Arquivo da categoria Unidade Pastoral

Folha Paroquial nº 160 *Ano IV* 21.02.2021 — DOMINGO I DA QUARESMA

Todos os vossos caminhos, Senhor, são amor e verdade para os que são fiéis à vossa aliança.

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“EVANGELHO (Mc 1, 12-15)
Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Se vos perguntasse qual a imagem espontânea que ressalta à vossa mente depois de lidas as três leituras, qual seria? Depois de as ler três vezes, a imagem que se foi formando em mim foi a Primavera. Vi a vida a renascer, a água a dar vida nova, depois de ter destruído o que era velho. Vi o deserto, seco e árido, a florir depois que Jesus passou por lá e venceu o demónio, levando a esperança a crescer no seu clamor de vida: «Arrependei-vos e acreditai no evangelho.» Esta foi a frase que na quarta-feira de cinzas dissemos antes de derramar a cinza sobre as nossas cabeças, lembrando-nos a nossa fragilidade e o pó que nós somos. Mas, deste pó e cinza, pode renascer alguma vida pujante? «Meu Senhor, tu é que o sabes. Então profetiza, filho do homem, profetiza sobre estes ossos e diz-lhes: Ossos ressequidos (…) Eis que vou introduzir em vós o sopro da vida para que revivais (…) Então, Profetizei como me era ordenado e, imediatamente, o espírito penetrou neles. Retomando a vida, endireitaram-se sobre os pés; era um exército muito numeroso.” (Ez 37,1-14).

A cinza lembra-nos o que somos sem Deus. Mas com o sopro divino sobre estas cinzas nasce um filho de Deus, um homem novo. Esta é a esperança de cada primavera pascal que a quaresma prepara e anuncia.

O homem velho foi destruído pelas águas abundantes e mortíferas do dilúvio. Mas as mesmas águas que destruíram o que era velho permitiram que surgisse a humanidade nova. E S. Paulo explica-nos na segunda leitura: Esta água é figura do batismo que agora vos salva.» Nós já fomos batizados e salvos, mas como o povo de Israel, por causa da nossa fragilidade, somos tentados a Voltar “às cebolas do Egipto”, isto é, ao homem velho, a viver segundo as inclinações do nosso coração. A quaresma, que foi sempre na Tradição antiga do catecumenado, o tempo imediato de preparação para o batismo dos adultos, tornou-se, para nós já batizados, o tempo da renovação da graça batismal. O tempo do renascimento espiritual. Em cada páscoa é-nos oferecida uma nova primavera a todos os que se querem levantar rejeitando continuar no inverso sem vida. Cada quarta-feira de cinzas, dá início a esse caminho fumo à primavera da vida. E começamos por confessar humildemente que somos pó da terra, mas acreditamos que podemos levantar-nos do pó e ganhar nova vida se nos abrirmos ao Espírito Santo. Não há renovação sem o Espírito Santo. Ele é o Senhor que dá vida, que faz novas todas as coisas. Por isso falar de vida que renasce, é falar do Espírito Santo. S. Paulo lembra-nos o primeiro anúncio que nos levou á fé, a saber, “Cristo morreu uma só vez pelos pecados – o Justo pelos injustos – para vos conduzir a Deus. Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito.” Também nós vamos morrendo por causa do pecado, mas podemos voltar a vida pela ação do Espírito e pela nossa decisão em voltar para o Senhor de todo o coração.

Jesus foi tentado pelo demónio com as grandes tentações com que ele tenta cegar todo o ser humano, mas Cristo escolheu sempre Deus com a força do Espírito que veio sobre Ele no seu batismo e que até o empurra para o deserto para ser fortificado pela provação. Cada quaresma pode tornar-nos mais fortes se nos deixamos conduzir pelo Espírito a renunciar ao homem velho e aderir a Deus de todo o coração. Aderir a Deus é um ato de vontade.

