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Recomeço da Catequese presencial em SJBaptista

Na véspera da Festa da Palavra, marcada para 24/01/2021, começou novo confinamento. Tudo estava preparado… mas nesse domingo já não foi possível participarmos presencialmente na missa. As Bíblias estavam embrulhadas, mas a pandemia não nos deixava…

Diante de um computador estávamos, pais e filhos, “confundidos, não desesperados (…); abatidos, mas não aniquilados” (2 Cor 4, 1-12). Não seria por causa do vírus que não iríamos continuar a encontrar-nos uns com os outros e com Jesus no meio de nós. Durante várias semanas fomos marcando presença, e o audiovisual foi sendo instrumento para difundir o Evangelho. As Bíblias passaram para as mãos dos nossos filhos e todos partilhávamos uma catequese que se tornava naquele momento da semana em que nos reconhecíamos Igreja no rosto dos irmãos.

Ontem foi, novamente, sábado de catequese. Mas, na Alegria da Páscoa, as portas já estavam abertas de par em par à nossa espera. E, no meio de chuva torrencial e relâmpagos, fomos chegando… Bem lá do fundo, todos fomos partilhando a alegria que experimentávamos por termos vencido o comodismo de uma sessão online para estarmos ali, a construir comunidade de forma mais humana e fraterna. Algumas das crianças, que tinham manifestado alguma resistência em pôr-se a caminho, no final esboçavam, com o olhar, um grande sorriso. E, depois de termos cantado juntos ao ‘Jesus escondido’ que sabíamos presente no sacrário, ainda houve tempo e espaço para uns toques na bola…

Quando regressava a casa vinha-me ao coração a melodia “Oh, como é bom e agradável viver juntos como irmãos!” (salmo 133). Que este Tempo de Páscoa seja também oportunidade para sairmos da nossa zona de conforto e voltarmos a gostar de estar juntos, na comunidade cristã, que nos acolhe e nos envia a anunciar que “O Senhor está vivo, Ele está no meio de nós!”

Margarida Caetano (animadora dos pais do grupo do 4º ano da catequese familiar)

Cultura do convite – a história da Elizabete Rodrigues

Num fim de tarde de verão do ano de 2019, após a festa de final de ano da minha escola, sentei-me com duas mães de alunos e, num ambiente descontraído, começaram a falar-me no percurso Alpha.

A minha curiosidade foi ficando cada vez maior e soube, ali, nesse dia, que tinha de experimentar. O verão passou e em setembro, lembraram-me que um novo percurso ia começar, na Paróquia de São João Batista.

Já tinha tido curiosidade de entrar na igreja, mas nunca o tinha feito. No dia 20 setembro, fui ao jantar de apresentação e fui logo recebida calorosamente e com sorrisos enormes, tão característicos desta comunidade.

Foi um serão inesquecível, os animadores acolheram-nos com todo o carinho e houve muita empatia com os convidados da mesa. A partir daí, fui renovando a minha fé que estava um pouco esquecida, no meio da azáfama do dia-a-dia. Fui caminhando passo a passo até Deus e tive a certeza que queria alimentar a minha fé, cada vez mais, e ter Jesus na minha vida, sempre.

Hoje, sou animadora de uma mesa e sinto-me muito feliz com todo o percurso realizado. Sei que ainda tenho muito que aprender e ainda muito para dar.

Convidei uma grande amiga a fazer o percurso, a seguir ao meu e ela, ainda hoje me agradece, porque a vida dela também nunca mais foi a mesma. O percurso Alpha transforma vidas e por isso quero agradecer em especial à Sandra e à Marisa por me terem mostrado o caminho, para a renovação da minha fé.

Elizabete Rodrigues

Fiz o Alpha Jovens e foi muito bom!

O meu nome é João Alves, sou natural de Santa Catarina da Serra, no concelho de Leiria, e sou estudante de Economia na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Foi, aliás, o meu percurso académico que me levou à Paróquia de São João Batista e, mais especificamente, a participar no Alpha Jovens aqui realizado. Apesar de ter tido contacto com esta Paróquia através do Alpha, sinto uma enorme estima pelas suas pessoas, representadas pela pessoa do Padre Jorge e por todo o grupo que dinamizou o encontro, pois receberam-me muito bem e foram sempre simpáticos e atenciosos para com todos.

