Arquivo do autor fsweb

Equipa de Animação Pastoral reuniu à volta de um jantar festivo

Por falta de oportunidade durante o tempo do Natal, esta reunião festiva acabou por ser protelada para o primeiro dia do Tempo Comum deste novo período pastoral.

Cortesia do conhecido espaço da nossa cidade, Galerias de Santa Clara, cuja exploração desde há algum tempo tem estado a cargo de um elemento desta equipa, o Filipe, foi lá que, num misto de ambiente festivo e de trabalho, decorreu esta reunião que marcou o arranque dos trabalhos neste novo ano civil.

Papa Francisco: rezemos pelos educadores

Rezemos para que os educadores sejam testemunhas credíveis, ensinando a fraternidade em vez da competição e ajudando em particular os jovens mais vulneráveis.

Papa Francisco – Janeiro 2023

Gostaria de propor aos educadores que acrescentem um novo conteúdo ao seu ensino: a fraternidade.
A educação é um ato de amor que ilumina o caminho para que recuperemos o entendimento da fraternidade, para que não ignoremos os mais vulneráveis.

O educador é uma testemunha que não oferece os seus conhecimentos mentais, mas as suas convicções, o seu compromisso com a vida.

É alguém que sabe manusear bem três linguagens: a da cabeça, a do coração e a das mãos, em harmonia. E daí a alegria de comunicar.

E eles serão ouvidos com muito mais atenção e serão criadores de comunidade.

Por quê? Porque estão semeando este testemunho.

Rezemos para que os educadores sejam testemunhas credíveis, ensinando a fraternidade em vez da competição e ajudando especialmente os jovens mais vulneráveis.

Educar com fraternidade: o ingrediente extra que Francisco pede aos educadores em seu primeiro Vídeo do Papa de 2023

No primeiro Vídeo do Papa de 2023, Francisco – como ele mesmo reiterou várias vezes em seu pontificado – enfatiza a importância dos educadores.

O Santo Padre pede que se acrescente um novo conteúdo ao ensino: a fraternidade, um ingrediente chave na busca de um mundo próximo aos mais vulneráveis.

Francisco quer que os educadores sejam testemunhas confiáveis, e que vejam a fraternidade como a melhor maneira de ajudar os mais necessitados.

(Cidade do Vaticano, 10 janeiro 2023) – O Vídeo do Papa acaba inicia seu oitavo ano consecutivo de publicação da intenção de oração que o Santo Padre confia à Igreja Católica através da Rede Mundial de Oração do Papa. Para inaugurar 2023, Francisco escolheu lançar uma mensagem aos educadores com uma proposta singular: “acrescentar um novo conteúdo ao seu ensino: a fraternidade“.

Cabeça, coração e mãos: testemunhas da fraternidade

Neste Vídeo do Papa, Francisco quer ampliar o âmbito da atividade educativa, para que a educação não se concentre apenas no conteúdo. Para o Papa, o educador é uma testemunha de fraternidade que não entrega apenas “seus conhecimentos mentais, mas as suas convicções, o seu compromisso com a vida”. Desta forma, os educadores podem ser “escutados com muito mais atenção e serão criadores de comunidade”. O Santo Padre também disse no ano passado, em conversa com uma delegação do ‘Global Researchers Advancing Catholic Education Project’, que “educar é correr riscos na tensão entre cabeça, coração e mãos: em harmonia, a ponto de pensar o que sinto e faço; sentir o que penso e faço; fazer o que sinto e penso. É uma harmonia”.

Uma escola, um campo de futebol, um professor

O Vídeo de janeiro do Papa – que começa com a palavra fraternidade, escrita em uma lousa como se fosse um tema didático – acompanha a reflexão de Francisco com a narração de uma história ambientada em uma escola. Um menino, deixado de lado por seus colegas durante as partidas de futebol, permanece sozinho em um canto até que um professor, percebendo seu desconforto, decide cuidar dele. Ele o faz não com palavras, mas com o testemunho de sua vida: ele fica com ele, dia após dia, e com carinho e perseverança ele o ensina a brincar. Até que, numa manhã, ele o encontra com aqueles mesmos colegas que antes o haviam marginalizado: ele está brincando com eles e, quando marca seu primeiro gol, ele o dedica precisamente ao professor, a testemunha confiável que o ajudou.

Não esquecer os mais vulneráveis

O pe. Frédéric Fornos, S.J., Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, comentou sobre esta primeira intenção de oração de 2023: “Novamente, diante dos desafios do mundo, o Papa Francisco insiste mais uma vez na fraternidade. É a bússola de sua encíclica Fratelli Tutti. É o único caminho para a humanidade, e é por isso que a educação é essencial. O Papa sonha com educadores “que sejam testemunhas credíveis”, que podem ensinar a fraternidade ao invés do confronto. Quando olhamos para Jesus, aprendemos que você só comunica e transmite aos outros o que você vive. Isto exige coerência de vida entre o que se diz e o que se faz. É uma graça, por isso ele nos convida a rezar para recebê-la”.

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos deste ano, que decorre de 18 a 25 de janeiro, foi preparada por cristãos do Estado do Minesota, USA com o tema:

“Aprendei a fazer o bem, procurai o que é justo.” Isaías, 1:17

Esta semana decorre sempre nos 8 dias que antecedem a festa da conversão de São Paulo, que se celebra no dia 25 de janeiro.

Na Zona Centro as Celebrações terão, como sempre, um cariz solidário: serão levantadas ofertas para comprar geradores e roupa térmica para ajudar os nossos irmãos da Ucrânia.

Vamos fazer o bem e procurar o que é justo.

Pax Vera – Recital de Canto Gregoriano e Polifonia

Realizou-se no Domingo da Epifania, na Igreja de São José, o concerto conjunto de Reis da Capela Gregoriana Psalterium e as Vox Aetherea.

Embora não sendo grupos paroquiais, são dois coros que estão sediados na Igreja de S. José e quiseram assim iniciar as suas atividades de 2023 retribuindo o acolhimento que têm tido por parte paróquia.

Na ocasião, apadrinharam ainda o lançamento do Ophiusa – ensamble de vozes femininas – que se estrearam participando também no programa apresentado.

Almoço de Reis com casa cheia

A comunidade paroquial de São João Baptista tem um especial prazer em receber e estar ao serviço – e isso é bom, é muito bom! E é graça de Deus, porque parte do sentir-se irmãos está mesmo nisso: servir em conjunto, mesmo que no dia seguinte seja dia de trabalho e haja necessidade de descansar.

Tanto quanto se sabe, ainda há poucos dias se punha a hipótese de cancelar o evento, por falta de inscrições. E no fim, para nossa grande alegria, fruto do trabalho de muitos e por graça de Deus, “a casa encheu” e pudemos ser comunidade que serve e acolhe.

Em algumas breves palavras que o Pe Jorge dirigiu aos presentes, anunciou que a conta da construção está muito próxima dos 500.000€ e que o arranque das obras está iminente… o que provocou algumas risadas na sala… queremos todos acreditar que sim: Deus queira que sim, que as obras estejam para breve. Se assim não for, pelo menos o leitão que comemos ao almoço e o convívio fraterno já valeram o esforço!

Dado que sobrou bastante leitão, está a organizar-se para breve uma feijoada de leitão: a seu tempo daremos conta dela.

Vivei intensamente a vossa vocação! – o pedido do Papa

Vivei intensamente a vossa vocação.

Não deixeis ensombrar os vossos rostos com uma fisionomia triste; o vosso marido ou a vossa esposa tem necessidade do vosso sorriso; os vossos #filhos precisam de olhares dos pais que os encorajem.

Os pastores e as outras #famílias necessitam da vossa presença e da vossa alegria – a #alegria que vem do Senhor!

(Carta do Santo Padre Francisco aos Esposos)

Encenação dos episódios da natividade

Foi no sábado, dia 7 de janeiro, na véspera do encerramento do tempo do Natal, que o grupo de jovens da paróquia promoveu um serão diferente.

Ao ritmo de um narrador, um coro e os jovens atores deram vida às cenas que precederam e envolveram o nascimento do Salvador.

Abertura das inscrições para famílias e voluntários

Não sabemos muito mais para além daquilo que está divulgado na página Facebook e Instagram do COD Coimbra: no próximo Domingo, dia 15 de janeiro e pelas 15h00, haverá no Alma Shopping um evento que marcará a abertura das inscrições das famílias e voluntários nos Dias nas Dioceses em Coimbra.

Saiba mais sobre as famílias de acolhimento aqui.

Saiba mais sobre os voluntários aqui.

Segunda, 9 Jan, há missa às 19h00 em SJBaptista

Em Portugal, dado que o Dia de Reis (Epifania do Senhor) é transferido para o Domingo seguinte, a festa do Baptismo do Senhor celebra-se na segunda-feira seguinte: 9 de Janeiro, neste caso.

Em São João Baptista será celebrada missa festiva às 19h00: será presidida pelo Pe Francisco e contará com a presença do coro.

Missa animada pela Comunidade Brasileira

A missa vespertina (sábado) das 19h00 em São José, na 3ª semana de cada mês, é animada pela comunidade brasileira a viver na nossa cidade.

Quem quiser participar no coro ou de qualquer outra forma, deverá contactar a secretaria da paróquia (ver secção contactos) e pedir para falar com a Luciene.

Folha Paroquial 08.01.2023 – Epifania do Senhor

Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.

A versão PDF da Folha Paroquial pode ser descarregada aqui e a versão de impressão pode ser descarregada aqui.

