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Folha Paroquial 15.05.2022 — DOMINGO V DA PÁSCOA

Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e meu Rei.

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EVANGELHO ( Jo 13, 31-33a.34-35 )
Quando Judas saiu do Cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora. Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros».

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

A glória de Deus
A glória de Deus é um termo que aparece sumamente repetido ao longo de toda a Bíblia. Podemos dizer que a glória de Deus é o seu resplendor, a irradiação fulgurante do seu ser divino. Moisés pede a Deus: Mostra-me a tua glória ( Ex 33,18) . E Deus passou com todo o seu esplendor. No Sinai, a glória assumia o aspeto de um fogo devorador no cimo da montanha. Por se lhe ter aproximado, Moisés volta com o seu rosto todo resplandecente de luz, de tal forma que os Israelitas evitavam aproximar-se dele. Então Moisés depois de estar com Deus cobria o rosto com um véu para estar com o seu povo. Depois de construído o santuário com a arca da aliança, a glória de Deus repousa sobre o santuário (( Ex 29,43)

Em Cristo reside toda a plenitude da glória divina. O Filho é o resplendor da glória de Deus” “Heb 1,3). A partir dele, ela irradia sobre os homens, pois, como diz Paulo, “nós todos, com o rosto descoberto, refletimos a glória do Senhor, somos transfigurados na sua própria imagem, de glória em glória, pelo Senhor que é Espírito” (2 Cor 18). A glória de Jesus manifesta-se em toda a sua vida desde o seu nascimento, mas manifestará toda a sua força explosiva no momento da ressurreição. Durante toda a sua peregrinação terrestre, Jesus era habitado pela Glória, ainda que estivesse como que enterrada na profundidade do seu ser. O que foi a Transfiguração senão uma explosão desta Glória que o habitava, rasgando toda a Pessoa de Cristo e tornando todo o seu corpo resplandecente de luz divina? Mas a sua glória vai ser afrontada pelas trevas e pelo pecado. A paixão de Jesus vai ser a hora da glorificação maior de Jesus. Esta é a hora derradeira. «Agora foi glorificado o Filho do homem, e Deus será glorificado n’Ele.»

Como é que o Filho é glorificado na paixão e na cruz e o Pai é glorificado n’Ele? Convém dizer que a gloria de Cristo na cruz, não se assemelha à glória visível contemplada por Moisés na sarça ardente e em todas as manifestações visíveis e sensíveis da sua Glória. Na Cruz é a glória do amor misericordioso, infinitamente ferido pelo endurecimento do coração humano: Como disse S. Tomás: «Os estigmas do Cordeiro, aumentam a beleza do Corpo de Cristo na medida em que são feridas de amor, refletindo assim a ferida infinita do Amor misericordioso, de que elas são o fruto e o sinal. Assim a glória do Deus três vezes Santo como que se concentrou em Jesus trespassado e revelou-se como Amor misericordioso e mansidão infinita. O Crucificado é a manifestação de um amor infinito que nos toca e nos atrai. Do seu corpo esmagado, brota uma beleza que salva o mundo. A glória de Deus revela-se mais nesse amor que se entrega do que nas teofanias grandiosas do Sinai. A Cruz é a maior manifestação da glória da Santíssima Trindade.

A Glória em nós
Àqueles que entram em contacto com Ele pelo batismo, Cristo dá-lhes o dom de serem habitados pela mesma glória que o fez ressurgir da morte e destrói também em nós o homem velho marcado pelo pecado. Nós fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte, para que assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela Glória do Pai, nós vivamos também uma vida nova. “

O cristão não tem habitualmente consciência de que é habitado por esta glória, mas desde o seu batismo, um gérmen da glória foi introduzido no fundo do seu coração. Durante anos pode estar nele em estado de incubação. No entanto, logo que o crente se põe a rezar, a comungar, a amar os seus irmãos e sobretudo a caminhar na humildade e a aceitar a Cruz, é como que ameaçado pela explosão da Glória na sua vida. Cada vez que comungamos, a Glória invade um pouco o nosso ser.

O mandamento Novo:
Quem é discípulo de Jesus e participa na sua glória imita-o no amor aos irmãos. Nós recebemos na Ceia da despedida o Mandamento Novo. Este mandamento é para os discípulos que seguem Jesus, que se alimentam da Eucaristia e são chamados a serem e a viverem como irmãos na fé. Jesus diz claramente: «Nisto conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.» E quando somos geradores de divisão, semeadores de discórdias, lançadores escondidos de maledicência acerca deste e daquele? Não vivemos como discípulos, apesar das aparências. Em todas as paróquias onde irmãos trabalham e servem juntos é normal que surjam discordâncias, conflitos e exasperações. Às vezes passa-se da linha vermelha e chega-se ao desrespeito do outro causando feridas que levam tempo a sarar e pode afastar os mais frágeis na fé. Muitas vezes os párocos são chamados a porem água na fervura e nem sempre é fácil discernir de que lado está a razão, pois cada um tem a sua visão das coisas. No entanto esta é uma passagem obrigatória para quem quer crescer no verdadeiro amor fraterno. Aprender a amar o outro não porque ele ou ela me são simpáticos e afáveis e pensam como eu, mas amá-lo porque é meu irmão na fé, ama a Deus como eu e quer servir também o Evangelho. Se para fugir ao conflito me vou embora e deixo o meu grupo onde sirvo, é porque não me quis dar ao trabalho de me purificar aprendendo a amar e perco uma oportunidade de crescimento. Viver sozinho é mais fácil, mas não frutifica no amor. Porém os irmãos em conflito devem crescer no amor e na humildade. Não vale a pena querermos evangelizar se com a nossa conduta afastamos mais de Deus do que aproximamos. Que o seu amor em nós nos ensine a viver o mandamento novo.”

 

Folha Paroquial 08.05.2022 — DOMINGO IV DA PÁSCOA

Nós somos o povo de Deus, somos as ovelhas do seu rebanho.

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EVANGELHO (Jo 10, 27-30 )
Naquele tempo, disse Jesus: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só».

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

As minhas ovelhas ouvem a minha voz. Eu conheço-as e elas seguem-me.
Em cada 4º Domingo de Páscoa reencontramo-nos com a bela figura do bom pastor. Esta pequena passagem do evangelho revela-nos a identidade profunda de Jesus, a sua maneira de ser. A relação de Jesus com o Seu Pai dá-nos a conhecer a relação de Jesus com as suas ovelhas. Ele é o verdadeiro pastor à imagem do Pai. “O pai amou tanto o mundo que lhe deu o seu filho unigénito!”. Não entramos logo no entendimento desta palavra que nos faz entrar no resplandecimento do amor trinitário. Entramos no universo do Amor infinito de Deus e na circulação desse amor entre as Pessoas da Trindade.

Partamos da nossa experiência concreta
Nestes últimos dois anos temos vivido experiências sombrias, de angústia, medo e inquietação. Primeiro a pandemia, que nos fez sentir inseguros e nos separou uns dos outros e depois a guerra que nos faz perceber que vivemos num mundo que pode tornar-se cada vez mais perigoso. Tudo pode acontecer quando a humanidade deixa vir ao de cima o que há de mais baixo nos seus instintos de destruição dos outros por causa do poder e do prestígio.

Deixemo-nos iluminar pela Palavra de Deus
A Palavra de Deus deste Domingo dá-nos referências para nos mantermos firmes no meio das provações nas piores circunstâncias. Cada uma das leituras nos dão razões para viver a esperança.