Atualmente, e depois de ter terminado o meu primeiro Alpha como participante, integro a equipa de organização e animação de um novo percurso Alpha Jovens que irá começar no próximo dia 16 de Abril. Decidi aceitar o convite para integrar esta equipa pois sinto-me na obrigação de retribuir o que me foi dado, de partilhar a experiência que adquiri no meu primeiro Alpha com os jovens que participarão neste novo percurso, de estar disponível para ouvir e respeitar os pontos de vista e convicções de cada um, mesmo que não correspondam às minhas opiniões pessoais, pois essa disponibilidade e essa consideração pelas apreciações e ideias dos outros é para mim um dos pontos fulcrais e fascinantes do Alpha.

Sinto-me um felizardo por ter encontrado esta Paróquia de São João Batista e espero, mesmo quando acabar o meu percurso universitário em Coimbra, nunca perder o contacto com as pessoas que aqui conheci e os amigos que aqui fiz. ´

João Alves

Cultura do Convite

Agosto de 2014, mês de férias por excelência. Nos locais de trabalho as equipas ficam reduzidas, e os que ficam têm de ser polivalentes. Numa tarde, acompanhada da responsável do laboratório que, para além de chefe era amiga, conversávamos enquanto íamos trabalhando. A certa altura disse-me “tenho um convite para ti e para o teu marido, mas é só para setembro…”: fiquei curiosa. Nos dias que se seguiram não tocámos mais no assunto. Pensei que tivesse ficado por aí, mas estava curiosa, o que seria? Já em setembro disse-me “vai haver um jantar “vinde e vêde” na Paróquia à qual pertenço e eu gostaria muito que tu e o teu marido fossem, só ver, sem compromisso”. É o jantar de apresentação do percurso Alpha que se vai iniciar em outubro…. Falei com o meu marido e tomámos a decisão de ir.
A minha amiga esperava por nós à entrada da Igreja. Fomos acolhidos por todos de uma forma a que não estávamos habituados, envolvente e com muito carinho. A explicação do que seria o percurso foi motivante. Ficámos de dar uma resposta. Entrámos no carro, olhámos um para o outro e logo ali decidimos fazer o percurso.

Tenho muito a agradecer à minha amiga, que já não trabalha comigo, tudo o que me ensinou em 26 anos de trabalho, mas o que mais lhe vou agradecer, para o resto da minha vida, é ter-nos feito este convite.

Fizemos o percurso Alpha e não mais nos afastámos desta comunidade. Passámos a fazer parte desta Família. Deus tem realmente um plano para cada um de nós e ter feito esta experiência do Amor de Deus por mim mudou a minha vida.

Os convites para que outras pessoas, possam também abrir as suas Portas e os seus Corações a Deus, tem que partir de cada um de nós. Umas vezes com mais sucesso outras com menos, mas o Tempo de Deus não é o nosso Tempo. Temos que continuar sempre a convidar, para que mais pessoas tenham a Felicidade de encontrar o amor de Deus.

Agradecemos à Comunidade de S. João Baptista, aos nossos Párocos, Padre Jorge e Padre Francisco todo o amparo que nos têm dado na nossa caminhada na Fé.

Filomena e Arlindo Videira

Testemunho Vida no Confinamento

No domingo de Páscoa, quando me dispunha a começar a preparação do meu dia de aulas do dia seguinte, fui surpreendida com um telefonema do Paulo Farinha. Pedia-me um testemunho – “Como tenho vivido a pandemia?”

Confesso que, antes do telefonema, e enquanto me preparava para iniciar o meu trabalho, pensava “já estou a correr contra o tempo”.

Mas, sem pensar, disse ao Paulo que iria tentar. Houve em mim uma força mais forte que me fez aceitar o pedido – tinha de ser.

Vamos lá então – como tenho eu vivido a pandemia?

Pois, a pandemia chegou!!! A certa altura eu sabia, todos sabíamos, que era uma inevitabilidade.

Assustei-me? Claro que sim.

Tive medo? Claro que sim.

Eu sou humana, como não me havia de assustar, como não havia de ter medo?

Mas para além de humana também sou crente, e isso fez e faz toda a diferença.

O facto de ser crente fez-me, e faz-me, viver a pandemia como um sinal de Deus à Humanidade. A pandemia veio mostrar-nos que estamos todos no mesmo barco. Todas as diferenças entre os Homens se esbateram, sejam elas sociais, políticas, económicas, religiosas ou de género.

É nestas alturas que, nós crentes, procuramos respostas e a oração é o grande antídoto para o receio e para a incerteza.

Mas igrejas fecharam e o espaço físico exterior encolheu. E o espaço interior? Não, esse não encolheu. Tive de aprender uma nova forma de viver a religião? Claro que sim.

