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Folha Paroquial nº 155 *Ano IV* 17.01.2021 — DOMINGO II DO TEMPO COMUM

Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

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“EVANGELHO (Jo 1, 35-42)
Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?». Eles responderam: «Rabi – que quer dizer ‘Mestre’ – onde moras?». Disse-lhes Jesus: «Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» – que quer dizer ‘Cristo’ –; e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» – que quer dizer ‘Pedro’.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Depois de celebrarmos o batismo do Senhor, somos convidados por Ele a fazermo-nos seus discípulos. O Evangelho conta-nos o chamamento dos primeiros discípulos para nos lançar no seu encalço. Ninguém segue um estranho. Todo o discipulado começa depois do primeiro encontro com Jesus. Quem lançou os primeiros discípulos no seguimento de Jesus foi João Baptista, mas foi preciso que estes fizessem a experiência pessoal do encontro com Ele. E foi isso que Jesus os convidou a fazer: «Vinde ver». Ora é isso que nós discípulos de hoje devemos proporcionar aos outros que andam à procura.

A questão posta pelos dois discípulos de João Baptista é muito pertinente nos nossos dias: «Mestre, onde moras?» No fundo, é a pergunta sobre onde e como encontrar Deus. Diz-nos o papa Bento XVI que, “no contexto atual, é a questão das questões”, pois a mentalidade que se difundiu de renúncia ao transcendente demonstrou-se incapaz de compreender e preservar o humano e gerou a crise de sentido e de valores que hoje vivemos, que depois levou à crise económica e social.

Mas a quem porão os homens de hoje a questão sobre Deus e onde o encontrar?

É àqueles que O encontraram, que O conhecem e amam. A estrada que conduz até Ele passa, de modo concreto, através de quem já O encontrou, pelo testemunho de vida no quotidiano. Mas, depois, os cristãos têm de ter um lugar de encontro, para onde possam convidar aqueles que se manifestam abertos a conhecer Jesus. Vinde ver. Esse lugar é a própria comunidade reunida. Ela é o lugar da presença de Deus, pois Deus habita nela como num templo. O “vinde ver”, pode ser simplesmente: – “Vem à igreja comigo, e assim encontrar-te-ás com Cristo presente no meio do seu povo. Descobri-lo-ás na Igreja que reza, canta e louva o seu Senhor. Descobri-lo-ás presente na Sua Palavra proclamada na Assembleia, pois nesse momento, é o próprio Cristo que fala ao seu povo. Descobri-lo-ás presente, como os discípulos de Emaús, no pão que é partido e distribuído por todos e acerca do qual Ele disse: «Tomai e comei, isto é o meu corpo entregue por vós»”. O “Vinde ver” pode ser ainda e, graças a Deus está a acontecer neste momento nas nossas paróquias: “Olha, vem comigo tentar Alpha, eu fiz, e foi tão importante para mim. Vem e verás.” Pode ser ainda: “Vem, ao encontro do Senhor naquela célula paroquial de evangelização, onde os irmãos rezam em comum e partilham a experiência que fazem com o Senhor e como Ele tem iluminado a sua vida, escutam a palavra de Deus que os forma na fé.” Ou ainda: «Vem comigo visitar uma família pobre a quem costumamos visitar e que está sempre ansiosa pela nossa passagem. Nela, vais encontrar-te com Cristo pobre que disse: «Tudo o que fizerdes ao mais pequenino dos meus irmãos é a mim que o fazeis». Vem ver como é, e depois, ficas ou vais, mas «vem ver».

Sabemos o nome daqueles que aceitaram o convite de Jesus: – “Vinde ver”. Eram André, irmão de Simão Pedro e, no seguimento do Evangelho, sabemos que o outro era Natanael. Não vão mais esquecer aquele dia nem aquela hora. Era por volta das quatro horas da tarde. André, depois disto, vai ter com seu irmão Pedro e diz-lhe: «Encontrámos o Messias, vem também conhecê-lo.» E levou-o a Jesus. Que grande gesto fez André pelo seu irmão! Mudou-lhe a vida para sempre! Abriu ao irmão o caminho da salvação. Por aqui se vê que não é preciso ser especialista em evangelização para levar alguém a Jesus. André tinha acabado de conhecer Jesus e já se tornara evangelizador. Basta tê-lo encontrado, ter deixado que Ele toque a nossa vida. Quando isso acontece, temos necessidade e seremos capazes de dizer a outros: “Vinde ver.” O melhor serviço que uma pessoa pode fazer a outra é levá-la a conhecer Jesus, pois trata-se de possibilitar à outra pessoa o encontro com a Vida eterna, com a salvação. O que pode haver de mais importante? Se André, com o seu convite, pôde mudar para sempre a vida de Pedro, vê o bem que podes fazer quando tens a coragem e a verdadeira amizade de dizer a outro: «Vem ver».

Vale a pena perguntar- -me: «A quem já convidei alguma vez para vir comigo ao encontro de Jesus?» Não tenha receio de convidar, de falar a outros das diversas atividades e convidar a vir consigo à missa, à oração, ao Alpha, às células, à catequese de adultos, ou a servir os pobres. Há tantos que não vêm só porque se desabituaram e, agora, só precisam que alguém lhes reacenda a chama com um convite amigo. Seja ousado(a) em nome de Cristo e fará um grande bem aos seus amigos. Como vê, não é preciso ser santo para fazer isso, é preciso é começar já. Pois André mal conheceu Jesus levou logo o seu irmão.

 

Folha Paroquial nº 154 *Ano IV* 10.01.2021 — DOMINGO DO BAPTISMO DO SENHOR

O Senhor abençoará o seu povo na paz.

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“EVANGELHO (Mc 1, 7-11)
Naquele tempo, João começou a pregar, dizendo: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo». Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no rio Jordão. Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele. E dos céus ouviu-se uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

O Batismo de Jesus, por João Baptista, é um facto histórico bem atestado por todos os evangelistas. Diz a segunda leitura: «Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele».