Em primeiro lugar no livro dos Atos, primeira leitura. Narram-se as dificuldades suportadas pela comunidade de Antioquia. Depois da popularidade que gerou a pregação de Paulo alguns judeus irritaram-se de ver tanta gente aderir à fé e começaram a perseguir os cristãos. Ora é nesta situação dolorosa que Paulo e Barnabé compreendem que precisam de ir ao encontro dos pagãos. Através da provação pela qual passaram deram um passo importante para o crescimento futuro da fé cristã. Foi a abertura da fé a todo o mundo pagão. Muitas provações na nossa vida foram para nós ocasião de passos muito importantes que demos, pois, nos obrigaram a sair do terreno demasiado conhecido.

Em segundo lugar, o visionário do Apocalipse convida-nos a considerar o futuro extraordinário que nos é prometido. Ele vê já a vitória final. O Cordeiro que nos salvou está no centro deste triunfo e deste imenso louvor. Precisamos de antecipar na esperança este mundo novo do reino. Nunca devemos perder de vista o termo da nossa fé, que é de estar com Deus para sempre. Lembremo-nos que o melhor está para vir. Que somos feitos para uma felicidade imensa.

O Evangelho traz-nos uma mensagem encantadora de beleza e de segurança!

Jesus para nos livrar da morte, aceitou morrer. Para nos fazer voltar a uma vida nova, ressuscitou. Ele atravessou a prova absoluta da morte para sair dela vencedor. Ele traz-nos a paz e a alegria e chama-nos a sermos testemunhas do seu amor infinito. Jesus chama cada uma das suas ovelhas pelo seu nome, e abre-lhes um caminho de vida que se vai incarnar na humanidade. Sob a sua proteção amorosa e bondosa, Jesus conduz a humanidade para o pai através do Espírito Santo. Assim se revela e se experimenta a vida eterna, a reconciliação que triunfa no quotidiano na morte, no desespero e na inveja.

Escolhamos ser membros do seu rebanho que o seguem.

Quem acredita n’ Ele, isto é, quem segue o seu caminho de construção de paz, reconciliação e amor tem a vida eterna, quem o rejeita rejeitando o seu caminho e construindo a guerra, as divisões o ódio e a morte, mesmo que ande com o seu nome na boca, abre a porta à sua condenação. «E a causa da condenação é esta: A luz brilhou no meio das trevas e os homens amaram mais a luz do que as trevas pois as suas obras eram más e não as quiseram mudar.»( Jo3,19)

Sejamos das ovelhas queridas do rebanho de Jesus. Aquelas que ouvem a sua voz e o seguem por caminhos novos para termos vida em abundância. Seguindo o seu caminho entremos no seu louvor e experimentamos como os discípulos de que nos fala a primeira leitura, que “estavam cheios da alegria do Espírito Santo e assim louvavam a Deus. Os que testemunham esta felicidade abraçam a fé, pois também eles estão destinados à vida eterna.
Como é bom sermos o povo do Senhor, as ovelhas do seu rebanho , mas isto supõe uma escolha vital de seguimento do Bom Pastor.”

 

 

 

Folha Paroquial 01.05.2022 — DOMINGO III DA PÁSCOA

Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.

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EVANGELHO ( Jo 21, 1-19 )
Naquele tempo, Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?». Eles responderam: «Não». Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. O discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

1. Jesus Cristo ressuscitado está sempre presente no meio do seu povo e com cada um daqueles que se une a Ele pela fé e pelo batismo e não o renega. Mas neste tempo da Páscoa, os textos da ressurreição de Jesus e as suas aparições aos discípulos fazem-nos sentir essa proximidade quase visível.

2. O evangelho de hoje, é mais uma das aparições do ressuscitado aos discípulos, mas o termo “aparições” (talvez fosse melhor dizer manifestações) não nos deve enganar sobre o seu significado. Pode levar-nos a pensar que Jesus não estava lá, que veio de algum outro lugar e depois foi-se embora outra vez. Mas não! Ele está permanentemente ao pé dos seus discípulos, tanto dos primeiros, como dos discípulos de todos os tempos. Foi Ele mesmo quem o prometeu: “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28,20). Está invisível, mas não ausente; aquando das aparições torna-se visível. O termo grego diz: “Ele deu-se a ver, ou permitiu ser visto”. Estas manifestações da presença de Cristo aos seus amigos foram muito importantes para eles e são-no também para nós. Elas estão cheias de pormenores concretos e alguns podem parecer-nos espantosos ou até contraditórios, mas terão provavelmente uma mensagem simbólica. Por exemplo os cento e cinquenta e três peixes, porquê esse número tão preciso? No século IV, S. Jerónimo comentará este número dizendo que na época de Cristo, conheciam-se exatamente 153 espécies de peixes; seria então uma maneira simbólica de dizer a máxima pesca. Mas há um outro aspeto que também nos interroga. Quando os discípulos saíram do barco e saltaram para terra viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Mas, apesar disso, Jesus disse-lhes: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Podemos pensar que Jesus tinha lá consigo pouco peixe? Não faz sentido. Não quererá antes dizer-nos que a obra de evangelização, simbolizada na pesca (desde que Jesus chamou a Pedro pescador de homens), Jesus nos precede, vai á nossa frente, (é o que quer dizer o peixe já posto nas brasas antes da chegada dos discípulos) Mas ao mesmo tempo, Ele solicita a nossa colaboração.

Há também no diálogo entre Jesus e Pedro algo comovente que sempre me atraiu neste texto.
Infelizmente a nossa tradução litúrgica não dá conta da subtileza do vocabulário grego original, o que as novas Bíblias dos Capuchinhos já trazem. O grego emprega duas palavras diferentes para exprimir o amor. O primeiro verbo é «agapao» que significa amor sem reserva, oblativo, total e incondicional, o segundo «phileo» que exprime o amor de amizade, terno, afetuoso, mas não totalizante. Nas duas primeiras vezes, Jesus pergunta a Pedro: Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes? Com o verbo «agapao», quer dizer, Simão, amas-me com este amor total e incondicional com o qual eu próprio te amo? Jo 21,15). Ora Pedro, sobretudo depois da triste experiência da sua tríplice negação, conhece a sua fraqueza, e não responde com o mesmo verbo, mas diz. «Senhor, tu sabes que eu sou deveras teu amigo». Ele ama Jesus, sim, mas à maneira dos homens pobres e pecadores. À terceira vez, Jesus retoma a pergunta, mas agora com o verbo ««phileo» que exprime o amor de amizade: Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo? E depois Jesus diz-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas».

Bento XVI comentou este texto dizendo: «Simão compreende então que o seu pobre amor é suficiente para Jesus, pois é o único de que ele é capaz…poderemos dizer que Jesus se adaptou a Pedro, em vez de Pedro a Jesus ! É precisamente esta adaptação divina que dá esperança ao discípulo, que conheceu a dor da infidelidade. É daqui que nasce a confiança que o tornará capaz de seguir Cristo até ao fim».

Todos nós gostaríamos de amar Jesus com um amor mais generoso, mais total mais fiel, mas se sofremos por não sermos capazes de o amar melhor é porque já amamos.

3. Cada vez que Pedro responde à pergunta sobre o amor, Jesus apoia-se neste compromisso de amor, nesta adesão de Pedro, para lhe confiar a missão de pastor da comunidade. «Apascenta as minhas ovelhas». A nossa relação a Cristo manifesta-se como verdadeira se ela se vive numa missão ao serviço dos outros. Amar Cristo é dar-se aos seus irmãos. Um amor que não se compromete com os outros é um amor sentimental, platónico, que pode ser enganoso. Como nos diz S. João na sua carta: «Aquele que diz amar a Deus que não vê e não ama o seu irmão que vê, é mentiroso e a verdade não está nele.