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

EVANGELHO ( Mt 2, 1-12 )

Caros irmãos,

A Epifania é, de certo modo, a outra festa de Natal ou se quisermos é acentuação de um outro aspeto da festa do nacimento de Jesus. Epifania quer dizer «aparição ou manifestação» e celebra a manifestação de Jesus como Messias universal. S. Paulo afirma: «Os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus por meio do Evangelho.» Deus ama todos os homens e chama todos à salvação. Não é por acaso que a tradição deu cores diversas às roupas dos Magos bem como à sua fisionomia. Um dos magos é maior, outro médio e outro mais pequeno, um é branco, outro preto, outro amarelo; É a universalidade dos diferentes povos, culturas e raças.

A procura de Deus

Os Magos são homens insatisfeitos como se lhes faltasse algo para se sentirem felizes que eles não sabem nomear. Têm o sentido do sagrado, como se uma nebulosa transcendente os envolvesse, mas falta-lhe um rosto com quem falar, a quem questionar, a quem adorar. Mas essa insatisfação e o sinal que lhes é oferecido, é suficiente para se porem a caminho, para se mexerem e se desacomodarem. Souberam sair do quentinho das suas seguranças e do seu conforto e puseram-se à estrada e ao risco das intempéries, das doenças, dos roubos: Enfim, tornaram-se peregrinos da fé e do rosto de Deus.

Hoje há muitos como os magos! Muita gente insatisfeita, no seu íntimo, e procuram qualquer coisa que os satisfaça. Segundo os analistas sociais este não é um tempo do irreligioso; pelo contrário, há uma busca crescente da dimensão espiritual que vai em todas as direções. Porém há uma recusa das tradições religiosas instituídas com as suas igrejas, credos e doutrinas. Falta-lhes uma estrela que os guie ao encontro d’Aquele que a sua alma, sem saber, procura; O rosto do Deus único e verdadeiro, que se fez homem, próximo, humilde, para que ninguém tenha receio do encontro com Ele. Só pessoas insatisfeitas se movem e se põem a caminho, correndo riscos. Os satisfeitos consigo mesmos, não se mexem como aconteceu com os habitantes de Jerusalém no evangelho de hoje.

Eu pertenço ao grupo dos satisfeitos ou dos insatisfeitos? Sinto-me a caminho? Tem havido na minha vida apelos que vêm do alto? Situações que mexem comigo e são como uma estrela a fazer-me sair do conforto?

Depois de uma longa aventura, os Magos chegaram finalmente a Belém, e «entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-no. Depois …ofereceram-lhe presentes: ouro incenso e mirra.»

O Encontro pessoal com Jesus

Todas as dificuldades do caminho tinham valido a pena para terem aquele desfecho: Tiveram o seu encontro pessoal com Jesus e isso vai mudar para sempre a sua vida para o futuro. Por isso se acrescenta que voltaram a sua casa, mas por outro caminho. Não é possível encontrar Jesus e continuar no mesmo caminho. O Papa Bento XVI escreveu “No início do ser cristão não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”. É uma frase lapidar que concentra a experiência fundamental cristã. Os magos encontraram-se com essa pessoa e a sua vida ganhou um novo horizonte e um rumo decisivo.
O que provoca em nós este encontro? Eu diria que é um terramoto interior. O Espírito Santo faz-nos compreender o mistério de Deus e nós prostramo-nos rendidos diante d’Ele. É o que significa adorar. Adoramos quando nos rendemos totalmente diante do mistério, prostramo-nos por terra diante d’Ele e exclamamos: “Tu és tudo, eu não sou nada, eis-me aqui.” E oferecemo-nos. «Toma a minha vida, quero pertencer-te, seguir-te, viver de ti.» Nos magos esse oferecimento é traduzido pela oferta dos seus tesouros: ouro incenso e mirra.

Chamamos adoração eucarística ao facto de estarmos em oração diante do Santíssimo Sacramento solenemente exposto. Mas posso estar lá em oração, sem estar em adoração. Adoramos verdadeiramente quando nos sentimos assombrados e envolvidos pelo Mistério infinito de Deus que se revela a nós como o três vezes santo e então sentimo-nos pequeninos, mas amados, envolvidos e rendidos. Aí oferecemo-nos: «Senhor conta comigo». Quem faz esta experiência diante da Eucaristia quer permanecer como adorador, uma hora por semana, porque percebe o dom que recebe. Quem não faz esta experiência cansa-se.

Depois que Jesus se encontra connosco chama-nos a sermos seus discípulos

Mas como será a vida agora depois deste encontro? Depois temos vontade de viver uma vida nova, de o seguir. Percebemos bem que a vida com Ele é mais bela, mais plena, mais verdadeira. Mas depressa percebemos que continuamos com as mesmas tentações de antes, voltamos a cair nos mesmos pecados. Continua a viver em nós o egoísmo, a soberba, o orgulho, o desejo de possuir, a falta de amor, a agressividade.

Vemos que não conseguimos grande avanço se queremos fazer o caminho com as nossas forças e a nossa boa vontade. Ele disse-nos. «Sem Mim nada podeis fazer.»

O plano pastoral da Unidade pastoral dá uma definição de discípulo dizendo: “Discípulo, é Aquele que encontrou Jesus pessoalmente, no seio da Igreja, que lhe entregou a sua vida, que tomou a decisão de viver segundo o Seu ensino, em todos os aspetos da vida. Um discípulo está, intencional e ativamente, comprometido com um processo contínuo de aprendizagem de Jesus e, inflamado por este encontro, torna-se missionário Dele.

Percurso de formação de discípulos

Vamos começar a nove de fevereiro um percurso de formação de discípulos. Quem estiver intencional e ativamente comprometido com um processo contínuo de aprendizagem de Jesus, faça como os Magos; saia do seu conforto e lance-se na aventura de um seguimento. Não é um percurso para preparação imediata de sacramentos, é para ser discípulo, mas pode levar à fonte dos sacramentos na devida altura.

Presépio ao vivo

Terá lugar no sábado dia 7 de janeiro pelas 20h30 na igreja de São João Baptista.

É dinamizado e encenado pelo Grupo de Jovens C+ de São João Baptista

1ª edição do jornal digital da diocese já foi entreque

Tal como tinha sido anunciado, para quem se inscreveu atempadamente no site do Correio de Coimbra, hoje de manhã já recebemos a primeira edição do semanário da Diocese de Coimbra otimizada para suporte digital.

Durante estas primeiras semanas, iremos fazer um esforço para divulgar o link no nosso site – se quiser continuar a receber semanalmente e gratuitamente este jornal no seu email, terá que se inscrever no site do Correio de Coimbra.

O número desta semana está disponível aqui.

Liturgia – lugar do encontro com Cristo

Como temos vindo a lembrar, as Jornadas Diocesanas de Formação Permanente vão decorrer no Seminário Maior de Coimbra, nos dias 17 e 18 de janeiro, sob o tema “Liturgia – lugar do encontro com Cristo”, tendo como ponto de referência a Carta Apostólica Desiderio desideravi sobre a formação do Povo de Deus na Liturgia. Orientarão os trabalhos o Pe. João Eleutério e o Pe. Joaquim Ganhão. Em carta dirigida ao clero, o Vigário para a Pastoral, Pe. Manuel Carvalheiro, acredita “ser útil, no momento atual, acolher o apelo do Papa que pretende ajudar a «reavivar o assombro pela beleza da verdade do celebrar cristão, a recordar a necessidade de uma formação litúrgica autêntica e a reconhecer a importância de uma arte da celebração que esteja ao serviço da verdade do mistério pascal e da participação de todos os batizados, cada qual com a especificidade da sua vocação» (nº 62)”.

Como nos anos anteriores, as Jornadas são também abertas a leigos. Em razão do tema, é expectável sobretudo a participação dos leigos mais comprometidos com serviços litúrgicos nas comunidades.

Formulário de inscrição: https://forms.gle/fBVZUHo9WdGUdS3D6

A partir da Carta Apostólica Desiderio desideravi, sobre a formação do Povo de Deus, a temática estará centrada na Liturgia.

Pensamos ser útil, no momento atual, acolher o apelo do Papa que pretende ajudar a “reavivar o assombro pela beleza da verdade do celebrar cristão, a recordar a necessidade de uma formação litúrgica autêntica e a reconhecer a importância de uma arte da celebração que esteja ao serviço da verdade do mistério pascal e da participação de todos os batizados, cada qual com a especificidade da sua vocação” (nº 62).

Com o estudo e a reflexão do Pe. João Eleutério e do Pe. Joaquim Ganhão, que orientarão as jornadas, a Liturgia, lugar do encontro com Cristo, será o nosso espaço de formação teológica e pastoral.

Pax Vera

Terá lugar no próximo Domingo, dia 8 de janeiro, pelas 17h00 e na igreja de São José, um Recital de Canto Gregoriano e Polifonia para o tempo do Natal com os coros Vox Aetherea, Ophiusa e Capela Gregoriana Psalterium.

Folha Paroquial 01.01.2023 – Santa Maria, mãe de Deus

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção.

A versão PDF da Folha Paroquial pode ser descarregada aqui e a versão de impressão pode ser descarregada aqui.

Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração. Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno.

EVANGELHO ( Lc 2, 16-21 )

1. Os pastores vivem o assombro de um Deus inesperado, Emanuel.

A Liturgia convida-nos, neste dia, a irmos de novo a Belém, seguindo a peregrinação dos pastores que depois da aparição do anjo, partem apressadamente ao encontro do sinal de que o anjo lhes tinha falado. Quando chegaram encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. Eles nunca teriam deixado os seus campos com os seus rebanhos se o anjo não lhes tivesse dado tal novidade. Por isso, contam entusiasmadamente o que lhes fora anunciado sobre aquele Menino.