Para fazer qualquer caminho precisamos de exercer a nossa vontade como o filho pródigo quando se deu conta da sua situação: «Levantar-me-ei e irei ter com meu pai.» Sem esta vontade e decisão, ele continuaria sempre naquela vida miserável a guardar porcos. Às vezes a nossa vontade está tão enfraquecida por falta de exercício que nos tornamos escravos dos nossos apetites e tendências. Para sabermos escolher o Senhor com todo o coração e com toda as forças, o caminho quaresmal propõe-nos o meio do jejum e outras formas de temperança para exercitar a nossa capacidade de escolher o bem. O atleta e o desportista para ter vitórias tem de exercitar-se muito e nós para escolher a vida de Deus, também temos de nos exercitar. Mas não estamos sozinhos, O Espírito de Deus é quem nos pode ajudar a sair vencedores pois é Ele que vem sobre as nossas cinzas e nos ergue do caos em que muitas vezes nos deixamos cair. É Ele e nós, com o nosso querer e vontade.

A pandemia vai criando um rasto de deserto e desolação no nosso viver. Vamos passando pela cidade à noite e parece que o mundo acabou. Mas como será nos corações de cada um? Poderemos nós voltar a abraçar-nos? A reunir-nos na alegria e na festa numa mesa de irmãos? Este é um inverno duro que estamos a viver mas preparemo-nos já para a primavera que há-de chegar e pedimos a Deus que a apresse. Deixo-vos com um belo hino da Liturgia das Horas:

Troquemos o instante pelo eterno;
Sigamos o caminho de Jesus
A primavera vem depois do inverno;
A alegria virá depois da cruz.
Passa o tempo e, com ele, as nossas vidas
Tal como passa o bem, passa a desgraça
Passam todas as coisas conhecidas…
Só o nome de Deus é que não passa.
Farei da fé vivida cada dia,
A luz interior que me conduz
À luz de Deus, da paz e da alegria,
À luz da glória eterna à Luz da luz.

 

Folha Paroquial nº 159 *Ano IV* 14.02.2021 — DOMINGO VI DO TEMPO COMUM

Sois o meu refúgio, Senhor: dai-me a alegria da vossa salvação.

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“EVANGELHO (Mc 1, 40-45)
Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

O leproso será um homem inconformado e, por isso, criativo e corajoso ou antes um desobediente às normas estabelecidas que foram feitas para defesa da sociedade?
Como vimos na 1ª leitura, as leis para os leprosos, que vinham desde Moisés, o legislador, eram de grande exigência em confinamento. O leproso tinha de viver como um morto para a sociedade, fora do acampamento, e num grande distanciamento social. Teria de gritar ao aproximar-se alguém da comunidade: «Impuro, impuro», como quem diz: «Não te aproximes, pois está aqui um infetado perigoso»! Como estas palavras se tornaram atuais! Confinamento, isolamento profilático, infetados, manter as distâncias. Nessa altura, porém, a situação era mais dramática por falta de respostas sociais.

Apesar de todas estas proibições, não sabemos qual a estratégia usada pelo leproso, o que é certo é que ele veio ter com Jesus, prostrando-se diante dele e suplicou-lhe: Se quiseres, podes curar-me”. Imagino os discípulos a fugirem daquele encontro com medo do contágio e a censurarem Jesus por não se dar conta do perigo que está a correr. Esperavam provavelmente que Jesus dissesse algo politicamente correto: “´O que fazes aqui? Como quebraste o isolamento social? Como ousaste colocar as nossas vidas em risco?” Mas podia Jesus falar assim? Não. Não estava no seu ADN. Ele disse: “Eu não rejeitarei nenhum dos que venham a mim.” Venham como vierem! Leprosos da vida, prostitutas e prostitutos, homossexuais, casados e descasados e em união de facto, ladrões e salteadores, pois a vontade do Pai é que eu não perca nenhum dos que Ele me deu. Se vierem a mim, não os rejeitarei!» Na Igreja ainda temos de ouvir mais vezes estas palavras de Jesus, pois têm sido difíceis de pôr em prática. Temos criado uma igreja para os puros, e Jesus diz que veio não para os puros, mas para os pecadores. Mas continuemos o nosso quadro. O que os discípulos viram, provavelmente ao longe, foi Jesus a ficar perturbado interiormente pela compaixão, isto é, sentiu dentro de si, como se fosse sua, a dor imensa e terrível daquele homem. Por isso, Jesus entra também no campo do ilegal, desrespeitando a lei do distanciamento social, estendendo a mão e tocando-lhe com carinho e ternura dizendo-lhe: «Quero: fica limpo.»

