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Alpha – o testemunho da Cláudia Assis

Quando vi no Facebook de uma amiga o convite para o ALPHA, fui pesquisar sobre o tema e entendi logo que era o que eu procurava há muito…

Como é que posso caracterizar o percurso ALPHA?

Foi tão especial que é difícil descrevê-lo através de palavras…

Mas posso dizer que foi intenso, fascinante, motivador!!!

Era o momento mais especial da semana, era o meu momento, era o momento do encontro… especial…

Faz lembrar aquela passagem do Principezinho: “Se vieres, por exemplo às quatro horas da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mas eu me sentirei feliz.” Conseguem sentir???

Os vídeos são simplesmente brutais!!! Têm que ver!!!

Estes pequenos encontros serviam para encher a semana de paz, tranquilidade, alegria, boa disposição…
Mas Deus conhece-me melhor que ninguém, sabe que preciso de provas evidentes de que está entre nós… e fez-me uma surpresa!

Na oração de intercessão do fim-de-semana ALPHA, depois de terem rezado por mim, alguém leu uma passagem da Bíblia…

No final, lembrei-me de ir buscá-la e tentar encontrar a leitura… qual agulha no palheiro… mas quem procura encontra… qual não é o meu espanto quando abro a livro aleatoriamente e a página em que abri era a página da leitura!!! Como era possível!!! Fiquei estupefacta… mas a Deus nada é impossível!!!

O que posso mais dizer???

Talvez sugerir o ALPHA 2, 3, 4…

Cláudia Assis – Paróquia de São Julião da Barra – Oeiras

Cultura do convite – a história da Patrícia Silveira

O Percurso Alpha surge nas nossas vidas em janeiro de 2018, através da catequese familiar. O simpático e apelativo convite foi feito aos pais pelo “nosso” Padre Jorge mas confesso que, na altura, não lhe dei a devida importância. Passadas algumas semanas, e sem ter feito inscrição prévia, sem saber ao que ia e, sequer, se me aceitariam, algo me conduziu ao jantar de apresentação “Vinde e Vede”, na Paróquia de São João Baptista. O caloroso acolhimento da equipa fez-me ficar, sem imaginar então que aquele dia seria o primeiro da transformação das nossas vidas.

Semana após semana, a Fé acordava e crescia em mim, os laços entre os participantes no Percurso estreitavam-se, as minhas filhas perguntavam quando era a próxima sessão, vivíamos ansiando pela chegada de cada sexta-feira, por jantarmos com os nossos novos amigos, por rezarmos com eles e por eles… e assim nasceu uma bela história de Amor com Deus.

Maio de 2018 foi, sem dúvida, um marco na nossa caminhada na Fé: a Mariana fez a Primeira Comunhão, a Maria Inês a Profissão de Fé e eu o Crisma, com a Graça de Deus e o apoio incondicional da Família Alpha e do seu magnífico Pastor. Obrigada, Padre Jorge.

Após o término do Percurso, fiz parte do Coro da Paróquia, que infelizmente tive de deixar por manifesta falta de tempo. O mais recente desafio foi o convite para integrar a equipa de redação da nova revista da Unidade Pastoral, que prontamente aceitei. Ainda em 2018, passei a integrar a Equipa Alpha São João Baptista, onde, como animadora de mesa, recebo muito mais do que dou a todos os que chegam à procura de algo e descobrem este Amor Maior de e por Deus, em torno do qual a nossa maravilhosa Equipa Alpha cresce na Fé, unida e forte, em comunidade, numa igreja onde eu e as minhas filhas encontrámos Casa, Amigos, Família, Jesus e Amor.

Patrícia, Inês e Mariana

Pensamentos sobre a vida no confinamento

Qualquer acontecimento, à segunda vez é sempre diferente, já sabemos o que nos espera. Quando é uma coisa boa, alegramo-nos. Mas quando é menos boa…

Mais uma vez por causa da pandemia foi necessário entrar em confinamento. Por quanto tempo agora? Acabaram -se os contactos, beijos, abraços aos amigos que sabem tão bem e aquecem o coração. A vida presencial que nos é tão natural e necessária parou mais uma vez.

O trabalho continua, mas de forma diferente. Tento ensinar, falando para o ecrã do computador. Será que me escutam ou estão distraídos com outra coisa qualquer?