Deus, está comprometido connosco até à dádiva da vida. E eu? Estou comprometido com Ele, nos irmãos? De que forma visível vivo o meu compromisso de amor com Jesus?

Folha Paroquial 24.04.2022 — DOMINGO II DA PÁSCOA

Aclamai o Senhor, porque Ele é bom: o seu amor é para sempre.

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EVANGELHO ( Jo 20, 19-31 )
“Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.”

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

“Que belos estes textos bíblicos ouvidos durante toda a oitava da Páscoa e nos tempos que se vão seguir!

Eles falam-nos do grande acontecimento que marcou a história humana com a ressurreição de Cristo, leva-nos ao encontro das testemunhas que viram o Senhor ressuscitado e comeram e beberam com Ele depois de ressuscitado dos mortos. Mostram-nos a sua dificuldade em acreditar nos sinais que Ele lhes dava para se abrirem à fé na sua ressurreição e ao significado que isso tinha. As dúvidas de Tomé expressam e personificam as dúvidas dos apóstolos e de tantos Tomés ao longo da história. Mostram-nos também como o Espírito de Jesus lhes foi «abrindo o entendimento» para compreenderem o sentido das escrituras e chegarem à conclusão de que, de facto, era Ele que tinha ressuscitado dos mortos.
Logo que os discípulos, pela ação do Espírito que Ele lhes transmite, processam o que aconteceu a Jesus e que, de facto, “Ele vive pelos séculos dos séculos e tem a chave da morte e dos abismos”, é o mesmo Espírito que os envia a proclamar o anúncio daquilo que foram testemunhas. Diz-lhes Jesus ressuscitado: «Assim como o Pai me enviou também eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo». Páscoa e Pentecostes fazem uma unidade inseparável. São duas faces do mesmo mistério pascal.
A Igreja começou o seu caminho na história com este Primeiro anúncio, cheio de vida, que os apóstolos transmitiram aos que encontraram e que nós andamos a ouvir nos atos dos Apóstolos durante toda a semana: “O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, o Deus de nossos pais, glorificou o seu Servo Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, (…) Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação dum assassino; matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-O dos mortos, e nós somos testemunhas disso. (…) Foi assim que Deus cumpriu o que de antemão tinha anunciado pela boca de todos os Profetas: que o seu Messias havia de padecer. Portanto, arrependei-vos e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados.”

Este anúncio cheio do Espírito Santo, tocava os corações de pedra e transformava-os em corações de carne conforme a profecia de Ezequiel: «Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo. Arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática as minhas leis.”( Ez 36, 26-28). Tomé pode ver o coração aberto de Jesus e isso abriu também uma ferida no seu coração que o levou ao arrependimento pela sua incredulidade e à proclamação mais alta da fé cristã: « meu Senhor e meu Deus”. O arrependimento e a conversão à fé só acontecem depois do nosso coração de pedra ser quebrado pela experiência do amor e da misericórdia. Então tudo estremece em nós e pode surgir o homem novo, que recebeu um coração novo e um espírito novo.

Estes textos do novo testamento acordam-nos para uma explosão de novidade e mostram-nos como o cristianismo surgiu na história como uma força irradiante de vida. Anunciava um mundo novo porque Cristo ressuscitado, o Homem novo tinha, pela sua ressurreição de entre os mortos, criado um novo céu e uma nova terra onde habitará a justiça. Deixou-lhes um Mandamento Novo, e até um dia novo, o Domingo.

Mas, como escreveu um autor espanhol, Juán Martin Velasco no seu livro sobre a transmissão da fé «O cristianismo, que supôs uma mudança radical e uma novidade na história humana, e que durante séculos interveio na maior parte das suas transformações importantes, parece ter chegado fatigado a estas últimas etapas do seu caminho. Desde a mudança histórica que conhecemos como «Modernidade», a Igreja, alinhada durante muitos anos com os que pretendiam manter o regime antigo, terminou aparecendo como uma instância a superar ou uma realidade superada.» Hoje, a grande maioria das pessoas do mundo ocidental vêm o cristianismo e a Igreja como uma coisa velha, ultrapassada e aborrecida e muitos pensam até que tudo é falso. Por isso, desligaram-se da Igreja. E este fenómeno que começou nos grandes centros urbanos, chegou já aos mais pequenos recantos do nosso mundo.»

Qual a perspetiva de futuro para a Igreja de Cristo?
É um futuro de esperança. Mas não como talvez nós esperamos. Deus diz-nos. «não temas: Eu sou o Primeiro e o último. O que vive.» E isso é fonte de toda a esperança. Estou convencido interiormente que Deus vai conduzir as coisas para uma Igreja que se parecerá mais com a Igreja primitiva, pequena, humilde, mas cheia de vida. Quando há uns anos li o que o futuro papa Bento XVI disse em 1969 em 5 lições radiofónicas na Alemanha, fui confirmado na minha intuição de que é por aqui que O Espírito nos irá conduzir. A última lição que foi lida no dia de Natal tinha todo o teor de uma profecia: “Da crise atual – afirmava – surgirá uma Igreja que terá perdido muito. Será menor e terá que recomeçar mais ou menos do início. Já não será capaz de habitar os edifícios que construiu em tempos de prosperidade. Com a diminuição dos seus fiéis, também perderá grande parte dos privilégios sociais”. Recomeçará com pequenos grupos, com movimentos, e isto graças a uma minoria que terá a fé como centro da experiência. “Será uma Igreja mais espiritual, que não subscreverá um mandato político cortejando seja a Esquerda, seja a Direita. Será pobre e se converterá na Igreja dos indigentes”.

O que Ratzinger expunha era um “longo processo”, mas, quando passar todo o trabalho, surgirá um grande poder de uma Igreja mais espiritual e simplificada”. Então, os homens descobrirão que vivem num mundo de “indescritível solidão”, e quando perceberem que perderam a Deus de vista, “lembrarão o horror de sua pobreza”. Então, e apenas então, verão “a esse pequeno rebanho de crentes como algo completamente novo: descobri-lo-ão como uma esperança para eles próprios, a resposta que sempre haviam buscado em segredo”.

Onde se tem patriarcas como Cirilo I da Rússia a defender a guerra em nome de Deus e da pátria, ou noutros lados, onde se quer manter a todo o custo o status quo, essa igreja vai morrendo. Por toda a Europa está a acontecer o que disse Ratzinger. Porém, ao mesmo tempo, das cinzas de uma igreja antiga e poderosa, representada na catedral de Paris destruída pelas chamas, está já a germinar, pelo Espírito de Deus esse “pequeno resto”, fel ao Senhor, embora sempre frágil e pecador, que é como o grão de mostarda. Esse recomeço está a dar-se com pequenos grupos, com movimentos, e isto graças a uma minoria que terá a fé como centro da experiência. “Será uma Igreja mais espiritual.”
Sim, a Igreja tem um grande futuro, porque o Seu Senhor, vive para sempre. Aleluia.”

Folha Paroquial 17.04.2022 — DOMINGO DE PÁSCOA

Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.

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EVANGELHO ( Jo 20, 1-9 )
“No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.”