Que perfume de beleza brota deste encontro entre Jesus e o leproso! Muito maior que um quadro de Picasso, de Rafael ou de Miguel Ângelo, a verdadeira beleza, está nos gestos de amor salvíficos que cada um de nós pode fazer em relação a outros. Estou certo que tem havido muita beleza em tantos gestos de médicos, enfermeiros, e tantos outros que têm dado o melhor de si mesmo para estarem próximos dos irmãos e estender-lhes a mão. Precisamos de encher o mundo desta beleza salvífica. Um sacerdote na nossa Diocese, O P. Nuno Santos, escreveu um livro com a sua tese de doutoramento intitulado: “A esperança que Jesus dá.” Ele analisa 18 encontros de Jesus e mostra como, em cada um desses encontros, Jesus faz renascer a esperança no coração daqueles com quem se encontra. Jesus é a Esperança Viva. E o leproso foi capaz de com criatividade e coragem romper as barreiras que o sepultavam na morte para se abrir à esperança que dá vida.

No final deste encontro, Jesus dá ao leproso uma ordem: Vê lá, não digas nada a ninguém mas vai mostrar-te ao sacerdote. Estava prescrito que alguém recuperado da lepra, se isso fosse possível, teria de ir ao sacerdote para ele declarar a sua cura e puder voltar ao convívio da comunidade. Mas mais uma vez o leproso desobedece. Parece que este leproso não faz nada do que lhe mandam! Talvez seja muito criativo e lhe seja difícil cumprir ordens. Mas aqui compreendemos que lhe era impossível calar-se: Como é que alguém curado da lepra, ressuscitado da morte se poderia calar? Agora é o tempo do anúncio, é o tempo da proclamação das maravilhas de Deus. Jesus irá dizer no Domingo de Ramos quando os fariseus lhe disseram para ele mandar calar os discípulos pois eles gritavam os louvores de Deus e cantavam hossanas com alegria e Jesus respondeu-lhes: «Digo-vos que, se eles se calarem, gritarão as pedras.»(Lc 19,40) O leproso não se podia calar. E quando nós nos calamos muito com receio ou vergonha de falar de Jesus é porque nos tem faltado estes encontros cheios de esperança, de vida e de salvação.

 

Folha Paroquial nº 158 *Ano IV* 07.02.2021 — DOMINGO V DO TEMPO COMUM

Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados.

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“EVANGELHO (Mc 1, 29-39)
Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era. De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram». Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.”

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

FOI PARA ISSO QUE EU VIM

1. Jesus tem sempre diante de si a razão pela qual o Pai O enviou ao mundo. Essa razão é o seu alimento, como Ele próprio disse: «O meu alimento é fazer a vontade de meu Pai e realizar a sua obra»( Jo 4,34). Para nunca se afastar dessa vontade, Ele permanece constantemente em união de coração e de vontade com o Pai. Diz-nos o texto do evangelho de hoje: «De manhã, muito cedo (..) retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar.» E os discípulos sabem onde o encontrar: a sós com o Pai. Este é o segredo da vida de Jesus, esta relação íntima com o Pai que ele mantém e aprofunda através da oração. Este deve ser também o segredo de cada discípulo de Jesus. Ele quis partilhar connosco a sua oração para que pudéssemos entrar nela no mesmo Espírito. «Quando rezardes rezai assim: Pai nosso…seja feita a vossa vontade… Temos aqui um eco da sua oração no Getsémani: «Abba Pai…que não se faça a minha vontade mas a tua”. E a vontade do Pai, aquilo para o qual foi enviado, é a salvação dos homens. «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.»