Não posso comprar um livro, uma peça de vestuário ou outra coisa qualquer necessária, a não ser online, que nem sempre resulta. Até com o médico, se precisar, tem de ser à distância.

O confinamento tem sido um grande desafio a todos os níveis, tanto material como espiritual, principalmente para um cristão. A eucaristia presencial ficou suspensa. Alguns dizem “vejo na televisão, é a mesma coisa”. Mas é? Podemos ouvir e meditar a Palavra de Deus, mas o alimento espiritual mais importante, a comunhão eucarística que é o corpo de Cristo, só podemos receber presencialmente. As catequeses à distância, sem aproximação, sem contacto direto… não é bem assim o modelo de ensinamento de Jesus.

Como cristão a fé tem sido sempre um grande auxílio para encarar o dia a dia, principalmente nestes tempos que estamos a atravessar. Tempo de muitas restrições, muitas dificuldades, muitas adaptações. Mas também tempo para pensar e para mudar. Um tempo para reinventarmos a nossa relação com Deus, para nos aproximarmos mais d’Ele.

Temos tido a possibilidade de viajar por muitas paróquias do país, através da TV, YouTube, Facebook. Assim tem sido possível assistir à Eucaristia em qualquer ponto do país, orar e meditar a Palavra em diversos locais. Este tempo tem servido para fortalecer a nossa fé. Só assim encontramos a força para avançar e enfrentar estes momentos difíceis.

Elisa Serra

Recomeço da Catequese presencial em SJBaptista

Na véspera da Festa da Palavra, marcada para 24/01/2021, começou novo confinamento. Tudo estava preparado… mas nesse domingo já não foi possível participarmos presencialmente na missa. As Bíblias estavam embrulhadas, mas a pandemia não nos deixava…

Diante de um computador estávamos, pais e filhos, “confundidos, não desesperados (…); abatidos, mas não aniquilados” (2 Cor 4, 1-12). Não seria por causa do vírus que não iríamos continuar a encontrar-nos uns com os outros e com Jesus no meio de nós. Durante várias semanas fomos marcando presença, e o audiovisual foi sendo instrumento para difundir o Evangelho. As Bíblias passaram para as mãos dos nossos filhos e todos partilhávamos uma catequese que se tornava naquele momento da semana em que nos reconhecíamos Igreja no rosto dos irmãos.

Ontem foi, novamente, sábado de catequese. Mas, na Alegria da Páscoa, as portas já estavam abertas de par em par à nossa espera. E, no meio de chuva torrencial e relâmpagos, fomos chegando… Bem lá do fundo, todos fomos partilhando a alegria que experimentávamos por termos vencido o comodismo de uma sessão online para estarmos ali, a construir comunidade de forma mais humana e fraterna. Algumas das crianças, que tinham manifestado alguma resistência em pôr-se a caminho, no final esboçavam, com o olhar, um grande sorriso. E, depois de termos cantado juntos ao ‘Jesus escondido’ que sabíamos presente no sacrário, ainda houve tempo e espaço para uns toques na bola…

Quando regressava a casa vinha-me ao coração a melodia “Oh, como é bom e agradável viver juntos como irmãos!” (salmo 133). Que este Tempo de Páscoa seja também oportunidade para sairmos da nossa zona de conforto e voltarmos a gostar de estar juntos, na comunidade cristã, que nos acolhe e nos envia a anunciar que “O Senhor está vivo, Ele está no meio de nós!”

Margarida Caetano (animadora dos pais do grupo do 4º ano da catequese familiar)

Cultura do convite – a história da Elizabete Rodrigues

Num fim de tarde de verão do ano de 2019, após a festa de final de ano da minha escola, sentei-me com duas mães de alunos e, num ambiente descontraído, começaram a falar-me no percurso Alpha.

A minha curiosidade foi ficando cada vez maior e soube, ali, nesse dia, que tinha de experimentar. O verão passou e em setembro, lembraram-me que um novo percurso ia começar, na Paróquia de São João Batista.

Já tinha tido curiosidade de entrar na igreja, mas nunca o tinha feito. No dia 20 setembro, fui ao jantar de apresentação e fui logo recebida calorosamente e com sorrisos enormes, tão característicos desta comunidade.

Foi um serão inesquecível, os animadores acolheram-nos com todo o carinho e houve muita empatia com os convidados da mesa. A partir daí, fui renovando a minha fé que estava um pouco esquecida, no meio da azáfama do dia-a-dia. Fui caminhando passo a passo até Deus e tive a certeza que queria alimentar a minha fé, cada vez mais, e ter Jesus na minha vida, sempre.

