Testemunho Vida no Confinamento

Testemunho Vida no Confinamento

No domingo de Páscoa, quando me dispunha a começar a preparação do meu dia de aulas do dia seguinte, fui surpreendida com um telefonema do Paulo Farinha. Pedia-me um testemunho – “Como tenho vivido a pandemia?”

Confesso que, antes do telefonema, e enquanto me preparava para iniciar o meu trabalho, pensava “já estou a correr contra o tempo”.

Mas, sem pensar, disse ao Paulo que iria tentar. Houve em mim uma força mais forte que me fez aceitar o pedido – tinha de ser.

Vamos lá então – como tenho eu vivido a pandemia?

Pois, a pandemia chegou!!! A certa altura eu sabia, todos sabíamos, que era uma inevitabilidade.

Assustei-me? Claro que sim.

Tive medo? Claro que sim.

Eu sou humana, como não me havia de assustar, como não havia de ter medo?

Mas para além de humana também sou crente, e isso fez e faz toda a diferença.

O facto de ser crente fez-me, e faz-me, viver a pandemia como um sinal de Deus à Humanidade. A pandemia veio mostrar-nos que estamos todos no mesmo barco. Todas as diferenças entre os Homens se esbateram, sejam elas sociais, políticas, económicas, religiosas ou de género.

É nestas alturas que, nós crentes, procuramos respostas e a oração é o grande antídoto para o receio e para a incerteza.

Mas igrejas fecharam e o espaço físico exterior encolheu. E o espaço interior? Não, esse não encolheu. Tive de aprender uma nova forma de viver a religião? Claro que sim.

A falta da relação presencial com Jesus na Igreja, fez-me, ainda mais, procurar outra intimidade com Ele? Claro que sim. Foi fácil? Não, confesso que não foi um processo nem fácil, nem automático. Mas aconteceu. De repente, dei por mim a fazer um caminho interior de autorreflexão, autodescoberta e de autoconhecimento muito enriquecedor e profícuo.

A fé, a certeza de que Deus é o meu suporte e que nunca me abandona foi indispensável para lidar com tudo isto. É a fé que me faz acreditar que tudo passará, e que a Humanidade sairá desta pandemia mais unida, mais coesa, mais crente.

Durante todo este longo período de confinamento tenho tido sempre presente duas coisas. O Evangelho de São Marcos (4, 35-41), que relata o momento em que Jesus está numa embarcação junto aos seus discípulos, quando surge uma grande tormenta, e o momento de oração, do Papa Francisco, com toda a Igreja pelo fim da pandemia de coronavírus. Dizia o Papa Francisco nesse momento e a propósito do Evangelho de São Marcos – “O atual momento fez com que a humanidade compreendesse que todos estão no mesmo barco, frágeis, mas que também todos são chamados a rezar juntos e serem encarecidos de mútuo encorajamento. “Tal como os discípulos, dizemos a uma só voz: ‘Vamos perecer’. Assim, também nós percebemos que não podemos continuar a estrada cada qual por conta própria. Só conseguiremos juntos”.

Maria Victória Cruz Das Neves

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