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Folha Paroquial nº 182 *Ano IV* 25.07.2021 — DOMINGO XVII DO TEMPO COMUM

Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome.

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“EVANGELHO ( Jo 6, 1-15 )
Naquele tempo, Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, ou de Tiberíades. Seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes. Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?». Dizia isto para o experimentar, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Respondeu-Lhe Filipe: «Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um». Disse-Lhe um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?». Jesus respondeu: «Mandai-os sentar». Havia muita erva naquele lugar, e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram. Quando ficaram saciados, Jesus disse aos discípulos: «Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos e encheram doze cestos com os bocados dos cinco pães de cevada que sobraram aos que tinham comido. Quando viram o milagre que Jesus fizera, aqueles homens começaram a dizer: «Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo». Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-l’O para O fazerem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte.”

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Ao longo do ano B, no tempo comum, vamos ouvindo, de forma continuada, o evangelista S. Marcos. No Domingo passado ouvimos o relato de Jesus que chama os discípulos para um lugar isolado para descansarem um pouco, mas quando desembarcam Jesus depara-se com uma grande multidão e cheio de compaixão começa a ensiná-los demoradamente. As horas foram passando e os discípulos, bem como Jesus, dão-se conta de que as pessoas vão começar a ter fome e não há por ali nada que comer. Mas esta parte já não a ouvimos em S. Marcos, pois a Liturgia da Igreja, de repente, interrompe a leitura do Evangelho deste evangelista para nos dar a ler todo o capítulo VI de S. João que nos fala não só do milagre da multiplicação dos pães como faz S. Marcos, mas acrescenta um longo discurso de Jesus sobre o Pão da Vida sublinhando assim que este discurso forma um todo com o milagre da multiplicação dos pães.

“Seguia-o numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes.”

Seguem-no, pois vêm vidas transformadas. Podem ainda ser um bocado interesseiras, mas no princípio é sempre assim. Jesus conhece as necessidades das pessoas e compadece-se delas curando-as e dando-lhes alimento espiritual, através da Sua Palavra, e depois também o alimento corporal.

“Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa dos judeus.”

Junto ao lago da galileia, um monte, só pode ser simbólico, como acontece muitas vezes quando se diz que subiu a um monte para chamar os discípulos, para proclamar a lei nova das bem-aventuranças etc. Aqui subir a um monte para multiplicar os pães, sem dúvida que S. João nos quer fazer entender que chegou a hora do banquete messiânico anunciado pelo profeta Isaías: «No Monte Sião, o Senhor do universo prepara para todos os povos um banquete de carnes gordas, acompanhadas de vinhos velhos, carnes gordas e saborosas, vinhos velhos e bem tratados” (Is 25, 6) A esta multidão faminta do festim de Deus, Jesus vai oferecer o sinal de que esse dia tão esperado já chegou e é agora, pois é Ele que toma a iniciativa dizendo a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?» E S. João acrescenta: “Ele bem sabia o que ia fazer”, como se isso já fizesse parte do seu plano de revelação. S. João diz-nos ainda que estava próxima a Páscoa dos Judeus. E se ele diz isso, é porque está aqui um elemento importante do relato da multiplicação dos pães. Nos próximos domingos em que iremos ouvir o discurso do pão da vida, perceberemos até que ponto o Mistério Pascal de Jesus está subjacente a todo este discurso de Jesus sobre o pão da vida.

«Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?». Jesus respondeu: «Mandai-os sentar» (…) Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram.»

Jesus quer revelar-nos o rosto de Deus através do seu Filho alimentando a multidão. Mas não o pode fazer sem a participação das pessoas pois Ele quis tornar-nos com eles construtores do mundo e da história. Ele tem necessidade de cada um de nós por mais pequena que essa participação possa ou pareça ser. Jesus não faz o milagre a partir do nada: «Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Deus não se substitui a nós. Confiou-nos a tarefa de fazer crescer e multiplicar os seus próprios dons, (os talentos que deu a cada um) que se tornam assim dons dos homens. A pessoa reconhece os seus limites humanos ao mesmo tempo que fica admirado com a grandeza desta «colaboração» do seu trabalho unido à obra de Deus.

Quando aceitamos colaborar com Ele, associando-nos a outros, podemos mudar o mundo. O que seria das nossa Unidade Pastoral sem tanta gente que aceitou servir no anúncio do Evangelho no percurso Alpha, na catequese, nas células, na Liturgia na ação sócio caritativa. Em todos estes setores há vidas transformadas pela colaboração de tantos irmãos! O mundo poderia ser muito melhor se cada irmão estivesse pronto a dar os seus pães de cevada e os seus poucos peixes. Mas acreditamos nós na matemática de Deus? Isto é, quando damos ficamos com mais? E quando não damos ficamos com menos? Que Deus nos dê fé e confiança no seu poder, na sua bondade e generosidade.

Folha Paroquial nº 181 *Ano IV* 18.07.2021 — DOMINGO XVI DO TEMPO COMUM

O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

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“EVANGELHO ( Mc 6, 30-34 )
Naquele tempo, os Apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Então Jesus disse-lhes: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer. Partiram, então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém. Vendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam; e, de todas as cidades, acorreram a pé para aquele lugar e chegaram lá primeiro que eles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.”