A falta da relação presencial com Jesus na Igreja, fez-me, ainda mais, procurar outra intimidade com Ele? Claro que sim. Foi fácil? Não, confesso que não foi um processo nem fácil, nem automático. Mas aconteceu. De repente, dei por mim a fazer um caminho interior de autorreflexão, autodescoberta e de autoconhecimento muito enriquecedor e profícuo.

A fé, a certeza de que Deus é o meu suporte e que nunca me abandona foi indispensável para lidar com tudo isto. É a fé que me faz acreditar que tudo passará, e que a Humanidade sairá desta pandemia mais unida, mais coesa, mais crente.

Durante todo este longo período de confinamento tenho tido sempre presente duas coisas. O Evangelho de São Marcos (4, 35-41), que relata o momento em que Jesus está numa embarcação junto aos seus discípulos, quando surge uma grande tormenta, e o momento de oração, do Papa Francisco, com toda a Igreja pelo fim da pandemia de coronavírus. Dizia o Papa Francisco nesse momento e a propósito do Evangelho de São Marcos – “O atual momento fez com que a humanidade compreendesse que todos estão no mesmo barco, frágeis, mas que também todos são chamados a rezar juntos e serem encarecidos de mútuo encorajamento. “Tal como os discípulos, dizemos a uma só voz: ‘Vamos perecer’. Assim, também nós percebemos que não podemos continuar a estrada cada qual por conta própria. Só conseguiremos juntos”.

Maria Victória Cruz Das Neves

Carta a São José

Corria o ano de 2001 e estávamos casados há pouco mais de um ano. A minha mulher, a Marta, estava a estudar e eu estava desesperadamente desempregado. Bem que me esforçava para confiar no Senhor e na sua providência, mas nem sempre conseguia e estava a ficar profundamente deprimido. Queríamos ter filhos, 4, precisávamos de pagar a prestação da casa, e o dinheiro não chegava. Como era, e ainda sou, professor, naquela altura nem a subsídio de desemprego tinha direito. O facto de me ter licenciado em letras, Latim e Grego, só piorava a situação: tinha um canudo que só me abria a porta do ensino e que fechava todas as outras.

Foi neste contexto que um casal amigo me sugeriu que deveria escrever uma carta a São José: não era nem um pedido nem uma novena; era uma carta. Eu percebia muito de cartas: namorei e casei com uma rapariga de outro distrito numa altura em que era muito caro fazer chamadas interurbanas, pelo que nos especializamos no género epistolar. Só não sabia como poderia escrever uma carta a São José…

Andei a matutar naquilo durante algum tempo, fiz vários rascunhos e, ao fim de duas semanas, tinha a carta escrita e assinada. Coloquei-a atrás de um ícone da Sagrada Família que ainda hoje temos na sala e dei o trabalho por concluído.

Muito poucos dias depois, já não consigo precisar quantos mas poucos, veio a resposta. Dessa resposta nasceu a minha competência a nível informático: estava a decorrer uma formação em Lingo – uma linguagem de programação que entretanto já foi descontinuada mas que servia de suporte aos CD’s interativos, na Universidade de Aveiro, e não conseguiam arranjar um formador.

Descobri várias coisas. Para além de todos os atributos que o Papa lhe dá na sua carta, São José também é um pai educado – se alguém lhe escreve ele responde. Sobretudo, aprendi a rezar com São José: não se trata tanto de o acolher como intercessor, ainda que ele seja um dos bons, mas de o aceitar como instrutor. Se pensarmos bem, foi ele quem ensinou Jesus a rezar… (mais tarde Jesus dirá “rezais e não obteis porque rezais mal”).

Escrever uma carta a São José pode então ser assim entrar nesta dinâmica de aprender a rezar a nossa vida com São José, o pai do nosso Deus. Faça-o sem pressas (estipule se quiser uma data, mas pondere bem durante alguns dias o que vai escrever, na medida do possível à luz da Palavra de Deus). Pode sempre marcar uma conversa com um dos nossos padres ou falar com alguém cristão da sua confiança para o(a) ajudar a delinear algumas ideias.

Desde o passado fim de semana que em SJBaptista está, junto ao altar e ao ícone de São José, uma caixinha onde poderá depositar a sua carta. Pode ficar descansado que, para além de São José, ninguém mais a lerá.

Paulo Farinha Silva

Quais são os atuais limites das nossas paróquias?

