Saudades da igreja

Saudades da igreja

Demos aqui conta, na semana passada, que, com a chegada do tempo da chuva e do frio, as celebrações da eucaristia dominical das 11h00 deixariam de poder ter lugar “no espaço exterior” – como se lhe chamava muitas vezes por se achar que “na rua” era demasiado forte ou pouco apropriado, e “campal” talvez demasiado catolicês ou antiquado. E até recordávamos esse eminente passado recente com alguma nostalgia, sentimento que aliás mantemos.

Dito isto, e passados que são mais de cinco meses consecutivos com todas as eucaristias dominicais das 11h00 celebradas no tal “espaço exterior”, não podemos deixar de notar o quanto ficámos perplexos com uma celebração dentro da igreja: as pessoas cantavam! E se cantavam! E no cântico final, como sempre acontecia antes da pandemia, muito mais de metade da assembleia não arredou pé e quis continuar a louvar o Senhor com o cântico proposto «Ó Senhora da misericórdia: Avé Maria!». E ainda houve quem viesse ter comigo a lamentar que poderíamos ter ficado mais um pouquinho e ter cantado também o hino a São José…

Porventura nas celebrações “no espaço exterior” as pessoas também cantariam: nós é que não nos ouvíamos uns aos outros. Nem o facto de o cântico de comunhão ter sido uma completa estreia, uma composição recente, impediu os irmãos de cantar com a boca e com a alma.

Embora o autor destas linhas também pertença ao coro, é de justiça uma palavra de gratidão a este grupo de irmãos, em nome de toda a comunidade paroquial, pelo esforço e dedicação demonstrados quer no período de confinamento quer neste longo período de pós confinamento em que continuaram a servir, mesmo sem sentirem explicitamente a beleza litúrgica dos seus esforços.

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