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Folha Paroquial 05.12.2021 — SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO

Para Vós, Senhor, elevo a minha alma.

A folha pode ser descarregada aqui.

EVANGELHO ( Lc 21, 25-28.34-36 )
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».

 

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

VIGIAI E ORAI EM TODO O TEMPO

Novo ano litúrgico, novo caminho espiritual, nova esperança! Neste primeiro Domingo do Advento, nós começamos a reavivar o nosso desejo da vinda do Senhor. O tempo do Advento é o tempo do desejo espiritual. Este desejo deve crescer sempre mais, até ser plenamente cumulado no face a face e, então, seremos semelhantes a Ele e vê-lo-emos tal como Ele é.

Desejo de santidade, desejo da visão de Deus, desejo de permanecer n’Ele.

I. O DIA DO SENHOR

A mesma expressão aparece nas três leituras deste Domingo. Aliás, já se fazia ouvir nas últimas semanas- a palavra «Dia»: «Esse dia», diz Lucas; o «Dia da Vinda de Jesus», diz Paulo na segunda leitura; «naqueles dias», diz Jeremias na primeira leitura. Mas de que dia se trata, então?

Jeremias diz que é o dia da salvação e da justiça. O antigo Testamento, através de Jeremias, fala-nos deste dia em que a promessa do senhor se cumpre. O dia em que o Messias, nascido da linhagem de David, inaugurará um reino de direito e de justiça. É o dia da salvação esperado por Israel: um dia de paz, de justiça, um dia em que não haverá mais guerras, mais orgulho, mais egoísmo. Nesse dia, a luz será mais forte do que as trevas, a vida mais forte do que a morte. Esse dia é o Natal que celebraremos. Um dos dias do ano em que a noite é a mais longa e o dia em que acolhemos a luz do nascimento de Cristo. Nesse dia a vida aparece e triunfa na pessoa de um Deus que se faz criança e que nasce para a vida. No Natal, preparamo-nos para acolher a luz de Deus nas nossas trevas, a vida de Deus na nossa morte. Eis o dia para o qual acendemos o nosso desejo durante 4 semanas e o esperamos vigilantes na oração e nas boas obras.

II. UM DIA QUE ESPERAMOS E QUE JÁ VEIO: O DOMINGO.

Este dia já aconteceu. Deus fez-se homem. Deus conheceu a nossa vida. Deus morreu e ressuscitou. A morte foi vencida e a vida triunfou. Cada Domingo, celebramos esta vitória. Cada Domingo é «esse dia» de que nos fala o Evangelho de Lucas. Em cada Domingo devemos despertar, devemos orar, devemos comparecer de pé diante do Filho do homem que inaugura para nós o seu reino de justiça e de paz. Estamos já nesse dia e, no entanto, iremos ainda esperá-lo. Iremos ainda acender as velas da coroa de Advento para pedir à luz que brilhe no nosso mundo.

Para falar desse dia, Lucas utiliza a linguagem apocalítica, a linguagem que revela o que está escondido aos nossos olhos. Mas, o tempo do apocalipse, na Bíblia, não é o tempo do futuro, é o tempo presente, aquele que estamos a viver hoje, neste Domingo.

III. UM DIA A FAZER ACONTECER E A FAZER NASCER AOS OLHOS DO MUNDO, DIZ PAULO NA SEGUNDA LEITURA.

Este dia já veio e ainda não veio totalmente. Esse dia que celebramos em cada Domingo e que já aconteceu nós temos de o fazer acontecer no nosso mundo dando-o a conhecer a todos. Como fazer isso? Paulo diz-nos nas suas cartas: Vivendo do amor, um amor intenso e transbordante. “O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos”, diz-nos na leitura de hoje. A luz do Advento que devemos acender para preparar o Natal, é a luz do amor que deve brilhar nos nossos corações e nas nossas ações. A luz de um amor que destrói os nossos egoísmos e o nosso orgulho, os nossos preconceitos e a nossa estreiteza de vistas. A luz de amor de uma criança que vem ao nosso encontro abrindo-nos os braços. Esta luz que acolhemos no Natal, devemos acendê-la, antes do Natal, no nosso coração.

O Advento é este tempo em que acendemos em nós a luz da esperança, a luz da caridade a luz do desejo de sermos totalmente cheios de Deus. Com toda a Igreja gritamos: Vem Senhor Jesus: Maranatha.