2. Toda a vida de Jesus é uma sementeira de esperança. Ele semeia o reino no coração de cada pessoa que encontra e espera que ela cresça e se torne a maior planta do jardim. Entrando em casa de Pedro, dizem-lhe que a sogra dele está doente e Ele aproxima-se dela, tomou-a pela mão e levantou-a. Num ícon oriental, sobre a ressurreição, Jesus ressuscitado estende a sua mão a Adão e Eva, representando todas pessoas do Antigo Testamento que jazem nos sepulcros e ergue-os da morte trazendo-os à vida. Que bela imagem daquilo que é a sua missão, para a qual o Pai O enviou! Arrancar-nos da morte, de todas as espécies de morte, e dar-nos a vida e a vida em abundância. Sempre que cada um de nós, prisioneiro de qualquer espécie de mal, estende para Ele as suas mãos suplicantes, Ele faz o que fez com a sogra de Pedro: aproxima-se de nós, estende a sua mão e ergue-nos da nossa situação. Foi para isso que Ele veio. Para curar, salvar, dar esperança e vida, perdoar, tirar do vazio e do caos a nossa vida e dar-lhe sentido e plenitude.

3. Jesus que partilhou connosco a sua vida, a sua intimidade e o seu Pai, partilhou connosco também a sua missão salvadora. Fundou a Igreja e encheu-a do Seu Espírito enviando-a a todas as periferias geográficas e existenciais para que todos possam conhecer a Deus, saber que são amados por Ele e experimentar a sua proximidade salvadora. Foi para isso que a Igreja foi enviada. Diz a Evangelii Nuntiandi do Papa Paulo VI no nº 14 “A Igreja sabe-o bem, ela tem consciência viva de que a palavra do Salvador, “Eu devo anunciar a Boa Nova do reino de Deus”, (34) se lhe aplica com toda a verdade. Assim, ela acrescenta de bom grado com São Paulo: “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho”.(35) Foi com alegria e reconforto que nós ouvimos, no final da grande assembleia de outubro de 1974, estas luminosas palavras: “Nós queremos confirmar, uma vez mais ainda, que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja”;(36)(…) Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar” (nº14)
As nossas paróquias, que são a igreja da proximidade das nossas casas, foi para isto que foram criadas e enviadas. E nunca podemos perder de vista esta missão e visão que está plasmada no site de cada paróquia: «somos uma comunidade orante e acolhedora, enraizada em Cristo, que serve e anuncia o evangelho para a transformação do mundo.» ( S. João Baptista) ou « Nascemos do encontro pessoal com Cristo, crescemos na comunhão com Deus e com os irmãos, formamos discípulos que evangelizam com ousadia e servem com amor”. ( S. José)

Depois de um tempo de pausa para processarmos o que nos estava a acontecer com a pandemia, voltámos ainda com mais empenho à ação evangelizadora, agora através do online. E tem-se grandemente amplificado o espaço da evangelização. Os percursos Alpha têm muito mais gente: Estes dois que agora começaram em ambas as paróquias têm mais de 200 pessoas. Terminou, com entusiasmo o Alpha de jovens, que agora se querem comprometer na evangelização de outros jovens. As células paroquiais de evangelização cresceram e são já para cima de 150 pessoas que se reúnem todas as semanas em célula fazendo crescer, saudavelmente, o corpo que é a Igreja. Esta semana deu-se início a um caminho de catequese de adultos com o Percurso de S. José. Estão cerca de 30 pessoas inscritas. Que Deus abençoe todos estes irmãos que O procuram de todo o coração. Que experimentem também este imperativo que Paulo sentia no seu coração: «Ai de mim se não evangelizar.» E este ai de mim nascia da paixão de Paulo por Cristo, do fogo que sentia no coração pela salvação dos homens. Sem esta união com Cristo a evangelização podia tornar-se numa ideologia ou num proselitismo. Por isso a necessidade que temos da adoração eucarística contínua nas nossas paróquias. Para que passemos tempo com Ele e recebamos dele a força, a compaixão por todos os homens que sofrem e desejemos levar-lhes a Boa notícia de Deus.