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Pastores para reunir, fortalecer e orientar

Jesus é o pastor que se compadece das ovelhas que andam dispersas, cansadas e desorientadas, mas é também o mestre que as forma e ensina. O texto diz-nos que os Apóstolos, depois do seu envio missionário por Jesus, voltaram e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Era como se quisessem ser confirmados de que o que tinham ensinado estava conforme àquilo que Ele lhes ensinou a eles. Jesus forma discípulos para que eles se tornem apóstolos, mestres, evangelistas e pastores. Mas só serão bons apóstolos, mestres, evangelistas e pastores se aprenderem a ser bons discípulos.

O que é um discípulo de Jesus? É aquele que encontrou Jesus pessoalmente, no seio da Igreja, que lhe entregou a sua vida, que tomou a decisão de viver segundo o Seu ensino, em todos os aspetos da vida. Um discípulo está, intencional e ativamente, comprometido com um processo contínuo de aprendizagem de Jesus e, inflamado com este encontro, partilha o Seu Caminho, Verdade e Vida com os outros. Podemos perguntar-nos: “Já tomei a decisão de viver segundo o ensino de Jesus em todos os aspetos da minha vida e não só nalguns que me são mais fáceis aceitar? Estou intencionalmente comprometido com um processo de aprendizagem de Jesus?

Feliz a comunidade cristã onde crescem o número de discípulos intencionais! isto é, daqueles que ativamente decidem entrar neste processo de seguimento do Mestre. Como diz Sherry Weddell num célebre livro chamado “Formar discípulos intencionalmente, «A presença de um número significativo de discípulos muda tudo: o tom espiritual da paróquia, o nível de energia, atendimento, objetivos, o que os paroquianos pedem aos seus líderes. Discípulos rezam com paixão. Discípulos adoram. Discípulos dão com generosidade. Discípulos amam a Igreja e servem-na com generosidade e alegria. Discípulos têm fome de aprender mais sobre a sua fé. Discípulos enchem todas as formações na paróquia ou na Diocese. Discípulos manifestam carismas e discernem vocações. Eles pedem para discernir o chamamento de Deus porque anseiam vivê-lo. Discípulos evangelizam porque realmente têm boas notícias para partilhar. Discípulos partilham a sua fé com os seus filhos. Discípulos cuidam dos pobres e preocupam-se com os assuntos da justiça. Discípulos assumem os riscos do Reino de Deus.».( Forming Intentional Disciples, Sherry A. Weddell, P. 80-81), edição em inglês)

Quando temos discípulos, começamos a ter pastores ou líderes. A palavra líder constrange algumas pessoas que dizem: “Eu não sou, nem quero ser líder de coisa nenhuma porque colocam na palavra um peso de autoridade e comando que ela não tem. Estou a pensar numa paroquiana que sempre disse que não tinha jeito nenhum para liderar nada, mas aceitou ficar com o serviço de coordenação da adoração eucarística e telefona às pessoas ou manda mensagens e conversa com este e com aquele tentando influenciar para que seja adorador. Fá-lo tão discretamente que é capaz de ver o que faz como um serviço humilde, mas não como uma ação de liderança. Mas o que faz é liderança humilde pois o bom líder é humilde, como Jesus, não se impõe, mas lidera pelo exemplo e pelo testemunho. O líder é alguém que outros estão dispostos a seguir porque confiam nele. Um dia em Fontainebleu, França, num encontro de formação de células fiquei numa que era constituída por advogados, um médico, 2 professores e um investigador dos que me lembro. Sabem quem era a responsável? Uma portuguesa chamada Maria Rosa que era senhora de limpeza. E o pároco disse-me: Eles não querem mudar para outra célula. A Maria é uma excelente líder que pelo seu exemplo os toca, os motiva e os influencia a tornarem-se discípulos-missionários. Quando nos tornamos discípulos, Jesus serve-se de nós e capacita-nos com os seus dons.

No texto de hoje, Jesus convida os Doze depois do seu trabalho missionário, a descansarem um pouco e a terem um momento de partilha daquilo que viveram sem Ele estar presente. Jesus faz o seguinte convite: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». Faço aqui um parêntesis para dizer que agora em tempo de férias podemos acolher o convite de Jesus a descansar um pouco para nos revitalizarmos a nível de todo o nosso ser. Muitas vezes, porém, vamos sozinhos para descansar e não ouvimos o «vinde comigo». Muita gente cristã faz férias sem Deus ou férias pagãs onde apenas há tempo para descansar o corpo se é que não se fica ainda mais cansado. Aqueles que já decidiram intencionalmente ser discípulos que ouçam bem o convite de Jesus, «Vinde comigo descansar».

A segunda leitura, diz que Jesus pela sua cruz. derrubou o muro da inimizade que separava judeus e gregos fazendo deles um só povo. Ao longo da história da humanidade foram-se criando muitos muros de divisão entre os homens: Muros a separar homens e mulheres, escravos e homens livres, pretos e brancos, diferentes religiões, e por aí fora. Pela cruz, Jesus construiu uma ponte de reconciliação de todos os homens com Deus fazendo de todos , um só povo, onde todos são irmãos e se podem aproximar do mesmo Pai num só Espírito. E nós? Somos construtores de muros ou pontes?