Hoje, sou animadora de uma mesa e sinto-me muito feliz com todo o percurso realizado. Sei que ainda tenho muito que aprender e ainda muito para dar.

Convidei uma grande amiga a fazer o percurso, a seguir ao meu e ela, ainda hoje me agradece, porque a vida dela também nunca mais foi a mesma. O percurso Alpha transforma vidas e por isso quero agradecer em especial à Sandra e à Marisa por me terem mostrado o caminho, para a renovação da minha fé.

Elizabete Rodrigues

Fiz o Alpha Jovens e foi muito bom!

O meu nome é João Alves, sou natural de Santa Catarina da Serra, no concelho de Leiria, e sou estudante de Economia na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Foi, aliás, o meu percurso académico que me levou à Paróquia de São João Batista e, mais especificamente, a participar no Alpha Jovens aqui realizado. Apesar de ter tido contacto com esta Paróquia através do Alpha, sinto uma enorme estima pelas suas pessoas, representadas pela pessoa do Padre Jorge e por todo o grupo que dinamizou o encontro, pois receberam-me muito bem e foram sempre simpáticos e atenciosos para com todos.

Atualmente, e depois de ter terminado o meu primeiro Alpha como participante, integro a equipa de organização e animação de um novo percurso Alpha Jovens que irá começar no próximo dia 16 de Abril. Decidi aceitar o convite para integrar esta equipa pois sinto-me na obrigação de retribuir o que me foi dado, de partilhar a experiência que adquiri no meu primeiro Alpha com os jovens que participarão neste novo percurso, de estar disponível para ouvir e respeitar os pontos de vista e convicções de cada um, mesmo que não correspondam às minhas opiniões pessoais, pois essa disponibilidade e essa consideração pelas apreciações e ideias dos outros é para mim um dos pontos fulcrais e fascinantes do Alpha.

Sinto-me um felizardo por ter encontrado esta Paróquia de São João Batista e espero, mesmo quando acabar o meu percurso universitário em Coimbra, nunca perder o contacto com as pessoas que aqui conheci e os amigos que aqui fiz. ´

João Alves

Cultura do Convite

Agosto de 2014, mês de férias por excelência. Nos locais de trabalho as equipas ficam reduzidas, e os que ficam têm de ser polivalentes. Numa tarde, acompanhada da responsável do laboratório que, para além de chefe era amiga, conversávamos enquanto íamos trabalhando. A certa altura disse-me “tenho um convite para ti e para o teu marido, mas é só para setembro…”: fiquei curiosa. Nos dias que se seguiram não tocámos mais no assunto. Pensei que tivesse ficado por aí, mas estava curiosa, o que seria? Já em setembro disse-me “vai haver um jantar “vinde e vêde” na Paróquia à qual pertenço e eu gostaria muito que tu e o teu marido fossem, só ver, sem compromisso”. É o jantar de apresentação do percurso Alpha que se vai iniciar em outubro…. Falei com o meu marido e tomámos a decisão de ir.
A minha amiga esperava por nós à entrada da Igreja. Fomos acolhidos por todos de uma forma a que não estávamos habituados, envolvente e com muito carinho. A explicação do que seria o percurso foi motivante. Ficámos de dar uma resposta. Entrámos no carro, olhámos um para o outro e logo ali decidimos fazer o percurso.

Tenho muito a agradecer à minha amiga, que já não trabalha comigo, tudo o que me ensinou em 26 anos de trabalho, mas o que mais lhe vou agradecer, para o resto da minha vida, é ter-nos feito este convite.

Fizemos o percurso Alpha e não mais nos afastámos desta comunidade. Passámos a fazer parte desta Família. Deus tem realmente um plano para cada um de nós e ter feito esta experiência do Amor de Deus por mim mudou a minha vida.

Os convites para que outras pessoas, possam também abrir as suas Portas e os seus Corações a Deus, tem que partir de cada um de nós. Umas vezes com mais sucesso outras com menos, mas o Tempo de Deus não é o nosso Tempo. Temos que continuar sempre a convidar, para que mais pessoas tenham a Felicidade de encontrar o amor de Deus.

Agradecemos à Comunidade de S. João Baptista, aos nossos Párocos, Padre Jorge e Padre Francisco todo o amparo que nos têm dado na nossa caminhada na Fé.