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

“Desde Quinta-Feira Santa que estamos a celebrar as festas nucleares da fé cristã. Todo o fenómeno cristão tem aqui a sua génese. S. Pedro na primeira leitura resume-o no querigma cristão, isto é, naquele primeiro anúncio que gerou as conversões à fé e fez nascer e crescer as comunidades cristãs, a Igreja, por toda a parte. Ainda hoje, onde se anuncia o querigma a Igreja cresce. Ele pode ser dito de muitos modos, desde que não falte o essencial; isto é, que Deus, por amor, nos quis salvar, enviando-nos o seu filho, que passou fazendo o bem, que os homens mataram, mas que Deus ressuscitou dos mortos e fez testemunhas desse acontecimento os discípulos que Ele escolheu e enviou, depois de lhes ter enviado o Espírito Santo prometido. Agora, quem acreditar na pregação dos apóstolos e for batizado, será salvo, recebendo o perdão dos pecados e numa vida nova que é vida eterna pela participação na vida do ressuscitado. Se este anúncio tem o «condão» de trespassar os corações e levá-los à conversão é porque o Espírito do Ressuscitado age naquele que anuncia e nos ouvintes que acolhem o anúncio levando-os a ter um “encontro” com Jesus Cristo no mais íntimo da alma. “Sem o terdes visto, vós o amais; sem o ver ainda, acreditais nele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das almas.”( (1 Pd 1, 8). O anúncio do que Deus fez, em Cristo, ressuscitando-o dos mortos, é o núcleo da mensagem da fé cristã. Depois, como diz o Papa Francisco, a catequese da Igreja não é mais do que o aprofundamento deste acontecimento que se tornou anúncio e experiência, e nas implicações que tem na vida de todos os que receberam. A missão da Igreja consiste em anunciar Jesus Cristo morto e ressuscitado ( evangelização), celebrá-lo na fé e nos sacramentos (Liturgia), e testemunhá-lo na caridade concreta.

2. Nos acontecimentos da Paixão de Jesus que, durante esta semana seguimos de perto, vimos a força da violência, da injustiça e do mal que se abatia sobre Jesus. “Ele era o homem das dores acostumado ao sofrimento, maltratado no seu corpo e na sua alma, diante do qual se volta o rosto.” Mataram o inocente e pregaram-no na cruz. Depois depositaram-no num túmulo e rolaram uma pedra enorme para o encerrar. Com aquela pedra parecia que tudo tinha acabado. O mal, a violência, a injustiça e o ódio tinham tido a última palavra e eram vencedores. Que abatimento e desânimo para aqueles que o tinham conhecido e eram seus amigos!

Porém, ao romper da manhã do primeiro dia da semana, três mulheres foram ao sepulcro. Pretendiam ungir de perfumes o corpo do Senhor e enquanto caminhavam vão dizendo  entre si, segundo nos relata S. Marcos: «Quem nos poderá rolar a pedra do sepulcro?» Para seu espanto, “Encontraram a pedra removida e, ao entrarem, não acharam o corpo do Senhor Jesus.”

Quando ainda não se tinham refeito da perplexidade, eis que lhes aparecem dois homens de vestes resplandecentes.

De perplexas passam a amedrontadas e inclinam o rosto para o chão. E ouvem deles a notícia mais espantosa e inaudita de sempre nesta t e r r a .

«Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui: ressuscitou.»

A notícia era grande demais para ser compreendida e absorvida de imediato. Mas é a grande novidade deste dia de Páscoa, e é por causa desta notícia que estamos reunidos hoje aqui em festa. Afinal o mal, a violência, a injustiça e o ódio não tiveram a última palavra. A vida foi vitoriosa sobre a morte. A luz venceu as trevas, o bem vence o mal. Jesus foi ressuscitado e agora é o Vivente, e n’Ele há esperança para todos os que escolhem o caminho da verdade e da justiça mesmo quando são aparentemente vencidos. Deus é maior que as artimanhas do mal e do demónio.

As mulheres partem a correr ao encontro dos outros discípulos para lhes dar a notícia, mas eles estavam tão acabrunhados e desanimados pela morte de Jesus que uma notícia tão incrível pareceu-lhes um desvario. Eram homens com alguma rudeza do trabalho de pescadores nada inclinados a crendices fáceis. Jesus vai ter que lhes reprovar carinhosamente a sua incredulidade.

3. A dificuldade que os discípulos vão manifestar durante algum tempo em se abrir à fé na ressurreição mostra, porém à evidência, que tudo aquilo foi inesperado. Não fazia parte das expetativas dos discípulos. Mas mostra-nos também que ninguém pode deter o braço amoroso e vitorioso de Deus. Como nos diz o salmo segundo: “Aquele que habita nos céus sorri” diante da tramoia dos insensatos contra o justo. Este parece estar a ser vencido, mas Deus está do seu lado. Ao ressuscitar o seu Filho, Deus mostra-nos que “vê a opressão do seu povo e o quer libertar” e tem poder para o fazer, mas que o faz à sua maneira e não à nossa. Quando ouvimos Jesus na cruz a dizer: «meu Deus, meu Deus porque me abandonaste», Deus ficou em silêncio, e até os sumos sacerdotes gozavam com Ele dizendo. Então se é filho de Deus, desça agora da cruz e Deus que o salve se é seu amigo. Mas Deus já está a agir na história do seu Filho e n’Ele na história do mundo. Sim, mesmo quando se abrem valas comuns e vemos os corpos anónimos a serem despejados nelas, corpos mortos na estrada, cidades destruídas, e queimadas, gente amordaçada, violentada e deportada para o desconhecido, mesmo aí, podemos continuar a acreditar que Deus está a atuar no mundo e está do lado dos oprimidos. A vitória do ressuscitado, dá-nos a certeza de que o fio da história não é tecido apenas por mãos humanas.

Se pensarmos que as coisas não vão mudar, recordemos que Ele triunfou sobre o pecado e a morte e possui todo o poder pois vive eternamente.

4. Jesus ressuscitado aparece aos discípulos transmitindo-lhes a paz. Que neste dia ressoe bem alto nos nossos corações, nas nossas casas, e sobretudo na Ucrânia e em tantas regiões do mundo onde a violência mata e destrói a saudação tão bela e poderosa do ressuscitado: «A Paz esteja convosco». Que a paz do ressuscitado que aqui celebramos vá connosco, encha os vossos corações, inunde as vossas famílias, e chegue a toda a terra porque a paz ou é para todos ou não será duradoura para ninguém. Que a paz de Cristo ressuscitado esteja convosco. Aleluia, Aleluia.”

Folha Paroquial 10.04.2022 — DOMINGO DE RAMOS

Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?

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EVANGELHO ( Lc 22, 14 até 23, 56 )
“Devido à sua extensão, o evangelho da paixão não consta da folha.”

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

“Entramos, nesta semana, na celebração do mistério central da nossa fé, o mistério pascal. Desde o início da Quaresma invocámos o Espírito Santo para que Ele nos ilumine na compreensão interior do mistério de Cristo enquanto o vamos seguindo no seu itinerário até à Páscoa.

Neste domingo, fazemos memória da entrada de Jesus em Jerusalém. O seu itinerário começou na Galileia e está a chegar ao fim. Hoje é a última etapa. Jesus chega ao Monte das Oliveiras e envia dois dos seus discípulos buscar-lhe uma montada.

Até agora, o Messias vivia como que escondido. Mas hoje entra triunfalmente como quem toma posse da cidade santa e do seu templo. Ele não entra em cima de um carro de combate, como o faria um chefe de um exército libertador, mas montado num pobre jumento. Mas nessa entrada é aclamado como Messias e rei pela multidão. Ramos de oliveira são espalhados durante a sua passagem proporcionando-lhe um tapete triunfal. Cheia de entusiasmo a multidão grita «Hossana» (ajudai-nos, em hebreu).