Como os pastores, também Maria é testemunha destes acontecimentos. Mais ainda; ela não é só testemunha. Ela está dentro do acontecimento. Muito antes dos pastores, também ela tinha recebido o anúncio de um anjo do Senhor; e tudo o que tinha sido anunciado se tinha realizado segundo a palavra que lhe tinha dito.

Os pastores vivem este momento no espanto e no louvor. Maria permanece na meditação do coração, relendo tudo o que se passou desde a visita de Gabriel até este dia, para discernir aí a presença do Senhor. Rendidos e estupefactos, os pastores regressaram louvando a Deus. Puderam ver com os seus olhos com que eterno amor Deus os amava, ao ponto de enviar o seu Filho para vir nascer onde eles jamais esperariam; No próprio lugar onde eles vivem o quotidiano das suas vidas, a manjedoura de um estábulo. Ele é de facto o Emanuel, o Deus connosco, presente na nossa vida quotidiana.

Estar atento para também nós vermos Deus onde não é suposto encontrá-lo.

E se, no início deste novo ano, também nós como os pastores, nos preparássemos para encontrar o Senhor onde não esperamos habitualmente encontrá-lo? Reconhecê-lo presente em tudo o que nos acontece de bom é fácil, e mesmo assim tantas vezes não o fazemos, mas descobrir o Senhor presente nas provações, nas dificuldades, na adversidade, como aquele que pode chamar-nos a vir em seu socorro pois ele, por vezes, tem fome, tem sede, está doente, sem roupa, é idoso, está sozinho, é migrante, é estrangeiro, está sujo, não se comporta segundo os valores morais estabelecidos…E se o tentássemos descobrir aí onde ele quer nascer?

Por maiores que sejam as nossas dificuldades em 2023, ou mais precisamente no centro dessas dificuldades e, através delas, acolhamos Jesus que se dá a nós sem reserva, para que também nós nos demos a Ele e aos nossos irmãos.

2. Neste novo ano cresçamos na fraternidade dando as mãos uns aos outros.

Começamos o novo ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2023, recebendo as bênçãos de Deus, através de Maria, que nos oferece Jesus. N’Ele cada um de nós é uma bênção para os seus irmãos um dom inestimável que Deus deseja que valorizemos. O pecado afastou-nos uns dos outros e levou Caim a matar Abel. Desde aí frequentemente o irmão é visto não como um dom e uma bênção, mas como um rival que nos ameaça. Daí nasce a inveja, o ciúme, o rancor, o ódio, e tem como fruto as divisões, as dissensões e as guerras. Hoje, Dia Mundial da Paz, somos convidados a lembrar-nos de tudo o que nos ensinou Jesus sobre as novas relações que devemos viver uns com os outros a partir do coração novo que recebemos. “Amai-vos uns aos outros, respeitai-vos uns aos outros, apoiai-vos mutuamente, perdoai-vos…”

O Papa Francisco na mensagem para este dia insiste na palavra juntos. O título da mensagem é: Ninguém pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir do Covid-19 para traçar sendas de paz.

O Papa reflete sobre o que a Covid provocou nas relações humanas, acrescentando que foi uma grande crise da qual podemos sair melhores ou piores, dependendo da escolha que fizermos. Depois afirma: “De tal experiência, brotou mais forte a consciência que convida a todos, povos e nações, a colocar de novo no centro a palavra «juntos». Com efeito, é juntos, na fraternidade e solidariedade, que construímos a paz, garantimos a justiça, superamos os acontecimentos mais dolorosos. De facto, as respostas mais eficazes à pandemia foram aquelas que viram grupos sociais, instituições públicas e privadas, organizações internacionais unidas para responder ao desafio, deixando de lado interesses particulares. Só a paz que nasce do amor fraterno e desinteressado nos pode ajudar a superar as crises pessoais, sociais e mundiais.”

Para nós cristãos, isto devia ser algo evidente. Cristo convida-nos à fraternidade universal e lembra-nos que «vós sois todos irmãos». A segunda leitura de hoje, diz-nos que ao receber o Espírito de adoção filial pelo qual clamamos Abbá, Pai, tornamo-nos filhos e herdeiros e, portanto, irmãos uns dos outros.
A Igreja que Ele fundou e à qual nos chama a pertencer, de forma comprometida, é uma família que recebeu o mandamento novo como sua principal lei. «Todos nós que comungamos o mesmo Senhor, formamos um só Corpo n’Ele, por isso já não há escravo nem homem livre, homem ou mulher, grego ou judeu, todos somos um só em Jesus Cristo”. Ele abateu todos os muros que nos separavam para fazer um só povo. Sempre que construímos muros e barreiras físicas ou mentais lutamos contra o projeto de Deus e atrasamos a construção do reino de fraternidade, de justiça e de paz que Deus tanto sonha para nós. E quantos muros continuamos ainda a levantar!

Hoje há uma tendência cultural para o individualismo. Cada um parece ser uma ilha. Nós cristãos não podemos ceder a esta cultura sem negarmos o evangelho. Temos de dar testemunho de que Deus nos chama a ser família, a construirmos laços, a ajudar-nos mutuamente, a caminharmos juntos e a limarmos as arestas que nos separam. Para isso as nossas paróquias precisam de crescer muito mais como espaços de encontro uns com os outros, de comunhão fraterna, de serviço em comum. A Igreja só pode ajudar o mundo se for uma família onde resplandeça o mandamento novo, onde as pessoas possam dizer como no princípio: «Vede como eles se amam». As paróquias devim ser peritas em comunhão, em construções de relações fraternas, em reconciliações, em acolhimento do diferente, em vivência da unidade no incremento e respeito da diversidade.

Bênção das famílias em dia da Sagrada Família

Respondendo ao apelo do SDPF divulgado durante as últimas semanas nos canais da nossa UP, muitas foram as famílias que responderam ao apelo e marcaram hoje a sua presença na eucaristia da festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José.

Umas mais completas, outras menos; umas com os filhos, outras sem eles ou sem todos eles. Mas estavam lá.

Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

Retomar o diálogo em família! – o pedido do Papa

No dia em que celebramos a Sagrada Família, este é o pedido do Papa Francisco, comentando o Evangelho de hoje:

“Maria, José, Jesus: a Sagrada Família de Nazaré representa uma resposta coral à vontade do Pai. Os três membros desta família ajudam-se uns aos outros a descobrir o plano de Deus. Eles rezavam, trabalhavam, comunicavam. E eu pergunto: você, na sua família, sabe comunicar ou é como aqueles jovens à mesa, cada qual com o celular, enquanto conversam em chat? Naquela mesa parece que há um silêncio como se estivessem na Missa… Mas não comunicam entre si. Temos que retomar o diálogo em família: pais, filhos, avós e irmãos devem comunicar entre si… Eis o dever de hoje, precisamente no dia da Sagrada Família. Que a Sagrada Família possa ser modelo das nossas famílias, a fim de que pais e filhos se ajudem mutuamente na adesão ao Evangelho, fundamento da santidade da família.”

Fonte: Vatican News

Horário das missas em vigor para 2023

Desde 23 de outubro que se retomou a missa das 21h00 em SJBaptista – às 21h00 e não às 21h15 como anteriormente:

Sábado:

17h30: SJBaptista
19h00: SJosé

Domingo:

09h00: S. José;
10h30: S. José;
11h00: S. João Baptista;
12h00: S. José;
19h00: S. José;
21h00: S. João Baptista

Entretanto, tivemos necessidade de republicar este horário, dado que no anterior ainda constavam os horários de adoração antigos.

A Adoração Eucarística está a decorrer em São José de segunda a sexta das 9h00 às 23h00; em SJBaptista, de segunda a quinta das 8h00 às 23h00, incluindo a noite de quarta para quinta. Se se quiser comprometer com uma hora por semana, deverá contactar a Margarida Cerdeira (910 662 582), de São José, ou a Isabel Pires (918 596 440), de São João Baptista.

Parabéns por 66 anos de vida, Pe Jorge!

Hoje, na missa das 18h00 em São João Baptista, foram vários os irmãos das duas Igrejas que integram a nossa Unidade Pastoral que fizeram questão de estar presentes em ação de graças pelo dom da vida do Pe Jorge, por ocasião do seu 66º aniversário natalício.

No final, foi-lhe oferecido em nome de toda a comunidade paroquial uma casula azul (reservada ao uso nas festas de Nossa Senhora, como o 15 de agosto ou o 8 de dezembro) – quem queria participar nas despesas desta prenda, podia fazê-lo num cesto que lá estava para o efeito.

Na verdade não sabemos se o dinheiro recolhido foi suficiente – provavelmente, não. Se, ainda assim, quiser participar nesta prenda, sugerimos que contacte a Manuela Afonso ou a secretaria de SJBaptista (provavelmente, poderá fazer uma transferência MBWAY que ela depois fará chegar a quem está a tratar disso).

ASJ entregou donativos ao Centro de Apoio ao Sem Abrigo

Ontem, dia 28, os animadores do ASJ entregaram a 2.ª parte dos bens recolhidos durante a campanha solidária do Advento ao CASA (Centro de Apoio ao Sem Abrigo) ✨

Em nome do ASJ e do CASA agradecemos a solidariedade e a generosidade de todos os que contribuíram 🤍

Percurso de Formação de Discípulos

A partir de (19 de janeiro) 9 de fevereiro e sob a orientação do Pe Jorge, terá início um novo percurso na nossa Unidade Pastoral.

