Senhor: quero o pacote completo

Senhor: quero o pacote completo

Esta partilha é bastante pessoal: foi a minha oração e o que o Espírito me inspirou a rezar nos dias que antecederam este santo dia de Pentecostes.

Pelo caminho ficaram as conferências da CHARIS que eu traduzi e que continuam disponíveis no Facebook e no Canal Youtube da Comunidade Emanuel e a novena de Pentecostes a partir do Evangelho de São João que também fui eu a dinamizar e que alguns milhares de irmãos foram seguindo, muitos com regularidade, a partir das redes sociais.

Entre outras coisas. Seja como for, na véspera de Pentecostes, a minha oração era “Senhor, faz de mim o que quiseres, desde que me dês o pacote completo do teu Espírito Santo e uma vida ao sabor do seu sopro e das suas moções”.

Durante esta novena, assim do nada, como quase sempre acontece quando damos passos em direção ao Senhor e à vida nova que Ele nos quer dar, soube que muito provavelmente no dia em que este jornal for publicado já estarei desempregado, pela enésima vez na minha vida, e que muito provavelmente ficarei mais uma vez sem qualquer rendimento até outubro ou novembro, altura em que nas mãos de Deus voltarei a encontrar lugar numa escola como professor de Português. Mas, por estranho que pareça, até porque me agarrei ao terço desde a primeira hora em que isso me foi comunicado entre dois goles de café, isso não me tirou a paz. Não vejo grande solução, mas estou em paz.

No Domingo de manhã, entre todos estes acontecimentos, dei conta que na eucaristia estavam dois irmãos muito especiais, um à minha esquerda e outro à direita.

Não lhes vou dizer os nomes: quem conhece a história saberá imediatamente de quem estou a falar. O da direita foi dado como morto e só não desligaram a máquina que mantinha o coração artificialmente a funcionar porque lhe queriam retirar os órgãos, uma vez que era um rapaz relativamente novo. Imediatamente nos organizámos na paróquia a rezar por ele, do hospital iam enviando mensagens a sugerir que parássemos de rezar porque não havia nada a fazer, mas o que é certo é que ele se safou e Domingo estava na missa. O da esquerda não chegou a ser dado como morto, mas esteve lá muito perto. As esperanças eram praticamente poucas. Não vou entrar em grandes detalhes não só para não ser indiscreto mas também para não me alongar muito, mas o que aconteceu foi realmente da ordem do milagre – à custa de muita oração, diga-se.

Uma véspera e uma manhã de Pentecostes muito especial; tudo ia bem. Acontece porém que eu tinha pedido o pacote completo… ao início da tarde até publiquei no Facebook em letras garrafais: “Vida nova”. Mal sabia eu que daí a poucas horas haveria de estar de novo diante do sacrário a chorar que nem uma Madalena mais um irmão que me é muito caro e a quem foi diagnosticado um cancro. Um dos cancros maus… Eu pedi, e o Senhor ao que parece não se fez esperar.

Paulo Farinha Silva

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