O Senhor é rei num trono de luz

De tal modo a liturgia nos vinha a preparar para este momento que já ia tardando este dia em que celebrámos esta bela solenidade.

Na sua homilia, tal como tão bem ilustrava o arranjo floral que embelezava a nossa igreja, o Pe Francisco, que presidia à celebração, explorou a realeza de Jesus à luz do Evangelho que a Igreja nos propunha naquele dia: Jesus já ferido e manietado, perante Pilatos e sendo condenado à morte.

Jesus é Rei, mas o seu reino não é deste mundo. O trono de Jesus na terra é a Cruz, onde Ele não está para ser servido, mas para servir.

Bom início de Advento para todos.

O COT Boa Nova foi a Pombal

A cruz do nosso COT tinha sido levada por uma delegação de SJBaptista, onde tem estado e permanecerá até ao próximo sábado, dia 27: mas também lá estavam, de entre aqueles que integram o nosso COT,  alguns animadores do ASJ (SJosé), escuteiros de Ceira, Grupo de Jovens das Torres do Mondego, alguns pais que tinham acompanhado os filhos, e a delegação da Emanuel Jovens que entretanto regressava de Lisboa onde no dia anterior tinham participado numa atividade.

Um dos desafios será, porventura, arranjar maneira de agora esta gente se conhecer toda entre si: há, com certeza, muito trabalho pela frente.

Ainda tentámos que pelo menos se tirasse uma foto conjunta, mas tal acabou por não ser possível: mas oportunidades não haverão de faltar, se Deus quiser.

Retiro de Advento

Continuam a decorrer as inscrições para o retiro de Advento que trará às nossas paróquias o bispo de Viseu, D António Luciano.

O retiro será de um dia – um sábado – das 9h30 às 17h00 em modalidade presencial, no Salão Paroquial de São José.

Embora não venhamos – assim o esperamos – a recusar a entrada a quem não se inscrever, seria muito bom que todos quantos desejam participar se inscrevam ou na secretaria de uma das nossas paróquias ou, preferencialmente, online através do formulário cujo link está disponível na nossa LinkTree ( https://linktr.ee/sjbaptista ). Não podemos esquecer que os tempos em que vivemos continuam a ser ainda de alguma incerteza e importa a todos que sejam garantidas as condições de segurança sanitária necessárias para que todos estejamos e nos sintamos em segurança.

 

Os 10 mandamentos da família

Disse há dias o Pe Jorge numa reunião – em jeito de brincadeira, claro – que o Papa Francisco só nos dá trabalho.

Mas é trabalho do bom, daquele que dá frutos. Na verdade, a braços com o restabelecimento da vida comunitária nas nossas Igrejas paroquiais, fomos confrontados de surpresa com o Ano de São José, depois com o Ano Amoris Laetitia, e agora com o sínodo. E de facto, não é tarefa fácil encaixar todos estes desafios numa agenda pastoral que de si já é muito preenchida e exigente.

Desde o dia 16 de novembro que, passo a passo, o Departamento Nacional de Pastoral Familiar começou a publicar nas redes sociais uma proposta de decálogo para as famílias (10 mandamentos) emanado do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (um organismo do Vaticano): uma nova iniciativa no quadro do Ano “Família Amoris Laetitia”, dedicado pelo Papa Francisco às famílias – e que terminará no final da primavera de 2022.

Depois do rosário dos namorados, do rosário das famílias, da campanha social #WalkingwithFamilies, dos 10 vídeos Amoris Laetitia com o Santo Padre em diálogo com famílias do mundo todo e de muitos outros eventos e publicações, sai agora um Decálogo para as crianças, com 10 conselhos para crescer juntos – pais e filhos – no ambiente familiar, colocando em prática o que o Papa Francisco diz na exortação apostólica Amoris Laetitia.

São 10 dicas que os pais e educadores podem dar aos pequeninos para fazê-los descobrir a importância do diálogo em família, da fraternidade, do valor de si e do espírito de serviço.

Mesmo com toda a sua simplicidade, a campanha é importante, porque deseja – de acordo com as intenções do Dicastério – contribuir para focalizar a atenção pastoral na formação e educação das crianças em família, para ajudar os pais a não se renderem diante de tantos problemas hoje tão comuns na pré-adolescência. Estes geralmente são causados pela falta de diálogo com os filhos e de um profundo sentimento de solidão da parte das crianças, que, hoje em dia, podem esconder experiências traumáticas, como, por exemplo, o cyberbullying.