Este percurso, limitado a 30 participantes, será semanal e decorrerá à quinta-feira, das 21h30 às 23h00 em São José – poderá desembocar na celebração de alguns sacramentos como a primeira comunhão, o crisma, o matrimónio ou até abrir caminho para o discernimento vocacional.

Inscrições: https://forms.gle/dgbjMqbGsJD2zmXq6

Percurso Nicodemos arranca a 5 de janeiro

A catequese de adultos na Unidade pastoral é feita em três percursos diferentes, cada um deles de um ano pastoral.

Completámos em 2021 o percurso S. José e, em fevereiro 2022, arrancámos com o percurso Timóteo.

Os percursos são autónomos. Quer dizer que os que fizeram o percurso de S. José podem ou não ter continuado com o percurso Timóteo, tal como agora terão a hipótese de continuar com o percurso Nicodemos. Ou, então, poderão agora iniciar com o percurso Nicodemos e, depois, no ano que vem, decidir se querem ou não iniciar o percurso São José e, no ano seguinte, o percurso Timóteo.

Este percurso ajuda a crescer na fé num clima de diálogo, convívio e partilha e terá lugar todas as quintas feiras, das 21h30 às 23h00, por Zoom.

Inscrições: https://forms.gle/CjmJmencuczLwags5

Papa publica Carta “Tudo pertence ao amor”

“Tudo pertence ao amor” é o título da Carta Apostólica publicada hoje para comemorar o quarto centenário da morte de São Francisco de Sales, Doutor da Igreja.

CARTA APOSTÓLICA TOTUM AMORIS EST DO SANTO PADRE FRANCISCO
NO IV CENTENÁRIO DA MORTE DE SÃO FRANCISCO DE SALES

«TOTUM AMORIS EST – tudo pertence ao amor»: [1] nestas palavras, podemos recolher o legado espiritual deixado por São Francisco de Sales, que morreu há quatro séculos, em 28 de dezembro de 1622, em Lyon. Tinha pouco mais de cinquenta anos, e era bispo e príncipe «exilado» de Genebra desde há vinte anos. Chegara a Lião na sequência da sua última incumbência diplomática. O duque de Saboia pedira-lhe que acompanhasse a Avinhão o Cardeal Maurício de Saboia. Juntos, prestariam homenagem ao jovem rei Luís XIII, que regressava a Paris, subindo o vale do Ródano, depois duma vitoriosa campanha militar no sul da França. Cansado e com a saúde debilitada, Francisco partira por puro espírito de serviço. «Se não fosse de grande utilidade ao seu serviço que eu fizesse esta viagem, teria certamente muito boas e sólidas razões para me eximir; mas tratando-se do seu serviço, vivo ou morto não me recusarei; irei a pé ou de rasto». [2] Assim era o seu temperamento. Chegado finalmente a Lião, hospedou-se no mosteiro das Visitandinas, na casa do jardineiro, para não causar demasiado incómodo e, ao mesmo tempo, estar mais livre para encontrar quem o desejasse.

Desde há muito tempo que pouco o impressionavam as «instáveis grandezas da corte», [3] pelo que gastou também os seus últimos dias exercendo o ministério de pastor numa sucessão de compromissos: confissões, diálogos, conferências, sermões e as últimas irrecusáveis cartas de amizade espiritual. A razão profunda deste estilo de vida cheio de Deus foi-se-lhe tornando cada vez mais clara com o passar do tempo e assim a formulara, com simplicidade e precisão, no célebre Tratado do Amor de Deus: «Se o homem pensa com um pouco de atenção na divindade, imediatamente sente uma doce emoção no seu coração, o que prova que Deus é o Deus do coração humano». [4] É a síntese do seu pensamento. A experiência de Deus é uma evidência do coração humano. Não se trata duma construção mental, mas dum reconhecimento repleto de maravilha e gratidão em consequência da manifestação de Deus. No coração e através do coração é que se realiza aquele subtil e intenso processo unitário em virtude do qual o homem reconhece a Deus e conjuntamente a si mesmo, a sua origem e profundidade, a sua realização na vocação ao amor. Descobre que a fé não é um movimento cego, mas primariamente uma atitude do coração. Através dela, o homem confia-se a uma verdade que se apresenta à consciência como uma «doce emoção», capaz de suscitar, correlativa e irrenunciavelmente, o bem-querer a cada realidade criada, como ele gostava de dizer.

À luz disto, compreende-se como para São Francisco de Sales não houvesse melhor lugar para encontrar Deus e ajudar a procurá-Lo do que no coração de cada mulher e homem do seu tempo. Aprendera-o observando-se cuidadosamente a si mesmo, desde a mais tenra juventude, e examinando o coração humano.

Com o sentido íntimo duma quotidianidade habitada por Deus, deixara às suas Visitandinas, no último encontro daqueles dias em Lião, a frase com que gostaria de ser lembrado por elas em seguida: «Resumi tudo nestas duas palavras, quando vos disse para não recusar nada, nem desejar nada; não tenho mais nada para vos dizer». [5] Não se tratava, porém, dum exercício de puro voluntarismo, «uma vontade sem humildade», [6] aquela subtil tentação do caminho para a santidade que a confunde com a justificação através das próprias forças, com a adoração da vontade humana e da própria capacidade, «que se traduz numa autocomplacência egocêntrica e elitista, desprovida do verdadeiro amor»; [7] e menos ainda um exercício de puro quietismo, abandono passivo, frio, a uma doutrina sem carne nem história. [8] Mas nascia da contemplação da própria vida do Filho encarnado. Era o dia 26 de dezembro e o Santo falava às Irmãs no coração do mistério do Natal: «Vedes o Menino Jesus na manjedoura? Recebe todas as agruras do tempo, o frio e tudo aquilo que o Pai permite que Lhe aconteça. Não recusa as pequenas consolações que sua Mãe Lhe dá, mas também não está escrito que estendesse as mãozinhas para ter o peito da Mãe; deixara tudo ao cuidado e previsão d’Ela. De igual modo não devemos desejar nada nem recusar nada, suportando tudo aquilo que Deus nos enviar, o frio e as agruras do tempo». [9] É comovente a sua solicitude em reconhecer como indispensável o cuidado do que é humano. Concluindo, foi na escola da Encarnação que aprendera a ler a história e situar-se nela com confiança.

O critério do amor

Através da experiência, reconhecera o desejo como a raiz de toda a verdadeira vida espiritual e, ao mesmo tempo, como o lugar da sua adulteração. Por isso, bebendo com ambas as mãos da tradição espiritual que o precedera, compreendeu a importância de pôr o desejo constantemente à prova, através dum exercício contínuo de discernimento. O critério último para a sua avaliação, encontrara-o no amor. Ainda naquela última recreação em Lião, na festa de Santo Estêvão, dois dias antes de sua morte, dissera: «É o amor que dá perfeição às nossas obras. Mais vos digo… Pensai numa pessoa que sofre o martírio por Deus apenas com uma onça de amor; tem certamente grande merecimento, já que não há dom maior do que o da própria vida; mas outra pessoa que sofra apenas um arranhão com duas onças de amor, terá um merecimento muito maior, porque a caridade e o amor é que dão valor às nossas obras». [10]

E, com surpreendente concretização, continuou ilustrando a difícil relação entre contemplação e ação: «Sabeis ou deveríeis saber que a contemplação em si mesma é melhor do que a ação e a vida ativa; mas, se na vida ativa se encontrar maior união [com Deus], então esta é melhor. Se uma irmã, que está na cozinha a olhar pelas panelas ao lume, tiver maior amor e caridade do que outra, não será o lume material a detê-la, antes pelo contrário ajudá-la-á a ser mais agradável a Deus. Sucede com bastante frequência estar unido a Deus na ação como se está na solidão; no fim, volto sempre à questão de ver onde se encontre maior amor». [11] O impulso que supera verdadeiramente qualquer rigidez inútil ou fechamento em si mesmo é perguntar-se em cada momento, em cada opção, em cada circunstância da vida onde se encontra o amor maior.Não foi por acaso que São João Paulo II chamara São Francisco de Sales o «Doutor do amor divino», [12] mas por ter escrito um ponderoso Tratado sobre o mesmo e sobretudo porque foi testemunha dele. Aliás os seus escritos não se podem considerar como uma teoria elaborada no escritório, longe das preocupações do homem comum. Com efeito, a sua doutrina nasceu duma escuta atenta da experiência; limitou-se a transformar em doutrina aquilo que vivia e lia, com perspicácia iluminada pelo Espírito, na sua singular e inovadora ação pastoral. Encontra-se uma síntese deste modo de proceder no Prefácio do próprio Tratado do Amor de Deus: «Na santa Igreja, tudo pertence ao amor, vive no amor, faz-se por amor e vem do amor». [13]

Os anos da primeira formação: a aventura de se conhecer em Deus

Nasceu em 21 de agosto de 1567, no castelo de Sales, perto de Thorens, filho de Francisco de Nouvelles, senhor de Boisy, e de Francisca de Sionnaz. «Viveu entre dois séculos, XVI-XVII, e reuniu em si o melhor dos ensinamentos e das conquistas culturais do século que terminava, reconciliando a herança do humanismo com o impulso rumo ao absoluto, próprio das correntes místicas». [14]