“Vós sabeis…”. Era um facto histórico bem conhecido por todos. No seu batismo, Jesus tinha feito uma experiência admirável e sensível de ser o Filho eterno a quem o Pai manifesta toda sua ternura, e o Espírito repousava sobre Ele. Depois desta experiência luminosa e refrescante, o Espírito empurra-o para o deserto onde vai viver uma experiência contrária; de secura e aridez. O demónio tenta pôr em causa tudo aquilo que Ele experimentou para que duvide e desista de ser Messias sofredor que vem para dar a vida de forma humilde e abnegada, colocando-se ao lado dos pobres, dos humildes e de todos aqueles que julgam que Deus os abandonou. Que seja Messias, sim, mas um Messias a impor-se pela força, pelo poder e pelo prestígio. É a essa tentação a que Jesus resiste. Saindo dali, Jesus vai de novo para a Galileia e, entrando na sinagoga de Nazaré, lê o profeta Isaías que diz: «O Espírito do Senhor está sobre mim porque Ele me ungiu e me enviou para levar a Boa nova aos pobres…» Depois acrescenta: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura» (Lc 4,14-21). Neste texto, Jesus diz claramente a marca que o seu batismo Lhe deixou. Ele sabe que foi ungido pelo Pai no seu batismo, que está cheio do Espírito Santo, e que recebeu a missão pela qual veio ao mundo: ser Messias salvador dos pobres, dos pecadores, dos oprimidos.

A citação dos Atos dos Apóstolos a que fiz referência no início do texto, faz parte da pregação de Pedro em casa de Cornélio para preparar o seu coração e o da sua família para o batismo que irão receber por vontade de Deus. Aqui, trata-se do batismo cristão; mas o batismo de João não é ainda este batismo. É apenas um rito de purificação para o perdão dos pecados. Para Jesus, no entanto, foi algo muito mais profundo que os evangelistas conseguem transmitir muito bem, servindo-se da experiência vivida pelos cristãos da igreja primitiva quando recebiam o batismo.

O batismo cristão é uma participação misteriosa na morte e ressurreição de Cristo. Mergulhados na água e no Espírito Santo, nós somos de tal forma unidos a Cristo que passamos a ser Um, com Ele, e assim, fruto desta união com o Filho Unigénito de Deus, recebemos a sua vida imortal, a sua vida divina, tornamo-nos filhos no Filho e, recebendo o seu Espírito, somos conduzidos e inspirados a chamar a Deus, Abbá, Pai, como Jesus, pois é O Espírito de Jesus que vive em nós e que em nós reza.

O Batismo de Jesus no Jordão é, pois, já um relato que tem como pano de fundo a experiência do batismo cristão: «Os céus abriram-se, e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba sobre Ele».

«Os céus abriram-se». A grande espera de Israel é realizada. Isaías tinha-o exprimido desta forma: «Ah, se rasgásseis os céus e descêsseis…» E os céus rasgaram-se e Deus desceu. (Is 63, 19-64, 1). Quanto à pomba, para um Judeu, representa o Espírito de Deus, aquele que pairava sobre as águas na criação, aquele que um dia repousaria sobre o Messias quando Ele finalmente viesse para salvar o seu povo e a humanidade inteira. Já no dilúvio, sinal do batismo, em que o homem velho é destruído para surgir o homem novo, salvo das águas, uma pomba aparece trazendo um ramo de oliveira no bico.

A presença do Espírito nas águas do batismo mostra que se trata de uma nova criação. «O Espírito de Deus pairava sobre as águas, diz-nos o Génesis.

Mateus oferece-nos aqui uma magnífica representação da Trindade: Jesus é declarado Filho, o Espírito reconhecido sob a forma de pomba, e o pai invisível, mas presente, manifesta-se pela sua Palavra. João Batista tinha predito: “Ele batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo”. Pelo nosso batismo, somos realmente mergulhados no fogo do amor trinitário. Pelo nosso Batismo, é uma nova criação que acontece. É um mundo novo que se abre para nós. Os céus abrem-se para nós e a graça de Deus nos inunda, fazendo-nos mergulhar totalmente na vida de Cristo, na sua morte e ressurreição, e tornamo-nos também participantes, segundo os nossos dons, na missão de Jesus de «anunciar a Boa Nova aos pobres», tornando-nos discípulos-missionários e, sempre que o não somos, não estamos a corresponder bem ao dom do batismo.

Precisamos de redescobrir a graça do nosso batismo, donde nos vem toda a possibilidade de haurir da fonte da salvação que brota da cruz do Senhor.

Os sacramentos são dons gratuitos de Deus, mas para serem eficazes em nós, precisam de ser acolhidos na fé. Sem fé, falta a resposta humana ao dom de Deus e Este não nos dá dons que não queiramos receber. Por isso o batismo precisa de ser assumido, ao longo da vida. Aquilo que Paulo diz ao seu discípulo Timóteo, a propósito da Ordenação, pode ser dito em relação ao batismo ou qualquer outro sacramento: «Recomendo-te que reacendas o dom de Deus que se encontra em ti, pela imposição das minhas mãos».

Seria bom que todos conhecêssemos bem a data do nosso batismo, assim como conhecemos a data do nosso nascimento e, nesse dia, nos expuséssemos mais à graça divina, reacendendo em nós o dom de Deus para sermos luz no mundo e sal da terra.

 

PROPOSTA DE LEITURA DO ÍCONE DO BAPTISMO DO SENHOR

A terra está rasgada em dois, tal como os Céus de onde Deus envia o Espírito Santo. No centro vemos Jesus, despido, como quando foi crucificado, ao mesmo tempo que aceita a vontade de Deus e assume a sua vocação de messias, que se deixa submergir pelas águas de um rio que jorra dos túmulos em terra estéril; João segura na mão esquerda a antiga aliança e inclina-se para aquele de quem não é digno de desatar as sandálias; Jesus submete-se a João “para que se cumpra”, como mais tarde “não se faça a minha vontade”, e o Pai responde, dizendo “Este é o meu Filho bem-amado, sobre o qual ponho todo o meu agrado”, enviando seu Espírito Santo – é isso que indicam o semi-círculo que vemos na parte superior e o raio que desce dele sobre Jesus; as águas, o mar, são sempre símbolo das trevas, do obscuro e tenebroso; a cena remete para o mistério pascal; Jesus, despido do homem velho, ao contrário de João que está ainda vestido, abençoa as águas com ambas as mãos, tornando-as doravante fonte de vida nova. Dessa vida nova beneficia Adão, que deixa esvaziar as suas bilhas de água ainda não renovada e que ainda receoso troca o olhar com um dos anjos, preparado para o acolher. Dos outros 3 anjos, dois têm o olhar fixo em Jesus e o outro na pomba. A árvore tem já lançado o machado à raiz: doravante, só dará fruto o ramo que vier a ser enxertado em Cristo. Toda a criação sente esta renovação: temos os peixes e os pequenos arbustos junto à margem.

Folha Paroquial nº 153 *Ano IV* 03.01.2021 — DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR

Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.