O mesmo Jesus entra hoje também nas nossas cidades e aldeias. Ele quer encontrar-se connosco no íntimo das nossas vidas. Apresenta-se como o único que pode libertar-nos dos nossos medos e prisões. O seu rosto não é o de um homem poderoso e forte. É o de um homem manso e humilde. Alguns dias mais tarde será a de um crucificado. A única coroa que será colocada na cabeça deste rei será uma coroa de espinhos.

Nós pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas para os que são chamados, é o Cristo poder e sabedoria de Deus.

Depois de uma pandemia onde tanta gente morreu, onde não houve tempo de fazer o luto de muitos familiares apanhados de surpresa pela morte, surge agora uma guerra sangrenta que tocando a todos, traz sobretudo ao povo ucraniano angústia, lágrimas e desespero. Verdadeiramente vemos a cruz de Cristo plantada no país da Ucrânia. Muitos gritos angustiados poderão levantar-se naquela terra e em toda a parte: Onde estás, Deus? Não vês este povo a ser massacrado pelos ímpios? Nos salmos que iremos rezar durante a Semana Santa e que Jesus rezou no meio do seu sofrimento nós poderemos escutar a oração de um povo inteiro: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes? Como estais longe da minha oração e das palavras do meu lamento? Meu Deus, clamo de dia e não me respondeis, clamo de noite e não me prestais atenção.” (Sl 21) e ainda: “Senhor Deus, meu salvador, dia e noite clamo na vossa presença. Chegue até vós a minha oração, inclinai o ouvido ao meu clamor. A minha alma está saturada de sofrimento, a minha vida chegou às portas da morte. Sou contado entre os que descem à sepultura, sou um homem já sem forças. (Sl 87 2-5). E podíamos continuar.

E qual a resposta de Deus a este sofrimento? A mesma que para o seu Filho. Não é uma lição de moral, é o silêncio da cruz ao lado da nossa cruz. Ele próprio se faz crucificado ao lado dos crucificados. Fraco e impotente ao lado dos fracos e impotentes. Jesus experimenta o silêncio de Deus como tantos o experimentam hoje, os ucranianos e tantos doentes que pedem a Deus a sua cura no meio da angústia.

Ele sente-se abandonado por Deus, mas entrega-se na confiança e no abandono porque sentir é uma coisa e saber é outra. Ele sente o abandono, mas sabe que o Pai está com Ele e por isso se entrega nas suas mãos. “Pai, nas vossas mãos entrego o meu Espírito.” E quem se abandona a Deus nunca será confundido. Mas abandonar-se não significa sofrer com coragem, mas aceitar ter medo de sofrer, como Jesus teve. Abandonar-se é acreditar que aquele sofrimento será acolhido por Deus e não será um desperdício, é ter esperança de que Deus transformará esse sofrimento em glória.

Quanto gostaríamos mais de um Deus que usasse o seu poder e triunfasse sobre o mal obrigando os maus a renderem-se e destruindo o inimigo ameaçador! Eu próprio tantas vezes sou tentado pelo desejo de um Deus mais interventivo e diretivo contra o mal! E às vezes lhe digo que é por isso que tantos O abandonam e que os entendo. A um Deus triunfante que destruísse os maus, entendíamo-lo melhor. Mas o verdadeiro Deus é misterioso, e os seus caminhos não são os nossos. Jesus começou a sua vida pública com essa tentação do demónio: Mostra o teu poder, pois se és filho de Deus, podes fazer tudo o que quiseres e todos te baterão palmas, mas Jesus respondeu que não era esse o caminho de Deus.
Aos discípulos vai explicar bem: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». ( Lc 9, 18-22)

Ser discípulo de Cristo, é tomar este caminho de humildade; acreditando que é o mais frutuoso mesmo se não o entendemos.

Como viver a semana santa

Vamos voltar para casa levando um ramo benzido. Este ramo lembrar-nos-á que cantámos: «Bendito o que vem em nome do Senhor». Deve também lembrar-nos que Jesus tem necessidade de que o acompanhemos na sua agonia. Tocado pela angústia e pela morte Ele quis que os seus amigos permanecessem com ele no jardim do Getsémani. É o mesmo apelo que ele nos faz nestes dias da paixão. Que este ramo que levamos connosco seja o sinal do nosso compromisso em permanecermos unidos à paixão do Senhor para chegarmos com Ele à ressurreição.

Ao longo desta Semana Santa somos convidados a mergulhar com Ele na oração. «Não pudestes vigiar comigo ao menos uma hora? Vigiai e orai para não cairdes em tentação ».
Acompanhemos Jesus na tarde de quinta-feira, na véspera da sua morte, e vamos com Ele ao Cenáculo para estarmos com ele na Ceia onde nos entregará o Seu Corpo e o seu Sangue e nos dirá «Fazei isto doravante em memória de Mim». Receberemos d’Ele o Mandamento Novo do amor para darmos testemunho de um caminho novo que Ele nos deixou.
Na sexta feira, acompanhemo-lo na sua paixão e ouçamos em adoração as palavras de amor e de confiança que brotam do coração do crucificado. Depois poderemos aproximar-nos da sua Cruz e meditando termos um gesto sensível de adoração à cruz, comungando depois Aquele que se entregou por nós. À noite, poderemos ainda meditar nos passos da paixão de Jesus através da Via Sacra que os jovens estão a organizar.

Finalmente encontrar-nos-emos na Vigília Pascal para celebrarmos a alegria da vitória Pascal. Aquele que esteve morto agora vive pelos séculos dos séculos e tem a chave da morte e do abismo.

Bem-vindos às celebrações maiores de todo o ano litúrgico. Vós que participais ao Domingo na missa não deixeis de participar no tríduo pascal onde nasce “o rio da vida” onde mergulhamos em cada Domingo. Vinde à fonte!

«Deus nosso Pai, que para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador Se fizesse homem e padecesse o suplício da cruz, concedei-nos a graça de seguirmos os ensinamentos da sua paixão, para merecermos tomar parte na glória da sua ressurreição.»

Folha Paroquial 03.04.2022 — 5º DOMINGO DA QUARESMA

O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

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EVANGELHO ( Jo 8, 1-11 )
Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Deus não enviou o seu filho ao mundo
para o condenar, mas para o salvar
«Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados, não presteis atenção às coisas antigas Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes? Vou abrir um caminho no deserto, fazer brotar rios na terra árida.”

A primeira leitura, como a segunda, convergem numa recomendação que não é habitual na Escritura, mas que é preciso compreendermos o sentido verdadeiro à luz do texto de S. Paulo ( 2ª leitura), e do episódio da mulher adúltera. «Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados… não presteis atenção às coisas antigas.»

Para Paulo nós não devemos esquecer nunca esta «justiça que vem de Deus e que é fundada na fé» e, para Cristo, no evangelho, este doravante, lembra a esta mulher cujo arrependimento interior ignoramos, que o seu passado não se deve viver de novo. Agora deve ser uma vida nova. O que era antigo passou. Em ambos os casos, esquecer o passado contém algumas exigências. Em primeiro lugar não esquecer os benefícios e as maravilhas de Deus, depois não nos sobrecarregarmos com um retorno nostálgico ou ansioso das nossas culpabilidades. Isto é, não deixarmos que aquilo que já passou e foi perdoado volte a ensombrar-nos com o peso da culpabilidade, pois seria falta de confiança na misericórdia divina. Somos chamados é a olhar para a frente, para o futuro na fé e na esperança que vem da fé como diz Paulo: “Só penso numa coisa: esquecendo o que fica para trás, lançar-me para a frente, continuar a correr para a meta, em vista do prémio a que Deus, lá do alto, me chama em Cristo Jesus. “

Deus não nos quer fechados numa recordação nostálgica do passado. Ele é criador. Ele faz e fará coisas novas e em comparação com elas, as do passado, parecerão muito menores. Compete-nos a nós abrirmo-nos á criatividade. “Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes?”