Depois da sua formação cultural inicial, primeiro no colégio de La Roche-sur-Foron e depois no de Annecy, chegou ao recém-fundado colégio jesuíta Clermont em Paris. Na capital do reino de França, devastada pelas guerras de religião, teve a breve distância duas crises interiores consecutivas, que marcarão indelevelmente a sua vida. Aquela fervorosa oração feita na Igreja de Saint-Étienne-des-Grés, diante da Virgem Morena de Paris, acender-lhe-á no coração, no meio da escuridão, uma chama que permanecerá viva nele para sempre como chave de leitura da experiência própria e alheia. «Suceda o que suceder, Vós, Senhor, tendes tudo nas vossas mãos e todos os vossos caminhos são justiça e verdade, (…) eu Vos amarei, Senhor (…), amar-Vos-ei aqui, ó meu Deus, e sempre esperarei na vossa misericórdia e incessantemente repetirei o vosso louvor. (…) Ó Senhor Jesus, Vós sereis sempre a minha esperança e a minha salvação na terra dos vivos». [15]

Assim redigira no seu caderno, reencontrando a paz. E esta experiência, com as suas ansiedades e interrogações, permanecerá sempre iluminadora para ele e proporcionar-lhe-á uma singular via de acesso ao mistério da relação de Deus com o homem. Ajudá-lo-á a auscultar a vida dos outros e a reconhecer, com sagaz discernimento, a atitude interior que une o pensamento ao sentir, a razão aos afetos e que designa pelo nome o «Deus do coração humano». Seguindo por este caminho, Francisco não correu o perigo de atribuir um valor teórico à sua experiência pessoal, absolutizando-a, mas aprendeu algo de extraordinário, fruto da graça: ler em Deus a vivência própria e alheia.

Embora nunca tenha pretendido elaborar um verdadeiro e próprio sistema teológico, a sua reflexão sobre a vida espiritual teve uma eminente dignidade teológica. Sobressaem nele os traços essenciais de fazer teologia, no âmbito da qual não se deve jamais esquecer duas dimensões constitutivas. A primeira é precisamente a vida espiritual, porque é na oração humilde e perseverante, na abertura ao Espírito Santo, que se pode procurar compreender e exprimir o Verbo de Deus; é no crisol da oração que se torna teólogo. A segunda dimensão é a vida eclesial: sentir na Igreja e com a Igreja. A própria teologia se ressentiu com a cultura individualista, mas o teólogo cristão elabora o seu pensamento imerso na comunidade, partindo nela o pão da Palavra. [16] A reflexão de Francisco de Sales, à margem das disputas escolares do seu tempo e todavia no respeito por elas, surge justamente destes dois traços constitutivos.

A descoberta dum mundo novo

Terminados os estudos humanistas, avançou para os de direito na Universidade de Pádua. De volta a Annecy, tinha já decidido o rumo da sua vida, não obstante as resistências paternas. Foi ordenado sacerdote em 18 de dezembro de 1593; nos primeiros dias de setembro do ano seguinte, a convite do bispo D. Claude de Granier, foi chamado para ir trabalhar na difícil missão do Chablais, território pertencente à diocese de Annecy, de confissão calvinista, que, no intrincado labirinto de guerras e tratados de paz, passara de novo sob o controle do ducado de Saboia. Foram anos intensos e dramáticos. Lá descobriu, a par de qualquer rígida intransigência que mais tarde lhe fará pensar, os seus dotes de mediador e homem de diálogo. Além disso revelou-se inventor de práticas pastorais originais e ousadas, como os famosos «panfletos», afixados por todo o lado e até metidos por baixo da porta das casas.

Em 1602, volta a Paris no desempenho duma delicada missão diplomática, por conta do próprio Granier e sob concreta indicação da Sé Apostólica, na sequência de mais uma mudança no quadro político-religioso do território da diocese de Genebra. Apesar das boas intenções do rei de França, a missão não teve sucesso. Ele mesmo escreveu ao Papa Clemente VIII: «Depois de nove meses inteiros, fui forçado a regressar sem ter concluído quase nada». [17] Contudo aquela missão revelou-se, para ele e para a Igreja, duma inesperada riqueza do ponto de vista humano, cultural e religioso. No tempo deixado livre pelas negociações diplomáticas, Francisco pregou na presença do rei e da corte de França, teceu relações importantes e sobretudo mergulhou totalmente na prodigiosa primavera espiritual e cultural da moderna capital do reino.

Lá tudo havia mudado e estava a mudar. Ele próprio se deixara tocar e interpelar pelos grandes problemas que surgiam no mundo e pela nova forma de os observar, pelo surpreendente pedido de espiritualidade que nascera, bem como pelas questões inéditas que a mesma colocava. Em suma, deu-se conta duma verdadeira «mudança de época», à qual era preciso responder através de linguagens antigas e novas. Não era certamente a primeira vez que se deparava com cristãos fervorosos, mas tratava-se de algo diferente. Não era a cidade de Paris transtornada pelas guerras de religião, que vira nos seus anos de formação, nem a áspera luta travada nos territórios do Chablais. Era uma realidade inesperada: uma multidão «de santos, de verdadeiros santos, numerosos e por toda a parte». [18] Havia homens e mulheres de cultura, professores da Sorbonne, representantes das instituições, príncipes e princesas, servos e servas, religiosos e religiosas. Um variegado mundo sedento de Deus.

Encontrar aquelas pessoas e individuar as suas interrogações foi uma das circunstâncias providenciais mais importantes da sua vida. Assim, dias aparentemente inúteis e malsucedidos transformaram-se numa escola incomparável para ler os humores da época, sem nunca os adular. Nele, o controversista hábil e incansável ia-se transformando, pela graça, num sagaz intérprete do tempo e extraordinário diretor de almas. A sua ação pastoral, as grandes obras (Introdução à Vida Devota e Tratado do Amor de Deus), os milhares de cartas de amizade espiritual que serão enviadas, dentro e fora dos muros de conventos e mosteiros, a religiosos e religiosas, a homens e mulheres da corte, mas também a pessoas comuns, o encontro com Joana Francisca de Chantal e a própria fundação da Visitação em 1610 ficariam incompreensíveis sem esta viragem interior. Evangelho e cultura encontravam, então, uma síntese fecunda da qual derivava a intuição dum verdadeiro método que atingiu a maturação e estava pronto para uma colheita duradoura e promissora.

Numa das primeiras cartas de direção e amizade espiritual, enviada a uma das comunidades visitadas em Paris, Francisco de Sales fala – embora com humildade – de um «seu método», que se diferencia de outros, visando uma verdadeira reforma. Um método que renuncia à dureza e se apoia plenamente na dignidade e capacidade duma alma devota, não obstante as suas fraquezas: «Fica-me a dúvida de que se possa opor à vossa reforma ainda outro impedimento: talvez aqueles que vo-la impuseram, trataram a chaga com demasiada dureza. (…) Louvo o método deles, embora não seja o que costumo usar, especialmente com espíritos nobres e bem educados como os vossos. Acho que seja melhor limitar-se a mostrar-lhes o mal e colocar o bisturi nas suas mãos, para que façam eles mesmos a incisão necessária. Mas não descuideis, por isso, a reforma de que precisais». [19] Transparecem nestas palavras aquele olhar que tornou célebre o otimismo salesiano e que deixou a sua marca duradoura na história da espiritualidade, para sucessivos florescimentos, como no caso de São João Bosco dois séculos depois.

Retornado a Annecy, foi ordenado bispo em 8 de dezembro daquele ano 1602. A influência do seu ministério episcopal, na Europa dessa época e dos séculos sucessivos, é imensa. «É apóstolo, pregador, escritor, homem de ação e oração; comprometido na realização dos ideais do Concílio de Trento; empenhado na controvérsia e no diálogo com os protestantes, experimentando cada vez mais, para além do necessário confronto teológico, a eficácia da relação pessoal e da caridade; encarregado de missões diplomáticas a nível europeu e de tarefas sociais de mediação e de reconciliação». [20] Sobretudo é intérprete da mudança de época e guia das almas num tempo em que, duma maneira nova, têm sede de Deus.

A caridade faz tudo pelos seus filhos

Nos anos 1620 ou 1621, isto é, já no limiar de saída da sua vida, Francisco dirigia, a um sacerdote da sua diocese, palavras que podem ilustrar a sua visão da época. Encorajava-o a concretizar o seu desejo de se dedicar a escrever textos originais, capazes de intercetar os novos interrogativos, intuindo a sua necessidade. «Devo dizer-vos que o conhecimento, que vou adquirindo dia a dia dos humores do mundo, me leva a desejar apaixonadamente que a Bondade divina inspire algum dos seus servos a escrever segundo o gosto deste pobre mundo». [21] A razão deste encorajamento provinha da sua visão do tempo: «o mundo está a tornar-se tão delicado que, em breve, já não se ousará tocá-lo senão com luvas de veludo, nem medicar as suas chagas senão com cataplasmas de cebola; mas que importa, desde que os homens sejam curados e, em última análise, salvos? A nossa rainha, a caridade, faz tudo pelos seus filhos». [22] Não se tratava de um dado óbvio e muito menos de uma rendição final face a uma derrota. Era antes a intuição duma mudança em ato e da exigência, inteiramente evangélica, de compreender como se poderia viver nela.