Assim, nas próximas semanas, iremos focar-nos em cada um destes 10 mandamentos: um por semana.

Amabilidade
Amar é também tornar-se amável, e nisto está o sentido do termo asjemonéi. Significa que o amor não age rudemente, não actua de forma inconveniente, não se mostra duro no trato. Os seus modos, as suas palavras, os seus gestos são agradáveis; não são ásperos, nem rígidos. Detesta fazer sofrer os outros. A cortesia «é uma escola de sensibilidade e altruísmo», que exige que a pessoa «cultive a sua mente e os seus sentidos, aprenda a ouvir, a falar e, em certos momentos, a calar». Ser amável não é um estilo que o cristão possa escolher ou rejeitar: faz parte das exigências irrenunciáveis do amor, por isso «todo o ser humano está obrigado a ser afável com aqueles que o rodeiam». Diariamente «entrar na vida do outro, mesmo quando faz parte da nossa existência, exige a delicadeza duma atitude não invasiva, que renova a confiança e o respeito. (…) E quanto mais íntimo e profundo for o amor, tanto mais exigirá o respeito pela liberdade e a capacidade de esperar que o outro abra a porta do seu coração».

A fim de se predispor para um verdadeiro encontro com o outro, requer-se um olhar amável pousado nele. Isto não é possível quando reina um pessimismo que põe em evidência os defeitos e erros alheios, talvez para compensar os próprios complexos. Um olhar amável faz com que nos detenhamos menos nos limites do outro, podendo assim tolerá-lo e unirmo-nos num projecto comum, apesar de sermos diferentes.

O amor amável gera vínculos, cultiva laços, cria novas redes de integração, constrói um tecido social firme. Deste modo, uma pessoa protege-se a si mesma, pois, sem sentido de pertença, não se pode sustentar uma entrega aos outros, acabando cada um por buscar apenas as próprias conveniências, e a convivência torna-se impossível. Uma pessoa anti-social julga que os outros existem para satisfazer as suas necessidades e, quando o fazem, cumprem apenas o seu dever. Neste caso, não haveria espaço para a amabilidade do amor e a sua linguagem. A pessoa que ama é capaz de dizer palavras de incentivo, que reconfortam, fortalecem, consolam, estimulam. Vejamos, por exemplo, algumas palavras que Jesus dizia às pessoas: «Filho, tem confiança!» (Mt 9, 2). «Grande é a tua fé!» (Mt 15, 28). «Levanta-te!» (Mc 5, 41). «Vai em paz» (Lc 7, 50). «Não temais!» (Mt 14, 27). Não são palavras que humilham, angustiam, irritam, desprezam. Na família, é preciso aprender esta linguagem amável de Jesus.

Amoris Laetitia, nº 99 e 100

Proposta de Caminhada de Advento em Casal

Vivre d’Amour, uma associação francesa à qual pertence o Pe Paulo Araújo, um padre da nossa diocese e da Comunidade Emanuel, natural das Carvalhosas (Torres do Mondego), e que já celebrou a eucaristia algumas vezes nas nossas paróquias, está a oferecer aos casais uma caminhada de Advento para se prepararem para acolher a alegria do Natal, a alegria de um Amor que sempre quer nascer e renascer nos nossos corações.

Deus chama cada casal a acolher o amor! Deus chama cada casal a cuidar do amor, a alimentá-lo, a fazê-lo crescer como faria com um recém-nascido.

Os recém-nascidos despertam nos seus pais capacidades desconhecidas de dedicação, ternura, paciência, disponibilidade, superação de si mesmos. O mesmo se aplica ao amor que nasce da nossa relação: revela em nós maravilhas! Tal como a criança faz tornar-se pai, o amor faz tornar-se amoroso.

À imagem de Maria e José, todos os casais são chamados a fundar o seu amor no projecto de Deus. Do ordinário das nossas vidas, Deus quer fazer brotar o extraordinário!

O link, que também está na nossa LinkTree, é https://hozana.org/t/jCWVF

Programa da Comunidade Emanuel para as JMJ 2023

Depois de há umas duas semanas termos recebido em Coimbra e depois em Lisboa a delegação internacional do Comité para os Jovens da Comunidade Emanuel, foi na segunda feira publicado nas contas das redes sociais o programa a ser implementado na rota da comunidade para as Jornadas Mundiais da Juventude em 2023.