No deserto árido e sequioso do coração desta mulher de que nos fala o evangelho, surgiu, pelo encontro com Cristo, surpreendentemente, um rio abundante de água-viva a enchê-la de esperança. Jesus salvou-a da morte física, mas muito mais do que isso, deu-lhe razões para viver uma vida diferente, totalmente nova, a que chamamos vida eterna. Foi para isto que Deus enviou o seu filho ao mundo, para que todo Aquele que se encontre com Ele, com um coração sedento, receba a vida eterna.

Os fariseus queriam ver a mulher condenada por Jesus, mas «Deus enviou o seu filho ao mundo não para o condenar, mas para o salvar». E esta salvação consiste num perdão totalmente gratuito, absoluto e sem condições a partir do mistério da cruz. «Todos pecaram e ficaram privados da glória de Deus, mas pela cruz de Cristo, todos fomos justificados». E agora é pela fé n’Ele que somos perdoados e salvos.

Conhecer Cristo é uma experiência dinâmica que nos leva ao despojamento e nos põe a caminho. Viver com Ele, é viver numa intimidade particular pois é fazer já a experiência da ressurreição: “Vai e doravante…»

Este poder manifesta-se em primeiro lugar através das dificuldades, do sofrimento e da morte. O caminho da ressurreição é um caminho de verdadeiro conhecimento que nos ajuda a reconhece em primeiro lugar os nossos limites e a carregá-los dolorosamente. Todos os santos viveram «a noite da fé» mas era essa fé que lhes dizia ao mesmo tempo que o acontecimento da cruz na sua vida era também as primícias da ressurreição. Um perseguido da Rússia dizia: “É ao pé da cruz que creio no ressuscitado.” Não há ressurreição sem experiência da cruz que se aceita e se leva.
Todas estas leituras nos situam já no contexto da paixão e nos preparam para viver a ressurreição.

A esperança na ressurreição é a esperança maior que se funda na experiência que já vamos fazendo de como o encontro com Cristo, na fé, nos ressuscita. Esta mulher estava morta nos seus pecados e no seu passado, mas Jesus ressuscitou-a para a vida e deu-lhe um futuro novo. Agora, para ela, acreditar na ressurreição de Jesus segundo a carne, vai ser um pequeno passo. Por isso Maria Madalena foi a primeira a acreditar na ressurreição e Jesus. Ele também já a tinha ressuscitado.

Quando experimentamos o poder de Jesus na nossa vida acreditamos mais facilmente na sua ressurreição e na nossa a partir d’Ele. Como escreveu aulo, « A esperança não engana porque o amor de Deus já foi derramado nos nossos corações». Que o Espírito de Deus nos conduza a viver em grande intimidade e profundidade o mistério pascal que se avizinha.”

Folha Paroquial 27.03.2022 — 4º DOMINGO DA QUARESMA

Saboreai e vede como o Senhor é bom.

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EVANGELHO ( Lc 15, 1-3.11-32 )
Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

“Como é que Deus fala a cada um de nós através desta parábola? O que diz Deus de si mesmo? E em que é que nos ajuda a ver-nos a nós mesmos? Onde nos situamos nela? Somos os pecadores e publicanos que se sentem atraídos por Jesus e se aproximam d’Ele para o ouvirem? Ou somos aqueles que se vêm como os que cumprem a lei e a religião e olhem os outros que não cumprem com julgamentos e distância? Sentimo-nos mais na pele do benjamim, o irmão mais novo, ou do irmão mais velho, trabalhador, mas com o coração duro como o aço?

Talvez nos sintamos na pele de ambos; umas vezes somos o filho pródigo e outras o filho mais velho. Por isso a parábola ensina-nos, numa linguagem cheia de ternura, quem é Deus nosso Pai e ajuda-nos a ver as atitudes que tantas vezes tomamos e nos podem fechar o coração a Ele e aos irmãos.
Vamos adentrar-nos nalguns aspetos da parábola:

O filho mais velho quando encontra o seu pai não chama ao filho pródigo “meu irmão”, mas o “teu filho”. Nega a fraternidade que os liga. Não quer ter nada a ver com aquele que delapidou os bens da família. O que o distingue do irmão é o facto de há tantos anos estar ao serviço do seu pai sem nunca lhe ter desobedecido. Como pode o seu pai tratar melhor aquele irresponsável do que ele, o trabalhador incansável? O pai tenta explicar-lhe dizendo-lhe que o que acabou de chegar não é um estrangeiro, apesar de tudo o que possa pensar, ele é o seu irmão. Além disso, diz-lhe o pai: a minha bondade para com o teu irmão não te tira nada, pois a nossa comunhão é perfeita, tudo o que é meu é teu. Sou o teu Pai, não o teu patrão, como sou o Pai do teu irmão e não o seu juiz.

Para se alegrar do retorno do filho pródigo, o filho mais velho precisa primeiro de o reconhecer como seu irmão, e de ter uma relação mais filial com o seu pai.

Mas como poderá ele renovar as suas relações se permanece ao nível do juízo moral sobre a atitude do irmão? O filho mais velho valoriza antes de mais a sua obediência, e quando vê o seu irmão, o que lhe vem ao espírito não é o que lhes é comum, mas o que os opõe: Um partiu para viver a sua vida, o outro ficou com o seu pai para o serviço.

Realmente muitos dos problemas que sofremos no mundo; inimizades, guerras, conflitos vêm de não sermos capazes de nos vermos como irmãos, mas como rivais que têm inveja uns dos outros. Na encíclica Fratelli Tutti, (todos irmãos) o Papa Francisco convida-nos a criar novas relações entre nós abrindo o coração ao mundo inteiro pois temos um Pai comum e uma terra comum e somos todos irmãos. Temos construído muitos muros por casa dos juízos e dos medos que nos separam e, temos de reconhecer que os juízes que fizemos, e ainda fazemos, daqueles que pensam e vivem de modo diferente de nós, nos afastam, porque não os vemos logo como irmãos a acolher, mas como diferentes a combater ou então a tolerar cm dificuldade.

Somos irmãos e irmãs e somos muito semelhantes no essencial. Os dois filhos da parábola não são assim tão diferentes um do outro quanto parecem. O filho pródigo não é melhor que o filho mais velho. Ele também não compreendeu o amor do pai. De facto, ele só voltou para o pai porque estava com fome, para ter que comer depois de ter delapidado sem escrúpulo os bens da família. Filho mais velho ou mais novo, nenhum deles compreendeu a profundidade e a delicadeza do amor paterno. A obediência servil ou a procura da satisfação egoísta deformam a sua relação com o pai.

Se a necessidade de perdão, da misericórdia do pai, é mais bem manifestada pelo mais novo do que pelo mais velho, este esquece que também ele vive da misericórdia divina. Nós somos irmãos porque somos filhos do mesmo Pai, aquele que nos dá a verdadeira vida em Jesus Cristo. Na passagem da carta aos Coríntios que lemos na segunda leitura, Paulo convida-nos a reconhecer em Jesus a obra de misericórdia e de reconciliação querida por Deus. “. Na verdade, é Deus que em Cristo reconcilia o mundo consigo, não levando em conta as faltas dos homens e confiando-nos a palavra da reconciliação. (…) Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. Dizendo de outro modo: Não fiquemos fechados nas nossas faltas ou sofrimentos, saibamos acolher a graça que nos é oferecida.