Filomena e Arlindo Videira

Testemunho Vida no Confinamento

No domingo de Páscoa, quando me dispunha a começar a preparação do meu dia de aulas do dia seguinte, fui surpreendida com um telefonema do Paulo Farinha. Pedia-me um testemunho – “Como tenho vivido a pandemia?”

Confesso que, antes do telefonema, e enquanto me preparava para iniciar o meu trabalho, pensava “já estou a correr contra o tempo”.

Mas, sem pensar, disse ao Paulo que iria tentar. Houve em mim uma força mais forte que me fez aceitar o pedido – tinha de ser.

Vamos lá então – como tenho eu vivido a pandemia?

Pois, a pandemia chegou!!! A certa altura eu sabia, todos sabíamos, que era uma inevitabilidade.

Assustei-me? Claro que sim.

Tive medo? Claro que sim.

Eu sou humana, como não me havia de assustar, como não havia de ter medo?

Mas para além de humana também sou crente, e isso fez e faz toda a diferença.

O facto de ser crente fez-me, e faz-me, viver a pandemia como um sinal de Deus à Humanidade. A pandemia veio mostrar-nos que estamos todos no mesmo barco. Todas as diferenças entre os Homens se esbateram, sejam elas sociais, políticas, económicas, religiosas ou de género.

É nestas alturas que, nós crentes, procuramos respostas e a oração é o grande antídoto para o receio e para a incerteza.

Mas igrejas fecharam e o espaço físico exterior encolheu. E o espaço interior? Não, esse não encolheu. Tive de aprender uma nova forma de viver a religião? Claro que sim.

A falta da relação presencial com Jesus na Igreja, fez-me, ainda mais, procurar outra intimidade com Ele? Claro que sim. Foi fácil? Não, confesso que não foi um processo nem fácil, nem automático. Mas aconteceu. De repente, dei por mim a fazer um caminho interior de autorreflexão, autodescoberta e de autoconhecimento muito enriquecedor e profícuo.

A fé, a certeza de que Deus é o meu suporte e que nunca me abandona foi indispensável para lidar com tudo isto. É a fé que me faz acreditar que tudo passará, e que a Humanidade sairá desta pandemia mais unida, mais coesa, mais crente.

Durante todo este longo período de confinamento tenho tido sempre presente duas coisas. O Evangelho de São Marcos (4, 35-41), que relata o momento em que Jesus está numa embarcação junto aos seus discípulos, quando surge uma grande tormenta, e o momento de oração, do Papa Francisco, com toda a Igreja pelo fim da pandemia de coronavírus. Dizia o Papa Francisco nesse momento e a propósito do Evangelho de São Marcos – “O atual momento fez com que a humanidade compreendesse que todos estão no mesmo barco, frágeis, mas que também todos são chamados a rezar juntos e serem encarecidos de mútuo encorajamento. “Tal como os discípulos, dizemos a uma só voz: ‘Vamos perecer’. Assim, também nós percebemos que não podemos continuar a estrada cada qual por conta própria. Só conseguiremos juntos”.

Maria Victória Cruz Das Neves

Carta a São José

Corria o ano de 2001 e estávamos casados há pouco mais de um ano. A minha mulher, a Marta, estava a estudar e eu estava desesperadamente desempregado. Bem que me esforçava para confiar no Senhor e na sua providência, mas nem sempre conseguia e estava a ficar profundamente deprimido. Queríamos ter filhos, 4, precisávamos de pagar a prestação da casa, e o dinheiro não chegava. Como era, e ainda sou, professor, naquela altura nem a subsídio de desemprego tinha direito. O facto de me ter licenciado em letras, Latim e Grego, só piorava a situação: tinha um canudo que só me abria a porta do ensino e que fechava todas as outras.

Foi neste contexto que um casal amigo me sugeriu que deveria escrever uma carta a São José: não era nem um pedido nem uma novena; era uma carta. Eu percebia muito de cartas: namorei e casei com uma rapariga de outro distrito numa altura em que era muito caro fazer chamadas interurbanas, pelo que nos especializamos no género epistolar. Só não sabia como poderia escrever uma carta a São José…

Andei a matutar naquilo durante algum tempo, fiz vários rascunhos e, ao fim de duas semanas, tinha a carta escrita e assinada. Coloquei-a atrás de um ícone da Sagrada Família que ainda hoje temos na sala e dei o trabalho por concluído.