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“EVANGELHO (Mt 2, 1-12)
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

O SENHOR TE ILUMINA

O que nos diz Deus através deste acontecimento da Epifania? Que mensagem nos transmite? Lendo este episódio da infância de Jesus, convém darmo-nos conta do género literário utilizado por S. Mateus. Na realidade, ao narrar estes acontecimentos, S. Mateus está a querer conduzir-nos a uma reflexão teológica, elaborada à luz do mistério pascal. O título «Rei dos Judeus», através do qual os magos designam o recém-nascido, reaparecerá na boca de Pilatos no momento do processo de Jesus, e será colocado na inscrição posta na cruz sobre a cabeça de Jesus (Jesus Nazareno, rei dos Judeus). A manifestação de Jesus aos magos é assim o início e o germe da manifestação plena que se dará com a morte e ressurreição de Cristo e que atingirá o seu esplendor na manhã de Pentecostes.

Natal e Epifania são duas versões ou duas acentuações do único mistério do Natal. Na primeira, celebramos o nascimento do salvador e, na segunda, a sua manifestação à humanidade. Na primeira só os pastores de Belém, todos judeus, foram testemunhas. Na Epifania, são também os pagãos representados nos magos, vindos do Oriente. O Natal tem mais importância entre nós e em muitos países da Europa, mas não é assim no Oriente e mesmo em Espanha onde é a festa da Epifania que tem mais relevo como festa da celebração do Natal. A epifania é a festa da aparição, da manifestação do Salvador aos olhos de todas as nações pagãs. E, desse modo, esta festa diz-nos respeito, em primeiro plano, pois os membros da Igreja na sua esmagadora maioria não pertencem ao povo da primeira aliança. Mas somos, por graça, o povo de Deus, como diz S. Paulo na segunda leitura: “Os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.” Por isso, podemos dizer que nesta festa estamos do lado dos magos: eles representam-nos e com eles vimos adorar o Menino-Deus.

S. Mateus colocou várias personagens neste episódio que, de certa forma, representam várias atitudes em relação ao acolhimento do Messias. Com qual delas cada um de nós se identifica? Em primeiro lugar, os magos, que aparecem como pessoas inquietas na busca da verdade. Para a encontrarem, fazem uma longa peregrinação interior e exterior e não se poupam a dificuldades para encontrar aquele que não procurariam se a sua luz não brilhasse já nos seus corações. Quando chegam ao presépio, adoram-no e oferecem-se a Ele com tudo o que são e têm. Depois, aparece Herodes, um político agarrado aos seus privilégios e poder, pronto a destruir quem quer que lhe pareça ser uma ameaça ao seu estatuto. A sua posição é de completa rejeição do Menino, que ele vê como ameaça. Aparecem ainda os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, que manifestam uma grande indiferença, pois, apesar de concluírem acertadamente o que diziam as escrituras de que o nascimento de Jesus seria em Belém, não mexeram uma palha para imitar os magos e irem no encalço da estrela que os levaria a Belém. Temos, portanto, três atitudes diferentes nas quais somos convidados a rever-nos. Sentimo-nos pessoas abertas ao mistério divino, capazes de sacrifícios e incomodidades para O encontrar e adorar, ou sentimo-nos mais no lugar dos sacerdotes e escribas que se tornam indiferentes?

A 1ª leitura dizia: «Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor, e a sua glória te ilumina.» Ao ouvir estas palavras sou levado a pensar em vós que agora terminastes o percurso Alpha e todos vós, irmãos, que escolhestes viver enraizados no Senhor. Enquanto a escuridão cobre a terra e a alma dos povos, há alguns que são arrebatados da escuridão pela luz que lhes ilumina o rosto e a alma. Fará Deus aceção de pessoas? Não; só que alguns têm uma atitude pró-ativa e procuram a Deus abrindo-se com alegria à sua luz; outros, como Herodes, rejeitam-na, fechando-lhe o coração. Outros ainda, ficam na indiferença, como se nada tivesse acontecido, permanecendo, assim, nas trevas, quando a luz brilha tão perto. Diz o prólogo de S. João: «Ele veio para o que era seu e os seus não o receberam, mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus».

Só em Cristo, na adesão a Ele e à sua Palavra, nós encontramos a Vida, a alegria e a cura interior. Mas isso não é mágico, exige um caminho lento de mudança, de conversão do coração, de libertação interior, de frequência dos sacramentos e de adesão à proposta de Jesus. Reparemos na alegria dos Magos quando encontraram Jesus e vejamos como regressaram a casa por outro caminho. Todos nós somos convidados a comprometermo-nos numa transformação da vida que nos conduz a um caminho novo.

 

Menino Jesus, eis-me aqui,
Prostrado em silêncio e adoração,
Rendido ao mistério da tua grandeza divina
que se revela na tua imensa pequenez.
Tu és Deus e eu, diante de ti, sou nada.
Mas um dia a tua glória me iluminou e enviaste-me
uma estrela que me conduziu até ti;
Os meus olhos viram-te e o meu coração rejubilou.
Enviaste-me depois por outro caminho com a tua
luz a iluminar-me o rosto!
Mas a luz que me iluminava,
tantas vezes se apagou e me deixou perdido.
A minha vida tem sido uma aventura à tua procura!
Cada vez que te reencontro é uma festa e volto cheio da tua luz.
Na eucaristia e na oração me iluminas e me salvas.
Sempre que me prostro, em adoração, diante de ti,
A Tua luz me ilumina.
Sei que um dia essa luz me transformará para sempre
e então serei, finalmente, filho da Luz.
Menino Jesus, recebe a oferenda da minha vida.
Ámen.

 

Folha Paroquial nº 152 *Ano IV* 27.12.2020 — DOMINGO SAGRADA FAMÍLIA

Ditosos os que temem o Senhor,
ditosos os que seguem os seus caminhos.

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“EVANGELHO (Lc 2, 22-32 )
Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino, para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia, tornava-Se robusto e enchia-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

A LUZ QUE IRRADIA DA SAGRADA FAMÍLIA

Em que é que a Sagrada Família pode ser modelo para as nossas famílias de hoje e de sempre?