Para nos deixar reconciliar com o nosso Pai, somos convidados a reconhecer as nossas faltas e a imensidade do amor de Deus nosso pai. A ação de graças que brota dos nossos lábios, ao mesmo tempo que o reconhecimento da nossa miséria, é sinal de uma confissão dos nossos pecados. Não somos diferentes de todos os nossos irmãos e irmãs: Diante do Amor misericordioso, somos todos iguais na mesa dos pecadores que é a Eucaristia. O perdão e a graça que recebem os meus irmãos em humanidade lembram-me o perdão e a misericórdia que recebo também continuamente.

Precisamos, pois, que o Espírito Santo nos ilumine continuamente para reconhecermos quanto somos pecadores e, mais ainda, quanta misericórdia e perdão recebemos para nos alegrarmos em nos sentarmos à mesa com os outros que são pecadores como eu.

Hoje, a meio da Quaresma, vivamos a alegria que este Domingo nos sugere, do banquete da festa do perdão e da misericórdia. Alimentamo-nos juntos à mesa da Eucaristia de um pão e de um vinho que nunca faltarão, que são o corpo e o sangue de Cristo, para que unidos a Ele, nos tornemos justiça de Deus, ou seja manifestação da sua misericórdia.”

Folha Paroquial 20.03.2022 —3º DOMINGO DA QUARESMA

O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

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EVANGELHO ( Lc 13, 1-9 )
Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

“A subida de Moisés ao Monte Sinai para onde Deus o atrai, é o princípio da sua conversão e disponibilidade para servir o Senhor como condutor do seu povo. A conversão, ou arrependimento, está no centro dos textos de hoje como está no centro da mensagem de Jesus. Ele começou a sua atividade messiânica com estas palavras: “O Reino de Deus chegou, convertei-vos e acreditai na Boa Nova.” A Nicodemos ele afirma: «Quem não nascer do alto não pode ver o reino de Deus”, e Jesus chama a isto um novo nascimento a partir da água e do Espírito. Aos discípulos afirma: “Se não vos converteres e não fordes como as crianças não podereis entrar no reino de Deus”. O trabalho do novo nascimento dos doze, que Ele escolheu, vai ser lento e paciente, mas é para ai que o cuidado persistente de Jesus está orientado. Muitas outras pessoas, para além dos discípulos, andam atrás de Jesus e é a todos que Ele dirige o mesmo convite ao arrependimento, para entrarem no Reino. Mas com o passar do tempo, Jesus vai-se dando conta que a maioria não responde ao seu apelo e fica na mesma. São muitos os que gostam de o ouvir, mas não se abrem ao Reino de Deus e abandonam Jesus quando as Suas palavras não lhes agradam. Então Jesus começa a elevar o grito do apelo à conversão para que as pessoas não se percam. O texto de hoje é bem carregado: “Se não vos converterdes morrereis todos de modo semelhante”. O mais importante não é a forma como se morre fisicamente, mas é o facto de não aderirmos a Deus e vivermos apenas do homem velho, de coração endurecido, de dura cerviz que rejeita a salvação que lhe é oferecida. É a morte eterna quando não nos convertemos a Deus.

A Quaresma é este tempo especial para ouvir com mais acuidade o grito de Deus: “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”.

Mas a consciência do pecado e o arrependimento são um dom que se tem de suplicar. Nós não somos capazes de nos converter só pelas nossas forças. Podemos ter bons desejos e até tentarmos dar uns passos, mas logo damos conta de que não vamos longe por causa da nossa fraqueza e fragilidade.
A experiência do amor de Deus pela ação do Espírito Santo em nós é que nos faz sentir pecadores. Sem a experiência do Espírito, que convence o mundo do pecado (Jo 16,8) podemos saber intelectualmente que fazemos o mal, mas não nos sentimos verdadeiramente pecadores perante Deus. Por isso, sem a referência a Deus, não sentimos pecado. Este não é apenas uma falha de carácter moral; É muito mais do que isso. Uma pessoa pode até, eventualmente, ser moralmente impecável, mas não fundar a sua vida em Deus, viver apenas da própria razão, e do esforço do cumprimento da lei. Foi isso que S. Paulo tentou fazer antes de se converter. O seu encontro com Cristo levou-o a perceber que vivia do orgulho da carne. Também ele viveu o novo nascimento de passar de uma vida vivida da lei à vida em Cristo e no seu Espírito.

A conversão é a quê ou a quem? É a Deus e ao próximo. Primeiro Deus, e no mesmo movimento interior o próximo. É importante percebermos que o termo da nossa conversão não é algo – nem sequer uma mudança de conduta, é alguém. Não é uma ideologia ou um projeto moral. Converter-se, é voltar à relação amorosa com o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, no Espírito Santo. Na parábola do Filho pródigo não nos é dito se ele mudou muito as atitudes, se passou a ser um trabalhador exemplar. Talvez o voltar para o pai lhe tenha dado essa motivação para mudar de conduta, mas se na parábola nem se fala disso, é porque esse aspeto é segundo em relação ao que é fundamental na conversão: voltar à relação de amor com Deus. Mas a experiência do encontro com Deus remete-nos aos irmãos. O amor que recebemos de Deus em forma de perdão é o amor que damos aos irmãos nas suas diversas modalidades. Depois de reatada a relação amorosa com Deus e com os irmãos temos, então, vontade de mudar também a nossa conduta moral. Começamos a desejar viver como filhos de Deus que sabem o que Ele deseja; que nos amemos, que nos respeitemos, que não prejudiquemos ninguém, que sejamos puros de coração, que sejamos misericordiosos, justos e verdadeiros, que não paguemos o mal com o mal, que perdoemos, enfim que tenhamos um coração parecido com o coração do Pai de que o coração de Jesus é o espelho. É isso a que o Evangelho de hoje chama frutos. Os frutos de quem vive numa relação boa com o Pai. Mas porque somos seres feridos pela desconfiança e pelo pecado levamos tempo a restaurar-nos totalmente na novidade de vida e, por isso, nem sempre conseguimos dar logo os frutos bons. Assim o vinhateiro pede mais uma oportunidade para cavar em volta e deitar adubo. Às vezes andamos muito tempo sem conseguir a mudança de atitude que gostaríamos, mas se já vivemos no Senhor, isso faz-nos sofrer e só temos uma saída: Entrar na súplica e pedir a Deus que seja Ele a ajudar-nos a dar fruto “pois sem Ele nada podemos fazer”.

Benditas as lágrimas daquele ou daquela que chora o não ser ainda capaz de dar a Deus o seu coração inteiro. Essas lágrimas são um batismo de perdão e fazem a pessoa crescer na humildade. Se ela perseverar na súplica pode chegar à santidade de vida.”

Folha Paroquial 13.03.2022 —2º DOMINGO DA QUARESMA

O Senhor é a minha luz e a minha salvação.

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EVANGELHO ( Lc 9, 28b-36 )
“Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.”

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Subir ao Monte e descer ao compromisso com o mundo que sofre.

Celebramos a 6 de Agosto, com as Igrejas orientais, a festa da transfiguração do Senhor. Mas, em cada ano, no segundo Domingo da quaresma, ouvimos novamente o relato da transfiguração. Situada antes da Paixão e da Morte de Jesus, a Transfiguração (em grego: metamorfose), foi uma manifestação da vida divina de Jesus. A luz que refulge no Tabor é uma antecipação do esplendor da ressurreição que encherá a noite da Páscoa. Os Apóstolos, contemplando extasiados a glória divina de Jesus, vivem uma consolação que os preparará para a desolação que viverão com os acontecimentos dolorosos da Paixão de Jesus. A contemplação da luz divina poderá prepará-los para o verem como servo a lavar-lhes os pés e a dar a vida pelos homens. Sendo anúncio da ressurreição pascal de Jesus, a transfiguração é também uma promessa – a da nossa transfiguração- pela participação em Cristo.