Aliás, a mesma consciência aparecia já amadurecida e expressa no Prefácio do Tratado do Amor de Deus: «Tive presente a mentalidade das pessoas deste século, e não podia proceder diversamente; é muito importante ter em conta o tempo em que se escreve». [23] E, apelando-se à benevolência do leitor, afirmava: «Se sentes que o estilo é um pouco diferente do usado em Filoteu, e ambos muito distantes do da Defesa da Cruz, recorda-te que, em dezanove anos, se aprende e esquece muitas coisas, que a linguagem da guerra é diversa da paz e que, aos jovens principiantes, fala-se duma forma e, aos antigos companheiros, doutra». [24] Mas, perante esta mudança, por onde começar? Não se afastando da mesma história de Deus com o homem. Daí a intenção última do seu Tratado: «Na realidade, propus-me apenas representar, com simplicidade e genuinidade, sem artifícios e, com maior força de razão, sem adornos, a história do nascimento, crescimento, decadência, operações, propriedades, vantagens e sublimes qualidades do amor divino». [25]

As interpelações duma mudança de época

Na passagem do quarto centenário da sua morte, interroguei-me sobre o legado de São Francisco de Sales para a nossa época e achei iluminadoras a sua flexibilidade e capacidade de visão. Em parte, por dom de Deus, em parte, pela índole pessoal mas também pela tenacidade com que se debruçava sobre vida diária concreta, teve a nítida perceção da mudança dos tempos. Ele mesmo confessa nunca ter imaginado reconhecer nisso uma oportunidade para o anúncio do Evangelho. A Palavra, que tinha amado desde a sua juventude, era capaz de abrir caminho, desvendando novos e imprevisíveis horizontes, num mundo em rápida transição.

Tal é a tarefa essencial que nos espera também nesta nossa mudança de época: uma Igreja não autorreferencial, liberta de toda a mundanidade mas capaz de habitar no seio do mundo, partilhar a vida das pessoas, caminhar juntos, escutar e acolher. [26] Foi o que Francisco de Sales pôs em prática, interpretando a sua época com a ajuda da graça. Por isso convida-nos a sair da preocupação excessiva connosco, com as estruturas, a imagem social, perguntando-nos antes quais sejam as necessidades concretas e as expetativas espirituais de nosso povo. [27] Assim, é importante nos dias de hoje reler algumas das suas opções cruciais, para habitar por dentro a mudança com sabedoria evangélica.

A brisa e as asas

A primeira de tais opções foi reler e repropor a cada um, na sua condição específica, a relação feliz entre Deus e o ser humano. No fundo, a razão última e o objetivo concreto do Tratado é precisamente ilustrar aos contemporâneos o fascínio do amor de Deus. «Quais são – pergunta-se ele – as cordas habituais com que a Providência divina costuma atrair os nossos corações ao seu amor?» [28] Partindo sugestivamente do texto de Oseias 11, 4, [29] define esses meios ordinários como «laços de humanidade ou de caridade e amizade». Escreve: «Sem dúvida, não somos atraídos para Deus com correntes de ferro, como touros e búfalos, mas por meio de convites, deliciosas atrações e santas inspirações, que constituem aliás os laços de Adão e da humanidade, isto é, adaptados e convenientes ao coração humano, para o qual é natural a liberdade». [30] Foi através destes laços que Deus tirou o seu povo da escravidão, ensinando-o a andar, segurando-o pela mão, como faz um pai ou a mãe com o seu menino. Por conseguinte, nenhuma imposição externa, nenhuma força despótica e arbitrária, nenhuma violência; mas antes a forma persuasiva dum convite que deixa intacta a liberdade do homem. E continua, pensando certamente em tantas histórias de vida que encontrara: «a graça tem força, não para forçar, mas para atrair o coração; possui uma santa violência, não para violar, mas para tornar amorosa a nossa liberdade; age com força, mas tão suavemente que a nossa vontade não fica esmagada sob uma ação poderosa desse género; impele-nos, mas não sufoca a nossa liberdade, pelo que, em presença da sua força, é possível – como quisermos – consentir ou resistir às suas moções». [31]

A mesma relação, esboçara-a pouco antes no curioso exemplo dos ápodes: «Há certas aves, Teótimo, que Aristóteles chama “ápodes” porque têm pernas tão curtas e pés tão débeis que não podem servir-se deles – é como se os não tivessem –; e, se por acaso poisam em terra, ficam ali, sem poder retomar o voo sozinhas, porque, não possuindo o uso das pernas nem dos pés, não conseguem ganhar impulso e lançar-se ao ar; então permanecem aninhadas por terra e morrem ali, a não ser que o vento, suprindo a sua incapacidade com lufadas sobre a terra, as tome e levante, como faz com muitas outras coisas. Neste caso, se elas se servirem das asas e valerem do ímpeto e do primeiro impulso que lhes dá o vento, o próprio vento continua a vir em sua ajuda, impelindo-as cada vez mais para o alto ajudando-as a retomar de novo o voo». [32] Assim é o homem: feito por Deus para voar e desenvolver todas as suas potencialidades na vocação ao amor, arrisca-se a ficar incapaz de levantar voo quando cai por terra e não permite reabrir as asas à brisa do Espírito.

Concluindo, a «forma» como a graça de Deus se dirige aos homens é a dos laços preciosos e humaníssimos de Adão. A força de Deus não cessa de ser absolutamente capaz de devolver o voo e, no entanto, a sua doçura faz com que a liberdade do consentimento ao mesmo não seja violada nem aniquilada. Cabe ao homem levantar-se ou não. Embora a graça o tenha tocado ao despertar, sem ele, aquela não quer que o homem se levante sem o seu consentimento. Daqui tira a sua reflexão conclusiva: «Teótimo, as inspirações precedem-nos e fazem-se sentir antes de nos apercebermos, mas, depois de as advertirmos, cabe-nos consentir colaborando e seguindo os seus impulsos, ou dissentir e recusá-las: fazem-se sentir em nós sem nós, mas não se fazem consentir sem nós». [33] Portanto, na relação com Deus, trata-se sempre duma experiência de gratuidade, que atesta a profundidade do amor do Pai.

Todavia, esta graça nunca torna o homem passivo. Leva a compreender que somos radicalmente precedidos pelo amor de Deus, e que o seu primeiro dom consiste precisamente em recebermos o seu próprio amor. Mas cada um tem o dever de cooperar na sua realização, abrindo com confiança as próprias asas à brisa de Deus. Vemos aqui um aspeto importante da nossa vocação humana: sermos criadores. «A ordem de Deus a Adão e Eva, no Génesis, é de que fossem fecundos. A humanidade recebeu a ordem de mudar, construir e dominar a Criação, no sentido positivo de criar a partir dela e com ela. Então, o futuro não depende dum mecanismo invisível do qual os humanos são espetadores passivos. Não, somos protagonistas, somos – forçando a palavra – concriadores». [34] Foi isto que Francisco de Sales compreendeu bem e procurou transmitir no seu ministério de guia espiritual.

A verdadeira devoção

Uma segunda grande opção crucial foi debruçar-se sobre a questão da devoção. Também neste caso, como aliás nos nossos dias, a nova mudança de época levantara não poucos interrogativos a tal respeito. Em particular, há dois aspetos que precisam, também hoje, de ser compreendidos e relançados: o primeiro tem a ver com a própria ideia de devoção; o segundo, com o seu caráter universal e popular. Começou por indicar o que se entende por devoção, dedicando-lhe a sua atenção no início de Filoteu: «É necessário, em primeiro lugar, que saibas o que é a virtude da devoção. Verdadeira, há apenas uma; falsas e vãs, há muitas; e se não souberes distinguir a verdadeira, podes cair no erro e perder tempo correndo atrás de qualquer devoção absurda e supersticiosa». [35]

Graciosa e sempre atual é a descrição feita por Francisco de Sales da falsa devoção, na qual não é difícil rever-nos, intercalada aqui e ali por eficazes ditos de são humorismo: «Quem se consagra ao jejum, pensará que é devoto porque não come, enquanto tem o coração cheio de rancor; e enquanto não se permite banhar a língua no vinho e nem sequer na água por amor da sobriedade, não sentirá qualquer escrúpulo em mergulhá-la no sangue do próximo com a maledicência e a calúnia. Outro pensará que é devoto porque bisbilha todo o dia uma série interminável de orações; e não dará peso às palavras más, arrogantes e injuriosas que a sua língua lançará, no resto do dia, aos servos e vizinhos. Outro ainda levará de bom grado a mão à carteira para dar esmola aos pobres, mas não conseguirá extrair do coração uma migalha de doçura para perdoar os inimigos; e outrem, por sua vez, perdoará aos inimigos, mas pagar as dívidas nem lhe passará pela cabeça; será preciso o tribunal». [36] Trata-se evidentemente de vícios e dificuldades de sempre, inclusive de hoje, pelo que o Santo conclui: «Toda esta boa gente é considerada devota pela opinião comum, mas não o é de forma alguma». [37]

Ao contrário, a novidade e a verdade da devoção encontram-se noutro ponto, numa raiz profundamente ligada à vida divina em nós. Assim «a devoção verdadeira e viva exige o amor de Deus; antes, nada mais é do que um verdadeiro amor de Deus; não um amor entendido genericamente». [38] Na sua ideia, aquela não é senão, «em poucas palavras, uma espécie de agilidade e vivacidade espiritual pela qual a caridade age em nós ou, se quisermos, nós agimos por meio dela com prontidão e afeto». [39] Por isso, não se coloca a par da caridade, mas é uma manifestação dela e, ao mesmo tempo, a ela conduz. É como uma chama em relação ao fogo: aviva-lhe a intensidade, sem alterar a sua qualidade. «Em conclusão, pode-se dizer que caridade e devoção diferem entre si como o fogo da chama; a caridade é um fogo espiritual que, quando arde com uma chama forte, chama-se devoção: a devoção só acrescenta ao fogo da caridade a chama que torna a caridade pronta, ativa e diligente, não só na observância dos Mandamentos de Deus, mas também no exercício dos conselhos e inspirações do Céu». [40] Assim entendida, a devoção não tem nada de abstrato; antes, é um estilo de vida, um modo de estar no concreto da existência quotidiana. Congrega e interpreta as pequenas coisas do dia a dia: o alimento e o vestuário, o trabalho e o lazer, o amor e a geração, a atenção aos deveres profissionais; em resumo, ilumina a vocação de cada um.