Às vezes causa tristeza os muros que algumas pessoas criam dentro da mesma Unidade Pastoral entre as paróquias de S. João Baptista e de S. José. No princípio parecia que o muro era construído só de um lado, mas depois foi-se percebendo que cada lado construía o seu. Mas Deus e a Igreja convidam-nos a um trabalho comum e a criar pontes de grande colaboração. Aos discípulos-missionários o que interessa é a fecundidade e o crescimento da missão. Foi por causa da missão evangelizadora que se construíram as duas paróquias e é por causa da mesma missão que agora são chamadas a trabalharem em Unidade pastoral. Não gastemos as nossas energias em contruir muros, mas em construir pontes de união e de comunhão como o Mestre nos manda. Já temos uma só Equipa de Animação Pastoral, passaremos a ter um único Conselho Pastoral da Unidade pastoral, já é frequente vermos pessoas nas atividades diversas feitas num lado e noutro e a maior parte das pessoas já ultrapassou isso ou nunca teve esse problema. Quanto mais unidos mais fortes na missão.

Folha Paroquial nº 180 *Ano IV* 11.07.2021 — DOMINGO XV DO TEMPO COMUM

Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor
e dai-nos a vossa salvação.

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“EVANGELHO (Mc 6, 7-13)

Naquele tempo, Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles». Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos.”

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Instituição e carisma, dois opostos?

Igreja de Cristo tem uma parte visível e outra invisível. Uma parte humana e organizada hierarquicamente e, outra parte espiritual. Porém não são duas entidades, são a mesma Igreja de Cristo que no credo confessamos una, santa, católica e apostólica. Toda a Igreja nasceu e continua a gerar-se pelo Espírito que a renova constantemente, por isso também a parte institucional ou hierárquica da Igreja também é, na sua génese, carismática já que a estrutura base e duradoura da instituição funda-se no sacramento da Ordem que é um dom, uma efusão do Espírito Santo. Mas a tentação tem sido grande ao longo da história de deixar adormecer o dom e ficar demasiado institucional quer dizer, copiando as outras instituições humanas de poder em vez de serviço. Quando isso acontece precisam de vir os profetas carismáticos sacudir a Igreja para que ela volte de novo à graça, ao dom, à força criativa com que nasceu.

Hoje na primeira leitura, o carismático profeta Amós é expulso de Betel porque aquele é o santuário institucional do rei, nada de ousadias carismáticas que ponham em causa o status quo. É preciso deixar que o santuário real continue a viver a tradição anquilosada, sem vida, petrificada, até que morra por falta de sentido. Ao longo da história da Igreja houve sempre muitos Amós que tentaram trazer de novo a Igreja ao carisma do princípio. S. Francisco de Assis foi uma dessas personagens carismáticas que pela sua vida mostrou o evangelho na sua pureza.

O evangelho de hoje mostra-nos essa fonte inesgotável de vida que Jesus deu à sua Igreja para que ela o comunicasse ao mundo: Disse-lhes que partissem confiados no poder de Deus e não nos bens nem na sabedoria intelectual de cada um. Uma coisa devia ser certa para eles sendo a fonte da sua segurança. Saber que tinham consigo o poder de Jesus para curar, para expulsar os demónios arrancando do caos os que por fraqueza tinham caído nele. E eles partiram e experimentaram que isso era verdade. O poder de Jesus estava com eles.

S. Paulo vai fazer isto, mais tarde, quando implanta as novas igrejas: Diz ele : “Quando fui ter convosco, irmãos, não me apresentei com sublimidade de linguagem ou de sabedoria a anunciar-vos o mistério de Deus.(…) A minha palavra e a minha pregação não se basearam na linguagem convincente da sabedoria humana, mas na poderosa manifestação do Espírito Santo, para que a vossa fé não se fundasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus.( 1Cor2,1-5)

Como anunciar hoje a novidade do Evangelho a um mundo que acha que a Igreja é do passado, envelhecida e não traz novidade nenhuma? É que durante demasiado tempo refugiámo-nos na instituição, cristalizámos o evangelho, a liturgia e tudo o mais, em vez de nos mantermos sempre abertos à novidade do Espírito Santo. Fomos uma espécie de santuário real de Betel onde os que ousassem apelar á novidade de Deus eram expulsos.