 

EU QUERO A MISERICÓRDIA E NÃO O SACRIFÍCIO

Nestes tempos em que, por causa da pandemia, os bispos convidam os cristãos a protegerem-se e a protegerem os outros, levados pelo bom-senso e caridade, faz alguma confusão ver alguns (poucos) cristãos em todo o país e também entre nós, «agarrados aos sacramentos” como se fosse o sábado do Antigo testamento, o que em si, é bom, mas que se tornam agressivos contra os bispos, porque estes ou os padres não os podem abandonar a eles, infelizes, que agora ficam sem sacramentos. Parecem-me os fariseus do tempo de Jesus que estão todos a olhar para Ele a ver se Ele vai curar, ao sábado, o homem de mão atrofiada. E Jesus pergunta: «Será permitido ao sábado fazer o bem ou fazer mal? Salvar a vida ou tirá-la?» Mas eles ficaram calados. E o evangelista prossegue: «Então Jesus, olhando-os com indignação e entristecido com a dureza dos seus corações, disse ao homem, “Estende a mão” e ele estendeu-a e ficou curado.» Nós podemos receber os sacramentos todos e indignarmos a Deus com a dureza dos nossos corações, como aliás nos diz o Papa Francisco na Fratelii tutti, quando nos recusamos a ver a pessoa na sua situação concreta, a amá-la, apegados como estamos «ao sábado» e esquecemos que o que Deus procura é a misericórdia e não o sacrifício (oferendas sacras). Jonas aprendeu a conhecer melhor o coração de Deus e a tornar-se mais misericordioso depois da história do rícino. Que nós todos, diante desta trágica pandemia, que está a matar tanta gente, como gesto de solidariedade e de comunhão com a humanidade, aceitemos o esforço de viver a Eucaristia, de outro modo, sem participação plena, deixando que se aprofunde em nós a sede de Deus. Não agradaremos mais a Deus oferendo-lhe este sofrimento de amor, do que ficarmos revoltados com tudo e com todos por esta contingência? Quando as convicções deixam de lado a racionalidade, passamos ao extremismo ideológico que é a caraterística dos fanatismos.

Pe. Jorge Santos

Jornadas de Formação Permanente

Estiveram alguns irmãos das nossas comunidades paroquiais a seguir online as Jornadas e pedimos a alguns deles que partilhassem por escrito como as viveram.

Pedro Matos – Fratelli Tutti

Fratelli Tutti é um alerta para que despertemos do sono que a todos embalou e adormeceu, tornando os nossos corações insensíveis e indiferentes.

Nesta encíclica o Papa, espelhando bem os sonhos que o norteiam, pede-nos empenho na defesa do direito dos mais pobres, no respeito pela riqueza e diversidade cultural de todos os povos, no cuidado por toda a criação e no acolhimento de novos, belos e únicos rostos que chegam até nós.

Desafiados a “trocar a voz, trocar o passo e a trocar a dança”, havemos de reconhecer a urgência de uma completa transformação pastoral, cultural, ecológica e sinodal. Não podemos ficar prisioneiros, obcecados por regras, usos e costumes passados, como se a Igreja fosse um Museu, negligenciando o coração daquele Pai, “cujas entranhas se contorcem” pelos filhos e filhas que todos os dias O abandonam e pelos filhos e filhas que ficam … sem ficar.

Simples e pobres peregrinos somos chamados a caminhar juntos, atentos á sorte de milhões de irmãos que são votados ao desprezo e abandono absolutos. Escutaremos a Deus, se escutarmos o que Ele escuta: “O clamor desses irmãos, caídos e abandonados á sua sorte”.

Permitamos que o Espírito de fraternidade, gratidão e gratuidade, inunde e envolva todo o nosso ser…em Abraço.

Ana Ferreira – o valor do Amor

Tive a oportunidade, no passado dia dezanove de Janeiro, de poder participar nas Jornadas de Formação Permanente da diocese de Coimbra. Já não é a primeira vez que aproveito esta oportunidade, pois é sempre um tempo privilegiado para parar, ouvir e poder reacertar de alguma forma o nosso caminho com Cristo e com todos.