Aqui intui-se a raiz popular da devoção, afirmada desde as primeiras frases de Filoteu: «Quase todos aqueles que trataram da devoção tiveram em vista instruir pessoas separadas do mundo ou, pelo menos, ensinaram um género de devoção que leva a este isolamento. Eu pretendo oferecer os meus ensinamentos àqueles que vivem nas cidades, em família, na corte, e que, em virtude do seu estado, são obrigados, pelas conveniências sociais, a viver no meio dos outros». [41] É por isso que está muito enganado quem pensa relegar a devoção para qualquer âmbito protegido e reservado. Pelo contrário, ela é de todos e para todos, onde quer que estejam, e cada um pode praticá-la segundo a sua própria vocação. Como escrevia São Paulo VI no IV centenário do nascimento de Francisco de Sales, «a santidade não é prerrogativa duma classe ou doutra; mas é dirigido a todos os cristãos este premente convite: “Amigo, vem mais para cima” ( Lc 14, 10);todos são obrigados a subir a montanha de Deus, embora nem todos pelo mesmo caminho. “A devoção deve ser exercida de forma diferente pelo cavalheiro, pelo artesão, pelo servente de mesa, pelo príncipe, pela viúva, pela jovem, pela esposa. Mais ainda, a prática da devoção deve ser adaptada às forças, aos negócios e aos deveres de cada um”». [42] Atravessar a cidade secular conservando a interioridade, combinar o desejo de perfeição com cada estado de vida encontrando um centro que não se separa do mundo, mas ensina a viver nele, a apreciá-lo aprendendo também a guardar as justas distâncias do mesmo: tal era a sua intenção, e continua a ser uma lição preciosa para cada mulher e homem do nosso tempo.

Trata-se, aliás, do tema conciliar da vocação universal à santidade: «Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição e estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um por seu caminho». [43] Cada um por seu caminho… «Por isso, uma pessoa não deve desanimar, quando contempla modelos de santidade que lhe parecem inatingíveis». [44] A mãe Igreja propõe-no-los, não para procurarmos copiá-los, mas para que nos estimulem a caminhar pelo caminho, único e específico, que o Senhor pensou para nós. «Importante é que cada crente discirna o seu próprio caminho e traga à luz o melhor de si mesmo, quanto Deus colocou nele de muito pessoal (cf. 1 Cor 12, 7)». [45]

O êxtase da vida

Tudo isso levou o santo Bispo a considerar a vida cristã na sua integralidade como «o êxtase da ação e da vida». [46] Todavia não deve ser confundido com uma fuga fácil ou uma retirada intimista, e menos ainda com uma obediência triste e cinzenta. Sabemos que este perigo está sempre presente na vida de fé. De facto, «há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. (…) Compreendo as pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm que suportar, mas aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias». [47]

Permitir despertar a alegria é precisamente o que Francisco de Sales exprime ao descrever o «êxtase da ação e da vida». Graças a tal êxtase, «não vivemos apenas uma vida civil, honesta e cristã, mas uma vida sobre-humana, espiritual, devota e extática, ou seja, uma vida que em todo o caso está fora e acima da nossa condição natural». [48] Estamos aqui nas páginas centrais e mais luminosas do Tratado. O êxtase é o excesso feliz da vida cristã, projetada para além da mediocridade da mera observância: «não roubar, não mentir, não cair na luxúria, rezar a Deus, não jurar em vão, amar e honrar o pai, não matar é viver segundo a razão natural do homem; mas abandonar todos os nossos bens, amar a pobreza, chamá-la e considerá-la uma patroa deliciosa, considerar os opróbrios, o desprezo, as abjeções, as perseguições, os martírios como felicidade e bem-aventurança, manter-se dentro dos limites duma castidade absoluta e, finalmente, viver no mundo e nesta vida mortal contra todas as opiniões e máximas do mundo e contra corrente do rio desta vida, com habitual resignação, renúncia e abnegação de nós mesmos não é viver segundo a natureza humana, mas acima dela; não é viver em nós, mas fora de nós e acima de nós: e como ninguém pode sair, deste modo, acima de si mesmo se não o atrai o Pai eterno, segue-se que tal modo de viver deve ser um arrebatamento contínuo e um perpétuo êxtase de ação e operação». [49]

É uma vida que reencontrou as fontes da alegria, contra todo o seu definhamento, contra a tentação de se fechar em si mesma. De facto, «o grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza a doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida». [50]

Por fim São Francisco acrescenta, à descrição do «êxtase da ação e da vida», dois esclarecimentos importantes, mesmo para o nosso tempo. O primeiro refere um critério eficaz para o discernimento da verdade neste mesmo estilo de vida; o segundo, a sua fonte profunda. Quanto ao critério de discernimento, afirma que, se por um lado tal êxtase implica uma verdadeira e própria saída de si mesmo, por outro não significa um abandono da vida. É importante nunca o esquecer, para evitar desvios perigosos. Por outras palavras, quem presume que está a elevar-se para Deus, mas não vive a caridade para com o próximo, engana-se a si mesmo e aos outros.

Encontramos aqui o mesmo critério que ele aplicava à qualidade da verdadeira devoção. «Quando se encontra uma pessoa que, na oração, tem arrebatamentos por meio dos quais sai e se eleva acima de si mesma até Deus, mas não tem êxtase de vida, isto é, não leva uma vida elevada e unida a Deus (…) sobretudo por meio duma incessante caridade, acredita-me, Teótimo, todos os seus arrebatamentos são muito duvidosos e perigosos». E, de grande eficácia, é a sua conclusão: «Estar acima de si mesmo na oração e abaixo de si mesmo na vida e na ação, ser angélico na meditação e animal no diálogo, é um verdadeiro sinal de que tais arrebatamentos e êxtases não passam de divertimentos e enganos do espírito maligno». [51] Substancialmente é aquilo que já Paulo lembrava aos Coríntios no hino da caridade: «Ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, mas não tiver amor, nada sou. Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me vale» ( 1 Cor 13, 2-3).

Assim, para São Francisco de Sales, a vida cristã nunca é tal sem êxtase e, todavia, o êxtase não é autêntico sem a vida. De facto, a vida sem o êxtase corre o risco de se reduzir a uma obediência opaca, a um Evangelho que esqueceu a sua alegria. Por outro lado, o êxtase sem a vida expõe-se facilmente à ilusão e ao engano do Maligno. As grandes polaridades da vida cristã não se podem dissolver uma na outra. Quando muito, uma mantém a outra na sua autenticidade. Deste modo, a verdade não é tal sem a justiça, a complacência sem a responsabilidade, a espontaneidade sem a lei; e vice-versa.

Passando agora à fonte profunda deste êxtase, sapientemente liga-o ao amor manifestado pelo Filho encarnado. Se é verdade que, por um lado, «o amor é o primeiro ato e o princípio da nossa vida devota ou espiritual, por meio da qual vivemos, sentimos, nos comovemos» e, por outro, «a vida espiritual é como são os nossos movimentos afetivos», é claro que «um coração que não tem afeto, não tem amor», bem como «um coração que tem amor, não é sem movimento afetivo». [52] Mas a fonte deste amor que atrai o coração é a vida de Jesus Cristo: «não há nada que faça tanta pressão sobre o coração do homem como o amor», e o ponto culminante de tal pressão é ver que «Jesus Cristo morreu por nós, deu-nos a vida com a sua morte. Vivemos apenas porque Ele morreu e morreu por nós, para nosso benefício e em nós». [53]

É comovente esta indicação que manifesta, além duma visão esclarecida e que não era óbvia da relação entre Deus e o homem, o estreito vínculo afetivo que ligava o santo Bispo ao Senhor Jesus. A verdade do êxtase da vida e da ação não é genérica, mas deriva da forma da caridade de Cristo, que culmina na cruz. Este amor não anula a existência, mas fá-la brilhar com uma qualidade extraordinária.

Por isso São Francisco de Sales, com uma imagem muito bela, descreve o Calvário como «o monte dos enamorados». [54] Lá, e somente lá, se compreende que «não é possível ter a vida sem o amor, nem o amor sem a morte do Redentor; mas, fora de lá, tudo é morte eterna ou amor eterno, e toda a sabedoria cristã consiste em saber escolher bem». [55] Assim pode encerrar o seu Tratado remetendo para a conclusão dum discurso de Santo Agostinho sobre a caridade: «Que há de mais fiel que a caridade? Fiel não ao efémero, mas ao eterno. Ela tudo suporta na vida presente, pela simples razão que acredita em tudo sobre a vida futura: suporta todas as coisas que aqui nos são dadas suportar, porque espera tudo o que lhe foi prometido lá. Justamente nunca acaba. Por isso praticai a caridade e produzi, meditando-a santamente, frutos de justiça. E se encontrardes, em louvor dela, outras coisas que não vos tenha dito agora, que isso se veja no vosso modo de viver». [56]

Isto é o que transparece da vida do santo Bispo de Annecy e que, mais uma vez, é entregue a cada um de nós. Que a passagem do IV centenário do seu nascimento para o Céu nos ajude a recordá-lo devotamente e que o Senhor, por sua intercessão, derrame abundantemente os dons do Espírito no caminho do santo Povo fiel de Deus.