Hoje uma comunidade cristã que quer ser significativa, deve encher-se do Espírito Santo. Deve pedi-lo continuamente em comunidade, orando uns pelos outros, e aceitar os dons que Ele lhes dá para a missão. E a comunidade recebe de Deus o dom de curar, de expulsar o mal, de tirar do caos aqueles que se sentem a viver nele recuperando a harmonia de uma vida renascida com Deus. O Espírito Santo faz-nos sair da caixa, ser ousados, criativos, tentar caminhos novos. Dá-nos sonhos e visões do futuro que nos enchem de esperança e nos entusiasmam. Dá-nos novas línguas para o louvor de Deus por manifestar o seu poder entre os crentes. Sonho com uma Comunidade significativa que louva a Deus e adora porque vê todos os dias a sua ação. Sonho com uma comunidade mais ousada a sair de si para e ir ao encontro dos outros para lhes levar a esperança e a paz. Precisamos de criar grupos que saiam ao encontro dos pobres, (já há alguns), ao encontro dos doentes para orar por eles transmitir-lhes confiança e esperança, e ao encontro dos que não conhecem a Deus para escutar as suas dúvidas, interrogações e frustrações e lhes anunciar que Deus os ama. Aquilo de bom que já se faz é um prenúncio do que poderia ser melhor se formos mais ousados. Que O Espírito Santo não se canse de nos desinstalar e de nos empurrar para a frente.

Na paróquia de S. João Baptista são várias dezenas de famílias que estão a receber uma refeição quente que lhes s é levada pela Caritas paroquial. E há um paroquiano que, sozinho, oferece uma refeição a todas as famílias por semana. Deus quando nos toca, leva-nos a ser generosos, dando-nos e colocando os nossos bens e as nossas pessoas ao serviço dos outros. Há tanta coisa bela e significativa que Deus tem feito no meio de nós! Quantas vidas transformadas pelo encontro com Ele! quanta esperança renascida nos corações daqueles que andavam de coração vazio! quantas relações restauradas na família! Bendito seja Deus pela sua fidelidade e pelo seu amor para connosco.

Folha Paroquial nº 179 *Ano IV* 04.07.2021 — DOMINGO XIV DO TEMPO COMUM

Os nossos olhos estão postos no Senhor,
até que Se compadeça de nós.

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“EVANGELHO (Mc 6, 1-6)

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se à sua terra, e os discípulos acompanharam-n’O. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos? Não é Ele o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as suas irmãs aqui entre nós?». E ficavam perplexos a seu respeito. Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa». E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

NÃO PODIA FAZER ALI QUALQUER MILAGRE

A narração do evangelho, hoje escutado, vem no seguimento direto da narração dos milagres proclamados no Domingo passado, em que Jesus ergue da morte a filha de Jairo, uma menina de doze anos, e cura a mulher com um fluxo de sangue que já tinha gastado todo o seu dinheiro nos médicos e nada tinha conseguido. Esta, não podendo chegar à fala com Jesus, toca-lhe no manto, pensando que isso será suficiente para ser curada. E foi-o imediatamente. Ao terminar a jornada, Jesus devia estar contente e até, como noutras ocasiões aconteceu, a exultar de alegria sob a ação do Espírito Santo pelo desígnio do Pai de revelar aos pequeninos o mistério do seu amor salvífico. Mas a vida missionária de Jesus também teve reveses, insucessos e tristezas. Hoje, o evangelho fala-nos de um desses dias nada feliz.

Jesus partiu dali para a sua terra, Nazaré, e entrou na Sinagoga, pondo-se a ensinar. S. Marcos não nos diz o conteúdo do ensino, ao contrário de Lucas que nos informa que Ele pegou no rolo do livro do profeta Isaías e leu a passagem em que estava escrito: “O Espírito de Deus está sobre mim porque Ele me ungiu e me enviou…”, e depois termina dizendo: «Esta passagem da Escritura cumpriu-se hoje.» A sabedoria com que Jesus fala deixa toda a gente da sua terra espantada. Era imbatível. Mas uma pergunta se levanta: – Donde Lhe vem esta sabedoria e a capacidade de realizar maravilhas? Não O conhecemos nós de ginjeira? Não é Ele o Filho de Maria? – pergunta anormal no tempo de Jesus, pois um filho nunca era conhecido pelo nome da mãe, mas do pai – S. Marcos, ao escrever “Filho de Maria”, quer fazer referência ao seu nascimento virginal, isto é, ao facto de Ele ter sido gerado pelo poder do Espírito Santo.

O núcleo da mensagem do texto está, porém, na incredulidade dos seus conterrâneos, mostrando-nos o contraste com os milagres feitos anteriormente com a filha de Jairo e a mulher com fluxo de sangue e, agora, não conseguir ali fazer nenhum milagre. “Estava admirado com a falta de fé daquela gente.”

Esta passagem contém um tema sempre presente no evangelho de S. Marcos: Quem é Jesus? Qual a sua profunda identidade? Os seus conterrâneos e parentes, em Nazaré, podem conhecer o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago e de José, de Judas e Simão e de todo o outro parentesco, mas não conhecem Jesus, o Filho de Deus. Ontem, como hoje, muitos podem dizer muita coisa acerca de Jesus, mas só pela fé poderemos ser capazes de chegar à identidade profunda de Jesus que Pedro dirá em nome de todos quando Jesus lhes pergunta: «E vós, quem dizeis que eu sou?» – «Tu és o Messias, o Filho de Deus». Jesus dirá, então, que afirmar aquilo não lhe vem das suas faculdades naturais (da carne e do sangue) mas da revelação do Pai que está nos céus.