O tema destas Jornadas foi “Vós sois todos irmãos (Mt 23, 8) – uma leitura da Fratelli Tutti”, a fresquinha Carta Encíclica do Papa Francisco sobre a fraternidade e a amizade social. Já há algum tempo que ia lendo, um pouco e na diagonal esta Carta e por isso sentia o desejo de mergulhar nos seus ensinamentos, daí o meu contentamento em poder fazê-lo.

Detenho-me, por breves momentos, na parte da manhã, em que fomos brindados com uma clara exposição do Dr. Juan Ambrósio acerca da Fraternidade como lugar teológico. Aqui pude refletir sobre o que é isso de lugar teológico, lugar onde me encontro com Deus e onde a Fraternidade é um verdadeiro espaço de experiência cristã. É interessante como o Papa nos convida a pensar o nosso viver, olhando a fraternidade, valor tão importante e que se reveste de uma grandeza ainda maior no contexto em que vivemos.

O papa Francisco relembra-nos o valor indestrutível do Amor. “Entre as religiões, é possível um caminho de paz. O ponto de partida deve ser o olhar de Deus. Porque «Deus não olha com os olhos, Deus olha com o coração. E o amor de Deus é o mesmo para cada pessoa, seja qual for a religião. E se é um ateu, é o mesmo amor.” (n.º 281, Fratelli Tutti) Pautemos a nossa vida realizando a dádiva de nós próprios e vivendo “materializando” o verdadeiro Amor.

O desafio de viver a fraternidade é imenso. Sinto que, por vezes, é difícil olhar para o outro e acolhê-lo na sua singularidade com respeito, compreensão e misericórdia.

É talvez um longo caminho. Somos convidados a fazer esse caminho em conjunto e com corresponsabilidade. Somos chamados a “propor uma forma de vida com sabor a Evangelho”, dizia Juan Ambrósio. O papa Francisco interpela-nos a sair da nossa zona de conforto, a escutar Deus, a olhar o outro como igual a nós, pleno de potencialidades e a propor uma vida nova, diferente com sabor a Evangelho. Todos, mesmo todos são convidados a este desafio.

Filomena Cruz – ou nos salvamos todos, ou não se salva ninguém

Este ano as jornadas diocesanas, como quase tudo na nossa vida, foram on-line. E a verdade é que esse facto permitiu-me participar sem o incómodo de sair de casa. Mas também me privou do encontro com todos, o sorriso aberto, o abraço, a troca de ideias e ideais…

E por tudo isso participei na convicção de que deste modo poderia acabar por ser enfadonho.

Enganei-me redondamente e por isso agradeço a quem me incitou a estar presente. Não irei falar de tudo pois outros o farão melhor que eu. Vou dar testemunho do que mais me encantou pela positiva que foi a Conferência, ‘o diálogo’ com Juan Ambrósio. E digo diálogo porque ele falou com tanto entusiasmo, com tanta alma, que entrou na minha casa, no meu coração; as suas palavras vibraram em mim como um despertador que me acordou para a vida e me convidou a sair do meu comodismo e ir em busca do outro.

Nunca tinha visto com tanta clareza a importância da linha condutora do pensamento do Papa Francisco nos quatro pilares de um pontificado, olhar global do que é a Igreja e do que estamos a viver.

Perceber que a encíclica Fratelli Tutti não pode pensar-se sem a visão do conjunto das outras grandes mensagens do Papa – Exortações e Encíclicas:

1. Evangelli Gaudium, uma Igreja missionária em saída estando atenta às periferias, propondo-nos uma mudança de pensamento e atitude: não pensar as periferias em relação ao centro mas pensar o centro em relação às periferias; a missão não decorre porque tem uma igreja mas a igreja existe para a missão.