Se nenhuma família hoje é igual a outra, a Sagrada Família é incomparavelmente desigual. Há, no entanto, traços comuns a muitas outras famílias cristãs. Há um homem e uma mulher que se amam e decidem viver sob o olhar de Deus a sua união. A partir de certa altura esta família recebe uma missão e têm consciência dela: dar ao mundo o Messias, criando para ele um lar de afeto onde não lhe falte o sustento, a educação para a vida, a integração na fé do povo de Israel e nas suas tradições, e o amor de um pai e de uma mãe para crescer bem. O texto do evangelho que lemos hoje termina dizendo: «O menino crescia em todas as dimensões: em estatura, em sabedoria e em graça.» Os pais esmeraram-se e o seu trabalho está a dar fruto. E o texto acrescenta ainda que ele era submisso aos seus pais.

Se a família foi muito importante para o crescimento e desenvolvimento harmonioso de Jesus de Nazaré, mais tarde, na sua missão de Messias, ele tem expressões em que parece desvalorizar a família. Por exemplo: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática”.

Parece uma resposta de rejeição que nos pode chocar. Porque a família é uma comunidade reunida pelo amor: os pais e os filhos. Amor de um homem e de uma mulher que se tornam esposos, dando-se um ao outro para toda a vida. Amor dos esposos, que floresce no acolhimento dos filhos. Amor dos filhos pelos pais que lhes deram a vida humana. Será que Jesus pretende emancipar-se destes laços de amor e de sangue? Desvalorizará ele aquilo que é o mais fundamental na natureza humana para o seu equilíbrio total? Ele mesmo não fundou nenhuma família e apresenta-se como um divisor da família: «Doravante numa família de cinco pessoas, estará dividido o pai contra os filhos, e os filhos contra os pais, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe.» (Lc 12, 52) Mais ainda, ele pede aos que o quiserem seguir que rompam com todos os seus laços familiares: «Se alguém quiser seguir-me sem deixar o seu pai, a sua mãe, a sua mulher, os seus filhos, os seus irmãos, irmãs, e até a sua própria vida, não é digno de mim» (Lc 14,26). No entanto, todos estes textos não desvalorizam nada a importância que Jesus dá à família, antes ajudam a compreender a verdadeira dimensão que Ele lhe quis dar. Jesus conhece muito bem a fragilidade e a ambiguidade do amor humano bem como dos laços familiares. Eles são muito importantes mas, mal vividos, podem ser destrutivos e tantas vezes o têm sido, infelizmente.

Olhemos de perto a família de Jesus de Nazaré: um pai, uma mãe, um filho. Vemo-lo no evangelho de hoje a cumprir um ato litúrgico no Templo de Jerusalém, lugar da Presença do Senhor. «Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor». Fiéis na observância dos mandamentos de Deus, cumprem tudo o que a Lei lhes diz quando se tem um filho varão. Foi a Circuncisão aos oito dias de idade, a apresentação no templo, a peregrinação anual a Jerusalém.

José e Maria estão atentos às palavras proféticas em relação ao Filho: no Templo, é-lhes dito que Ele é luz das nações, mas também que será sinal de contradição, rejeitado pelo seu povo.

As relações familiares na Sagrada Família estão todas marcadas por esta atenção à Palavra de Deus. É ela que os guia em todos os seus caminhos e decisões.

É verdade que a Família de Nazaré não é uma família como as outras. Mas é a verdadeira família. Ela é constituída não só pelos laços do sangue e do amor humano, mas sobretudo pela Palavra de Deus recebida e posta em prática.

As relações são o mais importante da nossa vida, e as relações de sangue, ou de família, são dentre todas as relações humanas as mais importantes, pois dão-nos segurança, reconhecimento, amor e tudo o que precisamos para nos sentirmos em harmonia. Mas, para que as relações humanas funcionem bem e sejam fonte de alegria e felicidade, não podemos esquecer a relação fundamental e raiz de todas as relações que é a relação com Deus.

As nossas famílias naturais são chamadas a ser transfiguradas pela presença do Senhor e, por isso, o Matrimónio é um passo fundamental e fundante deste querer dos esposos de construírem a sua relação a partir da relação com Deus. O Senhor vem curar e purificar o que pode haver de doentio, de sufocante, de frágil em certas famílias. Há desejos de posse de pais pelos filhos, de maridos pelas esposas e vice-versa, há ciúmes, inseguranças, faltas de respeito e de amor. As famílias que mantêm viva a relação com Deus, são também frágeis como as outras, mas vão sendo transformadas pela graça, convertidas e aprendem, pouco a pouco, a amar à maneira de Jesus e com o amor de Jesus. A família, sendo a mais pequena unidade de vida social, é também a comunidade de base da Igreja. Compreendemos então que se os laços familiares são naturais, têm também uma dimensão sobrenatural. A Igreja é uma família santa, prolongamento da família de Nazaré às dimensões da humanidade. Compreendemos assim que, por vezes, esta família sobrenatural pede a alguns que se consagrem inteiramente a ela como Jesus, não fundando eles próprios nenhuma família natural, deixando atrás deles, por vezes de modo radical, os seus pais, irmãos e irmãs.

A vós a quem não hesito chamar irmãos e irmãs e eu, a quem costumais chamar padre (pai), somos todos chamados a acolher a Palavra de Deus feita carne e a deixar que ela mude o nosso coração e todas as nossas relações de amizade, sociais e familiares. Deixemos e desejemos do fundo da alma que as nossas famílias sejam transformadas pela vinda de Jesus ao seu seio e vivam unidas à Sagrada família de Jesus Cristo. Ámen.

 

Folha Paroquial nº 151 *Ano IV* 20.12.2020 — DOMINGO IV DO ADVENTO

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

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“EVANGELHO (Lc 1, 26-38 )
Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra»”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

O SENHOR VAI FAZER-TE UMA CASA

1. David quer fazer uma casa para o Senhor, talvez cheio de boas intenções, mas sem se dar conta de que, provavelmente, poderá estar à procura da sua própria glória. É sempre uma tentação pensarmos que fazemos grandes coisas para Deus e tirarmos glória para nós em vez de darmos glória a Deus. Inicialmente, o profeta diz-lhe: «Faz o que te diz o coração porque Deus está contigo». E é o que fazemos habitualmente quando não discernimos a vontade de Deus. Seguimos o nosso coração. Mas muitas vezes enganamo-nos, pois o nosso coração inclina-se para os nossos desejos escondidos. Mas o profeta Natã recebeu a palavra de Deus e foi depois dizê-la a David. Deus manda dizer-lhe: «És tu que vais construir uma casa para eu habitar? Quando peregrinava com o povo no deserto desde a saída do Egipto, não habitei em casa alguma mas peregrinava alojado numa tenda.» A casa onde o Senhor habitava era o seu povo. “A sua alegria era habitar no meio dos filhos dos homens”. Por isso Deus diz a David: «Não és tu que me construirás uma casa, mas sou eu que te construirei uma casa». Essa casa é a sua descendência da qual nascerá o Messias. Através dele, Deus acampará no meio dos homens, como irá dizer S. João: «E o verbo incarnou e acampou no meio de nós». Às vezes temos a veleidade e a vaidade de pensarmos que somos generosos para com Deus, mas é Deus que nos dá tudo e que sempre tem a iniciativa de nos encher da sua misericórdia.