Nesta recusa dos conterrâneos de Jesus em abrir-se à fé, S. Marcos prenuncia já a rejeição que o seu povo fará de Jesus, mas reflete também e tenta explicar a situação da comunidade para a qual escreve. Enquanto muitos dos primeiros cristãos eram judeus, o crescimento e florescimento do cristianismo deu-se entre os povos pagãos que aceitaram Jesus. A comunidade de Marcos era constituída maioritariamente por gente vinda do paganismo, que vinha fazendo a experiência da perseguição. S. Marcos, mostrando que o próprio Jesus foi rejeitado, tenta consolar e fortalecer os seus primeiros leitores. Mas, através desta palavra, o Espírito que a inspirou prepara-nos também a nós, evangelizadores de hoje, a que aceitemos estas possíveis consequências de ser discípulos de Jesus, isto é, estarmos preparados para a rejeição, para a recusa em acreditar, para corações que se fecham.

Na nossa vida, como na de Jesus, há dias felizes em que vemos a ação da graça de Deus e da semente da palavra a produzir abundante fruto nos corações e, outros dias muito áridos, em que «ficamos admirados com a falta de fé daquela gente».

Mas porque é que Jesus não conseguiu ali fazer milagres? Sendo esta obra do poder de Deus, supõe a nossa colaboração, a nossa fé. «Foi a tua fé que te salvou», diz Jesus muitas vezes. Ali, ao contrário, os seus conterrâneos não eram capazes de ver em Jesus mais do que o seu vizinho, igual a eles em tudo, mas que aparecia com uma sabedoria maior e que os tornava até invejosos por pretender ser maior do que eles. Sem fé e confiança em Deus, não podemos ver a sua glória na nossa vida. Nós é que possibilitamos a graça de Deus quando nos dirigimos a Ele cheios de humidade e confiança. Se não esperamos nada de Jesus porque não acreditamos no seu poder, não receberemos nada.
Jesus disse um dia a Marta, irmã de Lázaro: «Se tu crês, verás a glória de Deus.» Que Ele dê a cada um de nós esta fé viva no seu poder divino que lhe permita fazer em nós todas as maravilhas do seu amor.

Carta de Missão – Rui e Francisca

Deus manifestou o seu amor por esta comunidade paroquial providenciando a que viésseis para ela enriquecendo-a com os vossos dons. A vossa presença jovem, agradável, simpática, como família comprometida na fé, sempre presente nas nossas Eucaristias e outros eventos, já em si, era um bom testemunho. Mas vós fostes muito mais além, dando o melhor de vós e dos dons que Deus vos deu ao serviço da mesma. E muitas vezes o fizestes sacrificando o vosso descanso depois de um dia de intenso trabalho.

A ti Rui, agradecemos-te o dom que és para nós de uma presença afável, serena e bondosa.

O teu talento para o design e a tua disponibilidade para servir a paróquia foi uma riqueza para nós e estamos-te todos muito agradecidos.

A ti, Francisca, com o teu ar decidido, transparente, alegre, de dizer as coisas com verdade e amor na altura certa, reconhecemos um belo dom de liderança. Agradecemos muito o exercício desse dom na célula de casais que se reúne na vossa casa e também a tua presença na catequese familiar onde és animadora de um grupo de pais. Vão-nos fazer muita falta com a vossa partida, mas ficamos contentes por poderdes ir enriquecer a Igreja para onde vão. No entanto, queremos poder continuar a contar convosco; ao Rui queremos pedir-lhe que lá onde está, continue a dar-nos os seus serviços de design, de vez em quando, porque a distância aqui tem pouca importância, à Francisca, reitero-lhe a Missão, agora de forma pública e mais oficial, de ser a responsável da divulgação das células paroquiais por todo o país em união com a missão que me foi confiada pelo Organismo internacional de ser o referente nacional das CPE. A Francisca foi a inspiradora e primeira responsável por este Fórum das CPE que hoje termina e que tem tido uma muita boa repercussão.

Obrigado por tudo o que nos deram. Vamos continuar para sempre unidos na oração e na Missão.

Que Deus vos faça missionários do seu grande amor.

P. Jorge da Silva Santos

São José, pai na Obediência

No próximo sábado, 3 de julho, às 21h30 teremos a conferência promovida pela paróquia de SJosé e que neste dia versará sobre a dimensão da obediência – S. José não diz nada na Bíblia, mas está sempre a agir para obedecer às inspirações de Deus. O orador será o Pe Dário Pedroso, sj.

A conferência decorrerá presencialmente, para quem quiser e puder estar presente, no Salão Paroquial de São José, e será transmitida em direto no canal Youtube da nossa Unidade Pastoral e nas nossas páginas Facebook. O link para a transmissão Youtube estará em breve divulgado nos sites e na nossa http://linktr.ee/sjbaptista

Folha Paroquial nº 178 *Ano IV* 27.06.2021 — DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM

Louvar-vos-ei, Senhor, porque me salvastes.