2. Laudato Si, uma Igreja renovada para cuidar da casa comum, uma igreja que se saiba em transformação.

3. Querida Amazónia, onde se reúnem os dois primeiros pilares: Novos caminhos para a Igreja (EG) e para uma ecologia integral (LS)O Santo Papa pede para os padres sinodais o ‘Dom da escuta, escuta de Deus, até ouvir com Ele o grito do povo; escuta do povo, até respirar nele a vontade a que Deus nos chama.’

4. Fratelli Tutti, pensar o mundo com um sabor a evangelho: Uma única humanidade, caminhantes da mesma carne humana, como filhos desta mesma terra que nos alberga a todos, cada qual com a riqueza da sua fé ou das suas convicções, cada qual com a própria voz mas todos irmãos.

Convoca todas as religiões para a paz, todos os políticos para esta missão. Todos irmãos, cuidando da casa comum e sendo responsáveis pelo bem e desenvolvimento integral de todos e de cada um.

Onde está Abel, teu irmão? Serei eu responsável pelo meu irmão?

Cuido do outro ou passo ao lado (Bom samaritano)?Compromisso: não pensemos numa nova normalidade mas um mundo novo, renascido com todos os rostos, todas as mãos e todas as vozes, poliédrico, mudanças no coração, nos hábitos, estilo de vida:

OU NOS SALVAMOS TODOS OU NÃO SE SALVA NINGUÉM!

Grupo de Oração decorreu online

Na passada quarta feira, 20 de Janeiro, o Grupo de Oração reuniu pela primeira vez online. À hora de saída deste jornal, já terá voltado a acontecer no dia 27 de janeiro e na próxima quarta, 3 de fevereiro, cá estaremos de novo, se Deus quiser.

O link de acesso é partilhado nos sites das paróquias às 21h00. Se o quiser receber por email, inscreva-se em https://forms.gle/nryg2UzHskML5VQy5 . Por questões de segurança, para evitar o acesso por parte de intrusos, há duas formas de obter o link de acesso: por email, preenchendo o formulário http://bit.ly/38JuKjw ou acedendo a um dos nossos sites (o link será lá disponibilizado a partir das 21h00).

Começamos com o acolhimento de todos quantos estão na sala, fazemos uma oração de louvor intercalada com cânticos, ouvimos uma pregação e entregamos ao Senhor as nossas preces, enquanto O adoramos.


Mc 2, 13-17 – “Jesus saiu de novo para a beira-mar. Toda a multidão ia ao seu encontro, e Ele ensinava-os. Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me.» E, levantando-se, ele seguiu Jesus. (…) «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.»”

Como habitualmente, o Pe Francisco fez uma pregação, a partir de um excerto da Palavra de Deus. Levi representa cada um de nós nas suas fragilidades: ele cobrava impostos. Perante a interpelação de Jesus, ele abandonou o seu posto de pecado e seguiu Jesus.

Jesus detesta o pecado, incluindo o nosso; mas Jesus ama o pecador, aí incluído eu mesmo. E é isso que incomoda os poderosos, aqueles que se achavam santos: porque Jesus permanece, faz refeição, mistura-se com os pecadores.

E também temos que aprender isso com Jesus, mesmo no Grupo de Oração: quando aparece alguém novo, temos de acolher, sem julgar e sem apontar erros mas amando quem vem ter connosco.

GASC – Grupo Acção Socio Caritativo – relatório 2020

Pequeno relatório da atividade desenvolvida durante o ano de 2020 pelo GASC de SJBaptista:

– Atribuição de 117 cabazes com bens alimentares

– Ajuda financeira.

– Visitas ao domicílio

– Acompanhamento de doentes ao hospital

– Ajuda na articulação e deslocação a vários serviços

– Arranjos/ reparações em casas de habitação ( parte elétrica, persianas, portas, janelas etc.)

– Equipamento habitações ( camas, colchões, móveis diversos, recheio de casa, máquina de lavar a roupa).

– Apoio psicológico que conta com a colaboração de um psicólogo clínico e um psicoterapeuta.