Quem escreve este artigo lembra-se bem de um documento que um dos dicastérios do Vaticano fez publicar acerca de um ano atrás : refletia-se sobre os desafios e as perspetivas de futuro para a Igreja no contexto do COVID e, entre muitas outras coisas, sugeria-se que se repensassem os limites geográficos das paróquias e que se equacionasse um alargamento suportado nas potencialidades que os meios tecnológicos nos permitem.

Na igreja de São José conheci pessoas que lá se deslocam do Luso, de Condeixa e de Pereira do Campo expressamente para participar na nossa vida paroquial. Em SJBaptista, conheço irmãos que vêm de Cantanhede, de Poiares, de Pereira, de Condeixa, de Pombal, da Pampilhosa, de Castelo Viegas, de Santa Clara, de Montemor-o-Velho. E não vêm uma vez por outra mas com regularidade. Muitos deles têm até lá os filhos na catequese, fazem parte do coro, integram a equipa Alpha, etc.

Entretanto veio a pandemia e, por conta dela, temos gente de um pouco de todo o país não só a fazer Alpha mas a integrarem as diversas equipas (SJosé , SJBaptista e Alpha Jovens) e até a integrarem Células.

Por diversas vezes, em reuniões de animação pastoral nas quais tenho participado, tenho vindo a sugerir que é urgente repensarmos a nossa definição de paróquia e a implementação de uma estratégia de implantação virtual. Raramente tenho sido compreendido: “mas o que é que tu queres dizer com isso? Queres fazer mais diretos?” – nem tudo ou muito pouco se resolve com diretos, mas parece ser evidente que as nossas comunidades paroquiais ganharam paroquianos que, na melhor das hipóteses, apenas nos poderão visitar presencialmente uma vez por ano.

A título de curiosidade, já há alguns meses que a mesa de mistura que regula o som na igreja de SJBaptista é manipulada por um irmão que não pode estar fisicamente presente. Ele estava sempre a dizer que os instrumentos não estavam bem integrados com as vozes, e que se ouvia pouco este é demasiado aquele, etc. Sugerimos-lhe que se ocupasse ele disso, mesmo a partir de casa… e tem corrido muito bem. O Zoom, um canal que usámos em SJBaptista durante o confinamento e muito popular sobretudo entre as famílias com filhos mais pequenos por permitir interação, era administrado por um irmão que também ele estava em casa.

E muitos outros serviços poderão vir a ser prestados por irmãos que se identificam connosco mas vivem longe: secretaria, comunicação, design, animação de grupos, angariação de fundos, Evangelização através da rede, formação, voluntariado diverso, etc

Neste momento já não está em cima da mesa se o vamos fazer. A questão é como é que vamos fazer.

Paulo Farinha Silva

A cultura do convite

Continuamos esta nossa rubrica na qual, semanalmente, desafiamos elementos das nossas comunidades paroquiais a contarem como lá foram ter, como e por quem foram convidados, e a relatarem um pouco do que já fizeram ou tentar fazer para aproximar outros do Senhor. Esta semana, a Marisa Balula Costa, de SJBaptista.

“Fui convidada para fazer o Percurso Alpha por uma amiga em 2018. O percurso já ia na 3ª sessão – fui uma espécie de convidados de última hora, porque ainda havia lugares e porque da terceira sessão em diante já se não pode convidar mais ninguém. Foi uma experiência tão maravilhosa e que me permitiu aprofundar a Fé, fé essa que faz parte de mim desde que me conheço.

Integrei a equipa Alpha, fazendo logo de seguida o Pós-Alpha que foi igualmente maravilhoso e cimentou amizades profundas, aquelas que só acontecem quando partilhamos em conjunto o mesmo Amor por Deus.

Senti-me tão acolhida por todos, que comecei a ir com os meus filhos à missa à paróquia.

Fui sempre convidando amigos para fazerem o Percurso Alpha e todas as caminhadas que a paróquia proporciona, para também eles poderem experimentar o Amor de Deus por todos nós.

Sou muito feliz por ver que alguns deles são agora parte da nossa comunidade: um casal faz parte do Grupo de Oração, e uma amiga da minha freguesia de Viseu, onde ainda vivem os meus pais, faz parte de uma das nossas células e faz também parte do grupo da Oração diária do terço por Zoom… e quer muito vir conhecer a nossa Paróquia…

Marisa Balula Costa, SJBaptista

Mais fracos, ou mais fortes? – testemunhos do confinamento.