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“EVANGELHO (Mc 5, 21-43)

Naquele tempo, depois de Jesus ter atravessado de barco para a outra margem do lago, reuniu-se uma grande multidão à sua volta, e Ele deteve-se à beira-mar. Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, caiu a seus pés e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva». Jesus foi com ele, seguido por grande multidão, que O apertava de todos os lados. Ora, certa mulher que tinha um fluxo de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de vários médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado, antes piorava cada vez mais, tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-Lhe por detrás no manto, dizendo consigo: «Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada». No mesmo instante estancou o fluxo de sangue e sentiu no seu corpo que estava curada da doença. Jesus notou logo que saíra uma força de Si mesmo. Voltou-Se para a multidão e perguntou: «Quem tocou nas minhas vestes?». Os discípulos responderam-Lhe: «Vês a multidão que Te aperta e perguntas: ‘Quem Me tocou?’». Mas Jesus olhou em volta, para ver quem O tinha tocado. A mulher, assustada e a tremer, por saber o que lhe tinha acontecido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe a verdade. Jesus respondeu-lhe: «Minha filha, a tua fé te salvou». Ainda Ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?». Mas Jesus, ouvindo estas palavras, disse ao chefe da sinagoga: «Não temas; basta que tenhas fé». E não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. Quando chegaram a casa do chefe da sinagoga, Jesus encontrou grande alvoroço, com gente que chorava e gritava. Ao entrar, perguntou-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu; está a dormir». Riram-se d’Ele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, levando consigo apenas o pai da menina e os que vinham com Ele, entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: «Talita Kum», que significa: «Menina, Eu te ordeno: Levanta-te». Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. Ficaram todos muito maravilhados. Jesus recomendou-lhes insistentemente que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

MAS RIRAM-SE DELE

Parece ser um pormenor no texto do evangelho de hoje, a afirmação «Mas riram-se dele», feita pelos que ouviram as palavras de Jesus, dizendo: «A menina não morreu, está a dormir». No entanto, é muito importante darmo-nos conta de que, à medida que a sociedade se afasta da fé cristã, as reações desta, ao testemunho dos cristãos, é «rirem-se deles». A tentação de muitos crentes, para que não se riam deles, pode ser a deriva de apresentar um cristianismo sem mistério, sem o poder da fé, limitando-o às possibilidades da inteligência humana e ao pensamento e à aceitação dos homens de hoje. S. Paulo, para evangelizar os Atenienses, também preparou um discurso cheio de sabedoria humana no Areópago de Atenas, mas os resultados foram quase nulos. Por isso, quando escreve aos Coríntios, diz-lhes: “Eu mesmo, quando fui ter convosco, irmãos, não me apresentei com o prestígio da linguagem ou da sabedoria, para vos anunciar o mistério de Deus. Julguei não dever saber outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. Estive no meio de vós cheio de fraqueza, de receio e de grande temor. A minha palavra e a minha pregação nada tinham dos argumentos persuasivos da sabedoria humana, mas eram uma demonstração do poder do Espírito, para que a vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.”

D. Pigi, o fundador das Células Paroquiais de Evangelização, em Itália, testemunhou que, antes da sua conversão, se refugiava em homilias intelectuais, muito bem preparadas, mas que não convertiam ninguém. Não eram um anúncio do poder de Deus, mas uma rendição ao mundo para ter aceitação deste. Não nos admiremos, pois, que se riam de nós, quando falamos do mistério de Deus, mas anunciemo-lo com ousadia.

A 1ª leitura de hoje, diz-nos que não foi Deus quem fez a morte e que tudo quanto Ele criou destina-se ao bem. O desígnio de Deus para com o mundo e a humanidade é de amor e de vida, e não de mal. No relato da criação, vai sendo dito repetidamente: «E Deus viu que era bom….».

Como diz a revelação cristã, foi o pecado que espalhou o caos sobre a terra e introduziu a inveja e o mal com todas as suas consequências. Como diz o Papa Francisco, na encíclica Laudato si, sobre a ecologia, “o pecado, rompendo a relação do homem com Deus, rompe também a relação dos homens entre si e a relação destes com a terra em que habitam. Mas Deus não abandona o homem e em Jesus Cristo vem salvá-lo, reconciliando-o novamente com Deus pela sua morte na cruz. Aqueles que aceitam Cristo, pela fé, experimentam esta harmonia com Deus, com os outros e com a natureza.” Na Evangelii Gaudium ele tinha escrito: “Aqueles que se deixam encontrar por Cristo são salvos do pecado, da tristeza e do vazio interior.” Cristo cura salvando e salva curando.

As curas físicas realizadas por Deus, ontem e hoje, são sinal de uma cura maior que Deus veio realizar no homem, restaurando-o no seu ser de filho de Deus. Por isso, Jesus diz à mulher que perdia sangue: «A tua fé te salvou. Vai em paz e fica curada do teu mal». Ela foi muito mais do que curada. A cura podia atingir só o seu corpo, mas, ao abrir o coração pela fé a Jesus, recebeu muito mais que uma cura física, tendo sido curada no seu coração. Encontrou o sentido da sua vida. Nasceu de novo.