Muito poucos dias depois, já não consigo precisar quantos mas poucos, veio a resposta. Dessa resposta nasceu a minha competência a nível informático: estava a decorrer uma formação em Lingo – uma linguagem de programação que entretanto já foi descontinuada mas que servia de suporte aos CD’s interativos, na Universidade de Aveiro, e não conseguiam arranjar um formador.

Descobri várias coisas. Para além de todos os atributos que o Papa lhe dá na sua carta, São José também é um pai educado – se alguém lhe escreve ele responde. Sobretudo, aprendi a rezar com São José: não se trata tanto de o acolher como intercessor, ainda que ele seja um dos bons, mas de o aceitar como instrutor. Se pensarmos bem, foi ele quem ensinou Jesus a rezar… (mais tarde Jesus dirá “rezais e não obteis porque rezais mal”).

Escrever uma carta a São José pode então ser assim entrar nesta dinâmica de aprender a rezar a nossa vida com São José, o pai do nosso Deus. Faça-o sem pressas (estipule se quiser uma data, mas pondere bem durante alguns dias o que vai escrever, na medida do possível à luz da Palavra de Deus). Pode sempre marcar uma conversa com um dos nossos padres ou falar com alguém cristão da sua confiança para o(a) ajudar a delinear algumas ideias.

Desde o passado fim de semana que em SJBaptista está, junto ao altar e ao ícone de São José, uma caixinha onde poderá depositar a sua carta. Pode ficar descansado que, para além de São José, ninguém mais a lerá.

Paulo Farinha Silva

Quais são os atuais limites das nossas paróquias?

Quem escreve este artigo lembra-se bem de um documento que um dos dicastérios do Vaticano fez publicar acerca de um ano atrás : refletia-se sobre os desafios e as perspetivas de futuro para a Igreja no contexto do COVID e, entre muitas outras coisas, sugeria-se que se repensassem os limites geográficos das paróquias e que se equacionasse um alargamento suportado nas potencialidades que os meios tecnológicos nos permitem.

Na igreja de São José conheci pessoas que lá se deslocam do Luso, de Condeixa e de Pereira do Campo expressamente para participar na nossa vida paroquial. Em SJBaptista, conheço irmãos que vêm de Cantanhede, de Poiares, de Pereira, de Condeixa, de Pombal, da Pampilhosa, de Castelo Viegas, de Santa Clara, de Montemor-o-Velho. E não vêm uma vez por outra mas com regularidade. Muitos deles têm até lá os filhos na catequese, fazem parte do coro, integram a equipa Alpha, etc.

Entretanto veio a pandemia e, por conta dela, temos gente de um pouco de todo o país não só a fazer Alpha mas a integrarem as diversas equipas (SJosé , SJBaptista e Alpha Jovens) e até a integrarem Células.

Por diversas vezes, em reuniões de animação pastoral nas quais tenho participado, tenho vindo a sugerir que é urgente repensarmos a nossa definição de paróquia e a implementação de uma estratégia de implantação virtual. Raramente tenho sido compreendido: “mas o que é que tu queres dizer com isso? Queres fazer mais diretos?” – nem tudo ou muito pouco se resolve com diretos, mas parece ser evidente que as nossas comunidades paroquiais ganharam paroquianos que, na melhor das hipóteses, apenas nos poderão visitar presencialmente uma vez por ano.

A título de curiosidade, já há alguns meses que a mesa de mistura que regula o som na igreja de SJBaptista é manipulada por um irmão que não pode estar fisicamente presente. Ele estava sempre a dizer que os instrumentos não estavam bem integrados com as vozes, e que se ouvia pouco este é demasiado aquele, etc. Sugerimos-lhe que se ocupasse ele disso, mesmo a partir de casa… e tem corrido muito bem. O Zoom, um canal que usámos em SJBaptista durante o confinamento e muito popular sobretudo entre as famílias com filhos mais pequenos por permitir interação, era administrado por um irmão que também ele estava em casa.

E muitos outros serviços poderão vir a ser prestados por irmãos que se identificam connosco mas vivem longe: secretaria, comunicação, design, animação de grupos, angariação de fundos, Evangelização através da rede, formação, voluntariado diverso, etc

Neste momento já não está em cima da mesa se o vamos fazer. A questão é como é que vamos fazer.

Paulo Farinha Silva