– Apoio na procura de trabalho ( 2 situações com resultado positivo)

– Ajuda na procura de serviços de apoio e Instituições para colocação de uma idosa que vive sozinha ( resultado positivo)

Domingo da Partilha em SJBaptista

O último Domingo do mês é chamado, em SJBaptista, o Domingo da partilha. Nesse dia o ofertório faz-se (ou fazia-se, antes da pandemia) de forma diferente: faz-se uma procissão e cada um entrega diante do altar, dentro de um envelope e para dentro de um cesto, a sua partilha mensal.

Este ofertório mais generoso é o que sustenta a solidariedade da paróquia através do GASC, as despesas de evangelização, o salário do sacerdote e que vai acrescentando qualquer coisa à conta da construção.

A conta da construção já estaria perto dos 450.000€ há algum tempo, não foram as despesas com o Gabinete de Arquitetura e Licenças várias que sempre estão adjuntas a estes processos.

Nesta data, o saldo da conta afeta à construção do Centro Comunitário, cuja despesa deverá rondar os 700.000€, mais 100 menos 100, é de 359.454.00€ (já foram pagos 67.781.68 ao Gabinete de Arquitetura e outras despesas relacionadas com o processo de construção).

Durante o ano de 2020, a Pastoral da Partilha contribuiu com 8630.00€ para esta conta. Até à data, o Atelier do Tempo e do Saber contribui para a conta da construção com 26.015.00€.

 

Oração a São José

Embora São José nunca tenha proferido uma palavra nas Escrituras, o seu exemplo silencioso de fidelidade, obediência e cuidado com a Sagrada Família durante os anos de formação de Jesus tornou-o um dos mais queridos santos do Cristianismo.

Estima-se que a devoção ao pai adotivo de Jesus tenha começado no século III ou IV mas, de acordo com o livro de oração Pietá, há uma prece a São José que datará do ano 50.

Eis aqui a oração que “é conhecida por nunca ter falhado, que providencia o pedido para o benefício espiritual de quem está rezando ou para quem se está rezando”:

Ó São José, cuja proteção é tão grande, tão forte e tão imediata diante do trono de Deus, a vós confio todas as minhas intenções e desejos. Ajudai-me, São José, com a vossa poderosa intercessão, a obter todas as bênçãos espirituais por intercessão do vosso Filho adotivo, Jesus Cristo Nosso Senhor, de modo que, ao confiar-me, aqui na terra, ao vosso poder celestial, Vos tribute o meu agradecimento e homenagem.

Ó São José, eu nunca me canso de contemplar-Vos com Jesus adormecido nos vossos braços. Não ouso aproximar-me enquanto Ele repousa junto do vosso coração. Abraçai-O em meu nome, beijai por mim o seu delicado rosto e pedi-Lhe que me devolva esse beijo quando eu exalar o meu último suspiro.

São José, padroeiro das almas que partem, rogai por mim!

Ámen.

Início do percurso catequético S. José

Iremos também dar início a um percurso catequético a que demos o nome de S. José, por dois motivos: 1º, por estarmos no ano de S. José e queremos tê-lo presente em muitas das coisas que faremos; 2º, porque Ele foi um bom Pai afetivo e educador da fé de Jesus. A formação que deu a Jesus era fundamentalmente vivencial, vinha do exemplo, mas muitas vezes deve também ter-lhe falado das verdades da fé judaica e, juntamente com Maria, ensinou-lhes as orações do seu povo. A fé tem duas dimensões inseparáveis que em latim se dizem fides qua e fides quae. A fides qua é a parte subjetiva da fé, a experiência íntima da relação com Deus que cada um vive no segredo do seu coração. A fides quae é a parte objetiva daquilo em que acreditamos e que podemos sintetizar nos artigos do símbolo da fé, o credo. No percurso S. José pretendemos transmitir a fé nestas duas dimensões. Começará no dia 4 de fevereiro às 21: 30, e será às quintas-feiras. É aberto a todos os que quiserem aprofundar a sua fé e conhecê-la melhor também do ponto de vista da razão. Inscreva-se no nosso site para receber o link de acesso ao percurso.