A cena que nos apresenta S. Marcos é comovente. A única coisa que nos é dito desta mulher é que tem uma doença secreta, tipicamente feminina, que a impede de viver de maneira sã a sua vida de mulher, esposa e mãe. Sofre muito, física e moralmente. Quantas mulheres (e homens) não sofrem física e moralmente situações que estão no segredo da sua consciência e não são capazes de contar a ninguém?! Esta já tinha ido aos médicos, mas não tinham conseguido curá-la. Mas esta mulher não desiste de procurar. Ninguém a ajuda a acercar-se de Jesus, mas ela saberá encontrar-se com Ele. Jesus responderá ao seu desejo de uma vida sã e salva. Naquele toque delicado no manto de Jesus, ela manifesta toda a confiança e esperança que tem nele. No fundo, S. Marcos apresenta esta mulher desconhecida como modelo de fé para as comunidades cristãs. Dela poderão aprender como encontrar nele a força para iniciar uma vida nova cheia de paz e saúde.

Hoje, em S. João Baptista, estão presentes na missa das 11h00 algumas dezenas de pessoas que participaram no Fórum das Células Paroquiais de Evangelização. As células têm como objetivo levar às pessoas Jesus Cristo, para que cada homem e mulher seja curado e salvo pelo encontro com Ele. E, sempre que isto acontece, temos um homem e uma mulher novos. Como ouvíamos Paulo, no Domingo passado: “Quem está em Cristo é uma nova criatura. O que era velho passou. Tudo foi renovado.”

Precisamos de apontar às mulheres e homens do nosso tempo, pois todos temos feridas, o único que salva, Jesus Cristo. Indicar o caminho para Ele. É que há tantas que, enganosamente, procuram a salvação em reikis, em espiritismo, em esoterismos de toda a espécie! Por esses caminhos nunca experimentarão a voz suave a dizer-lhes: «Minha filha, a tua fé te salvou.». Compete-nos a nós dá-Lo a conhecer, pois muitos já o não sabem.

Pe Jorge entrega Cartas de Missão

Começamos no passado Domingo, na pessoa do nosso pároco – o Pe Jorge Santos – a entregar cartas de missão nas quais se procura reconhecer o trabalho que tantos e tantos irmãos vão dedicando ao Senhor através das nossas paróquias.

Foi, como poderá calcular, um momento muito emocionante com muitas palmas de reconhecimento e de amizade e até bastantes lágrimas…

Partilhamo-las aqui, uma vez que foram lidas publicamente. Para já, são cinco. Com a enorme quantidade de irmãos que graças a Deus se dedicam de alma e coração ao serviço da paróquia, a coisa parece estar para durar…

Jacira Ascensão
Jacira, os teus irmãos da comunidade reconhecem em ti o dom de compaixão e do serviço zeloso pelos pobres. Confiamos-te, pois juntamente com outros irmãos o cuidado de dar novo incremento à Caritas Paroquial chamando outros irmãos para este serviço de amor aos mais pobres e organizando-o. Não vos esqueçais das pessoas isoladas e sós, dos doentes e daqueles a quem falta o básico para viver. Não estejais à espera que eles venham ter connosco, mas procurai estar em saída e ir vós ao seu encontro levando-lhes esperança, coragem e ajuda. O serviço dos pobres é uma responsabilidade de toda a comunidade e vós fazei-lo em nome de todos, por isso contai connosco quando tiverdes necessidades especiais.

Agradecemos também o teu zelo pelos espaços envolventes da nossa pobre Igreja mas que cuidas tão bem para termos sempre flores e um jardim cuidado. Que Deus te dê a alegria no seu santo serviço e que um dia, sentada à mesa do reino Ele passe junto de ti para te servir como Ele prometeu.

Ana Dioniz
O Senhor passou um dia pela tua vida e salvou-te, enchendo-te de luz e de vida. Os teus irmãos reconhecem em ti o dom do louvor agradecido a Deus, o dom da adoração, da compaixão e evangelização. Além disso Deus tem-te dado um dom de encorajamento de muitos irmãos na comunidade.

Confiamos-te o cuidado pelo grupo de oração participando ativamente na equipa animadora para que esse grupo seja escola de oração e de louvor onde se experimente o eterno amor de Deus e a descoberta dos carismas. Confiamos-te ainda a liderança de uma célula paroquial de evangelização para ajudares os seus membros a crescerem como discípulos do Senhor. E que Deus esteja contigo e te continue a cumular dos seus dons.

Ana Faustino
Os irmãos da Comunidade reconhecem que o Senhor te deu um dom artístico para ornamentares a sua Casa e o altar onde se celebra o Santo sacrifício da missa. Os teus irmãos ficam tocados pela beleza dos arranjos que estão sempre de acordo com a Liturgia que se celebra em cada Domingo. Cremos que os arranjos florais litúrgicos são uma arte que ajuda a entrar no mistério celebrado e a ficar com uma imagem gravada na alma. Agradecemos a Deus os talentos que te deu para este serviço litúrgico e confiamos-te a Missão de formar um pequeno grupo de pessoas que queira aprender contigo algumas bases deste serviço. Desejamos que deste grupo saia gente formada para ensinar outros e que um dia se possam fazer aqui cursos para o exterior da paróquia sobre arranjos florais litúrgicos. Esta é a principal Missão que te confiamos na paróquia e te pedimos que a abraces com fé e entusiasmo. Sê uma jardineira do REI. E que Deus esteja contigo.