Roma, São João de Latrão, 28 de dezembro de 2022.

FRANCISCO

ASJ foi à Casa do Gaiato

No passado dia 23, os animadores do ASJ, entregaram a 1.ª parte dos bens recolhidos durante a campanha solidária do Advento à Casa do Gaiato, em Miranda do Corvo ✨

Em nome do ASJ e da Casa do Gaiato agradecemos a solidariedade e a generosidade de todos os que contribuíram 🤍

Horários de Natal – Missa do Galo e do dia de Natal

No sábado, dia 24, não haverá missas vespertinas.

A Missa do Galo será às 23h00 em São João Baptista e às 00h00 em São José.

No Domingo, dia de Natal, as missas serão nos horários habituais de Domingo (dado que calha ao Domingo, também haverá em São João baptista a missa das 21h00):

  • São José – 9h00; 10h30; 12h00; 19h00.
  • São João Baptista – 11h00; 21h00.

Partilha com os irmãos ucranianos que sofrem a pobreza da guerra

“Convoco a Diocese de Coimbra para um gesto de solidariedade e partilha com a Igreja da Ucrânia, para que possa continuar a sua missão de auxiliar os que estão a sofrer sem pão, sem casa, sem família, sem água, sem luz, sem escola, sem esperança.
Que o ofertório que se faz nas nossas celebrações do dia de Natal por ocasião do gesto de adoração do Menino Jesus possa reverter em favor dos pobres da Ucrânia.”

https://www.paroquiasaojoaobaptista.net/index.php/2022/12/20/mensagem-de-natal-do-bispo-de-coimbra/

Donativo de Natal para os pobres da Ucrânia

A pedido do Bispo de Coimbra, o dinheiro recolhido, aquando da adoração ao menino (beijo do menino) nas missas de Natal da nossa Diocese, será canalizado para os pobres da Ucrânia.

Folha Paroquial 25.12.2022 – Domingo de Natal

Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

A versão PDF da Folha Paroquial pode ser descarregada aqui e a versão de impressão pode ser descarregada aqui.

Missa do Galo no YouTube (24 Dez, 23h00)  –  https://youtu.be/eok_2fUuIyA
Missa de Natal no YouTube (25 Dez, 11h00)  –  https://youtu.be/MIZ6_R8_elU

No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. João dá testemunho d’Ele, exclamando: «É deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.

EVANGELHO ( Jo 1, 1-18 )

Natal não é mito, é acontecimento histórico

Celebramos o Natal situados num tempo histórico que é o nosso, marcado pela guerra na Ucrânia e pelas suas consequências nas nossas vidas com o aumento galopante da inflação que gera pobreza e exclusão, pelas mudanças climáticas que condicionam o nosso futuro e também já o nosso presente. Cada um de nós vive também de modo pessoal este Natal dentro de alegrias e esperanças concretas que são as suas como um novo emprego, o nascimento de um filho ou uma mudança para uma nova casa. O Natal ontem como hoje celebra-se sempre num tempo e numa história concreta. É que o Natal não é um mito. Por isso, no evangelho que acabámos de ouvir S. Lucas situa bem o acontecimento do nascimento de Jesus na história de Israel e do Império romano. Um recenseamento mandado fazer pelo Imperador César Augusto, quando Quirino era governador da Síria.

Para o crente, a historicidade da Fé é um selo da autenticidade da revelação. Celebrando o nascimento de Jesus como um acontecimento histórico, nós sublinhamos a sua importância central para toda a humanidade.

Num momento preciso da história, Deus eterno inseriu-se no tempo; Aquele que não tem princípio e nem fim ia entrar na nossa história aceitando ser medido pelo tempo, a ter como qualquer um de nós, um passado e um futuro, um nascimento, uma juventude, uma maturidade, e uma morte. Este momento da história, de extrema importância, iria mudar o curso do tempo. Antes de Jesus, o tempo avançava e convergia para Ele. Depois da sua passagem por este mundo, o tempo, continuando sempre o seu curso implacável, fica, por assim dizer, vinculado a Jesus. A Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus, apoia-se n’Ele, faz memória d’Ele, repete as palavras e gestos que aprendeu d’Ele. Voltada para Jesus, a Igreja é também atraída por e para Jesus, pois ela vive na esperança jubilosa da sua última vinda e da realização plena do reino de Deus.

O natal e o combate entre a luz e as trevas

Por outro lado, esta presença de Jesus revela-nos em negativo o drama da nossa vida humana, quer dizer a nossa incapacidade a acolher a verdadeira vida. Esta noite de Natal sublinha o combate dramático entre a luz e as trevas. Desde as primeiras horas da sua vinda a esta terra, Jesus, que é a Vida e a Luz verdadeira, é marcado pela rejeição, «não havia lugar para Ele na hospedaria». A rejeição de uma mulher que vai dar à luz e do seu filho sublinha desde os começos da vida de Jesus, a falta de humanidade da terra onde ele acaba de nascer. E Jesus não cessará ao longo de toda a sua pregação de pedir aos homens que saibam acolher-se e amarem-se uns aos outros.

O natal aponta-nos e revela-nos a plenitude do humano

Poderíamos resumir a revelação cristã da incarnação dizendo que Deus se fez homem para pedir ao homem que seja mais humano, e revelar-lhe o caminho da sua humanização. Porque o homem é mais humano, as nossas sociedades são mais humanas, quando sabemos dar lugar àquele que é mais frágil, mais fraco, mais doente, mais pobre e sobretudo à criança a nascer. Quando o saudável ajuda o doente, quando o homem livre visita o prisioneiro, quando aquele que tem, dá ao que não tem, o ser humano purifica-se como humano. Praticando a caridade, como Cristo nos convidou a fazer e deu o exemplo, cada homem e cada mulher se humaniza.

A nossa humanização é o caminho e a possibilidade da nossa divinização.

Quanto mais humanos, mais divinos, pois Deus assumiu a nossa humanidade. Ele foi o homem que mais amou e deu à humanidade a sua plenitude. N’Ele a humanidade atingiu o seu máximo potencial. N’Ele o humano e o divino coabitam. Nesta terra tem havido muitas pessoas que, no seguimento de Jesus e dos seus ensinamentos se tornaram tão humanas que nós vimos nelas o rosto de Deus.

Aquele que dá com amor recebe um coração de carne e forma-se nele o homem novo. É o coração de carne capaz de amar que faz dele um homem verdadeiro.

S. Paulo VI, quando veio a Fátima participar como peregrino no cinquentenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima, proferiu um célebre discurso que veio à minha mente ao pensar no que nos diz o Menino no presépio: «Homens, sede homens. Homens, sede bons, sede cordatos, abri-vos à consideração do bem total do mundo. Homens, sede magnânimos. Homens, procurai ver o vosso prestígio e o vosso interesse não como contrários ao prestígio e ao interesse dos outros, mas como solidários com eles. Homens, não penseis em projetos de destruição e de morte, de revolução e violência; pensai em projetos de conforto comum e de colaboração solidária (…) e recomeçai a aproximar-vos uns dos outros com intenções de construir um mundo novo; sim, um mundo de homens verdadeiros, o qual é impossível de conseguir se não tem o sol de Deus no seu horizonte.» Como estas palavras são sempre tão atuais!!!
Ser discípulo de Jesus, ser cristão, é aprender a ser mais humano com Aquele a quem Pilatos apresentou à multidão dizendo: «Ecce Homo; Eis o homem.»

Metendo no centro da nossa celebração natalícia o mais fraco, aquele que depende de nós para viver, e pensamos hoje no povo ucraniano, nós manifestamos a direção para a qual devemos caminhar para tornar a nossa vida mais humana. Quando o homem adulto respeita aquele que não se pode exprimir e defender, a criança, o abusado, o violentado e injustiçado manifesta a dignidade da pessoa. Assumindo a nossa carne, Deus convida-nos a tornar-nos também verdadeiros homens participando no seu amor que cuida dos mais frágeis.

Longe das fábulas mitológicas, um dia no tempo, o Verbo de Deus fez-se carne da nossa carne e veio tornar-se o homem pleno para nos indicar o caminho do humano na sua plenitude. Agora compete-nos a nós, ajudados por Ele a contruir-nos como homens verdadeiros construindo um mundo novo. Quando todos formos mais humanos cessarão as guerras, as divisões, os egoísmos, os ódios, as injustiças. Será um mundo de fraternidade e de paz. Foi esse mundo novo que o Menino veio dar início. Por isso os anjos cantaram: «Glória Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados.»

Que a nossa humanidade se revele na compaixão e na caridade para com o povo da Ucrânia que sofre de frio e da falta de tudo. Hoje quando formos venerar o Menino no final da missa, demos uma ajuda a esse povo com um donativo generoso, «pois tudo aquilo que fizerdes ao mais pequenino dos meus é a Mim que o fazeis».

Feliz natal.

Dia da Sagrada Família – visita aos presépios de Coimbra

Há uma tradição na cidade que o Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar quer recuperar propondo às famílias que, no dia da Sagrada Família, 30 Dez, visitem os presépios da cidade (Santa Cruz, StAntOlivais, Rainha Santa e Sé Nova) e recebam a Bênção das Famílias (avós, pais, filhos e netos) na eucaristia das 18h em São João Baptista ou das 19h em São José.

Trata-se de uma proposta para celebrar em família aquele que é o Dia da Sagrada Família de Nazaré e deseja-se que seja uma celebração para avós, pais, filhos, netos, todos juntos em família.