2. Maria, a mãe de Jesus é a casa digna que Deus procura para que o seu Filho habite no meio de nós. Com o seu sim incondicional que desfaz a desobediência de Eva, Maria, é a Mulher Nova que esmaga a cabeça da serpente segundo as palavras do Génesis e torna-se a digna morada de Deus e a nova Arca da Aliança onde Deus agora habita. É como Arca da aliança que ela vai visitar Isabel. E é recebida por esta, como outrora David diante da arca do Senhor, através do louvor: «Donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Feliz aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor.» O próprio João Baptista já exulta de alegria no ventre materno, diante da proximidade do Verbo de Deus. E estas duas mulheres cantam a misericórdia de Deus. E nós também somos chamados a cantar o mesmo louvor diante da proximidade do Natal. «Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor».

Percebemos assim que a casa que Deus procura, em primeiro lugar, não é a de cedro ou de tijolos, ou de pedra ou mesmo de pedras preciosas. A casa que Deus procura são corações humildes, cheios de fé e de reconhecimento como o de Maria. Somos chamados a ser um povo de louvor que reconhece tudo quanto Deus fez por Ele e O anuncia de geração em geração. Deus habita no meio do louvor do seu povo. O louvor de Deus é o anti-pecado, pois é o contrário da impiedade. S. Paulo diz que o pecado fundamental é a impiedade, que consiste exatamente na recusa de glorificar a Deus e de lhe agradecer. Dito de outro modo, consiste na recusa em reconhecer Deus como Deus e de lhe dar a adoração que lhe é devida. Um salmo proclama: «Diz o ímpio no seu coração: -Não há Deus.» Isto é a irreligião, o ateísmo, que consiste em recusar Deus como criador e recusar-se a si mesmo como criatura. É um dos grandes pecados de sempre e, de um modo especial, da época moderna. Por isso, o louvor é por excelência o anti-pecado, pois se o pecado-mãe, origem dos outros, é a impiedade, quer dizer, a recusa em glorificar Deus e dar-lhe graças, então o contrário do pecado não é a virtude, mas o louvor. O contrário da impiedade é a piedade. Por isso, o louvor destrói o nosso orgulho e torna-nos cada vez mais humildes. Maria é a mulher do louvor, porque reconhece que tudo nela é obra de Deus. Quando Isabel a louva pela sua fé e lhe chama “Mãe do meu Senhor”, ela descentra-se completamente dela para cantar Deus e as maravilhas que fez nela.

3. Quando o povo é capaz de perceber que a habitação que Deus prefere são corações convertidos, cheios de fé e de reconhecimento, Deus pode então aceitar uma casa para que o povo se reúna à volta d’Ele. Quando o amor de Deus nos arrebata e nos toca, depressa aparece o dinheiro necessário para construir a casa. E já temos sido testemunhas de muito amor e generosidade de tantos irmãos da comunidade que desejam muito ver a paróquia com um centro paroquial e uma nova igreja. Fiquei tocado quando ao terminar este Alpha alguns participantes online que vivem longe de Coimbra mas que já visitaram a paróquia e participaram nas nossas celebrações litúrgicas, quiseram manifestar a sua gratidão a Deus, enviando ajudas significativas para a construção da igreja dizendo: «Gostaria de ver essa igreja construída». Quando crescer mais o número de paroquianos que, experimentando a salvação do Senhor, viverem a mesma gratidão transformada em atos, a igreja construir-se-á depressa. Que Ele habite no meio de nós e nasça em todos os corações e que nós cantemos eternamente a Sua misericórdia.

 

Folha Paroquial nº 150 *Ano IV* 13.12.2020 — DOMINGO III DO ADVENTO

Exulto de alegria no Senhor.

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“EVANGELHO (Jo 1, 6-8.19-28)
Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?». Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?». «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?». Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?». João respondeu-lhes:  Eu baptizo na água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». Tudo isto se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava a  aptizar.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

1. O Cântico de Isaías e a ação de graças de Paulo convidam-nos a um mesmo concerto de louvor a Deus pela sua obra salvífica que nos preparamos para celebrar e acolher. É esta sinfonia de louvor que fez com que a tradição cristã chamasse a este dia o Domingo da alegria.

O Messias que vem para nos visitar lá do alto como sol nascente e iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte, dirigindo os nossos passos no caminho da paz: Ele vem para transformar este homem velho no homem novo renascido pela sua graça.

2. Paulo, na segunda leitura, diz-nos estas palavras: «O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser – espírito, alma e corpo – se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.» Habitualmente, na nossa linguagem, dizemos que o ser humano é corpo e alma e, quando dizemos alma, referimo-nos ao nosso ser espiritual. Paulo fala em corpo, alma (com o sentido de psíquico) e espírito (pneuma) com o sentido bíblico de coração. Coloco aqui um esquema das diversas zonas do nosso ser mas faço uma ressalva: nós somos unos e não estamos divididos em zonas, como se, fazendo um corte em nós, encontrássemos cada zona separada. Isto é apenas um esquema de compreensão do que se passa em nós. Sabemos bem que somos corpo (letra c no esquema). Ele compreende os nossos sentidos graças aos quais nos relacionamos com o universo, com os nossos membros, os nossos vários órgãos e sistemas vitais, dos quais somos todos muito dependentes. Depois vem a zona da sensibilidade ou da afetividade (letra a) a que Paulo chama alma (ψυχή, psychí). É nesta zona que surgem a alegria ou a tristeza, ansiedade ou entusiasmo, simpatia ou antipatia. É também a zona das paixões e das invejas. É a zona dos nossos bloqueios e traumas, da culpabilização, das angústias e medos. Podemos falar ainda da zona mental ou racional (letra m), através da qual refletimos, discernimos, comparamos, julgamos. Finalmente chegamos àquela zona a que Paulo chamou espírito (πνεύμα, pnévma). É a nossa zona mais profunda, o nosso jardim secreto a que a Bíblia chama muitas vezes coração, mas sem a conotação que lhe damos habitualmente como sede da sensibilidade e emoções. Não, a bíblia chama coração ao centro do nosso ser, onde eu decido aceitar (ou não) a relação com Deus. É a zona onde se inscreve a nossa liberdade, onde eu tomo as decisões livres e digo sim ou não, livremente, indo mesmo, às vezes, contra o que o meu corpo ou a minha sensibilidade me inclinam. Por exemplo, eu posso estar com um grande desejo de vingança ao nível da sensibilidade e decidir agir com mansidão, usando o perdão. Ou o meu corpo pode estar a dar-me o sinal de fome e eu decidir não comer, agora, pois estou a fazer jejum. Quando vivo a partir deste eu mais profundo, torno-me cada vez mais livre, pois não são os apetites do corpo que me dominam, embora deva escutar o corpo, nem são as emoções que tomam conta de mim, mas decido, segundo a minha liberdade e vontade, o que é o meu melhor bem. Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus, e há um santuário íntimo que Deus criou em nós para Ele habitar. Paulo diz-nos: «Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós»? Quando Jesus diz: «Eis que eu estou à porta e bato, se alguém ouvir e abrir a porta entrarei e cearei com Ele e Ele comigo.» Que porta é essa a que Ele bate? É esta zona profunda de nós mesmos a que Santa Teresa de Ávila chamava o centro da alma. Jesus disse: “Aquele que me ama será amado por meu pai e nós viremos a Ele e faremos nele a nossa morada.” (Jo14,23). É acerca desta morada em nós que Jesus diz: “Quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te.”