Este relato, colocado quase no princípio da quaresma, ensina-nos que a nossa vida cristã é um processo de lenta transformação em Cristo que se iniciou no batismo, que se fortalece na Eucaristia, «penhor da glória futura» que opera a nossa transformação, até atingirmos a imagem do Cristo glorioso, como nos é dito pela segunda leitura: “donde esperamos como salvador o Senhor Jesus Cristo que transformará o nosso corpo miserável, para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso”.

Olhemos para o texto do Evangelho. Do acontecimento relatado brota uma luz fulgurante que nos ilumina a todos e nos enche de esperança. “Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar. Enquanto orava, alterou-se o aspeto do seu rosto.” Não é por acaso que nos é dito que é enquanto ora, que se começa a ver a luz de Jesus. A Oração transforma-nos e coloca-nos mais perto de Deus, tornando-nos pouco a pouco mais parecidos com Ele.

Dois homens falavam com ele: eram Moisés e Elias, que, tendo aparecido em glória, “falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém”. Porquê estas personagens do Antigo Testamento aqui? Moisés, subiu ao Monte do Sinai, da primeira vez, recebeu aí a luz e a força para libertar o seu povo da escravidão e realizar a libertação do êxodo que foi um grande caminho quaresmal de quarenta anos, no deserto, no meio de muitas provações.

Mas é no Monte onde Moisés encontra a luz, a força e a orientação para realizar a libertação do povo. A luz que recebeu de Deus no Sinai era tão grande que o seu rosto emanava luz e o povo nem o conseguia ver.

Elias, mais tarde, realizou também o seu êxodo, andando pelo deserto quarenta dias e quarenta noites, e depois quis morrer, mas Deus alimentou-o e deu-lhe água para ele continuar o caminho até chegar ao monte de Deus, o Horeb, um outro nome do monte Sinai. Aí Deus passou, numa brisa suave, e manifestou-lhe a sua glória.

Assim, as duas personagens do Antigo Testamento que tiveram o privilégio da revelação da glória de Deus na montanha, estão também presentes no dia da manifestação da glória de Cristo na montanha do Tabor. Lucas é o único evangelista que nos diz o conteúdo da conversa com Jesus: «Falavam da sua morte que iria cumprir-se em Jerusalém” (na verdade, Lucas emprega a palavra êxodo e não morte). Falavam do seu êxodo que ia cumprir-se em Jerusalém. É realmente impossível separar a glória de Cristo da sua cruz. É por isso que Lucas emprega o termo êxodo para falar da Páscoa de Cristo. Como a Páscoa de Moisés tinha inaugurado o êxodo do povo, da escravidão do Egipto para a terra da liberdade, a Páscoa de Cristo abre o caminho da libertação para toda a humanidade.

Quando os 3 apóstolos despertaram do sono viram a glória de Jesus, e Moisés e Elias com Ele. Pedro disse a Jesus: “«Mestre como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias» Não sabia o que estava a dizer”: É que realmente essa tenda já estava no mundo. «O verbo divino encarnou e pôs a sua tenda no meio de nós». Por isso, da nuvem que os cobriu ouviu-se a voz do Pai: «Este é o meu Filho, o meu eleito: escutai-o» Ele é a tenda de Deus no meio do povo. Ele habita no meio de nós para viver toda a vossa vida; também as vossas dores e sofrimentos e vos ajudar a vivê-las.

Mas Pedro queria apenas permanecer ali, no gozo do céu antecipado, sem os problemas do mundo a preocupá-lo. Mas não é isso que Deus quer. Se Jesus o leva ao monte é precisamente para lhe dar mais força para a luta, para a cruz e para o compromisso da caridade. Depois, é necessário descer do monte e voltar à realidade da vida mas agora de modo diferente pois já levamos connosco a força da esperança, o horizonte da glória que nos foi revelada no Monte.

Às vezes penso o que poderíamos fazer mais e melhor para que, como Igreja e como cristãos fôssemos mais inovadores e ativos na transformação do mundo. Corremos o risco de – aliás às vezes nos acusam disso – de preferirmos ficar no Monte a deliciarmo-nos com o religioso, como Pedro, que já não queria ir mais embora dali. Também temos a tentação de ficar nas nossas igrejas a fazer o nosso trabalho e esquecermos o mundo para onde Deus nos envia e corremos o risco de nos tornarmos irrelevantes para o mundo.

Vivemos uma pandemia que ainda não se foi embora e que nos deixou mais pobres e temerosos perante a vida e o futuro e ainda não sabemos muito bem os seus efeitos em todos nós. Como se já não bastasse, o diabo quis tornar-nos a vida difícil com uma guerra que vai tocar-nos a todos de uma maneira ou de outra. Criámos um grupo para ir em ajuda das pessoas que possam estará viver na solidão, porque algumas nos pediram, começando por um contacto telefónico até que a pessoa tenha confiança para se ir a casa dela visitá-la. Inscreveu-se um bom número de pessoas para o grupo de visitadores, mas não aparecem pedidos de pessoas a solicitar o acompanhamento. Há ainda muitos medos escondidos que faz com que muita gente se feche. Claro que há um trabalho escondido, pessoal, que se faz todos os dias, mas não se deverá ir mais longe?

O Evangelho de hoje diz-nos que Deus está comprometido connosco e armou no meio de nós a sua tenda. Ele veio para fazer um êxodo libertador e convida-nos em todas as situações da história onde há sofrimento a não ficarmos parados, mas a descermos do monte e fazermos o que nos é possível com a sua força para fazermos um mundo melhor.

Peço a Deus que faça surgir profetas no meio da Comunidade que a inspirem a ir mais longe no compromisso com o mundo. Que a comunidade toda possa ir discernindo os apelos que o Espírito nos faz. O Conselho Pastoral e a equipa de animação pastoral devem exercer mais o discernimento pastoral para escutar a voz do Espírito que pode gerar formas novas de testemunharmos a Esperança que Deus nos dá. E qualquer pessoa na paróquia pode ser iluminada pelo Espírito e fazer chegar ás instâncias de corresponsabilidade o seu sentir. O Papa Francisco insiste connosco e acreditamos que Deus fala através do seu ministério que nós devemos ir às periferias levar o evangelho. Mas como fazer isso? A que periferias? O padre não tem a resposta para tudo e é da vontade de Deus que Ele não tenha os carismas todos nem as respostas a tudo, pois é caminhando juntos que Deus fará sentir a sua vontade.

É que a nossa transfiguração é feita pela participação em Cristo e pela sua imitação. É na medida em que amamos e servimos como Ele que nos podemos tornar semelhantes a Ele.

O Conselho Pastoral e alguns grupos paroquiais estão a responder às questões sinodais mas a Unidade Pastoral não está em reflexão sinodal no seu todo, longe disso. Aliás, muitos grupos nem responderam. Mas, mesmo que já tenha passado o prazo de entrega das respostas, vale a pena que toda a UP se debruce sobre as perguntas e lhes responda, pois seria uma pena não aproveitarmos a aprendizagem que nos é proporcionada para avançarmos como Unidade Pastoral que caminha sinodalmente. E é essa caminhada que nos transfigura pouco a pouco.”