Este programa impacta-nos especialmente na medida em que se espera que as nossas paróquias e o nosso COT, eventualmente com outras, acolham alguns milhares de jovens que um pouco por todo o mundo já estão a ser mobilizados pela Comunidade Emanuel.

Preparados? Aqui vai :

• Forum Internacional de Jovens em Coimbra : 27-31 de Julho

• Peregrinação de um dia ao Santuário de Fátima

• Jornadas Mundiais da Juventude em Lisboa : 1-6 de Agosto

Brilharão como estrelas por toda a eternidade os que tiverem ensinado o caminho para Deus.

Começámos a formação a propósito do plano pastoral no Domingo 28º do Tempo Comum. Apresentámos a visão da Unidade Pastoral definindo visão como “uma imagem do futuro dada por Deus que produz esperança e paixão nas pessoas.”

Uma visão é-nos dada diante da insatisfação dos discípulos-missionários que amam a Igreja e que sentem que «isto podia ser melhor». Na visão das paróquias da Unidade Pastoral, está a imagem atrativa e que produz entusiasmo em nós ao imaginarmos comunidades fraternas e acolhedoras, que, tendo feito a experiência do encontro pessoal com Cristo, se dispõem a servir a comunidade colocando ao serviço da mesma os seus dons, talentos e bens, e todos a sentirem-se enviados ao mundo para lhe levar o fermento do Evangelho. O “ide e fazei discípulos” é uma frase central desta imagem.
Na construção desta imagem há a ideia de processo, isto é, de etapas. A conversão pessoal e a mudança dos corações e das comunidades não acontecem de repente; é um caminho, às vezes lento, que conduz de uma etapa à outra.

No enunciado da visão de S. José, esta ideia de processo é bem evidente: Nascemos do encontro pessoal com Cristo, crescemos na comunhão com Deus e com os irmãos, formamos discípulos que dão fruto pelo serviço e pela evangelização.

A de S. João Baptista, dita com outras palavras, tem o mesmo sentido: Somos uma comunidade orante e acolhedora, enraizada em Cristo que serve e anuncia o evangelho para a transformação do mundo.

Se quiséssemos resumir num lema ainda mais curto, diríamos simplesmente que o nosso lema é o mandato de Jesus: «Fazei discípulos-missionários».

Para fazer comunidades de discípulos, apresentámos os 5 pilares necessários que são:
– A evangelização, que consiste no anúncio do amor de Deus àqueles com quem nos cruzamos no dia a dia.
– O serviço e liderança, que permite exercer os nossos dons e os nossos talentos ao serviço dos outros.

– A comunidade e vida fraterna, que nos leva a juntarmo-nos à família de Deus e a tecer com ela laços de comunhão e de amor fraterno.
– A formação, que nos transforma e nos torna adultos na fé.
– O culto divino, a oração e os sacramentos, que nos permitem viver em união com Deus, crescendo na sua graça.

Como os sistemas do corpo humano, embora autónomos, estão todos interligados de tal forma que, se um não funciona bem, é todo o corpo que fica doente, assim cada um destes aspetos é essencial para o bom crescimento do discípulo e de uma comunidade de discípulos. Por isso, o Plano pastoral foi construído sobre estes 5 pontos essenciais.

No 29º Domingo comum, começámos a desenvolver o primeiro essencial, a evangelização. Lembrámos que a evangelização é a missão essencial da Igreja, a razão pela qual Jesus a fundou e lhe deu o Espírito Santo. Apresentámos 3 razões fundamentais pelas quais devemos evangelizar: a primeira por obediência ao mandato de Jesus; a segunda, porque o mundo tem uma extrema necessidade de conhecer Jesus como salvador, mesmo que o não saiba; e a terceira, porque «não podemos calar o que vimos e ouvimos».

Lembrámos também os obstáculos à evangelização e as resistências que vivemos que nos dificultam a tarefa evangelizadora:
1ª Não fomos formados para isso,
2º Confusão entre evangelização e proselitismo
3º A cultura laicista fez da religião uma questão íntima, de tal forma que evangelizar parece ser um violentar as consciências. Não se trata no entanto de impor, mas de propor.