A zona do coração é o teu quarto mais secreto que Deus quer iluminar com a luz fulgurante da Sua presença. Pouco a pouco, esta luz irradia por todo o teu ser e ocupa todas as outras zonas, corpo, sensibilidade e raciocínio. Quando Deus habita no mais profundo do nosso ser, podemos então viver a palavra que hoje nos era dirigida na segunda leitura: “Vivei sempre alegres, orai sem cessar”. Esta parte em nós é uma faculdade que se desenvolve com o tempo, a partir do momento em que começa a progredir a nossa relação com Deus. Abre-se quando abrimos a porta a Deus e o deixamos entrar com a nossa liberdade, e alarga-se quando começamos a relacionar-nos com Ele, pela oração, e pelos sacramentos de uma forma habitual.

3. Neste advento digamos todos em união com a Igreja: «Vem, Senhor Jesus, convido-te a vires à minha vida e a iluminares todo o meu coração para que eu me deixe transformar pela luz do teu natal.»

 

Folha Paroquial nº 149 *Ano IV* 06.12.2020 — DOMINGO II DO ADVENTO

Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salvação.

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“EVANGELHO (Mc 1, 1-8)
Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». Apareceu João Baptista no deserto, a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados. Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. João vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. E, na sua pregação, dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

“1. Às vezes, no cinema, vemos filmes que começam com o final da história. Por exemplo, começa-se num funeral e depois a partir dali mostra-se a história daquela vida que agora findou para este mundo. S. Marcos começa também assim o seu Evangelho: diz-nos no início aquilo que só se pode saber no final, a saber, que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. E afirma-o porque quer dizer-nos que não devemos ler nenhum dos momentos da vida de Jesus que Ele vai descrever sem ter subjacente esta identidade de Filho de Deus.
Ele começa o seu Evangelho com a mesma expressão usada no início da Bíblia, no livro dos Génesis. «No princípio criou Deus o céu e a terra» (Gén 1,1). Agora S. Marcos escreve: «Início da Boa Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus». É, portanto, o próprio Deus que vem, na pessoa de Jesus, dar um novo início à história humana, realizar a nova criação. E nós estamos no Advento como quem se prepara para recomeçar.
Este Evangelho de Marcos abre pela pregação de João Baptista: “Uma voz clama no deserto”…“Apareceu João Baptista no deserto.”

2. Podemos questionar-nos: – Porque foi ele para o deserto, quando tinha uma mensagem tão importante para os homens? No deserto não há pessoas! Não teria sido melhor escolher uma cidade ou um lugar de encontro de muita gente?
Na Bíblia, o deserto é um “lugar teológico”, isto é, é o lugar do encontro com Deus, e tem uma densa simbologia. É neste espaço inóspito e despojado, onde falham todas as seguranças humanas, que Deus pode falar ao coração do homem para o convidar à conversão. «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». As auto-estradas encurtaram maravilhosamente o nosso caminho. Mas para isso colinas escarpadas foram aplanadas, montes foram rasgados por túneis de um lado ao outro, vales foram alteados, pontes uniram margens separadas e longínquas, viadutos cruzaram planícies viçosas. Isaías parece ser do nosso tempo ao desejar que se façam no deserto caminhos aplanados para que a mensagem da Boa Nova não encontre nenhum obstáculo que a possa tornar demasiado lenta a chegar aos corações. Mobilizemo-nos, retirando todos os obstáculos que possam impedir o Senhor de passar e vir ao nosso encontro.

3. Mas Isaías acrescenta ainda uma outra imagem: «Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião! Grita com voz forte, arauto de Jerusalém! Levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá: «Eis o vosso Deus.» É nos montes mais altos que os emissores de rádio e televisão, bem como as antenas dos telemóveis, são colocados. É preciso que todos tenham bom acesso às Boas novas e rejubilem de alegria, porque o Senhor Deus vem e já está a chegar, trazendo consigo a recompensa.
O grupo de comunicação da Unidade Pastoral está a trabalhar no primeiro número de uma revista que seja uma auto-estrada ou um monte elevado que nos ligue mais uns aos outros e leve, sem obstáculos, a todos, a Boa Nova de que Jesus está vivo a transformar as nossas vidas.
O deserto é também o símbolo da aridez dos nossos corações. Nós vemo-lo todos os dias. Os nossos corações parecem-se frequentemente com esta terra árida, sequiosa, sem água. Pensemos em todos esses desertos onde o homem se tornou pior que os lobos para os outros homens. E não esqueçamos os inúmeros desertos de solidão, os desertos de amor daqueles que não se sentem amados. Ora, é nos desertos da nossa vida que Cristo vem para nos encontrar e transformá-los em oásis refrescantes. Não nos diz Ele que é o bom pastor que nos leva às águas refrescantes?