O sentir da Filomena Cruz, da comunidade paroquial de SJBaptista, depois deste 2º confinamento:

Passou um ano e aprendi: Aprendi que não passa depressa, que a vida mudou, que não posso trabalhar livremente porque as portas se fecharam e entreabrem por marcação e esta demora… Aprendi que não se beija, não se abraça, não se recebem os amigos e até com a família o convívio é à distância. A mãe que está no Lar, foi vacinada, mas continua confinada no seu canto e podemos vê-la por um vidro e falar com um amplificador de som porque não ouve bem. Não posso dar um beijo, um abraço ou simplesmente pegar na sua mão.

Não posso ir à missa todos os dias ou simplesmente ao Domingo, receber Jesus porque isso é só de vez em quando ‘nos intervalos’ e o sr. Ministro até nos diz se este ano há Natal ou Páscoa como se isso dependesse dele!

No princípio deste desconfinamento, com a ameaça de um novo ‘se não nos portarmos bem’ digo com um sofrimento que dói: Isto não é vida! Deus criou-nos livres e à sua semelhança, sem medo de viver ou morrer. O importante é fazê-lo bem, Com Amor e respeito connosco e com todos!

Filomena Cruz

Catequese do 1º ano que nunca ou poucas vezes se encontrou presencialmente

Este ano, um pouco por todo o lado, a catequese ou não se faz ou tem vindo a puxar pela criatividade e boa-vontade de pais, crianças e catequistas. Na nossa Unidade Pastoral, apesar dos constrangimentos, SJBaptista aventurou-se a arrancar com a catequese familiar em setembro, ainda que para isso tenha deitado abaixo uma parede e, de duas salas de catequese, fazer uma só para os pais, enquanto as crianças se reuniam com os seus catequistas na igreja, que dispõe naturalmente de uma espaço muito mais amplo – ainda que para isso se tenha tido de reprogramar os horários da eucaristia de semana e da adoração que por lá se faz às terças e quintas. Ganharam com isso 4 meses de catequese presencial, até ao início do segundo e duríssimo confinamento. No caso de SJosé, em grande parte porque as salas de catequese são de facto muito pouco arejadas e bastante exíguas, fomos adiando até não ser possível nem sustentável adiar mais e, no caso do primeiro ano, temos feito o que podemos com as benditas e abençoadas licenças do Zoom que em boa hora as paróquias compraram no início do primeiro confinamento.
Por tudo isto, pereceu-nos justo pedir um pequeno testemunho a dois catequistas: o Miguel Cruz, jovem a frequentar o 11º ano na Quinta das Flores e acabadinho de receber o sacramento do Crisma; e a Sofia Pereira, um pouco menos jovem mas com muito carinho pelos mais jovens.

Diz-nos o Miguel Cruz, de SJBaptista, que integra uma equipa com outra jovem da sua idade e um casal:

A minha experiência como catequista tem-se revelado bastante gratificante!! No início tinha receio de assumir esta responsabilidade pelo facto de que o interesse das crianças pela vida de Cristo dependeria de mim! E eu próprio deixei de ir à catequese depois da profissão de fé. Por isso sabia, por mim próprio, que não era tarefa fácil cativar-me!
No entanto, ao longo das semanas, tanto pelo feedback dos pais como pela vontade das crianças de ir a catequese, esta nova experiência é deveras recompensadora!!

Miguel Cruz, SJBaptista

        

E diz-nos a Sofia Pereira, com a anuência da Natália, sua parceira nesta aventura catequética:

Vivemos um tempo de mudanças profundas na nossa sociedade, fruto do contexto atual de Pandemia. Fomos desafiadas a construir pontes de proximidade entre a Igreja, as crianças e suas famílias, usando para tal redes de contacto diferentes, adaptados à nossa nova realidade.

Quinzenalmente, juntamos as nossas crianças em 2 pequenos grupos, cada uma em sua casa, e desenvolvemos “uma catequese aos quadradinhos”, como lhe chamamos, usando para tal a plataforma Zoom. Embora distantes fisicamente, sem antes termos tido qualquer contato presencial, sentimo-nos muito próximos.

Esta tem sido uma experiência de grande desafio à nossa criatividade. Na impossibilidade de estarmos juntos e realizar atividades em sala, todas as atividades são pensadas com o objetivo de ultrapassarmos a barreira da distância física e partilharmos momentos de verdadeiro significado. Esta é a nossa missão atual, a de evangelizar, de continuar a anunciar Jesus, de levar Jesus ao coração e à vida de cada criança.

Sofia Pereira e Natália Costa, SJosé