No 30º Domingo do tempo Comum, a propósito da cura do cego Bartimeu, apresentámos um esquema de compreensão do processo de formação dos discípulos-missionários. No evangelho, aparece frequentemente Jesus a andar com os doze, outros discípulos e, depois, a multidão. Esta ainda não deu o passo para o discipulado. O evangelho apresenta-nos aquele momento central em que Bartimeu, que era membro da multidão, passa a ser discípulo porque teve um

encontro pessoal com Jesus, que o salvou. Este encontro salvador muda a vida da pessoa e leva-a a tomar a decisão de se tornar discípula de Jesus. Bartimeu levantou-se e seguiu Jesus. No entanto, há ainda várias etapas a percorrer até se ser um discípulo maduro na fé.

Lembrámos na altura o que era um discípulo: “Discípulo, é Aquele que encontrou Jesus pessoalmente, no seio da Igreja, que lhe entregou a sua vida, que tomou a decisão de viver segundo o Seu ensino, em todos os aspetos da vida. Um discípulo está, intencional e ativamente, comprometido com um processo contínuo de aprendizagem de Jesus e, inflamado com este encontro, partilha-o com outros.”

No 31ª Domingo do tempo Comum, apresentámos o caminho por etapas que a paróquia propõe a quem quer caminhar na fé e crescer como discípulo. Numa comunidade cristã, não estão todos no mesmo ponto do caminho: uns estão a começar, outros já têm uma história de fé. O esquema que apresentámos vai desde o princípio, de quem começa, até à maturidade espiritual. Podemos ver o esquema no Plano Pastoral que está à disposição de todos no site das respetivas paróquias da Unidade Pastoral.

Finalmente, no Domingo passado, perguntámos: Como começar a evangelizar?

Primeiro: Tomar a decisão de viver em estado de missão evangelizadora, aproveitando as ocasiões que surgem tantas vezes nas conversas com os outros, gerando assim a cultura de convite.

Segundo: Rezar pela ação evangelizadora da paróquia para que tudo o que se faz tenha um propósito evangelizador e dê frutos nos corações das pessoas. Orar pelos percursos Alpha, pelas células, pela catequese, pelos adolescentes e pelos jovens, pelos que servem na Liturgia, etc.

Terceiro: Praticar um acolhimento de excelência nas reuniões da comunidade, tanto nas missas como nos outros encontros. E, se há uma equipa para o acolhimento, todos podemos fazer a nossa parte. Mas, também a forma como participamos na Eucaristia pode ser evangelizadora. Uma comunidade que participa com alegria e entusiasmo na missa transmite por esse facto uma mensagem de fé e alegria que os outros captam.

Esta mudança de mentalidade leva tempo e não se faz num dia. O convite que vos fazemos hoje é a manifestardes a vossa vontade de ajudar a criar esta cultura evangelizadora na paróquia e a fazê-lo através de um gesto ritual semelhante ao que fazemos na Vigília pascal. O sacerdote acende a vela no círio e passa-a a duas pessoas, que passam a sua luz a várias outras numa multiplicação exponencial. Ao mesmo tempo, a luz que brilha lembra-nos a frase da primeira leitura de hoje: “Os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão como estrelas por toda a eternidade.”

Quando partilhamos a fé com outros ou os convidamos para lugares onde possam ouvir a Palavra de Deus, estamos a ensinar o caminho da justiça e brilharemos como estrelas por toda a eternidade.

Interrompemos agora essa formação para nos centramos na Liturgia do Advento e, depois, quando voltarmos ao Tempo Comum, recomeçaremos com o segundo Pilar da Formação dos discípulos: o serviço.

Folha Paroquial 21.11.2021 — NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

O Senhor é rei num trono de luz.

A folha pode ser descarregada aqui.

EVANGELHO ( Jo 18, 33b-37 )
Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: «Tu és o Rei dos Judeus?». Jesus respondeu-lhe: «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?». Disse-Lhe Pilatos: «Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?». Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui». Disse-Lhe Pilatos: «Então, Tu és Rei?». Jesus respondeu-lhe: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

 

 

MEDITAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Senhor Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo, Príncipe dos reis da terra, Alpha e Ómega de tudo quanto existe. A ti pertencem o poder, a honra e a realeza. Tu és o Rei do amor, tu que nos amaste e pelo teu sangue nos libertaste do pecado, fazendo de nós um Povo de louvor e adoração.