4. Na segunda leitura, respondendo aos cristãos que dizem que o dia do Senhor tarda em chegar, S. Pedro diz-lhes que Deus é paciente e que lhes dá tempo para amadurecerem na fé . Ele dá a cada um o tempo e a possibilidade de se converterem. Mas uma coisa é certa: o dia do Senhor virá inexoravelmente e de maneira imprevisível. Até lá, devemos dar a Cristo o primeiro lugar nas nossas vidas. Natal é Jesus que vem até nós. Viver o natal é antes de mais acolher esta vinda do Senhor que vem irrigar os nossos desertos. Ele faz reviver aquilo que parecia já morto. Que Ele venha ao coração de todos.”

 

Folha Paroquial nº 148 *Ano IV* 29.11.2020 — DOMINGO I DO ADVENTO

Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

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“EVANGELHO (Mc 13, 33-37)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

AH, SE RASGÁSSEIS OS CÉUS E DESCÊSSEIS!
…MAS VÓS DESCESTES.

1. Começamos hoje um novo ano litúrgico, segundo o ciclo com que na Igreja se marca o tempo de viver a graça recebida no mistério da Incarnação, de que o Natal é a primeira expressão. Depois, no mistério pascal da paixão, morte, ressurreição do Senhor e envio do Espírito Santo que constitui o centro e o eixo de todo o ano litúrgico. Desta forma, somos convidados a reatualizar a graça que está em nós. E fazemo-lo em Igreja, juntos e não de forma solitária.

2. A primeira leitura mostra-nos a necessidade de salvação que habitava o coração da humanidade antes da vinda do Verbo: “Éramos todos como um ser impuro, as nossas acções justas eram todas como veste imunda. Todos nós caímos como folhas secas, as nossas faltas nos levavam como o vento. Ninguém invocava o vosso nome, ninguém se levantava para se apoiar em Vós, porque nos tínheis escondido o vosso rosto e nos deixáveis à mercê das nossas faltas.” Com um coração fechado e endurecido, só Deus nos podia estender a mão e tirar-nos do abismo. E o profeta Isaías, inspirado por Deus, faz eco do anseio interior da humanidade. “Oh, se rasgásseis os céus e descêsseis! Ante a vossa face estremeceriam os montes!” E nós, homens e mulheres resgatados por Cristo, o Homem novo, sabemos agora interpretar de modo novo a afirmação do profeta: “Mas Vós descestes, e perante a vossa face estremeceram os montes”. «Deus amou tanto o mundo que lhe enviou o seu Filho Unigénito». Ele uniu a sua divindade à nossa humanidade e elevou-nos à condição de filhos de Deus. Pela sua morte e ressurreição, justificou-nos, perdoando-nos todas os nossos pecados. Agora falta a nossa parte. Em cada Advento somos convidados a partir, a “recomeçar” sem cessar, nós que patinamos e às vezes até recuamos. Deus deseja que sejamos uma imagem idêntica à do Filho que Ele nos enviou. Mas ainda não chegámos a essa plena identificação. É verdade que, como diz S. João, «Agora já somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou tudo o que havemos de ser. O que sabemos é que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como Ele é» (1Jo3, 2). Sermos semelhantes a Ele, é o propósito de Deus para nós e deve ser também o nosso propósito. Em nós já existem as primícias, pois já vive em nós o homem novo desde o batismo, como nos diz a segunda leitura de hoje: “já não vos falta nenhum dom da graça”. Mas existe ainda em nós, ao mesmo tempo, o homem velho a tornar-nos mais pesado o caminho da identificação com Cristo, também chamado santidade. Por isso, avancemos com coragem ao encontro do Senhor: “Ele vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo.”

3. No evangelho, os discípulos Pedro, Tiago, João e André perguntam a Jesus quando viria o fim do mundo? (Mc 13 3.4). Mas Jesus parece estar mais preocupado com o que acontecerá à sua família-igreja quando Ele partir. Por isso, conta-lhes a parábola em que lhes fala de um Senhor que partiu de viagem e deixou a sua casa ao cuidado dos seus servos. Esta casa é a sua Igreja, a sua nova família. E Ele diz ainda que, ao partir, deu plenos poderes aos seus servos, e atribuiu a cada um a sua tarefa. Reparem que nesta casa só se fala de servos. Somos todos servos do mesmo Senhor. O único Senhor é Ele, a quem devemos esperar vigilantes enquanto servimos com alegria na sua casa. Estou a ser servo? No advento em que renovamos o nosso desejo de que Cristo, o único Senhor, venha ao encontro dos seus, queremos estar no lugar que Ele nos confiou, no serviço. Assim, identificar-nos-emos mais com o Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida. Neste tempo conturbado, anime-nos a certeza de que o Senhor vem e não nos abandona. Maranatha, Vem, Senhor Jesus.”

 

Oração de Cura e Misericórdia – 07 Jan

Na 1ª quinta-feira de cada mês, como a mulher ferida vamos a Jesus para lhe tocarmos e, sobretudo, sermos tocados pela sua misericórdia. Deus faz maravilhas quando lhe abrimos o coração pela fé. Inicia às 21h30 com um tempo forte de louvor (cânticos) diante de Jesus presente na hóstia consagrada.

Sempre que o homem se aproxima de Deus com fé, humildade e confiança, Deus compadece-se do homem e enche-o da sua graça curando-o das suas feridas interiores e exteriores. A oração de misericórdia centra-nos em Deus e no seu amor pelos homens. Louvando a bondade e a misericórdia do Senhor, nós apresentamos-lhe as nossas feridas e pecados e pedimos-lhe que venha libertar-nos e socorrer-nos. Rezamos uns pelos outros para sermos curados e Deus faz a sua obra sempre maravilhosa. Há muitos testemunhos de pessoas que sentiram a sua vida transformada depois de uma oração de misericórdia. Por isso cresce sempre muito o número de participantes nesta oração que se faz na primeira 5ª feira de cada mês.
Pe. Jorge Silva Santos

Folha Paroquial nº 147 *Ano III* 22.11.2020 — JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

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“EVANGELHO (Mt 25, 31-46)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’. E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

