletter semanal encontrará nesta mesma LinkTree, lá mais para o fundo, a opção de a subscrever e receber por email: “Inscreva-se para receber a Folha Paroquial por email”.

Dizia Jesus no Evangelho: «Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi e vos destinei para que vades e deis fruto». Ora, esse amor original de Deus vem até nós no Espírito Santo que é o amor de Deus derramado nos nossos corações. Por isso, quem renasceu pela água e pelo Espírito, conhece o amor de Deus, isto é, faz a experiência de que é amado por Deus. O amor antes de ser um mandamento é um dom, é uma experiência de vida e só pode amar quem faz a experiência do amor. Mas depois, com a experiência do dom, deve vir a resposta ao dom que é o nosso dever de amar, o cumprimento do mandamento do amor. E Jesus é claro: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando, que vos ameis aos outros.”

A IGREJA ESCOLA DA FRATERNIDADE
A Igreja é a comunidade dos amigos de Jesus, daqueles que é suposto darem testemunho da vivência deste mandamento novo. Pois se nós, os discípulos, não o vivermos, quem o irá viver? Mas como iremos aprender a viver o mandamento novo se não vivermos em Igreja ou se só a visitarmos de relance, ao Domingo, para ir à Eucaristia, mas sem construirmos relações com os outros membros através do serviço? O amor fraterno só é possível começar a ser aprendido quando as diferenças de opiniões, de maneiras de ver, de temperamentos, se começam a manifestar.
S. Pacómio começou por ser um eremita – que era a escolha que muitos faziam naquela época, de quem se queria santificar naquele tempo. Afastavam-se do mundo para viverem sozinhos na solidão do deserto, no jejum e na oração. No entanto, algum tempo depois, Pacómio começou a questionar-se: Como é que eu poderei aprender a amar se não me relaciono com irmãos? Como vou aprender a crescer na humildade se vivo sozinho? Poderei eu aprender a ter paciência e bondade estando isolado? Ele percebeu que sem a Igreja não podia crescer. Por isso deixou de ser eremita e fundou um mosteiro
Ele percebeu que para que os frutos espirituais fossem desenvolvidos, era necessário que ele estivesse perto de pessoas. Pacómio encerrou a sua vida de eremita e formou um dos seus primeiros mosteiros.

O ACOLHIMENTO – UMA EXPRESSÃO DO AMOR FRATERNO
Este amor sincero e a partir da nossa experiência do amor de Cristo pode ser visibilizado no acolhimento aos irmãos que chegam para a celebração dominical, embora vá muito para além disso. Mas é um começo. Acolher com um sorriso os irmãos, conhecer os seus nomes, a sua história, dar-se conta de necessidades diversas que vivem, é mostrar que somos uma comunidade de irmãos onde todos são bem-vindos. Embora o acolhimento seja feito à porta da igreja por alguns, eles são representantes de toda a comunidade que deve toda ser acolhedora. Pouco a pouco, o rosto da comunidade aberta e fraterna começa a ver-se. E torna-se mais atraente e missionária.

O EXERCÍCIO DO CONVITE, ATO DO AMOR FRATERNO
Mas será também o verdadeiro amor fraterno que vem de Deus que me levará a crescer na cultura do convite aos irmãos, saindo da minha zona de conforto para ir ao encontro deles e convidá-los a virem a um percurso Alpha, ou a uma célula paroquial de evangelização ou à catequese de adultos ou simplesmente à missa. Porque amo os irmãos, desejo que eles tenham a alegria que me foi dada de conhecerem a Cristo e viverem uma relação com Ele.

IGREJA EM SAÍDA
É o mesmo ato de amor fraterno que me levará a querer servir a igreja no serviço dos pobres, quer dando aulas a emigrantes, quer ajudando filhos de famílias pobres a terem explicações para poderem ter sucesso nos exames, quer indo ao encontro de famílias em necessidade. O amor tira-nos da nossa zona de conforto e leva-nos em saída ao encontro dos outros. Uma comunidade missionária será uma comunidade que vive o mandamento novo do amor (comunhão) e vai em saída ao encontro dos outros (missão).

Jesus escolheu-nos e destinou-nos para que demos frutos de caridade e sejamos sal que preserva o mundo e lhe dá sabor.

Pe Jorge Santos

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