Senhor, conduz-nos pela mão e faz-nos entrar na visão da tua glória como Daniel, que, nas visões da noite, viu sobre as nuvens do céu o Filho do Homem cheio de glória e realeza, ou então leva-nos como Pedro ,Tiago e João, ao monte Tabor, para vermos a tua face divina. Às vezes, precisamos de ser conduzidos pelo Espírito à visão da tua glória para nos encher de alegria, de esperança e de louvor. Mas tu apareceste-nos como Deus encarnado, feito menino pobre, num presépio, desprovido de tudo. Aquele que era de condição divina não se valeu dessa condição, mas despojou-se a si mesmo para ser o mais humilde de todos os homens e se debruçar para lhes lavar os pés.

No evangelho de hoje revelas-te como um rei original. De mãos manietadas, a ser julgado pelos homens pecadores, cheio de fraqueza, manifestas a dignidade real que persiste e se torna ainda mais forte, na tua suprema serenidade e humildade que revela a tua grandeza muito mais do que as vestes sumptuosas, as coroas de ouro ou os palácios de marfim. Dizes-nos, desta forma, que a dignidade de cada homem não está na sua aparência, nas suas vestes, nas suas riquezas, no seu prestígio humano, mas naquilo que ele é, na sua essência.

E tu, na tua essência única, és o Filho eterno, Aquele que segundo a visão de Daniel lhe foi entregue o poder e a realeza. Tornaste-te grande, fazendo-te servo da humanidade, e ensinaste-nos o caminho da realeza. Unidos a ti, pelo batismo, como a vara aos ramos, também nós levamos connosco a dignidade de filhos de adoção filial. Podemos chamar ao teu Pai «Pai Nosso», pois Tu assim quiseste e nos ensinaste e enviaste- nos o teu Espírito que em nós testemunha que somos filhos de Deus e que pela tua morte na cruz e pela tua ressurreição fizeste de nós um povo real, quer dizer, em povo ministerial chamado a segui-te as pisadas como discípulos que aprendem contigo a servir. Como nos diz S. Paulo na Carta aos Romanos, Deus quer que reproduzamos na nossa vida a tua imagem (Rom 8,29) e compete-nos a nós tornar presente, no mundo e na Igreja, a imagem do Rei que reinou servindo e dando a vida por amor.

O serviço por amor é um dos propósitos essenciais da vida dos discípulos-missionários, inscrita na visão das nossas paróquias. Em S. José diz-se «Formamos discípulos que evangelizam com ousadia e servem com amor». Em S. João Batista, «queremos ser uma comunidade orante e acolhedora, enraizada em Cristo, que serve e anuncia o Evangelho para a transformação do mundo».

Ajuda-nos a imitar-te na humildade, no amor e no serviço, a ti, Rei da humanidade, que te tronaste Rei servindo e dando a vida. Sabemos que, se te imitássemos mais, as nossas comunidades seriam comunidades vivas de discípulos que te seguem na arte de servir com amor e rivalizaríamos uns com os outros na prontidão a servir. Deixaríamos de ser comunidades onde só alguns fazem alguma coisa, estafam-se, e outros assistem.

Neste dia, nosso Rei e servidor, fixamos os olhos em ti, na tua grandeza que se fez serviço humilde, e pedimos-te a graça da generosidade em servir com amor e humildade, para um dia reinarmos contigo junto do Ancião Venerável.

O Dia Mundial dos Pobres

No passado Domingo, 14 de novembro, por iniciativa do Papa Francisco, assinalámos o 5º Dia Mundial dos Pobres.

Escreveu o Papa Francisco: “Se quisermos realmente encontrar Jesus Cristo, devemos tocar Seu corpo na pessoa dos pobres sofredores”. De fato, desenvolver uma cultura de encontro é um tema-chave do pontificado do Santo Padre; dar testemunho contra a cultura do descarte, do desperdício e da indiferença, que exclui os seres humanos, considerados improdutivos ou inúteis”. O tema d; João acrescenta: “Judas opôs-se ao uso de um perfume caro para ungir o corpo de Jesus, mas São João deixa claro que Judas não amava os pobres e era um ladrão, porque roubava da caixa da comunidade”.o Dia Mundial dos Pobres deste ano é «Sempre tereis pobres entre vós», extraído das palavras de Jesus em Betânia, pouco antes da sua Paixão.

Este episódio é descrito pelos evangelistas Mateus, Marcos e João, onde Jesus diz que devemos trabalhar para aliviar a pobreza. O diretor da Caritas, Raymond Friel, recorda que enquanto Marcos afirma: “Jesus diz que, se quisermos, podemos ser gentis com os pobres”