É NECESSÁRIO QUE ELE REINE

Porque é que é necessário que Ele reine como nos diz a primeira leitura?
Porque a Sagrada Escritura e a experiência humana, ao longo dos séculos e, de modo particular, nos nossos dias, nos mostra que a humanidade não tem saída sem que Cristo reine no mundo. O primeiro capítulo da encíclica Fratelli Tutti, do papa Francisco, tem como título «as sombras de um mundo fechado». E o papa, que é um homem de fé e de esperança, não deixa de nos mostrar as sombras deste mundo que, tendo avançado tanto científica e tecnologicamente, deixa tantos para trás que são “descartados” e esquecidos socialmente. Chegou-se a pensar que, com o progresso económico e social e com políticas de justa distribuição das riquezas, chegaria um tempo novo onde as desigualdades seriam grandemente reduzidas e a extrema pobreza desapareceria. Devemos todos continuar a lutar pela paz e pela justiça, sem nunca desistir de um mundo mais justo e mais fraterno, mas a realidade mostra que os homens entregues a si mesmos acabam por pensar só em si. A Constituição pastoral Gaudium et Spes lembrava-nos, na década de sessenta, que “os desequilíbrios de que sofre o mundo atual estão ligados com aquele desequilíbrio fundamental que se radica no coração do homem. Porque, no íntimo do próprio homem, muitos elementos se combatem.(…) Sofre assim em si mesmo a divisão, da qual tantas e tão grandes discórdias se originam para a sociedade” (nº 10) e, mais à frente, no nº 37, afirma: “A Sagrada escritura, confirmada pela experiência dos séculos, ensina que o progresso humano, tão grande bem para o homem, traz consigo também uma grande tentação: perturbada a ordem de valores e misturado o bem com o mal, os homens e os grupos consideram apenas o que é seu, esquecendo o dos outros. Deixa assim o mundo de ser um lugar de verdadeira fraternidade, enquanto que o acrescido dos homens ameaça já destruir o próprio género humano”. E, nesta altura, ainda não estávamos tão mal como agora, quanto às ameaças climáticas e outras. E depois, a Constituição lembra que só em Cristo morto e ressuscitado o mundo tem saída e será purificado. Por isso, escolhi para título desta reflexão uma frase da segunda leitura de hoje: «É necessário que Ele reine», para que todo o mal, soberba, injustiça, sejam colocadas debaixo dos seus pés. E Cristo reina não pelo amor da força, mas pela força do amor e da misericórdia. Vejamos as leituras que a Igreja escolheu para este dia: na primeira leitura, Deus apresenta-se como o bom pastor que se compadece das suas ovelhas abandonadas e feridas e vai buscá-las com ternura para as tratar, fortalecer e alegrar. Este Rei é um servo que lava os pés, que perdoa, que sara os corações dilacerados, que dá a vida pelas suas ovelhas. Ele conquista-as pela bondade e pela misericórdia e não pela violência e pela força. No Evangelho, é-nos dito que Jesus, o Rei universal, iluminará com a sua luz toda a nossa vida. Quando chegarmos junto d’Ele, “à sua Luz, nós veremos a luz”. Não precisaremos de palavras, nem ninguém nos julgará, senão nós mesmos, quando nos vermos inundados pela luz do amor eterno. Se vivemos no amor e na compaixão, essa luz far-nos-á sentir bem, acolhidos, como quem se sente em casa. «Vinde, benditos de meu Pai, para o reino que vos está preparado». Mas se, à luz do amor, só vemos em nós as trevas do encerramento no egoísmo e no desprezo pelos outros, dar-nos-emos conta de que «Ele teve fome e não lhe demos de comer, esteve sozinho e não nos importámos, esteve doente e na prisão e fechámos o coração». E então, diante do amor, a nossa dor de não termos amado será insuportável. Por isso, enquanto é tempo, convertamo-nos todos ao amor. É necessário que Cristo reine no nosso coração para que reine no mundo, e este seja transformado em reino de Deus onde habita a justiça e a fraternidade. “Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai, depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder”. Diz-nos ainda a Constituição citada: «Constituído Senhor pela sua ressurreição, Cristo, a quem foi dado todo o poder no céu e na terra, atua já pela força do seu Espírito no coração dos homens; não suscita neles apenas o desejo da vida futura, mas, por isso mesmo, anima, purifica e fortalece também aquelas generosas aspirações que levam a humanidade a tentar tornar a vida mais humana e a submeter para esse fim toda a terra.» Esta é a nossa missão de súbitos deste Rei do amor. Que Ele reine em nós, que nós cristãos sejamos construtores da esperança de um mundo novo, que trabalhemos mais pela nossa conversão interior e pela conversão das estruturas de pecado que bloqueiam a fraternidade entre os homens tornando-nos num mundo egoísta. Esta pandemia veio mostrar-nos à saciedade que estamos todos interdependentes, para o bem e para o mal, e que não podemos viver como queremos só pensando em nós, sob pena de prejudicarmos o conjunto e espalhar o vírus do nosso pecado contaminando todos os outros. Celebrar Cristo-Rei, leva-nos a deixar-nos conduzir pela Esperança que vence todo o derrotismo. Mas, a Esperança não é passiva, pelo contrário, é uma força poderosa que nos leva a agir, guiados pelo Espírito de Cristo e pelo seu mandamento do amor para insuflarmos no mundo a semente do reino, “reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz.” Quase me apetece dizer: Cristãos de todo o mundo e, todos vós, homens de boa vontade, uni-vos para serdes força transformadora de um mundo novo. Precisamos de refletir mais sobre a inserção dos cristãos no meio do mundo e lembrar aos leigos que a sua principal vocação são as realidades terrestres onde devem estar para darem o seu contributo para um mundo mais justo para que Cristo seja Rei e Senhor da história.

Jesus Cristo, Rei e Senhor Universal,
Reina nos nossos corações! Enche-nos do teu Espírito
E conduz os nossos passos pelos caminhos do amor fraterno.
Dá-nos o teu olhar de amor e compaixão sobre os irmãos e sobre o mundo.
Dá-nos a tua força para sermos construtores da história.
Não permitas que vivamos uma fé desencarnada e angélica,
Mas conduz-nos pelos caminhos do compromisso com a humanidade.
Que a Ceia da comunhão fraterna, que celebramos em cada Domingo,
alargue o nosso coração,
para amarmos o mundo e lutarmos pela justiça e pela paz.
Dá-nos um coração cheio de bondade
que se torne vulnerável diante dos pobres,
dos doentes e de todos os esquecidos.
Graças pelos homens e mulheres que “primeiraram”
Seguindo os teus passos.
Penso em Andreia Ricardi, da comunidade de Santo Egídio!
Hoje são chamados a mediar conflitos internacionais
Mas começaram pela visita aos pobres de Roma.
Eu sei, Senhor: Nós podíamos fazer mais e melhor
para que o teu reino crescesse no mundo!
Perdoa a nossa negligência, mas não desistas de nos enviar
o teu Espírito como um vento impetuoso
que nos empurre para as periferias do mundo.
Glória a ti, Cristo, Rei e Senhor do Universo
Amen