Manuela Afonso
O Senhor deu-te um dom de serviço aos irmãos no acolhimento da secretaria que fazes tão bem e com tanta dedicação. Aberta ao sopro do Espírito, Ele te tem dado sempre inspirações de coisas novas a propor à paróquia: Impulsionaste o grupo sócio-caritativo, fundaste o atellier do tempo e do saber e, com outras irmãs abriste a loja no Atrium solum que é uma presença evangelizadora da paróquia. Com isso, ainda arranjais recursos financeiros para a construção do Centro Pastoral. Podíamos falar ainda do almoço anual e da gala no convento de S. Francisco. Além disso, o teu desejo de ficares na sombra revela bem o sentido evangélico com que fazes as coisas. A Comunidade está-te muito grata bem como a todos os irmãos que trabalham contigo.

A nossa carta de missão não te dá um serviço novo mas pretende dar força ao que já fazes tão bem e pedir-te que continue aberta às inspirações divinas propondo sempre meios novos para ajudar as pessoas, e a paróquia. Que Deus te dê a alegria no seu santo serviço.

António Relvão
António Relvão, o Senhor deu-te o dom de uma fé viva no seu poder e fez-te saborear o seu eterno amor. Desde que te conheço vi sempre em ti um homem de uma fé pura, de um grande amor à Igreja e de uma humildade ao jeito de Jesus. Nunca regateaste o teu tempo para servires a Igreja e puseste à sua disposição todo o teu saber. Na comissão para a construção do Centro Pastoral tens sido uma ajuda inestimável com os teus conhecimentos técnicos de engenharia civil e de experiência acumulada de tantos anos nesta área. Serviste no percurso Alpha e depois nas células e em tudo pões a mesma paixão pelo anúncio do Reino.

Queremos agradecer a Deus o dom do teu testemunho de homem de fé e de amor à Igreja e pedir-te que não te canses de continuar a testemunhar o seu amor e a chamar outros para conhecerem a Cristo mesmo quando às vezes não temos sucesso na resposta. Deus fará com que todos os teus esforços sejam muito fecundos na hora que Ele quiser.

Que Ele te encha sempre da alegria do seu Espírito.

Células paroquiais de evangelização

Recordamos ainda esta vez que está a decorrer um Fórum das células paroquiais de evangelização a partir da nossa Unidade pastoral para todo o país: estiveram inscritas 170 pessoas. Se alguém ainda quiser ter acesso às sessões gravadas, pode pedir o acesso ao link do vídeo. “Crescer e renovar paróquias” – As sessões online, pelas 21h30, foram as que estão no nosso site.

Todas são abertas à comunidade, apenas sendo necessário registo ( https://forms.gle/BxAeGmZw5tsrqgiF6 ) para receberem o link.

Cultura do Convite – Sandra Ventura

O meu Percurso Alpha começou no meio de uma conversa de amigas. A Celina e eu somos amigas há muitos anos e de vez em quando combinamos um café para pôr a conversa em dia.

A Celina estava a frequentar o Alpha e explicou-me no que consistia e eu fiquei interessada – quando surgiu este Percurso ela deu logo o meu contacto.

Fui católica praticante (não sei se este é o termo mais correcto) até aos meus 20 anos. Ia à missa todos os domingos e fiz a minha formação na catequese até ao Crisma.

Depois veio o ensino superior (longe de casa)… e fui-me afastando presencialmente… mas nunca na minha fé… casamento, filhos e depois as atividades físicas – natação de competição dos dois com treinos diários e bi-diários e provas de fim de semana completos, enfim… uma canseira com muita compensação de os ver crescer como seres humanos, com vitórias, pódios, mas também momentos de frustração e algumas lágrimas.

Mas, ao mesmo tempo, comecei a sentir um vazio por dentro, sentir que algo me faltava e foi aí que surgiu esta conversa de amigas. Nada acontece por acaso e sinto que Deus tem estado sempre presente para me mostrar o caminho. Se calhar já teria mostrado antes e eu não vi?? Não sei.

Todas as sessões tiveram como base uma questão, que num ou outro momento da minha vida já me tinha colocado. Num entanto, acho que aprendemos muito mais quando podemos trocar ideias com outras pessoas, o chamado “brainstorming”, que é isso mesmo: uma tempestade de ideias/opiniões na nossa cabeça. Gostei particularmente da sensação de poder dar a minha opinião sem me sentir julgada/ criticada, o que nos dias que correm não é fácil.

Senti também que “alarguei horizontes” no meu pensamento, a minha perspetiva, o meu conhecimento sobre estas questões. Os filmes são fantásticos e ao assistir a eles começava logo a pensar, a tomar notas sobre aspetos dos quais queria falar nas nossas conversas.

Em algumas sessões ficaram palavras por dizer, pois todas as pessoas tinham de falar. Segundo a opinião dos meus filhos “Mãe, tu falas muito” ?

Pois: e às vezes também escrevo muito…

Resta-me agradecer-vos mais uma vez por esta oportunidade de crescimento na minha fé e como pessoa.

Bem-haja a todos vós e que Deus esteja convosco.

Sandra Ventura